No Vento com o Sonho

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  • Chiquinho
    Fazedor de Chuva
    • Apr 2012
    • 34

    #31
    Queridos Dolor e Tia Ângela.
    Lembro-me com muito carinho do domingo em que nos encontrávamos no Escritório, forma íntima a que nos referimos ao Chaplin e arredores, e surgiu, de forma muito alegre, o convite para que eu participasse desta despedida somada à comemoração dos seus, Dolor, 50 anos, se não me engano, uma vez que na data oficial do aniversário já estariam em viagem.
    É muito interessante olhar para trás e ver que a única coisa que mudou em "Dolor e Ângela" nestes útimos 9 anos foi o seu cabelo, pois a simpatia, a alegria, o senso de humor, as brincadeiras e, principalmente, esse sorriso que não sai do teu rosto e da tia Ângela permaneceram com a mesma intensidade que eram em 2003 e, se Deus quiser (e Ele há de querer) permanecerão para sempre, pois lembrar de vocês é lembrar apenas de coisas boas e bons momentos.
    Em um destes posts seus, você escreve sobre os "irmãos de sangue e os irmãos que a vida aproximou".
    Parafraseando você e um "cantorzinho aí", Roberto Carlos, existem pessoas na nossa vida que nós não escolhemos: Pais, irmãos, tios, avós, eles são naturais. Mas existem pessoas que a Vida nos permite escolher. E eu, embora com a real certeza de que a recíproca seja verdadeira (e sem nenhuma falsa modéstia), escolhi vocês dois para a minha Vida. É um privilégio ser merecedor da amizade de vocês.
    Ótima semana. Conversamos
    Um, digo, dois, beijos (um para cada um né)
    Chiquinho

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    • Dolor
      Fazedor de Chuva

      • Mar 2011
      • 3250

      #32
      Querido FC PHD Chiquinho, obrigado pela gentileza das tuas palavras, carinho e claro, tu sempre fizeste parte daquele grupo de "velhos" que viviam os teus sonhos, pilotando aquelas máquinas que sabias, um dia, que passou como num piscar de olhos, seriam a chave que transformaria os teus desejos em realidade.

      E como chegou rápido, não é verdade?

      Que felicidade para a tua família, que soube construir o belo ser humano que és, professor admirável e amigo fraterno que nos alegra com o teu sucesso!

      Agora só falta nos abraçarmos numa dessas estradas, para acima de tudo, dividirmos a paixão pelo vento que nos manterá acordados, para que nos sintamos verdadeiramente como parte do mundo.

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      Deixe a Lindona pronta para decolarmos qualquer hora dessa!

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      • Dolor
        Fazedor de Chuva

        • Mar 2011
        • 3250

        #33
        Capítulo 29 - Colômbia, que pasa! - 28-03 a 04-04-2003 - Parte dois

        Planando desde Ipiales por altitudes a partir da casa dos três mil metros, foi um tal de subir e descer em forma de nó, que tornou a viagem, como sempre, ainda mais prazerosa.

        Boas cidades pelo meio do caminho, destacando-se a região cafeeira da Colômbia, entre Armênia, Pereira e Manizales, almoçamos um churrasco quase que a nossa moda, matando desta maneira um pouco das saudades dos nossos hábitos alimentares e regados a boas chuvas para abençoar nossas passagens por estas plagas, chegamos a Medellín, ai meu Deus!

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        E Medellín, com as suas quase três milhões de almas, chegou juntinho com a noite que para comemorar, nos demos como presente de sobrevivência a estes dois desafios vencidos, uma bela noite de hospedagem no Hotel Intercontinental de Medellín, com uma tarifa super especial de U$50,00, sob a batuta agora do nosso amigo Tony, venezuelano e como nós dizemos, gente boa pra caramba que nos acolheu como irmãos.

        Através dele tivemos a oportunidade ainda de sermos apresentados ao General Leonardo Gallegos, homem mais do que responsável pelo intenso combate ao narcotráfico na Colômbia, ganhando evidentemente inimigos mortais.

        Nos causou admiração a "entourage" de "guardas espaldas" que o acompanhavam, armados até os dentes.

        Boa sorte meu General e que o senhor continue ajudando a transformar a sua Colômbia neste lugar que tão rapidamente aprendemos a amar e a respeitar.

        Valeu também Tony pelo carinho, pelas fotos e pelas despedidas, agora num dia belíssimo, ensolarado e digno das grandes pilotadas.

        Trazemos cada um de vocês, dos seus acenos e dos seus bons votos, bem apertados em nossos corações, que já fazem parte da nossa história.

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        Moto na estrada, para mais uma jornada, agora de 650 km, distância que nos separava de Cartagena, via Monteria e Sincelejo.

        Bem, agora sim, é que chegaram as curvas.

        Mas põe estradinha torta sô!

        Cheguei a ficar com dor nos braços de tanto nó que foi dado nesta estrada.

        Sinceramente, agora foi sacanagem!

        Nos deixou tontos, a triste!

        Claro que sempre por uma região belíssima pois verde é o que não falta nesta enigmática Colômbia.

        É uma fartura a variedade de cores deste trajeto que se iniciou em Ipiales, desde que, obviamente, a cor escolhida seja o verde.

        É um show com a estrada beirando sempre esta parte da cordilheira, com precipícios enormes, que nos fizeram de novo lembrar da nossa adorada Serra do Rio do Rastro que juramos, vamos subir também "discostas" tal a agressividade desta topografia colombiana.

        Com todos os pedidos e juras feitos pelo meio dos caminhos de que jamais iríamos viajar à noite, porque dizem, até o exército desarma a barraca e "carcam", e os folgados, sem pressa, pensando que estão no Vaticano, param para almoçar, quase tiram uma pestana e não se apercebem de que as distâncias por aqui são quantificadas por horas, pela dificuldade em se vencer topografia tão particular.

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        E desta maneira, agora sim, com os nossos fantasmas nos pressionando, a noite nos pegou ainda distantes de Cartagena, uns cem quilômetros.

        E eu tentando acalmar a Ângela dizia: te preocupa não, porque a guerrilha é só por aqui, em Cartagena só tem pirata!

        E à medida que avançávamos íamos percebendo que os "retén", quer dizer, postos do exército, estavam vazios e quando ultrapassamos alguns caminhões carregados de soldados se dirigindo para as suas unidades e quando eles balançavam as cabeças em nos "mirando" em tom de despedida, o cheiro, sinceramente aumentava.

        Para terem uma idéia da tranquilidade reinante por estas bandas, a Ângela, provavelmente motivada pelo chá de coca que havia bebido, ou pela insolação que nos apertou durante a tarde e num devaneio chegou a me dizer: Aí “nêgo”, se eu soubesse que teríamos um final feliz, até que eu gostaria de ter um contato com essa guerrilha, "o que achas?

        E eu: acho que “tás” é doida, doida varrida mulher!

        “Tás” pensando que isso aqui é brincadeira?

        ...Ah! eu tinha só pensado que seria interessante!

        Em questão de minutos o breu era total e não me contive em questiona-la sobre o seu desejo de encontrar com a Farc, cuja resposta foi incontinenti: pelo amor de Deus, toca, não para...e... falta muito?

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        Com a ansiedade crescente, pensávamos que pelo andar da carruagem o Alasca chegaria antes de Cartagena.

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        Finalmente Cartagena de Índias chegou, iluminada, linda, deliciosa e alegre, transpirando hospitalidade entre os seus mais de 750.000 habitantes.

        Após uma geral pelos hotéis da região de Boca Grande, nos hospedamos maravilhosamente bem no Hotel Charlotte, por U$40,00, um presente para os nossos nervos descansarem de toda esta "neura" que envolve a Colômbia.

        Bom café da manhã, agradecendo mais uma vez ao nosso Deus de todos os apertos, corremos atrás dos contatos que onosso amigo Marcellus Dadan, de Brusque, outro doido que se dirige também ao Alasca nos forneceu, fomos providenciar a documentação necessária para que pudéssemos despachar a bonitona para o Panamá.

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        Sem nenhuma moleza, estes três dias, compreendidos entre um e três deste mês, foram dedicados a este mister, que se encerrou com a vistoria da Bonitona, pela polícia antinarcóticos.

        Foi, confesso, uma trabalheira danada, pois havia necessidade da confecção de uma embalagem, que começava pela compra de madeira, contratação de carpinteiros e vai por aí afora.

        Para quem não está mais acostumado a trabalhar, pois este fardo passei com muito prazer pro nosso "gadinho", conseguimos administrar bem toda esta lambança, finalizando com uma bela embalagem de presente para ser recebida na outra América, agora chamada Central.

        Durante todos estes dias de Colômbia não entendíamos o porquê de tanta má fama, sendo que até o presente momento, não havia se justificado nem pela menor desconfiança ou mau momento que pudéssemos ter vivido.

        Tudo absolutamente tranquilo, sem havermos observado nestes quase dois mil quilômetros neste território, um só momento, uma só situação de perigo, ou mesmo que seja, um só carro de escolta, extremamente comum em nossa terra pátria.

        Não seria justo com este país se levantássemos uma só suspeita, temor ou dúvida durante nossa passagem por estas terras.

        Com as pessoas com as quais falamos e nos relacionamos fizemos questão de deixar registradas estas nossas impressões e sentimentos.

        E todos alegres com nossos conceitos sobre seu país nos agradeciam com belos sorrisos e ternas palavras.

        Foram e tem sido esta nossa estadia pela Colômbia uma verdadeira surpresa, principalmente porque estávamos dosados num alto grau de expectativa negativa e o que encontramos foi rigorosamente o inverso.

        Nos surpreendemos com a bondade e com a alegria desta gente que não se cansa em fazer gentilezas.

        Tem sido uma emoção muito grande poder nos mesclar com este povo, embalados que estamos por este clima caribenho, de corpos úmidos, gingados pelo envolvente som de rumbas, merengues e salsas que dão um colorido todo especial a esta ponta final da nossa América.

