Ushuaia - Duas Rodas e Um Sonho

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  • sergio pires
    Fazedor de Chuva
    • Aug 2012
    • 125

    #16
    Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
    Cap 8 – O Alicerce do Projeto


    A 3a. reunião foi na minha casa novamente, e o Macgyver ficou encarregado do jantar.
    Esta foi, sem dúvida, uma reunião das mais importantes até aqui, pois de fato, ao final dela, tínhamos um “projeto de viagem”, finalmente no papel e também porque, muitas decisões importantes foram tomadas nesta ocasião.
    É como a construção de uma casa, você tem idéia dos quartos, da sala, da cozinha, mas não sabe ao certo, onde e nem como começar.
    Mas quando as paredes começam a subir, você já começa a sonhar com os quadros e a cor das paredes.
    Assim é um projeto de viagem, algo para ser curtido, é muito prazerosa esta fase.
    Então, vou chamar esta reunião de “alicerce do projeto”, pois depois deste encontro, o projeto ganhou vida pelas decisões tomadas em conjunto.

    O sabor de cada assunto sendo tratado se confundia com o sabor dos vinhos e da excelente pizza que comemos enquanto ouvíamos conselhos e observações de todos, dúvidas, medos, enfim, tudo o que cerca uma viagem longa como a que pretendemos fazer daqui a três meses e meio.
    O cuidado extremo na escolha dos participantes sempre norteou o grupo, e uma frase dita pelo Joaquim , sintetiza todo este sentimento.

    “Temos de sair como irmãos, e cuidar, para não voltar como primos”.

    Não precisa dizer mais nada, muita gente quer ir, mas temos de cuidar para que o grupo seja coeso e muito mais do que coeso, seja fraternal.
    Sem dúvida alguma, realizaremos uma viagem com pessoas especiais, amigos de fato.
    Mas a frase do Joaquim deve estar sempre em nossas mentes a cada stress que com certeza, vão surgir lá na frente.
    Deste encontro, várias foram as decisões e recomendações tomadas em consenso:

    - A data da partida será – 26/12/2009, de Blumenau, as 06:00 h.
    - Todas as decisões e recomendações que envolvam Segurança e Manutenção, todos vão seguir o mesmo procedimento padrão, sem exceção.

    A decisão relativa a itens de segurança e manutenção tem por objetivo garantir que caso ocorra uma quebra ou um problema relativo na viagem, será por conta do acaso e não do descaso.

    Esta recomendação acima, embora pareça meio que imposição, e foi imposição mesmo, pois afinal, cada um viaja da forma que achar que deve, mas poderá fazer enorme diferença caso um problema apareça e o membro não tenha seguido a recomendação do grupo.
    Com certeza, o que menos queremos nesta viagem, é ficarmos estressados um com outro por motivo pequeno.
    Então, nada melhor do que estabelecer algumas regras já olhando para frente, e sabedores que somos que, nem tudo é festa em uma viagem longa e em grupo, então, tudo o que puder ser feito antes visando minimizar atritos, melhor.
    E foram muitas e importante as decisões tomadas neste sentido, desde pneus zerados e sem câmaras, até o tipo de roupa mais adequado para a viagem, passando por vacinas, documentação da moto e seguro.

    Estes momentos que antecedem uma viagem devem ser curtidos por todos os que pretendem realizar um sonho ou um desafio.
    Se aprende muito nesta fase, principalmente com os mais experientes.
    Esta de pegar a moto e sair sem destino, você pode chegar a lugar nenhum, ou sua viagem terminar em um ponto indesejável.
    Deixe isso para as estórias de cinema.
    Então, a discussão do grupo, a participação e o ajustamento de pontos de vista e idéias, é o primeiro passo, para uma boa viagem.
    Se isto fez ou não alguma diferença, só vamos saber lá na frente, quando estivermos de volta.
    Vamos conferir.
    De toda forma, como é bom estar junto de pessoas por quem temos amizade, são momentos alegres e de descontração, que todos nós precisamos praticar cada vez mais.
    A próxima reunião será na casa do Beber, onde já devemos ter o roteiro mais definido e também, outras decisões mais avançadas.

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    • sergio pires
      Fazedor de Chuva
      • Aug 2012
      • 125

      #17
      Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
      Cap 9 - O dia que viramos TOBAS


      O grupo PHD (Proprietários de Harley Davidson) nasceu em 2002 em um encontro realizado em Gramado-RS, tendo como objetivo, aglutinar motociclistas simpatizantes da lendária marca americana, com legiões de fãs, principalmente nos Estados Unidos da América (seu berço de nascimento), mas também aqui na América do Sul, conta com expressivo numero de motociclistas.
      Em comum, além de proprietários da lendária marca americana, cultivam a amizade e as viagens, e mais recentemente, incorporaram também em sua filosofia, a bandeira da solidariedade, cujas obras, começam a produzir efeitos positivos em alguns pontos do Brasil.
      Não tem presidente, nem sede, nem estatuto.
      Basta ser proprietário de moto da marca, se cadastrar no site (www.phd-br.com.br), e vir a fazer parte da grande família PHD.
      São vários encontros em diferentes localidades dentro do Brasil, e também na América do Sul e o PHD Chico, é o grande idealizador e líder do grupo.
      Como em toda agremiação, vão nascendo diversos sub-grupos em todo o Brasil e América do Sul, e um destes sub grupos é da cidade de Campo Grande.
      Este grupo se chama “Crazy Dog Toba Red”, incrível nome que nem os fundadores do grupo sabem ao certo o que significa, mas que para eles, tem um significado muito especial. Do seu site (http://crazydogtobared.blogspot.com/), retiramos sua filosofia:

      “Somos um grupo de animados motociclistas que curtimos a vida de uma maneira alegre, buscando manter um bom relacionamento, e amizade entre todos. O Grupo surgiu em 2000. O nome, "bastante criativo" foi dado pelo nosso saudoso colega Zé Barbosa. Hoje somos uma turma bem grande que cresce a cada ano, com excelentes companheiros. Nosso ponto de encontro é a Padaria das Garças, onde todo dia tem alguém por lá para bater um papo.”

      Os que fazem parte deste grupo são chamados de TOBAS e entre os amigos que estarão no grupo rumo ao Ushuaia, o Joaquim e o Toninho, vem deste grupo de Campo Grande.
      Em recente retorno de viagem de Araçatuba a Campo Grande, o relato abaixo demonstra toda espontaneidade e irreverência dos Tobas:

      “Onze motos, Toba-Móvel de apoio. Céu azul, protótipo da viagem perfeita. Quinze quilômetros de estrada e muda tudo. Joaquim com o pneu traseiro de sua HD, furado. Embarcados, ele e suas queridas... sua Xanxan e sua HD. Ninguém merece... Muito bem, sem maiores percalços, continuamos tranqüilos, com mudança de Road Captain. O escolhido então foi o Benoni, que de tão preocupado e cuidadoso, com seus companheiros, acabou esquecendo sua querida, num posto de abastecimento. Foi destituído do cargo.
      Ainda bem que Já estávamos voltando para Campo Grande após o maravilhoso encontro II GO WEST em Araçatuba, SP. O dia estava infernalmente quente, e nós paramentados com aquelas roupas pretas, pesadas e impermeáveis. As queridas passaram todas (éramos oito) para o Tobamóvel devido ao calor terrível, e os maridos não viam a hora de chegar em casa. Combinamos então que nos veríamos em Campo Grande para que eles pudessem andar mais rápido. Muito bem, nem bem andamos uns 15 quilômetros e então é a vez do Tobamóvel não agüentar o calor. O pobre começou a cortar o motor como que anunciando estar nos estertores da morte, sacolejando e soqueando até parar de vez. Socorro!! Estamos S.O.S. naquela estrada escaldante às 14:00 horas, longe de qualquer sombra!!! Mais que depressa a Regininha chamou pelos velozes esposos ao rádio... que nada, tão velozes que o rádio já não alcançava mais. Ficamos lá atônitas por uns trintas segundos até pintar a primeira reação. Resolvi ir para a estrada pedir carona, e fui muito disposta mesmo, abanei com a mão e só vi um caminhão desviando. Deixa estar, pensei, já sei como fazê-los parar. Chamei a Adelina que veio de pronto. (Ela é magrinha, loira e de cabelos compridos) Foi uma abanada e pimba!!!! Parou uma enorme carreta. Um simpático senhor Mário prontamente nos socorreu. E lá fomos nós, Adelina, Regininha e Cristina, uma trinca de distintas senhoras de carona numa carreta por uns 5 quilômetros até o próximo posto. Aí nos desdobramos, Regina foi arrumar um carro para buscar as queridas que ficaram no sol. Adelina foi arrumar um carro para rebocar o Tobamóvel até o posto e eu fui arrumar o telefone de um guincho na cidade mais próxima. Qual não foi nossa surpresa (agradável) ao vê-las chegando. Resumindo, filtro limpo, água fresca no radiador e muito ânimo, retomamos nossa viagem confiantes na breve chegada ao nosso destino. Mais uns seis quilômetros e... adivinhem? Cof, cof, cof... engasgos, sacolejos, tudo de novo até apagar completamente. Ai Deus, que desatino. Viajamos por tantos desertos, Atacama, Mojave, e vamos passar por isto aqui no nosso quintal???? E um pesar sombrio ameaçou cair sobre nós... (dá pra ouvir um fundo de música funesta?). De repente começamos a rir como adolescentes do ridículo daquela situação, e todo temor se desvanece. No fim acabamos nos dividindo em três carros e o Tobamóvel chegou rodando. Acho que ele estava mesmo era com muito calor e talvez, e apenas talvez, estivesse com um pouquinho de excesso de peso”.
      Escrito por Cristina, de C.Grande.

      Mas voltemos ao título deste capítulo.

      Do relato acima, um email foi enviado ao Joaquim e ao Toninho, parabenizando-os pela viagem e pelo relato do ocorrido:

      De: Pires
      Assunto: Crazy Dog Toba Red - Pifou o Toba Movel

      Pessoal
      Sensacional o relato da viagem dos Tobas a Araçatuba.
      Tem um trecho do relato que substituíram o Joaca por outro Road Captain, e ele ESQUECEU A ESPOSA NUM POSTO DE GASOLINA!!!!!!!

      Leia o relato da volta, você morre de rir... muito legal.
      Olha, estas queridas de CG são muito legais.

      PHD Pires


      E o Joaquim, ao responder a mensagem, se lembrou do Zé Barbosa, um dos fundadores do grupo dos Tobas, irmão de todos e fraternal motociclista, que hoje, nos abençoa lá de cima:

      De: Joaquim
      Assunto:RE: Crazy Dog Toba Red - Pifou o Toba Movel

      Pois é pessoal,

      Esses são "Os Tobas"... Não temos a disciplina e a perfeição das viagens programadas por estas bandas do Rio Itajaí. Mas seguimos felizes em nossa evolução anárquica acompanhados de nossas heróicas queridas! Entre mandos e desmandos, entre brigas e declarações de amores, seja lutando com um pneu que sempre teima em furar ou andando no "Tobamóvel" que velhinho como é dá conta do recado e mostra prá todo mundo o nome curioso do nosso grupo, que foi batizado por um louco querido, nosso santo, nosso guru, que hoje nos cuida lá de cima. Essa é nossa sina, nossa religião, e até que voltemos a encontrá-lo, enquanto tivermos forças, vamos continuar por aqui seguindo seus ensinamentos. São justamente as imperfeições que fazem deste grupo que ninguém sabe nem quantos são, a beleza que é.
      Eu tenho certeza que este grupo de amigos aí do Sul e que vamos viajar juntos ao Ushuaia tem pelos Tobas somente carinho e amizade.
      Quando o Pires levantou a bola, eu não resisti a dar uma filosofada.
      E de vez em quando me lembro emocionado... do Zé Barbosa.
      Na verdade considero meus sete companheiros que estão indo daí, verdadeiros Tobas.

