25.000 km, 10 Países, 60 Dias pela América do Sul - Expedição Igrejas da América

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  • Renan Xavier
    Fazedor de Chuva
    • Jul 2011
    • 404

    #16
    3º Dia - Col. Sacramento.UR

    Um dia para rodar pouco, isso já estava na minha cabeça desde que fiz o roteiro inicial, a programação seria sair de Punta Del Leste e dormir em Montevideo, mas depois de fazer uma pesquisa sobre as igrejas de lá ví que somente uma merecia nossa atenção, no caso, a catedral central, então é pra lá que iríamos partir.

    Antes de seguir viagem ainda saímos de Maldonado e fomos visitar uma igrejinha famosa em Punta Del Leste, aliás, uma das mais conhecidas do Uruguai, tanto pela sua importância como pela sua beleza, sua fachada pintada de azul celeste, ao lado do farol dá um tom todo especial pra ela, fazendo com que milhares de pessoas que passem em Punta Del Leste parem pra visitar, seu interior nem tem tantos atrativos como em outras igrejas nesta região, mas sua fachada realmente impressiona.



    Agora é pé na estrada, e como já tava na hora do almoço, uma paradinha pra comer umas “papas”, não tem o que fazer, eita povinho pra gostar de batata. De repente ainda me param uns amigos do Brasil Riders lá das Minas Gerais, o Elídio e o Fábio, povo gente boa, conversamos muito sobre as viagens, sobre o moto clube, sobre tudo, e depois de umas boas horas de almoço e papo seguimos em direção a Montevideo.

    Aqui tá uma campanha muito grande, o Teleton, tipo a Criança Esperança que temos todos os anos, acho que não vi TV uma vez sequer sem que estivesse aparecendo alguma coisa do Teleton e em todos os postos de combustíveis também há pessoas com uns baldinhos, todos recolhendo dinheiro para esta campanha, numa delas deixamos alguns pesos e adesivamos a moto com o projeto, bem legal.

    Em Montevidéu já fomos direto para a Catedral da cidade, ela realmente é impressionante, as pesquisas antes funcionaram mesmo, uma catedral que podemos falar “das antigas”, com túmulos de padres e um ar bem pesado, detalhes em mármore por todo lado e portas fechadas, quase não consegui entrar.



    Em frente à igreja, na praça central, uma feirinha de antiguidades, nossa, me encantei com umas câmeras fotográficas antigas, mas antigas mesmo, acho que das primeiras, e por apenas 50 reais, pena que tenho muita viagem pela frente, não tem como levar tudo que gosto, infelizmente mesmo. Quem sabe um dia eu volte por aqui de carro né, ai poderei repensar meus presentes... rs

    Ainda passamos em outras igrejas da cidade para dar uma vasculhada em sua história e ver como eram suas fachadas, mas nenhuma merecia um crédito tão especial quanto a catedral, optamos então por adiantar a viagem, em vez de ficar mais um dia, seguimos para Colonia del Sacramento, onde está a primeira igreja do Uruguai. Colonia fica há 160 km de Montevidéu, então era um tirinho curto, carpidão estaríamos por lá.

    Chegando em Colonia já corri pra ver a questão de passagens para eu, karen e moto, a única opção que tínhamos era o buquebus, e como esse negocio é caro heim, fala sério, simplesmente 264 reais por pessoa + 130 reais pela moto, um verdadeiro roubo, já que a viagem toda dura apenas 3 horinhas... Não tendo outra opção tive que pagar... mas ai vem uma situação que percebi quando cheguei ao hotel, fui conferir o ticket do cartão, não é que o cara me cobrou apenas 2484 pesos uruguaios... isso equivale a 248,40 reais, resumindo, não cobrou nem a passagem de 1 pessoa, quanto mais 2 e a moto. Apesar de ter achado bem estranho vou conferir quando for lá hoje pra viajar, afinal, o que menos quero é ter problemas e essas coisas cheiram problemas.



    Infelizmente só conseguimos vaga pra hoje às 20h, não tinha pra antes, aliás, só tinha um horário antes, que era umas 11h30, mas este custava a bagatela de 400 reais por pessoa, então acho melhor ir um pouco mais a noite né, não tem o que fazer, ainda não estou rasgando dinheiro... rs

    Agora a noite ainda fomos tirar umas fotos da igreja e das ruazinhas aqui ao redor, mas vou deixar pra amanhã as fotos oficiais, uma paradinha pra jantar e enfim dormir um pouco, dia bastante cansativo, apesar de não rodarmos quase nada, as retas aqui não terminam mais, andar sempre pra frente não tem graça, da sono, e toda hora tenho que ficar parando pra tomar um café, comprar chiclete, tudo pra não dormir... O sol tava escaldante o dia inteiro, mas em cima da moto é um frio desgraçado, vai entender né.