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        E como foi bom o nosso reencontro com o nosso velho e querido Atlântico, que pensávamos enciumado, depois de toda a nossa "arrastação" de asas para o seu irmão Pacífico.

        Continuamos te achando lindo Pacífico, porém, não vamos deixar nosso velho amor chamado Atlântico, que banha esta Cartagena de Índias, por todos os lados, em nuances de esmeralda ao topázio.

        É um espetáculo deste Deus Natureza que lava estas costas de ombro a ombro, modeladas por ilhas e penínsulas, sempre supervisionadas pelos fortes que as guardam.

        São sentinelas permanentes, hoje para darem as boas vindas aos piratas deste século que vem aqui não para levar, mas sim para trazer suas homenagens à esta terra que tão bem sabe acolher.

        É, tranquilamente, uma das cidades mais lindas em que já estivemos e, se nos derem licença, porque hipnotizados que estamos, somos obrigados a atender ao chamado desta salsa que nos embala e nos atrai.

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        E antes de nos entregarmos a este bailado, ainda temos tempo, para em nome de tudo o que de bom passamos por aqui, te perguntar:

        Colômbia, que pasa?

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        Total percorrido : 634 km
        Última edição por Dolor; 07-08-12, 11:36.

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        • Chiquinho
          Fazedor de Chuva
          • Apr 2012
          • 34

          #34
          Eu diria "velhos" apenas na idade, pois no espírito são garotos de 18 anos.
          Você deve imaginar, dado o meu grau de ansiedade, a espera que tenho vivido para que, o mais breve possível, abracemos uma destas estradas não só com Baguala e Lindona, mas para mim como pessoa dividir a estrada com aquele que por vezes me inspirou no motociclismo, que por vezes saboreamos conversas sobre suas viagens e da Tia Ângela, com aquele que sempre foi meu amigo e que agora anseio para que, de uma vez por todas, se torne meu companheiro na estrada, junto, é claro, com a Tia Ângela.
          Se me permite, hoje não vivo apenas "No Vento com o Sonho", mas também "No Vento Realizando um Sonho", muito bem colocado por você em "um piscar de olhos que transformariam o meu sonho em, eu diria, nossa realidade".
          Obrigado pelo carinho das palavras.
          Beijos

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          • Dolor
            Fazedor de Chuva

            • Mar 2011
            • 3250

            #35
            Capítulo 30 - El Ardido! - de 06 a 09 de abril de 2003

            Domingo tipicamente caribenho com o sol lá em cima esquentando de forma impiedosa tudo o que estava aqui embaixo.

            Ninguém é perdoado, salvo, se estiver sob a proteção de um bom sistema de ar condicionado.

            Só o fato de se colocar a cabeça para fora do quarto do hotel era o suficiente para se receber a informação, em tempo real, do que acontecia lá fora.

            Mas, como tudo tem precisa ser encarado, terminamos os últimos preparativos para fazer de verdade uma coisa diferente daquilo que estávamos acostumados a fazer nestes últimos meses, ou seja, andar de avião, ou, melhor ainda, de voar.
            Acertamos com o gerente do hotel de que iríamos enviar a chave do cofre pelo correio, assim que chegássemos na Cidade do Panamá, pois no derradeiro instante em que nos despedíamos da Bonitona uns três dias atrás, que iria via marítima, acabamos deixando a bendita chave no chaveiro da moto, deixada na ignição por esquecimento.

            Com tudo em ordem partimos para o aeroporto internacional de Cartagena afim de fazermos a travessia pelos céus deste Golfo de Urabá, que banha ambos os países pelo lado Atlântico.

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            Após os procedimentos de praxe, um pouco exagerados neste lado colombiano, porém confirmado pelos panamenhos, incluindo revista nas bagagens despachadas de mão e também uma geral pessoal, para se assegurarem, acredito, de que não se leve drogas, fomos surpreendidos pelo agradável sorriso e humor de um argentino chamado Adrian Volpato , avisado por alguém da aduana de que estávamos viajando de moto pelas Américas, imediatamente nos procurou para se apresentar e confirmar que também estava indo com sua Honda Africa Twins, para o Alasca.

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            Foi, evidentemente, uma satisfação poder encontrar este "figuraço" com os mesmos objetivos, somente por caminhos distintos até este ponto, pois ele subiu contornando a costa brasileira e entrou na Colômbia via Venezuela.

            Foi muito agradável este encontro que, sem sombra de dúvidas, é o início de uma bela amizade.

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            No horário previsto desembarcamos no Panamá, após uma breve escala na cidade colombiana de Barranquilla, com uma duração total de pouco mais de duas horas.
            Felizmente o clima continuava o mesmo, muito quente, salsa, merengues e rumbas por todos os lados, quer seja no táxi ou no hotel, e tenho mesmo a impressão de que estes ritmos fazem parte da composição do ar por estes lados do mundo.

            Uma beleza!

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            Como tínhamos feito amizade via internet com uma outra fera que também como nós se dirige para o Alasca, havíamos marcado um encontro no hotel onde ele, o João Batista, da cidade de Matelândia , Paraná, estava hospedado.
            Tanto assim que nesta mesma noite de domingo saímos os três para um jantar numa churrascaria brasileira, tipo rodízio, chamada El Sabor de la Carne, ótima em todos os sentidos, de sabor, de paladar e de bolso.

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            Realmente, quando se tem de encarar a moeda dos ianques não é fácil!

            Todo o peso da nossa fraqueza se faz presente quando temos de multiplicar tudo por três vezes e mais alguma coisa.
            E não adianta querer dizer que não se deve transformar os preços em moeda pátria, porque como a nossa receita é através dela, daí então o susto é enorme.

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            Aqui no Panamá, o tal do Balboa, é a moeda nacional, porém, só existe em moedas de um, cinco, dez e vinte e cinco centavos e ainda assim, mescladas com as moedas americanas.

            Já na segunda, de manhã cedo, entramos em contato com o escritório responsável pelo desembaraço da Bonitona e sem nem pestanejar, nos mandamos para a cidade de Colón, porto Atlântico do Panamá, deixando tudo acertado e já com a documentação liberada para pegarmos a moto, o que acabou não acontecendo porque o container continuava no porto e sem chances neste momento de ser liberado.

            Foi um tiro na água!

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            Retornamos então para a capital já um pouco tarde, não sem antes havermos dado um giro pelo porto livre de Colón, que sinceramente achamos um pouco "caidaço", somado ainda o fato de que não estávamos com cabeça para circular por aquela cidade comércio.

            É de qualquer maneira um negócio que deve ter tido uma apoteose extraordinária há alguns anos!

            De volta à capital, nos entocamos no clima de montanha do quarto até que a terça-feira voltou a nos chamar para a luta.
            Permanecemos durante este tempo em que aguardávamos a liberação da Bonitona fazendo pequenas incursões pelo centro da cidade e também junto a Embaixada de El Salvador, que exige de seus rotos pares, visto para a entrada em seu país.
            Provavelmente em função da tal reciprocidade, devemos ter tal exigência com relação aos nossos irmãos salvadorenhos, numa atitude totalmente fora da realidade nestes tempos de globalização e de países sem fronteiras.
            Existem outros mecanismos muito mais eficientes para se combater a imigração clandestina do que este entrave burocrático, em forma de cilada, pois não imaginávamos por parte de El Salvador, este tipo de exigência.
            Agradecemos ao nosso irmão Marcellus Dadan, neste momento em território canadense, bem próximo do seu objetivo "alasquiano” pela dica, pois o coitado ao chegar na fronteira vindo de Tegucigalpa, capital de Honduras, teve de voltar para esta regularização.
            Com o visto para 30 dias e com direito a apenas uma entrada, isto quer dizer, se entrarmos em El Salvador e tivermos de sair por qualquer razão, não podemos voltar a entrar no dito cujo.

            É a tal da zona, que não é rural, latino-americana.

            Coisa de pobres!

            Como havíamos sido convidados para um almoço na casa do Vitalino e da Telma, ele o camisa dez do Banco do Brasil no Panamá, podemos dizer que literalmente tiramos a barriga da miséria. Após, mais de um mês e meio encarando "rango" de restaurantes, foi uma vergonheira o que comemos.

            Depois é preciso somar o ambiente, o visual pacífico, o astral, a mesa e é claro, o mais importante, o casal.

            Nota 10. Também filha de quem é, para nós não foi surpresa.

            Parabéns Edna pela filha querida e é claro, vamos dar uma puxada também no Vitalino, porque vai que a gente precise pendurar um "chequinho" aqui no BB, não é verdade?

            Obrigado a estes amigos pela acolhida que incluiu ainda um city tour e um aperitivo esticado até às onze da noite.

            Uma verdadeira beleza.

            Após mais uma noite de núpcias, agora panamenha, e no aguardo das instruções que viriam de Colón, ficamos lagarteando pela cidade, muito movimentada, com forte influência americana em função do século de gerenciamento do Canal do Panamá, aliás, uma das maravilhas da humanidade.

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            Como recebemos o cartão verde para irmos pegar a moto, numa distância de mais ou menos 80 km que o "buso" faz em torno de uma hora e vinte, nos jogamos na expectativa de chegarmos lá antes das quatro, horário máximo para se pegar o passe para entrar na zona livre, que nós já tínhamos, com validade de cinco dias.
            Quer dizer, para se entrar no porto livre é necessária a apresentação do passaporte para a obtenção do tal passe, que nos permite circular por entre muros.
            De qualquer maneira, é um comércio voltado para o atacado, uma vez que as mercadorias são entregues no aeroporto ou despachadas via exportação para qualquer lugar do planeta.

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            Muita expectativa na hora de pegar a Bonitona, que acabou chegando somente as seis da tarde, quando a zona livre já estava fechada, porém, gentilmente, o pessoal da "bodega" vendo a nossa ansiedade, providenciou a desova do container de quarenta pés, sendo que a nossa encomenda, fazendo jus ao ditado, era a última, porque aqui neste caso a lei diz que os primeiros serão os últimos.

