Sinomar e Edivânia, GCFC O Velho Doido

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  • Renan Xavier
    Fazedor de Chuva
    • Jul 2011
    • 404

    #256
    05/01/2012 - quinta-feira - 258o. dia - Guiana Francesa

    Coloco as fotos quando encontrarinternet mais rápida

    Chegamos à Aduana às 10 hs, quando a última barca matinal estava partindo. Como precisávamos arrumar a documentação deixamos ela ir. Em vez de embarcarmos fomos abastecer a Celestina e procurar uma forma de trocar o dinheiro de Suriname por Euro que é a moeda circulante na Guiana Francesa, pois segundo informações daqui, lá não tem cambista.

    Ao parar na bomba de gasolina apareceram dois brasileiros. Depois estacionar no supermercado em frente descobri um monte deles. Fiquei quase uma hora conversando com os brasileiros de várias partes do nordeste brasileiro. Todos são garimpeiros e, segundo eles, são mais de 1500 brasileiros nessa situação. Ficam às vezes dois meses parados aguardando uma informação que a vigilância diminuiu e podem embarcar. São dois dias de canoa subindo rio acima e carregando canoa nas cachoeiras.

    Eles alegam que se a polícia pega toma toda a mercadoria que levam para sobreviver no acampamento e prendem. Porém quem consegue chegar no garimpo consegue ganhar muito dinheiro. A mineração da Guiana Francesa é muito melhor do que à das demais guianas. Depois conversando comum policial, este me disse que são mais de 15.000 garimpeiros ilegais trabalhando nos garimpos.

    Para confirmar a cordialidade das autoridades do Suriname, citada no Post anterior, ao esperarmos o Ferry, a polícia da aduana, nos deu bolo e coca-cola, além de nos arrumar mesa para escrever meu blog.

    A entrada na Guiana Francesa não foi muito fácil. O policial que atendia os imigrantes não quis nos atender; disse que precisávamos do visto e nos indicou o rumo onde ficava a sede da polícia, local que conseguiria o visto. Chegando lá fomos informados que teríamos que pagar E$ 120,00 (euros), E$ 60,00 para cada um. Olhei na mostra e só tinha E$ 10,00. Sai para procurar um caixa eletrônico na pequena vila o que não foi difícil. Nessa hora bateu uma vontade de ficar ilegal no país. Pensei: “o máximo que eles podem me fazer é me extraditar para o Brasil e é isso que quero”. Conforme viria saber posteriormente, felizmente não segui minha vontade. Ilegais aqui ficam no mínimo 8 horas presos, além que tirar foto de criminosos com numero no peito, etc.

    Depois de regularizados fomos procurar um local para comer,. Tendo em vista que minha fome era absurda. Nos questionamentos em Frances e inglês descobrimos que era cedo para encontrarmos sanduíche e pizzaria. Num giro descobrimos um supermercado. Um grande Supermercado. Ficamos tão felizes, por isso. Não compramos quase nadada, mas gostamos de supermercado fartos. Nas duas Guianas que passamos todos, mas todos, os mercadinhos são de Chineses e todos cópia um do outro: não têm quase nada.

    Com a moto estacionada debaixo da faixada do supermercado, para proteger da chuva que insistia desde quando estávamos na balsa, eu comi uma baguete de pão inteira com manteiga de leite; a baguete devia ter uns 60 cm. A fome era tanta que eu fui comendo, comendo, quando vi faltava pouco. Não tinha quem não reparasse aquela cena: dois famintos, ao lado de uma moto suja e cheia de saco pendurados, comendo como glutões. A Edivania matou uma travessa de frango assado.

    Como a chuva não parava e impedia as fotos da pequena e feia vila francesa, pegamos a estrada mesmo já um pouco adiantado da hora. Não foi uma boa escolha. Logo entramos numa reserva e a noite caiu e demoramos encontrar um local para dormir. A chuva deu uma trégua suficiente para montarmos a barraca e voltou a cair a noite toda.