    Então vamos pras estatísticas:

    Km rodada: 354,2 km
    Tempo: 6h de estrada
    Gasolina: 13,97 litros
    Gastos do dia: R$ 483,30

    É isso ai, lugar maravilhoso, tudo certo... viagem super tranquila. Um abraço a todos que estão nos acompanhando e vamo que vamo.

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    • Renan Xavier
      Fazedor de Chuva
      • Jul 2011
      • 404

      #17
      4º Dia - La Plata.AR

      Que iria rodar pouco eu até já sabia, mas tão pouco assim é até sacanagem numa rota de 25 mil km... Hoje o dia foi mais de fazer pesquisas do que de rodar de moto, ótimo também, se não fosse a entediante viagem de Buquebus.

      Estava acabadaço de ontem, acho que as “Patrícias” me deixaram um pouco lesado... rs (ressaca), mas nada que comprometesse o trabalho... rs. Tínhamos que deixar o quarto logo 10h da madrugada pois estava reservado para outras pessoas, mas ficamos pelo hotel mesmo, guardamos tudo no almoxarifado e saímos à pé pra tirar fotos e conhecer o que ainda não tínhamos passado.



      A cidade de Colonia é realmente muito linda, parece mesmo que parou no tempo, ruas de pedra, casas de pedra, tudo dando um visual muito lindo, e por estar à beira da praia isso se multiplica e não tem como não deixar de tirar milhões de fotos, pra onde você vira a lente está um cartão postal. Aproveitamos pra entrar na igreja mais antiga do Uruguai, as paredes ainda de pedra estão conservadas desde o tempo de sua fundação, de lá saímos pra subir no farol, acho que é a primeira vez que subo num, esse negócio de altura não me deixa muito confortável, mas... se é o pro bem do meu álbum de fotos então lá vamos nós... Realmente a cidade vista por cima é outra história, da pra se ter uma noção exata de como tudo foi feito, de como tudo foi projetado.

      Voltando para o hotel ainda deu tempo de almoçar uma Parrilla, nossa, fazia tempo que não comia Rim de boi, tripa de porco e outras coisinhas mais... muito bom mesmo. Depois uma paradinha técnica para comprar algumas lembrancinhas do Uruguai (e minha camiseta do peñarol para a coleção) rs. Ainda deu tempo de perder 50 reais no cassino, que coisa heim, achei que ia sair de lá rico... rsrsrssr... pelo menos agora eu sei como é um cassino por dentro e tenho certeza que é algo que nunca mais vou entrar.

      Enfim, pé na estrada, na verdade andar alguns metros para chegar ao porto, que fica de lado do hotel... antes disso, como ainda estava cedo demais pra chegar lá, fomos rodar pelas praias de Colonia, a cidade tem exatamente 5 km de praias, pouca gente nas águas geladas, mas são bem interessantes, ao lado do calçadão tem tipo um pequeno bosque, isso entre o calçadão e o mar, nisso as pessoas colocam os carros debaixo das árvores, pegam suas cadeirinhas e ficam olhando quem passa, tomando chimarrão... vida tranquila para um final de domingo.



      Hora de pé na estrada, digo, moto ao mar... fomos lá pro porto pra pegar o tal buquebus, nossa, que enrosco foi isso, a moto cheia de tralhas, não queria deixar tudo amarrado e ir com a Karen passar na imigração, então tentei fazer tudo sozinho e ela ficou na moto, como fiz nas outras fronteiras. No Check-in tudo tranquilo, deu pra fazer por nós 2, mas na imigração, fala sério, que povo mais enrolado, ela teria que vir também, a questão é que eu estava com os documentos dela, e ela estava do lado de dentro do porto, e depois que passei na imigração nem poderia entrar, porque não tava liberado ainda pra entrar no buquebus e nem poderia sair pra entregar os documentos dela pra ela passar também na imigração.... kkkkkkkkk, foi muito comédia eu tentando explicar pros camaradas que eles eram burros, digo, não estavam entendendo... kkkkkkkkkkkkkk, depois de algumas horas de diálogo-monólogo eles me deixaram sair, entregar os docs pra ela e ela passar pelo mesmo processo. Esse negócio de não ter uma rotina é osso, em todas as fronteiras eu sempre fiz tudo por nós 2, assim ela ficava olhando a moto, só neste que ela precisou passar na imigração... mas tá valendo.