            Adrenalina total na hora da descida e após termos aberto o tal do "huacal" de madeira, agoniado montei na bonitona e após todos os preparativos de praxe, com ponto morto, morto, ignição ligada, gasolina aberta, afogador puxado, tripé lateral levantado... a triste não pegou e não houve cristão que a fizesse deslanchar para nosso desespero, depois de toda aquela "mala" com os devidos esclarecimentos para a plateia, do tipo de animal, quantos anos, apresentação dos dentes, do pelo etc.

            Foi realmente uma frustação a Bonitona não pegar!

            Mas bem aqui santa, por que não fizeste isto lá pelas bandas de Blumenau, Floripa ou mesmo São Paulo?

            E agora?

            Aqui neste fim de mundo, sem os meus tratadores, o Luiz da Honda, de Itajaí, SC, ou o Renato da Moto Racer, de São Paulo!
            O que fazer?
            Quem será que iria colocar as mãos em cima dela?
            E será que resolverão o problema?

            Retornamos frustrados e silenciosos para a Cidade do Panamá, encarando aquele "busão" agora em início de noite, final de expediente, um calor danado, sob um mormaço de amolecer a moleira, tornando as coisas um pouquinho mais complicadas e demoradas, pois o danado para voltar levou mais de duas horas, num verdadeiro martírio, pois a peça, a jóia que estava sentada ao meu lado, provavelmente deveria ser fugitivo da justiça pelo assassinato de uns vinte "anões", claro que em cada axila.

            O homem era um monstro, daquele tipo fedido.

            O cheiro de asa era insuportável, especialmente quando mexia com os braços!

            Era o nosso verdugo!

            Felizmente, numa demonstração da grande capacidade de sobrevivência de nós humanos, conseguimos mesmo tontos, chegar vivos na Cidade do Panamá, deixando para trás aquele monstro que atendia pelo nome de El Ardido!

            Quanto a moto, bem ,vamos deixar para ver o que faremos amanhã porque hoje só podemos pensar em nós.

            Ufa!
            Última edição por Dolor; 16-12-12, 17:55.

            Comentário

            • Jacob Bussmann Filho
              Fazedor de Chuva

              • Dec 2011
              • 2788

              #36
              Dolor , hoje comecei a ler o primeiro post, depois o outro, o outro, e assim gastei um bom tempinho nessa leitura muito legal da sua viagem, gostei muito , parabéns pela maneira solta e divertida e ao mesmo instrutiva, vou lendo e viajando junto....demais.Quem sabe não passarei um dia por alguns desses caminhos.Um abração.
              GCFC NFC VFC(SP) ,VFC(RR),Cardeal, RFC(101,116,153,230) Jacob,Bandeirantes

              Comentário

              • Dolor
                Fazedor de Chuva

                • Mar 2011
                • 3250

                #37
                Capítulo 31 - Nova Estrela - 10 a 13/04/2013

                Depois de havermos sobrevivido a viagem que nos trouxe de Colón à Capital, por pouco não fomos a um hospital para uma desintoxicação, uma vez que a nossa capacidade respiratória pela primeira vez na vida fora afetada.
                Sentíamos os pulmões receosos em aspirarem o ar que tanto necessitávamos mas, aos poucos, eles foram se sentindo mais seguros e logo estávamos inflando-os...a plenos pulmões.

                Com a cabeça povoada por todos os tipos de fantasmas, deixamos para tomar as providências em localizar uma oficina Honda pela manhã e com a sorte, já no primeiro telefonema marcamos uma visita que acabou acontecendo em seguida.
                Lá pelo meio da tarde tive a confirmação, pelo Martin, chefe da oficina, de que iríamos nesta sexta, as sete da matina, com um reboque para trazermos a Bonitona, num caminhãozinho Kia, tipo Samu, para este tipo de socorro.

                Viagem tranquila, com direito a um bom café com "huevos" lá pelo meio do caminho, prevendo chegar na "bodega", perto das dez horas e no fundo bem no fundo do coração, já próximo dos intestinos, confesso aqui entre estas quatro paredes, guardava aquela esperança de que a Bonitona pudesse pegar e acabar com esta lambança.
                Pensamento tolo porque, apesar dos insistentes apelos, "cuchichos" e carinhos, sob os olhares desconfiados da platéia, não houve jeito daquele motor de tantas alegrias dar uma viradinha para encher aquele galpão com o som da sua manada.

                Apeei e com um sorriso amarelo providenciamos a subida da baguala na maca, que depois de bem atada empreendemos viagem de regresso, passando por toda aquela zona livre sob os comentários que imagino: olha a baita Harley Davidson no reboque!
                E desta vez me envergonhei por não ter desmentido, deixando-os pensarem que se tratava mesmo de uma HD.
                Sou obrigado a me desculpar com os meus amigos PHD por esta falseada.

                Mas para nós PDH, que não estamos acostumados a este tipo de expediente, foi uma sensação muito interessante a de se sentir de uma hora para outra um PHD.
                Para os nossos amigos leitores que não estão iniciados, é importante fazer um parênteses com as devidas explicações e esclarecimentos a respeito das siglas.
                PHD significa Proprietário de Harley Davidson, aquelas lendárias motos americanas que nós PDH, Proprietário De Honda, temos a fraterna brincadeira de dizer que o lugar onde uma Harley se sente mais confortável é em cima de uma carreta.

                Feita a explicação, voltemos à ambulância.

                Logo no início da tarde chegamos a clínica e imediatamente uma junta médica se formou para analisar a paciente e tentar um diagnóstico. Entretanto, para se evitar a surpresa de um calço hidráulico, uma vez sabedores de que havia há algum tempo problemas com a chave de combustível, foram retiradas as seis velas e se ligou a moto confirmando não ter havido vazamento de gasolina para dentro do motor, sinal que o diafragma estava funcionando. Um problema a menos!
                Porém, com a retirada das velas os mecânicos já puderam constatar que o problema estava na gasolina, ou melhor, naquilo que se pensava ser gasolina. Na realidade era um lixo o combustível colocado na moto quando da nossa chegada em Cartagena, onde se constatou a presença de diesel, querosene e coliformes fecais entre outros bichos com mais ou menos cabelos.

                Um horror!

                E como já era sexta e havia muito trabalho pela frente, pois no sábado eles teriam uma grande feira de motos, deixamos a Bonitona bem instalada num apartamento de frente, com direito a banho privativo e outros mimos, ficando o início dos trabalhos previstos para esta próxima segunda-feira, até porque não nos esqueçamos, que se a cadela do Ministro Magri era um ser humano a nossa baguala também o é.

                Foi um final de semana de grandes expectativas pois já estamos impacientes para pegarmos um pouco de estrada.

                De volta para o hotel foi uma alegria a generosidade do Vitalino e da Telma em nos emprestarem o carro dela, um Suzuki Gran Vitara, novinho em folha, com tanque cheio, telefone celular e outro convite para almoçarmos juntos.

                Ficamos faceiros!

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                E cheios de vontades e de expectativas, nos mandamos neste sábado para a Eclusa de Miraflores afim de conhecer esta maravilha centenária da engenharia.
                A história do canal, em rápida pincelada começou com o Carlos V, Rei da Espanha, lá pelo século XVI que muito a frente do seu tempo imaginou a possibilidade de cortar neste pedaço desta América Central um canal fazendo a ligação entre os dois oceanos que, provavelmente, inspirou outra meia dúzia de franceses, da ala dos pirados, para iniciarem em fins do século XIX, a cavar esta vala, enterrando milhares de pessoas contaminadas pela malária, febre amarela, maus tratos e falta de dinheiro, até a quebra da empreitada.
                Foi quando os parentes do norte assumiram e, na força da inteligência aliada ao suporte das "verdinhas", lá pelo início da primeira guerra mundial, deram passagem ao primeiro navio a fazer a travessia entre estes dois oceanos.
                Na realidade o que fizeram foram uns “elevadores” para navios, pois é espetacular se ver diante dos olhos e a poucos, pouquíssimos metros um baita daqueles praticamente desaparecer na nossa frente e de forma rápida, o que é mais surpreendente.
                E o mais incrível ainda é que toda a estrutura está funcionando há quase noventa anos, original e intacta, com pinta de sobreviver um outro tanto.

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                Uma maravilha!

                Meio da tarde chegamos na casa do Vitalino e da Telma, onde juntamente com outro amigo colombiano, de nome Antonio Coy, nos "aboletamos" em volta da mesa, para nos levantarmos um pouco antes das doze badaladas, depois de termos nos esbaldado naquela beleza de camarões, cujo nome do menor era cabeção.

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                Olha o tamanho dos baitas, oh!

                Valeu amigos!

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                .
                No domingo saímos para levar a vida num Suzuki e aproveitamos para visitar a cidade velha, onde as ruínas são as testemunha de uma história cheia de emoções. Aproveitamos e almoçamos no ótimo Restaurante Fontanella esticando depois para o café no bairro Amador, que proporciona uma vista privilegiada dos contornos da cidade.

                E bem daqui, onde este Deus natureza se faz presente com toda a sua força, nossos olhos foram brindados com uma nova estrela que, mais do que as outras, brilhou neste firmamento, pois obediente que era e atendendo ao pedido que fora feito pelo Pai dos Céus, reluziu forte este Carlos Eduardo que para tristeza dos seus pais, nossos amigos Sidney e Lea , e dos seus amigos, partiu para fazer parte desta constelação que não cansamos de admirar.

                Que tu descanses em paz Carlos Eduardo, pois tua curta trajetória de pouco mais de dezenove anos entre nós já nos deixa emocionados e saudosos.

                E que teus pais saibam, não sei como, se confortarem com a tua exemplar trajetória de filho e de amigo.

                Nossos corações se irmanam aos dos teus pais e de saudade choramos por mais esta conquista do Senhor.

