Capítulo 36 - Lança chamas - 30/04 a 01/05/2003 - Início
Numa recaída de trabalhador, talvez por causa da antevéspera do dia dedicado a eles, respirei fundo, peguei a máquina datilográfica eletrônica e me pus a trabalhar, pensando em deixar esta história da vida real contada em tempo irreal, mais ou menos próxima da realidade.
Dito e feito, até altas horas como que estivesse desafiando meu lado preguiçoso, que sinceramente detesto (o trabalhador), pois prefiro esta faceta de vadio, que gosta de acordar cedo para ficar mais tempo sem fazer nada, fui dormir bem tarde, ficando de tempos em tempos olhando para minha mulherzinha, que ferrada num sono profundo chegava a babar, poupando-lhe desta feita o sacrifício de me escutar ler as "baboseiradas" que insisto em escrever, respeitando o compromisso assumido de jogar no ar para os leitores, nossos fiéis acompanhantes, proprietários incontestes do nosso respeito.
Só por isto, tudo vale a pena.
Bem, tudo escrito, lido e relido, gravado e testado, após todos os apetrechos guardados, nem me lembro de ter colocado a perna esquerda em cima da cama, pois antes que o despertador tocasse, já estava juntamente com a Ângela acordado e pronto para retomar nossa rotina de estrada.

E como o assunto durante estes últimos dias foi a seleção brasileira, com o "femômeno" estampado em praticamente todos os jornais dessa capital, nem nos tocamos de que poderíamos assistir a este jogo, até porque nosso roteiro era exatamente... Guadalajara. Pode?
Como queríamos enviar o material escrito via internet, tivemos que aguardar até às 10 h, horário em que os vadios abriram o boteco, para que remetêssemos referido capítulo e aí sim, de uma certa forma, começamos a pensar na possibilidade de assistir tal jogo.
Pergunta daqui, pergunta de lá qual a melhor saída desta metrópole, chegamos à conclusão de que deveríamos tomar a tal da Calle Reforma e seguir sempre em frente, com a preocupação de desviarmos da tal autopista “cuota”, aquela que nos pegou com as calças curtas vindo de Acapulco.
Como todas as informações foram sempre de que não teríamos problemas em tomar a autopista, pois o preço seria em torno de 16 a 23 pesos mexicanos, o equivalente portanto de U$1,6 a U$2,3 o que achamos razoável e ainda meio desconfiados, acabamos na bifurcação entre a livre e a paga, optando por esta última, que fomos entre saboreando e nos sobressaltando a cada quilometro rodado, informados pelos painéis de que o preço era de U$8,3 naquela passada.
Quase morri do coração e já comecei a me xingar e a gritar desesperadamente que estava sendo de novo assaltado e olhando pela lateral da estrada, não via saída para nos evadir daquela armadilha.
Paramos num "paradero" para nos informar de como pegar a livre e as informações infelizmente são sempre desencontradas, pois temos a impressão de que esta gente não sabe nem onde está.
É uma agonia!
Entretanto, alguns metros à frente nos deparamos com a informação de que havia uma opção pela gratuita, no que nos jogamos de cabeça, nos escapando do escalpe que parecia iminente.
Obrigado meu Deus das estradas gratuitas, não importando se são meia boca ou não, por mais esta oportunidade que nos concedes.
E assim entre curvas, muitas curvas, buracos "pero no mucho", com calor muito calor, aí sim extremamente democrático, seja para as pagas ou não, ele brilhou e rachou na faixa dos quarenta o tempo todo, não perdoando ninguém muito menos aqueles que de armadura preta tentavam lhe enfrentar, sob a justificativa da segurança.
Depois de havermos passado por Toluca e Morelia chegamos à Zamora sem condições de rodar um metro a mais, cozidos pelo astro rei que continuava implacável, enquanto o relógio badalava sete da noite e distantes uns 160 km de Guadalajara, mesmo depois de havermos percorrido alguma coisa como 450 km desde a nossa largada da Cidade do México.
Como esta síndrome de pobreza tem me acompanhado há muito, na opção pelo apartamento escolhido no Hotel Fenix, por U$35,00, deixei de fora o ar condicionado, na tentativa de economizar uma "merrequinha" o que nos fez, com certeza, gastar algum tempo de sono, na tentativa vã de escapar do calor implacável, mesmo que o turno estivesse sob o cuidado e atenção da lua que brilhava, melhor dizendo, que cintilava nesta noite mexicana.
Vai ser esganado assim lá no México!
E como meio Brasil e outros dois tantos do México, assistimos parte da partida, sem nos empolgar, porém, nos divertindo muito com a platéia que lotava a pizzaria onde saciávamos nossa fome, sob os gritos, aplausos e angústias destes aficionados que, entre uma tequila e uma colherada de "chili", vibravam como poucos.

Aliás, é bom se fazer um registro sobre esta particularidade mexicana, pois o que esta gente come de pimenta ou "chili", até Deus duvida e se arrepia, que dirá nós pobres brasileiros e ainda por cima, sulistas.
Se pelo menos fôssemos baianos, com certeza não faríamos tão feio, com esta comida pesadamente picante.