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    • Renan Xavier
      Fazedor de Chuva
      • Jul 2011
      • 404

      #257
      06/01/2012 - sexta - feira - 259o. dia - Guiana Francesa

      Colocarei as fotos quando encontrar internet mais veloz

      A pilotagem pelas estradas francesas é muito legal. O asfalto impecável com curvas leves e pessoas muito agradáveis. Em qualquer lugar a gente encontra brasileiros. No caminho vi a placa de uma cidade cujo nome me pareceu familiar: Sinnamary. Sinnamary é uma minúscula vila mas muito gostosa e limpa. Tive a sorte de encontrar um Pit-Dog todo pintado com as cores do meu time do coração: o mengão. Mas para frente na estrada encontro um nativo com a camisa do Flamengo.

      Andando mais um pouco entramos numa cidade de nome Kourou. Essa cidade lembra um pouco as cidades do Canadá: casas sem muros, muita grama e limpa. Mas longe da aparência do Canadá. Essa cidade é uma cidade veraneio com praias relativamente bonitas e muita placas e enfeites remanescestes das festas de final de ano.

      Chegamos à Cayene, capital da Guiana Francesa, por volta de do meio dia. Apesar das inúmeras camisas rubro-negras, foi um carro com um adesivo da Gaviões da Fiel que me conduziu pela cidade até um Mac Donalds. Não achei ruim, porque ele é minoria.

      Demos um giro pela cidade, passamos num restaurante com Wi-Fi para atualizar os e-mails e partimos rumo ao Oiapoque. Seria 180 km de estrada e não sabíamos com estava.

      Logo que saímos de Cayene, começou as curvas e muita descida e subida. A estrada lisa proporcionava uma pilotagem muito gostosa. Tão boa que nem vimos o entardecer. Quando atentamos pela necessidade de dormir logo apareceu um Hotel Fazenda, a única construção nos últimos 40 km. Quem foi pessimista dessa vez, foi a Edivânia. Ela disse: “Eles não vão deixar acamparmos; é um hotel!”. Eu respondi, como ela sempre me responde: “o máximo que pode acontecer é receber um “não”!. Não só acampamos, como usamos ducha e banheiro do hotel.

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      • Renan Xavier
        Fazedor de Chuva
        • Jul 2011
        • 404

        #258
        07/01/2012 - sábado - 260o. dia - Saint. Georges - Guiana Francesa

        Fazia muito tempo que não pilotava gostoso como pilotei hoje. Foram 140 km de curvas, mas curva mesmo, cada uma mais fechada que a outra. E o piso muito bom. Quando o piso é ruim a gente para no meio da estrada para descansar; quando é bom a gente para para curtir. Foi por isso que numa área de escape da estrada parei para fazer um café. Tinha ultrapassado um comboio do exército e, quando eu parei, passaram buzinando e fazendo acenos para nós.

        Chegamos por volta do meio dia à cidade de Saint Georges, às margens do Rio Oiapoque, na Divisa com o Brasil. Que lástima! Assustei com a quantidade de gente na pequena vila. Os supermercados não cabiam mais gente, os bares lotados. Com o passar das horas fui descobrindo o motivo. Era dia de liberação da mesada dos índios e para os desocupados. Tanto os índios como os desocupados recebem uma mesada do governo Francês. Os índios recebem mais que os “civilizados”. Um casal de índio com três filhos recebe em torno de $ 2.000,00 euros, por mês. Para os civilizados existem algumas regras de idade e por tempo de trabalho já exercido e recebem menos.

        Ao anoitecer a vila parecia aquelas cenas de filmes da idade média na França e na Inglaterra. Era bêbado para todo lado, debaixo de uma chuva fina e constante; muitos já caídos pelo chão. As índias, bêbadas, tiram a blusa e andam expondo os seios pelas ruas menos movimentadas.

