Alasca 2010

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    Fazedor de Chuva

    • Mar 2011
    • 3250

    #1

    Alasca 2010

    Iniciaremos hoje a publicação da história da viagem efetuada pelo GCFC PHD Osmar e Terezinha Becher, durante o ano de 2.010, que os levou desde Santa Catarina até onde a América faz a sua última fronteira, com o Oceano Ártico, mais precisamente em Prudhoe Bay, O Topo do Mundo, no Alasca, quando esta dupla de aventureiros exercitou ao pé da letra o slogan dos Fazedores de Chuva, quando diz:

    "Qualquer um pode fazer, porém, poucos o fazem..."

    O GCFC PHD Osmar, na plenitude da sua maturidade soube com muita precisão nos transferir através dos seus relatos, uma panorâmica contagiante desta épica viagem, que tem a capacidade de mudar as pessoas, determinando que voltem muito melhores do que quando partiram.

    Não é somente o aspecto financeiro quem determina a largada, nem o da disponibilidade de tempo, tampouco a questão da saúde e nem por último o ambiente familiar, teriam isoladamente capacidade para dar asas, ou melhor, dar duas rodas, para um sonho desta magnitude.

    É preciso somar à todas estas condicionantes, o tempero da coragem, para fechar os olhos para todas as rotinas que nos aprisionam, liberando desta maneira a alma inquieta que habita o coração de todo o aventureiro, para deixar para trás o conforto e a segurança que só a rotina perto dos que bem queremos pode nos proporcionar.

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    Que coragem a deste aventureiro para cruzar as três Américas com todos os seus mistérios, belezas e perigos na solidão de duas rodas....l

    Boa viagem, GCFC Osmar e Terezinha!
    Última edição por Dolor; 07-08-12, 01:43.
  • Dolor
    Fazedor de Chuva

    • Mar 2011
    • 3250

    #2
    Alasca 2010 - O início

    Para mim, o Alasca somente existia nos mapas. Isto até 3 anos atrás, quando tomei conhecimento do projeto “EXPEDIÇÃO ALASCA” do amigo Artur Albuquerque, motociclista carioca, larga experiência em longas viagens em motocicleta. A partir de então, passei a me preparar para essa viagem.

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    Primeira providência: me aposentar, já que o tempo previsto para a viagem era de 150 dias, para rodar 55.000 quilômetros, cruzando dezoito países. Em motocicleta, naturalmente. E para esta viagem, escolhemos a Harley-Davidson Electra Ultra Classic.

    Depois fazer os vistos para cruzar Honduras, México e Canadá. Dos Estados Unidos eu já tenho e nos demais países não é necessário.

    Outra preocupação importante foi quanto a dinheiro: levei alguns dólares, dois cartões de crédito habilitados para uso no exterior, e um cartão em moeda estrangeira (cash passport).

    E o dia marcado para a partida não demorou a chegar. E chegou com chuva. Excelente início de uma longa jornada. Era sábado, 29 de maio de 2.010.

    Ainda estava escuro quando me despedi da Terezinha, minha inseparável companheira de viagens em moto. Estava indo sem ela.

    Neste primeiro dia, rodamos até Eldorado na Argentina, onde pernoitamos no Hotel Cabanas Don Juan.

    Ao sairmos do Brasil, tivemos o cuidado de documentar a saída das motos, fazendo a DSE (Declaração Simplificada de Exportação). Este documento será muito útil no caso de precisarmos enviar a moto do exterior para o Brasil. Espero não usá-lo.

    No segundo dia, já com tempo bom, chegamos a Presidência Roque Saens Peña, e no terceiro atingimos Purmamarca, aos pés da Cordilheira. Ficamos no Hotel Posta de Purmamarca.

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    A subida da cordilheira foi com muito frio. Algo em torno de zero grau. Vesti toda a roupa quente disponível, inclusive a capa de chuva. Duas luvas em cada mão reduziam bastante o tato, dificultando um pouco a pilotagem.

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    Em Paso de Jama, uma alegria: um posto de gasolina novinho em folha, com conveniências e tudo o mais.

    Um café quentinho foi muito reanimador.

    Ao final do quarto dia, chegamos a Iquique já noite. Fomos recebidos pelo Robert, com quem jantamos e conversamos muito sobre viagens em moto.

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    No quinto dia chegamos a Moquegua, no Peru, e no sexto dia a Ica.

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    Dia seguinte, quando nos aproximávamos de Lima, fomos recebidos pelos colegas Daniel Varon e Ralph Ivanov, El Patito Feo, que nos conduziram ao hotel San Izidro, especialmente reservado para nós.

    Em Lima, a recepção ficou por conta do amigo Enrique Navarro e sua simpática esposa, e da Any, com quem almoçamos.
    Última edição por Dolor; 05-08-12, 17:10.

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    • Dolor
      Fazedor de Chuva

      • Mar 2011
      • 3250

      #3
      QUARTA-FEIRA, 14 DE SETEMBRO DE 2011

      De Lima a Pasto, na Colômbia

      Saímos de Lima bem cedo, para evitar os congestionamentos no trânsito matinal. Em vão. Levamos quase duas horas para chegar à rodovia Panamericana. Nesse oitavo dia, pernoitamos em Chiclayo, no Hotel Costa Del Sol.

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      Dia seguinte, uma rara oportunidade: visitamos o Museu do Señor de Sipan, em Lambayeque. Impressionante!

      Viajamos o dia todo por uma região bastante árida. Ao final do dia, chegamos a Tumbes, já na fronteira com o Equador, e nos hospedamos no Hotel Costa Del Sol (homônimo da noite anterior). Aí tive a oportunidade de fazer minha estréia como jogador. No cassino do hotel comprei S/.10,00 (dez soles) em fichas e me entreguei às máquinas caça níqueis. Não sei por quanto tempo me dediquei ao jogo, mais olhando do que apostando, mas, ao final, consegui um lucro de cem por cento.

      Nada mal, para um principiante.

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      Dia seguinte, fronteira com o Equador, com uma aduana de trâmite complicado (por ali passamos em 2005). Mas tudo mudou. Mudaram-se do congestionado formado pela junção de duas cidades (Águas Verdes, no Peru, e Huaquillas, no Equador), para uma região afastada, longe dos ambulantes e curiosos, onde fomos recebidos pelos irmãos Boada, de Ambato, que nos auxiliaram nos trâmites e nos escoltaram até sua cidade, onde chegamos à noite.

      Em Ambato nos hospedamos no hotel Sahra, de propriedade da família Boada.

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      O décimo primeiro dia de viagem, em Ambato foi de folga, que usamos para, com os amigos, conhecer a região, especialmente o vulcão Tungurahua, que naqueles dias estava ativo, liberando grandes rolos de cinzas e gazes, entre rugidos que se ouvia a quilômetros.

      Aí conhecemos Vinny Bikers, de Quito, que veio nos buscar para seguirmos viagem. No caminho, passamos pela sua finca, grande produtora de rosas para exportação, onde vivemos momentos de pura magia, em meio a tantas e belas flores. As rosas equatorianas estão entre as mais belas do mundo.

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      Vinny nos hospedou em sua casa, onde fomos muito bem recebidos por toda a sua família.

      E para as motos, tratamento especial na Roger's Cycles Latitud Zero, concessionária Harley Davidson para a região, onde fiz a revisão dos oito mil da minha Ultra.

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      Ontem à noite, mais uma agradável surpresa: Vinny Bikers, sua esposa e filha fizeram para o jantar um espetacular assado de picanha uruguaia. Estava fantástico. Perfeitos anfitriões. Abrilhantando o jantar, a presença do PHD Patrício, do PHD Lutz e esposa.

