Monte Caburai - Conquistando o Extremo Norte
Há alguns dias aguardava os GCFC Osmar e Terezinha que chegaram a Roraima para o desafio Bandeirante FC e Cardeal FC.
O Monte Caburaí se localiza no Municipio de Uiramutã e, como eu estou fazendo o Valente FC e também o Cardeal FC, decidi fazer este municipio na companhia dos mesmos.
De todos os municipios de Roraima, sem dúvida Uiramutã é o mais complicado, o que torna a conquista do Caburai ainda mais saborosa.
Partindo de Boa Vista, são 300 km de ida, dos quais apenas 160 asfaltado.
Com muitas subidas e descidas ingremes, sem pavimentação, eu já sabia que teríamos dificuldades pois este trecho sem asfalto leva cerca de tres horas para ser concluido nesta época do ano caracterizada pela falta de chuvas. No período chuvoso, que se estende de abril até setembro, não há garantias de se chegar e retornar são e salvo. Ou seja, o desafio é insano mesmo!
Combinei com o GCFC Osmar que partiriamos na tarde do dia 07, quinta-feira. Contudo, por necessidades profissionais, me atrasei e somente saímos de Boa Vista por volta das 15 horas tomando a BR 174 sentido Venezuela. A Boulevard ficou na garagem pois não há como ir para Uiramutã com uma moto custom. O jeito foi emprestar uma Lander 250 (espero que o dono não descubra por onde andei com ela ehehehe).
No KM 100 paramos para o abastecimento de gasolina "alternativa" (como não há postos ao longo desta BR, muitas pessoas sobrevivem do descaminho de gasolina trazida da Venezuela, onde compram a preços muito baixos e revendem neste local e até em Boa Vista).
Nome: Gasol alternativa Terezinha.jpg Visitas: 36 Tamanho: 96,7 KB
Depois do abastecimento percorremos mais 60 km e tomamos a RR 202 até a Vila Contão e depois a RR 171 até o Uiramutã.
Nos primeiros KM a estrada parecia boa e conseguimos manter média de 55 km/h até chegar no entroncamento Placas (onde começa a Reserva Indígena Raposa Serra do Sol).