        Segundo informação de um brasileiro, que é professor de educação física aqui em Saint. Georges, os índios ficam na cidade bebendo até acabar o dinheiro e sujando as ruas. Ele afirmou que durante o restante do mês a cidade é bem limpa e tem pouca movimentação nas ruas.

        Quando chegamos a balsa que transporta os carros para a cidade de Oiapoque tinha acabado de sair. Informações davam que ela só atravessa quando tem carro do lado brasileiro ou quando ligam chamando. Diziam ainda que só para buscar a moto o valor era em torno de 200 euros.

        A centena de barqueiros que ficam procurando clientes para atravessar para o lado brasileiro nos assediava querendo levar a moto. A primeira pedida foi de 80 euros. Mas já tinha resolvido que dormiria na cidade para analisar melhor. Até a noite o valor já tinha caído pela metade.

        O local de parada da Balsa fica fora do local de maior movimento da cidade, estacionei a Celestina lá e fiquei contando com a sorte no sentido da balsa ainda voltar na vila. Enquanto aguardava fiz amizade com um Frances que é instrutor de caiaque e outros esportes hídricos e preside a associação dos amadores. O cara nos cedeu local para dormir e até internet tentou, mas tinha esquecido a senha.

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        • Renan Xavier
          Fazedor de Chuva
          • Jul 2011
          • 404

          #259
          08/01/2012 - Domingo - 261o dia - Oiapoque - Brasil

          Quando encontrar internet mais veloz coloco as fotos

          Tinha decidido que esperaria a balsa até meio dia, caso contrário atravessaria de canoa. Porém indo à padaria encontrei um dos barqueiros de ontem que me convenceu aproveitar a maré alta para embarcar a moto na canoa. Ele e outros já tinham me dito que no domingo a balsa não trabalha. O barqueiro fazia a travessia por 40 euros, incluindo dois ajudantes.

          Fechamos o negócio e nós quatro começamos o embarque da Celestina dentro de uma canoa. Primeiro tiramos toda sua carga. A chuva não parou mais até as 16 horas. Algumas horas mais fina, mas sem parar. O embarque e o desembarque foi debaixo de chuva fina. Para montar a bagagem na Celestina tivemos que vestir as roupas e capacete para nos proteger da água.

          Saímos e busca de um posto de gasolina. Nele demoramos pedindo informações a respeito da estrada até Macapá e aguardando a chuva afinar. Cheguei a pensar em pegar a estrada. Mas o juízo manifestou e saímos a procura de hotel com internet. O que tinha, estava fora do ar. Então, quando a Edivânia saiu de um desses hotéis, um carro a abordou e começo a fazer perguntas. Aproximei e o cara perguntou se eu queria hotel. Nem esperei ele terminar o questionamento e já respondi: “queríamos um hotel por causa da internet, mas como nenhum tem, pode ser qualquer local coberto para acamparmos!”. O cara então respondeu: “eu tenho uma área coberta e tenho internet. Se quiserem ir para lá!”. Dentro de poucos minutos já estávamos protegidos da chuva dentro das instalações e do escritório do proprietário da barca. Banheiro, ducha e cozinha toda equipada. Ele nos cedeu a chave e disse: “a chave dessa sala eu não deixo nem com meus funcionários. Não a entregue para ninguém!” O nome do simpatissímo sujeito é Luiz Ataíde que é proprietário da Lunay Empreendimentos, concessionária da balsa, cujo e-mail é: balsalunay@hotmail.fr.

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          • Jhonny
            Fazedor de Chuva
            • Dec 2011
            • 504

            #260
            Que aventura, estou curioso pelas fotos, sou do tipo que adora livros ilustrados... Boa viagem Velho Doido
            J.Fernandes

            A distância de um sonho...
            Quebram-se férreas cadeias, Rojam algemas no chão...

