Inspirado pela leitura de tantas histórias postadas neste canto do site, tomei coragem e peço licença para publicar a nossa história também. Uma história linda, de conquistas, de amizades, de solidariedade, de superação e companheirismo. O Livro foi publicado em 2011 e tem ao todo 39 Capítulos. Na época imprimimos 2.000 exemplares e a renda convertida a um projeto social. Aos que tiverem curiosidade e paciência nos sentiremos muito honrados com a sua leitura e vamos aos poucos publicando alguns capítulos por semana.
Ushuaia - Duas Rodas e Um Sonho
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Ter o livro prefaciado por na época ainda um FC, mas que depois viria a se tornar um GCFC foi um privilégio muito grande. Artur Albuquerque, obrigado mais uma vez por seu carinho.
Prefácio
Por Artur Albuquerque
Além de navegar, viajar de motocicleta é preciso. Pois, a par do prazer físico, a viagem alimenta a alma com as muitas novidades e oportunidades de aprendizado, que surgem pelo caminho.
Parafraseando Albert Einstein, nenhuma alma que se abra para novas experiências de uma grande viagem de moto voltará a ter o tamanho original. Mas, para isso é necessário, essencialmente, que se tenha alguma sensibilidade, pois de pouco adianta contar as muitas cidades conhecidas e os milhares de quilômetros percorridos, se não se sentir, aprender ou descobrir algo significativo; ao menos, sobre si mesmo. É um grande desperdício, quando viajar é apenas usufruir prazer e incensar vaidades.
Toda grande viagem começa muito antes da partida, principalmente, a viagem de motocicleta. Começamos a vivenciá-la no sonho, que aos poucos vai ganhando substância com as pesquisas de mapas, sites, livros, clima, lugares imperdíveis etc, além das conversas entre amigos. Verificada a viabilidade, logo é confirmado o roteiro e pronto: define-se a data da partida.
Ao se ler este livro, tem-se a oportunidade de acompanhar o processo de decisão sobre uma grande viagem de moto, nos mínimos detalhes. Durante a preparação, nas várias mensagens trocadas entre os futuros viajantes é perceptível a busca do equilíbrio entre a razão e a emoção; como no amolecimento do “núcleo duro” para admitir novos integrantes no trem. E também, entre o romantismo e a realidade; transparecendo, na bela prosa poética, a complexidade da natureza humana ao sugerir uma imagem, aparentemente paradoxal, de alguém “separando uns trapos já surrados para jogar no lombo e apartando um bom escocês e alguns Cohibas”, como um exemplo de simplicidade e despojamento no preparo da bagagem.
Em suas páginas, lições singelas de profunda sabedoria para a boa convivência aparecem aqui e ali, como a contida na frase “quem anda na garupa não pega na rédea”, atrelada a essencial recomendação de se substituir, no coração de cada um, os sentimentos de egoísmo e vaidade por atitudes de “humildade, tolerância e solidariedade”. Lição, esta, muito bem aplicada na superação do episódio “Barilochegate”.
Além do discreto e construtivo registro das interações humanas, este livro sobre uma viagem de moto a Ushuaia propicia recordações deslumbrantes ou sugestões imperdíveis de lugares mágicos, onde se podem perceber esplendores da natureza, como o anoitecer estrelado nas Pradarias Patagônicas, o entardecer seminublado no Paso Garibaldi, a beleza de Lapataia, a imponência das magníficas Torres Del Paine e o inusitado em conhecer os rios de gelo, que são Los Glaciares. Além de tudo isso, este livro nos sugere o aconchego de charmosas cidades e as delícias gastronômicas acessíveis no caminho.
À Confraria do Fim do Mundo ficará a gratidão de todos nós, leitores, que muito aprenderemos ao acompanhar o desenrolar desta magnífica viagem. E com todos nós, a certeza de que o Grande Arquiteto do Universo atendeu as mais íntimas aspirações de seus integrantes, pois ao encerrar a leitura deste excelente livro escrito por um motociclista, permanece a sensação gratificante de que cada piloto, em algum lugar perdido na distância - sob o ripio varrido pelo vento - “desapegou-se dos pequenos desassossegos, dos vícios e sentimentos mesquinhos”; e “voltou mais confiante do que era, mais humilde do que podia ser e muito menos orgulhoso do que parecia“.
Assim, na volta para casa, a partir de Buenos Aires, cada um dos pilotos carregava uma alma mais grandiosa, um melhor conhecimento de si mesmo e no coração; uma sede ainda imperceptível, que será insaciável, de percorrer com sua moto e na companhia dos irmãos, outras belas estradas do mundo.
Rio de Janeiro, 19 de abril de 2010.
PHD Road Captain Artur Albuquerque
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Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
Prefácio do Autor
A minha vontade de levar os leitores a uma viagem curiosa, bela nos mais diferentes aspectos, me levou a escrever este livro.
Gostaria muito que os leitores ao passarem de folha em folha , e observando a beleza dos diversos lugares por nós percorridos, possam se sentir num agradável passeio por um mundo até então desconhecido.
Nestes relatos, pretendo que nenhum dos meus companheiros desta maravilhosa aventura permaneçam no esquecimento, e que se façam cada vez mais presentes, estas figuras que provaram nas situações de alegrias, dificuldades e apertos suas mais nobres qualidades de generosidade, solidariedade e respeito ao próximo, figuras marcantes , que daqui para diante ocuparão lugar especial em minha vida.
Aceitei o desafio de escrever este livro, sem mesmo haver percebido a grande proporção dos obstáculos que enfrentaria, mas que superei com a feitura dos textos, que agora apresento aos leitores, em uma tentativa honesta de mostrar o esforço que leva a “UNIÃO E O VALOR DE UMA GRANDE AMIZADE’, a ponto de sermos chamados ao final da viagem de “IRMÃOS’, e reafirmo mais uma vez:
‘VOCES TERÃO LUGAR DE HONRA EM MEU CORAÇÃO’.
Nas páginas seguintes, contarei a história da realização de um sonho e as aventuras vividas por mim e um grupo de 9 amigos que, juntos, fizemos uma viagem de moto até Ushuaia, sul da Argentina, na terra conhecida como “Tierra del Fuego”, onde se situa o “Fin Del Mundo”. O ponto mais ao Sul do continente Americano onde se pode chegar por terra.
É onde a nossa América termina.
Ou então, onde tudo começa, dependendo do modo que se quer ver as coisas.
Um lugar maravilhoso, místico, de enorme simbologia para viajantes de todo o mundo que para lá seguem todo ano, seja de barco, carro, moto ou até de bicicleta.
Chegar até lá não é tarefa fácil, e a dificuldade não se dá apenas pela distância, mas também pelo clima inóspito característico daquela região e também pelas vias de acesso, nem sempre amigáveis e impondo muitas vezes, severas dificuldades para com os viajantes.
Procurarei contar em detalhes não só o minucioso planejamento da expedição, a preparação física e ajuste das motos para a viagem, mas principalmente, as histórias de superação na estrada, as surpresas e os imprevistos que apareceram no meio do caminho.
Como o grupo superou tudo isto e como a amizade e o companheirismo fizeram a diferença em nossa aventura estão narrados nestes 40 capítulos, escritos com a ajuda e participação de todos os viajantes.
As histórias contadas são todas reais, não existe ficção e os atores, somos nós mesmos.
Vivemos e sentimos a emoção de cada uma delas. E foram muitas !
Quero levar o leitor a viajar comigo por cada km percorrido em cima de uma moto, onde contarei um pouco de tudo: o que vimos e sentimos, em um roteiro maravilhoso, passando por paisagens fantásticas, e tudo com uma pitada de aventura , narrando as muitas dificuldades ao longo de todo o trecho.
Ao ler as páginas deste livro, quem sabe você também não encontra a razão e o motivo pelo qual se encorajar a realizar “aquela viagem da sua vida”?.
A viagem que você tanto sonha e que poderia ficar marcada para sempre por muitos e muitos anos e que você insiste em adiá-la.
Aquela viagem que você se lembrará e dirá silenciosamente:
Que viagem !! Porque não a fiz antes?
O título deste livro foi buscado nas letras do Hino dos PHD’s, de onde retirei de uma de suas estrofes, a inspiração para o batismo do titulo:
“.....Sou PHD,
Uma eterna confraria,
Duas Rodas e um Sonho,
em perfeita sintonia.....”.
