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Para quem achava que a viagem de Osmar e Terezinha havia terminado, engano! Eles rumaram para Guadalajara, na outra ponta, com o Oceano Pacífico aos pés... Os encantos não terminam nunca!
Los Cabos
De Cancún voamos para Guadalajara, e de lá para León. Fomos no carro do Manuel que ficara no aeroporto. Rápido e fácil.
Chegamos em León e logo começamos a nos preparar para a segunda etapa desta viagem: ir a Baja Califórnia. A primeira providência foi alugar um carro. Seria fácil, não fosse um imprevisto: está acontecendo um rally em León e Guanajuato, e todos, simplesmente todos os carros foram alugados. Nada para nós. A solução foi buscar fora. Em Aguascalientes, a cem quilômetros daqui, encontramos algo disponível que nos interessa.
Em confortável bus da empresa Primera Plus (mas bota confortável nisso), lá fomos nós em busca do veículo para a viagem. Conseguimos um Renaul Scala (acho que é vendido no Brasil com o nome de Fluence – daquela propaganda em que o sujeito incendeia seu próprio carro depois de andar num).
Início da tarde de quinta-feira, dia oito de março (Dia Internacional das Mulheres – parabéns para elas!) e já rodávamos, eu e Terezinha, em nosso Scala branquinho, pelas excelentes rodovias de cuotas do México. Por aqui existem as carreteras livres, que são as tradicionais, sem pedágio, mantidas pelo governo: antigas, cheias de curvas, topes (lombadas), atravessando povoados, poucos pontos de ultrapassagem, e por aí vai. E as de cuotas, rodovias novas, construídas e mantidas pela iniciativa privada, pista dupla, longas retas, curvas suaves, zero lombadas, sem pardais, onde se pode viajar tranquilamente a cento e quarenta por hora. As cuotas (leia-se pedágio) são deveras “salgadas”. Mas compensa.
Na quinta-feira dormimos em Guadalajara, e na sexta tocamos até Los Mochis, e no embarcadouro de Topolobampo, Sinaloa, tomamos o ferry que nos trouxe para La Paz, na Baixa Califórnia Sur.
Esse ferry é algo digno de nota. Enorme, parecia um transatlântico. Acomoda facilmente uma centena de caminhões tipo jamanta, e muitos veículos pequenos – automóveis e camionetas. Muito conforto para os passageiros.
Em La Paz, um desayuno especial, no restaurante Bismarkcito, cuja especialidade são os tacos de mariscos. Tinha de camarão, lagosta, arraia, peixes, lula (Brrrr, não gosto disso!) e outros de nomes estranhos que não gravei. Mas os que experimentei estavam supimpas.
Nosso destino hoje é a cidade de Cabo San Lucas. No caminho, uma passadinha no famoso Hotel Califórnia, em Todos Santos, para comprar algumas lembrancinhas, e sacar umas fotos. Todos os dias, centenas de turistas, norte americanos na maioria, visitam o famoso hotel. Muitos vêm pela lenda dos Eagles e a conexão com a canção que os tornou famosos. Mas o que provavelmente encontram aqui é a inspiração para a canção. Porém, o mais importante é que encontram um povoado mágico e o verdadeiro México.
Em Cabo San Lucas estamos hospedados no Hotel Comfort Inn. Excelente relação custo/benefício.
Em Cabo San Lucas, uma rápida visita à loja HD Los Cabos, degustar um suculento hamburger feito à tradicional moda americana, e conhecer a cidade, que dizem ser uma Acapulco em miniatura, onde se tem a impressão de que a língua oficial é o inglês, tamanha é a quantidade de turistas norte-americanos que a buscam. E justo nesta época, a cidade está lotada de barulhentos jovens, desfrutando o folguedo chamado Spring Breaks. Muita diversão, muitas opções de restaurantes, de casas noturnas, e incontáveis hotéis espetaculares espalhados por toda a costa.
No domingo, tour em barco para conhecer um dos grandes destaques locais: a Praia dos Amantes, banhada pelas águas do Golfo da Califórnia, aqui também chamado Mar de Cortés, e a poucos passos dali, em direção oeste, a Praia do Divórcio, esta banhada pelas tranquilas (mas não muito) águas do Oceano Pacífico.
Estas praias são acessíveis apenas de barco.