Começava a escurecer e não havia outro jeito senão tocar em frente pois tínhamos percorrido 160 km de asfalto e apenas 58 km de terra.
Até ai tudo bem. Porém, a estrada começou a mostrar sua verdadeira cara. Muito pedregulho solto, muitas subidas e descidas na beira de precipicios que no escuro não dava para ver o fundo. Além disso, inúmeras pontes de madeira em mau estado de conservação. E tudo isso de noite. Coisa de malucos mesmo.
Depois de seis horas na estrada e tres de completa escuridão, só iluminada pelos farois das duas motos, avistamos as luzes de Uiramutã e comemoramos.
Tão logo chegamos, procuramos o Hotel Monte Caburai do Chico Tala (por sorte eu tinha reservado dois "apartamentos" com ar condicionado, um luxo na cidade).
Cumprimentei o Osmar e a Terezinha, pela expressiva conquista do Cardeal Fazedor de Chuva, e imagino que sejam os primeiros a desbravarem os quatro cantos do Brasil. Eu, por enquanto, me contento com a conquista da primeira etapa.
Nos acomodamos e o jantar que tinha sobrado era arroz frio, ovo caipira frito, carne, que confesso não saber de que bicho era. Um jovem, visivelmente bebado, nos pagou uma rodada de cerveja e de quebra, acabou jantando conosco.
Depois da janta regada a cerveja, o Osmar marcou território dos FC adesivando a caixa registradora do hotel.
Confesso que mal cheguei na cama e desmaiei.
O município de Uiramutã, situado nas coordenadas geográficas 60º 09' 93" de longitude Oeste e 04º 35' 68" de latitude Norte, antes denominado Vila do Uiramutã, pertencia ao Município de Normandia. Foi emancipado em Outubro de 1995.
É o Município mais ao norte do Brasil, compondo a tríplice fronteiraBrasil/Venezuela/República Federativa da Guiana. É também o Município com a maior população indígena do Estado de Roraima, subdividida em duas etnias - Ingaricó e Macuxi. A maior parte de sua população é indígena.
Dentre as diversas vilas existentes, as principais são: Água Fria, Mutum e Socó. Diversas condições desfavoráveis implementadas por várias décadas, contribuíram para a colocação da região de Uiramutã, aos mais baixos índices de desenvolvimento humano do Brasil (I.D.H).
Está situado no extremo norte do Estado e do País, numa das mais lindas regiões da Terra de Macunaíma, faz fronteira com dois países (Venezuela e República Cooperativista da Guiana).
Este município surpreende pela sua singularidade cênica e seu potencial turístico é indiscutível.
Principalmente, as cachoeiras com piscinas naturais possibilitando a prática de turismo aventura, dentre as cachoeiras se destacam as: Cachoeira do Aparelho, das Caveiras, das Andorinhas, Apertar da Hora, da Fumaça, Sete Quedas, Jauari, Tiporem, do Mutum, Rabo do Jacu e do Japó, dentre outras e o Pico do Sapã.
Possui inúmeras serras, dentre elas a Serra da Mara, Uarund Kaieng, do Maturuca, do Uailan, do Marari, Saporã, do Cavalo, do Rato e Serra Verde. Porém, as mais importantes são: Monte Caburai, que é o ponto mais extremo do norte do Brasil (olha o Cardeal aí gente), e onde se encontra a nascente do rio Uailã, e a Serra do Sol onde vivem os índios Ingarikó, privilegiados pela beleza do Monte Roraima, com 2.875 m de altura , da cachoeira do Rebenque e da Pedra de Macunaíma.
A maior parte dos quase 9 mil uiramutansense é indígena, distribuída em várias malocas que fazem parte da reserva indígena Raposa Serra do Sol.
A região é tradicionalmente rica em ouro e diamante e apresenta potencial para a pecuária e para culturas agrícolas tradicionais. Além desses aspectos, as belezas naturais do Município podem vir a transformá-lo num expressivo pólo turístico, representando sua principal vocação econômica.
Enfim, a criação do Município de Uiramutã coincide com término da prática de exploração mineral, que pôr várias décadas vinha sendo a principal atividade econômica da região, que era praticada sem nenhuma observância aos critérios de sustentabilidade social e ambiental. Em razão disso, é possível verificar uma diversidade de impactos ambientais negativos, ocorridos nos últimos vinte anos, em diversas áreas, a exemplo de áreas fragmentadas, rios assoreados, erosões, meios de produção insustentáveis, escassez da fauna e flora.
Notadamente, o recém criado Município restou apenas a difícil tarefa de reorganizar a economia redirecionando-a para que pudesse caminhar rumo à sustentabilidade econômica,
social, cultural e ambiental. (fonte: Seplan/RR).
No dia seguinte acordamos cedo. Tomamos o café e descartamos visitar cachoeiras (Uiramutã é conhecida como a terra das cachoeiras) pois nesta época do ano os rios estão secos e elas deixam de ser atraentes.
Mais uma vez recorremos ao abastecimento de gasolina em garrafas pois não há posto de combustível em Uiramutã.

Como de praxe, fomos até a prefeitura local para as fotos.

Também não foi novidade não encontrar placas que indicassem que ali era a prefeitura. De qualquer modo, fotografamos a placa na parede e conversamos com o secretário de administração (o prefeito estava em Boa Vista).

Aproveitamos ainda para içar o pavilhão nacional e tirar outras fotos do local.


E assim iniciamos a volta. No caminho com o dia claro nos demos conta do grau de dificuldade pelo qual passamos na noite anterior. Muitas subidas e descidas na beira de precipicios, muitos buracos e pedras soltas pelo caminho além das inúmeras pontes de madeira mal conservadas. Não bastassem estas dificuldades, é muito comum encontrar bois e cavalos que são criados sem cercas pelos habitantes locais, em sua maioria indígenas.