                Vai querido e continue a ser o anjo que sempre foste, agora com a missão de ajudares a proteger os nossos anjos que aqui permanecem.

                Nós te amamos!
                Dolor, Angela e Filhos.
                Última edição por Dolor; 16-12-12, 17:46.

                Comentário

                • Dolor
                  Fazedor de Chuva

                  • Mar 2011
                  • 3250

                  #38
                  Capítulo 32 - Enfim...estrada! 14 a 16/-4/2003

                  Procuramos despistar de tudo quanto era maneira, mas não tinha jeito, a Bonitona não nos saia da cabeça e para termos os nossos leitores crentes na nossa escrita, é bom esclarecer à bem da verdade, que a Bonitona ficou numa enfermaria, ou melhor, na sala de espera para uma vaga no SUS.

                  Feia a tal da oficina da Honda!

                  Para não a perdermos de vista enquanto estávamos levando a vida num Suzuki, demos umas passadinhas por lá durante o final de semana, para darmos uma olhada na nossa queridinha , tão inocente, não imaginava nem de perto as nossas preocupações.

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                  E se a infecção fosse mais grave e tivesse atingido algum outro órgão?

                  E se este órgão fosse vital?

                  Ai meu Deus quantos maus pensamentos nos perseguiam aqui por estas bandas tão distantes dos nossos quintais.

                  O que fazer?

                  Embalá-la e mandá-la de volta?

                  Mesmo que estivéssemos dispostos a isto, o simples fato de interromper nossa jornada já nos punha nervosos e impacientes para querermos saber os resultados dos exames, agora mais apurados. Mas como o pessoal não tem a nossa pegada, ficamos o fim de semana com todos estes dilemas nos perseguindo.

                  Finalmente a segunda chegou e nos mandamos para o hospital, quer dizer para a oficina, cujo mecânico, podem crer, não havia ido sei lá por qual razão, de certo para nos deixar ainda mais agoniados, pois chegamos a pensar, num devaneio, que a moto poderia estar pronta. Claro, não eram eles os viajantes, nem eram eles quem estavam milhares de quilômetros longe de casa e muito menos eram eles que tinham o Alasca no coração.

                  Ficamos de voltar depois do almoço, claro depois de irmos também ao banheiro, porque a angústia já estava nos consumindo as internas e o pessoal da oficina... nem aí.

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ID:	160164

                  Almoçamos a galope e fomos fazer a nossa digestão junto da nossa paciente que nesta altura do campeonato já havia feito uma endoscopia sendo confirmado o diagnóstico, felizmente, de uma intoxicação por "gasolinela", uma espécie letal de salmonela conforme comentado no capítulo anterior.

                  Menos mal se todo o problema estava por ali nas vias digestivas, estando também o diafragma da chave de combustível, cuja função é impedir a passagem da gasolina para os carburadores, quando a moto está desligada, comprometido, portanto, deveria ser extirpado parcialmente para evitar a evolução do problema.

                  Pequena cirurgia autorizada, não sem antes consultar os nossos especialistas no Brasil, seja em São Paulo e Itajaí, o Dr. Renato e Dr. Luiz, respectivamente da Moto Racer e Promenac Honda, e após algumas considerações dignas dos grandes entendidos, mandaram tocar pau.

                  Após uma boa lavagem no tanque e desinfetada no sistema de combustão, lamentavelmente o término dos serviços ficou marcado para o dia seguinte, o que nos deixou, de certa maneira, de bobeira porque era pouca coisa a ser feita, além da troca de óleo, filtro e velas conforme havíamos combinado.

                  Não é de chorar?

                  Fomos para o hotel não sem antes aproveitarmos aquele início de noite caribenha para darmos uma volta pela Avenida Balboa, curtindo este visual Pacífico de matar, ao som de muita salsa no rádio que zunia numa alegria contagiante.

                  Bom jantar, ótima companhia feita um para o outro e aproveitando aquele calor gostoso, ficamos jogando conversa fora até a hora em que o relógio resolveu mudar de dia.

                  Cedo lá estávamos para acompanhar a troca de sangue, o que não foi possível pois já haviam feito tal transfusão, me deixando meio "cabreirão" porque gosto de ver esta parte de perto, quando não sou eu mesmo quem a faço, normalmente.

                  Como continuava a ala de apartamentos ainda ocupada, permanecemos acompanhando agora a troca de sapatos, pois por um milagre, havia um par de borrachas para cambiarmos, nos deixando mais bonitos na fotografia, haja vista que após estes doze mil quilômetros, os pneus sinceramente já estavam no bagaço, pois quando saímos do Brasil, a única marca disponível eram os macios Bridgestone, cuja vida útil é bem menor se comparado com os Dunlop.

                  Encontrar um par deles para uma Valkyrie, no Panamá, está seguramente na condição de milagre, exatamente o acontecido, pois a única exemplar existente por aqui, pertencia a um americano e por razão desconhecida da razão, havia comprado há uns meses um par deles e antes de troca-los, voltou para os Estados Unidos, deixando inclusive o pessoal da revenda no limbo, e eu, maravilhado com tudo isto.

                  Contando ninguém acredita!

                  Finalmente lá pelo início de noite, estávamos montados na Bonitona, cujo rugido se destacava no meio de tudo e de todos, como se fora uma manada super afiada cantando num coral.

                  E assim arrancamos para uma volta, pela primeira vez neste Panamá alegre, divertido, aparentemente rico e nervoso no trânsito.

                  Desfilamos orgulhosos e garbosos, lamentando somente a falta de tempo e capricho para uma boa areada e escovada nos pelos e arreios para que brilhássemos ainda mais.

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                  Apeamos na frente do Restaurante Prado, aberto vinte e cinco horas por dia, com a Bonitona estacionada na frente e uma pequena multidão em volta, surpresos por ela, pela viagem e pela nossa origem.

                  E assim levamos a vida, nos divertindo com cada pergunta, com todas as histórias que éramos obrigados a repetir faceiros da vida.

                  Nos controlávamos para não dizermos que estávamos indo para a China, Iraque e outros bichos mais, pois a moto tem esta capacidade de convergir para ela todos os desejos, medos e planos e as pessoas aumentado para as recém chegadas, um roteiro a mais na nossa já incrível viagem.

                  Hora de arrumar as coisas para podermos partir já neste dia seguinte, quarta, prometendo como todos os dias deste Caribe, ser quente e úmido.

                  Não sei porque, a gente não consegue desassociar uma coisa da outra pois quando pensamos em Caribe, logo nossa imaginação voa para águas limpas, claras, verdes, azuis, muito sol, muita salsa, rumba, merengue e corpos úmidos gingando morenos por debaixo deste sol que esquenta e ilumina diferente.

                  E assim temos visto e curtido a vida e a viagem por estas bandas deste mundo, novo para nós, da América Central.

                  Com tudo em cima, aquela troca de óleo continuava me "encucando" até o ponto que após o café, combinamos de voltar à oficina para faze-la do meu jeito.

                  Foi meu recorde até hoje: vinte quilômetros, com o pessoal nem acreditando quando pedi para fazer uma nova troca de óleo, explicando ... bem, dei uma desculpa meio esfarrapada para não passar por doido e também para não deixar mal o mecânico que nos atendeu.

                  Agora sim, fiquei descansado!

                  Tudo "listo", partimos quando o "bobo"estava dando as doze badaladas anunciando o início da outra metade do dia e nós, finalmente, sentindo de novo o gostinho da estrada, agora rumo à Costa Rica, sabendo desde a largada que iríamos em função do horário, pernoitar em David, distando 450 km deste nosso ponto de largada e a 50 km de distância da fronteira.

                  Boa parte da estrada era em pista dupla, ótima, e agora sob um sol acusando no termômetro pouco mais de 43 graus, ficamos com os miolos moles embaixo do capacete e dentro do uniforme também preto.

                  E nos deixou tão moles quer dizer, a mim particularmente, que apesar das sinalizações da Ângela, deixei para reabastecer no próximo posto e ele não chegou.

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                  Pela primeira vez em tantos anos ficamos sem combustível e apesar das tentativas com alguns carros que pararam, não foi possível retirar a bendita gasolina dos tanques porque, acredito, os veículos de hoje vem com um dispositivo bloqueando tal procedimento.

                  E lá foi a Ângela de carona com um casal em busca do líquido abençoado distante de onde estávamos uns 50 km, enquanto aproveitei e “estarrado” embaixo de uma bela sombra, tirei uma pestana depois de havermos almoçado como reis.

                  Boa “siesta” de quase duas horas quando a minha Santinha chegou a bordo de um caminhão trazendo o líquido precioso do Saddam.

                  Com tudo em ordem, inclusive o nosso bom humor, aportamos em David já por volta das oito da noite, escura como o breu, pois além dos perigos da estrada, nos deixou encucados uma placa existente nas imediações da cidade onde se lia que Boquete era um pouquinho antes de Ocu, onde se come, pelas informações aqui obtidas, uma boa rabada.

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                  Aí pegaram pesado!

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                  Total do percurso : 440 km - Total percorrido : 12.350 km

                  Hotel Alcalá, honesto por U$22,00 sem o café da manhã, mas com internet por U$1,00 a hora, além do restaurante ser bom.

                  Comentário

                  • Dolor
                    Fazedor de Chuva

                    • Mar 2011
                    • 3250

                    #39
                    Capítulo 33 - A travessia - 17 a 21/04/2003

                    De novo embalados no ritmo da estrada, o que é bom barbaridade e com os corações batendo a mil com toda esta América Central agora recomeçada e cheia de emoções formadas pelos conceitos passados ao longo dos últimos anos, quer seja pelos movimentos revolucionários, ditaduras, terremotos, vulcões, enchentes, famílias feudais fincadas nestas bandas há séculos, rotas de contrabandos, pressões americanas, enfim, por todo este conjunto de informações, mormente de desgraças, "quentinhas" em nossas cabeças, nos injetam uma quantidade ainda maior de adrenalina, isto é, se ainda a temos depois de todas estas andanças.