Logo à frente, as rochas recortadas conhecidas como Los Frailes, formam a ponta da Península (ao sul). Estas praias são emolduradas por um arco de pedra, conhecido como El Arco, considerado o elo entre as águas do Pacífico e o Mar de Cortés.
Segunda-feira amanheceu ensolarada, e lá vamos nós, seguindo nossa viagem, rumo ao norte, não sem antes uma deliciosa parada para almoço em La Paz, no nosso já conhecido restaurante Bismarkcito (Paseo Alvaro Obregon, s/n, entre Hidalgo e Constitución, onde tivemos a oportunidade de saborear seus deliciosos tacos, de “machaca de langosta”, de “pulpo” e “de camarón”, todos ricamente temperados com as mais tradicionais e picantes salsas mexicanas.
Estamos seguindo rumo norte, pela Transpeninsular Highway, oficialmente chamada de Mex 1, que liga os dois extremos da Baja Califórnia, de Tijuana a Cabo San Lucas, atravessando uma região desértica, onde a vegetação é baixa, cinzenta e sem folhas, aparentando seca (as chuvas por aqui são bastante raras), e muitos cactos. No meio da tarde, chegamos a Puerto San Carlos.
Puerto San Carlos está localizado na Bahia Magdalena, sessenta quilômetros a oeste de Ciudad Constitución, BCS (Baja California Sur). Povoado de pescadores, suas águas são famosas pela quantidade e diversidade de pescados e mariscos que aqui se reproduzem. A pesca desportiva é uma das atrações locais, excelente todo o ano, sendo o Marlin, o Dorado, Pez Vela e Atum, os mais buscados.
Aqui estamos, hospedados no Hotel Brennan (www.hotelbrennan.com.mx), com excelentes e confortáveis instalações, aguardando ansiosamente o dia de amanhã, quando pela manhã sairemos com o Capitán Henrique para o avistamento de baleias.
Praias maravilhosas e o Ferry Boat, eu nunca vi um tão grande, parece um navio de cruzeiro destes tantos por ai...
Fico feliz que estejam se divertindo mesmo longe da moto, seus relatos estão maravilhosos mas tenho um pedido como leitor: Façam suas postagem em duas vias, de preferência postando aqui no fórum seria maravilhoso poder interagir com vocês e dar ainda mais vida a estes relatos...
Aproveitem a viagem, nos vemos na estrada! Grande abraço...
A terça-feira amanheceu como esperado: sem ventos e ensolarada. Ideal para avistar baleias. E lá fomos nós, em um pequeno barco comandado pelo Capitán Henrique, que dividimos com um simpático casal de texanos. As baleias estavam lá. Vimos dezenas delas, mas muito ariscas, submergiam quando nos aproximávamos. Mas mesmo assim conseguimos assistir a muitos acenos de caudas, e em duas ocasiões, raro espetáculo: as enormes baleias tirando quase que metade do corpo fora d´água, como que buscando alcançar alguma coisa no céu. Eram baleias cinzentas da Califórnia (aqui chamadas de ballenas gris), que passam parte do ano nas geladas águas do Alaska se alimentando, e depois vêm para o litoral do México, onde têm seus filhotes.
De Puerto San Carlos seguimos até Loreto, antiga capital das Califórnias (região onde hoje estão a Califórnia dos EUA e a Baja Califórnia), que abriga até hoje, a Misión Nuestra Señora de Loreto, a primeira a ser construída na região, em 1.699. Ficamos no Hotel Oasis (www.hoteloasis.com), que tem elegantes cabanas à beira mar, cobertas com folhas de palmeiras, chamadas palapas, com direito a repousante rede na varanda.
Em seguida passamos por Mulegé, que abriga as praias mais bonitas do México, onde o mar varia do azul ao verde. Pequeno povoado.
Em Santa Rosalía visitamos a Iglesia de Santa Bárbara, pré-fabricada com armação de metal, foi projetada pelo arguiteto Gustave Eiffel (o mesmo da torre em Paris). Esta pequena cidade foi fundada em 1.880 por uma companhia mineradora de cobre francesa. Visitando a igreja, percebe-se que ela é diferente das demais. Leve, espaçosa, aconchegante, acolhedora, e que, apesar de algumas colunas internas, consegue-se enxergar o altar de qualquer posição. É criação de um gênio, sem dúvida.
