Conhecendo Santa Catarina

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  • Dolor
    Fazedor de Chuva

    • Mar 2011
    • 3250

    #31
    Valentes na estrada - 12-07-2012 - Parte um

    Alguns dias se passaram desde que voltamos da nossa jornada pelo meio oeste catarinense, o suficiente para nos convencer de que a vida continua conosco ou sem "nosco", e depois dos enroscos dos quais não podemos nos furtar, de novo, tipo fugindo, saímos novamente perto do meio dia, uma vez que sou obrigado a concordar com a Angela, que na hora da saída me enrolo muito e o tempo como não perdoa, faz o relógio girar.

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    Depois da Bonitona encilhada, por obra exclusiva da minha Adelita, foi ligar essa querida e partir rumo ao sul, para que pudéssemos desta maneira ter uma visão de diferentes aspectos, sejam, topográficos, étcnicos, climáticos, enfim, novos cenários por certo nos aguardam.

    O problema é que já saímos mal intencionados, pois todas aquelas promessas de que aproveitaríamos este sacrifício, oh! que sacrifício maravilhoso andar de moto, de fecharmos as bocas, foi por terra pois estávamos endereçados para a ótima churrascaria Tropilha, localizada as margens da BR 101, em Florianópolis, nos esperando com todas as gentilezas as quais já estamos mal acostumados.

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    Foto O Brasil por dentro

    Simplesmente, dos deuses os prazeres da carne!

    042/293 - Treze de Maio

    Não poderíamos ter começado melhor do que por esta pequena cidade que traz no seu nome uma discussão que atiça o ânimo dos historiadores ao longo dos anos.

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    Segundo os mais aprofundados, o nome nada tem a ver com coincidência da data da libertação dos escravos, uma vez que esta cidade teve como primeiro nome, Núcleo Presidente Rocha, lembrando também que para a colônias que estavam se formando, era expressamente proibida a presença de escravos, se é que isto tem alguma coisa a ver.

    Outro fato determinante foi fundação deste núcleo, exatamente um ano antes da abolição, em 1.887. Também não vejo nenhuma ligação.

    Há também historiadores que dão o batismo da cidade como Treze de Maio em função do encontro nesta data entre brasileiros e italianos, o que também não procede, pois o nome na época foi uma homenagem ao presidente da província de Santa Catarina, Francisco José da Rocha.

    Estou perdido!

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    Bem, como não se chega a um denominador comum, pois não há, portanto, uma explicação fundamentada para o nome da cidade, cumpre-nos constatar que é uma pequena comunidade, em torno de 7.000 habitantes, que guarda ainda hoje, o sotaque italiano dos seus fundadores.

    043/293 - Jaguaruna - Cidade das Praias

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    Esta foi a nossa segunda parada do dia, onde notamos que o sotaque já começa a fazer a diferença, pois aqui a cultura portuguesa açoriana já se faz presente, e de uma certa forma, é marca registrada de todo o nosso litoral.

    Concessão de terras, privilégios, subsistência extraída do mar, enfim, nenhuma novidade para o meu legítimo sangue da Silva, que aqui deve haver, misturado aos Souza, Correia e Pereira entre outros, aos montes, e que fazem sem dúvida, a maioria da sua população, cujo nome, Jaguaruna, em tupi guarani significa, se não houver contestações dos estudiosos, como sempre, onça preta.

    Se havia ou não, somente os caçadores é que poderão confirmar!

    Vivem na cidade em torno de 16.500 pessoas que são acrescidas de mais 150.000 durante o verão.

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    É uma das poucas cidades no estado onde o trem da Ferrovia Tereza Cristina ainda dá o ar da sua graça, pois é o caminho obrigatório daqueles carregados de carvão, das minas da região de Criciúma para a Termoelétrica Jorge Lacerda, localizada um pouquinho ao norte daqui, na cidade Capiravi Baixo.

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    Mesmo assim sobrou a estação ferroviária que já serviu a população como meio de transporte e a casa do agente da ferrovia, felizmente em vez de sucata, transformada em museu, guarda alguns detalhes daquela época, além de registrar que pertence a Jaguaruna o maior sambaqui do mundo.

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    É a terra dos sambaquis, apesar de adotar o sobrenome de a cidade das praias!

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    Total percorrido : 242 km - Total geral : 2.876 km
    Última edição por Dolor; 13-08-12, 20:39.

    Comentário

    • Dolor
      Fazedor de Chuva

      • Mar 2011
      • 3250

      #32
      Valentes na estrada - 12-07-2012 - Parte dois

      044/293 - Sangão

      Rodamos mais 14 km e chegamos neste município que empresta o nome de uma sanga , sinônimo de riacho ou córrego, que havia na propriedade do seu primeiro habitante, não obstante tenha se tornado mais conhecido como Rua do Fogo, haja vista que os tropeiros que desciam do planalto, pernoitavam numa olaria que havia no meio do caminho e aí para se aquecerem e cozinharem, faziam fogueiras ao longo rua.

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      Podemos dizer que Sangão do fogo virou água e com os seus 11.000 habitantes vai se tornando conhecido no estado e no país pela sua indústria de cerâmica vermelha, além das reservas de argila cuja exploração contribui para a sua sustentação econômica.

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      As etnias predominantes são a portuguesa, mesclada com a italiana e a africana.

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      O produto agrícola principal é a mandioca, comprovando desta maneira a forte influência dos lusitanos e africanos.

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      045/293 - Maracajá

      O tiro desta vez foi de 48 km até chegarmos aquele município que é considerado o primeiro da região turística Caminho dos Cânions, claro, lembrando que estamos falando do sul do estado e mais especificamente de uma parte da Serra Geral, onde os cortes abruptos e profundos nas montanhas, criaram este espetáculo conhecido como cânions, que proporcionam, especialmente para aqueles amantes das aventuras mais radicais, um prato cheio para explorações, digamos... mais selvagens.

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      Mas para aqueles como a Angela e eu, que preferimos a vida mais contemplativa, ambiente mais propício é impossível, porque são nestes lugares que se pode sentir a natureza com todo o seu vigor.

      É um descanso para a alma!

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      Foto Zoo de SP

      Tomou o seu nome de um gato do mato, tipo maracajá, com a cauda mais longa do que os seus membros posteriores, que provavelmente deveria haver de montão, pela região, para ter inspirado o nome da cidade.

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      É outro município órfão da Estrada de Ferro Da. Tereza Cristina, infelizmente!

      A terra continua sendo a grande dádiva, de onde extraem produtos minerais, além da produção de arroz e fumo, os seus mais de 6.000 habitantes que ainda contam com o Parque Ecológico Maracajá, importante remanescente da Mata Atlântica, tornando-se um dos grandes patrimônios naturais do sul catarinense.