      Dentro do buquebus, fala sério, me lembrem de nunca mais andar nesta @#$%%$#, tédio, sono, insuportável. O negócio para um transatlântico, tem de tudo dentro, de lanchonete a restaurante, free shop, jogos, etc..etc..etc... mas mesmo assim é insuportável, se eu soubesse que era tão ruim teria dado a volta por terra... rsrsrs

      Chegamos há Buenos Aires quase 23h, tínhamos 2 opções, dormir por lá ou vir pra La Plata, claro, peguei estrada, claro, tinha que colocar alguma coisa nas estatísticas, não podia colocar simplesmente um zero... rsrsrs

      Parando no posto conversei com outros campeões que nem eu, o Boca também foi campeão argentino, me senti em casa... sei muito bem como é ser sempre campeão, meu timão só me da alegria.

      Enfim, chegamos a La Plata, se um dia eu pensei que alguma cidade do Brasil fosse estruturada, é porque não conhecida La Plata, a cidade é feita por quarteirões completamente perfeitos, ruas com números que se cruzam o tempo todos e avenidas nas diagonais, é impossível se perder neste lugar, se alguém fala pra ir pra Rua 23 com 45, é só ver onde está, e cruzar qualquer rua a procura, logo vai esbarrar com ela. E na de procurar hotel pela cidade cruzamos com a igreja mais impressionante que já vi até hoje, acho que não tenho palavras pra descrever o quanto essa igreja é linda, acho que seria essa mesmo que acabei de usar “impressionante”, pela última foto vão ver do que estou falando, como cheguei bem tarde não deu pra entrar, mas amanhã vou entrar e fazer a pesquisa...

      Depois de tirar milhares de fotos dela saímos procurando hotel novamente e o único que encontrei vaga foi um Hostel no centro da cidade, bem perto da igreja, os preços aqui são bem salgados, o hotel mais baratinho que encontrei custava 100 dólares, um verdadeiro roubo pra passar somente uma noite. Mas encontramos este que custou 70 pesos.



      Hoje me senti como o padre dos balões querendo usar o GPS... rsrsrsr. Tive que dar uma freada brusca e meu ABS desprogramou, lembro que quando vou no mecânico ele arruma isso rapidão, e fiz de tudo e não consegui arrumar, vai saber né, acho que é macumba de mecânico, só eles sabem... rsrsrs

      Bom, já são quase 2h da madruga, hora de tomar banho e ir dormir... tô só o bagaço, acho que o que mais de deixou assim foi ficar 3 horas sentado sem fazer nada dentro daquele maldito barco...

      Então pra fechar vamos pras estatísticas:

      Km rodada: 86,9 km
      Tempo: 2h de estrada
      Gasolina: 15,54 litros
      Gastos do dia: R$ 277,00

      É isso ai galera, só sei que foi assim, um abração a todos e vamo que vamo...

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      • Renan Xavier
        Fazedor de Chuva
        • Jul 2011
        • 404

        #18
        5º Dia - Buenos Aires.AR

        O dia que aconteceu de tudo, acho que essa frase explica melhor tudo, desde pela manhã foi um dia muito, mas muito interessante mesmo...

        Saímos tarde, como sempre, acordamos bem tarde, acho que devido ao dia aqui se estender demais só fomos dormir de madrugada, nisso não temos opção, se não dormir bem com certeza no dia seguinte vai ser pior... então uma boa noite de sono é sempre bem vinda.



        Como só tinha tirados fotos da igreja de La Plata à noite tive que voltar lá pra pegar mais informações, a igreja realmente é impressionante por dentro e por fora, sua arquitetura, sua grandiosidade, seus detalhes, com certeza uma igreja que não pode deixar de entrar para minha pesquisa.

        Saindo de lá fui visitar a outra igreja que estava no roteiro, a de San Ponciano, uma igreja também muito antiga, da fundação da cidade, uma pena não ter achado ninguém pra conversar um pouco sobre ela, acho que essa é a principal dificuldade, as pessoas não gostam muito de conversar por aqui, ao contrário dos brasileiros, ai tenho que fazer milagres pra minha pesquisa, colher informações nas placas ao redor dela, e sugar o máximo de informação possível com algum folheto que tenha pra distribuição.