      E para fechar com chave de ouro nossa passagem por Quito, hoje tivemos a honra de ser escoltados por Vinny Bikers e Patrício até próximo à fronteira com a Colômbia, com direito a um delicioso café com esquisitos biscoitos da abuela, na despedida.

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      Em Tulcan, ainda no Ecuador, nos chamou a atenção a presença de militares do exército em todos os postos de gasolina. E haja fila de carros. Descobrimos que eles controlam o abastecimento dos veículos: apenas dez dólares para cada. Esse controle é para evitar o contrabando de gasolina, do Ecuador para a Colômbia, devido à grande diferença de preço.

      Enquanto que no Ecuador, o galão de gasolina com 3,75 litros custa 2 dólares (a moeda corrente é o dólar norteamericano), na Colômbia o mesmo galão é vendido por 6.000 pesos colombianos (algo em torno de 3 dólares).

      A passagem de fronteira foi tranqüila, tendo sido muito bem atendidos em ambos os lados, inclusive tivemos cortesia de aduaneiros colombianos para agilizar os trâmites, xerocando todos os nossos documentos.

      Na Colômbia existem algumas regras especiais para motociclistas: devem usar jaleco refletivo, com a placa da moto, que também deve estar gravada no capacete. E ter um seguro especial. Entramos em Ipiales, a cidade fronteiriça, para as devidas providências. Foi o maior sufoco. Tivemos que nos socorrer com um motoboy, que prontamente nos conduziu pelas estreitas e movimentadas ruelas, para, nos lugares certos, cuprirmos as exigências.

      Neste décimo quarto dia de viagem, 11 de junho, pernoitamos em Pasto, na Colômbia.

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        Fazedor de Chuva

        • Mar 2011
        • 3250

        #4
        Bogotá

        O sábado amanheceu ensolarado. Era dia 12 de junho, 15º dia de viagem, e rodávamos pelas famosas rodovias colombianas, entre montanhas, muitas curvas, precipícios, caminhões em alta velocidade. E o exército nas ruas, digo, na rodovia. Em pontes, vilas, retas, curvas, cortes, barrancos, aterros, lá estavam os soldados, sempre fortemente armados, protegidos por trincheiras de sacos de areia, ou patrulhando a dois em moticicletas. Não nos pararam, ao contrário, acenavam para prosseguirmos.

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        Em Cali nos encontramos com um grupo de motociclistas encabeçados pelo pessoal da Asturias Motoservice, o Jorge Garcia e sua simpática esposa Sory. Hospedamo-nos no Hotel Vizcaya Real.

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        Dia seguinte, o casal Jorge e Sory nos escoltou para sairmos da cidade. Chegamos em Bogota ao final da tarde, depois de curvas e mais curvas, na temível La Linea. Assim é conhecida a estrada que cruza uma serra de três mil e tantos metros de altitude, com intenso tráfego de grandes, pesados e lentos caminhões.

        Hospedamo-nos no Hotel Colombian’s Suites Internacional.

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        Nossa preocupação ao acordarmos na segunda-feira (14/06) era embarcarmos as Harley para o Panamá. Por volta das 9:00h, dia festivo (feriado) aqui em Bogotá DC, conforme combinado, o Sr John Fábio Agudelo, presidente da empresa Air Cargo, nos procurou para tratarmos do assunto.

        Por conta do feriado, somente amanhã poderemos entregar as motos para embarque e fazer a documentação aduaneira. Elas seguirão viagem na quarta-feira, e na quinta poderemos retirá-las lá no Panamá. Somente depois de resolvido o despacho das motos, é que vamos tratar das nossas passagens.

        Importante ressaltar aqui o atendimento que nos foi prestado pelo Sr. John no dia de hoje. Sabendo que estávamos de folga, traçou um roteiro de citytour, providenciou um veículo com motorista, e lá fomos nós, conhecer Bogotá.

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        A primeira parada foi no Cerro Monserrate, de onde se avista toda a cidade. Os veículos sobem até uma estação, onde se toma, um teleférico ou um funicular, para se ganhar o topo do cerro.

        Enquanto aguardávamos o embarque, eis que nos deparamos com um ambulante vendendo formigas. Sim, formigas, torradinhas, devidamente embaladas, prontas para consumo. Afrodisíacas. Irresistíveis. Impossível comer uma só. E não deixamos passar essa rara oportunidade. Talvez foi por isso, que dia todo, sentimos um estranho gosto de formiga na boca.
        Do alto do cerro, a vista é deslumbrante. As construções, em sua maioria de tijolos aparentes, formam um imenso tapete corderrosa, que desaparece no horizonte.

        Uma via sacra conduz a uma belíssima capela, onde assistimos a uma missa, e, ao final, recebemos uma benção especial, do jovem sacerdote, para concluirmos com sucesso essa nossa viagem.

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        Hora de almoço. Estávamos varados de fome, eis que nosso jantar de ontem foi “meia boca”. Então fomos para o restaurante Andres Carnes de Res, que nos fora indicado pelo John, como imperdível. E é. Nunca vi nada parecido. A decoração é a maior bagunça organizada que já vi. As paredes são entulhadas de velharias, de todas as espécies, criteriosamente dispostas, de modo a formar um todo de visão muito agradável. O serviço é excelente. Os garçons, todos jovens, prontamente atendem a todos os clientes. Deve haver espaço para mais de 500 pessoas. A comida é excelente. A carne (de rês), é tenra e saborosa, e, importante, grelhada no ponto pedido. A nossa estava mal passada, suculenta. E de quebra, personagens diversos (engraxate, batedor de carteiras, gueixas, Chaplin, coristas) animam o ambiente.

        Voltando para o hotel, resolvemos passar num shoping, e vimos mais uma ação para combater a violência e o terror: todos os carros são revistados na entrada do estacionamento, por policiais acompanhados de cães farejadores.
        Última edição por Dolor; 07-08-12, 01:33.

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        • Dolor
          Fazedor de Chuva

          • Mar 2011
          • 3250

          #5
          QUINTA-FEIRA, 15 DE SETEMBRO DE 2011

          Panamá e Costa Rica

          Terça-feira, 15/06, 18º dia de viagem. Levamos as motos para o aeroporto, setor de cargas, e as deixamos a cargo da empresa Air Cargo Pack, para prepará-las para o embarque e transporte. Enquanto isso, procuramos a aduana, para encaminhar o despacho. Não foi difícil. Confirmado o embarque delas para o dia seguinte, compramos as passagens para nós.

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          Quarta-feira, 16/06, voando pela Avianca, chegamos a Panama City. Nos hospedamos no Hotel Costa Inn.

          Quinta-feira, 17/06, acordamos cedinho, e corremos para o Aeroporto, setor de cargas. Chegamos às oito em ponto, e só fomos receber nossos documentos meia hora depois. Começamos uma verdadeira via sacra para a liberação das motos.
          De se notar a falta de estrutura do aeroporto, no setor de cargas, para atendimento ao cliente. Num calor insuportável, os funcionários ficam (se trancam) em apertadas saletas, com ar condicionado, atendendo ao pessoal, através de pequenas aberturas nas janelas. Não existe banheiro, nem água, nem sombra, nem nada. E dê-lhe transpirar. Mas o que isso importa. Tudo o que queríamos ali, era tão somente resgatar nossas meninas.

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          Que alívio. Por volta das 11:30 horas, finalmente nos autorizaram entrar no galpão de encomendas, tirar o plástico que embalava nossas motos, e tchau.

          Felizes, ganhamos a rua. Finalmente poderíamos prosseguir nossa viagem.

          Mas antes disso, vamos conhecer o funcionamento do famosíssimo Canal do Panamá. É ponto de honra, ver pelo menos um navio cruzando o canal, sendo elevado ou abaixado pelas eclusas.