      Grande abraço a todos,
      PHD Joaquim Toba

      Sem querer, neste dia, todos nós nos tornamos TOBAS, batizados que fomos, pelo Joaquim.
      Isto foi uma honra a todos nós, pois quem conhece os Tobas de C. Grande sabe que é um grupo especial e que tinha entre seus fundadores, o Zé Barbosa, que ainda hoje é reverenciado como um grande motociclista e figura humana.
      Foi um grande inspirador, uma pessoa especial, e hoje, todos o chamam de Anjo. Um Anjão que nos olha lá de cima, lá do céu.

      Que o Zé Barbosa esteja conosco rumo ao Ushuaia, olhe pelo grupo durante toda a viagem, e nos ajude a todos a seguirmos sua filosofia de vida: Simplicidade e Fraternidade.
      Afinal de contas, Zé Barbosa, a partir de hoje, graças ao Joaquim, todos somos também, TOBAS.

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      • sergio pires
        Fazedor de Chuva
        • Aug 2012
        • 125

        #18
        Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
        Cap 10- Os fazedores de Chuva


        Conhecemos um grupo de motociclistas que, recentemente, se reuniu em Itajaí-SC, todos viajantes e que se auto-intitulam “Os Fazedores de Chuva”.

        O título peculiar nos chamou a atenção, e por ocasião desta nossa viagem ao Fim do Mundo, iniciamos uma pesquisa para entender um pouco mais do significado deste título, até então desconhecido por nós.
        O grupo, formado por diversos motociclistas das mais variadas partes do mundo, tem em comum o amor pelas viagens em duas rodas, mas não viagens comuns e, sim, por longas e duradouras viagens de aventura.

        Será que nós, que vamos iniciar uma viagem longa e a um lugar tão especial como o Ushuaia, teríamos direito a algum título especial?

        Antes de responder a esta pergunta, procurei saber um pouco mais sobre os “Fazedores de Chuva”.
        Soube que faziam parte dos povos antepassados, que viveram na América ainda não descoberta.
        Os Fazedores de Chuva eram sacerdotes Mayas. Os Tz’utujiles os chamavam Nabe’ysiles.
        Acreditavam que tinham poderes de fazer chover ou fazer parar de chover.
        Em Atitlán, eram os intermediários entre suas comunidades e os deuses da chuva. Os Nabe’ysiles se encarregavam de pedir a chuva para que o povo tivesse boas colheitas.
        Uma estória contada de geração em geração, narra uma das passagens destes mitos que viveram entre nós por gerações, e eram venerados e adorados por seus povos.

        O titulo da estória é: “O Fazedor de Chuva” - autor – desconhecido.

        “Certo povo, sofria durante muitos anos consecutivos uma terrível seca. Apesar de que a comunidade solicitou em várias ocasiões os serviços de famosos fazedores de chuva, nenhum conseguiu solucionar o problema. Em uma última e desesperada tentativa os cidadãos do povoado decidiram pedir ajuda a um famoso fazedor de chuva de um país distante.
        Quanto este chegou ao povoado, armou sua tenda de campanha, entrou nela e desapareceu durante quatro dias.
        No quinto dia, a tão esperada chuva começou a cair com abundância, molhando toda a terra ressequida pela seca.
        Aos olhares incrédulos dos olhos de todos, os habitantes do povoado perguntaram ao fazedor de chuva como havia conseguido fazer aquele milagre.
        - O mérito não é meu, respondeu o fazedor modestamente. Eu não fiz nada.
        Diante daquela resposta, os habitantes do povoado exclamaram:
        - Não é possível! Quatro dias depois de você chegar começou a chover?
        - A primeira coisa que eu falei ao chegar, explicou o fazedor, foi que vosso povo não vivia em harmonia com o céu.
        - Eu somente harmonizei meu ser com o poder de Deus durante quatro dias e o céu nos presenteou com sua água de chuva”.

        Texto retirado e copiado da internet – autor desconhecido.

        Entendi então que, além de terem poderes especiais, os fazedores de chuva faziam algo que os diferenciava dos demais de seus povos.
        Por vezes, viajavam em terras estranhas e desconhecidas, á busca da chuva tão necessária para seus povos.
        A analogia com os Fazedores de Chuva viajantes da atualidade me fez agora sentido.
        São pessoas especiais, que buscam terras distantes e desconhecidas e pela grandeza de suas viagens, se tornam homens especiais.
        Não precisam de reconhecimento ou exposição pública, simplesmente tem em comum o espírito da aventura e a busca, não da chuva em si, mas do auto conhecimento e da harmonia do poder do grupo para com Deus.
        Então, seremos nós um grupo em harmonia com o céu?
        Se assim o formos, seremos merecedores do primeiro degrau da graduação.

        Voltando a reunião dos motociclistas de Itajaí, fiquei sabendo que o primeiro degrau é ser um “Fazedor de Garoa”.
        Faz jus a este título, todo motociclista que chegar ao... Ushuaia!

        Opa!!, então, ganharemos todos um título muito especial se realizarmos esta viagem ao Ushuaia.

        Seremos todos, “Fazedores de Garoa”.

        Do nosso grupo de viagem, o Chico e o Lelê já tem o título de Fazedor de Garoa por já terem ido e voltado de moto ao Ushuaia.
        O MacGyver quase, pois foi de moto e retornou de carro.

        No ano que vem o Chico e o Lelê planejam partir ao Alaska, e serão então do grupo, os dois primeiros e legítimos detentores do título de “Fazedores de Chuva”.

        Então, nos resta torcer para que nossa viagem seja coroada de êxito, e que voltemos de lá, todos legítimos “Fazedores de Garoa”.
        O que não imaginávamos a esta altura, seria a ligação desta estória com a surpresa a nós reservada no retorno para casa, mas que será contada lá na frente, no momento oportuno.

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        • sergio pires
          Fazedor de Chuva
          • Aug 2012
          • 125

          #19
          Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
          Cap 11 - Pedaços ao longo do caminho

          A 4a. reunião realizou-se na casa do Beber, novamente em clima descontraído onde enquanto tomávamos algumas garrafas de vinho, analisávamos os mapas e lugares onde vamos passar.
          As ausências dos amigos de Campo Grande e Florianópolis novamente foram sentidas, mas nada que a criatividade e o bom humor não resolvessem a questão.
          O roteiro completo elaborado pelo Chico foi então apresentado nesta reunião, detalhando os postos de gasolina, os hotéis, os locais onde vamos fazer as paradas, enfim, víamos a nossa frente a materialização do projeto e a divisão da viagem, as pernas que teríamos de vencer a cada dia e os dias de folga, onde dormiríamos e iríamos poder conferir as atrações de cada local.
          Claro, todos cientes de que em uma viagem longa, haverão imprevistos e que ao longo do caminho tem de ser ajustados.
          Mas vale a recomendação dos mais experientes, viagem longa, deve sim ter uma preparação bem feita e creio que estamos seguindo bem esta fase da viagem.

          Vencida esta etapa, era hora de pensarmos em como deixar marcada esta viagem para nós e para os amigos que vamos fazer e que vem ao nosso encontro ao longo da jornada.

          De fato, hoje em dia quando se fala em viajar de moto pela América do Sul, já há uma “rede de amigos” por todo canto.
          Isto tudo, fruto dos encontros internacionais em que alguns do grupo participam, e acabaram criando não só um laço de amizade, mas uma rede de apoio importante.
          Por isso, em várias cidades que vamos passar neste nosso projeto, haverá um ou outro amigo que já estiveram em encontros no Brasil ou então, alguém do grupo já os encontrou em reuniões no Paraguai, Argentina, Chile, Peru e Uruguai.

          Esta “rede de amigos” ao saber de sua viagem se prontificam a receber o comboio em suas cidades de origem, programarem passeios, um jantar com o grupo, ou então, um simples encontro em um posto de gasolina, nem que seja apenas para um aperto de mão e dizer “buena suerte”

          Não é incomum muitas vezes, protagonizarem histórias fantásticas, como viajarem kms e kms de distancia de suas casas, apenas para prestar socorro a alguém em pane ou quebra, assim como, desmontarem suas próprias motos para retirar determinada peça e emprestar aos que ali passam e com o imprevisto, ficariam na estrada sem o pronto socorro.
          Quem já recebeu este tipo de ajuda, sabe do que estamos falando.

          Esta é a grande diferença quando se viaja de moto ao invés do carro ou avião.
          A moto é uma verdadeira “fazedora de amigos”, pois quem viaja, sabe o que estamos dizendo: é só parar em um posto de gasolina ou hotel, que as pessoas chegam quase que naturalmente a lhe perguntar de onde veio, para onde vai, e se pode tirar uma foto em cima da sua moto.

          Se você tem a sorte de encontrar um outro motociclista então, o amigo está feito antes mesmo de retirar o capacete, pois motociclista de verdade, não cria barreiras ou tem algum tipo de preconceito, sabe e é conhecedor do espírito que rege esta doutrina.
          Uma vez conhecido, depois de alguns minutos de conversa, parecem que são amigos de longa data.
          Muitas novas amizades surgem deste modo, ou então, quando existem os encontros onde a reunião de velhos e novos amigos termina sempre com você acrescentando um novo em sua lista.
          E é assim que funciona no mundo todo, uns mais abertos outros mais tímidos, e é por isso, que somos especiais.

          Mas voltando a nossa reunião na casa do Beber depois do delicioso jantar, o grupo decidiu que teríamos uma camiseta exclusiva, assim como camisas, patchs e pins.
          Da escolha do tecido, até a confecção das camisetas e das camisas, seriam ainda alguns encontros e pesquisas.
          Alguém pode estar pensando neste momento: mas para que isto tudo?
          E a resposta é simples: É isso que diferencia um projeto do outro.
          Muitos viajam, muitos vão e voltam e fica o vazio.
          São ajudados pelo caminho, e em troca, um obrigado ou nem isso.
          Poucos deixam suas marcas e nosso grupo decidiu que deixaria sua marca por onde passasse.
          A camiseta, que iríamos conhecer o modelo em nossa próxima reunião, depois de usada na viagem, seria dada de presente a atendentes de hotéis, nos postos de gasolina, ou ás pessoas que cruzassem nossos caminhos, além dos amigos que iriam nos receber em algumas das paradas definidas.

          Seria uma forma carinhosa de deixar “pedaços de nosso projeto ao longo do caminho” e uma forma de agradecimento e reconhecimento aos amigos que se dispõem em nos receber e nos proporcionar momentos de alegria e companheirismo.

          Estas pessoas que ganharão estas recordações serão aqueles que ao olharem para a camisa ou camiseta, se lembrarão de um grupo de motos, vindas de longe, que por ali passaram e deixaram aquela recordação e, para eles, aquilo terá uma história e que terão de contar e recontar de como conseguiram ganhar aquela camiseta, aquela camisa ou aquele pin, que ninguém mais tem por ali.
          Parece nada, mas quem já presenteou uma pessoa humilde, ou alguém que o ajudou em momento difícil e viu o sorriso no rosto desta pessoa ao receber o presente, jamais esquece.
          Não há melhor forma de dizer obrigado do que dar a pessoa, sua própria roupa.
          E queremos ter e guardar estas boas recordações em nossa viagem.
          Por isso, a camiseta teria de ser linda, especialmente elaborada e única.