      046/293 - Araranguá - A cidade das avenidas

      Já com a noite dizendo presente chegamos ao nosso destino final do dia, que faz jus ao seu slogan, uma vez que se distingue da maioria das cidades do seu porte, pela grande quantidade de avenidas e rotatórias.

      Bacana!

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      Inicialmente fomos fazer o registro na frente da prefeitura para aproveitar aquela réstia de luz, que não conseguimos porque nesta época do ano, quando o sino bate 5:30 h, é como se nos fosse dado mais cinco minutos de tolerância antes que o sol se apague.

      Incrível como a noite se faz presente em questão de poucos minutos!

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      Prova da nossa presença na cidade feita, nos dirigimos ao cartão postal mais conhecido de Araranguá, cuja origem do nome é polêmica e sem uma conclusão definitiva, distante 10 km do seu centro e conhecida nacionalmente como Morro dos Conventos, que proporciona aos visitantes uma visão privilegiada, da praia, com as suas dunas, lagoa e a foz do Rio Araranguá, que toma ou empresta o seu nome à cidade, entre outras belezas.

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      Pela quantia de R$158,00 nos hospedamos no Hotel Morro dos Conventos, de forma confortável, percebendo que os novos proprietários do estabelecimento se esforçam no sentido de dota-lo com detalhes mais harmônicos e visualmente mais agradáveis.

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      Claro que o ambiente é importante apesar que para o hotel, gente significa faturamento, mas para nós foi ótimo estarmos quase sozinhos com tudo aquilo, pois egoístas que somos, ficamos com tudo somente para nós dois.

      Para finalizar, a Angela com uma percepção muito grande da beleza que nos rodeava, levantou cedo para fazer alguns dos lindos registros que enfeitam este relato.

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      Foi mais uma noite de cumplicidade!

      Ótima!

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      Total percorrido : 78 km - Total geral : 2.954 km
      Última edição por Dolor; 13-08-12, 20:24.

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      • Dolor
        Fazedor de Chuva

        • Mar 2011
        • 3250

        #33
        Valentes na estrada - 12-07-2012 - Parte dois

        047/293 - Balneário Arroio do Silva

        Acordar sem a prisão do relógio nos cobrando compromissos, ter um mar para respirar bem a nossa frente, uma moto para dar continuidade aos nossos sonhos e um amor para colocar no banco de trás, é tudo de bom que poderia querer para uma sexta preguiçosa que despertava para nós.

        É uma felicidade se estar vivo, com saúde e podendo ir para frente, ou na pior das hipóteses, cair para cima!

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        Deixamos para "fazer" a prefeitura como aperitivo da manhã nesta cidade que o nome por si só, já dá a sua origem, e que por essas questões políticas que nós pobres mortais não conseguimos entender, se viu virada em cidade, com direito a tudo o que tem de direito em termos, claro, de custos e de inchaços, a não ser que aqui seja uma exceção.

        A economia, provavelmente, pelo que vimos, está baseada na atividade turística, que numa primeira vista d'olhos, tirando o mar, que não provamos, pouco sobra.

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        Colonização portuguesa açoriana, dolente, como toda a costa, vai vivendo da pesca de subsistência, retirando do mar o suficiente para o dia, e para o seguinte, a história será de uma outra pescaria.

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        Um dia por vez!

        É um filme que já cansamos de ver e de viver, porque aqui nestas veias que a terra haverá de comer um dia, e se ela for da mesma etnia, será devagar, muito devagar, quase parando!

        Certo ou errado, quem somos nós para julgar, se quando estamos tirando um pé do lugar, o mato já cresceu embaixo do outro?

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        Vivem aqui ao redor de 10.000 almas!

        048/293 - Sombrio

        Pouco mais de 40 km nos separavam desta nova prefeitura, numa cidade que ainda não chegou a nenhuma conclusão a respeito da origem do seu nome, se significa o que realmente o adjetivo insinua, triste, taciturno, escuro, pouco iluminado, ou que seria, enfim, mais poético, o resultado da sombra que uma boa árvore poderia proporcionar aqueles que dela se aproximassem.

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        Fica difícil dormir com um barulho desse e sem querer ser crítico, fico pensando na dificuldade que deve ser, quando não se sabe de onde se vem, como saber para onde ir?

        E olha que são 27.000 sombrienses!

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        Mesmo que o objetivo deste desafio, Valente Fazedor de Chuva, não seja o de se fazer juízo sobre qualquer coisa, não posso deixar, à medida em que vamos avançando pelo território adentro, de fazer as considerações sob o ponto de vista crítico, daquilo que vamos vendo, principalmente, quando ouvimos ao longo dos anos as pessoas se admirarem da nossa origem catarinense, mormente suspirando ares de admiração pelo nosso estado natal, dando sempre a impressão de que vivíamos na Suíça.

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        Sempre fiquei com os meus botões pensando: se isso aqui é a Suíça imaginava como não deveria ser a nossa Biafra!

        Só não somos mais pobres porque tivemos a felicidade de termos um pouco de sotaque alemão, italiano, austríaco, polonês e japonês entre outros minoritários, que permitiu que a industrialização do nosso estado garantisse um futuro melhor e mais próspero para aqueles que se alinharam, porque senão, pela nossa origem açoriana, misturada com a indígena e a africana, estaríamos esperando que os peixes pulassem para dentro das redes e a mandioca já nascesse descascada.


        049/293 - Balneário Gaivota

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        Sem pressa, depois de se conversar com um, com outro, partimos em direção ao nosso terceiro objetivo do dia, isto quando as doze badaladas já se afastavam vertiginosamente do sol a pino, e após rodarmos o absurdo de 9 km, deixamos nos orientar pela barriga e sem chance de erro, estacionamos na frente do Restaurante Mariskão, crentes de ser o único aberto, para nos entregarmos ao pecado, consciente, da gula.

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        E mesmo naquele deserto acertamos em cheio!

        Ao entrarmos ficamos como os únicos clientes gentilmente atendidos pela proprietária que insistia em manter o seu estabelecimento aberto todos os dias do ano, provavelmente pela força dos seus olhos verdes, da mesma origem alemã da Angela.

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        Descansamos aquilo que não havíamos cansado e fomos, como sobremesa, fazer a foto em frente a prefeitura, que em pleno inverno, faz o horário de verão, com expediente somente no período vespertino.

        Pensei: fazer o que numa cidade como esta cujo objetivo dos colonizadores era a pesca e o descanso?

        Ou quem sabe era o descanso e a pesca?