        Lá estamos nós fazendo a volta na praça para chegar neste igreja quando um carro parou atrás, o motorista dando sinal com mão pra gente parar meio que desesperado, parei logo num canteiro central perto de uns policiais, vai saber o que é né.... rs. De repente desce uma mulher com um microfone na mão, na outra porta um cara com uma câmera enorme e a mulher já veio perguntando se agente podia dar uma entrevista pra ela, que pela moto sabia que agente estava viajando e que éramos do Brasil e bla bla bla... não pensei 2x né, mas claro que podemos, aliás, queremos muito, é nosso sonho, mamãe sempre dizia que um dia eu ia ser famoso... kkkkkkkkkkkkkkk



        E começamos a entrevista pra TV de La Plata, perguntas sobre tudo, o que estamos fazendo, de onde somos, pra onde vamos e tudo, falei de todo o projeto e o que vamos fazer no final, de todo o roteiro e outras coisas, percebi que a cada resposta ela ia ficando mais fascinada e perguntando muito mais coisas, foi bem interessante, #ficandofamoso... rsrsrs

        De lá já pegamos estrada para Buenos Aires, uma paradinha pra comer cerdo com papas fritas em um restaurante na beira da estrada e depois seguimos.

        Buenos Aires é uma cidade do mal, assim como São Paulo, mas o povo é bem prestativo, todos dão informação direitinho e depois de umas 2h procurando o hotel que tinha visto pela internet, chegando na porta dele, percebemos que eles tinham fechado as portas, não existia mais há uma semana.....kkkkkkk, mas o site ainda estava ativo e tudo.

        Mas tudo bem, depois de rodar umas outras tantas, e bater na porta de vários hotéis que não queriam estacionar a moto (aqui no centro é proibido estacionar motos nos estacionamentos, é mole...) Achamos um bem legal, pertinho do Obelisco.



        Ainda deu tempo dar uma saída pra tirar umas fotos e conhecer a noite argentina, tango, compras, etc..etc..etc... aproveitar o passeio nas horas que as igrejas estão de portas fechadas... rsrsrs

        Então vamos pras estatísticas...

        Km rodada: 70 km
        Tempo: 3h de estrada
        Gasolina: NENHUM ABASTECIMENTO
        Gastos do dia: R$ 163,50
        Só sei que foi assim, e vamo que vamo galera...

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        • Renan Xavier
          Fazedor de Chuva
          • Jul 2011
          • 404

          #19
          7º Dia - Córdoba.AR

          Dia de acordar cedo e pegar a estrada, enquanto um escreve os relatos do dia, o outro vai arrumando as coisas de volta nos alforjes. Saímos de Buenos Aires as oito e meia da manhã, um dia insuportavelmente quente, sem falar no trânsito louco, eita povo sem paciência, por tudo já estão buzinando, chega a dar nos nervos...rs, até parou um taxista perto da gente e começou a brincar que o trânsito deles era mesmo maluco, conversamos alguns minutos e seguimos.



          Pegamos a autopista com direção a Rosário, o plano inicial era tentar chegar a Mendoza, mas como era uma viagem longa, decidimos que ficaríamos em alguma cidade no caminho, foi então que em uma das paradas para abastecer a moto encontramos um senhor nos convenceu a passar por Cordoba, na verdade, essa cidade estava nos primeiros roteiros que fizemos, mas depois desistimos devido a enorme quilometragem. Conversa vai, conversa vem, e ele foi nos mostrando os motivos de não deixar de passar por aqui, igrejas e mais igrejas, claro. Aliás, aqui está a igreja mais bonita até agora, a Catedral de Cordoba, por fora não impressiona muito, mas por dentro, seus detalhes em ouro, o teto, tudo em volta, fala sério, chega realmente a impressionar a riqueza dos detalhes em cada mínimo lugar daquela igreja.

          Ainda conseguimos achar um bom hostel, o 3º nessa viagem, lugares muito bons para se ficar, e bem mais em conta do que um hotel. Como tinha falado antes, a única diferença é o banheiro que é compartilhado, mas os quartos são muito bons e todo o hostel é muito bonitinho. O hotel mais baratinho aqui achei por 100 doletas, enquanto estou pagando aqui 130 pesos, cerca de 61 dilmas.

          Amanhã seguimos em direção a Mendoza, a paisagem já vai mudar um pouco, espero, o frio deve tomar conta do dia, aqui em Cordoba já sentimos que o clima deu uma boa mudada em relação a Buenos Aires.



          Apesar de estarmos a somente 7 dias na estrada parece que faz meses e mais tempo ainda pra acabar, espero mesmo que não acabe tão cedo, estamos curtindo cada segundo dessa viagem maravilhosa.

          Bom enquanto é isso, hora de dormir... ahhh, tem as estatísticas...

          Km rodada: 802 km
          Tempo: 10h
          Gasolina: 65,81 litros
          Gastos do dia: R$ 411,25

          É isso ai galera, vão acompanhando daí que vamos viajando daqui... um abração a todos e vamo que vamo.

