Alguns sonhadores...

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  • karine
    Fazedor de Chuva
    • Jul 2012
    • 1595

    #1

    Alguns sonhadores...

    Fazedor de Chuva, você já pensou sobre o significado dos sonhos? Não, não estou falando aqui de uma Interpretação dos Sonhos, estudada amplamente por Freud.

    Falo do que os sonhos significam para a nossa existência. Falo de quantos passos (ou quilômetros) ou sonhos nos fazem caminhar (ou rodar). Você já parou para pensar o que seria uma vida sem os sonhos? O que iria nos motivar, o que nos levaria mais adiante?

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    O dicionário traz a seguinte definição: “Sonho: Imaginação sem fundamento, seqüência de idéias vãs e incoerentes, às quais o espírito se entrega; devaneio, fantasia, ilusão, utopia”.

    Será? Tudo o que sonhamos poderia ser resumido a mera utopia, ilusão?

    Mas o resultado dos sonhos é a concretização dos mesmos. Ou seja, aquela viagem, aquela casa, aquela pessoa. E tudo isso é real. Talvez outra definição traduza melhor: “Sonho: Idéia com a qual nos orgulhamos; idéia que alimentamos; pensamento dominante que seguimos com interesse ou paixão”.

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ID:	744933
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    Agora só resta escolher, Fazedor de Chuva! Ou encaramos nossos sonhos como uma utopia, algo sem nexo. Ou não apenas os encaramos, mas lutamos com eles, por eles e através deles.

    E você, o que escolheu?

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  • karine
    Fazedor de Chuva
    • Jul 2012
    • 1595

    #2
    Os sonhadores estão por toda a parte. Walt Disney é considerado um deles.

    Veja o que ele falou sobre os sonhos e o que fazer com eles.

    “Assim, depois de muito esperar, num dia como outro qualquer, decidi triunfar...
    Decidi não esperar as oportunidades e sim, eu mesmo buscá-las.
    Decidi ver cada problema como uma oportunidade de encontrar uma solução.
    Decidi ver cada deserto como uma possibilidade de encontrar um oásis.
    Decidi ver cada noite como um mistério a resolver.
    Decidi ver cada dia como uma nova oportunidade de ser feliz.
    Naquele dia descobri que meu único rival não era mais que minhas próprias limitações e que enfrentá-las era a única e melhor forma de as superar.
    Naquele dia, descobri que eu não era o melhor e que talvez eu nunca tivesse sido.
    Deixei de me importar com quem ganha ou perde.
    Agora me importa simplesmente saber melhor o que fazer.
    Aprendi que o difícil não é chegar lá em cima, e sim deixar de subir.
    Aprendi que o melhor triunfo é poder chamar alguém de"amigo".
    Descobri que o amor é mais que um simples estado de enamoramento, "o amor é uma filosofia de vida".
    Naquele dia, deixei de ser um reflexo dos meus escassos triunfos passados e passei a ser uma tênue luz no presente.
    Aprendi que de nada serve ser luz se não iluminar o caminho dos demais.
    Naquele dia, decidi trocar tantas coisas...
    Naquele dia, aprendi que os sonhos existem para tornar-se realidade.
    E desde aquele dia já não durmo para descansar... simplesmente durmo para sonhar”

    Walt Disney

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    • karine
      Fazedor de Chuva
      • Jul 2012
      • 1595

      #3
      Clarice Lispector nasceu em 1920 na Ucrânia. Aos dois anos de idade, veio ao Brasil com sua família. Formou-se em Direito, atuou como tradutora, jornalista e escritora e viveu muitos anos na Europa. Morreu na véspera de completar 57 anos, na cidade do Rio de Janeiro.

      Escreveu inúmeras peças de teatro, contos, novelas, contos infantis e crônicas. Com obras repletas de sentimentos e impressões, a autora é reconhecida mundialmente. Mas, acima de tudo, ela foi uma sonhadora.

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ID:	159196
      Foto da Internet

      O sonho

      Sonhe com aquilo que você quer ser,
      porque você possui apenas uma vida
      e nela só se tem uma chance
      de fazer aquilo que quer.

      Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
      Dificuldades para fazê-la forte.
      Tristeza para fazê-la humana.
      E esperança suficiente para fazê-la feliz.

      As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.
      Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
      que aparecem em seus caminhos.

      A felicidade aparece para aqueles que choram.
      Para aqueles que se machucam
      Para aqueles que buscam e tentam sempre.
      E para aqueles que reconhecem
      a importância das pessoas que passaram por suas vidas”.

      Clarice Lispector

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      • Dolor
        Fazedor de Chuva

        • Mar 2011
        • 3250

        #4
        Muito inspiradora esta série Alguns sonhadores...

        Já me fez refletir e muito sobre algumas amarras que não tem permitido deixar os meus sonhos...se tornarem a realidade que quero viver.

        Que venham outros!

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        • karine
          Fazedor de Chuva
          • Jul 2012
          • 1595

          #5
          “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis” (Fernando Sabino).

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ID:	159221
          Foto da Internet

          Fernando Sabino nasceu em 1923, na cidade de Belo Horizonte. Sabino ganhou inúmeras medalhas em competições de natação, formou-se em Direito, atuou como chefe de gabinete e jornalista, mas foi como escritor que ganhou notoriedade. Como trabalhou como correspondente, muitas de suas obras se passam em outros países. O relato da viagem à Europa, feita pela primeira vez por Fernando Sabino em 1959, está no livro "De Cabeça para Baixo".

          O autor faleceu em 2004, na cidade de Rio de Janeiro, e seu epitáfio, a pedido do mesmo, é o seguinte: "Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino". Um de seus maiores sonhos era justamente esse, voltar a ser um menino.

          “De tudo ficaram três coisas...
          A certeza de que estamos começando...
          A certeza de que é preciso continuar...
          A certeza de que podemos ser interrompidos
          antes de terminar...
          Façamos da interrupção um caminho novo...
          Da queda, um passo de dança...
          Do medo, uma escada...
          Do sonho, uma ponte...
          Da procura, um encontro!” (Fernando Sabino)

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          • karine
            Fazedor de Chuva
            • Jul 2012
            • 1595

            #6
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ID:	159764
            Foto da Internet

            O poeta Fernando Pessoa nasceu em Lisboa, Portugal, no dia 13 de Junho de 1888. Ainda criança, surge seu primeiro pseudônimo, Chevalier de Pas, assim como seu primeiro poema, um poema curto com a infantil epígrafe de À Minha Querida Mamã.

            Passa boa parte de sua juventude em Durban, na África do Sul. Volta a Portugal em 1905 e inicia seu contato com escritores portugueses e sua carreira como correspondente.

            Pessoa morreu aos 47 anos, mas, sem dúvida, sonhar e criar eram suas principais características. Inclusive é muito lembrado, porque criou outras vidas através de seus heterônimos.

            Dever de Sonhar
            “Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre,
            pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
            eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
            E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas
            supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho
            entre luzes brandas e músicas invisíveis”.

            (Fernando Pessoa)

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            • Dolor
              Fazedor de Chuva

              • Mar 2011
              • 3250

              #7
              De muito bom gosto, conforme já tive oportunidade de me manifestar, esta série dos Sonhadores, aliás, a qualidade deles é incrível e coloca-los dentro deste nosso território é nos dar mais asas para podermos ir muito mais longe.

              Ser "colega" de sonhos dos Fernandos, o Sabino e o Pessoa, não é pouca responsabilidade, conforme o Fernando, o Pessoa eternizou:

              Valeu a pena? Tudo vale a pena
              Se a alma não é pequena.
              Quem quer passar além do Bojador
              Tem que passar além da dor.
              Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
              Mas nele é que espelhou o céu.


              Que maravilha começar a semana com esta inspiração!