        Pouco mais de 8.000 pessoas vivem aqui, que parodoxalmente a índole passiva que tão bem caracteriza os habitantes da costa litorânea catarinense, são extremamente ativos no quesito afetividade e receptividade.

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        Foram momentos muito agradáveis quando interagimos com as pessoas que se aproximavam da prefeitura, como funcionários ou contribuintes, admirados com a Bonitona e com a nossa vestimenta, mais para astronauta do que para motociclista.

        Socializamos com muita alegria!

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        Há que se registrar o belo Templo Maçônico situado na saída, para deixar com inveja muitas cidades, bem maiores do que esta, que ainda não conseguiram construir os seus.

        Sinal de que a pedra bruta está sendo bem lapidada!

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        Total percorrido : 70 km - Total geral : 3.024 km
        Última edição por Dolor; 13-08-12, 20:25.

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        • Dolor
          Fazedor de Chuva

          • Mar 2011
          • 3250

          #34
          Valentes na estrada - 12-07-2012 - Parte três

          050/293 - São João do Sul

          A roda roda e não podemos parar por mais que quiséssemos lagartear um pouco mais aqui ou acolá. Nosso destino neste início de tarde era a recente apresentada, São João do Sul, que também não tivéramos tido o prazer de saber da sua existência, distante 37 km desta nossa parada para o almoço.

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          Com população em torno de 7.000 pessoas, praticamente passaria desapercebida não fosse por uma característica muito particular, pois tem uma estância de águas termais sendo jorradas a temperatura entre 38 e 40º, com o detalhe de serem...salgadas.

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          A única do país!

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          Foto divulgação

          infelizmente, além de pouco explorada, é na mesma intensidade, pouco divulgada.

          Mais ou menos aquela história de que Deus deu asas para quem não sabe voar!

          Ah! se fosse nos Estados Unidos...

          051/293 - Santa Rosa do Sul

          Fizemos um caminho muito mais longo do que o necessário pela excitação de irmos para Praia Grande, de onde iríamos visitar os cânions, até porque Santa Rosa do Sul, não dista mais do que 25 km do nosso ponto de partida e que emprestou o nome da própria santa, que é a padroeira do município.

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          Os cânions serão assunto para o próximo passo.

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          Neste município onde vivem 8.000 pessoas, a atividade principal é a agricultura, com destaque especial para o polvilho, um dos principais produtos da cidade, que merece inclusive uma festa dedicada a ele, que se realiza durante o mês de junho e que neste ano teve a sua 5ª edição.

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          Nos chamou a atenção o capricho da prefeitura, muito bem cuidada!

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          Total percorrido : 97 km - Total geral : 3.121 km
          OBS: rodamos 60 km a mais uma vez que fomos até Praia Grande e retornamos para Santa Rosa do Sul.
          Última edição por Dolor; 13-08-12, 20:26.

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          • Dolor
            Fazedor de Chuva

            • Mar 2011
            • 3250

            #35
            052/293 - Passo de Torres

            Nada como os entardeceres para amolecer os corações.

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            A luz do crepúsculo nos enche de uma alegria nostálgica e consequentemente o coração bate numa cadencia que transfere para a visão daquilo que se vê, os tons intimistas do pôr do sol.

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            Aqui em Passo de Torres não foi diferente e mesmo que o cenário urbano não refletisse o que sentíamos, o entardecer na barra do Rio Mampituba, quando ele se entrega ao Atlântico, depois de usufruir de todas as belezas da Serra Geral, aliado a participação das pessoas que conosco interagiam, nos deixaram lembranças que por certo permanecerão em nossas memórias para sempre.

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            Mesmo com a delimitação territorial imposta pelo Rio Mampituba, tanto esta cidade quanto a sua vizinha Torres, já no último estado sulista do país, a miscegenação destes dois gigantes estados brasileiros é sentida tanto no sotaque das pessoas quanto nos seus hábitos, haja vista que na zona central uma simpática ponte pênsil faz a união das duas comunidades, misturando tudo.

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            Interessante também que a prefeitura está situada em cima de um restaurante, que não fora as indicações fornecidas, passaríamos direto várias vezes sem percebe-la.

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            Menos pelo cemitério, instalado na rodovia que traz e leva os veículos para o centro, que numa primeira vista d'olhos pensamos tratar-se de uma colônia chinesa, porém, ao nos aproximarmos, virmos tratar-se, na realidade, da última morada de todas as raças, não importa o quão puxado são os olhos.


            053/293 - Praia Grande

            Nos aproximamos do final de mais uma jornada cumprindo o desafio Valente Fazedor de Chuva, que tem por objetivo visitar todos os municípios de um estado, no nosso caso, claro, por sermos catarinenses, optamos pelo nosso quintal, que hoje, finalizando o dia, nos trouxe até Praia Grande, onde Santa Catarina entrega o Brasil para que o Rio Grande do Sul dele se ocupe.

            A primeira chegada a esta cidade de pouco mais de 7.400 pessoas e localizada não mais do que 45 km da nossa última parada em Passo de Torres, nos tomou no total, praticamente 100 km, pois não quis parar em Santa Rosa do Sul e nem em São João do Sul, posto que estava vidrado em chegar aqui neste destino e seguir diretamente para os cânions, que a transformaram num dos pontos de desejo de todos aqueles que apreciam o turismo de aventura.

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            Pensei com os meus botões, sem dividir com a Angela, a minha vontade de "escalar", com a moto, claro, o caminho que nos separava do objetivo. O problema foi que chegamos por volta das 3:00 h e a informação que nos passada no ótimo centro de informações é que o parque fechava as 5:00 h, portanto, sem chances de dar prosseguimento a esta empreitada.

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ID:	155650

            O resultado foi, para que não perdêssemos o resto da tarde, retornar para Santa Rosa do Sul, fazer o registro como manda a regra, assim como em São João do Sul que fica encostado daqui e finalizando o extremo sul catarinense, em Passo de Torres.

            Deu tudo certo, até porque para quem anda de moto o caminho mais curto é o mais longo que se possa fazer, portanto, desfrutamos ainda mais do ótimo clima que estamos vivendo, seco e frio.

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ID:	155649

            Como as diferenças são provocadas pelas pessoas, ao pararmos para fazer a foto na prefeitura de Praia Grande, fomos abordados pela curiosidade de alguns transeuntes e entre eles, pelo Lucas, garoto de 13 anos, que foi a partir daquele momento o nosso guia na cidade, nos passando informações e nos levando, finalmente, para o hotel onde ficamos hospedados, pelo valor de R$100,00, que poderia valer uns 30% a menos, compensado pela gentileza da proprietária, que não mediu esforços para nos agradar, inclusive, marcando horário com o melhor motorista de taxi da cidade, para que fosse nos levar até os cânions, por outros 100.