E assim, nasceu o nome de batismo deste livro:
“Ushuaia – Duas Rodas e Um Sonho”,
Caro leitor,
Que os bons ventos possam levá-lo a viajar junto comigo nesta aventura !.
Boa Leitura !
Blumenau, 30 de Abril de 2010.
Sergio Pires
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FC Sérgio Pires, já tive o prazer de viajar através dos relatos escritos com tanto carinho, sensibilidade e afetuosidade desta aventura, Ushuaia - Duas Rodas e Um Sonho, que se torna melhor ainda, quando se tem o privilégio de te conhecer pessoalmente, figura por demais educada e sensível.
Não sei porque, mas o sabor de reler um livro, assim como visitar lugares e voltar pelo mesmo caminho, me aguça a percepção de tal modo, que a viagem se torna mais agradável e passo a conhecer outras faces e momentos até então não percebidos.
Acho isso ótimo, pois com a postagem da história da viagem de vocês para Ushuaia, voltei literalmente, a perceber que havia passado muito rápido pelas páginas escritas e consequentemente pelos caminhos percorridos.
Assim puxei o freio de mão e me deliciei com o início de tudo, pedindo, entretanto, se fosse possível a publicação em modo mais legível, pois com o meu navegador, mesmo ampliando o permitido, ainda assim a leitura é praticamente impossível da reprodução das páginas.
Se puderes copiar os capítulos, mas por favor, pelo menos uns dois por semana, como os Prefácios, para mim, creio, para nós, caronas daquele tipo enjoados, seria uma maravilha.
Comentário
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Meu amigo Dolor, obrigado pelo carinho de sempre e por permitir a publicacao. Me tira uma duvida: Qdo voce diz para publicar de modo mais legível, como faço? Vc se refere ao tamanho da fonte? Me dá umas dicas aí meu amigo....um abraço.
Comentário
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FC Sérgio, querido, talvez eu tenha me antecipado na preocupação, esganado em não perder nada da leitura, pois imaginei no meu delírio, que as páginas seriam "escaneadas" como foi a capa, que tem a sua razão para isto, portanto, me perdoe pela ansiedade.
Seguramente as publicações serão copiadas como o foram os prefácios, perfeitos para a leitura.
Aliás, extremamente delicados como é todo o livro!
Já estou na contagem regressiva para a continuação da leitura!
Comentário
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Ok Pessoal, então lá vai...... espero que gostem e que a leitura inspire vocês todos GCFC e FC a relembrarem suas viagens e aventuras e os façam tomar coragem de digitá-las e publicar o seu livro. É uma experiência fantástica e que me trouxe muitas alegrias.
Um fraternal abraço a todos.
Com carinho, Sergio Pires
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Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
Agradecimentos
Agradeço a todas as pessoas que me ajudaram a empreender este livro, desde aqueles que me deram o incentivo de começar a relatar a história, até aos que me ajudaram na diagramação, montagem, impressão e distribuição.
Tenho agradecimentos especiais a:
Minha querida esposa Celise, e aos meus filhos Arthur e Laís, pelo carinho e incentivo.
Meus amigos e companheiros de viagem, que foram de fato, os grandes atores e autores da grande maioria das histórias aqui relatadas, suas contribuições foram imprescindíveis para o enriquecimento da obra:
ALEXANDRE EVANGELISTA – PHD Evangelista (Lelê), de Florianópolis.
ALFREDO BUATIM SOBRINHO – PHD Buatim, de Blumenau.
ANTONIO MORAIS JUNIOR- PHD Toninho Jr, de Campo Grande.
EDGAR TREIS AZEVEDO – PHD Chico, de Blumenau.
IVAN BUATIM – Futuro PHD, De Blumenau.
JOAQUIM BARBOSA DE SOUZA – PHD Joaquim, de Campo Grande.
JORGE BEBER – PHD Beber, de Blumenau.
RICARDO TAPIAS – PHD Pastor Solitário, de Santiago do Chile.
VANDERSON VENDRAME – PHD MacGyver, de Blumenau.
E também a:
RITA DE CÁSSIA DUARTE CRISTOFOLETTI, pessoa muito querida, por ter feito, de forma dedicada, a revisão completa do texto, além de sugestões que melhoraram a obra.
TULIO DUARTE CRISTOFOLETTI, por ter tido o trabalho de ler todos os capítulos e tecer valiosos comentários, que me ajudaram a aperfeiçoar os relatos.
ARTUR ALBUQUERQUE, PHD Artur, do Rio de Janeiro, pelo seu livro contando da sua viagem que fez ao Ushuaia e que nos serviu de incentivo não só para ir ate lá, mas também relatar a nossa aventura. Agradecemos também por prefaciar este nosso livro.
A todos minha gratidão por suas contribuições, sem o qual, jamais chegaria a publicar esta obra.
Blumenau, 30 de Abril de 2010
Sergio Pires
*PHD – Significa “Proprietário de Harley Davidson” e congrega boa parte dos amantes da lendária marca americana de motocicleta e que formam hoje uma grande legião de fãs aqui no Brasil e também na América Latina. Para saber mais, visite o site www.phd-br.com.br
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Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
Cap 1- Pensamentos
" Nada é mais forte do que o coração e o companheirismo de um motociclista,
porque ele é forjado no calor do asfalto, no frio do vento, na água da chuva,
e na saudade dos irmãos que já se foram "
PHD Chico
Edgar Treis Azevedo, ou Chico, é um dos motociclistas mais viajados do Brasil, tendo em sua bagagem viagens ao Ushuaia, Peru , Chile, Argentina, EUA, além de muitas viagens em vários estados brasileiros. Esconde por trás da brancura de sua barba e o seu inconfundível rabo de cavalo, uma pessoa de enorme coração e grande parceiro de viagem.
Amante do motociclismo e por viagens de longa distancia, sempre em cima de sua inseparável Harley Davidson, por quem mantém uma paixão muito grande. Idealizador e organizador de um dos maiores encontros de motos dos amantes da marca no Brasil. Grande Road Captain.
“..... Nós acreditamos no nosso próprio caminho, não importa qual é o rumo que o resto do mundo está tomando.
Nós acreditamos no céu, e não acreditamos em tetos solares.
Nós acreditamos na liberdade
Nós acreditamos na poeira, nos búfalos, nos vales montanhosos, na vegetação rasteira e em pilotar em direção ao pôr do sol
Nós acreditamos que a vida é o que você faz dela, e nós fazemos dela uma viagem daquelas.
Nós acreditamos que a máquina que você pilota diz ao mundo exatamente de que lado você está.
Nós não nos importamos com o que os outros acreditam....”
PHD Toninho Jr
Das fazendas de Campo Grande, acostumado a montar cavalos mais bravos, o Toninho quando em cima de sua Harley se transforma completamente. Se destaca pelo modo peculiar de pilotar uma moto, sempre demonstrando habilidade e segurança. Procura aproveitar suas viagens de moto para relaxar e ouvir sempre suas musicas preferidas, claro, no melhor estilo caipira.
“Viajando de moto sozinho ou em grupo, na imensidão da natureza, sempre encontraremos ao nosso lado a energia DIVINA, espargida do calor humano e irradiado pela aura da amizade que nos fortalece e libera centelhas, transformando tudo em uma aura de FELICIDADE e de ALEGRIA”.
PHD Evangelista
Pessoa de enorme espiritualidade, grande companheiro de viagens Alexandre Evangalista, ou Lele, é sempre uma referência quando o assunto é viagens de longa distância.
De sua amada Florianópolis, na Ilha de Santa Catarina, partiu diversas vezes de moto para longas viagens e a mais importante dela, sem duvida, foi ter saído do Brasil até o Canadá, pilotando e conhecendo praticamente todos os países da America Central e Caribe. Grande Road Captain.
“A vida passa muito rápido, e quando eu já não puder mais viajar pilotando a minha Harley, repetirei por inúmeras vezes todas as minhas aventuras, enquanto a memória não me trair, a bordo de minhas lembranças....”
PHD Joaquim
Também das belas fazendas do estado de Mato Grosso do Sul, Joaquim Barbosa, não demonstra pela sua cara sempre fechada, sua barba cerrada e seu inseparável boné, a pessoa admirável e sensacional que é.
Piloto de aeronave nas horas vagas, conhece como poucos um GPS, além de pilotar sua moto com extrema segurança. Grande companheiro de viagem e grande Road Captain.
