Vamos começar a acompanhar a aventura do casal da cidade de Porto, em Portugal, Inácio Rozeira e Helena Pimentel. Eles conheceram a Índia de um jeito diferente. Em uma viagem de mais de oito mil quilômetros, a companheira deles foi a moto Royal Enfield 350cc com um sidecar, além de Kashi, uma cadelinha adotada pelo casal.
Foram cinco meses de viagem: o casal saiu no dia 02 de novembro de 2010 e regressou em março de 2011. Quer saber mais? Clique aqui.
1ª Etapa: Delhi – Jaipur
02 de novembro de 2010

Fonte: Daravolta
Iniciamos a nossa volta pelo continente indiano. Segundo as minhas contas, no nosso sidecar e lado a lado, iremos transpor e percorrer quinze dos vinte e oito estados indianos. Neste dia, deixamos o estado e capital do país, Delhi, atravessamos Haryana, e entramos no estado do Rajastão, rumo à cidade de Jaipur. Tínhamos de percorrer 260 quilômetros num dia, que nas estradas indianas equivalem mais ou menos a sete longas horas de viagem. Pelo menos era esse o objectivo. Bem, o objectivo não foi cumprido.
Partimos ao meio-dia, seis horas depois do que tínhamos acordado no dia anterior. Mas o Inácio tinha estado com febre e acordar na hora que tínhamos estipulado tornou-se numa tarefa complicada e adiada vezes sem conta.
Saímos de Paharganj e vinte e cinco minutos passados deixamos de ouvir a nossa própria buzina. Ups, isto não pode ser bom. Na Índia, se não formos indianos, há duas coisas essenciais a ter em conta quando se conduz na estrada: tentar, ao máximo, não guiar segundo as regras de trânsito do país de origem (por mais que se tente nunca vamos entender as deles, cada um tem as suas e todos juntos regem-se por uma qualquer ordem invisível de leis e normas inatingíveis a comuns estrangeiros como nós); fazer uso da buzina o máximo de vezes possível, não para que os outros condutores nos saiam da frente mas simplesmente para deixar bem claro que andamos por ali, à direita, à esquerda ou atrás e que, a qualquer momento, quando bem nos der na gana, vamos ultrapassá-los.

Fonte: Daravolta
Trinta e cinco minutos depois, na entrada do viaduto de uma qualquer auto-estrada ainda em Delhi, ficamos sem gasolina. O Inácio meteu-se num rickshaw para ir buscar gasolina à bomba mais próxima, enquanto eu fiquei a tomar conta da mota. Nos quarenta e cinco minutos que demorou, sem muito para fazer e debaixo de um sol abrasador, fui prestando atenção ao que me rodeava: caminhão avariado mesmo atrás do nosso sidecar; incessante e irritante ruído das buzinas; do lado oposto à estrada, um campo de treino da força aérea indiana; na parede exterior do viaduto podia ler-se Help Line 18001031700. Perguntei-me para que servia aquele anúncio pintado na parede se nem específica qual o alvo da ajuda que pretende prestar. Andei de trás para a frente e de frente para trás vezes sem conta.
Com 1L de gasolina no depósito dirigimo-nos a uma bomba de gasolina e telefonámos ao Mr. Sharma, o nosso mecânico. Em vinte minutos estava lá o filho, Lucky, com o ajudante e, numa questão de segundos, tínhamos a buzina reparada.
Às 15h fizemo-nos de novo à estrada. Ao longo da tarde, passamos por doze veículos avariados na “berma” da estrada e apanhámos uma fila de trânsito, com origem numa qualquer razão desconhecida e invisível, que durou quarenta e cinco minutos. As separações centrais na estrada e as linhas brancas de divisão na faixa de rodagem são pormenores desnecessários para os indianos. Sentada no sidecar vou ao nível dos pneus dos camiões, o que torna qualquer trajecto numa incessante súplica para que não galguem por cima de nós. Acarretar com o fumo do tubo de escape deles é a dádiva à minha prece. Porque enquanto isto for acontecendo, ainda estão a passar por mim e não por cima de mim.