            Isto mesmo, fomos de taxi, pois influenciado pelas informações que nos foram passadas, por todos, seria praticamente impossível subir com a nossa moto, uma vez que a estrada era de terra, que não seria o problema, mas coberta de pedras de todos os tamanhos e com pouca ou quase nenhuma compactação.

            Não me fiz de surdo e como não queria arrumar para a cabeça, decidimos contratar o motorista para a manhã seguinte, porque esta noite fomos jantar com o Luquinhas, não sem antes passar na academia da mãe dele, que segundo o próprio, uma fera, para pedir a devida autorização.

            Não a encontramos, porém, o pai dele estava lá, o Vinicius, arquiteto, gente muito boa, que permitiu que o Lucas fosse jantar conosco no restaurante do Paulão, que servia uma comida, segundo o nosso guia, divina.

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ID:	155651

            Realmente, estava tudo muito bom, melhor ainda, quando ao perguntarmos quantos irmãos tinha, nos disse que era além de filho único, adotado. Com tanta naturalidade, que esta singela informação nos tocou profundamente, por senti-lo uma criança, pré adolescente totalmente assumido e exalando amor por todos os poros.

            Somente por isto, todo o nosso empenho neste desafio já valeu a pena porque há amor verdadeiro onde quer que se esteja e não temos dúvida que daqui a alguns anos já sabemos quem será o prefeito de Praia Grande!

            Nos confidenciou ainda que há duas grandes mentiras na cidade: a primeira que Praia Grande não é praia e que também não é grande.

            Adoramos tudo isto!

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ID:	155647

            Total percorrido : 45 km - Total geral : 3.166
            Última edição por Dolor; 13-08-12, 20:27.

            Comentário

            • Dolor
              Fazedor de Chuva

              • Mar 2011
              • 3250

              #36
              052/293 - Ainda em Praia Grande - 14/07/2012

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ID:	155683
              Acervo Lucas - trilha do Rio do Boi

              Quando descemos do quarto no dia de hoje, sábado, por volta das 8:30 h, após o café da manhã, partimos com o Toninho, motorista do taxi que havíamos contratado para ser o nosso guia rumo aos cânions, parte em Santa Catarina e parte no Rio Grande Sul, uma vez que a linha imaginária da fronteira, une estes dois estados irmãos com este espetáculo.

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ID:	155674

              Ainda bem que a decisão de não irmos ontem a noite para uma pousada que fica no caminho, motivada pela orientação do Lucas, foi acertada, pois a estrada se mostrou muito ruim para o tipo de moto que temos.

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ID:	155675

              Teria sido possível fazer esta subida, durante o dia, com calma, porém, sujeito a um ou outro tombo, porque a quantidade de pedras soltas, além da variedade de tamanho...do tipo grande, seria um grande problema.

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ID:	155676

              Assim foi bem melhor, pois pudemos usufruir na prática, tudo aquilo que havíamos escutado durante as aulas de geografia, lá longe, distante no tempo, na escola ginasial, sobre a Serra Geral e obviamente, não prestamos a mínima atenção.

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ID:	155677

              Subimos pouco mais de 1.000 m serra acima, e é claro, o clima nos acompanhou, quase que transformando cada centímetro para o alto em graus Celsius para baixo.

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ID:	155678
              Acervo Lucas

              Sem exageros, estava longe de ser um frio insuportável, apesar da temperatura ter caído alguns graus, e a sensação térmica, incentivada pelo vento cortante, dobrava o frio que sentíamos, porém, sempre dentro de um ambiente ensolarado e agradável de se conviver.

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ID:	155673

              Logo em seguida entramos no Parque Nacional de Aparados da Serra, e independentemente da estrutura, que poderia ser bem melhor, o nosso objetivo seria o de fazer uma caminhada, a mais curta, a do Cotovelo, e desta maneira termos uma panorâmica dos cânions que estavam à nossa disposição.

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ID:	155679
              Acervo Lucas

              Dentre os muitos atrativos nesta região, e não exatamente por ordem de localização, tanto no Parque de Aparados da Serra quanto no Parque da Serra Geral, os aventureiros podem escolher os cânions do Itaimbézinho, Malacara, Fortaleza e Churriado, caminhadas pelo Vale da Pedra Branca e pela trilha do Rio do Boi, entre outras atrações, e atividades como o "rappel", "trekking", tirolesa, bóia-cross, aliás, Praia Grande foi pioneira na prática deste esporte no Brasil, em 1.985, cavalgadas, banhos em lagoas, enfim, um prato cheio para quem gosta deste tipo de turismo de aventura, e também, todos estes espetáculos podem ser transformados em opções de contemplação e interatividade com a natureza, como no nosso caso.

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ID:	155680
              Acervo Lucas

              Nós brasileiros temos sempre a capacidade de irmos do nem tão, para o tanto, numa velocidade espantosa, ou seja, em nome da preservação deste parque, nada é permitido, nem lojas, nem confeitarias, nenhuma estrutura de apoio para os turistas que poderiam vir em profusão, inclusive do exterior, cujo cenário, é exatamente o que esta turma de turismo de aventuras busca.

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              Mas teríamos que ter boas áreas para camping, hotéis, espaços comuns de qualidade, enfim, acabamos sonhando com o que vemos nos Estados Unidos, quando de qualquer morro fazem uma montanha, e de qualquer poça uma lagoa, respeitando-se sim, as belezas naturais que eles tem em quantidades e qualidades ímpares.

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              Mas como estávamos dispostos à excluir tudo o que não somava, aproveitamos ao máximo a caminhada feita, trocamos informações com alguns turistas, enfim, tivemos os nossos momentos de contemplação e de respeito à esta natureza rica e exuberante.

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ID:	155684
              Acervo Lucas

              Lembramos que o foco e objetivo desta viagem é o desafio Valente Fazedor de Chuva, mas mesmo assim, em alguns casos, não podemos dar as costas para as atrações que nos esperam em alguma cidades.

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ID:	155685

              Praia Grande que nos aguarde, pois pretendemos com os netos, passar um bom final de semana de caminhadas, descobertas e de aventuras.
              Última edição por Dolor; 13-08-12, 20:27.

              Comentário

              • Jhonny
                Fazedor de Chuva
                • Dec 2011
                • 504

                #37
                Cidades visitadas pelo G.C.F.C. Dolor e Angela:

                Click image for larger version

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ID:	155711

                "Qualquer um pode fazer, porém poucos o fazem..."
                Última edição por Dolor; 13-08-12, 20:28.
                J.Fernandes

                A distância de um sonho...
                Quebram-se férreas cadeias, Rojam algemas no chão...