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          • sergio pires
            Fazedor de Chuva
            • Aug 2012
            • 125

            #20
            Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
            Cap 12 - Terminando a Preparação


            Pontualidade Britânica, 9:00 horas e o chamado para o jantar que já estava servido na casa do Chico, patrocinador neste nosso 5o. Encontro.
            Impossível não recordar do sabor e do aroma daquela deliciosa paella preparada com muito carinho e servida a todos os presentes.
            De quebra, um vinho argentino para acompanhar, aliás, tomamos muitos vinhos argentinos nestas nossas reuniões preparatórias, meio que já nos preparando e afinando os gostos, para os tintos argentinos e chilenos que, esperemos, virmos a degustar em nosso trajeto.

            Após o delicioso jantar preparado com muito carinho, nos restava dar os últimos palpites na camiseta, apresentada ainda em meio eletrônico pelo Chico, assim como, dar os palpites em qual o melhor tipo de tecido e modelo de bolso ficaria melhor para a camisa, e trocar idéias sobre o patch e do pin.
            O grupo ali reunido versava sobre todas as idéias apresentadas, e ouvia de cada um seus palpites:

            - Qual melhor local para afixar este bordado?
            - O que você acha de ser na frente da camisa?
            - Melhor na manga, de um lado o patch com o símbolo da viagem, do outro lado, o símbolo da Ruta 3, vai ficar lindíssima esta camisa!
            - E nas costas da camisa, bordado ou estampado?
            - O patch ficou perfeito, mas não fui eu que fiz não... apenas pedi para ser desenvolvido pela equipe do bordado.
            - Acho que cor dos olhos do “husky” não ficou boa. ...
            - Sensacional este pin, vamos fixá-lo na lateral da camisa...
            - Prefiro a cor preta para a camiseta, a cor preta com os desenhos claros ficará excepcional.
            - A camisa tem de ter manga longa, e 2 bolsos na frente.
            - Devemos bordar as bandeiras dos 4 países que vamos passar...

            E até o pessoal de Campo Grande e Florianópolis, mesmo á distancia, pode opinar e votar nos diversos modelos apresentados, tudo via email.
            Foi uma pena eles terem perdido esta fase, mas não havia como conciliar tudo.
            Ambas, camiseta & camisa, foram então “construídas” com os palpites e opiniões que iam sendo colocadas na mesa.
            Ao final, sobrou a satisfação do grupo ao ver os motivos, os desenhos e as cores apresentadas ganhando forma.
            Fica evidente que em um grupo, personalidades e habilidades completamente diferentes quando juntas em um mesmo propósito, o resultado só pode ser bom.
            Pessoas que nunca tiveram um contato direto com processo de produção e criação e design se viram obrigadas a irem atrás, conhecer e discutir lay-outs e amostras.
            Negociar preço, prazo de entrega e cuidar para que tudo fique pronto a tempo e agrade a todos.
            Por isso, todo este projeto foi para todos nós um grande aprendizado.
            A soma de talentos vence o preconceito, o objetivo comum, passa a ser a coisa mais importante.

            O que temos percebido até aqui é que este projeto de viagem tem nos ensinado muitas coisas que achávamos que já sabíamos, mas que na prática, não é tão simples assim.
            Desde o planejamento, aos poucos, vimos como é difícil um planejamento de um grupo, e quanto mais avançamos nesta fase, mais sonhamos com o dia da partida.

            Por isso tudo, já valeu a pena até aqui, por tudo o que fizemos e ficamos só imaginando o que está por vir e o quanto mais experientes vamos voltar desta nossa viagem.
            Esta fase está chegando ao fim, pois não resta muito mais o que planejar ou fazer.
            Foi uma fase fantástica, de muito aprendizado, amizade e companheirismo.
            Os próximos meses serão dedicados a preparação da moto, das roupas e dos detalhes discutidos nesta fase inicial.
            Agora não nos resta outra coisa a fazer, senão esperar e contar os dias para a partida.
            A fase de preparação está enfim, encerrada.

            O email abaixo, enviado pelo Chico bem depois, que ao ler este capítulo, relatou:

            De: Chico
            Assunto: Parabéns!

            Lendo estas linhas lembro-me das idéias, das discussões calorosas, e agora aqui fico imaginando como a cada dia aprendemos não só de impormos as nossas idéias, mais sim procurar dividi-las, ajustá-las, e mesmo modificá-las em prol do grupo, em prol da amizade, em prol da segurança, enfim aprendemos a convivermos em grupo, respeitando as opiniões de todos.
            Obrigado a todos

            PHD Chico

            Comentário

            • sergio pires
              Fazedor de Chuva
              • Aug 2012
              • 125

              #21
              Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
              Cap 13 - Transformando Limão em Limonada


              continuacao......


              Assim que este email circulou no grupo, o Joaquim Barbosa envia seus comentários, contribuindo também para que todos do grupo pudessem “aproveitar os erros dos outros e assim, diminuirmos as chances de cometermos os mesmos”

              De: Joaquim
              Assunto: Viagem de Moto ao Ushuaia.

              Senhores,

              Já tive oportunidade de viajar algumas vezes em grupo ao exterior. Tentei planejar o melhor possível. Mas a realização da viagem é sempre diferente da expectativa que fazemos. É da natureza humana que uns sejam sempre mais espertinhos, outros mais ansiosos, uns mais sem educação, outros mais solidários. Quando a questão é financeira as virtudes ou defeitos aparecem logo. O problema da disciplina nem sempre é observado porquê muitos de nós se acham muito velhos e realizados para serem tutelados.

              No caso específico deste projeto Ushuaia em que estou participando muito mais por um deslize do Beber do que por convite, resolvi que não deveria palpitar tanto no roteiro quanto nos detalhes da viagem. Há um ditado aqui na minha terra que diz "Quem anda na garupa não pega na rédea". Isso quer dizer que quando a gente pega uma carona num cavalo não temos o direito de decidir qual o rumo tomar.

              O grupo formado é muito interessante. Mas não resisto a fazer alguns comentários. Pelas minhas observações este projeto foi montado para realizar uma viagem bem legal ao exterior, coisa que o Pires por suas atividades profissionais nunca conseguiu fazer. Fez-se então uma democracia "sui generis". O Pires arregaçou as mangas e se pôs a trabalhar com método e aplicação similar ao que deve fazer no seu dia a dia profissional. E o Chico que verdade seja dita fez um detalhamento sensacional de cada dia da viagem, iniciou o seu processo de mando em que o discurso é democrático ou no mínimo murista, mas que não admite ser contrariado. Mas se alguém levantar a voz lá vem o bordão: "Quem quer tomar banho...". Acho o estilo direto do Pires mais eficiente e honesto, porém prometo obedecer cegamente os dois. O Lelê que chegou por último, oficialmente por obra deste anarquista, mas incentivado em off pelo Chico, trouxe no meu entender contribuição maravilhosa na formatação do roteiro uma vez que já esteve por lá duas vezes.

              Enfim acho este relato do pessoal do RJ interessante, porém todos nós temos muito mais experiência em viagens internacionais de moto do que tinha este pessoal e também nos conhecemos bem mais. Mas quero aqui sugerir a todos que quando as coisas não estiverem bem do jeito que cada um imaginou, que façam a conta do custo-benefício, que tragam no coração um pouco de humildade, generosidade, paciência e solidariedade. Porquê no fim o que fica prá sempre são os bons momentos e são estas proezas que vamos contar aos nossos netos...

              Um ótimo fim de semana a todos.

              PHD Joaquim já no espírito natalino Barbosa

              O Toninho, sendo muito mais prático, envia uma idéia a ser praticada e que todos achamos sensacional, pois ao pô-la em prática, poderíamos “transformar um limão em uma limonada”, literalmente.

              De:Toninho
              Assunto: Re: Viagem ao Ushuaia.

              Grande Chico!
              Este texto é de suma importância para todos nós!
              Retrata o dia a dia de um grupo viajando e convivendo por vários dias seguidos, onde os problemas aparecem sempre.
              E não é diferente de outros textos que já li.
              Mas acredito que nós temos varias vantagens em relação a eles, que é desnecessário detalhar aqui.
              Acho que sou um dos mais "esquentadinhos" do grupo, mas tenha certeza que tentarei de todas as formas, me comportar civilizadamente.
              Sugiro que tenhamos uma palavra-código, para ser usada no momento de uma possível discussão ou momento de tensão. A palavra poderia ser “PIRLIMPIMPIM”, ou outra qualquer.
              Ao ser dita está palavra, a pessoa que está nervosa, imediatamente deve dar um grande sorriso e com isso os ânimos se acalmam e a viagem segue.
              Que tal adotarmos esta idéia?

              PHD Toninho

              Á partir destes relatos de viajantes que passaram pela experiência anterior, nosso grupo se aperfeiçoa no aprendizado, e de certa forma, só isto já justificaria a vontade de todos em fazer a viagem e manter o espírito de companheirismo ao longo do caminho.
              Muitos são os motociclistas que preferem viajar sozinhos, justamente por haver esta falta de harmonia na maioria dos grupos, mesmo sabendo que uma viagem em grupo, com amigos verdadeiros, é muito mais marcante do que uma aventura solo.

              No nosso caso, só vamos saber se a experiência deu certo, no nosso retorno. Mas antes mesmo da partida, esta discussão sendo feita, mostra que vontade não vai faltar.

              Comentário

              • sergio pires
                Fazedor de Chuva
                • Aug 2012
                • 125

                #22
                Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
                Cap 13 - Transformando Limão em Limonada


                Quando se viaja em grupo, por mais que as pessoas se conheçam umas ás outras, há sempre um risco e uma preocupação em manter o grupo unido e fiel ao propósito, até o final da viagem.
                No nosso caso, isto também não poderia ser diferente.
                Ás vésperas do inicio da viagem, nota-se que o nosso grupo busca um auto-conhecimento, quase que automático. O assunto convivência durante a viagem nunca foi tratado explicitamente nas nossas diversas reuniões, mas mesmo assim, cada um de nós parece que antevendo que algum problema poderia ocorrer, busca de todas as maneiras, alertar a todos que, o mais importante é poder ir e voltar em harmonia, independente do que pudesse acontecer durante os dias de convívio que se aproximava.

                Um primeiro passo e muito importante, é o reconhecimento de que o NÓS será mais importante do que o EU, e que de alguma forma, cada um teria de ceder um pouco, mudar um pouco o seu jeito individual de ser, e poder contribuir para que a harmonia e o companheirismo do grupo, pudesse sempre prevalecer.

                Assim que o site do PHD divulgou o projeto de nossa viagem, vários foram os emails e mensagens de apoio enviadas, nos desejando sorte e uma boa viagem.

                Um deles, em especial, que o Chico nos encaminhou:


                De: CHICO
                Assunto: Viagem de Moto ao Ushuaia.

                Recebi estes comentários de um grupo que viajou ao Ushuaia, acredito que tudo que eles estão falando já foi abordado em nossos emails e reuniões.
                Aqui também ficou claro que as motocicletas/espírito de companheirismo têm que ser do mesmo tipo, porem é sempre bom lermos realidades e não apenas relatos floreados de viajantes deslumbrados.

                Foi a primeira vez que leio comentários tão fieis
                Leiam abaixo o relato do grupo deles
                Segue abaixo, relato que recebi:
                Abraço
                PHD Chico

                De: Autoridade

                PHD Chico & Amigos, tudo bem?

                Quanto à nossa viagem ao Ushuaia, ela ocorreu em janeiro de 2007 e durou um total de 36 dias. Durante o ano de 2006, um grupo de motociclistas aqui do RJ, se reunia uma vez por semana para preparar a viagem: roteiro, roupas, o que levar para as motos (pneus, câmaras, correntes, etc.).
                Discutia-se de tudo: quanto levar em dinheiro, consumo das motos, hotéis, acampamentos, possíveis patrocínios, comunicações, arrumação de bagagem, documentos necessários, etc.