“O valor das coisas não esta no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.”
PHD Buatim e Ivan
Alfredo Buatim Sobrinho, demonstra em tudo o que faz seu apego e amor pela família. Sempre acompanhado de sua querida na maioria das viagens, nesta viagem leva na garupa seu filho Ivan, sem duvida, uma oportunidade única de apreciarem uma aventura juntos.
“A diferença entre o possível e o impossível reside na determinação da pessoa."
PHD MacGyver
Vanderson Vendrame ou MacGyver não tem o apelido por acaso e desde pequeno, procurou em aventuras, o aprendizado da vida. Sempre prático e objetivo, tem soluções para tudo. De suas viagens de moto pelos EUA, onde residia no passado, teve a oportunidade de conhecer o país em de ponta a ponta, pilotando diversos modelos de Harley. Viajante solitário na maioria das viagens, mas grande companheiro quando viaja em grupo.
"As viagens que fiz me ensinaram que ter um amigo não é compartilhar semelhanças, mas respeitar as diferenças."
PHD Beber
Jorge Beber, descobriu há poucos anos o prazer de viajar de moto. Em poucos anos, viajou muito mais quilômetros do que muitos motociclistas mais antigos, tendo conhecido diversos países da América do Sul e também os Estados Unidos. De suas reflexões e pontos de vista sempre precisos, procura contribuir sempre para com o equilíbrio do grupo. Grande companheiro de viagem com quem tive oportunidade de viajar algumas vezes.
" Nadie me dice a donde ir, excepto mi voz interior"
" (Ninguém me diz para onde ir, só a minha voz interior)"
PHD Pastor Solitário
Do Chile, Ricardo Enrique Castro Tapias, ou PHD Pastor Solitário tem este codinome justamente por sempre viajar sozinho, mesmo em longas distâncias. Um motociclista muito experiente e que já viajou por praticamente toda a América Latina. Será sua primeira experiência em uma viagem longa em que compartilhará com o grupo, suas vontades pessoais.
“ O Vento que acaricia o teu rosto enquanto pilotas tua moto, nada mais é do que o “Sopro de Deus”, a te abençoar e a te guiar por cada metro de asfalto que percorre. Sinta-o, e estarás sentindo a presença viva de Deus a teu lado “.
PHD Pires
Viajando juntos nesta aventura, de todos, eu sou o menos experiente do grupo.
A vida profissional sempre corrida me priva de muitas coisas, e viajar de moto é para mim, uma válvula de escape.
Sempre que possível, levo minha querida na garupa o que faz com que este prazer que sinto ao pilotar minha moto, se torne mais agradável ainda.
O sonho de realizar viagens de longa distância sempre estiveram comigo, e nesta estarei realizando um grande sonho, alimentado desde pequeno.
*Road Captain - RC, ou Capitão da Estrada: É o piloto que lidera o comboio e cuja moto viaja da primeira fila. É responsável pela condução do grupo durante um deslocamento, que pode ser um trecho curto apenas ou mesmo uma viagem completa de ida e retorno.
Cabe ao RC, entre outras atribuições, o ajuste e verificação antecipada dos mapas e o controle das paradas para reabastecimento, lanches continuando até o hotel de pernoite.
Também cabe a ele determinar a velocidade de cruzeiro que melhor se adapte ao grupo ou ás condições da estrada ou do tempo, e cuidar para que as motos do comboio sigam em formação e principalmente, que o grupo todo saia junto e chegue junto.
Para se chegar ao posto de Road Captain-RC, além de muita experiência em estrada, alguns atributos como paciência, humildade, espírito de equipe e muito jogo de cintura se fazem necessários para que o grupo o respeite se mantenha unido e motivado durante todo o percurso.
O grupo quando em deslocamento deve obedecer as orientações do RC, e nunca deve abandoná-lo, mesmo que este porventura erre o caminho, todos devem segui-lo, mostrando assim, respeito a pessoa que está no posto.
Também é errada a atitude, na estrada, de ultrapassar o Road Captain sem motivo justo, o que demonstra da mesma forma, um desrespeito a ele.
Em havendo necessidade, por exemplo, ir ao banheiro, o que vem de traz deve avisar pelo rádio que o estará ultrapassando e aguardará mais á frente, mas isto só deve ser feito em casos realmente necessário.
Não e fácil ser um Road Captain- RC.
Nota do Autor
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Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
Cap 2 - Nasce um Sonho
Era para ser mais um jantar lá em minha casa, onde estaria tendo a oportunidade de receber meus amigos no “cantinho da nona”, como chamo carinhosamente minha área de festas, em homenagem à minha querida e eterna Nona.
Acima da churrasqueira, a frase que diz todo o sentimento que nossa família tem quando recebemos amigos em nossa casa, frase esta que copiamos de uma placa de uma estreita rua, na cidade do Porto, em Portugal:
“Bem vindo seja,
quem vier por bem”
E aqueles amigos que ali estavam, eram todos muito bem vindos.
Na ocasião, iríamos comer um “assado”, oferecido por mim e desfrutar de algumas horas de alegria e descontração na companhia de verdadeiros amigos, todos companheiros de moto, que juntos, comungamos da paixão pela amizade e pelas longas viagens em duas rodas.
Desde a convocação dos amigos para este jantar, parecia que havia algo no ar.
A começar porque a convocação tem uma história e pela primeira vez, o jantar tinha até um nome, bem sugestivo por sinal:
Seria o “1o. Encontro de Machos PHD’s de Blumenau”.
Mas porque este nome? Qual seu objetivo? E onde o jantar nos levou?
É o que começarei aqui a narrar, sem nada inventar.
Tudo começou, quando o Chico montou um projeto chamado "Rastro da Serpente", que vou explicar rapidamente do que se trata e o que isto tem a ver com a reunião no cantinho da nona, lá em casa.
Nos EUA, existe uma rodovia conhecida como One Destination of Bikers, que é o sonho de qualquer motociclista, pois num trecho de 11 milhas, existem 318 curvas, muitas delas bem fechadas.
Localizada no estado da Geórgia, se chama "Tail of the Dragon", ou O rabo do Dragão, rodovia muito famosa, e quem por lá já passou, sabe do que estamos falando.
Numa árvore á beira desta estrada, cujo nome é “Tree of Shame” ou Árvore da Vergonha, ficam penduradas as peças das motos que se perdem pelo caminho, fruto das inúmeras quedas que ocorrem por aqueles que não respeitam o mito e excedem na ousadia e velocidade, e o “dragão”, não perdoa, e morde.
O Chico, acabara de passar pelo Tail of the Dragon, em recente viagem de moto aos EUA, e não parava de tecer elogios a tortuosa rodovia.
Ficou sabendo que a BR 376, que liga o estado do Paraná ao estado de S. Paulo havia sido reformada recentemente, e que teria um trecho ainda pior do que a rodovia americana, repleto de curvas e com elevado grau de dificuldade para ser percorrido de moto.
Coincidentemente, o Chico, juntamente com os amigos PHD’s MacGyver, Rui e Beber, retornavam de uma viagem a Valentin Gentil, no interior de SP, e resolveram percorrer a BR 476, na volta a Santa Catarina e não só comprovaram o que haviam escutado, como o Chico resolveu “batizar” aquele trecho da BR 476 de “Rastro da Serpente Brasileira”, numa alusão ao Tail of the Dragon Americana.
Nesta primeira descida, a “serpente brasileira” fez a primeira vítima, pois o Rui, num triz de distração, beijou o asfalto, sendo por isso, o primeiro motociclista brasileiro a ser “mordido pela serpente”, antes mesmo de inaugurado oficialmente o trecho.
Para divulgar o trecho e torná-lo passagem quase obrigatória dos amantes do motociclismo no Brasil, o Chico resolveu colocar um marco, no centro da cidade de Apiaí, no interior de SP onde a rota se inicia.
A idéia seria a seguinte:
Todo motociclista que passar pela “Serpente Brasileira”, poderá registrar o fato parando a sua moto em frente a esta placa e tirar uma foto.
No início do “Tail of the Dragon” existe uma escultura de um dragão enorme, onde os motociclistas tiram as fotos e comprovam que por lá estiveram, e foi de lá que ele tirou esta idéia e resolveu por em prática.