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            • Renan Xavier
              Fazedor de Chuva
              • Jul 2011
              • 404

              #261
              09/01/2012 - segunda-feira - 262o. dia - Oiapoque - Calçaene - Amapá

              Nos primeiros 15 km de estrada de terra eu já tinha levado duas quedas. A primeira foi numa ponte de madeira. Quando eu ia seguindo a guia das rodas fui olhar para o rio e a roda dianteira saiu da Guia que era muito alta e nos levou ao chão. Com a queda, para o lado esquerdo, minha perna ficou presa entre as ferragens e a madeira e doeu muito. Na hora pensei que tinha torcido ou quebrado o pé. Mas o pé a bota salvou. A noite, constatei que no osso da minha canela tinha um “galo”. Como em todo nervoso, meu intestino me obrigou a procurar um galho para sentar. Enquanto isso a Edvânia preparava um café para reestabelecimento das minhas energias.

              Nem bem tinha esquecido as dores, veio a segunda queda. Dessa vez, foi um erro de avaliação do terreno. Ao ver uma pequena poça d'água, imaginei: “ela é pequena. Dá para passar mais rápido”. Passar até que passei. Porém ao injetar gasolina para tracionar a roda traseira saiu violentamente para o lado e não deu tempo de obter ajudas das pernas. Geralmente quando a roda perde aderência eu coloco o pé no chão e ela se ajeita. Mas dessa vez eu nem estava preparado para o perigo e a guinada foi muito rápida.

              Nessa segunda queda a moto caiu para o lado direito, justamente para o lado em declive. Com isso ela quase que ficou de cabeça para baixo. Então o sofrimento foi para levantá-la foi muito grande. Para piorar pintou o desespero, tendo em vista que vazava gasolina do tanque principal e de um galão reserva. Portanto não poderíamos aguardar uma pessoa para ajudar.

              Fizemos muita força. Só conseguimos quando eu passei para as bagagens e a Edivânia para o guidão e tanque. Com a bagagem fazendo alavancagem foi mais fácil, mas nessa altura do campeonato já estávamos mortos de cansados.

              A Edivânia tem usado algumas expressões para me elogiar na pilotagem por pistas difíceis ou grandes cidades, ou mesmo no trânsito caótico do Peru e México: “eu tiro o chapéu para você”; ou “eu piro como você consegue pilotar nesse lugar!”. Porem após as duas quedas esses elogios acabaram. Ela não podia ver uma ponte ou um barro que queria descer. Muitas vezes quando eu demorava a frear, ela descia o tapa nas minhas costas pedindo para eu ir mais devagar.

              Por isso que digo: “as virtudes, tal como a honestidade, são frágeis. Temos que zelar por elas cotidianamente”.

              Mas depois que descobri que o piso da estrada vira sabão, quando molhada. Não tivemos mais problema.

              Quando chegamos à Calçaene, a primeira cidade após Oiapoque, eu estava morto de cansado. Parei no posto da cidade, apesar de ser 16 horas, disse para a Edivânia: “não dirijo mais nem um quilômetro. Vamos dormir nesta cidade”.

              Como o posto de gasolina não tem movimento ficamos por ali sentados conversando com o frentista. Ao ir ao banheiro descobri que o posto tinha um barracão com sala, banheiro e cozinha. Logo dei a facada e a resposta foi positiva. Arrumamos nossas coisas na sala.

              Não dormi direito. Primeiro porque comemos um X-bacom e o bicho não derretia no meu estômago. Depois devido ao calor e porque senti um pouco de febre, acho que por conta do cansaço.

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              • Dolor
                Fazedor de Chuva

                • Mar 2011
                • 3250

                #262
                10/01/2012 - Terça-feira - 263o. dia - Macapá

                nos conduziu até o Shopping da cidade para comermos um sanduíche. Acabamos comendo uma pizza.