                Quando saímos do RJ fomos entrevistados por uma emissora de televisão local e ao ser perguntado qual seria nosso maior desafio respondi que seria a convivência de 6 pessoas por cerca de 40 dias. Parecia que eu estava adivinhando o que estava por vir.
                O ideal seria que tivéssemos realizado uma viagem curta (2 ou 3 dias) para que conhecêssemos melhor nossos parceiros em uma situação semelhante.
                Não fizemos isso e foi um erro básico. Ali poderíamos ter visto o comportamento de cada um, a paciência, a solidariedade, o ritmo que o comboio poderia imprimir, entre outras coisas. Mas não fizemos isso, saímos do RJ no escuro.

                Já em viagem, todas as motos tiveram problemas e foram rebocadas pelo carro de apoio, o que demonstra que uma boa manutenção antecipada é fundamental para uma viagem como esta, assim como a decisão de levar o carro de apoio, no nosso caso, se mostrou acertada.

                Mas se fossem só os problemas mecânicos, nossa viagem teria sido maravilhosa, mas infelizmente, o maior problema não foi este.
                O maior problema foi a convivência de pessoas diferentes, com visão e propósitos que não eram comuns ao grupo. E para isto, não havia como contornar ou simplesmente, engatar a moto na carreta e resolver o problema. Para isto, não havia solução.
                Não, estando a tantos km longe de casa.

                Relato a vocês os principais deles, que ainda me lembro, e espero que possa servir para outros grupos e também para o seu, que se aventuram em viagens longas e possa ajudar a todos numa melhor preparação e, principalmente, para manter a harmonia do grupo:

                O primeiro problema: o ritmo do comboio, uns querendo viajar a 120/130 e outros a 90/100. Por fim prevaleceu uma velocidade entre 100/110 km. Mas sempre com reclamações sobre quem escolheu o ritmo mais lento.

                O segundo problema: o horário não foi combinado antecipadamente, assim era comum uma parte do grupo acordar por volta de 10 h da manhã e irmos para a estrada por volta das 11 h. Almoço ao redor das 13 h, descanso e quase sempre terminávamos por pilotar à noite, aumentando os riscos consideravelmente.

                Terceiro problema: o ronco de alguns componentes atrapalhando o sono de seu companheiro de quarto. Alguns se recusavam a dormir juntos, e nem sempre havia vagas disponíveis nos hotéis. Se conhecêssemos antes este problema, teríamos feito as reservas de forma diferente.

                Quarto problema: os espertos que arranjavam uma forma de ficar fora do rateio de despesas, que não ajudavam na arrumação da bagagem, no conserto de uma moto, na montagem do transportador, eram os primeiros a escolher os quartos ou as camas nos hotéis e pousadas.

                Quinto problema: a falta de solidariedade daqueles que deixavam para trás colegas em apuros na estrada, com a desculpa que iriam na frente para conseguir logo um hotel.

                Sexto problema: a arrogância daqueles que cometiam deslizes e não aceitavam uma crítica. Como os deslizes eram muitos, muitas eram as críticas o que levou a um racha no grupo.

                No décimo terceiro dia, o grupo rachou, metade dele foi para um lado, e metade para outro. Levou algum tempo para que as feridas se fechassem, e desta viagem, ficou uma grande lição a todos nós.

                Cuidados especiais:

                Vento: a região patagônica é uma planície propícia a fortes ventanias. Deve-se ter muito cuidado com a pilotagem principalmente ao cruzar com as enormes carretas que trafegam em alta velocidade. Ao parar em postos de gasolina pare a moto de frente para o vento, mesmo com motos mais pesadas, se parar de lado o vento derruba fácil.

                Gelo: dependendo da estação do ano é comum encontrar gelo na pista, pilote pisando
                Em ovos se não puder esperar derreter.

                Granizo: se você vir carros voltando buzinando e de farol ligado volte e procure abrigo por que deve ser uma chuva de granizo. Normalmente você pode enxergar as nuvens ao longe devido a topografia do terreno.

                Estradas: as estradas na região patagônica em geral são bem pavimentadas porém de pista única (mão e contramão) e, aparentemente, um pouco mais estreitas do que as nossas. Os acostamentos são de pedras soltas em declive e terminam em uma vala dos dois lados. Os carros, ônibus e carretas andam sempre em alta velocidade.

                Rípio: estrada de pedras pequenas soltas onde se deve pilotar com cuidado e diminuir a velocidade ao cruzar com outro veículo.

                Combustível: baratíssimo e de excelente qualidade, cuidado apenas que na região patagônica pois as cidades distam entre 150 a 200 km uma da outra e, às vezes, uma delas pode estar em falta de combustível. Mantenha sempre o tanque cheio.

                Polícia: a pior é a polícia Vial nas cidades que fazem fronteira com o Brasil (Entre Rios em especial). Trata-se de uma polícia a nível municipal altamente corrupta (eles usam um uniforme azul claro). Eles inventam qualquer infração e cobram em dólar (geralmente um absurdo). Eles dizem que se não pagar quando formos sair do país teremos de pagar (o que é uma tremenda cascata pois a alçada deles é municipal). Se vocês quiserem peitar, mande-os emitir o boleto. Uma outra técnica é, quando em grupo, alguém pegar uma filmadora e simular uma filmagem enquanto o policial está examinando os documentos de um do grupo.

                Meus amigos, por fim, recomendo fortemente a viagem.
                Vale a pena.
                São paisagens lindas e inesquecíveis.
                O povo argentino é de uma atenção fora do comum.
                Tivemos exemplos de desprendimento, de solidariedade, de amizade e de carinho que me deixam arrepiado todas as vezes que me lembro.
                Uma ótima viagem a todos.

                continua................

                Comentário

                • sergio pires
                  Fazedor de Chuva
                  • Aug 2012
                  • 125

                  #23
                  Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
                  Cap 14- Expectativas Iniciais


                  continuacao........

                  Do Joaquim, de Campo Grande

                  Hoje nosso escriba Sérgio Pires nos cobrou um texto sobre qual a expectativa de cada um com relação a esta viagem ao Ushuaia.
                  Comecei a procurar dentro das minhas emoções e sentimento quais eram minhas expectativas...
                  E elas são muitas.
                  O fato de percorrer locais desconhecidos, paisagens maravilhosas, desafios no rípio e no vento são as expectativas óbvias.
                  Estar cercado de bons amigos também.
                  Mas uma coisa nova me aflige!
                  Meu pai com oitenta e um anos me pediu seguidas vezes que fosse de carro, que talvez assim até eu pudesse ajudar meus amigos.
                  Me disse que não agüentaria se algo acontecesse comigo.
                  Eu expliquei seguidas vezes que se fosse de carro ao invés de ajudar estaria estragando a viagem de todos.
                  Mais uma vez, pela enésima vez estarei desobedecendo meu pai.
                  Mas não está sendo fácil!
                  Ele luta contra um câncer de pulmão e a quimioterapia o está deixando cada vez mais fraquinho.
                  Não tenho o direito e nem posso decepcioná-lo!
                  Espero abraçá-lo na volta e dizer: Não falei pai, que tudo ia dar certo?

                  É engraçado como vamos mudando a perspectiva de vida com o passar dos anos.
                  Coisas que simplesmente não eram importantes na juventude vão adquirindo significado especial com o amadurecimento.
                  A corrida louca da vida profissional vai dando lugar devagar a coisas como uma bela estrada, um por do sol magnífico, um dia de viagem cumprido.
                  A vida é muito rápida e quando não puder mais fazer uma viagem destas pilotando minha máquina, vou refazê-la diversas vezes a bordo de minhas lembranças.
                  São essas minhas sinceras expectativas...

                  PHD Joaquim Barbosa


                  Do MacGyver, de Blumenau:

                  Meus queridos amigos,

                  Considerando que a maior glória não consiste em nunca cair, mas levantar-se sempre e que embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim, pois afinal a vida é para quem topa qualquer parada e não para quem para em qualquer topada.

                  Transcrevo abaixo, um texto do Horácio Braun, que definirá meu espírito para nossa viagem.

                  "Se a gente encarar a vida com otimismo, será mais fácil alcançar a felicidade. Assim, ao olhar um jardim, veja as rosas entreabertas e nunca as pétalas caídas; guarda no teu olhar os brilhos de alegria e nunca as névoas de tristezas; conserva em teus ouvidos as palavras de amor e nunca as de ódio; relembra com prazer as escaladas e esquece as descidas; conta e mostra as medalhas das tuas vitórias e apague as cicatrizes das derrotas; olha de frente o sol que existe em tua vida e esquece a sombra que fica atrás. Ah... E nunca se esqueça que é no fundo da noite sem luar, no mais absoluto escuro, que as estrelas brilham mais intensamente."

                  Um forte abraço.
                  PHD MacGyver


                  Do Ivan de Blumenau

                  “Penso que esta viagem será muito especial. O roteiro, arquitetado com esforço e bem planejado pelos amigos, contempla várias cidades bonitas e paisagens estonteantes. Além da oportunidade de poder conhecer lugares que passam despercebidos pelos olhos do turista regular, o fato de viajar de moto proporciona uma experiência ímpar, pois se podem apreciar os contornos da estrada, bem como admirar a natureza local e sentir o vento batendo no corpo. Como se não fosse o suficiente, várias ocasiões inerentes à viagem de moto poderão ocorrer, tal como o furo de um pneu, o mau tempo inviabilizando a permanência na estrada, a quebra de alguma peça... São esses os detalhes que me chamam a atenção e me fazem pensar que a empreitada seja uma verdadeira aventura. Não posso também deixar de mencionar o seleto grupo de amigos que irá nos acompanhar. Alguns deles só estou conhecendo neste momento.
                  No entanto, já pude reparar que são pessoas companheiras, prontas para auxiliar em qualquer problema que se enfrente. A amizade já existente entre os mesmos é a força propulsora da coragem e ao mesmo tempo o elo da união, permitindo que qualquer desafio seja vencido.
                  Assim, a minha expectativa é a mais alta possível. Imbuídos todos do “espírito motociclista”, a viagem será rápida, ainda que extensa e revigorante apesar de cansativa.”

                  Um abraço.
                  Ivan Buatim


                  E finalmente, a minha expectativa,

                  Passados exatos 5 meses de preparação e planejamento desde a nossa primeira reunião, foram vários e diferentes momentos que eu vivi, relativo a esta nossa viagem.
                  Por vezes, achei que não daria para estar junto com vocês, tantos eram os acontecimentos e compromissos.
                  No lado profissional, alguns fardos muito pesados tiveram de ser suportados por mim nestes últimos meses.
                  Graças a Deus, e por Ele guiado, as coisas foram se acomodando aos poucos, e agora, estou em paz.
                  Procurei, confesso, fingir que estava tudo bem em várias reuniões e momentos, mas de fato, não estava não.
                  Estava agoniado, aflito, coração apertado.
                  Somente agora, quase as vésperas da partida, que pude ver aos poucos, a possibilidade de ir se desenhando de fato a minha frente, e acreditando, que a viagem esta se tornando real.
                  Sei que vou aprender muito com todos vocês, e neste período, o que de melhor me aconteceu foi exatamente ter tido a chance antecipada de preparar o meu espírito para “aprender a aprender”.

                  Quero voltar desta nossa viagem “mais confiante do que sou, mais humilde do que posso, e menos orgulhoso do que pareço”.