          Comentário

          • Renan Xavier
            Fazedor de Chuva
            • Jul 2011
            • 404

            #20
            8º Dia - Mendoza.AR

            Das curvas de Córdoba às retas de Mendoza, hoje foi só aventura. Estava lá no quarto, sem fazer nada, sapeando no mapa e de repente, meio que sem querer encontramos uma rota alternativa que parecia bem interessante, que ao invés de seguir as retas comuns aqui na Argentina, passava por entre às montanha, um caminho bem tentador. Depois de decidir seguir essa rota só faltava descobrir como fazer para chegar até ela, começamos a perguntar para as pessoas e o engraçado era que todos nos diziam para não seguir por ela, que era muito perigosa e que por passar entre as montanhas não nos ofereceria nenhum tipo de suporte, mas fomos teimosos, queríamos descobrir o que tinha de mais nessa rota que assustava tanto todo mundo, assim que saímos do hotel em Córdoba já perguntei a um rapaz que morava perto, ele já todo assustado falou para não ir por lá, voltar um pouco pelo caminho que viemos seria o mais viável, tanto porque não tinha posto de combustível como também porque era muito perigoso chegar até lá, porque passava por alguns bairros de Córdoba não tão seguros e também porque as montanhas tinham muitas curvas, não sei se isso me deixou mais fascinado por enfrentar tudo ou porque sou teimoso mesmo... rsrsrs, só sei que fomos. Pra sair de Córdoba e pegar este caminho foi um sufoco, tudo muito enrolado, passando por vários bairros, várias entradinhas, bocadas e mais bocadas, todos olhavam pra moto assim que meio espantados... rssrrsr, até paramos pra perguntar a algumas pessoas. Percebí que o preconceito também existe por aqui, o povo que mora “melhor” tem meio que uma preocupação com as comunidades mais carentes que moram ao redor da cidade, que por sinal foram muito atenciosos conosco, teve gente que chegou a parar o carro, descer e vir nos dar informação, disso não tenho do que reclamar, o povo argentina, inclusive o mais pobre é muito hospitaleiro.



            Só sei que depois de rodar um bocado conseguimos sair de Córdoba, saímos em direção a Carlos Paz, uma cidadezinha que fica no começo das montanhas, ao redor de um lago muito bonito por sinal, cidade turística, com casas em estilo europeu, muita gente pelas calçadas fazendo compras, assim como Campos do Jordão, seguimos então para a tão temida cadeia de montanhas que ninguém queria deixar agente ir. Antes disso uma paradinha no posto para abastecer (e encher o bidon, galão de gasolina), não queria correr o risco de ficar na mão por aqui, aliás, a Argentina inteira está em crise de gasolina, todos os postos estão lotados de carros, filas e mais filas pra abastecer, e só no 3º posto que consegui que colocassem no galão, pois devido a crise ninguém pode armazenar, só vendem o que couber no carro/moto ou até o limite de 100 pesos (divida por 4,20 pra dar em reais)...rs

            Então começamos a subir a serra, logo no início, uns 20km acima já ví um senhor a pé com um galão na mão, poxa, galão no meio do nada só pode ser falta de gasolina, voltei um pouco e perguntei se queria ajuda, óbvio que era isso mesmo, ainda bem que tava com meu galão cheio, ele pegou a metade e seguiu viagem.



            Seguimos viagem também e começaram as serras de verdade, fala sério, imaginava algo bonito mas nem tanto, mistura a Serra do Rio do Rastro com Chapada Diamantina, pois é, muito mais que isso, acho que nem as fotos podem transmitir o que vimos e sentimos neste trecho do caminho, rodamos cerca de 4h de viagem para rodar apenas 200km, todo cuidado é pouco, ainda mais com os ventos daqui que deixam a moto sempre quase de lado, olhava pra um lado aquela parede de rocha, pro outro, aquele desfiladeiro de mais de 500 metros com um vale cheio de rios e mais rios embaixo, cena de filme mesmo.

            Como nada pode ser perfeito, acabamos de descer as montanhas, não tinha mais opção, agora era só reta e mais reta, tédio, cansaço, ai ai... ainda bem que temos comunicadores, eu e a Karen fomos conversando por longos 200km de nada, mas nada mesmo, do lado esquerdo se via o horizonte, do lado direito dava quase pra enxergar o Ceará de tão longe que se via... nenhum posto no caminho, uma reta interminável.