Depois de tres horas comendo poeira, chegamos à BR 174 e epois de outro reabastecimento no KM 100, chegamos a Boa Vista onde deixei o Osmar e a Terezinha no Consulado da Guiana para finalizarem a documentação para ingresso na Guiana.
Queria por último agradecer a companhia maravilhosa dos GCFC Osmar e Terezinha nesta etapa. Que Deus os abençoe e proteja-os nestas andanças pelo mundo.
Há alguns dias aguardava os GCFC Osmar e Terezinha que chegaram a Roraima para o desafio Bandeirante FC e Cardeal FC.
O Monte Caburaí se localiza no Municipio de Uiramutã e, como eu estou fazendo o Valente FC e também o Cardeal FC, decidi fazer este municipio na companhia dos mesmos.
De todos os municipios de Roraima, sem dúvida Uiramutã é o mais complicado, o que torna a conquista do Caburai ainda mais saborosa.
Partindo de Boa Vista, são 300 km de ida, dos quais apenas 160 asfaltado.
Com muitas subidas e descidas ingremes, sem pavimentação, eu já sabia que teríamos dificuldades pois este trecho sem asfalto leva cerca de tres horas para ser concluido nesta época do ano caracterizada pela falta de chuvas. No período chuvoso, que se estende de abril até setembro, não há garantias de se chegar e retornar são e salvo. Ou seja, o desafio é insano mesmo!
Combinei com o GCFC Osmar que partiriamos na tarde do dia 07, quinta-feira. Contudo, por necessidades profissionais, me atrasei e somente saímos de Boa Vista por volta das 15 horas tomando a BR 174 sentido Venezuela. A Boulevard ficou na garagem pois não há como ir para Uiramutã com uma moto custom. O jeito foi emprestar uma Lander 250 (espero que o dono não descubra por onde andei com ela ehehehe).
No KM 100 paramos para o abastecimento de gasolina "alternativa" (como não há postos ao longo desta BR, muitas pessoas sobrevivem do descaminho de gasolina trazida da Venezuela, onde compram a preços muito baixos e revendem neste local e até em Boa Vista).
Nome: Gasol alternativa Terezinha.jpg Visitas: 36 Tamanho: 96,7 KB
Depois do abastecimento percorremos mais 60 km e tomamos a RR 202 até a Vila Contão e depois a RR 171 até o Uiramutã.
Nos primeiros KM a estrada parecia boa e conseguimos manter média de 55 km/h até chegar no entroncamento Placas (onde começa a Reserva Indígena Raposa Serra do Sol).
Começava a escurecer e não havia outro jeito senão tocar em frente pois tínhamos percorrido 160 km de asfalto e apenas 58 km de terra.
Até ai tudo bem. Porém, a estrada começou a mostrar sua verdadeira cara. Muito pedregulho solto, muitas subidas e descidas na beira de precipicios que no escuro não dava para ver o fundo. Além disso, inúmeras pontes de madeira em mau estado de conservação. E tudo isso de noite. Coisa de malucos mesmo.
Depois de seis horas na estrada e tres de completa escuridão, só iluminada pelos farois das duas motos, avistamos as luzes de Uiramutã e comemoramos.
Tão logo chegamos, procuramos o Hotel Monte Caburai do Chico Tala (por sorte eu tinha reservado dois "apartamentos" com ar condicionado, um luxo na cidade).
Cumprimentei o Osmar e a Terezinha, pela expressiva conquista do Cardeal Fazedor de Chuva, e imagino que sejam os primeiros a desbravarem os quatro cantos do Brasil. Eu, por enquanto, me contento com a conquista da primeira etapa.
Nos acomodamos e o jantar que tinha sobrado era arroz frio, ovo caipira frito, carne, que confesso não saber de que bicho era. Um jovem, visivelmente bebado, nos pagou uma rodada de cerveja e de quebra, acabou jantando conosco.
Depois da janta regada a cerveja, o Osmar marcou território dos FC adesivando a caixa registradora do hotel.
Confesso que mal cheguei na cama e desmaiei.
O município de Uiramutã, situado nas coordenadas geográficas 60º 09' 93" de longitude Oeste e 04º 35' 68" de latitude Norte, antes denominado Vila do Uiramutã, pertencia ao Município de Normandia. Foi emancipado em Outubro de 1995.
É o Município mais ao norte do Brasil, compondo a tríplice fronteiraBrasil/Venezuela/República Federativa da Guiana. É também o Município com a maior população indígena do Estado de Roraima, subdividida em duas etnias - Ingaricó e Macuxi. A maior parte de sua população é indígena.
