Três fronteiras num só dia
Começamos o dia com os pés bem assentes no Brasil, em Foz do Iguaçu, e os olhos postos lá ao longe, do outro lado do rio – à esquerda, a Argentina, à nossa direita, o Paraguai. Começamos o dia no Marco das Três Fronteiras que, trocado por miúdos, não é mais do que um obelisco que estabelece o limite territorial entre os três países. As chegadas e partidas rápidas e constantes de camionetas repletas de olhos em bico e câmaras com a sede do disparo fizeram-nos apressar o passo.

Fonte: Daravolta.com
Uns cartazes publicitários espalhados por Foz do Iguaçu afirmam que, já ali ao lado, a uns breves quilómetros de distância, se pode presenciar uma das sete maravilhas do mundo. Não é uma das sete, mas bem poderia ser. As Cascatas de Iguaçu constam dos guias turísticos por uma razão simples e óbvia – a beleza natural.
Por linhas travessas, em esquinas e ruelas da cidade, ouvimos dizer que o lado argentino das cascatas “é bem mais bonito” que o lado brasileiro. Deixamos o Brasil, para logo voltar, e a Walentina entrou, pela primeira vez, em solo Argentino. Pelo meio da mata, de lombas e pequenos coatis a atravessar a estrada em modo apressado, demos de caras com a entrada para a reserva natural. Com a casa-ambulante no estacionamento, água na mochila e a curiosidade em punho, começamos a calcorrear os pequenos trilhos por entre os arbustos. Ao longe, ouve-se água a resvalar em queda livre. Uns segundos depois, é de perder a respiração.

Fonte: Daravolta.com
Um pequeno comboio, apinhado de turistas, conduz-nos para o derradeiro final: a Garganta do Diabo. A capacidade da construção humana faz-nos caminhar algumas centenas de metros por passadiços de ferro sobre a água castanha que corre sem dó nem piedade. Quando finalmente se avista ao longe, as palavras calam-se e o tempo não mais faz sentido. Um misto de arrepio e fascínio percorre-nos o corpo – a água é engolida por si mesma num buraco sem fim. Aqui, onde a mãe-natureza se sobrepõe às construções humanas, o barulho é ensurdecedor, abafa o clique das máquinas fotográficas, os gritos excitados e os passos apressados dos turistas menos pacientes. É avassalador presenciar o que a natureza por si só sabe calar.
Deixamos, por ora, a Argentina para trás e rumamos em direcção ao Paraguai. A literatura berra alto “para se ter cuidado” neste país. Não andar de janelas abertas e, na Ponte da Amizade (a saída do Brasil e entrada no Paraguai), não sair do carro pois o perigo espreita à porta.
Para melhor suportar o calor, as janelas iam abertas. Os poucos carros a percorrer a Ponte da Amizade permitiram-nos, num instante, chegar ao Paraguai, a Ciudad del Este. À primeira vista, senti a Índia a correr-me no sangue.

Fonte: Daravolta.com
Fonte: Daravolta.com
Começamos o dia com os pés bem assentes no Brasil, em Foz do Iguaçu, e os olhos postos lá ao longe, do outro lado do rio – à esquerda, a Argentina, à nossa direita, o Paraguai. Começamos o dia no Marco das Três Fronteiras que, trocado por miúdos, não é mais do que um obelisco que estabelece o limite territorial entre os três países. As chegadas e partidas rápidas e constantes de camionetas repletas de olhos em bico e câmaras com a sede do disparo fizeram-nos apressar o passo.
Fonte: Daravolta.com
Uns cartazes publicitários espalhados por Foz do Iguaçu afirmam que, já ali ao lado, a uns breves quilómetros de distância, se pode presenciar uma das sete maravilhas do mundo. Não é uma das sete, mas bem poderia ser. As Cascatas de Iguaçu constam dos guias turísticos por uma razão simples e óbvia – a beleza natural.
Por linhas travessas, em esquinas e ruelas da cidade, ouvimos dizer que o lado argentino das cascatas “é bem mais bonito” que o lado brasileiro. Deixamos o Brasil, para logo voltar, e a Walentina entrou, pela primeira vez, em solo Argentino. Pelo meio da mata, de lombas e pequenos coatis a atravessar a estrada em modo apressado, demos de caras com a entrada para a reserva natural. Com a casa-ambulante no estacionamento, água na mochila e a curiosidade em punho, começamos a calcorrear os pequenos trilhos por entre os arbustos. Ao longe, ouve-se água a resvalar em queda livre. Uns segundos depois, é de perder a respiração.
Fonte: Daravolta.com
Um pequeno comboio, apinhado de turistas, conduz-nos para o derradeiro final: a Garganta do Diabo. A capacidade da construção humana faz-nos caminhar algumas centenas de metros por passadiços de ferro sobre a água castanha que corre sem dó nem piedade. Quando finalmente se avista ao longe, as palavras calam-se e o tempo não mais faz sentido. Um misto de arrepio e fascínio percorre-nos o corpo – a água é engolida por si mesma num buraco sem fim. Aqui, onde a mãe-natureza se sobrepõe às construções humanas, o barulho é ensurdecedor, abafa o clique das máquinas fotográficas, os gritos excitados e os passos apressados dos turistas menos pacientes. É avassalador presenciar o que a natureza por si só sabe calar.
Deixamos, por ora, a Argentina para trás e rumamos em direcção ao Paraguai. A literatura berra alto “para se ter cuidado” neste país. Não andar de janelas abertas e, na Ponte da Amizade (a saída do Brasil e entrada no Paraguai), não sair do carro pois o perigo espreita à porta.
Para melhor suportar o calor, as janelas iam abertas. Os poucos carros a percorrer a Ponte da Amizade permitiram-nos, num instante, chegar ao Paraguai, a Ciudad del Este. À primeira vista, senti a Índia a correr-me no sangue.
Fonte: Daravolta.com
Fonte: Daravolta.com
Comentário