            Depois de 400km de mais estradas chegamos a Mendoza, o clima começou a mudar, alguns pingos de chuva, poucos, nem precisou mudar nada... seguimos viagem no meio do parreiral de uvas, nos sentimos privilegiados em estar no meio das uvas mais famosas, os melhores vinhos argentinos saem daqui... não via a hora de chegar no hotel e procurar um restaurante pra provar essas belezuras... rsrsrs

            Chegamos a Mendoza umas 9h da noite, ainda tava tudo claro, isso é bem legal aqui, a noite demora a chegar e pode-se render muito mais... Achamos um hostel legal, hotéis aqui são muito caros, os hosteis são bons e pelo preço de um 3 estrelas no Brasil, aliás, acho que isso eu calculei errado, as coisas mudaram muito desde o ano passado, quando pagava a diária uns 50 a 80 reais, agora por menos de 100 você não encontra mais nada.

            Bom, só sei que foi assim, agora é pegar estrada, amanhã vamos pra Santiago no Chile, passar pela linda, terrível e assustadora Cordilheira dos Andes. Serão apenas 370 km de estrada, mas isso nos tomará o dia inteiro.

            Então vamos pras continhas do dia...

            Km rodada: 710 km

            Tempo: 12h

            Gasolina: 42,45 litros

            Gastos do dia: R$ 233,90

            É isso ai galera, vão acompanhando daí que vamos viajando daqui... só alegria e vamo que vamo.

            Comentário

            • Renan Xavier
              Fazedor de Chuva
              • Jul 2011
              • 404

              #21
              9º Dia - Santiago.CH

              Impossível não se surpreender cada vez que se atravessa os Andes, parece que cada viagem é uma nova aventura de verdade, o frio na barriga sempre acompanha quando penso em passar essa cordilheira maravilhosa, os Andes para mim não é somente uma meta a cumprir, é algo muito maior, sublime, algo que as palavras não conseguem expressar. A maioria dos motociclistas que conheço já vieram pra estas bandas, mais ainda pro Atacama, subindo pelo Paso de Jama, sim, confesso que é uma paisagem sem igual subir por lá, mas não posso deixar de falar sobre a subida aqui por baixo, seguindo por Mendoza até Santiago no Chile, nunca tinha atravessado por aqui, foi algo fantástico.

              Apesar de sempre querer sair cedo nunca conseguimos, a situação que criamos todos os dias em escrever os relatos, baixar as fotos das 2 máquinas, escolher algumas, subir pro site, postar as fotos com os relatos e bla bla bla é muito demorada, nos toma muito tempo, mas tenho certeza que vale a pena, porque muita gente está mesmo acompanhando e podemos servir de exemplo, ou mesmo de um exemplo a não seguir, dependendo do ponto de vista... rs, mas com toda certeza, estamos curtindo cada comentário que postam no face, nos fóruns que também comentamos, etc... cada apoio serve para nos dar mais força ainda e continuar nossa labuta maravilhosa que é fotografar esse mundão pela frente.

              Saímos de Mendoza já era umas 10h da manhã, pensava em sair bem cedo pra poder aproveitar os Andes, ir parando sempre que desse, tirar milhões de fotos e curtir cada momento, mas somente umas 12h da manhã é que estávamos a subir os montes de verdade, sair de Mendoza não foi fácil, trânsito maluco, ainda bem que todo mundo gosta de dar informação, e essa minha mania de não querer usar GPS nas viagens deixa tudo com mais emoção ainda, nada como um bom mapa onde eu possa ver tudo em volta e não somente uma retinha dizendo para onde ir. (odeio GPS)



              Já fomos preparados para frio, segunda pele é um assunto prioritário por aqui, apesar de estar fazendo um calor insuportável, senti na pele ano passado o que é estar em cima da cordilheira e passar frio, ele pode te matar lentamente se não tiver bem preparado, então, todo cuidado era pouco. Na subida já se avistava os monte nevados, bem ao longe, uma reta rumo a eles se iniciava, uma barreira da polícia chilena ainda na Argentina mostrava que seria bem cruel passar pro outro lado, barreiras e mais barreiras se seguiam, fomos passando por todas e nunca nos pararam, de repente nos vemos subindo, subindo, curvas e mais curvas, os monte gelados ficaram mais visíveis, mais perto, alguns do nosso lado, sinceramente parecia mesmo que era a primeira vez, sempre vai ser a primeira vez, quando via o rostinho da Karen também fascinada por tudo aquilo sentia mais alegria ainda, não tenho dúvida que somos privilegiados por estar num lugar tão lindo assim.