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                    Nos parece que o Panamá pela grande influência americana do século passado e a realidade confirmou, é um país aparentemente mais "enricado" provavelmente mais tranquilo, mesmo tendo o seu passado recente apontado em direção exatamente oposta, haja vista ter um ex-presidente ainda preso nos Estados Unidos, acusado de tráfico de drogas e outras sacanagens maiores, se não estou falando besteira.

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                    Foi também durante muito tempo o centro nervoso do comércio internacional e é inevitável que as marcas deste período continuem presentes na vida da cidade, ostentando até há pouco, uma atividade bancária digna da sua liberdade de comércio. Circulou por aqui muita “verdinha” oriunda do Brasil, segundo as más línguas de plantão!

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                    Mas como não estamos aqui para isto, tocamos o barco direto para a fronteira com a Costa Rica, cujo trecho de pouco menos de sessenta quilômetros foi tragado embaixo de um calor ao qual já estamos nos habituando.

                    Após as consultas de praxe sobre câmbio, condições de estradas e confirmações de distâncias, sempre uma equação, pois continuamos a receber tais informações em horas, mas pela prática que vamos adquirindo, rapidinhos fazemos uma conta de aproximação e mais ou menos traduzimos em quilômetros, nos surpreendemos com a ausência do pessoal da aduana e imigração, pois como era a hora do "rango", tinham recém saído e consequentemente fechado o barraco pelas próximas duas horas, tempo suficiente para que os espíritos se aquietassem e calmamente aguardassem a hora da reabertura, abrindo, entretanto, uma "brechinha" de preocupação quanto a nossa chegada em San Jose, nesta altura do campeonato já prejudicada pois tínhamos alguma coisa como trezentos e cinquenta quilômetros para vencer.

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                    Bem, depois de cumpridos os trâmites burocráticos que normalmente irritam qualquer mortal e já os começando a tirar de letra, passamos a nos divertir com as imbecilidades testemunhadas ao longo dessas cruzadas.

                    Tudo "listo" depois de quase duas horas de trabalho, fomos brindados com uma bela trovoada centro-americana, daquela que não permite se enxergar um palmo a frente, num ambiente de selva, mesclado com plantações de bananas, muitas "escuelas" isoladas, muitas "chivas", ônibus fantasiados que nos remetem aquele ambiente dos filmes americanos quando retratam este nosso pedaço do mundo, do dito terceiro.

                    Fomos identificando buracos de tudo quanto é idade, tamanho e sacanagem, sendo que em alguns casos o "piscinão" de Ramos poderia ser chamado de piscininha e ainda ficaria devendo buraco.

                    Ainda úmidos pela chuvarada, no fim da tarde nos deparamos com uma placa indicando o início do "Cerro de la Muerte", nome nada sugestivo nos deixando com a antena levantada , pois o triste foi nos levantando, levantando e nos apertando com o frio, cuja sensação térmica neste momento nos punha arrepiados, mesmo o termômetro marcando alguma coisa em torno de quinze graus, o altímetro já acusava mais de três mil e quinhentos metros, nos deixando preocupados com a saúde da Bonitona, tadinha, agora sem o seu diafragma, mas como uma puro sangue não se abate, o seu desempenho apesar da altitude, foi impecável.

                    E assim chegamos em San Jose, nesta quinta-feira santa de todas as portas fechadas, inclusive de alguns hotéis, menos as do Hotel e Casino Del Rey, que segundo o pessoal de atendimento, no dia em que abriram as suas portas jogaram fora as suas chaves.

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                    Bom, bonito e caro, U$68,00, ficamos por lá até o amanhecer do novo dia e após uma rápida circulada pelo centro "cerrado" pela sexta santa nos mandamos pela estrada em direção agora à Nicarágua, "Somosista", "Sandinista", "Orteguista" e também "terremotista" cujos escombros continuam a testemunhar a força do Deus terremoto, que quando mostra esta sua faceta, deixa cicatrizes para sempre.

                    É uma tristeza o saldo deixado por este terremoto do início dos anos setenta, mudando para sempre a vida de centenas de milhares de pessoas.

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                    E na medida do possível, voando baixo por estas terras secas, chegamos a capital Manágua já também noite tombada para nos hospedarmos num pequeno hotel chamado Luna y Sol, na realidade uma casa/mansão transformada num simpático e acolhedor hotel, sob a batuta da sua proprietária Melba de Martinez, nossa companheira de papo durante o café da manhã, pela quantia de U$30,00.

                    Com a Bonitona devidamente checada e encilhada sob um sol brilhando forte lá em cima nos jogamos de novo na estrada para mais uma etapa, agora proados para Honduras, mais especificamente para a sua capital, Tegucigalpa, ainda por estradas novas e bem cuidadas. Não adianta, quanto mais queremos nos afastar da noite, mais ela nos procura e com a desculpa da demora na fronteira, agora fazendo jus ao nome de El Espino, fomos mais uma vez, engolidos pela noite, envolvidos por um trânsito muito pesado, também em função do "feriadão" para eles, pois para nós, vadios de plantão, vivemos uma época de feriados permanente.

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                    Uma maravilha!

                    Chegar nas cidades não tem problema, o chato é se procurar o hotel que combine com o bolso e a necessidade do esqueleto. Optamos pelo Hotel El General de la Plaza, por U$47,00, onde ficamos bem instalados até o relógio nos despertar para mais uma jornada rumo ao norte, com parada prevista na fronteira El Amatillo, com El Salvador, como de hábito, cheia das fotocópias, carimbos e má vontade dos seus servidores, cujos maus humores não nos afetam em nada, pois todo dia é dia de festa em cima da Bonitona. Não estamos nem aí e nos divertimos com toda esta burocracia sem sentido!

                    Boa surpresa foi a capital San Salvador, com belas avenidas onde se respira ares de modernidade, desenvolvimento e riqueza, ornadas por placas vistosas de grandes instituições bancarias e de “fast foods”, todas instaladas em belíssimas construções de tirar o fôlego.

                    É ver para crer.

                    Aqui em San Salvador fizemos nossa primeira boa ação de verdade, pois hospedados no Hotel Vila Real, U$40,00, nos prestamos ao nobre espírito da doação involuntária e refastelados na cama maca deste quarto agora transformado em hospital, servimos no mínimo uns quinze litros de sangue, são e frescos para aquela multidão de pernilongos silenciosos, covardes e famintos, que na calada da noite e aproveitando-se da nossa bondade nos atacaram de forma impiedosa, nos revirando de cima em baixo e mesmo nos cantinhos mais recônditos dos nossos corpos, foram de canudinho os malvados e sorveram-nos gulosamente. Que culpa temos se somos bons de cama e não percebemos nenhuma movimentação?

                    Ou será que nos anestesiaram para o massacre?

                    Fomos de verdade perceber o estrago que haviam feito quando nos faltaram pernas para enfrentar o dia, tal o estado de fraqueza em que nos deixaram.

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                    Aos poucos fomos ressuscitando, tomando pé e nos sentindo os coelhinhos da Páscoa destas criaturas aladas, cujas cicatrizes testemunham este espírito pascal.

                    Batendo em retirada "vencidos pero contentos", fomos para a estrada em direção agora à Guatemala num tramo não superior a 250 km, que num trabalho conjunto com El Salvador, na fronteira de Lãs Chinamas, deram um show de atendimento, em instalações dignas de se bem receber, fora o sorriso de satisfação do agente da aduana salvadorenha, que ao pedir "aquele" documento de importação da moto e com um sorriso de orelha a orelha, como que combinado com o seu colega de entrada, nos pediu mais três cópias, o que foi um balde de água fria na tentativa de um empate.

                    Estradinha boa, calor de rachar, aproveitamos estas oportunidades para lavar as nossas roupas, sejam as de baixo ou as de cima, pois o suor é tanto que na realidade pode-se ficar uns quinze dias assim, digamos que lavando a "sueco" quer dizer mistura de suor e corpo, pois elas saem "lavadinhas, lavadinhas".

                    Bacana esta tal de Guatemala, a cidade e o país. Boas construções, atenção extra das pessoas com as quais mantivemos contato e muito bom o seu mercado público, parada obrigatória em todas as cidades visitadas.

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                    Atendimento gentil, artesanato de primeira em instalações decentes, digna de uma boa circulada com direito a algumas comprinhas para deixar registrada nossa passagem por estas plagas.

                    Na verdade a única coisa que não gostei foi do horário de atendimento dos bancos, das nove às nove, inclusive com meio expediente aos sábados, dependendo da vontade da casa, o que nos deixa pouco tempo para fazer as coberturas dos borrachudos.

                    E assim, esperando que todos tenham passado uma Páscoa de tranqüilidade, com toda a família em paz, praticamente terminamos nossa travessia por esta América Central, emplacando mais de 14.000 km rodados e contabilizando somente a perda do dedo mindinho do pé esquerdo, devorado pelos famintos mosquitos salvadorenhos.

                    Não sobrou nem o chulé do pobrezinho!