E assim, desenvolveu uma placa enorme e marcou uma data e convidou a nós, seus companheiros de moto aqui de Blumenau, para irmos juntos levar e fincar a placa na cidade de Apiaí.
Convidou também muitos outros motociclistas para a inauguração da placa, de várias cidades do interior de SP e também de Curitiba.
Nos dias que antecederam a viagem e no próprio dia da viagem, chovia em cântaros aqui pelas bandas de Blumenau, e a previsão era que a chuva iria subir rumo ao Paraná e São Paulo, e mantendo-se a mesma para todo o final de semana. Pelo telefone, argumentamos:
- Chico, vamos esperar o tempo melhorar e vamos todos juntos.
- Sair daqui com esta chuva não tem sentido.
Mas meus argumentos foram em vão, pois ele alegava que o pessoal de S. Paulo e Curitiba o esperava e que não poderia deixar de ir, o que entendemos, mas não concordamos, pois todos sabemos que o risco em pilotar com chuva é maior.
Mas o Chico é teimoso, e foi assim mesmo.
Dos que havia convidado daqui de Blumenau, só o MacGyver e o Stein foram com ele.
Enfrentaram uma chuvarada e tanto, mas graças a Deus, retornaram bem e a placa foi afixada conforme havia previsto.
A serpente não “mordeu’ nenhum daqueles que o acompanharam de Curitiba, embora alguns, lá chegando, resolveram por lá ficar e pernoitar, o que de certa forma, nos confortou, pois mostrava que de fato, a “serpente” é das mais venenosas.
No retorno da viagem, o MacGyver nos envia um email, dizendo ter sido ótima a viagem, que tudo havia saído conforme planejado, mas nos chamando a todos de: “cagões”.
Claro, a turma toda, em tom de brincadeira, passou a “azarar” a vida do MacGyver por ter enviado este email tão “desaforado” e mal criado daquele jeito.
O Beber quase emite um mandato de prisão contra ele, além do Buatim, que pensava em como devolver tamanha ofensa, e buscou na famosa frase do PHD Assis de Florianópolis, a vingança:
“Quer tomar banho toma, não quer, não toma”!
Não precisa dizer que o clima esquentou entre os amigos.
Outros emails contra atacando, com certeza viriam.
Foi aí que tive a idéia do jantar. Seria para “apaziguar” os ânimos e foi onde resolvi marcar em minha casa um assado e convocar a todos com o chamado para a “1a Reunião dos Machos PHD’s de Blumenau”, e o mote era:
Quem for Macho, que apareça! Não faltou ninguém.
Lá estavam os amigos Buatim, Adilson, Beber, Bogo, Chico, MacGyver e eu.
A intenção era pôr fim ao suposto mal estar e por que não dizer, um ótimo motivo para conversarmos um pouco sobre viagens, motos, encontros, e outros assuntos relacionados à nossa paixão, que depois de nossas queridas, são nossos cavalos de 2 rodas.
Um assado de picanha, regado a molho shitake, acompanhado de um bom vinho tinto argentino, foi o cardápio.
A conversa era solta, com liberdade total para gozações, misturadas com relatos e sonhos de viagem.
E foi num destes momentos, que alguém falou sobre viajar ao “Ushuaia”.
Houve um silêncio...
Todos os amigos, ao mesmo tempo, pararam de falar, e parece que todos nós, viajamos naqueles instantes, para muito longe dali.
Do grupo ali reunido, o Chico já foi e voltou de moto ao Ushuaia, o Bogo, de carro e o MacGyver, foi de carro, mas de moto não havia conseguido terminar o percurso.
Eu, Buatim e Beber, só em sonho.
A conversa fluiu sobre outros assuntos, mas algo me dizia que o assunto Ushuaia não tinha terminado e que voltaria brevemente, para ser melhor digerido.
Haveria de esperarmos um pouco mais, afinal, ir ao Ushuaia, assim como passar pelo “Rastro da Serpente” ou pelo “Tail of the Dragon”, são coisas que separam os homens dos meninos e, por isso mesmo, seria assunto para outra ocasião, pois a noite já avançava e era hora de retornar ao ninho.
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Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
Cap 3 - Celebrando a Vida
O 1o. Encontro de Machos PHD’s de Blumenau... the Day after...
As conversas e o assado na noite anterior tinham sido fantásticos e todos foram embora felizes por mais um encontro de verdadeiros amigos, onde falamos sobre amizade, Rastro da Serpente, Viagem ao Peru - Cusco, Encontro dos PHD´s em Blumenau que se aproximava.
Sobre Ushuaia falamos pouco.
Na manhã seguinte chegando ao escritório, já estava no email particular uma mensagem que fora escrita pelo Chico, e que dava o tom do que foi o nosso encontro e o próximo passo que se aproximava.
De: CHICO
Assunto: 1o. Encontro de MACHOS PHD’s em Blumenau
Vocês não imaginam com foi importante a nossa confraternização ontem à noite, estava tenso, vários problemas com relação ao evento, você vai afunilando e segue junto, cada vez mais engessado. O nosso papo, as brincadeiras rasgaram esta casca, me deixando mais leve e muito mais feliz.
Pires, parabéns pela iniciativa, afinal este tipo de confraternização entre amigos cria uma amizade maravilhosa. Sei que você tem um sonho e eu uma promessa de atravessar as Cordilheiras com você, que tal este ano cumprirmos os prometidos, afinal ainda conseguimos fazer?
Beber, tenha certeza que quando montarmos o site, que já temos o domínio www.rastrodaserpente.com.br, contando a verdadeira história da formação desta rota turística, os 4 amigos que acamparam a idéia de passar lá terão o lugar de destaque. Passeio este que nos deixou mais acesos, mais responsáveis e porque não dizer, mais homens no sentido motociclístico. Eliminando com certeza o lado brincalhão, o lado criança, seremos os verdadeiros idealizadores deste projeto. Cabendo a quem foi colocar a placa o título de fundadores da rota.
Buatim, vi o brilho nos seus olhos quando abrimos as discussões sobre o Ushuaia, vale lembrar que vocês podem fazer parte de mais um sonho dos PHD’s, colocar os pés no Alaska. Opa, calma explico, fazendo o Ushuaia agora em dezembro vocês fariam a primeira perna ficando a segunda para futuros sonhos. Para mim seria tudo, começar o projeto com os meus amigos. Ahhh sabe que venho notando a sua vontade de passear com o seu filho, fico muito, muito contente mesmo, esta aproximação entre pai e filho é um sonho realizado.
Adilson, temos o encontro de Cusco agora no início de outubro, prováveis participantes, Rui, Beto e Macgyver. Seria um prazer viajar novamente e relembrar os belos momentos que passamos.
Macgyver, acredito que estejas se soltando, afinal estás aposentado e pode curtir a vida. Como diria o nosso amigo Korb, podemos celebrar a VIDA.
Bogo meu amigo, não sei se alguém notou, o Bogo chegou, não abriu a boca, foi embora, não se abriu. Sei lá, o que se passa meu amigo? Saiba que tenho certeza que você nos acompanhará ao Ushuaia, afinal sem você Cerrando este comboio, não terá graça e segurança. Seu filho teria orgulho de poder viajar com o pai.
Olha, me desculpem este tratado, mas hoje estou muito mais leve e alegre. Alegre por todos nós, vamos celebrar a Vida.
Cada amigo poderia escrever no parágrafo do seu nome alguma coisa, tipo, não concordar, criticar, elogiar, ou simplesmente comentar, isso só nos une mais.
do seu amigo
PHD Chico
Bem, e os amigos atenderam ao pedido do Chico, e até a hora do almoço, estavam postadas varias respostas para o “tratado” que o Chico havia nos presenteado logo cedo.
De: Pires
Assunto: RE: 1o. Encontro de MACHOS PHD’s em Blumenau
Chico
Valeu muito o que você escreveu, pois de fato, quando você chegou lá em casa ontem à noite, a primeira coisa que me falou era que estava muito cansado e com muito sono, que bom que saiu de lá melhor, e acordou hoje com esta inspiração toda, e escreveu estas belas frases.
Quanto a transpassar a cordilheira dos Andes, Chico, eu sinto que a hora esta chegando mesmo.
Beber e Buatim
Como é bom ver as brincadeiras de vocês um com outro e conosco também, pois são brincadeiras sadias, e que jamais terão outra intenção senão ao de divertir e fazer-nos rir.