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              • karine
                Fazedor de Chuva
                • Jul 2012
                • 1595

                #8
                Click image for larger version

Name:	jorge_amado1.jpg
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ID:	159852
                Foto da Internet

                Um dos maiores escritores brasileiros comemoraria 100 anos de idade em 2012. Jorge Amado nasceu em 10 de Agosto de 1912, em Itabuna, na Bahia. Formou-se na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro e tornou-se membro do partido Comunista do Brasil, que criou a Aliança Nacional Libertadora, a qual possuía um jornal, “A Manhã”, no qual Jorge Amado escrevia.

                A maioria das obras do escritor baiano traz críticas sociais à sociedade baiana. Alguns livros de maior destaque de Jorge Amado foram: “Capitães de Areia” (1936), “Dona flor e seus dois Maridos” (1966) e “Gabriela Cravo e Canela” (1975).

                Em 1945, Jorge Amado conhece sua segunda esposa, Zélia Gattai e com ela passa a viver. Com o cancelamento do Partido Comunista, Jorge Amado, em 1948, teve cassado o seu mandato de deputado federal. Sozinho, parte para o exílio na França. Sua casa no Rio foi invadida, sues livros queimados por serem considerados matéria subversiva. Viaja depois pelo mundo, por muitos anos, onde recebeu inúmeras homenagens. Depois, volta ao Brasil. No dia 2 de Julho de 2001 é internado com problemas cardíacos. Em 06 de agosto, falece em sua cidade, Salvador.

                Muitos consideravam Jorge Amado um sonhador, que ficou fascinado pelas promessas dos comunistas, que diziam ser possível eliminar a pobreza da humanidade. Em uma entrevista realizada em 2010, Cecilia Amado, neta do escritor, revela que Jorge Amado tinha outro sonho quando era jovem: ser cineasta.

                Um dos sonhos realizados pelo escritor foi a construção da Fundação Casa de Jorge Amado, em Salvador. Uma instituição cultural com várias atividades e um núcleo de pesquisas, com documentação sobre o próprio Jorge Amado, Zélia Gattai e a literatura baiana, aberta à visitação e dando destaque a cursos, seminários, oficinas, ciclos de conferências, palestras, lançamentos de livros e discos, exposições, com enfoque nos temas literários, artísticos e das ciências humanas.

                “Uma casa de palavras, fiel ao destino que lhe traçaram desde o início, quando era apenas um sonho. Casa de Jorge Amado — múltipla, inquieta, mutável e mutante, que a cada dia se renova, hospitaleira e receptiva”

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ID:	159853
                Foto da Internet

                "Uma leitura ou uma história só prestam, empolgam e nos fazem sonhar quando transmitidas com prazer e emoção." (Zélia Gattai)

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                • Dolor
                  Fazedor de Chuva

                  • Mar 2011
                  • 3250

                  #9
                  Que padrão de sonhadores!

                  Pelo menos na grandeza dos meus sonhos me permito me incluir nesta galeria de "hors concours", até porque, pelo menos nos meus sonhos, o céu é o limite.

                  Imaginem, um pobre mortal como eu, ter a ousadia de no sonho, ser parceiro, colega, destes "monstros" aqui apresentados.

                  Por favor, não me acordem!

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                  • karine
                    Fazedor de Chuva
                    • Jul 2012
                    • 1595

                    #10
                    O poeta das formas

                    "Meu trabalho não tem importância, nem a arquitetura tem importância para mim. Para mim, o importante é a vida, a gente se abraçar, conhecer as pessoas, haver solidariedade, pensar em um mundo melhor, o resto é conversa fiada" (Oscar Niemeyer)

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                    Foto da Internet

                    O poeta das formas. É assim que era chamado o arquiteto que marcou e fez parte da história brasileira, Oscar Niemeyer. Ele faleceu às vésperas de completar 105 anos, no Rio de Janeiro. Sua obra mais reconhecida é Brasília, a qual ajudou a projetar, desde o Palácio do Planalto à Catedral.

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ID:	159919
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                    Porém, Nimeyer não era um simples arquiteto. Ele inovou ao trazer curvas para os ângulos, antes tão retos e rígidos. Também era escultor e um poeta, que transmitia sua poesia através das verdadeiras obras de arte que são as construções por ele projetadas.