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Name:	Captura de Tela 2013-01-07 às 17.19.03.jpg
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ID:	162193

                    Total do percurso : 1.686 km - Total percorrido : 14.036 km

                    Comentário

                    • Jacob Bussmann Filho
                      Fazedor de Chuva

                      • Dec 2011
                      • 2788

                      #40
                      Muito legal a narrativa estou me divertindo e viajando com voces e claro pegando algumas dicas e se preparando para o que me espera ....rsrsrrsrsr....abração a voces , Dolor e Angela, grandes viajantes .
                      FC Jacob
                      GCFC NFC VFC(SP) ,VFC(RR),Cardeal, RFC(101,116,153,230) Jacob,Bandeirantes

                      Comentário

                      • Dolor
                        Fazedor de Chuva

                        • Mar 2011
                        • 3250

                        #41
                        Capítulo 34 - Compadre Zapata - 22 a 27/04/2003 - parte final

                        Adeus San Cristóbal de las Casas pois o Alasca nos aguarda e temos de seguir em frente, agora em direção à Acapulco, outra habitante dos nossos sonhos de juventude, tão bem retratada num filme de Elvis Presley. Entretanto, lá pelos idos de 73 quando trabalhava na recepção do Hotel Marambaia, em Balneário Camboriú-SC, quando Mercedes Benz não era carro e sim nave, aterrissaram na entrada do hotel duas dessas maravilhas, cupês, uma na cor verde e outra na bege, pilotadas por um pessoal de São Paulo, buscando acomodações, inclusive para alguns amigos mexicanos e daí vem o interessante, de Acapulco. Naquela minha pobreza, este nome soou como a chave da porta do paraíso e daí em diante pensei, sem pensar, um dia iria até lá, quanto mais depois que me falaram que ficava no Pacífico.

                        Pacífico! Isso era coisa do outro mundo!

                        Pobre e ignorante!

                        Mas continuei pensando...Acapulco...Pacífico...bem, encurtando uma outra história, fui convidado pelo dono das Mercedes para ser o sub gerente do hotel que possuía em São Paulo e depois de mais de trinta anos, estamos aqui, a Angela e eu, no Pacífico, bem no centro de Acapulco.

                        Obrigado nosso Senhor das Realizações!

                        E o transcurso destes quase mil e cem quilômetros foi feito em duas etapas, pois antes de estarmos no meio desta Acapulco sonhada, dormimos e tomamos o nosso primeiro banho Pacífico num paraíso chamado Puerto Escondido que consumiu desta quilometragem os seus primeiros seiscentos e cinquenta quilômetros.

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ID:	163024

                        Paradisíaco, numa pequena enseada, cercada por coqueiros mais verdes do que nunca, dormimos o meu primeiro sono destes novos cinquenta, de frente para o mar, num pequeno hotel chamado ternamente de Le P'tit Hotel, por U$30,00, após havermos saboreado o que de melhor o Restaurante Junto al Mar nos ofereceu, temperada com a mais especial atenção que se poderia receber.

                        Obrigado a estes amigos pela generosidade do carinho.

                        Manhã não tão cedo, nos mandamos para vencer a segunda etapa desta viagem, numa estrada que de pronto recebeu o "Troféu Taisu", de "tais um monstro". Estradinha ruim em praticamente todo o percurso, pois quando chegamos no tal do "tope" (lombada) três mil e quinhentos, nos perdemos na contagem. Era "tope" de tudo quanto era jeito, topetudo, "topetinho" e topete curitibano. Nunca vimos em nossas vidas tanta lombada numa só rodovia.

                        E por aí chegamos a conclusão de que, apesar do pesares, ainda estamos na frente do México, pois se por aqui eles ainda estão na fase do Fusca e da lombada, então já passamos a frente, pois já estamos pelo menos na era do Gol e da lombada eletrônica.

                        Sinceramente foi um nojo!

                        Sem exagero, na ameaça de um ranchinho eram, no mínimo, umas seis ou sete, podem acreditar, lombadas e daquelas nojentas.

                        Mas graças à Deus passou e as vencemos sãos e salvos, fora os sustos e as pastilhas de freio que aos poucos deixamos em cima de cada lomba.

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ID:	163025

                        De volta à Acapulco, final de tarde, nos apressamos na medida do possível para localizar um hotel, cujo escolhido foi o Marques del Sol, por U$40,00 e rapidinhos tentar saber onde era La Quebrada, aquele lugar do filme do Elvis, onde os pirados se jogavam de uma encosta numa greta que as águas ocupam em movimentos fortes e contínuos de vai e vem. Como num passe de mágica lá estávamos nós bem em frente ao paredão de pedras, com seus cinquenta metros de "altitude", espetacularmente iluminado e num lugar privilegiado pudemos assistir aquele antológico "clavado", imortalizado agora ao vivo.

                        Como o domingo chegou e não estamos para brincadeiras, cedo, por volta das oito, já estávamos de mala e cuia na estrada em direção à Cidade do México, cuja sinalização indicava não mais de quatrocentos quilômetros pela tal da México "cuota". E entramos na bendita, excelente sob todos os aspectos, nos animando a fazer uma sessão de fotos neste amanhecer iluminado.

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ID:	163026

                        E mansamente nos dirigimos à primeira "Caseta de Cobro", onde já levamos a primeira lambada quando nos foi apresentada a conta de sessenta e dois pesos, o equivalente a justos U$6,2 que inocentemente perguntei num espanhol bem fuleiro:

                        Señorita, este valor es por todo el tramo?
                        Risos e com aquele olhar de deboche estampado, sapecou: no señor, es el primero de muchos.
                        Muchos? Como así? No compreendo?
                        Pero entonces, nos dá derecho a desayuno, almuerzo e algunas cositas mas, no es verdad?
                        Ah! Ah! Ah!, como son chistosos estes brasileños. Usted no tienne derecho ni a uno vaso d'agua.
                        Pero... Adelante señor porque ahora no hay mas vuelta y hay otros coches venindo.
                        Hasta la vista.

                        Tenho a impressão de ter ouvido ela nos chamar de otários!

                        Estávamos ao Deus dará, quer dizer, por conta do que nos fossem cobrar e para complicar, como não estávamos preparados para tanta despesa extra, nosso estoque de pesos era suficiente somente para mais uns quatro pedágios daquela monta, pois pagar em dólar, sem chance, somente em moeda nacional. Nem cheguei ao primeiro sub total das contas a pagar e levei pela proa a tarifada de U$9,00.

                        Perguntei:

                        "Ôces tão djoijdos?" "Ôces tão pensando que yo afano mi plata é?"

                        Num espanhol bem claro a entendi me dizer: paga e não bufa seu "tanso" porque ainda tem mais.

                        Meu humor, quero dizer mal humor, se apoderou de mim e comecei desde aquele momento a cadastrar tudo quanto era pedrinha, buraquinho, ameaça de buraquinho, "florzinha" caída na pista e outros bichos numa tentativa vã de arrumar um pé de galinha para brigar com estes gatunos e antes de ter catalogado meia dúzia de "picuinhas", mais uma "caseta" e agora a cacetada de U$9,5 me colocou nos cornos da indignação.

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                        Felizmente consegui cambiar um pouco de dinheiro num posto de gasolina o que me deixou mais tranquilizado, porém não menos indignado por me sentir violentado sem aviso prévio.

                        Mais uma meia dúzia de quilômetros rodados chegamos a Cuernavaca e pau, mais um, desta vez U$10.

                        Apesar destas esfoladas, comecei a rir ao me lembrar quando ouvia reclamações de amigos da terra pátria que achavam muito, os R$1,5 de pedágio por moto!

                        A esta simples lembrança comecei a sentir um certo prazer em imaginá-los aqui nesta ratoeira sem chances de sair para a rodovia "free" e já sem os seus escalpos. Ríamos muito dentro do ambiente de raiva ao imaginar as caras que eles fariam em cada uma dessas esfoladas aqui.

                        A sessão de tortura seguiu por mais U$5,50, U$7,50 entre outros valores, num total final de U$46,70 para um percurso de 386 km, o que me fez pensar no Compadre Zapata que por muito menos fez uma revolução do tamanho da mexicana.

                        E pensar que tudo começou pela sua indignação em ver que os cavalos do senhorio vinham em trens de primeira qualidade, com tudo do bom e do melhor, em detrimento da "peãosada" e da "indiarada" que era tratada pior do que pangaré, isto lá pelo início do século passado. Tenho certeza que Zapata, se vivo fosse, não deixaria por menos e começaria uma nova revolução, abusado que ficaria com o preço destes pedágios.

                        No mínimo ele já teria "una pareja" de brasileiros para começar tudo de novo.

                        E viva el Compadre Zapata!

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ID:	163030

                        Total percorrido : 1.983 km - Total geral : 16.019 km
                        Última edição por Dolor; 10-02-13, 15:07.

                        Comentário

                        • Dolor
                          Fazedor de Chuva

                          • Mar 2011
                          • 3250

                          #42
                          Capítulo 34 - Compadre Zapata - 22 a 27/04/2003 - Primeira parte

                          A sensação de ansiedade e angústia nos acompanhou noite adentro e não nos abandonou nem quando o dia raiou e muito menos quando ele se pôs de novo. São aqueles sentimentos que não podemos justificar as suas origens, porém, pegajosos não nos largam a não ser com o passar das horas, melhor ainda, dos dias, mesmo sabendo estarem as coisas de um modo geral bem. Falamos várias vezes com os nossos filhos sobre os mais variados assuntos e desta maneira fomos apaziguando nossas inquietudes e deixando que o Deus Tempo e o Deus Paz fossem fazendo os seus trabalhos.

                          Sei lá, nenhuma explicação para esta angustia!

                          Nos levantamos e após o "desayuno", porque a máquina não pode parar, saímos à rua, sem nenhum objetivo específico a não ser o de caminhar a ermo, perambulando, que os franceses traduzem simplesmente por "flâner". Passeamos pelo centro antigo desta cidade maia, cujas traços estão guardados nos rostos dos seus habitantes além dos hábitos cultuados pelos séculos. Circulamos de um lado para o outro, sempre na tentativa de nos dar o tempo necessário para o relaxamento das nossas apreensões, bobas, sem fundamento real, mas uma realidade neste momento e esta agonia, infelizmente, como almas gêmeas era compartida por ambos, permitindo paradoxalmente, que nos sentíssemos muito bem com esta forma de diapasão, ou seja, unidos profundamente por todo tipo de sensações, isto distante milhares de quilômetros da nossa base, aqui na Cidade da Guatemala.

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ID:	163021

                          Como é bom poder se ter ao lado uma pessoa sempre pronta a nos compreender, acariciar e acalmar, enfim, com a capacidade de escutar e interpretar a nossa alma! Sem dúvida, uma dádiva ter esta troca de doações e poder se cambiar os dias e as noites angustiadas por novos dias e noites, refeitos e amparados em sintonias de corpos, mentes e almas.