Por fim, já na metade da tarde, chegamos a Guerrero Negro. Mas antes, vários reténs do exército pela estrada, onde todos os veículos são minuciosamente revistados. Estamos hospedados no Hotel Malarrimo (www.malarrimo.com), que conta com excelente restaurante em anexo. Prá variar, jantamos lagosta.
Dedicamos a manhã de quinta-feira para visitar a Salinera de Guerrero Negro, uma das maiores do mundo, que produz algo em torno de vinte mil toneladas/dia de sal. Lá tudo é grande: os tanques para evaporação da água, as máquinas encarregadas da coseccha, os vagões utilizados no transporte do produto. A água utilizada para extrair o sal vem da Laguna Ojo de Liebre, que é quatro vezes e meia mais salgada que a do Pacífico.
Feita a visita, seguimos para Ensenada. Pelo caminho, mais quatro reten do Exército e dois da Polícia Federal. Em cada um deles, fila de espera e revista minuciosa no caro, na bagagem...
Depois de San Quintin, a paisagem começa a mudar. E para melhor. Os cactos e as pedras são substituídos por extensas plantações de pepinos, morangos e tomates. E tudo muito bem cuidado, irrigado, e coberto com plásticos, formando grandes estufas. Aumenta também, sensivelmente, o tráfego de veículos.
Chegamos a Ensenada já noite e nos hospedamos no Hotel Best Western El Cid, bem no centro da cidade, numa rua muito movimentada. Bom hotel.
E hoje pela manhã fomos conhecer a famosa “La Bufadora”, uma das grandes atrações locais. Trata-se de uma fenda nas pedras, que com a força das ondas do Pacífico, a água é comprimida e pulverizada, provocando grande névoa e um ruído como o bufar de uma baleia, ou de uma maria-fumaça.
À tarde, na Ruta Del Vino, conhecemos duas vinícolas: Doña Lupe, que por mais de quarenta anos vem produzindo vinhos caseiros orgânicos, e abrindo suas portas a todos aqueles que querem provar seus pães, queijos, doces, salsas. E vinhos, naturalmente. Visitamos também L. A. Cetto, El Gigante Del Valle: instalações de primeiro mundo, combinada com uma experiência de mais de oitenta e cinco anos na produção de vinhos.
Ensenada é a única região produtora de vinhos do México.
De Ensenada rumamos direto para Tecate, na fronteira com os States, e ali seguimos pela Mex 2, em direção a San Luis Rio Colorado, tendo o cuidado, segundo recomendações de amigos, de não entrar em Mexicali, a capital da Baja California. Disseram-nos que lá o trânsito é caótico vinte e quatro horas por dia. Acho que é verdade, pois alguns quilômetros antes, há um desvio chamado de “Evitamiento”, que contorna a cidade e nos devolve à rodovia outros tantos à depois.
Resolvemos pernoitar em Puerto Peñasco. Para isso, tivemos que deixar a Mex 2 e nos meter por uma rodovia secundária, que corta o Desierto de Altar. Paisagem de botar medo. Nada ao lado direito, nada ao lado esquerdo da rodovia. E por muitos quilômetros. Finalmente, como uma miragem, surge a cidade. Antigo porto e colônia de pescadores, hoje é um dos destinos turísticos mais procurados pelos vizinhos norte-americanos, especialmente de jovens, que nesta época curtem seu folguedo Spring Brake. Dezenas de grandes, digo, monstruosos hotéis, e hordas de jovens alegres fazendo festa. E bebendo cerveja. E com ruidosos carros de som. Talvez a liberdade que eles não têm em seu país, extravasam aqui. O resultado é uma cidade alegre, movimentada, cheia de vida.
Ficamos no hotel Vina Del Mar. Bom, com preço razoável.
O domingo amanheceu nublado, com uma garoa enjoada, mas sem os fortes ventos que nos receberam na véspera. Resolvemos que seguiríamos viagem, e nos metemos novamente pelo Desierto de Altar. Quebrando a monotonia, a cada pouco um “reten” militar. Perguntas de praxe, revista de carro, de bagagem, e “adelante señor!”.
No rádio do carro, entre músicas e notícias, massiva propaganda do governo, de seus feitos, e alertando a população da proximidade das eleições, para que escolham criteriosamente em quem votar. Sei!