Bogo
Obrigado por ter cancelado teu compromisso para estar lá em casa conosco celebrando esta 1a. reunião de machos PHD’s. Desejamos uma ótima viagem a você para os Estados Unidos da América, e este viagem será melhor ainda, pois vai estar junto de seu filho.
Adilson
Obrigado também por ter cancelado teu compromisso só para estar conosco e tomar umas geladas, afinal sem você, eu não teria conseguido tomar sozinho as 20 latinhas que tomamos.
MacGyver
Sei que você deixou a querida lá em Balneário e sei que mudou a passagem de retorno de SP mais cedo só para estar junto neste encontro de machos.
Viva a Vida!
PHD Pires
De: Adilson
Assunto: Re: 1o. Encontro de MACHOS PHD’s em Blumenau
Esses encontros são maravilhosos porque a gente conhece as pessoas como elas são e não como imaginamos. E o prazer em conhecer e estar com os amigos, num encontro descontraído e gostos, realmente deixa a gente mais leve e muito mais disposto.
Não vou falar de cada um, porque acredito que todos são machos apesar de algumas dúvidas, apenas gostaria de dizer ao Pires que eu tomei somente 3 latas.
Assim que meu apartamento ficar pronto (está em reforma) farei um belo churrasco também.
Essa é a vida que temos que levar, a de hoje.
PHD Adilson
De:Beber
Assunto: Re: 1o. Encontro de MACHOS PHD’s em Blumenau
Chico.
Que ótimo que nosso encontro proporcionou tantas alegrias. Todos os dias nos deparamos com notícias ruins, com acontecimentos que nos enchem de tristeza e preocupações. Precisamos de encontros como esse de ontem exatamente para levarmos a vida mais leve, aproveitando cada minuto para festejarmos a vida, a saúde e os amigos.
Abraço.
PHD Beber.
De:Buatim
Assunto: Re: 1o. Encontro de MACHOS PHD’s em Blumenau
Bom Dia
Referente a nossa conversa de ontem sobre a viagem para USHUAIA,
estive conversando com o meu filho Ivan e estamos dispostos a evoluir com os planos para fazermos juntos esta AVENTURA.
O NATAL é uma data muito importante para todos nós, e que gostaria de passar junto com a minha família, sugiro como da data de saída dia 26/12/2009.
No aguardo de manifestações
Abraços
PHD Buatim
De: Macgyver
Assunto: RE: 1o,. Encontro de MACHOS PHD’s em Blumenau
Meus queridos amigos,
Li a mensagem a mensagem do Adilson com o assunto "1º Encontro de Machos PHD’s" e me senti um privilegiado quando abri.
Que gostoso ler a manifestação de todos vocês! Foi realmente um encontro muuuuuiiiiiito gostoso, do tipo que lava a alma. Parabéns a todos pela participação e muito obrigado ao Sergio pela disposição em organizar e nos acolher com tanto carinho.
Como já disse da outra vez, assim que acabar a reforma, promoverei o encontro, mas já fica registrado que precisarei da ajuda de quem sabe preparar uma boa comida.
Um abençoado Dia dos Pais a todos. Um forte abraço.
PHD MacGyver
Bem, pela troca de emails, pode se ter idéia de que a turma é além de animada, e disposta a Celebrar a Vida !,
E a faísca Ushuaia, lançada no jantar, começa a dar sinal de fogo.
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Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
Cap 4 - Mas você vai viajar sozinho?
Ficamos por alguns dias com o pensamento voltado para a proposta de viajar ao Ushuaia na virada do ano.
O primeiro passo, e sem dúvida, um dos mais difíceis, seria falar com a família e dar a notícia, esperando obter o consentimento daqueles que mais amamos.
Quem “vive família”, sabe do que estou falando.
Não é fácil sentar na frente da esposa e filhos e pedir a concordância para realizar uma aventura de 22 dias sem eles irem juntos, e ainda mais a um lugar distante.
A primeira pergunta que poderá vir é: Mas pai, você vai sozinho?
Comigo não foi diferente, e com o coração partido, respondi que sim, e expliquei que não seria uma viagem turística, não se trataria de visitar lugares bonitos, não seria um simples passeio de moto.
Que não daria, de forma alguma, levá-los juntos desta vez.
E seria a primeira vez que viajaria sozinho, sem eles junto comigo.
Sair para realizar uma viagem diferente, estar indo realizar um sonho antigo e que todos os amantes das duas rodas sonham fazer um dia, pois Ushuaia é tudo isto junto, é o sonho de todos os aventureiros em duas rodas.
Foi muito difícil minha família entender isso e entendi perfeitamente esta sensação por parte deles, afinal, porque depois de vários anos, a família passaria o ano novo sem minha presença.
Esta etapa foi muito delicada, e requereu o máximo de cuidado para não magoá-los, pois ao mesmo tempo em que eu queria viajar, também entendia o sentimento de minha família e a ruptura, mesmo que temporária, poderia ser dolorida.
Saber lidar com isso, e poder fazer entenderem o propósito da viagem, por si só já é um desafio e felizes são os que podem contar com esta compreensão e apoio, pois sem ela, o viajante não vai viajar feliz.
E não existe nada melhor do que sair e voltar feliz.
Venci esta fase com muita dificuldade, muito embora ouvindo deles que estaria tudo bem, sentia no coração, o esforço deles em me proporcionar a devida tranqüilidade para viajar, mesmo que isto lhes fosse custar ficar longe justamente no final do ano. Para nós, esta seria a primeira vez.
Agradeço muito o apoio recebido por parte de minha família.
Neste tempo, chega o email convocando para a próxima reunião.
De: Buatim
Assunto: USHUAIA
Pessoal, pelo visto todos temos interesse em evoluir com a idéia.
Convido a todos para dia 20/8 irem ao meu apto para trocarmos uma idéia e comermos uma carne.
Sugiro ao Chico como tem mapas e já fez esta viagem que traga estas informações para começarmos a evoluir com esta AVENTURA.
PHD Buatim e Ivan
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Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
Cap 5 - Eu quero ir pro Ushuaia!
O ambiente acolhedor no apartamento do Buatim e o excelente jantar oferecido a todos, regado a bons vinhos, foi o pano de fundo para o nosso 2o Encontro.
Presentes, além do anfitrião Buatim, o Beber, Macgyver, Chico e eu, e mais 3 convidados, PHD’s Marcos e Décio e o nosso companheiro Joaquim, de Campo Grande, que também havia sido “convidado” a participar do jantar.
Este “convidado” entre aspas, caro leitor, você só vai entender no capítulo seguinte.
Falamos pouco ou quase nada sobre o roteiro, e a discussão ficou presa na data da saída de Blumenau e do total de dias que teríamos na estrada, para estarmos de volta a tempo de reassumirmos nossos compromissos profissionais.
Fixado o dia 26 de dezembro de 2009, e com 22 dias de viagem, numero achado pouco por alguns componentes.
Ao final deste 2o. encontro, ficou definido que o Chico iria estudar o melhor roteiro e adaptá-lo a 22 dias para apresentá-lo no próximo encontro.
Marcos e Décio, por compromissos profissionais, definiram que não iriam desta vez.
Então, deste 2o. Encontro, o grupo ficou definido em 6 motos, 7 pessoas, sendo Buatim e seu filho Ivan na garupa, Beber, Chico, Joaquim, MacGyver e eu.
Nos dias subseqüentes a este 2o. encontro, uma mudança de pensamento e de destino, colocou em cheque a vontade inicial do grupo.
Pelo fato de 22 dias serem considerados pouco tempo para a aventura, a idéia caminhava para uma viagem até o Chile, via Mendoza, retorno via Bariloche, que também pode ser considerada uma excepcional opção, mas não seria ao Ushuaia e isto particularmente, incomodava a mim, e penso que incomodava também ao grupo.
De fato, era a tentativa de acomodar tempo disponível a um roteiro interessante, mas isto, de certa forma, iria postergar, talvez para sempre, o sonho de irmos juntos ao Ushuaia.
Por coincidência, eu estava lendo o livro “Viajar de Moto al fin del mundo”, editora nova letra, escrito pelo querido PHD Artur Albuquerque do Rio de Janeiro, que fizera a viagem 2 anos atrás e relatou todas as passagens e a aventura que o grupo viveu em 33 dias de viagem.