                          Creio ser assim o céu perseguido que buscamos no desconhecido da passagem.

                          E a noite, independente do galo ter cantado o crepúsculo do seu dia chegou e na sua faceta insensível disse que nos preparássemos para enfrentar a jornada do seu oponente seguinte, que nos levaria agora pelo caminho optado para a fronteira de La Mesilla pelo lado Guatemalteco e Ciudad Cuauhtémoc, Chiapas, pelo lado Mexicano, numa distância do centro da Cidade da Guatemala, onde estávamos no Hotel Plaza, por U$48,00, em torno de trezentos quilômetros, para lá decidirmos o que fazer em relação ao México.

                          Tudo tranquilo, em paz, com todos os trâmites feitos de forma rápida, educada e cidadã, claro, se respeitando a própria demora nos preenchimentos e circulação da papelada.

                          Damos, de qualquer maneira, nota dez para ambos os países, com o custo de U$28,00, pelo lado mexicano, aí incluído um seguro obrigatório.

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ID:	163022

                          E após quase dois meses de estrada lá estamos nós no México, sendo saudados por onde passávamos quando identificavam nossa bandeira, com palavras carinhosas, e claro, com lembranças do nosso futebol, principalmente do nosso tri dos setenta.

                          Como é bom a gente se sentir querido e bem vindo!

                          Elegemos a cidade de Tuxtla Gutierrez como nosso ponto de pernoite, distando deste marco zero alguma coisa como outros trezentos e depois de devidamente abastecidos "carcamos", uma vez que já estávamos com mais de meia tarde transcorrida e não gostaríamos de novo de sermos engolidos pela noite na estrada.

                          Temos a impressão de que fazia alguma coisa como uns, de novo, trezentos, só que agora de anos que não chovia naquela região e bastou colocarmos os pés, quer dizer as rodas a rodar, que a triste nos pegou querendo, ainda, por cima, tirar todo o atrasado.

                          Foi água pra ninguém botar defeito!

                          Nossa velocidade naturalmente pela visibilidade quase a zero, também de lá se aproximou, quando nos deparamos com uma placa no meio de um movimento incrível que de repente encontramos, indicando que ali era San Cristóbal de las Casas, muito prazer, pois nunca ouvíramos falar neste santo, nos chamando para conhecer a sua cidade que coincidentemente estava comemorando naquela semana os seus 475 anos de existência.

                          E tanto esta história da chuva deve ser verdadeira que quando entramos na cidade, fantasiados de motoqueiros ou lembrando astronautas, os habitantes da região, incrédulos pela chuva milagrosa que caia e pela visão extraterrestre às suas frentes, começaram a nos reverenciar e a gritar: Kukulcán, Kukulcán, Kukulcán.

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ID:	163020
                          Me senti como um deus de tão lindo!

                          E quase sem entender esta ovação, de imediato parei a frente de um pequeno grupo flexionado de forma respeitosa e falei: sacanagem não meus amigos, pois viemos aqui em paz e somos pessoas de respeito. Foi quando percebi que toda aquela movimentação era pela alegria deles em pensar que éramos a reencarnação do rei maia astronauta Kukulcán, segundo as boas línguas, o mesmo milagroso, bonito como eu, porte europeu, que também fez chover por aqui, lá pelo início desta era cristã.

                          Não vai ficando mais ou menos um samba do crioulo doido, pergunta o bonitão aqui fantasiado de maia: é mole?

                          Pedindo desculpas pela nossa ignorância, nunca havíamos ouvido falar neste Santo Cristóbal, muito menos na sua cidade e pouca coisa deste Apolo chamado Kukulcán.

                          E vocês, já ouviram falar ou conhecem esta cidade? Caso não tenham vindo ainda à San Cristóbal de las Casas apressem-se porque vocês não sabem o que estão perdendo. Cidade de porte médio com seus duzentos e poucos mil habitantes, arrumada, preparada e infra estruturada para receber, olha só, bichos grilos de tudo quanto é lugar. E estes lugares são principalmente, França, Itália e Alemanha, num amontoado de gente de dar inveja ao nosso turismo tupiniquim.

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ID:	163023

                          Geograficamente nos sentimos sempre mais próximos o que não é uma realidade, porém, temos sempre a sensação de que somos da casa quando, em verdade, de um modo geral não conhecemos bem nem o nosso próprio quintal.

                          Pobres de nós, latino americanos!

                          Nos instalamos muito bem no Hotel La Noria, por U$50,00, no meio do fervo, num apartamento excelente, com uma baita cama king size, ou melhor dizendo, com um tatame no meio do quarto, nos alegramos ainda mais em ver a Bonitona, toda faceira, estacionada na frente do hotel, rodeada de gente como ela e nós gostamos e após as explicações de praxe, partimos para o ataque e fomos dar o que comer às nossas lombrigas.

                          Fartos, após havermos saboreado um excelente "frijoles" que é o feijão mexicano, "igualinho" ao nosso, humm... saudades dos nossos pretinhos, fomos para a praça fazer a digestão, assistindo a apresentação de peças do belíssimo folclore mexicano.

                          Foi uma maravilha! Como é bom ir para o Alasca!

                          Já no quarto e após termos nos digladiado naquela arena de dois por dois, nos entregamos aos braços de Morfeu e roncamos até o sol raiar.

                          E ele raiou nos trazendo toda a tranquilidade que costumamos ter e após ter sido brindado com um parabéns pra você, com direito a "velinhas" e tudo mais, assoprei esta primeira metade de século vencida e pronto para a segunda metade, saímos "tempranito" para aproveitar estas belezas que o pirado do Diego de Mazariegos, a mando daquele mesmo Rei Carlos V, isso mesmo, aquele que pensou em cavar a vala do Canal do Panamá, lembram, deixou como legado para a humanidade, claro, com um preço muito alto pago pelos maias que por aqui habitavam, porque os conquistadores não foram fáceis.

                          Pois vejamos só: há quase quinhentos anos os caras se mandaram para esta América, sem celular, sem computador, sem avião, sem porra nenhuma e cada um pelo seu lado foram dando conta do recado. De pronto temos Diego de Mazariegos, em San Cristóbal de las Casas, Francisco Pizarro, em Cusco, isto sem nos esquecer do maluco beleza mor do Hernán Cortés que conquistou o México, aprontando mais do que cachorro louco em festa de quermesse.

                          Com este trio ternura na parada, sem contar os seus coadjuvantes, o nosso Pedro Álvares Cabral já deveria ter sido canonizado e o Cristóvão, que atendia como Colombo, eleito o patrono de todos os diáconos.

                          Dois santinhos!

                          O trio que deveria ser chamado "comigo índio não tem vez" pelas atrocidades cometidas nestas terras ditas latinas, deve estar ardendo em lugar de destaque na fornalha do "timbinga", mas por uma questão de reconhecimento pelo que de bom também fizeram, jogo um balde de água fria para aliviar um pouquinho o ardume que estão sentindo.
                          Última edição por Dolor; 10-02-13, 14:35.

                          Comentário

                          • Dolor
                            Fazedor de Chuva

                            • Mar 2011
                            • 3250

                            #43
                            Capítulo 35 - Deus sol, Mãe Guadalupe - 28 e 29/04/2003

                            Tivemos muita sorte na nossa chegada a capital mexicana pois sem termos nenhuma indicação, nenhum indício de nada, utilizamos nossa velha tática de chegada quando aterrissamos em cidades de porte, indo direto para o ponto zero, ou seja, em busca do centro e de lá começamos a ir abrindo os círculos em busca de alternativas para hospedagem.

                            Por sorte na segunda tentativa acertamos ao nos agradarmos do Hotel San Diego, com um "precinho" pra lá de apetitoso, por incríveis U$17,00.

                            Rapidinho pagamos e subimos para o apartamento que previamente nos havia sido apresentado, nos surpreendendo, entretanto, com a sua atração quando da abertura da porta, pois se não nos segurássemos tenho a impressão de que sairíamos pela janela, pois na época da sua construção, lá pelos idos dos anos cinquenta, ainda não havia sido inventado nem o prumo e nem o nível.

                            Pensamos: se sobreviveu ao terremoto de 85, com certeza não seria hoje o dia em que desanimaria de se manter em pé.

                            Ui!

                            Fomos nos animando e depois de uma boa ducha, desmaiamos até esta segunda quando nos acordamos pensando que o mundo estava torto.

                            Felizmente era só o hotel.

                            Bom dia México City.

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ID:	163119

                            Em pouco tempo estávamos na rua prontos para repetirmos o feito de Hernán Cortés e conquistarmos esta cidade que aos poucos foi se mostrando muito mais calma do que havíamos pensado, com o trânsito caminhando de forma tranquila, as pessoas calmas, diferentemente daquilo que nos havia sido passado ao longo dos anos.

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                            Como o hotel está a poucas, pouquíssimas, quadras do famoso centro histórico ou Zócalo, para lá nos dirigimos a fim de fazermos o seu reconhecimento e rezarmos um pouquinho na sua catedral, um monumento, agradecendo mais uma vez toda esta oportunidade que estamos vivendo.

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ID:	163126

                            Chegada a hora do almoço, como de hábito, fomos direto para o mercado público e nos esbaldamos num feijão com arroz, quer dizer "frijoles" com arroz acompanhado de um bife bem "fritinho" com tempero muito especial dos proprietários deste pequeno restaurante, que atendiam pelo nome de Jesus e Maria, que não sabiam o que fazer para nos agradar, principalmente depois de saberem da nossa origem.

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ID:	163121

                            Lambemos os dedos nos lembrando da nossa sagrada mesa de todos os dias da nossa santa casa, em Itajaí, SC.

                            Foi um gostinho de estou morrendo de saudades!