          Rápida passagem na loja da Harley para comprar algumas lembrancinhas, e toca para o hotel para se refrescar, colocar os e-mails em dia, e preparar para cruzar a América Central.

          À noite, jantamos em grande estilo, no restaurante Miraflores, bem ao lado da eclusa de mesmo nome. Os navios que cruzam o canal, passam bem ao lado do restaurante. Quase se pode tocá-los. É impressionante a capacidade da engenharia humana: os navios, enormes, literalmente sobem escadas, e depois descem, para poderem cruzar de um oceano para outro. Na volta, dedicaremos mais tempo ao canal, sua história, seu funcionamento, sua importância para o Panamá e para a navegação. Na ocasião, tivemos a agradável companhia do Omar Munhoz, o despachante aduaneiro que muito nos ajudou na liberação das motos.

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          Sexta-feira, dia 18, cruzamos o canal (pela ponte internacional), até ganharmos a Ruta Panamericana, para continuarmos nossa viagem.
          Em pouco tempo já estávamos na fronteira com a Costa Rica. E aí começa tudo outra vez, aquela via sacra pelos guichês, calor insuportável, carimbos daqui, fotocópias dali, fumigação acolá. Sim, tivemos que fumigar nossas motos novamente. Vamos chegar defumados ao final da viagem. Cada coisa estranha que nos aparece: é preciso fotocopiar todo o passaporte para entrar na Costa Rica. Todo. Inclusive as páginas em branco. Incrível. Gostaria de saber o que eles querem, e o que fazem, com tanto papel.

          Mal colocamos os pés, digo, as motos na estrada, chuva. Muita chuva. Afinal, para quem quer ser um fazedor de chuva, aquilo era um prato cheio. Essa chuva, com certeza, era produto de algum fazedor de chuva pós-graduado, fazendo-nos uma pequena demonstração.

          Importa destacar, que na Costa Rica tivemos o acompanhamento do motociclista José Lara, em sua potente V-Strom.
          Pernoitamos em Jaco, a elegante praia dos costarriquenhos, no Hotel Tangeri.

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          • Dolor
            Fazedor de Chuva

            • Mar 2011
            • 3250

            #6
            Nicarágua, Honduras e El Salvador

            Sábado, 19/Jun (22º dia de viagem).

            Choveu a noite toda. Verdadeiro dilúvio. O barulho da água caindo se confundia com as ondas do Pacífico, batendo bem ao lado do hotel. Quase não consegui dormir, só pensando na dificuldade que é pilotar sob chuva torrencial. Nossa roupa usada ontem já estava seca, e a possibilidade de molhar de novo não agradava. Isso me fez pensar que deveria existir alguém especializado em parar a chuva. Um desfazedor de chuva. Às vezes é preciso alguém que faça o sol brilhar, para animar a viagem dos motociclistas.

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            Acho que minha imaginação fez efeito. O dia amanheceu só com o barulho das ondas. Nada de chuva. Ufa! Rapidamente dobramos as capas de chuva, arrumamos as malas, mas antes de sair, fomos brindados com o desayuno mais “exquisito” da viagem. Em um prato quadrado, cuidadosamente arrumado, huevos revueltos, tortilhas, nata, uma generosa porção de feijão com arroz, e plátano frito. Uma delícia chamada “galo pinto”.

            Deixamos o hotel já com sol forte. Bom sinal. No caminho, mais um motociclista se juntou a nós. Ivan, em sua bela Harley-Davidson. Rumamos em direção à fronteira sempre pela costa oeste. Preferimos deixar para a volta a visita à capital, São José.

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            Assim, com os dois amigos, em pouco tempo já estávamos na fronteira com a Nicarágua. E lá vem confusão: Fotocópia disso e daquilo, carimbo aqui, carimbo ali, seguro das motos, taxa de turismo, taxa de visto, intermináveis filas, calor, muito calor, e, mais que tudo, paciência, muita paciência.

            Regra número um: “hay que ter mucha paciência”.

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            Nossa chegada na loja HD Managua foi uma grata surpresa. Fomos recepcionados por gente muito simpática, que nos atenderam como se fôssemos velhos fregueses, cervejinha para matar a sede dos viajantes, camiseta de lembrança, e competentes mecânicos.

            Hospedamo-nos no Hotel Guanacaste, bem ao lado da loja HD.

            Domingo, 20/Jun (23º dia de viagem).

            Saímos cedo de Manágua. Nosso objetivo para hoje era bastante ambicioso: cruzar duas fronteiras. A falta de placas indicativas dificulta bastante a movimentação pela simpática Capital. A única maneira de não se perder, ou sair pelo lado errado, é perguntar. Perguntar nos postos de gasolina, aos taxistas, aos motoqueiros. Todos colaboram, e num instante já ganhávamos a estrada rumo a Honduras.

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            No caminho, passamos ao lado do vulcão Telica, que se encontra fumegando. Apreciar vulcões em atividade, sempre foi para mim, e acredito que para a maioria dos brasileiros, uma atividade muito atrativa, porque, acredito, em nosso país, não temos esse tipo de manifestação da natureza.

            Em pouco tempo, já estávamos na fronteira com Honduras. E não posso deixar de tocar nesse assunto, novamente. Cruzar fronteiras por aqui, é uma prova de resistência, a que as pessoas são submetidas, desnecessariamente, ao meu ver.
            Inicia pela necessidade de fotocopiar documentos. Várias cópias. E as instituições que as exigem, não fazem isso. O turista tem que se virar. Então aparece a figura do tramitador. Assim são chamados aquelas pessoas que se dispõe a ajudar o turista a vencer a burocracia, mediante um pagamento pelos seus relevantes serviços.

            Para sair ingressar em Honduras, tiramos fotocópias no único lugar disponível. Parecia uma pocilga. Fétida, escura e quente, muito quente. Não sei como alguém consegue sobreviver num ambiente daqueles.

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            Mas nem tudo está perdido. Tivemos a satisfação de conhecermos, na aduana de saída da Nicarágua um inspetor geral que tentava moralizar o serviço, não permitindo, de forma alguma, a mediação de tramitadores. Lá, naquela seção, o serviço fluía muito bem, sem filas e sem atropelos.

            Apesar de tantos problemas, logramos êxito em nossa intenção: conseguimos cruzar duas fronteiras, ou quatro, como alguns entendem: saímos da Nicaragua, entramos em Honduras, saímos de Honduras e entramos em El Salvador. Nós conseguimos, e mais, chegamos à simpática San Miguel, apesar dos inúmeros “reten” policiais, estes, de finalidade duvidosa, pois, sob o pretexto de coibir o tráfico de drogas, o contrabando, a criminalidade em geral, param a todos, indiscriminadamente.

            E como estamos em plena Copa do Mundo, nós também participamos das vitórias da nossa seleção. E hoje não foi diferente. Na estrada, ouvindo o jogo pelo radio, mesmo com muita interferência, ouvimos e comemoramos à nossa maneira, o primeiro gol da nossa seleção, contra Costa do Marfim: gritos e buzinas, na imensidão das pradarias de Honduras.

            Pernoitamos em San Miguel, Hotel Florência.

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              Fazedor de Chuva

              • Mar 2011
              • 3250

              #7
              Guatemala e México

              Segunda-feira, 21/Jun (24º dia de viagem).

              Em San Miguel, simpática cidade de El Salvador, ficamos no Hotel Florência. Amplas habitaciones, excelente restaurante, imperdível desayuno. Porém, duas observações. Uma, tomamos banho frio. Não hay água caliente senior. Pelo menos não encontramos a forma de como fazer sair água quente por aquele bendito chuveiro. Duas, no restaurante, de excelente carne argentina, havia duas opções de tamanho do naco de carne: uma libra, ou meia libra. O garçom não sabia transformar libras em gramas. Nem nós. Na dúvida, pedimos pratos com uma libra. Quando veio a comida, espanto geral. Meio boi. Só depois, consultando Google, descobrimos que uma libra equivale a 453 gramas...