Da página 130, retirei um trecho e mandei o seguinte email ao grupo:
De:Pires
Assunto: Ushuaia – Viagem ao Fim do Mundo.
Meus amigos.
Estou lendo o livro do Artur Albuquerque - "Ushuaia - Viajar de Moto ao fim do Mundo".
Estou na pagina 130 e de lá, tirei o seguinte trecho:
“... os olhos negros do viajante e seu falcão se fixaram em mim com benevolência e sorriram, quando ele, falando bem devagar, me disse:
Aqueles que estão acomodados e satisfeitos, geralmente, estão engordando e envelhecendo em seus confortáveis sofás, esperando o fim. Desde o início dos tempos, somos peregrinos e sempre teremos de aprender mais alguma coisa, em algum lugar.
Para aqueles que ainda não se decidiram sobre a partida, é sempre bom lembrar que a vida não é eterna e como a chama de uma vela, fenece e se apaga, quando menos se espera. Então, o que alguém almeja fazer, que faça logo, da melhor ou mais simples maneira que puder, porque se ficar esperando o momento ideal, de repente, o milagre de uma nova manhã poderá não se repetir. Então a angustia e a frustração por não ter ousado criar a oportunidade para realizar o próprio sonho serão as únicas companheiras que estarão consigo, quando a própria vela se apagar..."
Meus amigos.
Eu não sei a idéia de vocês, mas hoje, eu tomei minha decisão.
EU QUERO IR PARA O USHUAIA!!
Não estou preocupado se vai ser cansativo ou não. Isto não importa.
Se acharem que 22 dias fazendo a volta por Mendoza for pouco, voltemos pelo mesmo caminho que fomos.
Senhores.
Eu tomei minha decisão hoje: eu quero ir pro Ushuaia.
Qualquer outro roteiro, eu estou fora.
abraços.
PHD Pires
Este email acima, me fez muito bem, pois de fato as palavras do Artur me fizeram acordar para o fato de que o tempo passa e que não temos nenhuma gerência sobre o nosso futuro, sobre o amanhã.
Então, se a oportunidade surge, ela deve ser encarada de frente e por ela, temos de lutar até o fim.
E foi isso que coloquei na cabeça, iria lutar até o fim para que pudéssemos fazer a viagem juntos, afinal, o grupo de amigos era espetacular.
Parece que o email surtiu efeito imediato, pois logo em seguida, recebi respostas animadoras de alguns companheiros.
Só nos resta agora conciliar as datas com o roteiro, para depois, partirmos com seriedade e preparar o caminho para a partida.
Claro, os compromissos profissionais terão de ser ajustados, a preparação da moto, das roupas, da família, enfim, temos de dar a partida definitiva e isto, esperamos em breve ter em mãos a formatação final.
A próxima reunião seria de novo lá em casa, agora, talvez já com alguma coisa mais definida para ser discutida.
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Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
Cap 6 - O pacto de silêncio que não funcionou
Na organização de um projeto como este, bem como o dia a dia na estrada, nem tudo o que acontece são flores e os conflitos de interesse, não poderiam deixar de existir.
Viajar em grupo é um enorme exercício de paciência e de resignação.
Quanto me propus a escrever este livro, com a ajuda de todos os meus amigos que viajaram, firmamos entre nós um compromisso de contar toda a verdade com todos os detalhes, fossem boas ou ruins, e de não esconder nada do leitor.
Isto para que todos os que se dispuserem a ler o nosso livro, pudessem conhecer de fato, a realidade dos bastidores que cercaram organização e formatação da viagem.
Os conflitos, os interesses particulares de cada um, a forma como agimos, e também como conseguimos driblar tudo isto, e realizar o nosso sonho com sucesso.
A narrativa deste capítulo procurou trazer a luz todos os fatos, no maior desafio nosso antes da partida que foi a montagem do grupo que iria viajar.
Eis os acontecimentos, tal e qual aconteceram:
Quando do nascimento do projeto e definição do grupo de viagem, uma das primeiras preocupações do “núcleo duro de Blumenau”*, foi quanto ao numero de participantes.
* Núcleo duro de Blumenau: Foi uma forma carinhosa que o companheiro Joaquim Barbosa achou para denominar os 5 membros de Blumenau (Chico, Sergio, Beber, Buatim e MacGyver), idealizadores da expedição, pois na sua visão, éramos nós os “ditadores das regras do projeto”. Nota do autor.
Sabíamos que, á medida em que mais amigos tomassem conhecimento do projeto da viagem, teríamos um enorme problema nas mãos que seria dizer “não” àqueles que se candidatariam a irem juntos, haja vista que um numero grande de viajantes em um projeto longo como este, não é recomendado por ninguém que já o realizou.
Seria um erro, e o “núcleo duro” não estava disposto a cometê-lo.
Por outro lado, teríamos que nos segurar para não convidar o “nosso próprio melhor amigo” para ir junto, o que seria perfeitamente natural e compreensível que cada um quisesse levar junto o “seu parceiro” de viagem, pois todo mundo tem alguém em especial e que gosta de sempre viajar junto.
Estas e outras preocupações se davam porque em uma viagem longa, o tipo de moto usada pelo grupo deve ser, preferencialmente, igual, ou então próximas uma das outras, pois não há como realizar uma viagem em que algumas motos, por exemplo, tenham autonomia para 350 km e outras 150 km ?
Umas viajam a 120 km/hora e uma outra que não passe de 90 km/hora.
Lendo relatos de outros projetos, pude comprovar que um grupo com muitas diferenças, o risco de o mesmo se desfazer na estrada é alto, e como diz nosso amigo e companheiro Joaquim:
- Todos saem como irmãos e acabam virando primos no caminho, ou sequer isto.
Cientes deste risco, o “núcleo duro” celebrou um pacto, para tentar minimizar ou evitar este risco.
O pacto celebrado era:
“Ninguém convida ninguém para a viagem, sem antes consultar a todos do grupo e a aprovação deve ser unânime”.
Pacto feito, pacto aceito pelos 5 do “núcleo duro”
Mas houve um “acidente de percurso”
Era agosto, e realizava-se o 6o. Encontro de Harleyros em Blumenau, evento a nível internacional, realizado anualmente no mês de Agosto, em que o Chico é o idealizador e anfitrião.
Exclusivo motos Harleys, evento de enorme prestigio, e muito concorrido, considerado um dos melhores encontros do país.
No sábado de manhã, como de praxe, há um desfile de motos pelas ruas centrais de Blumenau e neste ano, contava com mais de 450 participantes.
Eu participava do desfile, com a moto emprestada do amigo Bogo, juntamente com o Chico, MacGyver, Buatim e Beber.
Em determinado momento, ouvi através do canal de rádio PX, a seguinte conversa:
- Ô Buatim, nós temos de ver os equipamentos, pneus e revisão de motos para a nossa viagem ao Ushuaia.
-Claro, temos ainda muito tempo para isso, mas temos de nos preparar.
-O que você me diz?... copiou?
Eu pensei:
Quem teria sido o “esquecido do núcleo duro” que, sem querer, havia anunciado o nosso projeto secreto e naquele momento, dava “a noticia ao vivo e a cores?”
Sem querer, o Beber havia “soltado no ar” a notícia de nossa viagem ao Ushuaia.
Debaixo do meu capacete, ao ouvir a mensagem do Beber, pensei:
- Temos nesta parada, no mínimo umas 300 motos, destas pelo menos umas 250 são modelo Electra que vem equipadas com rádio PX e muito provavelmente, sintonizadas no canal 11, que é o canal usado pelo grupo PHD.
- 10 entre 10 motociclistas desejam um dia viajar ao Ushuaia.
- Vamos ter muitos amigos querendo se juntar ao nosso grupo e vai ser difícil contornar a situação.
Seria quase impossível que ninguém estivesse com o rádio PX ligado e é claro, ouvindo a mensagem e o nosso “projeto secreto” de viajar ao Ushuaia em poucas motos, acabara de ir para o espaço!
Silencio total... ninguém respondeu nada à pergunta do Beber.
Pensei:
- Acho que ninguém ouviu e acaba de acontecer um “milagre” neste desfile.
Porém, milagre demais o Santo desconfia...
O Joaquim ouviu, ficou em silencio durante a parada toda (ainda bem), e o assunto voltaria novamente à tona, somente à noite, no jantar de encerramento, onde o Beber e Joaquim sentaram-se na mesma mesa
Sobre o convite, o Joaquim assim narra a sua estratégia para fazer parte do grupo nesta expedição:
-Gostaria de afirmar que ouvi sim o papo do rádio, mas confesso que minha ficha não caiu naquele momento.