              De repente avistamos uma placa: “Puente de los Incas”, impossível não parar, fizemos a volta e entramos para ver o que era essa tal ponte, se era ponte mesmo... muita gente ao redor, muitos carros, algumas motos, um Hermano numa Kawasaki que já o tinha avistado num posto um pouco antes, e vimos aquela paisagem fenomenal, realmente era uma ponte, mas uma ponte natural formada por uma rocha cavada ao meio onde passava um rio, ao lado dessa rocha uma construção antiga, de pedra, onde se faziam banhos termais, ao fundo uma igrejinha antiga e aquele monte de areia com pedras soltas como background, não tinha cenário melhor, até pedi para alguns locais tirarem uma foto nossa, tinha que registrar esse momento.



              Alguns minutos apreciando tão linda obra da natureza colocamos a moto na estrada, não tanto, porque logo há uns 5km de distância dalí já avistamos o Monte Aconcagua, ou como pode ser literalmente traduzido Sentinela de Pedra, que é o ponto mais alto das américas com 6962 metros de altitude, não podia deixar de entrar no parque para tirar algumas fotos. Ao entrar percebí logo um mirador, mas tinha também um caminho fechado que seguia para mais dentro do parque ainda, na guarita de informações fui perguntar como eu podia entrar lá de moto, para tirar fotos mais próximas do monte, e por 20 pesos argentinos (10 reais) pude seguir de moto um pouco mais para dentro, uns 2km dentro do parque, de lá deixei a moto se segui andando por mais 1,5 a pé, assim pude tirar fotos mais interessante, pois o monte fica encoberto por alguns morros menores. A questão era que pra onde agente olhava ia ficando cada vez mais surpreso, tiramos milhares de fotos mas acho que nenhuma delas pode transmitir o que realmente vimos, um lugar ímpar, paisagens de calendário, aqueles que você ganha e nunca sabe onde fica... ficamos alí mais de 2h, andando, parando, conversando, admirando, não tinha como não gastar um tempo vendo tudo aquilo, pensar que está do lado de um ponto turístico que só se via nos livros de geografia na 5ª séria não tem preço.

              Depois de longas e deliciosas horas apreciando o Monte Aconcágua seguimos viagem, no caminho curvas e mais curvas, monte de areia com pequenas pedras cresciam ao nosso redor, linhas de trem desativadas dos dois lados da estrada, pedras em cima delas impossibilitando o acesso, desmoronamentos por todos os lados, mais pareciam empresas que vendem areia só que em escala astronômicas, um morro ao lado do outro, neve em cima deles e caindo para os lados, dava até vontade de subir um pouco para pegar na neve, impossível, claro.



              Enfim, chegamos à fronteira Argentina/Chile, depois de passar por inúmeros túneis que aliás a linha que divide estes dois países é dentro de um deles, mas na parte chilena que se encontrava a aduana, uma fila indiana enorme de carros se formava para passar nos guichês, ao parar na fila logo atrás de mim, pelo espelho, ví uma BMW bem parecida com a minha, o tanque já chamava a atenção, era a prima da minha moto, só que mais nova... rs. O cara deu uma buzinadinha e logo começamos a conversar. Nícolas, argentino de Mendoza, e sua garupa Daniela, numa BMW 1150 GS, com uma tonelada de coisas amarradas para ficar somente 2 dias...rs, brincamos um pouco com isso, aliás, ele brincou com sua garupa, porque dizia ele que tudo era dela... rs.

              Ele como conhecia todos os trâmites da aduana já falou para parar a moto fora da fila e foi a pé buscar os formulários, assim adiantamos muito a enorme burocracia que estagnou naquele lugar, depois de preencher 4 formulários, abrirem todas as nossas malas diversas vezes, conseguimos seguir viagem, agora tinha um companheiro de estrada, pelo menos até a divisa de rutas para Santiago e Valparaiso, para onde ele iria seguir.

              Muito bom viajar com alguém que conhece bem o lugar, tirei fotos de lugares que nunca iria arriscar entrar e que ele já conhecia, como o desfiladeiro em cima dos Caracoles, impressionante mesmo a forma como foi feita esta estrada, subindo e descendo caminhões o tempo todo, o Nicolas nos deu até uma interessante estatística, esta seria a pista com mais trânsito de caminhões no mundo, são centenas que passam por alí todos os dias, e caminhoneiros dos mais profissionais, pois subir os Caracoles com um caminhão carregado não é pra qualquer um, pelas fotos se pode ter uma boa noção do que estou falando.