                Comentário

                • Dolor
                  Fazedor de Chuva

                  • Mar 2011
                  • 3250

                  #38
                  Voltamos do nosso passeio quase meio dia, com tempo suficiente para encilharmos a Bonitona e partir de Praia Grande, tipo missão cumprida, com destino ao primeiro objetivo do dia.

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ID:	155696

                  Ainda tivemos tempo de fazer uma foto na nossa passagem por São João do Sul, no bar Amigos para Sempre, em homenagem a um grupo de amigos que fizemos durante a nossa permanência em Riverside, Califórnia, auto intitulados, Friends Forever, de tão lindas e ternas lembranças.

                  Esta é para vocês queridos amigos!

                  054/293 - Jacinto Machado

                  Como a fome não espera, saímos com a indicação da proprietária do hotel onde nos hospedamos em Praia Grande, a Da. Alba, para almoçarmos numa churrascaria na BR 101, na altura de Sombrio, que acabou se tornando uma ótima escolha, pois nos deliciamos com um espeto corrido, cuja costela estava pra lá de divina, o que me fez, de novo, chutar o balde do regime que insisto em fazer ao mesmo tempo em que o ignoro.

                  Uma briga constante!

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ID:	155697

                  Interessante que a origem do município foi em função de glebas de terras que o governo estadual deu, literalmente, a quatro pessoas, e a partir daí então, latifundiários, como pagamento de serviços prestados ao estado.

                  Pode?

                  E mesmo assim foi uma confusão danada, porque parece que desde os primórdios da humanidade, o homem não dá vaso de flores para uma mulher, dá apenas as flores e fica com a terra.

                  Brigaram muito!

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ID:	155699

                  O sotaque principal é o lusitano, mesclado pelo italiano com uma pitada de polones, para os seus 11.000 habitantes que distou em torno de 65 km do nosso ponto de partida, via BR 101, porque evitamos rodar por estradas não pavimentadas.

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                  Ainda bem que optaram pelo nome de Jacinto Machado, em homenagem a um brigadeiro catarinense, de Florianópolis, que defendeu o Brasil na Guerra do Paraguai, no lugar de Arizona, sugestão que felizmente não foi ouvida.

                  Ufa! Era só o que faltava!

                  055/293 - Ermo

                  Percorremos mais 14 km e chegamos sem dificuldade nenhuma, contrariamente aos primeiros colonizadores, que em função das dificuldades oferecidas pelas matas e várzeas alagadas, batizaram-na como Ermo, mantida pelos seus pouco mais de 2.000 habitantes, que vivem nesta pacata cidade também portuguesa, com uma pitada italiana.

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ID:	155705

                  Tem na agricultura, como em todas as demais pequenas cidades, a sua principal sustentação.

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ID:	155706

                  Nos pareceu bem cuidada, com uma prefeitura que reflete esta opinião.

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ID:	155707

                  Mesmo no inverno, o cuidado não para!

                  056/293 - Turvo - Capital da Mecanização Agrícola

                  Com tantos municípios numa mesma área, o pulo não foi maior do que 9 km, como neste caso, com forte sotaque italiano, nos seus 12.000 habitantes, tem na Festa do Colono, realizada a cada dois anos, um dos pontos altos quando mostra toda a sua capacidade agrícola, especialmente da rizicultura, cuja produção o coloca em terceiro lugar dentro do estado.

                  E na Festa do Colono, um dos pontos altos é a prova de arrancada de trator. Que tal?

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ID:	155708

                  Interessante destacar que a piscicultura começa a ocupar lugar de destaque dentro das atividades econômicas, posto que a criação de tilápias e carpas, fazem parte de um projeto de tanques modelos.

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ID:	155709

                  A rizipiscicultura, que é a criação de peixes dentro das canchas de arroz com o objetivo de se utilizar o esterco dos peixes como adubo, é uma das inovações na área.

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ID:	155710

                  Achei isto muito interessante e jamais pensei que o esterco de peixe, pudesse ter um volume assim considerável, para ser utilizado como adubo para o arroz.

                  Como curiosidade, o nome Turvo é uma "abrasileiração" do original turbo, forma veneta que o colonizador Antonio Bratti se referia ao rio onde se instalou, que tinha as suas águas turvas e que acabou "pegando".

                  Vivendo e aprendendo, graças ao Valente Fazedor de Chuva!

                  057/293 - Timbé do Sul

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ID:	155712

                  Nestes 21 km, mesmo estando no inverno, o sol da tarde em cima das nossas couraças pretas, se fez presente, e o incômodo vai crescendo, não restando outra alternativa que não a de retirar os forros tanto de inverno quanto de chuva, tornando a viagem mais confortável.

                  Vai dando uma agonia!

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                  Agora mais leves pudemos sentir o capricho do forte sotaque italiano que se faz presente inclusive no portal de boas vindas ao município, nas suas construções e no cuidado com a ciclovia que percorre boa parte da rodovia estadual que corta a cidade.

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                  Coisa meio rara de se ver!

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ID:	155715

                  Está ainda em Timbé do Sul, na Serra Geral, o Morro das Antenas, considerado um dos melhores pontos do Brasil para a prática do voo livre.

                  Os seus 5.500 habitantes tem na agricultura o principal sustento, especialmente na produção de fumo e arroz.

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Name:	Captura de tela 2012-07-22 às 22.14.07.jpg
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ID:	155716

                  Total percorrido : 107 km - Total geral : 3.273 km
                  Última edição por Dolor; 13-08-12, 20:29.

                  Comentário

                  • fazadmin
                    Administrator
                    • Mar 2011
                    • 16

                    #39
                    ta bem molhado nesse final de trecho!!!!

                    Comentário

                    • Elton
                      Fazedor de Chuva

                      • Mar 2011
                      • 497

                      #40
                      Friends Forever!!!!
                      que legal Dolor e Angela.
                      nao tinha foto do interior desse estabelecimento?
                      Ai vai uma foto do grupo mencionado!

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Name:	DSC07364.jpg
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                      sigpic
                      Grande Cacique Fazedor de Chuva

                      Prudhoe Bay, Alaska - Ushuaia, Argentina em um mesmo ano:2010
                      Nascente FC-feito em 2013 com a Marcia
                      Rodoviário FC - BR-153 e BR-101, ambos feitos em 2015 com a Marcia
                      Iron Butt Association member feito em 2002 nos USA
                      http://www.2wheelsadventure.com

                      Comentário

                      • Dolor
                        Fazedor de Chuva

                        • Mar 2011
                        • 3250

                        #41
                        GCFC Elton, nos lembramos muito daqueles dias em Balneário Camboriú e quando passamos em frente aquele boteco, com o mesmo nome do nosso grupo, não resistimos e fizemos a foto, que não consegue traduzir a emoção que sentimos naquele momento.