              E a policia na carretera? A cada pouco, um reten policial. Sempre presentes. Hoje não nos pararam. Apenas acenavam. Bom.

              E as aduanas? Grata surpresa. A saída de El Salvador, pelo Paso San Cristóbal, foi surpreendentemente fácil e rápido. Sem tramitadores, sem propinas, sem estresse. Até a temperatura colaborou. Estava agradável. E para entrar na Guatemala não foi diferente. Apenas algumas fotocópias do passaporte, do certificado de propriedade do veículo, e da Carteira Nacional de Habilitação e pronto. Estamos “listos” para prosseguir viagem.

              As estradas da Guatemala se alternam trechos excelentes, com alguns irregulares. De repente, uma placa: CUIDADO, TUMULOS. Sem compreender direito, diminuímos a velocidade, e com toda cautela avançamos, à procura dos túmulos. À frente, respiramos aliviados, ao descobrir que assim são chamadas as lombadas.

              Ora, ora.

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              Em Guatemala City, visitamos a loja da Harley. Grata surpresa. Fomos recebidos com um cordial sorriso, um excelente café com creme, e água geladinha. Até parece...

              Completando nossa jornada de hoje, chegamos a Antigua. É uma cidade histórica, talvez uma das mais antigas das Américas. Movimentadíssima. Lembra a nossa Parati, porém bem maior. Muitos turistas, principalmente americanos.

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              Pernoitamos na Pousada Hermano Pedro.

              Terça-feira, 22/Jun (25º dia de viagem).

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              Mesmo antes de chegarmos ao México, já começamos a experimentar os seus sabores. O desayuno servido no hotel em Antigua, foi bem ao estilo mexicano. Os garçons todos vestidos a caráter, serviam generosas porções de comida típica aos hóspedes do hotel, que hoje acordaram cedo, para aproveitar melhor o dia naquela cidade histórica. Frijoles, tortilhas, queijo, salsichas, huevos revueltos, plátano, cremas, salsas, tudo cuidadosamente arrumado num prato grande, facilitando assim provar uma a uma, as delícias oferecidas.

              A saída de Antígua foi tão complicada quanto a chegada. Pilotar nossas pesadas Harleys naquelas ruas calçadas com pedras irregulares, no tempo de colônia, é um grande sacrifício. Chega a doer no coração da gente, sentir a moto saltitar de uma pedra n´outra.

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              Mas logo à frente uma auto pista novinha em folha. Que Delícia. As Harleys deslizam pelo asfalto impecável. Mas é por pouco tempo. A rodovia corta uma região montanhosa, e, para surpresa nossa, os barrancos e os aterros, tudo de argila, sem qualquer proteção ou reforço, estão caindo, por ação da chuva. Não dá para imaginar como puderam fazer aquilo. Numerosos desvios, água cruzando a pista, máquinas e operários trabalhando. A viagem não rende.

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              Nesse trecho, a rodovia atinge 3.000 metros sobre o nível do mar. A paisagem é incrivelmente bela. Vales, lagos, plantações de hortaliças, e bem ao fundo, emoldurando tudo, o imponente vulcão São Pedro.
              Por volta de meio dia, chegamos à fronteira com o México, em Ciudad Tecun Uman. O trâmite foi rápido. Nada de tramitadores, filas, fotocópias, propinas. Funcionários gentis e atenciosos, tanto no lado guatemalteco quando mexicano, em pouquíssimo tempo nos liberaram. Pronto. Estávamos no México.

              E para completar nosso dia, melhor notícia não poderia haver: o nosso amigo Braga virá nos buscar em TOTOLAPAN, e nos acompanhará até Oaxaca.

              Pernoitamos no Hotel Holyday Inn Express, em Tapachula

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              • Dolor
                Fazedor de Chuva

                • Mar 2011
                • 3250

                #8
                Oaxaca

                Quarta-feira, 23/Jun (26º dia de viagem).

                Hoje é dia do aniversário da minha rainha, minha companheira de viagem, com quem vou me encontrar em Las Vegas para prosseguirmos juntos esta viagem. Falei com ela ontem pelo Skype. Muitas saudades...
                Logo na saída de Tapachula, aduana. Fotocópias, carimbos e um seguro para as motos. Mais à frente, uma barreira do exército. Depois de olharem atentamente toda a nossa documentação, um “pente fino” em nossa bagagem. Abriram tudo o que podia ser aberto, olharam tudo o que podia ser olhado.

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                No início da tarde, encontramos Braga, o amigo que nos esperava, e com ele seguimos até Oaxaca. Durante o trajeto, pude observar que ele pilota com grande maestria, bailando com sua moto pelas curvas, demonstrando muita intimidade com a máquina. Era noite quando chegamos em sua casa, onde fomos recebidos por sua simpática esposa, e onde nos “quedamos”.

                Quinta-feira, 24/Jun (27º dia de viagem)

                Começamos o dia em grande estilo: um autêntico desayuno mexicano, especialmente preparado para nós, por Norma, a amável esposa do amigo Braga. Porções de frutas frescas e maduras, cuidadosamente descascadas, picadas e arrumadas em pratos individuais, para começar. Depois, salsichas com huevos revueltos, temperados com fina salsa picante. E para encerrar, aquele pãozinho crocante, recém saído do forno, com delicioso queijo oaxaqueño.

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                Muy rico!

                Também, a Norma nos emprestou a máquina de lavar roupa. E num instante já tínhamos um varal cheio de calças, camisas, meias, etc, dos viajantes, a secarem ao sol. Como é bom sentir aquele clima de casa de família. Na verdade, o casal Braga e Norma nos fazem sentir como em nossa própria casa.

                Isso não tem preço.

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                Hoje foi dia de city tour por Oaxaca. E a maior atração da cidade, são as ruínas de Monte Alban, onde estão localizadas os restos de civilização Zapoteca, povo que viveu na região até 500 A. C. O que se vê é de encher os olhos: são pirâmides, praças de esporte, altares, palácios, tudo construído em pedras. São restos de um grande e desenvolvido povo, que viveu tempos de muito progresso.

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                Para encerrar o passeio, almoço típico no maior restaurante da cidade: La Capilla, que se localiza em Zaachila. É enorme. Tudo muito simples, porém de muito bom gosto. O piso é de terra batida. Grandes mesas de tábuas polidas se espalham por grandes galpões, e outras, mais reservadas, estão em palapas (pequenas casitas, tipo choupanas, cobertas com folhas de palmeiras). E como não podia deixar de ser, pedimos um prato, que tinha um pouco de todas as comidas típicas: chourisso oaxaqueño, memelitas, tasajo, chicharon, cecina enchilada, chile relleno, costillitas de cerdo, aguacate, rábano, frijoles, biuses, e chapolins tostados, regado com rica cerveja Corona. Como aperitivo, um Mezcal de Gusano de Maguey, tostaditas e mole oaxaqueño (mistura de chocolate, nozes, amêndoas, açúcar e grasa de cerdo).

                Em tempo: chapolin (lembram do Chapolin Colorado?) nada mais é do que um tipo de gafanhoto. Sim, comemos gafanhotos... afinal, já tínhamos comido formigas em Bogotá, e sobrevivemos!

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                • Dolor
                  Fazedor de Chuva

                  • Mar 2011
                  • 3250

                  #9
                  León e Guanajuato

                  Sexta-feira, 25/Jun (28º dia de viagem).