Fonte: Daravolta
A noite começou a dar sinal de si e começamos a procurar hotéis. Passamos por quatro hotéis de estrada que não serviram. Ou eram caros, ou estavam fechados ou apenas não tinham electricidade.
Entramos em Rewari, às 19h, uma localidade coberta pelo pó, com demasiadas pessoas e que nem sequer aparece no Lonely Planet. Espelunca de hotel. Pagamos 500 rupias (± 8 euros). Jantamos no quarto – fruta, amendoins e paratha – e deitamo-nos cedo. Queríamos acordar cedo para sair de lá o mais rapidamente possível.
Foram cinco meses de viagem: o casal saiu no dia 02 de novembro de 2010 e regressou em março de 2011. Quer saber mais? Clique aqui.
1ª Etapa: Delhi – Jaipur
02 de novembro de 2010
Fonte: Daravolta
Iniciamos a nossa volta pelo continente indiano. Segundo as minhas contas, no nosso sidecar e lado a lado, iremos transpor e percorrer quinze dos vinte e oito estados indianos. Neste dia, deixamos o estado e capital do país, Delhi, atravessamos Haryana, e entramos no estado do Rajastão, rumo à cidade de Jaipur. Tínhamos de percorrer 260 quilômetros num dia, que nas estradas indianas equivalem mais ou menos a sete longas horas de viagem. Pelo menos era esse o objectivo. Bem, o objectivo não foi cumprido.
Partimos ao meio-dia, seis horas depois do que tínhamos acordado no dia anterior. Mas o Inácio tinha estado com febre e acordar na hora que tínhamos estipulado tornou-se numa tarefa complicada e adiada vezes sem conta.
Saímos de Paharganj e vinte e cinco minutos passados deixamos de ouvir a nossa própria buzina. Ups, isto não pode ser bom. Na Índia, se não formos indianos, há duas coisas essenciais a ter em conta quando se conduz na estrada: tentar, ao máximo, não guiar segundo as regras de trânsito do país de origem (por mais que se tente nunca vamos entender as deles, cada um tem as suas e todos juntos regem-se por uma qualquer ordem invisível de leis e normas inatingíveis a comuns estrangeiros como nós); fazer uso da buzina o máximo de vezes possível, não para que os outros condutores nos saiam da frente mas simplesmente para deixar bem claro que andamos por ali, à direita, à esquerda ou atrás e que, a qualquer momento, quando bem nos der na gana, vamos ultrapassá-los.
Fonte: Daravolta
Trinta e cinco minutos depois, na entrada do viaduto de uma qualquer auto-estrada ainda em Delhi, ficamos sem gasolina. O Inácio meteu-se num rickshaw para ir buscar gasolina à bomba mais próxima, enquanto eu fiquei a tomar conta da mota. Nos quarenta e cinco minutos que demorou, sem muito para fazer e debaixo de um sol abrasador, fui prestando atenção ao que me rodeava: caminhão avariado mesmo atrás do nosso sidecar; incessante e irritante ruído das buzinas; do lado oposto à estrada, um campo de treino da força aérea indiana; na parede exterior do viaduto podia ler-se Help Line 18001031700. Perguntei-me para que servia aquele anúncio pintado na parede se nem específica qual o alvo da ajuda que pretende prestar. Andei de trás para a frente e de frente para trás vezes sem conta.
Com 1L de gasolina no depósito dirigimo-nos a uma bomba de gasolina e telefonámos ao Mr. Sharma, o nosso mecânico. Em vinte minutos estava lá o filho, Lucky, com o ajudante e, numa questão de segundos, tínhamos a buzina reparada.
Às 15h fizemo-nos de novo à estrada. Ao longo da tarde, passamos por doze veículos avariados na “berma” da estrada e apanhámos uma fila de trânsito, com origem numa qualquer razão desconhecida e invisível, que durou quarenta e cinco minutos. As separações centrais na estrada e as linhas brancas de divisão na faixa de rodagem são pormenores desnecessários para os indianos. Sentada no sidecar vou ao nível dos pneus dos camiões, o que torna qualquer trajecto numa incessante súplica para que não galguem por cima de nós. Acarretar com o fumo do tubo de escape deles é a dádiva à minha prece. Porque enquanto isto for acontecendo, ainda estão a passar por mim e não por cima de mim.
Fonte: Daravolta
A noite começou a dar sinal de si e começamos a procurar hotéis. Passamos por quatro hotéis de estrada que não serviram. Ou eram caros, ou estavam fechados ou apenas não tinham electricidade.
Entramos em Rewari, às 19h, uma localidade coberta pelo pó, com demasiadas pessoas e que nem sequer aparece no Lonely Planet. Espelunca de hotel. Pagamos 500 rupias (± 8 euros). Jantamos no quarto – fruta, amendoins e paratha – e deitamo-nos cedo. Queríamos acordar cedo para sair de lá o mais rapidamente possível.
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