                  Um abraço sincero.
                  PHD Pires

                  Comentário

                  • sergio pires
                    Fazedor de Chuva
                    • Aug 2012
                    • 125

                    #24
                    Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
                    Cap 14- Expectativas Iniciais


                    Passados alguns dias após o término das definições e preparativos, marcamos um jantar de encerramento lá em minha casa.
                    Desta vez, seria um jantar diferente, pois pela primeira vez, teria a presença de todos os participantes junto com todas as queridas.
                    Seria uma festa e de fato, foi maravilhoso receber todos os amigos vindos de Campo Grande, Florianópolis e todos os de Blumenau.
                    Antes do jantar, uma oração aos pés do Menino Jesus, visto que estamos a poucos dias do Natal.
                    Uma deliciosa paella, devidamente preparada pelo Chef Santo Silveira, um professor de gastronomia aqui de Blumenau que se dispôs a levar todos os apetrechos lá para casa, e preparar o prato na hora para todos.
                    Ao final do jantar, a apresentação oficial da camiseta, da camisa, dos pins e adesivos a todas as nossas queridas, que puderam curtir um pouco o final dos preparativos.
                    Iniciou-se agora, de fato, a contagem regressiva.
                    Camisas, camisetas, pins, adesivos, lista de materiais, revisões nas motos e roupas, tudo pronto.
                    Todos sabiam o que fazer, o que levar e os preparativos seriam, a partir dali, por conta de cada um.
                    As musicas de Natal ouvidas nas praças e ruas, anunciavam que a viagem, de fato, se aproximava, e muito rápido.

                    Então, nestes dias que antecederam a nossa partida, provoquei aos amigos a escreverem um pequeno trecho, contanto da sua expectativa para a viagem.

                    Estes relatos refletem o coração de cada viajante, e não poderiam ficar de fora deste nosso livro.

                    Do Toninho, de Campo Grande:

                    Meus amigos!!
                    Quando o Pires pediu para que todos escrevêssemos um texto com o título: "MINHA EXPECTATIVA DESTA VIAGEM", gelei.
                    Logo eu, um caipira, tendo que colocar em letras, o que me passa no coração?
                    Como colocar no papel todos os preparativos desta viagem, a ansiedade da partida, a conferência repetitiva dos itens a levar, das providencias a tomar, das recomendações a deixar e etc, etc, etc,?.
                    E a viagem em si:
                    Me imaginando viajando por estradas desertas, praticamente por "mares nunca dantes navegados"
                    Passar por caminhos onde poucos se atreveram a ir e mostrando para mim mesmo que: “sim eu posso"
                    Vendo belezas impares em cada instante e gravando imagens que ficarão marcados em minha memória para sempre.
                    Pilotando por horas a fio, talvez sob chuva ou frio, e nas longas retas da Patagônia, aproveitando para analisar, no silêncio e na solidão de meu capacete, e passar a olhar as coisas por outros ângulos, desde a essência de minha vida, e talvez com isso, poder me aperfeiçoar e até mudar conceitos, prioridades de hoje, e sei lá o que mais.
                    Portanto, tenho absoluta certeza que esta viagem será maravilhosa, cheia de lugares de tirar o fôlego, novos amigos pelos caminhos, confraternizações entre os participantes, os quais, com certeza, ao final da viagem, continuarei chamando-os todos de IRMÃOS.

                    PHD Toninho

                    Do Lelê, de Florianópolis:

                    Pois é meus amigos, como a vida nos ensina.
                    Em Setembro de 2003 me aposentei das atividades profissionais e defini um rumo na minha vida: VIVÊ-LA INTENSA E PLENAMENTE!
                    Como? De que modo?
                    Bom... Como ela me direcionasse; em cada cantinho.
                    Minha liberdade começou no dia 25 de Setembro de 2003 e já no dia 26, dia seguinte, me pus a viajar de moto Florianópolis a Cusco.
                    Parecia fácil... e foi, embora alguns contratempos.
                    Endurecido pelo tempo no trabalho, aprendera a mandar, orientar, definir, ter sempre razão!
                    Viajei em grupo... éramos quatro! Chico, Dov, Della Giustina e Eu.
                    Nesta viagem, comecei a aprender muitas coisas importantes e a mais importante delas foi que não somos onipresentes, não somos os únicos a saber, a definir, a decidir e que temos que aceitar, acatar, participar para acompanhar a outrens.
                    Aprendi ali, que a vida nos propicia momentos de belezas infindas, mas temos que notar, saber á-er estas belezas e saboreá-las, aproveitá-las, olhando também com os olhos do grupo
                    Sozinho, na imensidão da natureza ou rodeado de bons, velhos e queridos amigos, sempre encontraremos ao nosso lado a energia DIVINA e em grupo, espargida do calor humano e irradiado pela aura da amizade que nos fortalece e libera centelhas, uma aura de FELICIDADE e de ALEGRIA nos envolverá.
                    Em mais dez dias, sairei de novo em uma promissora viagem de moto, acompanhado de oito amigos Sergio, Chico, Beber, Alfredo, Ivan, Joaquim, MacGyver e Toninho
                    Iremos passear no FIM DO MUNDO.
                    USHUAIA... última cidade ao sul da America do SUL... FIN DEL MUNDO.
                    De novo quero alcançar uma perene participação, aceitação, compreensão e acima de tudo, colaboração para com tudo e todos.
                    Já disse anteriormente, no livro do 7º Encontro de Harleyros de Blumenau, que o motociclismo de lazer nos propicia isso e o nosso querido GRUPO DO PHD, que de novo me acolheu, nos direciona e permite a proximidade da PAZ e da SATISFAÇÃO PESSOAL, que sempre libera belíssimos sorrisos, em viagens acompanhadas de amigos.
                    Pretendo, dentre nós, ser um dos alegres e felizes participantes, desfrutando as belezas que virão e desejo que todos tenham a mesma possibilidade de alcançar como presente deste Natal, a BEM QUERENÇA entre abraços de todos nós.
                    Que Deus nos acompanhe e nos permita acordar cantando, dormir sorrindo e sonhar descansando!

                    PHD "com a voz embargada" Lelê.

                    continua.......

                    Comentário

                    • sergio pires
                      Fazedor de Chuva
                      • Aug 2012
                      • 125

                      #25
                      Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
                      Cap 15 - Refazendo Minha Bagagem


                      Hoje, aprendi uma grande lição, antes mesmo de dar partida na minha moto e de ter andado o primeiro metro, de uma viagem programada para mais de 12.000 km, e que se inicia daqui a poucos dias.
                      A vida profissional nos forja de maneiras diferentes, e dependendo do tempo desta "forja”, nos esquecemos de nós mesmos, nos esquecemos de olhar em volta e nos fixamos muitas vezes, em nossas próprias crenças, e as defendemos como se fossem as únicas.
                      Tudo começou hoje, quando estava com o Chico em seu escritório e comentei com ele sobre a lista de roupas e acessórios que eu havia preparado e da forma como havia arrumado as bagagens em minha moto.

                      - Pires, acho que você poderia circular esta sua lista para todos os companheiros de viagem.
                      - Assim, se alguém estiver esquecendo-se de alguma coisa, vai lembrar.
                      - Faça isto que eu também vou circular a minha.

                      Pensei um pouco antes de fazê-lo, mas concluí que poderia ser sim uma boa idéia de enviar uma mensagem aos amigos do grupo, informando a “minha” relação de itens que pretendia levar em minha bagagem.

                      Na minha visão míope, pensei que estaria ajudando aos amigos do grupo em algum item essencial que porventura eu tinha posto e minha tão bem organizada bagagem, e o amigo parceiro poderia ter se esquecido.
                      Pensei que enviando a minha lista, tão bem pensada, tão colorida, detalhada ao extremo, onde passei vários dias trabalhando qual seria a melhor maneira de arrumar nas maletas, onde colocaria cada coisa.
                      Era como em um projeto, detalhado, pensado nos detalhes minuciosos.

                      Na manhã seguinte, abrindo o correio eletrônico, algumas respostas ao que foi enviado puderam ser lidas e logo me apressei em abri-las, pois agora, eu poderia ter me esquecido de algo e enfim, iria me socorrer.

                      Dentre elas, uma resposta que eu jamais esperava, e que me ensinou uma lição, a primeira delas, nesta nossa viagem.

                      Havia sido escrita e enviada pelo Beber, e dizia o seguinte:







                      De: Beber
                      Assunto:RE: Minha Bagagem

                      Amigos.
                      Ontem à noite resolvi arrumar minha bagagem.
                      Parei em frente ao armário, olhei para as bolsas da Harley e fiquei imaginando o que levar para essa viagem.
                      Separei uns "trapos" já surrados para jogar no lombo, apartei um bom escocês e alguns Cohibas.

                      De resto, enchi os alforjes com muita amizade, parceria, tolerância e fraternidade.
                      Achei um espaço naquele porta trecos que vai ali na frente, perto da "bolha". Não é muito espaçoso, e lá consegui colocar os pequenos desassossegos que me perturbam, os vícios que luto para me desapegar, os sentimentos mesquinhos que por vezes me invadem. No silêncio da estrada, entrecortado apenas pelos sons da natureza, encontrarei o ambiente ideal para deles me desfazer. Escolherei um local bem longe daqui, onde ninguém possa encontrá-los. Desapegando-me dessas deformações que me importunam, arrumarei novos espaços, não mais na bagagem, mas no meu coração, e nele pretendo armazenar ta energia positiva, as boas lições, o aprendizado e a amizade de todos vocês.
                      Em resumo, é isso que estou levando...
                      Forte abraço.

                      PHD Beber

                      Li o texto acima algumas vezes durante o dia, e refleti muito.
                      Chegando em casa, me sentei em frente a minha moto, e por longo tempo olhei fixamente para as malas já arrumadas nos bagageiros.

                      Tinha arrumado tudo o que imaginava fosse necessário para o conforto e segurança do meu corpo.
                      Mas havia me esquecido o principal, da minha alma, da oportunidade da renovação espiritual, de deixar as coisas ruins bem longe, de refletir sobre pontos que precisam ser trabalhados em mim mesmo.

                      Não me restou outra alternativa a não ser refazer minha bagagem.

                      Obrigado ao Beber, por ter me ensinado a primeira lição desta viagem, antes mesmo de dar a partida na minha moto.

                      Comentário

                      • sergio pires
                        Fazedor de Chuva
                        • Aug 2012
                        • 125

                        #26
                        Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
                        Cap 16 – Um último elemento

                        A expedição toda foi montada de forma a poder ser acompanhada dia a dia, no site dos PHD’s (www.phd-br.com.br) e para isto, 10 dias antes da partida, o Chico resolve publicar no site, o nosso roteiro e o projeto completo, com as rotas GPS, pousos, postos de abastecimento, enfim, todos os detalhes possíveis e imagináveis.
                        Isto para que os visitantes do site, que são muitos, pudessem conhecer o projeto antecipadamente e acompanhar o desenrolar da viagem praticamente ao vivo.

                        Quando publicado no site, o Joaquim o alertou de que muitas pessoas viriam o projeto e poderiam solicitar a participação, e ficaria difícil dizer não, haja vista que o grupo de PHD´s ser uma comunidade com membros não só no Brasil, como em toda América do Sul, e todos se conhecem.

                        E não deu outra.
                        Dois dias depois de publicado no site do PHD o projeto e roteiro, do Chile chega um email ao Chico de um tal de PHD Pastor Solitário, dizendo:


                        De: Ricardo
                        Assunto: Fin do mundo

                        Salve, Chico!!!
                        Me aceitariam como parceiro para a viagem no Fin do mundo?
                        Aguardo resposta.
                        Aquele abraço.