                  Deixamos Oaxaca antes do sol nascer. Nos despedimos de Norma, aquele anjo bom que cuidou de nós durante dois dias. Uma mulher de fibra, corajosa, guerreira, companheira de viagem do nosso amigo Braga. Que casal simpático.
                  Braga nos escoltou até sairmos da cidade, por volta de 70 quilômetros. Optamos pela rodovia pedagiada, para ganharmos tempo. Que bela estrada. Asfalto perfeito, curvas suaves, pouco movimento. A temperatura, em torno de 15 graus, facilitava a viagem. Em menos de uma hora nos despedimos do Braga, que voltou para sua cidade, onde iniciaria mais uma grande aventura: viajar até o Brasil, em um mototaxi. É um veículo de três rodas, toldo de lona, fabricado na India, e que é usado como taxi por estas bandas. Sem dúvida, mais um ato de coragem deste valente motociclista, um dos poucos que cruzou pelo Darien.

                  Desde que entramos no México, temos notado a existência de numerosas barreiras policiais. E hoje não foi diferente. Encontramos pelo menos umas quatro delas, com muitos policiais parando, identificando, revistando os veículos. Em alguns, até fazendo pente-fino, ou seja, uma revista bastante detalhada.

                  Hoje não nos importunaram. Apenas em uma delas, nos pararam para perguntar de onde vínhamos, para onde íamos, e, a velha pergunta de sempre: quando custa uma moto destas. Para todas as perguntas, respostas na ponta da língua: somos do Brasil, vamos ao Alasca, e, esta moto custa uma vida toda de trabalho. Adelante! Chau.

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                  Pelo caminho, a paisagem vai se alternando: na sua maior parte, região montanhosa e árida, com pouca vegetação. Em alguns lugares, plantações de hortaliças e criação de aves.
                  De repente, um vulcão fumegante quebra a monotonia. Hoje passamos por três deles. Dois estavam tranquilos, dormindo um sono de muitos anos. Até quando não se sabe. Já um terceiro, lançava grossos rolos de fumaça e cinzas no ar. Belo espetáculo.

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                  Nosso objetivo hoje era chegar a León, onde o amigo Manuel Quintana nos aguardava. Para isso, tínhamos duas opções: atravessar a cidade do México, uma das maiores e de trânsito mais congestionado do mundo. Isto dito pelos próprios mexicanos. Ou seguir pela Autopista Arco Norte, famosa pelo pedágio muito caro.
                  Decidimos pela segunda opção. Essa autopista inicia logo depois de Puebla, desvia a capital mexicana pela direita, e em pouco tempo nos coloca muito próximos a León. O pedágio foi caro, mas o tempo que ganhamos, compensou.

                  Em pouco tempo, já nos encontramos com o Manuel que nos aguardava para nos conduzir para sua cidade. Ia tudo muito bem, até que tivemos um pequeno e imprevisto problema: o pneu traseiro de minha moto murchou.
                  Fomos atendidos por um Anjo Verde (assim são conhecidos os funcionários da concessionária do pedágio que dão assistência aos turistas). Conseguimos rodar até um posto de gasolina para completar o enchimento do pneu, porém, não deu certo. Acabou estourando enquanto era enchido.

                  Completando nosso dia, moto em cima de uma grua (caminhão de socorro), e a levamos para a loja da Harley em León, para a troca do pneu.
                  Agora, estamos confortavelmente instalados na casa do nosso amigo Manuel, que juntamente com sua simpática esposa Sandra, nos receberam e nos hospedaram.

                  Sábado, 26/Jun (29º dia de viagem).

                  Hoje foi dia de citytour. De moto. Alguém foi na garupa. Afinal, minha moto estava na oficina, para troca do pneu que estourou ontem.
                  O amigo Manuel e seu grupo de amigos motociclistas nos levaram para conhecer duas pérolas locais: as cidades históricas de San Miguel de Allende, e Guanajuato.
                  San Miguel de Allende estava festiva, com banda de música e desfile, em homenagem ao bicentenário da morte, por fuzilamento, do seu fundador.

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                  Ruas estreitas, calçadas antigas, irregulares, casario do tempo colonial, igrejas, tudo muito bem conservado. E muitos turistas, na sua maioria, norteamericanos.
                  Em seguida rumamos para Guanajuato, cidade capital da Província de mesmo nome. E ficamos impressionados com o que vimos. As estreitas ruelas entre o casario antigo, quase não permite o trânsito de veículos. Então o trânsito é feito por túneis. E túneis antigos, com várias ramificações.
                  E mais turistas. Muitos, aos milhares, o ano todo, ocupam os incontáveis bares, cafés, restaurantes, muitos chamados de “tasca”.

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                  E o garupa? Pois é, sem moto, tive a grande experiência de viajar na garupa. Do Manuel, nosso anfitrião. O cara, o Manuel, é fera, pilotando sua BMW com muita perícia, transmitindo muita segurança ao garupa, que viajou preocupado somente em obter boas fotos do grupo (14 motos) e da paisagem.

                  Confirmando e completando informações de ontem, aqui no México é normal existirem duas opções de rodovia para ir de um lugar a outro: rodovias federais, sem pedágio, simples como as nossas, cheias de curvas, lombadas, congestionamentos, atravessando zonas povoadas. E as pedagiadas, identificadas por cuotas. Estas, construídas com capital privado e concessão para explorar por 20 anos, são excelentes. Normalmente com pista dupla, ou tripla, curvas mui suaves, sem lombadas, sem congestionamentos, sem buracos. Paga-se nas “casetas” (assim são conhecidas as praças de pedágio). O preço é caro, mas ganha-se em tempo. E muito.

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                  De volta a León, reencontro com minha moto, de sapato novo, prontinha para a viagem, que amanhã retomaremos.

                  Comentário

                  • Dolor
                    Fazedor de Chuva

                    • Mar 2011
                    • 3250

                    #10
                    León a Las Vegas

                    Domingo, 27/Jun (30º dia de viagem)

                    Com a ajuda de Manuel, fizemos cuidadoso planejamento para, em três dias, chegarmos a Nogales, fronteira com Estados Unidos, e dali, mais um dia, já estaríamos em Las Vegas, para, no dia 2 de julho, no aeroporto, encontrar nossas queridas.
                    Nesse trajeto, a estrada cruza pela Sierra Madre, cadeia de montanhas mexicanas que é prolongamento das Rochosas, e forma espetaculares cânions, que iríamos visitar.

                    Manuel nos acompanhará até Nogales, facilitando bastante nosso trânsito pelas rodovias mexicanas, e sobretudo, nos levando a conhecer os pontos importantes da região, além de, claro, desfrutarmos sua preciosa companhia.
                    Sandra nos preparou um desayno especial: coyotas (tortilhas típicas de Sonora, sua terra natal, feitas à base de harina de trigo e maiz, rellenas com manzanas e dulce de leche, e com um gostinho de quero mais).

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                    Rodamos por cerca de cem quilômetros até Aguascalientes, onde nos encontramos com mais três motociclistas (um deles com a esposa) que nos acompanhariam até Zacatecas. Cumprimentos, fotos, e, já prontos para rodar, outro imprevisto: uma de nossas motos estava chorando lágrimas de óleo. Logo hoje, domingo, dia de jogo da seleção mexicana na Copa do Mundo, onde encontraríamos um mecânico?

                    Rápida reunião entre o grupo – agora éramos sete, e já veio a decisão: vamos achar um lugar para desayunar e depois vemos o que fazer. Caramba, comer outra vez? Assim, descobrimos que os mexicanos fazem uma refeição reforçada pela manhã, e depois comem o restante do dia, mas só até o jantar. Depois disso, nada mais.
                    E deu certo. Logo um dos nossos novos amigos providenciou uma camioneta, colocamos a moto na carroceria e a levamos de volta para León, para amanhã, levá-la à oficina.