Neste período de vida mexicana, já comemos mais pimenta, de todas as cores e ardumes, do que em toda a nossa vida até agora.
Inclusive hoje, ao pararmos num posto de gasolina no meio do caminho para dar uma reforçada no esqueleto, nos deparamos com uma pratada de sanduíches, o que é raro, de pão branco, e nem pensando, agarramos o mais próximo e ao darmos aquela mordida comandada pela fome, os olhões se encheram de lágrimas e as bocas se incendiaram, tamanha era a quantidade de pimenta escondida no meio das fatias. A consequência disto é que estou particularmente, nestes últimos dias, como um verdadeiro lança-chamas, me considerando ainda um "sortudo", por já haver terminado a guerra no Iraque, pois se o Tio Saddam soubesse da minha existência, com certeza teria me recrutado e o resultado final desta guerra teria sido outro.
Com uma arma destas na mão o bicho faria o diabo.
É força de fogo por cima e por baixo, queimando tudo o que vê pela frente ou o que o apóia por baixo.
Sinceramente neste momento sou o orgulho de todos os itajaienses!
Olhou mais ou menos feio, ou não atendeu bem, bomba tipo arrasa quarteirão, o que já me proporcionou queimaduras de segundo e terceiro graus nos países baixos.
O homem está uma fera!
Seja com "chili coseño", verde ou "rojo", a reação é garantida e o efeito assustador. Tem horas que penso em levantar vôo e tentar um ataque aéreo, o que acredito seria devastador.
Com um pouco mais de tempo, por volta de uma semana ou quem sabe menos, o que já está sendo contestado pela Ângela, a evolução deste lança chamas poderá chegar quem sabe a um tremendo lança *****, o que seria aí sim um show de tecnologia em matéria de destruição em massa.
Como a guerra lá naquele oposto do ocidente já terminou, acabei recebendo hoje, convites para terminar o que o Compadre Zapata começou e não finalizou, deixando inclusive a redistribuição de terras proposta pelo criador do MST aqui destas paradas adubada e com metano suficiente para gerar pequenas usinas de eletricidade.

Ao assistirem demonstrações que fiz, mesmo sem nenhum entusiasmo, fui ovacionado pela multidão que vomitava sem parar, com alguns inclusive que em busca de ar, comentavam emocionados que acontecimento como este nunca haviam presenciado e em uníssono gritavam:
"Viva El Fiofó de Oro", urra!
E para "sacanear" escutei a voz de um brasileiro no meio daquela multidão dizendo para um colega: isto que ele nem comeu batata doce, porque esse "peidão" eu conheço é de outros carnavais.
Numa recaída de trabalhador, talvez por causa da antevéspera do dia dedicado a eles, respirei fundo, peguei a máquina datilográfica eletrônica e me pus a trabalhar, pensando em deixar esta história da vida real contada em tempo irreal, mais ou menos próxima da realidade.
Dito e feito, até altas horas como que estivesse desafiando meu lado preguiçoso, que sinceramente detesto (o trabalhador), pois prefiro esta faceta de vadio, que gosta de acordar cedo para ficar mais tempo sem fazer nada, fui dormir bem tarde, ficando de tempos em tempos olhando para minha mulherzinha, que ferrada num sono profundo chegava a babar, poupando-lhe desta feita o sacrifício de me escutar ler as "baboseiradas" que insisto em escrever, respeitando o compromisso assumido de jogar no ar para os leitores, nossos fiéis acompanhantes, proprietários incontestes do nosso respeito.
Só por isto, tudo vale a pena.
Bem, tudo escrito, lido e relido, gravado e testado, após todos os apetrechos guardados, nem me lembro de ter colocado a perna esquerda em cima da cama, pois antes que o despertador tocasse, já estava juntamente com a Ângela acordado e pronto para retomar nossa rotina de estrada.
E como o assunto durante estes últimos dias foi a seleção brasileira, com o "femômeno" estampado em praticamente todos os jornais dessa capital, nem nos tocamos de que poderíamos assistir a este jogo, até porque nosso roteiro era exatamente... Guadalajara. Pode?
Como queríamos enviar o material escrito via internet, tivemos que aguardar até às 10 h, horário em que os vadios abriram o boteco, para que remetêssemos referido capítulo e aí sim, de uma certa forma, começamos a pensar na possibilidade de assistir tal jogo.
Pergunta daqui, pergunta de lá qual a melhor saída desta metrópole, chegamos à conclusão de que deveríamos tomar a tal da Calle Reforma e seguir sempre em frente, com a preocupação de desviarmos da tal autopista “cuota”, aquela que nos pegou com as calças curtas vindo de Acapulco.
Como todas as informações foram sempre de que não teríamos problemas em tomar a autopista, pois o preço seria em torno de 16 a 23 pesos mexicanos, o equivalente portanto de U$1,6 a U$2,3 o que achamos razoável e ainda meio desconfiados, acabamos na bifurcação entre a livre e a paga, optando por esta última, que fomos entre saboreando e nos sobressaltando a cada quilometro rodado, informados pelos painéis de que o preço era de U$8,3 naquela passada.