                        PHD Pastor Solitário - Ricardo - Chile

                        E o Chico, que é muito educado e não sabe dizer não a algum pedido de um amigo, ao invés de cortar o assunto ali mesmo, e responder que o grupo estava fechado, que havíamos tido um período longo de preparação e tal, resolve não fazê-lo, e envia a seguinte resposta ao Ricardo:

                        De: CHICO
                        Asunto: Re: Fin do mundo

                        Boa tarde meu querido amigo.
                        Qual a sua idéia?
                        Estaremos chegando ao Ushuaia no dia 02 de janeiro, a programação esta toda no site.
                        Mande a sua idéia e o seu roteiro.
                        Um grande abraço
                        PHD Chico

                        E, claro, era o sinal que o Ricardo aguardava para se juntar ao grupo,

                        De:Ricardo
                        Assunto: Fin do mundo

                        Olá Chico.
                        Minha idéia seria encontrar vocês em Bs As. ou Bahía Blanca e viajar junto todo o trajeto.
                        Daí seguir com o seu roteiro na volta até Bariloche, desde onde me separaria do seu grupo, para regressar a Chile por Osorno.
                        Aguardo resposta.
                        Aquele abrazo.
                        PHD Ricardo


                        O email do Ricardo datava de 17 de dezembro, ou seja, apenas 9 dias antes da partida do grupo aqui do Brasil.
                        O Chico então resolve compartilhar conosco o problema criado, para tentar buscar uma solução, do que denominou “O Conflito”:

                        De: CHICO
                        Assunto: Conflito

                        Bom dia meus amigos.
                        No Brasil resolvi todos os casos de amigos que gostariam de ir junto.
                        Porem aqui se tornaria um incidente internacional.
                        Gostaria da opinião de vocês.

                        PHD Chico tentando evitando uma guerra internacional com o Chile

                        Quando li o email do Chico, fiquei indignado, pois havíamos combinado certinho o grupo e via que de nada tinha adiantado, pois a publicação do projeto no site havia aberto a possibilidade de se formar um trem enorme na viagem e por tudo a perder.
                        E o pior é que estávamos ás vésperas da partida, então, qualquer membro novo a esta altura do campeonato, poderia significar o fim do nosso projeto.
                        Começou tudo de novo!, pensei.
                        Se este chileno se juntar a nós, fico imaginando quantos argentinos, uruguaios, bolivianos se juntarão?
                        O projeto vai literalmente imergir.
                        O grupo, assim como eu, também reagiu fortemente à entrada de um novo membro a aquela altura, e também disparou emails ao Chico.

                        A primeira manifestação foi a minha, e não foi nada cordial, pelo contrário, foi cheia de veneno.

                        De: Pires
                        Assunto:Re: Conflito

                        Caro Chico
                        Vou dar minha opinião sincera.
                        Muitos amigos nossos daqui, inclusive de Blumenau, Florianópolis e de Campo Grande gostariam muito de estarem indo junto conosco, e de uma forma simpática e elegante, dissemos que “não daria”, pois havíamos definido o tamanho do grupo.

                        Portanto, não muda nada o seu amigo ser daqui, do Chile ou da China.
                        Minha posição continua a mesma.
                        8 motos, 9 amigos que se conhecem, viajando juntos ao Ushuaia.
                        Como ele é teu amigo, sugiro vc resolver a questão e não nos envolver.
                        Claro, esta é minha opinião, e vou acatar o que a maioria decidir.
                        Abraço

                        PHD Pires

                        Logo depois do envio do meu email, praticamente todos os participantes se pronunciaram

                        De: Buatim
                        Assunto: Re: Conflito

                        Concordo com o Sergio

                        PHD Buatim

                        De: MacGyver
                        Assunto: Re: Conflito

                        Bom dia Chico e aos demais queridos, também!
                        A esta altura das comunicações entre você e o Ricardo me parece inevitável a adesão!
                        E com certeza outras ocorrerão, tipo dos 14 do Paraná que cruzarão com a gente em Comodoro Rivadávia.
                        Eu não vejo maiores problemas DESDE QUE o nosso grupo original, ou seja, os 9 "moicanos", permaneçam coesos e ajam como uma "massa única".

                        Um forte abraço a todos.
                        PHD Vanderson Contornando o Impasse Vendrame


                        De:Toninho
                        Assunto: Re: Conflito

                        Bom dia amigos
                        Sou obrigado a concordar com o Pires, pois se começarmos a deixar crescer o "trem”, começaremos a ter problemas, tais como, atraso nos abastecimentos, lotação nos hotéis, etc...
                        Como o Chico é conhecido, e tem algumas satisfações a dar por causa do PHD, sugiro que nós, os outros, arquemos com o ônus de disser NÃO a quem queira entrar no comboio.
                        Sugiro ainda, que o Chico faça um tipo de comunicado para todos que queiram se juntar a nós, informando da decisão do grupo, e também colocando abertamente esses problemas.
                        Acredito que um comunicado sincero fará com que todos entendam esses problemas, e que não entender...
                        PHD Toninho


                        De: Beber
                        Assunto: Re: Conflito

                        Amigos.
                        Permito-me fazer um comparativo que talvez não devesse ser realizado, pois envolve nosso amor pelas motos com a atividade profissional
                        Explico: na minha vida, como magistrado, tive que decidir inúmeras vezes contra os interesses de pessoas conhecidas.
                        E assim o fiz por obediência às leis, às normas, aos contratos, aos estatutos, aos acordos, etc...
                        Pois bem, nosso grupo, após a adesão do Joaquim, do Toninho e do Lelê, "FECHOU" questão quanto à inviabilidade de qualquer outro integrante no trem.
                        Com ou sem conflito internacional, quero deixar minha posição CONTRÁRIA a essa nova adesão. E o faço com absoluta tranqüilidade.
                        Sei que não estou magoando o Chico ou qualquer outra pessoa. Temos um grupo, assumimos compromissos entre nós, e qualquer forma de burlar o que ficou convencionado abrirá sério precedente para uma dissidência futura.
                        O chileno até pode ser um grande cara, um sujeito prestativo e muito bacana. Sucede que nós temos por aqui grandes personagens que também gostariam de ir e não tiveram acesso ao grupo. Nem por isso ficaram aborrecidos.
                        Estou dando por encerrado esse assunto.
                        Abraço a todos.
                        Jorge Sempre Coerente com as Regras Beber.

                        De:Joaquim
                        Assunto: Re: Conflito

                        Senhores,

                        A questão é complicada. Exatamente prevendo isso sugeri ao Chico que não publicasse o roteiro no site. Agora fica o impasse: Negar a qualquer cidadão livre o direito legítimo de circular pelas estradas argentinas e chilenas nas mesmas datas e horários nossas que estão detalhadas no site e assumir o ônus da antipatia do ato e até da ineficiência da negativa (alguns poderão teimar e fazer a viagem já que está toda mastigadinha no site) ou liberar geral e ver o que acontece?

                        Mas há uma terceira via que aprendi no exercício preparativo desta viagem com os irmãos do sul: Quando não se está de acordo com alguma coisa faz-se um silêncio sepulcral (lembram-se do meu festivo convite ao Lelê?).
                        Quem sabe não seja a hora de se aplicar um silencio sepulcral no hermano chileno (embora não tenha funcionado com o Lelê...)?

                        Grande abraço a todos,
                        PHD Joaquim assistindo de camarote Barbosa

                        Pelas manifestações de todos os integrantes do grupo, uns mais radicais e outros em tom mais conciliador, mas o importante era que a opinião unânime do grupo era contrária a entrada de mais um membro, e que ninguém estava disposto a aceitar mais gente as vésperas da partida e com risco de por o projeto a perder.

                        Mesmo que isto viesse contra os interesses do grupo PHD, visto que de fato, o Toninho ao se manifestar disse que o Chico, por ter muitos amigos e responder pelo PHD, certamente teria mais dificuldades em dizer não, e este ônus nós poderíamos assumir, e estávamos dispostos a assumir.

                        O fato é que isto gerou um mal estar muito grande no Chico, que nos confessou mais tarde que por pouco não desistiu da viagem, as vésperas da partida.
                        Se isto tivesse acontecido, seria a prova de que mesmo após meses de preparação e reuniões, um projeto pode deixar de existir, caso o interesse do grupo não seja preservada.

                        Muitas vezes, mais vale a opinião sincera do que um falso elogio.
                        Concordar por concordar e deixar para reclamar depois, não me parece a melhor receita para a formação de uma equipe ou grupo.
                        Os problemas têm de ser tratados quando eles aparecem, de forma a não deixar que um mal estar ou uma coisa mal resolvida seja o teu garupa de viagem.

                        Viajamos sem saber ao certo se o Ricardo iria ou não se juntar ao grupo, e isto só saberíamos mais a frente, onde contaremos o resto da história e o desfecho final do caso.
                        Posso lhe adiantar que o final é surpreendente.

                        Comentário

                        • sergio pires
                          Fazedor de Chuva
                          • Aug 2012
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                          Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
                          Cap 17 - É noite de Natal


                          Noite de Natal!
                          Noite linda, maravilhosa.
                          Noite de estar com a família, com os amigos, agradecer e celebrar mais um ano que chega ao fim, trocas de presentes, orações, abraços.
                          Cada família celebrando a seu modo, no mundo todo.
                          Estaremos com os nossos familiares, os abraçaremos forte, e um aperto no coração virá dentro de cada um de nós.

                          Depois de amanhã será a nossa partida rumo ao Fim do Mundo.
                          Bem cedo, estaremos acordando com certeza, de uma noite mal dormida.
                          Afinal, até os mais experientes do grupo, contam que na noite que antecede a viagem, não há como dormir direito, o sono vai e volta, pensamentos sobre o trajeto, sobre os amigos, sobre os preparativos e sobre as pessoas que deixaremos para trás por alguns dias, desfilam por nossas mentes.

                          Para os que estiveram mais envolvidos com a organização, o trajeto todo deve passar pela cabeça, como que tentando adivinhar cada trecho, cada parada, e com isto, vai viajando na frente, como que preparando o caminho, em uma viagem virtual antecipada.

                          É natural que isto aconteça, afinal de contas, esta palavra mágica que nos sufoca quando estamos longe, e nos alegra quando estamos perto de voltar, nos dá uma cutucada no nosso peito, dizendo: hei, estou aqui e vou te acompanhar por todo o trecho.
                          Esta palavra mágica se chama Saudade.

                          Palavra que não se consegue traduzir para língua alguma, mas que nos acompanhará por todo o tempo, e vai aumentando um pouco a cada dia, e ao final, torna-se enfim, razão maior de estarmos cercado por pessoas que nos amam e que estarão todos, junto com cada um de nós, nesta noite de Natal, do ano de 2009.
                          O mundo pode até fazer você sofrer, mas Deus quer ter ver sorrindo.
                          Sorrindo para a vida!, sorrindo para os amigos, sorrindo para a família.

                          Hoje, recebemos a seguinte mensagem, enviada pelo Alexandre:

                          De: Alexandre
                          Date: Thu, 24 Dec 2009
                          Subject: Leiam... do coração.

                          Queridíssimos Amigos.

                          Um bom marco que firmei na minha vida foi olhar ao derredor ou para traz e sentir orgulho de cada coisinha vista ou lembrada, mesmo que errada.

                          Procuro hoje, viver cada minuto ou momento com a maior intensidade, procurando construir à minha volta, uma base forte e firme numa redoma de alegrias e felicidades.

                          Agora, neste momento, penso na nossa viagem ao USHUAIA e me regojizo, sorrindo abertamente para mim mesmo, pois ser aceito pelo Grupo já organizado e preparado para esta aventura, me forja em metal mais forte, pois me sinto compreendido e abraçado.