                        Bobagem, mas a vida é assim de pequenas lembranças, pequenos estímulos e grandes sentimentos!

                        Pensamos nestas fotos mas não nos sentimos no direito de postar nenhuma, mas agradecemos a tua gentileza em faze-lo.

                        Tempos bons, muito bons mas a roda roda pra frente e se formos cair, que seja para cima.

                        Beijos
                        Dolor e Angela

                        Comentário

                        • Dolor
                          Fazedor de Chuva

                          • Mar 2011
                          • 3250

                          #42
                          058/293 - Meleiro

                          Mesmo com o fim da tarde chegando, o prazer que sentimos pilotando a moto por estas estradas do interior de Santa Catarina nos chama a atenção sobre outras experiências que já tivemos, com esta mesma moto, por outros países e o questionamento foi imediato: tem alguma diferença entre se rodar "em casa" e no exterior?

                          Sem dúvida que a excitação de estar viajando fora é diferente daquela caseira, mas concordamos a Angela e eu, que a base de toda a alegria de se estar viajando de moto, é o de se estar em cima da moto.

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                          Este é o ponto principal, não importa se em Nova Roma, como era conhecida esta cidade hoje rebatizada como Meleiro, ou na própria dita cuja velha, a original, aquela da Europa.

                          O fundamental é se livrar dos grilhões, das amarras do cotidiano e sair, não importa para onde.

                          Quantos compromissos nos seguram, sejam familiares, profissionais ou da incapacidade que temos muitas vezes de simplesmente...sair...não importa para onde e nem por quanto tempo, desde que seja muito e melhor ainda, se para bem longe.

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                          Vamos nos tornando reféns de nós mesmos e consequentemente, sem capacidade para pegar a chave da moto, daquela amada que tem o poder de nos incendiar com o seu ronco e nos levar para qualquer lugar distante do portão de casa.

                          Enquanto isto a vida vai passando...e quantos não vão se frustando por não poderem dar ronco às asas das nossas adolescências que afortunadamente, hoje, para muitos, está na garagem, ao alcance de uma girada de chave e do controle remoto do portão...que insiste em não abrir.

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ID:	155725

                          Para nós, hoje está sendo mais um ótimo dia, literalmente, com o sol ainda com força para nos manter levemente encalorados, mas felizes, ao vermos mais uma pequena cidade do sul de Santa Catarina, tão arrumadinha, quanto esta Meleiro, nome dado em função da grande quantidade de colméias e à fartura de mel que tinha na região quando os italianos chegaram.

                          Continuou o sotaque na população com pouco mais de 7.000 habitantes, mas as abelhas, estas sumiram, e a cidade vive da sua vocação agrícola.

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ID:	155724

                          Este trecho de 37 km voou e praticamente nem percebemos que já estávamos fazendo as fotos na prefeitura, bem ajeitada, conforme pode ser verificado.

                          059/293 - Morro Grande

                          As origens dos nomes das cidades, normalmente estão relacionadas com alguma característica do lugar onde os colonizadores se instalaram, e aqui não foi diferente, pois ao chegarem a região, perceberam logo após os cortes das primeiras árvores para as construções das suas casas, que o lugar era cercado de morros, e não foi necessário um grande esforço para concluírem pelo morro maior, o grande, para batizar o vilarejo.

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ID:	155728

                          Também com sotaque italiano, os quase 3.000 habitantes, vivem da agricultura, que infelizmente, salvo melhor juízo, até porque a análise que faço é muito superficial e baseada naquilo que vamos vendo, sentindo e depois pesquisando, é que grandes potenciais turísticos vão sendo desprezados pelas comunidades, que não sabem avaliar a dimensão do que tem nas mãos, como no caso aqui desta pequena cidade, que entre outras maravilhas, tem várias cachoeiras, lindas, inclusive com possibilidade da prática do surf, para mim, inusitado, e que não as exploram, pelo menos como deveriam.

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                          Foto divulgação

                          Imaginem divulgar mundo afora que aqui há possibilidade de surfar numa cachoeira!

                          Não viriam surfistas de tudo quanto é lugar, especialmente se pudessem viver a cidade com todos os outros equipamentos naturais e ou construídos?

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                          Por acaso é pecado construir atrações!

                          É pecado ganhar dinheiro?

                          Uma pena que o nosso país vá deixando de lado tantas potencialidades, aqui extremamente generosas em belezas e quantidades!

                          060/293 - Forquilhinha

                          Agora o buraco já começou a ficar mais embaixo, pois a noite se fez presente neste sábado, movimentado como em todas as cidades que se transformaram em aglomeracões urbanas, especialmente aqui quando não sabemos onde termina Forquilhinha e começa Criciúma, o trânsito é simplesmente caótico, a sinalização inexistente, as lombadas em profusão e os radares extorquidores.

                          Isto não dá um samba?

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                          O pior é que a letra pode ser a moto embaixo de um desses milhares de veículos que trafegam como se fossem donos daquela metade da rodovia estadual, em condições de manutenção abaixo da crítica, que se confunde muitas vezes com as calçadas para pedestres, que se confundem com as bicicletas, motos, caminhões, enfim, um caos.

                          O prazer da pilotagem aqui se transforma em temores e a atenção é mais do que redobrada para que se evite acidentes e armadilhas produzidas pelos avisos de radares que o GPS insiste em nos informar preventivamente.

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                          Não queremos nem pensar que aqui é uma cidade com sotaque alemão e um tipo de celeiro de padres, alguns bem famosos, como o Cardeal D. Paulo Evaristo Arns entre outros que tão bem representam ou representaram esta comunidade.

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                          Foto divulgação

                          Também não nos esquecemos da Da. Zilda Arns, médica, falecida em Porto Príncipe, como uma das vítimas do terremoto que aconteceu no Haiti e uma dos 16 irmãos do Cardeal, que nos orgulhou como brasileira e como ser humano.

                          Todavia, tudo isto naquela selva que vivíamos parecia não ter a importância que deveria, porque queríamos fazer a foto na prefeitura e partir depois de havermos rodado em torno de 30 km.

                          Posso estar exagerando um pouco, mas o sentimento que tivemos foi o de sobrevivência!

                          E olha que estamos falando de uma cidade com pouco mais de 23.000 habitantes.

                          Ufa!


                          061/293 - Criciúma - Capital do Carvão


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                          Sinceramente, ainda no campo do exagero, aqui então, ficamos virados do avesso.