Dentre as diversas vilas existentes, as principais são: Água Fria, Mutum e Socó. Diversas condições desfavoráveis implementadas por várias décadas, contribuíram para a colocação da região de Uiramutã, aos mais baixos índices de desenvolvimento humano do Brasil (I.D.H).
Está situado no extremo norte do Estado e do País, numa das mais lindas regiões da Terra de Macunaíma, faz fronteira com dois países (Venezuela e República Cooperativista da Guiana).
Este município surpreende pela sua singularidade cênica e seu potencial turístico é indiscutível.
Principalmente, as cachoeiras com piscinas naturais possibilitando a prática de turismo aventura, dentre as cachoeiras se destacam as: Cachoeira do Aparelho, das Caveiras, das Andorinhas, Apertar da Hora, da Fumaça, Sete Quedas, Jauari, Tiporem, do Mutum, Rabo do Jacu e do Japó, dentre outras e o Pico do Sapã.
Possui inúmeras serras, dentre elas a Serra da Mara, Uarund Kaieng, do Maturuca, do Uailan, do Marari, Saporã, do Cavalo, do Rato e Serra Verde. Porém, as mais importantes são: Monte Caburai, que é o ponto mais extremo do norte do Brasil (olha o Cardeal aí gente), e onde se encontra a nascente do rio Uailã, e a Serra do Sol onde vivem os índios Ingarikó, privilegiados pela beleza do Monte Roraima, com 2.875 m de altura , da cachoeira do Rebenque e da Pedra de Macunaíma.
A maior parte dos quase 9 mil uiramutansense é indígena, distribuída em várias malocas que fazem parte da reserva indígena Raposa Serra do Sol.
A região é tradicionalmente rica em ouro e diamante e apresenta potencial para a pecuária e para culturas agrícolas tradicionais. Além desses aspectos, as belezas naturais do Município podem vir a transformá-lo num expressivo pólo turístico, representando sua principal vocação econômica.
Enfim, a criação do Município de Uiramutã coincide com término da prática de exploração mineral, que pôr várias décadas vinha sendo a principal atividade econômica da região, que era praticada sem nenhuma observância aos critérios de sustentabilidade social e ambiental. Em razão disso, é possível verificar uma diversidade de impactos ambientais negativos, ocorridos nos últimos vinte anos, em diversas áreas, a exemplo de áreas fragmentadas, rios assoreados, erosões, meios de produção insustentáveis, escassez da fauna e flora.
Notadamente, o recém criado Município restou apenas a difícil tarefa de reorganizar a economia redirecionando-a para que pudesse caminhar rumo à sustentabilidade econômica,
social, cultural e ambiental. (fonte: Seplan/RR).
No dia seguinte acordamos cedo. Tomamos o café e descartamos visitar cachoeiras (Uiramutã é conhecida como a terra das cachoeiras) pois nesta época do ano os rios estão secos e elas deixam de ser atraentes.
Mais uma vez recorremos ao abastecimento de gasolina em garrafas pois não há posto de combustível em Uiramutã.
Como de praxe, fomos até a prefeitura local para as fotos.
Também não foi novidade não encontrar placas que indicassem que ali era a prefeitura. De qualquer modo, fotografamos a placa na parede e conversamos com o secretário de administração (o prefeito estava em Boa Vista).
Aproveitamos ainda para içar o pavilhão nacional e tirar outras fotos do local.
E assim iniciamos a volta. No caminho com o dia claro nos demos conta do grau de dificuldade pelo qual passamos na noite anterior. Muitas subidas e descidas na beira de precipicios, muitos buracos e pedras soltas pelo caminho além das inúmeras pontes de madeira mal conservadas. Não bastassem estas dificuldades, é muito comum encontrar bois e cavalos que são criados sem cercas pelos habitantes locais, em sua maioria indígenas.
Depois de tres horas comendo poeira, chegamos à BR 174 e epois de outro reabastecimento no KM 100, chegamos a Boa Vista onde deixei o Osmar e a Terezinha no Consulado da Guiana para finalizarem a documentação para ingresso na Guiana.
Queria por último agradecer a companhia maravilhosa dos GCFC Osmar e Terezinha nesta etapa. Que Deus os abençoe e proteja-os nestas andanças pelo mundo.





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