                          A viagem em si, pouco me preocupa, embora peças podem quebrar, um pneu furar, uma ou outra coisinha estragar, a intempérie do tempo com chuva, vento ou frio muito fortes...
                          Somos precavidos e estamos bem preparados.

                          Me preocupa a possibilidade de não assimilarmos algumas coisinhas... de não darmos gargalhadas todo dia pelo menos um pouquinho, uma só vez... tem graça?

                          Existe, qualquer que seja ele, um final plausível se deixarmos estragar um belo momento por causa de um deslize ou discordância? Penso bem nisso.

                          Pretendo viver bem esta viagem em cada cantinho que passarmos ou onde estivermos, abraçado a vocês meus fiéis e incansáveis amigos TOBAS FAZEDORES DE CHUVA, recebendo e assimilando mais e novos ensinamentos.

                          Mesmo que uma rusga apareça, eis que o dinheiro é pouco, se o amigo boiolou ou deixou de boiolar, se a saudade da QUERIDA (hum... amorzinho...) estiver forte demais... sob todos os aspectos, pretendo curtir muitíssimo esta viagem.

                          Olha só... vamos comemorar a entrada de 2.010, novo decênio e podem ter certeza que as coisas ao nosso redor vão continuar no mesmo viéz, com ingratidões humanas, borrascas ou tornados, degelo e calor excessivo... quase nada do almejado por nós, mas e daí?

                          Vamos acatar e aplaudir, abraçando o Senhor dos Tempos, aos Amigos que estaremos visitando, aos que estiverem chegando, à natureza pródiga que nos propicia tanta beleza a ponto de nos fazer os olhos marejarem e aceitando e abraçando a possíveis novas pessoas que estejam passando por nós ou se acercando, chegando a nós.

                          Precisamos saber sorrir, afastar a solidão, assimilar diferenças ou indiferenças, confraternizar e acima de tudo, precisamos saber nos atendermos e nos entendermos, superando nossas fragilidades nos nossos braços e abraços entre amigos.
                          Finalmente quero dizer que eu gostaria mesmo era de dar um abraço em cada um nesta noite de Natal, desejando a cada um e a todos as maiores maravilhas e felicidades do mundo, mas, principalmente, desejar a cada um:

                          "FELIZ NATAL E BOA VIAGEM AO FIN DEL MUNDO".

                          Beijo no Coração.
                          PHD Evangelista

                          Comentário

                          • sergio pires
                            Fazedor de Chuva
                            • Aug 2012
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                            Ushuaia – 2 Rodas e um Sonho
                            Cap 18 - Deixando o Brasil

                            Dia 26 de Dezembro de 2009. Finalmente o dia da partida.
                            O primeiro do grupo a ligar a moto e tomar o rumo do sul foi o Beber de Blumenau, que viajou no dia 23 até Torres-RS, para passar o Natal com seus familiares e nos aguardaria na estrada no dia 26.

                            Os próximos a se despedirem de seus familiares foram o Joaquim e Toninho que saíram de Campo Grande ao meio dia do dia 25 de Dezembro.
                            Suas motos estavam guardadas em minha casa em Blumenau.

                            Eu saí da casa de meus parentes em Itu-SP também ao meio dia do dia 25, e me encontrei com o Toninho e Joaquim no aeroporto de Viracopos em Campinas-SP, onde pegamos o mesmo vôo com destino a Navegantes e depois Blumenau.

                            Na chegada ao aeroporto em Navegantes, a primeira demonstração de companheirismo, com os amigos Chico, mais o Bogo e Hilário e suas respectivas queridas, que nos aguardavam com cartazes de boas vindas, e com isso, já preparando o clima festivo que deverá nortear o nosso grupo ao longo desta nossa viagem.

                            Os últimos preparativos e checagens de alguns itens ainda foram feitos em minha casa na noite do dia 25, quando finalmente as motos estavam prontas estacionadas na garagem.
                            Três motos carregadas, abastecidas, aguardando seus pilotos darem a arrancada no motor no dia seguinte, bem cedo.

                            Um jantar leve, preparado por mim e servido aos meus convidados Toninho e Joaquim, um bom vinho e conversamos um pouco.
                            Estávamos cansados pela correria do dia.
                            Já próximo da meia noite, nos despedimos e fomos dormir.

                            Como já anunciado, o sono demorou a chegar em um misto de alegria, tensão
                            e ansiedade.
                            A noite passou rápida como nunca e logo, estávamos todos de pé, vestidos e prontos para a partida.
                            Café rápido e fomos ao encontro de nossos cavalos mecânicos, que pareciam nos dizer:

                            - Até que enfim vamos sair, pois já não agüentávamos mais tanta espera !
                            - Afinal, estamos de sapatos novos, abastecidas, revisadas.
                            - Estamos prontas, vamos partir?

                            Como sempre faço antes de qualquer saída, fiz minha primeira oração ao lado da minha moto. Pedi proteção e que Deus olhasse por mim e pelos meus amigos em toda a viagem.
                            Que voltássemos todos inteiros, alegres e cheios de histórias para contar.
                            Que cada quilômetro tivesse a Sua proteção e que em cada curva, Ele estivesse ao nosso lado.

                            Pontualmente as 06:00 horas do dia 26 de Dezembro de 2009, enquanto tirávamos as nossas motos da garagem, ouvimos o ronco da moto do MacGyver se aproximando de casa.
                            Havíamos combinado o ponto de encontro dos que saíram de Blumenau em frente de casa.
                            Dei a partida no motor da minha moto, uma ultima olhada para o meu cachorro Zeus, que nos olhava através do portão, levantei o descanso da moto, e acelerei firme.
                            Era o início da nossa jornada ao fim do mundo.
                            Pela frente, muitos quilômetros nos aguardavam.

                            Os quatro motores roncando juntos quebravam o silêncio daquela manhã, que pela chuva da noite anterior, permanecia ainda com uma neblina leve e fresca.
                            O “trem”, finalmente, começava a ser formado.

                            Em Itajaí, nosso RC (Road Captain) Chico nos aguardava ás margens da BR 101.
                            Mais alguns km à frente, em Balneário Camboriú, Buatim e Ivan juntavam-se ao comboio.

                            O primeiro abastecimento fizemos em Laguna, já no sul do estado e próximo da fronteira com o Rio Grande do Sul.
                            A tensão inicial depois de 252 km percorridos, ainda não havia passado, e isto demora mesmo um pouco a passar.
                            È como um sonho, demora um pouco para que se aperceba da realidade.

                            No segundo abastecimento, já em Torres-RS e com um calor muito forte, o Beber nos aguardava para seguirmos até São Gabriel*, o nosso primeiro pernoite e onde o Lelê iria nos esperar, visto que rumou direto de Chapecó para lá.

                            * São Gabriel é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul. Sua população estimada em 2009 era de 62.596 habitantes. É uma cidade histórica do interior do Rio Grande do Sul e está localizada no pampa gaúcho, junto à BR-290 a 320 km de distância da capital Porto Alegre, na região da Campanha, próximo da fronteira com o Uruguai.
                            Fonte: Wikipédia

                            Viagem tranqüila até próximo a São Gabriel, onde tivemos nosso primeiro encontro com a natureza e também o primeiro teste do grupo, como que programado.
                            Uma forte tormenta nos pegou na estrada, uma verdadeira bomba d’ água, anunciando que aquilo era apenas o começo.

                            E a chuva veio forte, muito forte, talvez para lavar nossas almas e nossos problemas do cotidiano que ainda insistiam em nos acompanhar.

                            O primeiro teste para o grupo, parar as motos no acostamento e, rapidamente, colocar as roupas de chuva.
                            Não é fácil colocar roupas de chuva por cima de roupas pesadas como cordura ou couro.

                            Parecia evidente a cooperação do grupo, seja no momento em que nos ajudamos uns aos outros ao colocar rapidamente as roupas de chuva á tempo de nos proteger, seja pela troca de informações ao longo deste primeiro percurso, pelos avisos dados uns aos outros pelos nossos rádios PX, onde procuramos orientar uns aos outros sobre a melhor forma de condução, ou alertando sobre um buraco ou acúmulo de água na pista.

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Name:	18.1 -  Preparando para Enfrentar a Tormenta Proximo a S.Gabriel.jpg
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ID:	160232

                            Na chegada a São Gabriel, uma cena espetacular traçou o céu a nossa frente.

                            A tormenta havia passado e o céu voltava a ficar azul.
                            Ao fundo, no horizonte, o anúncio de um por do sol espetacular, em tons avermelhados e brilhantes.
                            Diante deste cenário, um bando de pássaros voando de oeste a leste, cortou o céu a nossa frente.
                            À frente, um líder mostrando o rumo a seguir e lá atrás, o ultimo deles, como que cuidando de todo o bando.

                            Era exatamente a mesma formação da cena do nosso grupo aqui embaixo.
                            Os mais experientes liderando os menos experientes.
                            Na retaguarda, como que cuidando do bando todo, o Joaquim garantia que ninguém ficaria para traz.

                            Sinal de que em toda viagem, seja ela de um bando de pássaros a voar para o ninho e passar a noite em segurança ou em um bando de amigos motociclistas rumando ao fim do mundo, o mais importante é a formação e o respeito ao grupo.
                            Os que mais sabem, orientam os outros de qual o melhor caminho a seguir, para que possamos, também nós, chegar em segurança de volta para casa.
                            Aquela cena me marcou muito, e ficará para sempre como um sinal de que, a natureza é sábia e dela podemos tirar muitas lições e aprendizados.
                            Basta que tenhamos olhos para ver e ouvidos para ouvir.
                            E saber interpretar os sinais que ela emite.
                            Sábio, é aquele que consegue ver e aprender com a mãe natureza.
                            Todo motociclista de verdade, é antes de tudo, um sábio.
                            Click image for larger version

Name:	18.2 -  Deixando o Brasil.jpg
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ID:	160233
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                            Última edição por sergio pires; 21-12-12, 12:56.

                            Comentário

                            • sergio pires
                              Fazedor de Chuva
                              • Aug 2012
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                              Ushuaia – 2 Rodas e um Sonho
                              Cap 19 – Com cara de Vaca Laçada


                              continuacao.......

                              - O que aconteceu Toninho?
                              - Pires, você não vai acreditar, o meu passaporte está vencido.
                              - Como assim vencido?
                              - Pires, peguei o documento mas não percebi que ele estava vencido.
                              - Sem problemas Toninho, pois em todo Mercosul, eles aceitam a nossa carteira de identidade.
                              - Pois é... eu não trouxe a minha identidade... estou “sem lenço e sem documentos”.

                              Uma atmosfera terrível tomou conta do grupo todo, pois nem havíamos saído do Brasil, e já teríamos uma baixa?
                              E o Toninho era um dos mais animados com a viagem, e não poderia ficar de fora.
                              O que fazer?

                              Uma das alternativas seria o grupo seguir em frente, Toninho e mais dois do grupo ficariam em Santana do Livramento, enquanto o documento seria enviado de Campo Grande, via aérea.
                              Em um ou dois dias estariam na estrada, correndo atrás do grupo principal.
                              Mas jamais nos alcançariam, mesmo que rodando muito mais do que o grupo da frente, viajaríamos todo o percurso como gato e rato.
                              Abandonamos esta alternativa, quando um dos nossos, disse o seguinte:

                              - Ou vamos todos juntos, ou todos ficamos aqui.
                              - Não vamos abandonar o Toninho e vamos conseguir uma alternativa.
                              - Só sairemos daqui com o Toninho e o documento junto com ele.

                              PHD é assim, acredita que nada é impossível, principalmente quando se tem amigos conosco que não te abandonam jamais.