              Na divisão de rutas nos despedimos, trocamos contato e seguimos para Santiago, uma paradinha para tomar um suco, mas olhem na última foto, o que será esse negócio boiando ai, mais parece um aborto... muito estranho de se ver, mas muito saboroso, uma mistura de coisas que não soube identificar e mesmo eu perguntando do que se tratava também não consegui entender, então vamos deixar assim, estava muito gostoso mesmo, geladinho, para o calor que já estava fazendo na parte de baixo dos Andes era tudo que agente queria, era só não olhar pra dentro do copo... rs

              Chegamos enfim em Santiago, depois de se perder um pouco para não sair da rotina, em uma placa dizia SANTIAGO, abaixo disso tinha ORIENTE, e em outra placa apontando para frente só dizia AL SUR, poxa vida, eu queria ir pra Santiago e não para AL SUR, então fui e fui errado, na primeira barreira de Peaje (pedágio) já me informaram do erro, mas poxa, eu não estava errado, só segui as placas, ai que saudade das placas de São Paulo, que se chega a todo canto de todo lugar, mas já mandei um email pra CET dar uma força por aqui.

              Na direção certa seguimos para Santiago, cidade enorme, trânsito mais louco que Mendoza, hotéis lotados, pousadas não existem na capital, hosteis somente com quartos compartilhados, impossível de ficar, a opção foi ficar em um hotel um pouco melhor, fora do nosso padrão, mas tá tudo bem, agora é só diminuir nas coca-colas pro resto da viagem... rs

              Vamos ficar mais um dia por aqui, muitas igrejas, muitas pesquisas, trocar pneu e óleo da moto, aliás, tenho que Cambiar azeite, rsrsrs. Mas a única coisa que quero agora é dormir, dormir até acordar, sem relógio pra despertar e sem hora pra sair amanhã...

              Falar nisso, uma última coisa... nunca peçam sopa num restaurante de hotel fresco, não é sopa, é apenas uma água com uns pedaços de peito de frango boiando, impossível comer, mandei voltar e fui comer um lancha lá fora do hotel, pobre é fogo, mas... tomar um copo de água de frango sem tempero por 20 dólares, isso nunca!

              Então vamos pras estatísticas que já estou morrendo de sono.

              Km rodada: 420 lindos km

              Tempo: 11h

              Gasolina: 17.75 litros

              Gastos do dia: R$ 564,97

              Bom, por hoje é só e amanhã tem mais, abração a todos e vamo que vamo.

              Comentário

              • Renan Xavier
                Fazedor de Chuva
                • Jul 2011
                • 404

                #22
                10º Dia - Santiago.CH

                Já estamos há dez dias na estrada, até parece que saímos ontem o tempo está mesmo voando, o pior é que não sei se o 10º dia é pra ficar feliz ou triste porque a viagem já está acabando, só faltam 50 dias...rs



                Acordamos cedo e depois de um café da manhã reforçado e de organizar algumas coisas para o site tomamos coragem e saímos para nossa missão de hoje, primeiro encontrar um lugar em que pudesse trocar o óleo e o pneu dianteiro da moto e depois ir visitar as igrejas. Procurei na net alguma concessionaria da BMW em Santiago e saímos à procura dela, o problema é que por ser sábado a maioria dos comércios da cidade fecham cedo ou nem abrem. E pra variar batemos de cara na porta, rsrs...Do outro lado da rua tinha um monte de lojas de moto, resolvemos ir até lá pra ver se conseguíamos alguma coisa (não custa tentar ne...rs), paramos em uma e como já era de se esperar eles não faziam esse tipo de serviço, mas indicaram uma outra loja próxima que poderia nos ajudar, então fomos até lá e a loja estava aberta, mas era somente loja de produtos e também não faziam isso e a loja do lado que fazia também estava fechada,rsrs... mas o casal lá era muito gente boa e nos indicou um outro lugar, um amigo deles que tinha uma oficina em casa, aliás, oficina nada, tinha uma loja inteira da BMW em casa, portão fechado mesmo, tinha de tudo, desde GPS original, a jaquetas BMWs, vou fingir que não entendi nada e bora trocar o pneu... Achei que fosse pagar mais barato, mas nem isso, paguei num pneu metzeller cerca de 200 dolares, mesmo preço praticado o Brasil, mas tá bom, problema resolvido. Infelizmente não deu pra trocar o óleo, vou ter que trocar na estrada, ainda aguento uns mil km, mas o quanto antes melhor.



                E ficamos pelo centro rodando e rodando, tirando fotos de igrejas e andando no meio a caótica feira livre nos calçadões entre as ruas.

                Então vamos as facadas...

                Km rodada: 45 km

                Tempo: 3h

                Gasolina: não abastecemos

                Gastos do dia: R$ 513,70

                Vou sair logo daqui, ô lugarzinho caro de ficar... tudo é caro em Santiago, o negócio é fugir mesmo pro interior... vou embora senão não volto pra casa... rs

                Abraço a todos e vamo que vamo.

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