                    Agora, a nossa expectativa é que a moto seja consertada amanhã, ainda pela manhã, para retomarmos nossa viagem. Naturalmente teremos que rever o roteiro, para, no mais tardar, chegarmos a Las Vegas um dia antes das queridas.

                    Segunda-feira, 28/Jun (31º dia de viagem)

                    Estamos fazendo turismo forçado em León, por conta da oficina autorizada HD local. Não que ela esteja pagando para nosotros ficarmos por aqui. É que não conseguem um rolamento que necessitam para consertar a moto, apesar de estar a apenas 1.000 km dos Estados Unidos. Inacreditável.

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                    Hoje bem cedo, 10 horas da manhã, trouxemos a moto para conserto. Ficaria pronta em duas horas. Passadas 3 horas, nos informam que necessitam de um rolamento, que não têm em estoque. Que ligariam para outras cidades à procura. Final de tarde, e nada.

                    Mas apesar dos problemas, hoje tivemos um excelente momento. Participamos de um almoço em família. O casal Manuel e Sandra, que mui gentilmente nos hospedam, receberam para o almoço, uma de suas filhas, o genro e dois netos. Os meninos chegaram cedo e nos acordaram. Como é bom conversar com crianças.

                    No intervalo do jogo da seleção brasileira contra a do Chile (vencemos de 3 X 0), o almoço foi servido. Cardápio mexicano especialmente preparado para brasileiros, que temem a comida apimentada e seus efeitos: frijoles, arroz, carne, tortilhas, tudo preparado com muito carinho.

                    Nada picante.

                    Estava delicioso.

                    Terça-feira, 29/Jun (32º dia de viagem)

                    O tempo está contra nós. Não consertaram a moto, e pior, não nos deram uma posição definida. Temos três dias apenas para chegar a Las Vegas (2.600 quilômetros de estrada, passagem de fronteira, etc.), para, no dia 2 de julho, pela manhã, estarmos no Aeroporto McCarran Intl (LAS), Terminal 1, esperando nossas queridas. Estarmos lá no aeroporto antes delas chegarem, é ponto de honra.

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                    Então decidimos voar os três até Las Vegas deixando as motos aqui, desfrutaremos a companhia das queridas, e dia 9 retornaremos para retomar a viagem, quando então, a moto já deverá estar “arreglada”. Assim esperamos.

                    Quarta-feira, 30/Jun (33º dia de viagem)

                    Definitivamente, o México é um país onde se come muito. E até de graça! Isso mesmo, ontem Manuel nos levou para conhecer uma das famosas cantinas locais, onde a comida é gratuita. O freguês só paga a bebida, que é vendida a preço de mercado. E tem mais: até as dez da noite, tem happy-hour, a cada cerveja pedida, vem outra de graça. Geladinha. Bebemos várias Coronas. E para comer, picadas, tostadas, tortillas, quesadillas, tacos. Tudo com o mais autêntico sabor mexicano, e muita, mas muita pimenta, acompanhados da tradicional musica mexicana, cantada ao vivo por dupla de Mariachis: Cielito Lindo, Adelita...

                    E para completar nossa estadia em León, fomos conhecer um amigo de Manuel que, além de ser excelente mecânico de veículos, faz artesanalmente, as mais deliciosas tortillas da região. Numa prensa artesanal, toda em madeira, ele espreme uma pelota de massa feita à base de maiz, e como num passe de mágica, a transforma em um disco, fino e circunferência perfeita. Depois é só assá-lo em uma frigideira e pronto. Pode ser comida pura, recheada com queijo, carne, frango, aguacate, salada, etc.

                    E pimenta, é claro.

                    Hora de irmos para o aeroporto.

                    O vôo até Las Vegas foi com conexão em Houston, no Texas, ou seja, fomos primeiro para o Leste, quando o nosso destino estava no Oeste, aumentando bastante o tempo de viagem. E mais, fomos surpreendidos pela diferença de fuso horário. A segunda parte da viagem, que pensávamos ser de uma hora e quinze minutos, acabou acrescida de duas horas.

                    Finalmente, pousamos em Las Vegas. No começo, uma mancha de luz no horizonte, mas, à medida que nos aproximávamos, a quantidade de luzes, neons, letreiros, revelava essa verdadeira pérola que floresce em pleno deserto.
                    Hospedamo-nos no Hotel Luxor.

                    Comentário

                    • Dolor
                      Fazedor de Chuva

                      • Mar 2011
                      • 3250

                      #11
                      Las Vegas

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                      Quinta-feira, 1º/Jul (34º dia de viagem) a Sexta-feira, 9/Jul (42º dia de viagem)

                      Primeiro dia em Las Vegas foi dedicado a explorar o hotel. Enorme, em forma de pirâmide, com duas torres em anexo, conta com 4.407 quartos, muitas lojas, restaurantes, bares, cafés, e o cassino, que parece não ter fim.

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                      À tarde, recebemos a visita dos Grandes Caciques Fazedores de Chuva, Dolor e sua esposa Ângela, que vieram de Los Angeles em sua moto, especialmente para almoçar conosco.

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                      Quanta honra!

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                      Segundo dia, bem cedo, para o Aeroporto, receber nossas esposas. Foi com muita alegria que recebi a Terezinha, que veio juntar-se a nós. E pela TV, vimos a seleção brasileira ser eliminada da copa do mundo, perdendo para a Holanda, por dois a um.

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                      Os dias em Las Vegas passam rápidos. E as noites também. A cidade não pára. Muitas atrações. Assistimos ao show da cantora Cher, ao Cirque Du Soleil, as Águas Dançantes, fizemos passeio de helicóptero ao Grand Canyon, e percorremos todos os grandes hotéis, pois cada um é uma atração à parte.

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                      Também tentamos a sorte nos cassinos. Apostei um dólar num caça níqueis, e perdi.

                      Ao final, retornamos a León, para a continuação de nossa viagem, em moto.

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                      • Dolor
                        Fazedor de Chuva

                        • Mar 2011
                        • 3250

                        #12
                        Parral, Guachochi e Creel

                        Sábado, 10/Jul (43º dia de viagem) a Segunda-feira, 12/Jul (45º dia de viagem)

                        Iniciamos a jornada bem cedo, depois que conseguimos acomodar toda a nossa bagagem na moto, que ficou sobrecarregada. Ao cair da noite, chegamos a Hidalgo del Parral, terra de Pancho Villa. Na cidade, um museu lembra os feitos do seu famoso filho. Visita obrigatória.

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                        Na sequência, chegamos até Guachochi, e aproveitamos o restante da tarde para conhecer o famoso cânion Barranca Sinforosa, da serra Tarahumara. Tão imenso quanto o Grand Canyon norteamericano, ou mais, mas com um grande diferencial: com vida, animal e vegetal. E habitado!

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                        Dia seguinte, temprano fomos conhecer a Barranca Sinforosa, em uma avioneta. Davi, o jovem piloto do Cesna, nos levou num passeio magnífico pelos cânions, quando tivemos a rara oportunidade de ver, em detalhes, a vida que brota nas barrancas. Parece impossível, mas os Tarahumaras habitam as chamadas “covas”, literalmente penduradas em penhascos. Naquelas profundidades, eles têm suas criações, suas plantações, fabricam suas artesanias.

                        De Guachochi fomos a Creel, por uma das rodovias mais formosas que já vimos. O asfalto serpenteia por entre vales verdes, florestas de araucárias, e quando menos se espera, mergulha em cânions profundos. Curvas, muitas curvas. Estamos no topo da Sierra Madre Occidental.