                              Pontualmente as 13:00 horas estávamos todos estacionados novamente na frente da aduana uruguaia, e com todas as motos juntas, e o Toninho de passaporte novo.

                              - Nunca vimos isto acontecer antes, comenta o atendente do outro lado do balcão, enquanto carimbava o documento do Toninho, que a esta altura, voltava a ser feliz.

                              Contamos aqui só o milagre, mas não podemos contar o Santo.

                              O atraso de 4 horas entendemos como providencial pelo nosso Guia Maior lá de cima, nosso Senhor dos Tempos, que resolveu atrasar nossa saída, pois entendemos o Seu recado de que era para sairmos um pouco mais tarde do que o previsto.
                              Era um sinal claríssimo de que Ele nos havia livrado de algum problema maior lá na frente.
                              Se ia ou não acontecer algo, nunca saberemos.

                              Este acontecimento, no início da viagem serviu para unir o grupo ainda mais e comprovar que um PHD vai até o fim, e nunca desiste e que aquele ditado que diz que a união faz a força, foi por nós comprovado que funciona de fato.

                              - Ô Toninho, tá na escuta?
                              - Sim, pode falar Joaquim.
                              - Mas você estava com uma cara de “vaca laçada” naquela aduana heim?
                              - Heim?
                              - Como?
                              - Não ouvi direito Joaquim, o rádio esta com interferência... tchau...
                              - Ô Joaquim, explica este negócio de vaca laçada?
                              - É que quando você laça uma vaca ou boi, ele fica com a mesma cara que o Toninho estava na aduana.
                              - Fica triste, olhar perdido.

                              E rimos bastante por um bom trecho, embora achamos que o Toninho estava com o rádio desligado, pois não houve reação por parte dele.
                              Acho, inclusive, que só agora que ele ler este capítulo, vai saber o quanto nos divertimos com o ocorrido.

                              Toninho, saiba que o grupo não seguiria viagem sem você, e não te abandonaríamos jamais naquele lugar.

                              Comentário

                              • sergio pires
                                Fazedor de Chuva
                                • Aug 2012
                                • 125

                                #30
                                Ushuaia – 2 Rodas e um Sonho
                                Cap 19 – Com cara de Vaca Laçada



                                Acordamos bem cedo neste dia e pela janela do quarto, vi que havia chovido muito a noite toda em São Gabriel e pelo visto, em toda região.
                                Carregamos as motos e fomos ao restaurante onde tomamos um excepcional café da manhã, preparado pelo simpático senhor dono do restaurante, que nos fez a gentileza de abrir o refeitório as 06:30 h, quando que o habitual é abri-lo á partir das 07:00h.
                                Se consegue muitas coisas em se pedindo com boa educação, e a abertura do restaurante antes do horário, foi um bom exemplo.
                                Pedimos na noite anterior para tomarmos café mais cedo, explicando da nossa viagem e da necessidade de pegarmos a estrada.
                                O dono do restaurante, um senhor simpático, disse que faria todo o possível para colocar o café completo para nós.
                                Ao chegarmos, ele pessoalmente estava trabalhando e nos preparou um café da manhã maravilhoso, com muitas opções de pães, doces, sucos.
                                O agradecemos e elogiamos muito seu atendimento e também a sua atitude e disposição em nos ajudar.

                                As 07:05 h o comboio estava formado em frente ao Hotel.
                                Neste momento, houve a “posse” do novo Road Captain.
                                O Chico, que foi o RC de Blumenau até São Gabriel passou o comando do posto ao Lelê, que seria nosso líder na estrada até o fim do mundo.
                                Lá atrás, como Cerra Fila*, o Joaquim.


                                ** Cerra-Fila, ou Ultimo da Fila: É o piloto cuja moto viaja por ultimo no comboio e é responsável por não deixar ninguém na estrada, seja por problemas mecânicos, seja por atrasos durante o deslocamento...
                                É o piloto que mais sofre durante uma viagem longa com vários componentes, pois além de ter de cuidar dos últimos membros de um grupo, ainda tem de imprimir um ritmo de viagem com muito maior velocidade, para não deixar o grupo esticar muito. Normalmente, quem viaja como Cerra-Filas, tem de desenvolver uma velocidade 20% maior do que o RC ou quem viaja mais á frente, visto que é muito mais difícil acompanhar o grupo da frente, estando lá atrás.
                                Assim como o RC, o Cerra-Fila tem um papel importantíssimo em uma viagem em grupo e também uma função nada fácil de ser desempenhada, pois muitas vezes, o grupo lá na frente já chegou ao posto de abastecimento, e o Cerra-Fila está parado na estrada, prestando socorro a algum membro que teve algum problema.
                                Outro papel fundamental do Cerra-Fila é auxiliar o RC quando em deslocamento dentro de cidades e em rodovias muito movimentadas em que o grupo anda junto.
                                Cabe a ele, segurar o transito de veículos que vem por trás do comboio, garantindo assim, a segurança do grupo na frente. Neste caso, opera como verdadeiro pára choques traseiro do grupo. É dele que parte a ordem de abrir passagem para carros mais velozes, e cabe a ele também ser o primeiro a voltar para a pista de rolamento, e assim, os da frente voltam na mesma sequencia.
                                Se algum membro do grupo parar no acostamento por qualquer problema, além do Cerra-Fila, deve parar quem estiver imediatamente atrás do membro que teve problemas, mantendo assim a regra básica de ter sempre 3 pilotos juntos parados na estrada.
                                Assim como o Road Captain, é errado um membro do grupo ficar atrasando o Cerra-Fila, por motivo que não seja justo. Esta atitude, além de atrasar o deslocamento do comboio, causa grande confusão no grupo de deslocamento, que nunca sabe ao certo, quem ficou para trás. Por exemplo, parar para fumar na estrada é um desrespeito ao ao grupo todo pois o Cerra-Fila tem de ficar parado á espera do membro que parou por um motivo não essencial.
                                Quando em deslocamento dentro da cidade, e em motos que possuam rádios PX, é recomendado aos demais membros do comboio que liberem o rádio, dando preferência de falar ao Cerra-Fila e ao Road Captain. Esta atitude simples facilita em muito a condução do comboio dentro de cidades em que nem sempre todo o grupo conseque passar com o sinal verde.
                                É o Cerra-Filas quem dá a ordem de partida ao Road Captain, depois de paradas para abastecimento e refeições, garantindo assim, que todos estão no comboio.
                                Nota do Autor.

                                Saímos em formação, uma moto a direita, outra a esquerda, e assim, sucessivamente.
                                Esta formação, é a ideal para viagens em grupo, pois evita colisões traseiras caso o companheiro da frente tenha de frear bruscamente.
                                Rádios testados, cada um procurando um lugar no comboio que mais lhe confortava.
                                Interessante a formação inicial do comboio a cada novo dia.
                                Tirando o Road Captain e o Cerra-Fila, que já expliquei antes suas funções principais e são o primeiro e o último do comboio, os demais, automaticamente buscam um lugar que se sentem mais confortáveis, e muitas vezes, este lugar é repetido por vários e vários dias seguidos, assim como, podem variar de um dia para outro ou mesmo, de uma parada para outra.
                                Mas é certo que alguns se sentem melhor viajando na mesma posição.
                                No PHD esta regra de seguir a formação é uma grande lição de como se deve andar em comboio, em um grupo maior.

                                Uma vez escolhido o seu lugar, é ali que você vai seguir viagem até a próxima parada pelo menos, ou seja, ninguém fica trocando de posição a todo momento, nem ultrapassando o companheiro da frente entre uma parada e outra.

                                Isto dá uma tranqüilidade e uma segurança muito maior em uma viagem em comboio, pois praticamente sua atenção fica quase que exclusivamente voltada para a pilotagem, atenção em buracos, animais etc, já que a preocupação se algum companheiro esta lhe ultrapassando, praticamente não existe.

                                Logo na saída, uma neblina intensa tomou conta da estrada, lembrando um dia típico de inverno, embora estivéssemos em pleno verão.

                                - Parece que estamos pilotando no céu, vejam que maravilha, disse o Chico.

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                                Naquela penúria e visão quase zero, podíamos ver apenas o sinal fraco da lanterna vermelha da moto á frente, e quando muito, as faixas na estrada, que por sinal estava em obras, dificultando a correta posição na pista.
                                Seguíamos mais devagar neste trecho, quando começou a cair uma chuva leve.

                                - Alguém quer colocar capa de chuva? Pergunta o Chico.
                                - Sim eu gostaria, responde Buatim
                                - Então vocês podem seguir em frente, eu paro com o Buatim e Ivan, o Joaquim fica comigo, e logo logo, alcançamos vocês.
                                - Ok, vamos seguir ao máximo de 80 km/hora, assim vocês logo nos alcançam, determina o Lele.

                                Não demorou muito, e o Buatim avisa:

                                - Já estamos aqui atrás novamente, nos juntando ao comboio.

                                Para nossa felicidade, foi apenas uma garoa rápida, mas a neblina continuou intensa por mais alguns quilômetros.

                                - Que visão fantástica daqui da frente eu tenho, vendo os faróis de todos vocês pelo meu retrovisor, diz o RC Lelê lá na frente.
                                - Pessoal, eu vou passar por vocês pela esquerda, e vou fazer algumas fotos de vocês nesta névoa.
                                - Vão ficar sensacionais estas fotos, diz o Chico.

                                Mais alguns km e a neblina se foi completamente, assim como a garoa.
                                O sol já aparecia e a perspectiva era de um dia limpo e de muito calor.

                                Rapidamente, chegamos a Santana do Livramento*, cidade que faz fronteira com Rivera*, no Uruguai.

                                * Compõe uma única malha com a uruguaia Rivera, onde há free shops de produtos importados. Para mudar de país, basta atravessar uma rua do Centro - não há burocracia.
                                Fonte: Guia Quatro Rodas.

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Name:	19.1 Na Fronteira Uruguaia sem documentos.jpg
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                                Apenas uma rua divide os dois países, então, a atravessamos e já estávamos na Republica Oriental do Uruguai, onde rapidamente rumamos para a aduana uruguaia, para os tramites normais de carimbar o passaporte e registrar a entrada da moto.
                                Não queríamos perder tempo, pois tínhamos muitos km e ainda uma aduana pela frente, até Buenos Aires.

                                Observar os procedimentos aduaneiros corretos é imperativo em uma viagem, pois ao não fazê-lo, e chegando ao próximo passo fronteiriço, é certo de que os fiscais o obrigarão a retornar, quando não, poderão prender o veículo, causando grande dor de cabeça e atrasos ao grupo.
                                Então, toda documentação tem de estar rigorosamente em dia.
                                Recomenda-se uma revisão completa nos documentos antes de sair para que estes trâmites possam ser feitos de maneira correta e sem riscos.

                                O Lelê, ao apresentar o documento ao fiscal, foi informado que teria de pagar uma multa em dinheiro, por não ter dado baixa na sua saída, quando visitou o país na última vez.
                                Isto comprova a importância dos procedimentos serem feitos sempre de maneira mais correta possível.

                                A aduana em Rivera é muito simples e está instalada em pequeno prédio.
                                Como era manhã de domingo e chegamos havia recém aberto, não havia ninguém além das 8 motos estacionadas em frente e uns poucos cambistas á espera de algum turista disposto a trocar algum dinheiro.

                                O meu procedimento foi rápido, carimbo no passaporte e registro de entrada da moto no país.
                                Ao sair, me deparo com o Toninho e Joaquim, ambos sentados numa mureta, já fora da aduana, e o Toninho muito, mas muito contrariado e com um olhar extremamente triste.

                                continua.........
                                Última edição por sergio pires; 21-12-12, 12:57.

                                Comentário

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