                          Como diz o caboclo, tirando a Av. Centenário "de fora", que é bonita, o que sobra, pelo que vimos neste sábado, ainda noite, era uma visão do inferno.

                          Para chegarmos a prefeitura e depois sairmos dela para Urussanga, foi uma sucessão de desvios, obras inacabadas no sistema viário, lombadas, radares, enfim, uma barbaridade.

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                          Sinto que a estrutura atual está chegando no seu limite, não por culpa do desenvolvimento, porque isto é o que queremos, mas pela ausência do estado em prover as necessidades que as comunidades vão criando e o país vai afundando na falta de infra estrutura.

                          Fora isso, é chover no molhado!

                          Infelizmente, não é privilégio de Criciúma, que nada mais é do que mais uma vítima, mas da falta de visão de futuro das nossas autoridades, que numa grande maioria, são "pitocas".

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ID:	155736

                          O problema todo é que ficamos no meio deste tiroteio, sem possibilidades de escape, porque concluo também, que quanto maiores são as cidades no nosso país, numa proporção geométrica, são piores.

                          Estamos transformando as nossas cidades, em aglomerações, em amontoados de gente e de veículos, sempre com um radar a espreita para nos saquear.

                          Uma imoralidade!

                          Fizemos a foto na prefeitura e procuramos sair logo, com muita dificuldade tal a quantidade de "quebradas" que tivemos que tomar para achar a saída, isto com o GPS quase pedindo socorro e nós nos escapando, de verdade, de um acidente que teria proporções gravíssimas, caso eu não tivesse desviado intuitivamente, e não só por isso, pela sorte de não vir, exatamente naquele segundo, um carro na faixa contrária para onde tive que jogar a moto, para não ser abalroado lateralmente.

                          Uma selva, foi o nosso sentimento, nesta cidade com praticamente 200.000 almas!

                          Voltaremos um dia com mais calma para tirar esta má impressão e usufruir das belezas que a cidade oferece, entre outras, da possibilidade de se visitar uma mina modelo, o que pode ser uma experiência muito interessante.

                          A única do país, se não estou mal informado!

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                          Foto Lysandro Lima

                          Finalmente, chegamos em Urussanga e relaxamos num simpático restaurante...

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                          Mas daí é história para amanhã!

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                          Total percorrido : 131 km - Total geral : 3.404 km
                          Última edição por Dolor; 13-08-12, 20:31.

                          Comentário

                          • Dolor
                            Fazedor de Chuva

                            • Mar 2011
                            • 3250

                            #43
                            062/293 - Urussanga - A Capital do Bom Vinho - 15/07/2012

                            Os ditados nada mais são do que a síntese da sabedoria popular, portanto, segui-los não deixa de ser uma boa idéia.

                            Para não fazer uma bobagem conte até três, e para não fazer uma bobagem maior ainda, conte até dez!

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ID:	155751

                            Contamos até mil e refreamos os nossos ímpetos e instintos com relação ao trânsito, louco, de ontem a noite, talvez potencializado pelo nosso cansaço, que se arriou após nos instalarmos, cômoda e honestamente, no Hotel Contessi, por R$110,00, uma das melhores relações custo benefício até agora, nem tomamos banho e nos dirigimos para o Restaurante Marias e Rosa, com vocação italiana, que após a primeira taça de vinho, transformou tudo em alegria e cumplicidade.

                            Rimos até do nosso quase acidente, que teria sido muito sério, não fora a sorte que tivemos em nos livrar do dito cujo.

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ID:	155761

                            Urussanga, como diz o seu slogan, é a terra do bom vinho, que infelizmente, nesta noite, não pudemos provar pois o restaurante não tinha a meia garrafa do local, dose certa para a Angela.

                            Optamos então por um argentino, na terra do "vino", pode?

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ID:	155762

                            Teremos que voltar para cá, com mais calma, talvez durante a Festa do Vinho, que se realiza no mês de agôsto dos anos pares, portanto, este ano haverá a festa ou quem sabe, em setembro, durante o Moto Vinho, provavelmente a nossa opção.

                            O sotaque italiano é presença muito forte nas construções, tipo casario, nas igrejas, praças, vinículas, enfim, se respira um forte ar da magia da Itália por onde quer que se ande.

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ID:	155764

                            É uma comunidade com 20.000 pessoas que celebra ainda durante os anos ímpares, o Ritorno alle Origini, ou seja, tem festa todos os anos, bem dentro do espírito dos imigrantes que aqui deixaram as suas marcas, fortes.

                            Entretanto, falamos de uma população de aproximadamente 320.000 habitantes na microrregião de Criciúma, a qual Urussanga faz parte, para podermos ter uma dimensão mais próxima da movimentação da área, porque praticamente as fronteiras entre boa parte destes municípios se confundem.

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ID:	155763

                            Apesar de ter sido a maior colônia italiana no sul de Santa Catarina, curiosamente, o nome adotado vem do tupi guarani, que significa "rio de águas frias", no lugar dos homônimos de cidades italianas, mormente da origem dos imigrantes, com que batizavam as cidades por aqui.

                            Também durante muitos anos a principal atividade econômica da cidade foi a extração de carvão mineral.

                            063/293 - Cocal do Sul

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                            Os próximos 11 km que separam Cocal do Sul, de Urussanga, praticamente em nada muda o panorama desta região italiana, no sul de Santa de Catarina.

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                            Claro que as diferenças estão em função das mãos de administram as cidades, que vão dando contornos diferenciados.

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                            Com uma população de pouco mais de 15.000 pessoas, é no interior do município que a colonização se faz presente com muito mais intensidade, através da grande quantidade de pequenas igrejas, onde as comunidades se organizam, com forte presença na agricultura, porém, ficando o esteio econômico em torno das cerâmicas, herança também dos italianos, que são especialistas nesta área, sendo a estrela, a empresa de pisos e revestimentos Eliane, referência nacional, ironicamente, de origem polonesa.

                            Durma-se com um barulho desse!

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Name:	Captura de tela 2012-07-24 às 23.32.54.jpg
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ID:	155750

                            Total percorrido : 11 km - Total geral : 3.415 km
                            Última edição por Dolor; 13-08-12, 20:31.

                            Comentário

                            • Cesar Macedo
                              Administrator
                              • Sep 2011
                              • 285

                              #44
                              Click image for larger version

Name:	santa_catarina.jpg
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ID:	155804

                              Santa Catarina está ficando pequena!

                              Boa sorte, Aventureiros!!