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                        Em Creel, mais uma maravilha: as Barrancas de Cobre. Um passeio magnífico, que teve um componente extra, que muito o valorizou: o Rafael, o motorista da Van que nos levou. Um verdadeiro “mariachi”. Muito espontaneamente, cantou para nós, as mais lindas canções mexicanas. E foram tantas, do Miguel Aceves Mejia, do Cuco Sanchez, do Fernando Fernandez...

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                        E na Barranca Oteros, enquanto apreciávamos a beleza do rio, que corria a centenas de metros abaixo, assistimos extasiados uma cena que já há muito tempo ansiávamos ver: uma mãe índia colocar seu bebê nas costas. É costume do povo indígena, desde o Peru até aqui no México, as mães andarem com seus bebes presos às costas, amarrados com um manto chamado “reboso”. Ali o bebe se acomoda tranquilamente, enquanto a sua mãe, com os dois braços livres, executa os trabalhos domésticos. Mas como elas fazem isso? Era uma pergunta até então sem resposta. Será que elas têm ajuda de uma terceira pessoa? Hoje vimos que não. Com muito carinho, segurança e firmeza, sozinha ela enrola o bebe no manto, e num gesto com decisão, e muita precisão, leva-o às costas, segurando-o ao mesmo tempo pelos bracinhos e pelo manto. Depois desliza as mãos pelo manto até a frente do corpo, mantendo o bebe firmemente preso às costas, para rapidamente dar o nó nas extremidades. Até parece uma mazurpia, mas nas costas. O bebê se encaixa perfeitamente, se acomoda e logo dorme tranquilamente.

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                        • Dolor
                          Fazedor de Chuva

                          • Mar 2011
                          • 3250

                          #13
                          Tucson, Arizona

                          Segunda-feira, 13/Jul (46º dia de viagem) e Terça-feira, 14/Jul (47º dia de viagem)


                          Hoje pela manhã nos despedimos de Manuel, nosso grande amigo mexicano, que em companhia de sua esposa Sandra nos acolheu em sua casa em León, que nos ensinou muitos e muitos segredos do México, de suas tradições, de sua cultura, de sua culinária, de seu povo, e nos conduziu por lugares maravilhosos de seu País, para pudéssemos admirar as maravilhas com que a natureza o contemplou.

                          Depois de um demorado abraço, nenhuma palavra. Cadê minha voz? Minha garganta está trancada! Não consigo falar! Preciso agradecer a ele tudo o que fez por nós, desejar boa viagem de retorno para a sua León, mas não consigo.
                          Amigo Manuel, te desejamos uma excelente viagem de retorno para o seu lar, e do fundo dos nossos corações, te agradecemos tudo o que fizeste por nós. Que Deus te acompanhe nesta viagem de retorno.

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                          Ao final da tarde, estávamos em Água Prieta, na fronteira com os Estados Unidos. Paso fronteiriço com razoável movimento e muito bem organizado. Fomos atendidos em sala com ar condicionado, sem tramitadores, sem precisar preencher qualquer formulário, sem fotocópias. Apenas precisamos pagar 6 dólares por pessoa, para uma permissão de trânsito pelos Estados Unidos.

                          Pernoitamos em Douglas, Arizona, no Hotel Gadsen.

                          Nosso primeiro dia nos Estados Unidos amanheceu com céu limpo e convidativo para desfrutar as excelentes rodovias americanas. Os primeiros raios do sol já nos encontraram a rodar, eis que tínhamos um compromisso agendado em Tucson: revisão das motos. Precisávamos estar lá antes das 10, tínhamos 190 quilômetros pela frente.

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                          De repente, uma surpresa: encontramos a velha cidade de Tombstone, aquela mesma onde viveu o famoso xerife Wyatt Earp, tão temido pelos bandoleiros da época do faroeste. E não era uma reconstituição. Tudo verdadeiro, perfeitamente conservado. Lá estava o Saloon, onde se dançava o Can Can, vaqueiros jogavam cartas e bebiam cerveja; o estábulo, a ferraria, a igreja, o banco, a estação de diligências.

                          Tudo!

                          Queríamos ficar mais tempo por ali, conhecer melhor aquela relíquia, conversar com os moradores locais, saber um pouco mais da história americana, daquela época do velho oeste, de bandoleiros, índios e mocinhos. Mas tínhamos o compromisso em Tucson para a revisão das motos, afinal já rodamos 8 mil quilômetros desde a última, feita em Quito. Um lugar para voltar, com mais tempo.

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                          Já em Tucson, enquanto aguardamos o trabalho dos mecânicos, aproveitamos a oportunidade para por em dia as mensagens na internet, lavação de roupas, e porque não, um citytour. Nosso roadcaptain de pronto providenciou o aluguel de um carro, e lá fomos nós conhecer a cidade cenográfica Old Tucson, onde foram rodados grandes clássicos do faroeste, como as séries Chaparral e Bonanza, e muitos bang bang do John Wayne, como McLintock, Rio Lobo, e El Dorado.

                          Percorremos toda a cidade, confortavelmente (sic) instalados a bordo de uma diligência, reprodução fiel das utilizadas nos tempos da Wells Fargo. Só faltou sermos assaltados por bandoleiros, ou sofrermos um ataque de índios.

                          Ao final da tarde, uma excelente: o pneu dianteiro da minha moto foi trocado na garantia, porque apresentava defeito de fabricação, desgaste irregular na banda de rodagem. E não foi necessário implorar, nem aguardar meses, nem a intervenção de advogado.

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                          • Dolor
                            Fazedor de Chuva

                            • Mar 2011
                            • 3250

                            #14
                            Flagstaff e Kanab

                            Quarta-feira, 15/Jul (48º dia de viagem) e Quinta-feira, 16/Jul (49º dia de viagem)

                            Viajar em moto pelo Arizona está sendo uma das partes mais difíceis da viagem, devido às altas temperaturas desta região, durante o verão. Pelo rádio CB alguém pergunta quantos graus centígrados os termômetros marcam (Isto porque as Harleys têm um termômetro marcando a temperatura em Farenheidt). É fácil transformar. Rapidamente faço uma continha, de cabeça: 109 menos 32, vezes 5, divididos por 9. Fácil. Dá 43. Sim, 43 graus centígrados! Como pode alguém viver numa região dessas? Mas por incrível que pareça, há vida por toda parte. E vida humana. Ao longo da rodovia, pequenas cidades vão se alternando com extensas plantações algodão, de noz pecan, e fazendas de criação de gado.

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                            Perto de meio dia, o termômetro da Harley já marca mais de 120º Farenheidt. E eis que, do fundo do baú, surge a mais nova tecnologia contra o calor, logo apelidado de tip top. O nome técnico é “Men's Hydration Vest”. Trata-se de um colete fabricado com tecido especial, que antes de vestir, deve ser encharcado em água, por um a dois minutos. Usado sobre uma camisa/camiseta, ajuda a diminuir a temperatura do corpo, mantendo-o fresco por até 2 horas. Caso necessário, repetir a operação, sempre aproveitando os abastecimentos.

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                            Aprovado!

                            Ao final da tarde, chegamos a Flagstaff, onde pernoitamos.

                            Apesar das altas temperaturas enfrentadas durante o dia de hoje, tivemos momentos de temperaturas mais amenas, ao passarmos por cidades localizadas em montanhas, com altitudes superiores a 2 mil metros. São cidades turísticas, que tiveram origem na época da mineração, como Prescott, Jerome e Sedona.