Ah! E entre as músicas, uma nossa conhecida: Ai se eu te pego, assim... Nem aqui conseguimos nos livrar disso! Mas não há como negar: é um sucesso mundial!
Começo de tarde, chegamos a Hermosillo, capital do Estado de Sonora. Bonita, mais de seiscentos mil habitantes, largas avenidas, terra de ricos fazendeiros de gado. Estamos no hotel Ibis.
Em Hermosillo jantamos no restaurante Xochimilco, expecializado em carnes de rês, pois, conforme já comentamos anteriormente, a região é a maior produtora de carne de gado do país. Comemos filé grelhado e costela. Saborosos, acompanhados de uma enorme tortilha de harina (de trigo), frijoles refritos e chiles.
Na segunda-feira prosseguimos viagem pela Mex 15, rumo ao sul, sempre pelas excelentes (e caras) carreteras de cuotas mexicanas. Dormimos em Los Mochis, no hotel City Express.
Na terça-feira fomos até Mazatlán, situada logo ao sul do Trópico de Câncer. Cidade de clima agradável, com mais de vinte quilômetros de belas praias, dezenas de grandes hotéis, e excelentes restaurantes, onde se come muitos frutos do mar. Nos fartamos com camarões.
Na quarta-feira, seguimos até Puerto Vallarta, onde nos hospedamos no Plaza Pelicanos Grand Beach Resort. E aí tivemos uma espécie de amnésia: nos esquecemos que um dia fomos pobres. Hotel gigantesco, com amplas e confortáveis instalações, sistema all inclusive, com todas as mordomias imagináveis. Menos internet. O uso da internet é custo à parte, e é caro. Por isso, desligamos o nosso netbook. Folga prá ele. Aproveitamos para curtir o hotel, as piscinas, as atrações, os shows, os coquetéis (me empanturrei de Negra Modelo – tirada), tudo à beira de charmosa praia do Pacífico, vendo monstruosos navios cruzeiro, ora chegando, ora partindo. Neste paraíso ficamos dois dias. Merecíamos mais, porém...
Sexta-feira viemos a Guadalajara, a capital do Estado de Jalisco, nos hospedamos no Hotel City Express onde pretendemos ficar três noites. O amigo Manuel nos indicou nesta cidade, o Hotel Del Bosque, porém está fechado, em reformas. Que pena!
E hoje, sábado, fomos fazer um agradabilíssimo passeio, no Tequila Express, La Leyenda (http://www.tequilaexpress.com.mx/). Trata-se de um passeio em trem (olha nós aí passeando de trem, novamente), muito confortável, até a localidade de Amatitan, onde está localizada a “Casa Tequilera Herradura”. Já na estação ferroviária, antes da saída, uma prévia do que seria o passeio, com a apresentação de mariachis, que nos acompanhariam o dia inteiro. O percurso é pequeno, cerca de duas horas, ouvindo boa música mexicana, e bebendo tequila: puro ou misturado com gelo e refrescos, sendo o mais popular conhecido como “marguerita”.
Na casa tequilera, um recorrido onde conhecemos as distintas etapas do processo de fabricação de tequila e suas origens. E para almoçar, um rico Buffet, só de comidas mexicanas, tudo à base de tortilhas de maiz, frijoles, carnes de rês e pollo. E os mariachis não pararam um só momento. O incansável conjunto nos brindou com dezenas e dezenas de sucessos mundiais: malagueña, aca entre nós, cielito lindo, cuatro caminos...
A tequila é feita da seiva da agave azul, uma espécie de cacto da região, que é colhido de oito a dez anos após o plantio. Cortam-se as folhas (como palmas) e aproveita-se um miolo compacto, chamado piña. Essas piñas são cozidas em um forno e amassadas para soltar a seiva, que é a matéria prima da tequila. Depois de fermentado, o líquido é destilado duas vezes.
Que grande pano de fundo que é a moto, senão vejamos: o nosso Grande Cacique Fazedor de Chuva Osmar e a sua Adelita Terezinha estão em viagem de recreio pelo México, terra hospitaleira de muitos amigos como o GCFC Manuel e Sandra Quintana, que se encarregaram do nosso casal de brasileiros pela parte sul do país e agora, em Guadalajara, são brindados com a hospitalidade do casal de amigos e motociclistas Dom Fernando e Sofia Castillo, que os receberam com muita fidalguia e carinho.