                              Comentário

                              • Dolor
                                Fazedor de Chuva

                                • Mar 2011
                                • 3250

                                #45
                                064/293 - Siderópolis - Nova Belluno

                                Indiscutivelmente os momentos de grandes dificuldades dos seres humanos, via de regra, foram os mais produtivos. Com relação aos europeus, o dito não foi diferente, pois os mesmos de um modo geral viviam naquele século XIX, um período difícil e a coragem para buscar novas paragens foi o grande motor que trouxe para o Brasil, as ondas imigratórias tanto de italianos, quanto de alemães, poloneses, enfim, cada um ao seu tempo, buscou acalento nas novas terras.

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Name:	Urussanga11.jpg
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ID:	155823

                                Siderópolis foi uma das primeiras colônias italianas no Brasil, que se beneficiou de incentivos dado pelo governo brasileiro, com redução do preço das passagens, as vezes até mesmo gratuidades, especialmente para o sul, de europeus, que quer queiramos ou não, tinham uma qualificação de mão de obra, distantes anos luzes da nossa, especialmente após a libertação dos escravos, abriu um país extremamente carente de trabalhadores mais qualificados, que tiveram também grandes facilidades na compra de terras para se instalarem e produzirem.

                                Boa época aquela que nos deu como legado grandes empreendedores, estudiosos e famílias que vieram a participar da base de sustentação do país.

                                Para variar, os imigrantes batizavam as novas colonizações com os nomes dos seus lugares de origem, daí então Nova Belluno, em homenagem ao lugar de onde vieram, que entretanto, não resistiu ao nome atual, que significa cidade do ferro.

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ID:	155825

                                Rodamos somente 25 km do nosso último ponto até aqui, onde se nota a religiosidade católica da cidade, quando vemos do alto dos seus 29 metros a estátua de Nossa Senhora de Fátima, a mais alta do Brasil, protegendo os seus poucos mais de 13.000 habitantes.

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                                Morro da Janela Furada

                                Cidade pequena, ordeira, tendo parte da sua população com dupla nacionalidade, experimenta os duplos idiomas nas ruas, e em função das experiências vividas, especialmente na Itália, os sideropolitanos em geral, sabem exatamente com quantos minutos se faz uma hora, tal é o rigor aplicado aos trabalhadores no país irmão, convertendo-se desta maneira em pessoas muito produtivas.

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                                Município como tantos outros aqui pelo sul do estado, com muita fartura de água, seja na forma de cachoeiras, rios, lagoas, riachos, barragens, enfim, um grande potencial turístico que pensamos seja explorado ainda de forma tímida, sendo possível ainda, um lindo passeio com a Maria fumaça, na Ferrovia Tereza Cristina, saindo de Tubarão, permitindo uma visão muito interessante das antigas estações, criminosamente desativadas, para infelicidade do estado e do país.

                                065/293 - Treviso

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                                Esta é outra pequena comunidade, em torno de 3.600 pessoas, quase que poderíamos dizer, de italianos, tal a importância desta etnia na sua formação.

                                Isto tanto é verdade, que quando nos preparávamos para fazer a foto em frente da prefeitura, fomos abordados por um italiano, agora ele com dupla cidadania, a brasileira, casado uma brasileira, com dupla cidadania, a italiana, com uma filha, brasileira e italiana, num jogo de nacionalidades que dá gosto de se ver.

                                Gente bonita, agradável e alegre!

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                                Faz jus ao nome de Treviso, cidade italiana que emprestou o nome para a brasileira, finalizando, "tutti buona gente", no "Nosso tempero", um pequeno e muito simpático restaurante que não dava vontade de sair de dentro.

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                                Servidos por brasileiros, que são também italianos, de uma mesma família, os Levati, onde trabalham, a mãe, dois irmãos, um cunhado, uma sobrinha, enfim, aquela coisa gostosa da convivência familiar as 24 horas do dia.

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                                Tem na extração do carvão mineral a principal fonte de renda da cidade, que ainda possuí vários equipamentos naturais para a exploração turística, uma vez que também está no costão da serra, o que permite banho de cachoeiras, passeios por trilhas de matas fechadas, tudo ao sabor do "dolce far niente" para quem quer descansar e contemplar.

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                                Um capricho!

                                Também queremos voltar para cá com um pouquinho mais de calma, aliás, são tantos os lugares que queremos voltar que creio devamos fazer um novo Valente Fazedor de Chuva, ao término deste.

                                066/293 - Nova Veneza

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                                Que surpresa este nosso novo destino!

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                                Mesmo os poucos quilômetros que pegamos de terra, foi nos encantando à medida que nos aproximávamos desta nova comunidade, claro que italiana de cabo a rabo.

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                                Muito agradável a nossa chegada e a interação com as pessoas, que gentilmente se acercavam e nos sugeriam opções do que fazer e ver.

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                                Todos orgulhosos das suas origens e da cidade que tem, nos remetem para aquela Santa Catarina, dos sonhos, da organização, da produção, enfim, daquele estado que aprendemos a admirar e a nos orgulhar.

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                                Aqui é puro orgulho!

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                                Inicialmente fomos apresentados para a via sacra assim que rompemos a fronteira do município, já em italiano, e nos deparamos com o antigo prédio da prefeitura transformado em um lindo e gracioso museu, contando a história de trabalho do imigrantes.

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                                Passeio de gôndola?

                                Claro que sim. Nesta Veneza, a Nova, também tem uma linda gôndola para encanto dos turistas.

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                                Praças, casarios, de pedra também, polenta, a melhor do Brasil, gente alegre e educada em profusão, inclusive arrecadando fundos na via principal da cidade, para que aqueles lindos jovens pudessem ir dançar em Joinville, por ocasião do Festival de Dança, contaminando os visitantes com os bons fluídos das boas vindas.

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                                Imediatamente mudamos o nosso pensamento de seguir viagem e nos instalamos no novo e ótimo Hotel Bomon, um dos primeiros excelentes equipamentos para a nova década de turismo do município, que haverá de ser num espaço bem curto de tempo, o novo polo de atração do Brasil que quer viajar e conhecer.

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                                Tivemos ainda a alegria de sermos convidados pelos proprietários das Casas de Pedras, elevadas à condição de Patrimônio Nacional, que do alto da montanha, guarda toda Nova Veneza.

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                                Uma maravilha!

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                                E o que falar então do Baile de Máscaras?

                                Uma sucessão de cartões postais!

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                                E o que falar da melhor polenta do Brasil, no Restaurante Veneza, com a cozinha comandada pela Mamma Luiza Bratti?

                                Haja regime para aguentar tanta comida!

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                                Total percorrido : 49 km - Total geral : 3.465 km
                                Última edição por Dolor; 13-08-12, 20:32.

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