                            Finalizamos com um ótimo cafezinho e saímos em reconhecimento do mercado de artesanato, muito rico em trabalhos de primeira qualidade que felizmente, por falta de espaço e claro em função do orçamento que temos, nos permitiu comprar algumas miudezas bem representativas da cultura mexicana e assim nos misturamos naquela circulação de gente de tudo quanto é tamanho pequeno, raça e origem numa rua chamada Moneda , diga-se de passagem, a nossa 25 de março em São Paulo.

                            Mesmo sem querer e querendo vamos fazendo comparações entre aqui e lá, chegando à conclusão da vitória do nosso país por apertados um a zero. Disputa entre pobres é terrível porque só disputam desgraças entre as grandes e as catastróficas.

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ID:	163122

                            Novo dia, mesmo sol, mesma luminosidade, porém com destino diferente, pois hoje o dia seria consagrado às Pirâmides de Teotihuacán, dedicadas a lua e ao sol, em construções pré-hispânicas, quando por volta do ano cem da nossa era, esta outra turma de doidos oriundos de uma outra civilização chamada de “teotihuacana”, começou a construir uma cidade que só vendo para crer.

                            É um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo, onde lá em cima, bem pertinho deste sol que brilhava fazendo jus a sua divindade, nos "energizamos" a semelhança destes seus adoradores, pedindo para o astro rei muita luz e muita energia para todos os nossos amigos.

                            Valeu, porém continuamos em dúvida sobre a importância da história, beleza e legado de todas estas culturas que tivemos e estamos tendo a oportunidade de viver e caso tivéssemos de fazer a opção por uma, não sabemos se votaríamos nos astecas, nos maias ou nos incas.

                            Lá no fundo, mas não muito, penso que o meu voto secreto seria... seria...

                            Ainda vou amadurecer este voto e ver se a Ângela chega a mesma conclusão.

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ID:	163123

                            Depois de havermos circulado por tudo quanto é sala, salão, altar, banheiro, sim senhor, banheiro e muito do "chinfrim", tipo árabe, com direito a água encanada e tudo mais, o que me deixou de bobeira, pois lá em casa quando criança, até a idade de 10 ou 11 anos, nosso banheiro, quer dizer nossa patente, era numa casinha em cima de um buraco, sem direito a água cuja responsabilidade da constante mudança de endereço era minha e do meu avô Procópio, de saudosa memória e exemplo, pois se há uma coisa que as pessoas em geral não fazem a mínima ideia é que ***** enche buraco muito mais rápido do que imaginamos.

                            E aí parei para pensar: como é que estas feras já tinham este padrão de conforto há quase dois mil anos e nós hoje em dia pensando que somos espertos, isto sem falar no calendário, no tamanho dos cômodos, na riqueza dos detalhes, nas pinturas, nas esculturas, na organização política e social e vai por aí afora, continuo pensando alto e concluo: como estamos atrasados mãe!

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ID:	163124

                            Depois desta reflexão, aproximação e intimidade com o nosso deus sol, chegou a hora de irmos visitar a mãe de todos os mexicanos, que emocionados nos rendemos a sua beleza e magia.

                            Foi, digamos, amor à primeira vista.

                            Sei que a nossa padroeira, versão nacional da mãe do Senhor não ficará com ciúmes, mas esta Nossa Senhora de Guadalupe é de uma beleza, suavidade e encanto, que a nossa vontade era permanecer aos seus pés admirando-a apaixonados que ficamos.

                            A delicadeza dos seus traços, a combinação das cores das suas vestes, a constelação do seu manto e a mansidão do seu olhar realmente devem ter deixado aquele índio Juan Diego atordoado quando teve a oportunidade de encontrá-la em forma de aparições lá pelos idos do ano de 1531, tombando apaixonado com aquela visão celestial.

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ID:	163125

                            E este quadro que veneramos, é na realidade a prova da sua aparição, impressa na capa feita de fibra de “maguey”, um tipo de cacto, do índio Juan, vestimenta característica dos homens simples daquela época, e desafiando a tudo e a todos, se mantém inalterada ao longo destes últimos quase quinhentos anos.

                            Vivenciamos cenas com alta dosagem de fé que nos emocionaram, nos levaram às lágrimas tal qual em nosso Santuário de Aparecida quando cruzamos com pessoas que, de joelhos, atravessavam todo o pátio de acesso, dirigindo-se à nave central onde adentravam unidas única e exclusivamente pelos sentimentos de gratidão, esperança e de fé.

                            Foram momentos inesquecíveis e fizemos questão de aproveitar para registrar aos pés desta Mãe Guadalupe nossos pedidos de proteção para todos os nossos familiares e amigos e em sintonia com o nosso Deus Sol, olhasse com um carinho muito especial às nossas queridas Claudete e Nina.

                            E numa piscada de cumplicidade desta protetora sentimos que as suas bênçãos e proteções se derramarão por cima destas nossas amigas, também mães, como Ela.

                            Fiquem tranquilas queridas porque agora vocês foram adotadas pela Mãe Guadalupe.

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                            • sergio pires
                              Fazedor de Chuva
                              • Aug 2012
                              • 125

                              #44
                              Oh Dolor, seguinte
                              No proximo dia 07 de marco estarei partindo para San Pedro do Atacama.
                              Se voce quiser, eu vou ate o hotel e pergunto o que houve com o seu submarino ok?
                              Ja anotei o nome do hotel e tudo, e vou checar o destino final dela ahahahaha
                              Depois lhe conto o que descobri ahahaha
                              Um abraco, otima historia
                              Sergio Pires
                              Blumenau

                              Comentário

                              • Dolor
                                Fazedor de Chuva

                                • Mar 2011
                                • 3250

                                #45
                                Capítulo 36 - Lança chamas - 30/04 a 01/05/2003 - Final

                                Fazendo uma pausa nesta seção de autopromoção, de novo amanheceu e Zamora ficou para trás e após termos tomados um balde de suco de laranja num ambulante na saída da cidade, o vendedor nos deu um show de orientação no sentido de bem nos posicionar com relação às pistas livres até nossa cidade meta deste dia, que atendia pelo nome de Mazatlán, num tiro próximo dos 700 km.

                                Calor na faixa dos quarenta e pico, o que nos fez colocar a língua para fora com a moleira "molinha molinha" de tanto que o triste rachava lá em cima.

                                Não foi fácil vencer os quilômetros que se apresentavam à nossa frente e que nos afastavam de Guadalajara e Tepic, fazendo com que nossa cidade meta se tornasse mais distante depois que entramos posando lindo para a foto numa curva e que por um verdadeiro milagre consegui terminar de fazer, uma vez que o pneu dianteiro furou em cima da bendita, indo direto para o aro.

                                Foi uma correria só e, é claro, fedeu feio.

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Name:	MX12214153525100.jpg
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ID:	163800

                                Paramos no acostamento e após a examinada de praxe no borrachudo e ao nada constatarmos que pudesse ter ocasionado o seu esvaziamento, nos preparamos para colocar o reparador de pneu instantâneo e milagroso, utilizado quando da nossa ida para Ushuaia.

                                Concentração, torcida e após o engate recomendado estar devidamente apertado, pressionei o spray que para nossa infelicidade arrebentou a mangueira de alimentação, impedindo desta maneira a complementação da inflada.

                                Outro tubo e desta vez com um pouquinho de perda deste líquido borracha milagroso conseguimos encher parcialmente o pneu e imediatamente seguindo as recomendações do fabricante, circulei durante uns três ou quatro quilômetros para a perfeita distribuição e eficácia do produto. Partimos com os corações nas mãos, esperando que tudo funcionasse bem, o que acabou acontecendo nos próximos cinco quilômetros quando, de novo...pneu vazio.

                                Ainda bem que foi bem em frente a uma pequena borracharia e após a troca do ventil, seguimos contentes e faceiros com este diagnóstico terapêutico feito pelo borracheiro de plantão.

                                Agora sim tudo "listo" continuamos nossa viagem, que durou outro tanto, com o pneu vindo abaixo de novo e graças ao nosso Senhor Protetor dos Fu...zilados, bem na frente de uma outra borracharia que se encontrava ao lado de um posto de inspeção animal.

                                Nova enchida, re-aperto do "ventil", diagnóstico confirmado por este novo especialista, voltamos à estrada por outro tanto de quilômetros quando apavorados sentimos a Bonitona com as barbas no chão de novo.

                                Arregalados no meio daquela sauna seca, pegamos nosso terceiro e último spray e pau...dois pra fora e um pra dentro, e agora já sob o efeito daquela evolução do lança chamas retornamos para a última borracharia e sem sentirmos a mínima segurança em permanecer na estrada, inflamos novamente o pneu e decidimos voltar para uma cidadezinha chamada Acaponeta, não sem antes pararmos naquele primeiro lambão que nos atendeu, colocar mais uma pitada de ar e sem olhar para trás entramos nesta cidade para ver como iríamos desatar este nó.

                                Pela aclamação na entrada, temos a certeza de que somos os primeiros brasileiros a dormir nesta cidade.

                                Depois de atendidos pelo Juanito, ou se preferirem, Conchita, no Hotel Cadenales, por U$22,00, e por recomendação deste queridinho, fomos jantar num restaurante/casa pilotado pela Da. Vitória, onde comemos umas "gorditas de enciladas de cosido de res", m a r a v i l h o s a s, que vieram a colocar mais lenha nesta minha fogueira.

                                Bem, com relação a moto, a deixamos devidamente aninhada no estacionamento do hotel e mesmo que continue a perder pressão, pois estamos monitorando-a de hora em hora, esperaremos o dia amanhecer para procurar uma oficina a fim de fazermos a reparação do pneu.

                                E seja o que Deus quiser, porque agora eu quero é flutuar.

                                Click image for larger version

Name:	Captura de Tela 2013-03-10 às 19.55.30.jpg
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                                Total percorrido : 1020 km - Total geral : 17.039 km
                                Última edição por Dolor; 10-03-13, 20:32.

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