Transcrevemos parte dos sentimentos do Osmar e da Terezinha a respeito deste encontro:
"Estivemos reunidos hoje com os amigos Fernando e Sofia, em Guadalajara, quando tivemos a oportunidade de saborear gostosa comida feita pela Sofia: costelas de rês ao forno com tortilhas de maiz e a mais saborosa salsa mexicana que já provamos.
Foi uma tarde muito agradável na companhia do simpático casal. E um excelente tequila para esquentar.
E como sobremesa, pan de plátano, brownie, e peras ao vino.
Bom demais!"
Em nome dos Fazedores de Chuva agradecemos a gentileza destes nossos queridos amigos mexicanos, lembrando que aqui em Itajaí, Santa Catarina, estamos com as portas abertas para receber todos aqueles que quiserem nos visitar, especialmente porque representamos, de forma simbólica, o México, aqui na nossa região.
Depois de um sábado movimentado e regado a tequila, tiramos o domingo para passear por Guadalajara e arredores, e conhecer as atrações da região.
Em Tonalá, vimos aquela que foi para nós, até agora, a maior feira ao ar livre já vista. Enorme! Ruas e mais ruas da cidade tomadas por barracas que vendiam de tudo, com destaque para produtos de cerâmica e vidro. E comida. Aliás, as barracas de comidas eram sempre as mais movimentadas. O cheiro que vinha delas, e a vontade com que as pessoas comiam, nos fez imaginar que deveria ser uma comida muito saborosa. E quase sempre, comida de comer com as mãos, sem usar garfos/facas/colheres. É o costume daqui. Eram tacos, tortilhas, tostadas, burritos, gorditas...
E nós vendo aquilo tudo, e não podíamos comer nada. Fomos recomendados pelo Fernando, de comer, qualquer coisa, naquele dia. O Fernando é um amigo motociclista daqui de Guadalajara, que nos foi apresentado pelo nosso Grande Cacique Dolor. Isto porque, ele nos levaria para almoçar uma comida especial. E foi mesmo. Voltando do passeio, Fernando nos apanhou no hotel e nos levou para saborear costelas de rês ao forno, feitas especialmente pela sua querida Sofia. Maravilhosas e tenras costelas “al horno”, acompanhadas de salsas mexicanas, e claro, muito tequila. Que dia maravilhoso. Que gente amiga temos encontrado por aqui. E tudo isto, graças ao motociclismo, e aos amigos que se multiplicam. Muito obrigado, Fernando e Sofia, pela tarde maravilhosa que nos proporcionaram.
E hoje, segunda-feira, viemos até Morélia, capital do estado de Michoacán. Cidade antiga, fundada em meados do século 16, e que mantém em muito bom estado de conservação, as ruas com os calçamentos originais, os prédios e as igrejas, belíssimas, por sinal.
Em Morélia estamos hospedados no Hotel Cassino (www.hotelcasino.com.mx) , que outrora pertenceu à rede Best Western.
Aliás, sobre hotéis aqui no México, existe uma página na internet http://www.hotelesmexico.com/, que nos fornece relação (não exaustiva) dos hotéis disponíveis. Clicando-se no link “Busqueda Geográfica”, abre-se mapa com todos os Estados. Basta clicar no Estado pretendido, e depois na cidade, e terás a relação dos hotéis, inclusive com preço, e breve descrição. Muito útil.
Deixamos Morélia certos de que tínhamos visitado uma das mais belas cidades mexicanas, e especialmente impressionados com o interior do Santuário de Nuestra Señora de Guadalupe: cúpula, paredes e tetos de cores vibrantes.
Nosso destino agora era a capital do México, onde logo chegamos sempre pelas excelentes autopistas de cuotas. Nos instalamos no hotel Montevideo, bem próximo à Insigne Y Nacional Basílica de Guadalupe.
Um dos mais ricos e visitados santuários católicos das Américas, composto de vários edifícios construídos na base do Cerro Del Tepeyac, onde acredita-se que aqui, em 1531, uma Virgem Maria de pele morena tenha aparecido milagrosamente para o índio Juan Diego, quatro vezes.