                    "Para atingir o nível de obra de arte, ela [a arquitetura] tem de primeiro ser diferente e depois ser uma coisa que cria espanto, cria beleza. A arquitetura que eu faço é a que não aceita regras. Eu procuro fazer lógica funcional e tudo, mas criando, partindo de um desenho, uma ideia" (Niemeyer)

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ID:	159921
                    Foto da Internet

                    Os sonhos faziam parte da vida e da obra do arquiteto. Comunista convicto, sonhava com uma sociedade mais igualitária e solidária.

                    "A humanidade precisa de sonhos para suportar a miséria, nem que seja por um instante" (Niemeyer)

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                    • Dolor
                      Fazedor de Chuva

                      • Mar 2011
                      • 3250

                      #11
                      Muito justa esta homenagem ao grande arquiteto Oscar Niemeyer, brasileiro que nos orgulhou mundo afora!

                      Ficamos, sem dúvida, muito mais pobres!

                      Obrigado FC Oscar Niemeyer, você nos enriqueceu com a sua existência.

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                      • karine
                        Fazedor de Chuva
                        • Jul 2012
                        • 1595

                        #12
                        Click image for larger version

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ID:	160098
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                        William Shakespeare nasceu em 23 de abril de 1564, na pequena cidade inglesa de Stratford-Avon. Ainda criança, demonstra grande interesse pela literatura e pela escrita. Com 18 anos de idade casou-se com Anne Hathaway e, com ela, teve três filhos.

                        Com 27 anos, foi morar na cidade de Londres, em busca de oportunidades na área cultural. Começa escrever sua primeira peça, Comédia dos Erros, no ano de 1590 e termina quatro anos depois. Nesta época escreveu aproximadamente 150 sonetos. Mas é na dramaturgia que Shakespeare ganha destaque.

                        Os textos de Shakespeare fizeram e ainda fazem sucesso, pois tratam de temas próprios dos seres humanos, independente do tempo histórico. Amor, relacionamentos afetivos, sentimentos, questões sociais, temas políticos e outros assuntos, relacionados à condição humana, são constantes nas obras deste escritor. Algumas de suas obras são recriadas até hoje pelo cinema, literatura teatro, como Romeu e Julieta e Hamlet.

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ID:	160099
                        Foto da Internet

                        Sem dúvida, tanta inspiração retrata um homem sonhador e sem medo de demonstrar os mais puros sentimentos.

                        "Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
                        Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância.
                        O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado"
                        (Sonho de uma Noite de Verão, Willian Shakspeare)

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                        • Dolor
                          Fazedor de Chuva

                          • Mar 2011
                          • 3250

                          #13
                          Pelo menos tenho alguma coisa em comum com estes "monstros" apresentados aqui no site: a capacidade de sonhar.

                          E como devemos, pelo menos nos sonhos, sonhar muito alto, não me sinto nem um pouco menor do que eles neste quesito.

                          São ou foram Fazedores de Chuva!

                          Como nós!

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                          • karine
                            Fazedor de Chuva
                            • Jul 2012
                            • 1595

                            #14
                            Para descrever o poeta das coisas simples, Mário Quintana, nada mais justo que utilizar as palavras do próprio escritor. Ele escreveu um texto sobre ele mesmo para a revista Istoé, em 1984.

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                            "Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.

                            Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu... Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?

                            Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Verissimo - que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras".

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                            Quintana, que faleceu em 1994, aos 87 anos, escreveu sobre sonhos e foi ele também um sonhador. Eis alguns versos dele sobre o tema:

                            "Sonhar é acordar-se para dentro" Mário Quintana

                            "Das utopias
                            Se as coisas são inatingíveis... ora!
                            Não é motivo para não querê-las...
                            Que tristes os caminhos, se não fora
                            A presença distante das estrelas!"
                            Mário Quintana

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                            • Cezar Riva
                              Fazedor de Chuva

                              • Sep 2012
                              • 229

                              #15
                              Parabéns Karine,
                              Bela e justa homenagem a todos os sonhadores....

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