Quase morri do coração e já comecei a me xingar e a gritar desesperadamente que estava sendo de novo assaltado e olhando pela lateral da estrada, não via saída para nos evadir daquela armadilha.
Paramos num "paradero" para nos informar de como pegar a livre e as informações infelizmente são sempre desencontradas, pois temos a impressão de que esta gente não sabe nem onde está.
É uma agonia!
Entretanto, alguns metros à frente nos deparamos com a informação de que havia uma opção pela gratuita, no que nos jogamos de cabeça, nos escapando do escalpe que parecia iminente.
Obrigado meu Deus das estradas gratuitas, não importando se são meia boca ou não, por mais esta oportunidade que nos concedes.
E assim entre curvas, muitas curvas, buracos "pero no mucho", com calor muito calor, aí sim extremamente democrático, seja para as pagas ou não, ele brilhou e rachou na faixa dos quarenta o tempo todo, não perdoando ninguém muito menos aqueles que de armadura preta tentavam lhe enfrentar, sob a justificativa da segurança.
Depois de havermos passado por Toluca e Morelia chegamos à Zamora sem condições de rodar um metro a mais, cozidos pelo astro rei que continuava implacável, enquanto o relógio badalava sete da noite e distantes uns 160 km de Guadalajara, mesmo depois de havermos percorrido alguma coisa como 450 km desde a nossa largada da Cidade do México.
Como esta síndrome de pobreza tem me acompanhado há muito, na opção pelo apartamento escolhido no Hotel Fenix, por U$35,00, deixei de fora o ar condicionado, na tentativa de economizar uma "merrequinha" o que nos fez, com certeza, gastar algum tempo de sono, na tentativa vã de escapar do calor implacável, mesmo que o turno estivesse sob o cuidado e atenção da lua que brilhava, melhor dizendo, que cintilava nesta noite mexicana.
Vai ser esganado assim lá no México!
E como meio Brasil e outros dois tantos do México, assistimos parte da partida, sem nos empolgar, porém, nos divertindo muito com a platéia que lotava a pizzaria onde saciávamos nossa fome, sob os gritos, aplausos e angústias destes aficionados que, entre uma tequila e uma colherada de "chili", vibravam como poucos.
Aliás, é bom se fazer um registro sobre esta particularidade mexicana, pois o que esta gente come de pimenta ou "chili", até Deus duvida e se arrepia, que dirá nós pobres brasileiros e ainda por cima, sulistas.
Se pelo menos fôssemos baianos, com certeza não faríamos tão feio, com esta comida pesadamente picante.
Neste período de vida mexicana, já comemos mais pimenta, de todas as cores e ardumes, do que em toda a nossa vida até agora.
Inclusive hoje, ao pararmos num posto de gasolina no meio do caminho para dar uma reforçada no esqueleto, nos deparamos com uma pratada de sanduíches, o que é raro, de pão branco, e nem pensando, agarramos o mais próximo e ao darmos aquela mordida comandada pela fome, os olhões se encheram de lágrimas e as bocas se incendiaram, tamanha era a quantidade de pimenta escondida no meio das fatias. A consequência disto é que estou particularmente, nestes últimos dias, como um verdadeiro lança-chamas, me considerando ainda um "sortudo", por já haver terminado a guerra no Iraque, pois se o Tio Saddam soubesse da minha existência, com certeza teria me recrutado e o resultado final desta guerra teria sido outro.
Com uma arma destas na mão o bicho faria o diabo.
É força de fogo por cima e por baixo, queimando tudo o que vê pela frente ou o que o apóia por baixo.
Sinceramente neste momento sou o orgulho de todos os itajaienses!
Olhou mais ou menos feio, ou não atendeu bem, bomba tipo arrasa quarteirão, o que já me proporcionou queimaduras de segundo e terceiro graus nos países baixos.
O homem está uma fera!
Seja com "chili coseño", verde ou "rojo", a reação é garantida e o efeito assustador. Tem horas que penso em levantar vôo e tentar um ataque aéreo, o que acredito seria devastador.
Com um pouco mais de tempo, por volta de uma semana ou quem sabe menos, o que já está sendo contestado pela Ângela, a evolução deste lança chamas poderá chegar quem sabe a um tremendo lança *****, o que seria aí sim um show de tecnologia em matéria de destruição em massa.
Como a guerra lá naquele oposto do ocidente já terminou, acabei recebendo hoje, convites para terminar o que o Compadre Zapata começou e não finalizou, deixando inclusive a redistribuição de terras proposta pelo criador do MST aqui destas paradas adubada e com metano suficiente para gerar pequenas usinas de eletricidade.
Ao assistirem demonstrações que fiz, mesmo sem nenhum entusiasmo, fui ovacionado pela multidão que vomitava sem parar, com alguns inclusive que em busca de ar, comentavam emocionados que acontecimento como este nunca haviam presenciado e em uníssono gritavam:
"Viva El Fiofó de Oro", urra!
E para "sacanear" escutei a voz de um brasileiro no meio daquela multidão dizendo para um colega: isto que ele nem comeu batata doce, porque esse "peidão" eu conheço é de outros carnavais.










Comentário