Viemos especialmente para agradecer a esta virgem pelo apoio espiritual que recebi, ano passado, quando da minha cirurgia. Nos momentos mais difíceis, quando parece que os médicos, os remédios e a medicina convencional não surtem efeito, surge uma estranha força que nos ajuda a vencer as dificuldades. Invoquei o seu nome naqueles dias de hospital. Agradeço por ter-me ajudado.
Detalhes do Recinto Guadalupano podem ser vistos em www.virgendeguadalupe.org.mx.
Agora estamos prontos para seguir para casa. Vimos e fizemos tudo a que nos propusemos. Amanhã seguiremos para León, para reencontrar os amigos Manuel e Sandra, devolver o carro – que, diga-se de passagem, se comportou muito bem, e embarcar de volta para o Brasil, para rever nossos familiares e amigos. Muitas saudades de todos.
O percurso até León – quatrocentos quilômetros aproximadamente - fizemos em pouco mais de quatro horas, sempre pelas excelentes carreteras de cuotas. Lá nos aguardavam para o almoço, os amigos Manuel e Sandra.
À noite, fui com Manuel à reunião do seu grupo de motociclistas, o Iron Wings. Gente amiga, reúnem-se semanalmente, sempre nas quintas-feira, em um local agradável, alugado especialmente para isto. É a sede do grupo. Bom papo, e jantar melhor ainda. Para aquela ocasião, como que para uma despedida minha da saborosa comida mexicana, foi servido tacos de arrachera. Estava tudo muito delicioso.
Dia seguinte, trinta de março, sexta-feira, hora de vir embora. Despedimo-nos de Sandra, que pela manhã nos preparou um excelente desayuno, e Manuel nos levou até o aeroporto. De lá, ele ainda faria um favor para nós: entregar o carro para a locadora.
Ao embarcarmos no avião que nos levaria até a capital mexicana, uma grata surpresa: era um jato da Embraer. Respirei fundo, estufei o peito, empinei o nariz e fui em frente, confiante de que teríamos uma viagem tranquila. Mas que nada. Na rota, muita turbulência, fez o nosso pequeno avião sacolejar como um automóvel rodando em estrada esburacada. Valente, venceu a batalha, e em pouco mais de meia hora aterrisávamos na Cidade do México, para fazer a conexão para o Brasil.
Chegamos em São Paulo ao amanhecer, um “breve” pitstop no aeroporto de Guarulhos até as quatro da tarde, e às cinco em ponto, aterrisávamos em Florianópolis, onde nos aguardavam nossos filhos André e Fernando, e a neta Ana Luiza. Como é bom reencontrar eles depois de quarenta dias sem nos ver.
Ao finalizar este breve relato, gostaria de registrar nossos sinceros agradecimentos:
– Aos Grandes Caciques Fazedores de Chuva Manuel Quintana (El Médico Brujo) e sua adelita Sandra, pelo apoio, pelas orientações, pela hospitalidade, e sobretudo, pela agradável companhia que foram;
– Ao simpático casal Fernando e Sofia, de Guadalajara, que nos acolheram em seu lar, proporcionando-nos uma excelente tarde de domingo, com almoço e boa conversa, prenúncio de uma grande amizade;
– Ao Grande Cacique Fazedor de Chuva Dolor, que foi nosso garupa virtual (opsss! Não estávamos de moto), digo, nosso carona virtual;
E deixar registrado que trazemos do México, e do povo mexicano, as melhores impressões. Foram quarenta dias de viagem, em carro, de sul ao norte, desde a fronteira com a Guatemala até a fronteira com os Estados Unidos, onde não tivemos nenhum tipo problema, quer de segurança, quer de relacionamento. Onde chegávamos, éramos muito bem recebidos e tratados, mesmo por desconhecidos.
Rodar pelas rodovias mexicanas, é uma tranquilidade. Muito seguras, com patrulhas e pontos de verificação do Exército, da Marinha, ou da Polícia Federal, ao longo de todos os percursos. Rodamos por centenas de quilômetros em rodovias secundárias na fronteira com a Guatemala, sem encontrar o menor obstáculo. Cruzamos toda a Baja California Sur, e a Baja California, por estradas desertas, mas muito seguras devido a um trabalho incessante dos órgãos de segurança, sempre presentes.
México, um país que trazemos no coração.
México, um país que ainda voltaremos para visitar o que faltou.
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