- E justiça seja feita, o Beber NÃO me convidou na noite de encerramento.
- Na verdade ele num surto de "Gaúcho Papudo" virou para mim do nada, no maior convencimento e como se estivesse indo na esquina, declarou em tom solene: Estamos indo ao Ushuaia.
- Eu respondi: Ah é! Que legal. E quem vai?
- Ele desfilou a turma do “núcleo duro” que coincidentemente eu conhecia egostava de todos e aí sim minha ficha caiu.
- Então eu disse a ele: Gostaria muito de ir com vocês mas se não for possível pego minha turma, colo em vocês e faço o mesmo programa!
- Neste momento o gaúcho metido amarelou, ficou pálido e aí a ficha que caiu foi a dele.
- Se levantou sem dizer uma palavra, encontrou o Chico atrás de uma coluna e disparou: Chico, fiz *****...
- Foi um soco no fígado do pobre Chico, um filme passou na cabeça dele: Como vou brigar com a turma de Campo Grande?
- Eles enchem o meu evento de gente! E eu fico na maior mordomia quando vou a Campo Grande!
- Ai meu Deus minha vida vai ser um inferno!
- E o pior é que é capaz deles virem atrás mesmo.
- Beber seu jaguarão, confirma o gordo e pede pra ele não comentar com ninguém.
- O Beber que voltou detrás da coluna era outro: Perfeitamente meu querido! Você era tudo que precisávamos no nosso grupo!
- Seja bem vindo!
- Eu pensei com meus botões: É, a chantagem funcionou.
- O Pajé piscou..."
O Beber e o Chico então se viram em maus lençóis, pois tínhamos um pacto de silencio entre nós do “núcleo duro”, de não convidar ninguém sem falar antes com o grupo, e o Joaquim foi convidado por eles á revelia de todos.
Nós, já nos sentindo meio “excluídos” do “núcleo duro”, logo percebemos que foi um convite feito “sem querer – querendo”, entendem?
- Haviam convidado mais alguém?
- Quantos mais vocês convidaram, Beber e Chico?
- Não, mais ninguém só o Joaquim.
- Ufa, ainda bem
continua..........
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Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
Cap 6 - O pacto de silêncio que não funcionou
continuacao........
O “núcleo duro” recebeu naturalmente a notícia e ninguém se opôs ao Joaquim ir junto, pois éramos ainda só 5 motos, uma a mais, não faria diferença e o Joaquim era amigo de todos nós, um excelente companheiro de viagem e, sua moto, igual à de todos.
O fato de já ter viajado ao exterior com praticamente todos do grupo completavam o perfil.
Mas não podíamos deixar o Joaquim saber que ele foi “aprovado pelo núcleo duro”, pois ele sequer desconfiava do tal do “pacto de silencio” fechado entre nós.
Então foi meio que:
- Seja Bem vindo Joaquim!!
- Que legal que você vai junto conosco!!!
E fim de papo.
Agimos naturalmente, como se nada tivesse acontecido, e sem dar muitas explicações, pois a esta altura do campeonato, seria tentar explicar o inexplicável e a emenda poderia sair pior do que o soneto.
Como o Joaquim viria de C.Grande, por motivos de segurança na ida e na volta, o agora “núcleo duro, mais duro ainda”, decidiu sugerir ao Joaquim que convidasse um companheiro dele de Campo Grande, para lhe fazer companhia.
Coube ao Chico comunicar a ele a decisão do grupo:
- Joaquim, convida um amigo seu para lhe fazer companhia até Blumenau e o acompanhar na volta. Estamos preocupados com o Gordo.
- Mas Joaquim, é um só, entendeu?
O problema é que o Joaquim faz parte de um grupo grande de Campo Grande, chamado de “Crasy Dog Toba Red”, formado por pelo menos 40 Harleyros e todos amicíssimos dele e quando viajam, na maioria das vezes, viajam juntos.
Como o Joaquim iria chegar em Campo Grande, escolher um parceiro de viagem em meio aos seus 40 amigos?
- Problema dele, falamos.
E deixamos isto a cargo do companheiro Joaquim, afinal, não iríamos nos meter em terra alheia.
O Joaquim convidou o Toninho Morais, e nos avisou por email.
Agora o grupo contava com 7 motos.
Do Toninho Morais, recebemos o seguinte email onde expressa a sua alegria e emoção ao ser convidado para a viagem:
De: Toninho
Assunto: Re: Mais um meio macho...
Prezados senhores aspirantes ao título de "fazedor de tormenta".
É com a alma lavada, o coração encharcado e a voz embargada de emoção e agradecimento que me dirijo aos prezados, amados e queridos companheiros.
Uma pessoa como eu, calmo, ponderado e outras virtudes mais, como bem descreveu JB, após ter dobrado o Cabo da Boa esperança, começa a querer enfrentar e vencer novos desafios, talvez para mostrar para si e para os outros que é MACHO. Um desses desafios é sem duvida ir para Ushuaia e, nada melhor do que ir para lá com um grupo tão seleto como esse.
Me despeço, após estas poucas e sinceras palavras, desejando a todos um excelente final de semana e feriado
Abraço
PHD Toninho
Pronto!
Finalmente o grupo estava fechado, pactuado no silencio, e éramos 7 motos.
Mas será que estava fechado mesmo?
O Chico, conhecendo o Joaquim de longa data, e sabendo que o Joaquim era muito amigo do Alexandre Evangelista que mora em Florianópolis, “sugeriu” que o Joaquim “consultasse” o Lelê, se este estaria disposto a viajar junto no grupo na expedição.
Ou seja, o Chico, no fundo, queria o Lelê no grupo, mas como ele era do “núcleo duro” e um dos signatários do Pacto do Silencio, não poderia convidá-lo diretamente.
Induziu então o Joaquim, que ao invés de efetuar o convite diretamente ao Lelê, resolve consultar primeiro a querida do Alexandre, para sentir a reação dela.
Ela não só deu o alvará, como também incentivou o Alexandre a efetuar a viagem, sacramentando então o convite a ele.
O Lelê acabou sendo convidado indiretamente e veio a fazer parte do grupo, meio “sem que sem querer querendo também”, e não sabia de nada sob pacto do silêncio.
E isto tudo acontecendo nos bastidores, sem que o “núcleo duro” agora quase extinto, soubesse de nada.
A notícia da inclusão do Lelê foi dada pelo Chico, mas também indiretamente, dizendo que foi Joaquim quem o havia convidado e que ele não sabia de nada, numa confusão danada.
- Mas como o Joaquim convidou mais gente sem nos comunicar antes?
- Beber, você avisou o Joaquim do nosso pacto do silêncio?
- Eu não, alguém ai avisou ele
- Chico, o que houve?
- Não sei de nada...
- Isto vai virar um “trem da alegria”, e nossa viagem vai pro brejo!
Para o “núcleo duro quase extinto”, o Joaquim havia convidado o Alexandre Evangelista sem consultar o grupo.
Pronto!
De novo, um stress danado tomou conta do “núcleo duro”
Emails apavorados circularam de um lado para o outro.
Mensagens em celulares davam conta da temperatura alta e questionamentos se não havia mais gente sendo convidada “aos montes e sem controle”.
- Agora o Alexandre vai convidar um amigo dele também??!!
- Daqui a pouco seremos 20 motos em um projeto que éramos 5!
- E como fica o nosso projeto?!!!
- Gente, será possível que ninguém entendeu ainda que o grupo não pode ser grande?
Eu era um dos mais apavorados, pois já havia viajado antes em um grupo grande e havia sido um stress danado.
O Lelê estava feliz da vida por poder retornar ao Ushuaia onde já havia estado de moto alguns anos atrás, e já ia contando nos dedos os dias que faltavam para a viagem.
Agora, era o Joaquim que se via em “saia justa” pois não sabendo do pacto, se deu conta que havia convidado o Lelê sem saber de pacto algum.
O Lelê, neste meio tempo, vendeu sua antiga moto, uma Honda Gold Wind e adquiriu uma Electra Ultra zero km, e já fazia planos de estréia da nova moto nesta viagem ao Ushuaia.
E pior, não poderíamos deixar saber do pacto, e de que foi convidado “sem querer”.