                            Temos percebido aqui na região, grande movimentação de cargas por ferrovias que normalmente seguem paralelamente às rodovias. São trens imensos, puxados por três locomotivas, e empurrados por outras tantas, e compostos por mais de uma centena de vagões. Já vimos trens com até dois contêineres em cada vagão, e hoje, saindo de Flagstaff, onde pernoitamos, vimos um carregando os baús dos caminhões, com rodas e tudo. Um baú em cada vagão plataforma. Esse sistema, chamado de transporte modal, além da agilidade e economia, retira da estrada um grande número de caminhões.

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                            Em Page, ainda no Arizona, encontramo-nos com um grupo de motociclistas, em um posto de gasolina. Eram xerifes aposentados que ian a Salt Lake City para uma reunião mundial dos delegados aposentados, dos países de língua inglesa. Gente muito simpática, logo nos entrosamos. Troca de camisetas, bonés, pins, adesivos, e uma surpresa: nos presentearam com coleiras térmicas. Trata-se da mais uma invenção para amenizar o calor sufocante do deserto, e vem complementar a ação do tip top (que ontem descrevemos). É bastante simples: usa-se como um lenço de pescoço. Quando embebido em água fria, ele incha e fica parecendo uma cobra, aquelas de pano, que antigamente usava-se para tapar a fresta de baixo das portas. E o mais importante: irradia um frescor pelo corpo todo. Incrível! E não foi só isso! Nos passaram importantes dicas sobre rodovias, e pontos a visitar na região. É aquela já conhecida solidariedade entre motociclistas.

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                            Estamos na parte Norte do Grand Canyon, onde a rodovia 89A atravessa o território dos índios Navajos e cruza o rio Colorado, por uma ponte de metal, cujas águas na cor verde esmeralda, correm tranquilamente a mais de cem metros abaixo. Esse território, apesar de localizado no Arizona, segue o fuso horário de Utah (Nos Estados Unidos, as nações indígenas têm autonomia de Estado, inclusive para decidir sobre qual fuso horário adotar), ou seja, uma hora a mais.

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                            Depois de um almoço muito especial em Jacob Lake (todos comemos uma salada de verdes nobres com frango grelhado), fomos conhecer o parque Kaibab National Forest, onde o Grand Canyon se mostra majestoso, esbanjando vibrante coloração rosada em suas barrancas de pura rocha. E de quebra, tivemos uma recepção muito especial: uma chuva de granizo. E isso foi ótimo, porque imediatamente cambiou a temperatura, de escaldantes 120º F para amenos 50.

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ID:	156112

                            No parque, nos lembramos do nosso amigo mexicano, o Manuel, que com muita vibração nos apresentou as famosas barrancas da serra Tarahumara, cujas formações bastante se assemelham ao Grand Canyon. Mal tivemos tempo para registrar a visita em algumas fotos e vídeos, pois forte chuva se aproximava e queríamos escapar dessa. Conseguimos, apesar dela nos perseguir até Kanab, onde pernoitamos.

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                            • Dolor
                              Fazedor de Chuva

                              • Mar 2011
                              • 3250

                              #15
                              Chegando no Canadá

                              Sexta-feira, 17/Jul (50º dia de viagem) a Quarta-feira, 21/Jul (54º dia de viagem)


                              Na sequência, passamos por San Francisco onde fizemos dois pernoites e tivemos um dia inteiro para explorar a cidade, inclusive o seu maior monumento: a Golden Gate.

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                              Seguindo direção norte, cruzamos o Estado do Oregon onde fizemos um pernoite em Salem, e o Estado de Washington, seguindo sempre na Interstate 5, para chegarmos na fronteira com o Canadá, em Vancouver, na British Columbia.
                              O frio está chegando. O dia amanheceu nublado, com temperatura em torno dos 15º C, na simpática cidade de Salem, Oregon, onde pernoitamos. As roupas de frio, que estavam no fundo das malas, são requisitadas. Na rodovia, a temperatura cai mais ainda, atingindo 10º C por volta do meio dia. O sol está encoberto por grossa camada de nuvens.

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ID:	156122

                              Estamos na torcida para não chover. Já começa a aparecer gelo no alto das montanhas.

                              Nesse dia me dei conta de que algo não estava bem. O Parque das Sequoias ficara para trás. Perdemos de visitá-lo. Quando questionei o grupo o porquê, as respostas foram evasivas, e houve até quem dissesse que mais ao norte, na região do Estado de Washington, havia outros parques com sequoias ainda maiores. Será?

                              Mais tarde, a verdade aflorou: como os demais membros do grupo já conheciam o parque, combinaram entre eles não visitá-lo e nada nos avisaram dessa mudança de roteiro. Os únicos prejudicados fomos nós. Mas isto não nos abalou. Pelo contrário, apenas nos alertou que devemos escolher melhor nossas companhias de viagem.

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                              Chegando ao Canadá, tivemos uma recepção em grande estilo. Algumas milhas antes da fronteira, em Bellinghan, nos aguardavam o nosso amigo Celso Fonseca, de Florianópolis, e sua esposa Miriam. O simpático casal, companheiros de tantas jornadas em moto, agora a bordo de um possante Chevrolet Camaro, está na região em viagem de férias, desfrutando das belezas locais. Como é bom encontrar alguém do Brasil, ouvir as novidades da nossa terra, ouvir o som gostoso de uma conversa em português.

                              Na fronteira com o Canadá, os procedimentos são os mais simples que encontramos até agora. Sequer precisa descer da moto. Bastou mostrar o passaporte, e responder algumas perguntas básicas: quanto tempo vai ficar no Canadá? Traz arma de fogo? Traz bebida alcoólica? Traz presentes? E pronto. Passaporte carimbado e estamos no Canadá!

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                              Nossa primeira parada é em Vancouver, onde nos aguardava Jairo Orlandi, brasileiro morando em Peterboroug, no Canadá, o sexto expedicionário a se juntar ao grupo.

                              Nosso primeiro dia no Canadá começou com um city tour por Vancouver. De Harley. Cruzamos o centro da cidade de sul a norte, para acessarmos a rodovia 99N, e depois a 97N, que nos levaria a Prince George, nosso destino para hoje.
                              Em alguns trechos, o trânsito na rodovia é interrompido para execução de trabalhos de manutenção da pista. Explica-nos o Jairo que isso é normal nessa época do ano, verão por aqui. No inverno, é impossível trabalhar nas estradas, devido ao frio intenso, e a grande quantidade de neve que se acumula.

                              Por falar em frio, apesar do sol já estar alto, por volta de 9 horas da manhã, a temperatura na estrada está em torno de 10º C. Os altos morros que ladeiam a estrada estão brancos de gelo. Mesmo no verão.

                              Movimento intenso de caminhões transportando toras de madeira. O Canadá já foi um dos maiores, senão o maior, produtor de celulose do mundo. Hoje se dedica à produção de madeira, atividade bem menos poluidora.

                              Outra curiosidade que vimos na rodovia, são cancelas existentes para bloquear o trânsito em caso de avalanches. Com efeito, é visível em certos trechos, os sinais destruidores das avalanches.

                              Em muitos trechos da rodovia, encontram-se pontos de parada para descanso ou acampamento, ou ainda, estacionamento para trailers (aqui conhecidos pelas iniciais RV) ou motorhome. O sonho de todo canadense é ter o seu próprio trailer ou motorhome.

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                              E por ser verão, encontramos grande número de motos circulando. Viajantes solitários, em duplas, em grupos, sós, com garupa. Muitas Harleys. E mais uma curiosidade: muitas Harleys tracionando um reboque. Muito prático, pois além de ter um compartimento bastante espaçoso para bagagem, tem ainda uma caixa térmica. Essa moda bem que poderia ser levada para o Brasil.

                              Ao final da tarde, chegamos a Prince George, depois de passarmos por cidades muito simpáticas, como Whistler, Clinton, Williams Lake, e Quesnel, todas muito limpas, ajardinadas, floridas, e calmas.

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