O “núcleo duro” não se opôs ao convite feito ao Alexandre, muito pelo contrário, ficamos todos felizes em tê-lo como participante.
Coube a mim oficializar o Lelê no grupo, enviando a ele todo o material e o que havia acontecido até aquela data, emails trocados e todas as decisões tomadas até ali e o roteiro fechado para a viagem.
Com a confirmação dele, completamos o numero de viajantes, que desde o início tínhamos estabelecido como máximo: 8 motos iguais.
Tínhamos ainda a possibilidade remota do Bogo ir junto, já que fez parte das primeiras reuniões, mas depois, por motivos particulares, deixou a decisão em stand by, mas toda semana, me perguntava como estava o projeto e que “estava louco de vontade de ir junto conosco”.
Portanto, caso o Bogo decidisse por ir junto, seríamos 9 motos.
Ainda assim, no limite máximo, mas um número considerado bom.
Depois do ocorrido, em uma “reunião extraordinária e deliberativa”, o “núcleo duro – agora duríssimo e muito atento a tudo”, resolveu baixar uma regra ainda mais dura:
“Se alguém convidar mais alguém, este alguém vai entrar no lugar de quem convidou. O convidado entra e quem convidou sai”.
Era uma forma descontraída de dizer que o grupo estava de bom tamanho, 8 motos iguais, 8 grandes amigos e 9 sonhadores em partir para o Ushuaia, visto que o Alfredo, desde o início, planejou levar o filho Ivan na garupa, um privilégio de poder dividir com ele, esta aventura em 2 rodas.
Por incrível que pareça, talvez não tivéssemos tido tamanho acerto na escolha dos participantes desta viagem se tivéssemos feito de forma diferente como foi.
Tínhamos entre nós muitas coisas em comum, e muitos amigos nossos, que estão lendo este livro agora, vão entender porque não os convidamos para nossa viagem e não o fizemos por absoluta necessidade de manter um grupo pequeno, para garantir o sucesso do projeto.
Mas viajamos com todos vocês em nossos corações.
Bem, me parecia perfeito, gente experiente, pessoas que comungam a alegria e o companheirismo e isto seria fundamental para a nossa viagem.
Eu não tinha então nenhuma experiência na formatação de um grupo de viagem de longa distancia, e muito menos a pretensão de delimitar o número de participantes.
Mas também, não deixava de me preocupar com a nossa viagem, e por que não dizer, com a minha viagem, já que era um dos integrantes mais ansiosos por realizá-la e porque não dizer, um incentivador desde o princípio junto ao grupo.
Lembro que o projeto original nem era para ser Ushuaia tendo em vista a janela de tempo, e eu fui um dos que bateu o pé para que projeto se desenvolvesse nesta direção.
Então me sentia na obrigação de não tornar um projeto maravilhoso, em um desastre no final.
Me sentia mesmo o “guardião do projeto”.
Os meses seguintes seriam gastos na preparação do projeto, pois queríamos garantir um bom planejamento da viagem e poder curtir cada momento nesta fase.
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FC Sérgio Pires, uma maravilha essa viagem porque tenho pela primeira vez a visão dos bastidores de uma aventura desse porte, contada em detalhes o que nos permite respirar todos os passos rumo ao ligar os motores.
Parabéns!
Como temos um limite de 10.000 caracteres por postagem, sugiro, quando houver necessidade de dividir um capítulo, a publicação primeiro da segunda parte e em seguida da primeira.
Desculpe, mas a Angela e eu nos incorporamos ao grupo a despeito do pacto.
Abraços
Dolor e Angela
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Ushuaia – Duas Rodas e um Sonho
Cap 7 – Afiando os nossos machados
O fato de ainda estarmos em Agosto e programando a possível viagem para final de Dezembro, tem um efeito duplo.
Por um lado, chegaremos à formatação final da viagem com tempo suficiente para preparar a moto e a nós mesmos sem atropelos.
Por outro lado, cria um misto de ansiedade e incerteza, se de fato, o projeto vai ou não ganhar vôo.
É incrível como um objetivo faz bem as pessoas e talvez por isso, o homem é movido a sonhos.
O sonhar, mais do que traçar metas no horizonte futuro, transforma as pessoas e dá a elas o motivo que faltava para iniciar certas atividades visando preparar-se para aquilo que se avizinha.
É como um comandante às vésperas de uma batalha, em que conhece a força do inimigo e as limitações da sua tropa.
Neste instante, ele incondicionalmente, direciona esforços para o fortalecimento dos pontos fracos, do treinamento e aprimoramento da sua tropa, pois em caso contrário, perderá a batalha.
Nós somos assim, somos movidos pela necessidade e todos sabemos onde estamos bem, e onde precisamos reforçar nossas fraquezas.
Alguns dos membros do grupo, incluindo este que escreve, iniciaram um processo de condicionamento físico e fortalecimento de suas deficiências, a fim de suportar melhor o tempo e a fadiga que se vislumbravam e isto tudo, antes mesmo do projeto ter tomado forma.
É incrível que por vezes, ficamos ensaiando iniciar um tratamento ou o condicionamento físico, mas sempre arrumamos uma desculpa para não fazer naquele momento.
O Ushuaia é isso, desafia as pessoas a buscar o seu melhor, a se preparar bem para não fazer feio e ver seu sonho transformar-se em decepção.
Isto me fez lembrar de uma estória que já citei em algumas de minhas palestras, cujo título era:
O Velho Lenhador
“Em uma antiga vila de lenhadores, conta a estória que ocorria uma vez ao ano, uma competição, em que o vencedor seria sempre o lenhador que mais troncos cortasse ao final do dia.
Naquele ano, logo após dado o sinal da partida, os mais jovens correram á frente, e freneticamente, começaram a derrubar os troncos em grande velocidade, e avançavam rapidamente.
Lá atrás, um velho lenhador, de tempos em tempos, interrompia o trabalho e sentado, observava a correria e a velocidade com que os competidores mais jovens avançavam.
Um deles se aproximou dele e o interpelando, disse:
- Todos já avançamos e cortamos muitas árvores. Noto que o senhor interrompe sempre seu trabalho. Eu entendo que pela sua idade, o senhor deve se cansar mais rapidamente do que nós.
- Porque não desiste, salvando assim o pouco de saúde que lhe resta?
- Meu jovem, respondeu o velho lenhador, ocorre que eu estudei por semanas todas estas espécies de árvores desta floresta que ora estamos cortando, e eu sei que todos são troncos robustos e de madeira dura.
- Sem dúvida que recuperar o fôlego é importante, mas não o mais importante.
- Durante minhas paradas, eu não apenas recupero o meu fôlego, mas principalmente aproveito o tempo, para afiar o meu machado.
- Ter a ferramenta adequada e afiada é fundamental para gastar menos energia e poder chegar ao final do dia menos cansado e vencer a competição.
- E é exatamente isso que pretendo fazer hoje, vencer esta competição.
- Da forma como vocês fazem, não conseguirão sequer chegar ao meio dia, pois estarão exaustos pelo enorme esforço que fizeram por terem trabalhado o tempo todo, com a ferramenta despreparada.”
Relacionei a estória com o que estamos fazendo agora, nos preparando, e creio que neste momento, estamos apenas “afiando nossos machados”, á espera do momento da partida, para chegarmos ao fim da viagem inteiros.
O que importará menos para nós será quantos km agüentaremos pilotar a cada dia, ao contrário, priorizaremos o prazer do convívio e o sabor da vitória, quanto todos nós estivermos de volta em nossas casas.
Por isso, ao planejar uma viagem longa e a um destino como o Ushuaia ou um outro distante, deveremos saber exatamente o que vamos enfrentar pela frente.
Deveremos conhecer cada um os seus pontos fracos, e preparar da melhor maneira, a nós e a nossas maquinas.
E nada melhor do que contar com velhos viajantes, que acumularam experiências de viagens anteriores, que neste momento, usam sua sabedoria para agregar conhecimento ao grupo, buscando com isso, o melhor preparo.
Em toda grande viagem de moto, experiência e planejamento nunca devem dar lugar a pressa.
Ter membros experientes no grupo traz a todos nós um inexplicável conforto tendo a certeza de que, temos muito mais a aprender do que a ensinar.
Humildade, antes de tudo, pois aos mais experientes, obediência e respeito devemos ter.
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