                Através de informações, saímos a pé até um hotel próximo, onde nos instalamos. Nesse hotel a Celestina teve que ficar na calçada ao lado da grande janela da recepção. Posteriormente, o recepcionista pediu para eu deixar um pacote de cartões com ele, tendo em vista que a curiosidade popular era muito grande. Até uma Morrinhense nos procurou no hotel, após ver a moto estacionada.


                A noite dedicamos um grande tempo na porta do hotel dando explicações sobre a nossa viagem.

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                • Dolor
                  Fazedor de Chuva

                  • Mar 2011
                  • 3250

                  #263
                  11/01/2012 - Quinta-feira - 264o. dia - Santana - Macapá

                  Depois de dar um giro pelo centro de Macapá, por sinal, o pior asfalto para motociclista da viagem, rumamos para Santana. Os caras não capricham nos remendos do asfalto, de forma que, passear pela cidade, em uma moto Custon, deixa de ser prazer para se tornar sacrifício.


                  Santana é uma cidade portuária, próxima de Macapá, de onde partem os “barcos ônibus” para as diversas cidades do norte. Na primeira agência de venda de passagem descobrimos que tinha um navio que saia às 17 hs. Fomos em outras para comparar os preços mas fechamos com a primeira. Fechamos R$ 200,00 para a Celestina e R$ 150 para cada um. Compramos para a sala VIP e a coitada da Celestina veio no meio do povão e o navio foi O Almirante do Mar.


                  Acho que não dou conta de descrever a sensação do embarque. Penso que a imagem que mais se aproxima, é a cena de embarque do Titanic. Mas tenho em mente outras cenas de embarques mas não sei dizer o filme. Aqueles navios que saiam da Espanha ou Londres rumo ao oriente ou às Américas.


                  O Almirante do Mar chega de Belém e retorna no mesmo dia. Enquanto as pessoas que desembarcam aguardam a retirada de suas enormes bagagens; inclusive algumas mudanças; outras centenas de pessoas entravam. Muitos acompanhantes entram no navio para dar o “ultimo Adeus” aos seus queridos. Enquanto grande quantidade de mercadorias vão sendo amontoadas do lado de fora do navio, outra quantidade muito maior vão saindo e sendo amontoada ao lado. De forma que vira uma confusão danada. Pessoas e mercadorias saindo e entrando. Estivadores gritando entre eles e para os pedestres.


                  Apesar de chegar para embarcar às 15 horas, mandaram eu esperar o embarque e o desembarque das mercadorias e só fui embarcar a Celestina por volta das 17 hs. Enquanto isso o navio enchia de gente. O navio só partiria por volta das 18:30.


                  Quando me autorizaram a entrar, pensei: “que jeito! Não cabe mais ninguém nesse navio. Que jeito vou andar com a Celestina lá dentro? “. Mesmo assim fui seguindo o estivador meu orientador; peguei uma rampa de madeira que era compartilhada com pessoas. O estivador ia gritando para as pessoas afastarem, muitas vezes empurrando e eu ia o seguindo.
                  A impressão que ficou após estacionar a moto foi que aqueles, aproximadamente, 15 metros foram a distância mais longa percorridos da minha viagem. O pneu da moto quase passava sobre os pés de adultos e crianças; tinha que abaixar a cabeça para não ser enforcado pelas redes já estendidas. Quando a roda dianteira entra no navio começa o primeiro sacrifício de manobragem. Tinha que manobrar de forma que ela entrasse para a esquerda, próximo da lateral e sem deixar o pneu traseiro despencar no rio. Depois caminhei em linha reta até chegar ao local da manobra para o lado direito. Outro sacrifício. Depois teria mais outra manobra para levar a Celestina até à popa do navio. Mas o mata cachorro não coube. De forma que me mandaram seguir, manobrar a Direita e estacionar na borda esquerda do navio.


                  O local que ela ficou era o corredor para se chegar até o banheiro. Com a Celestina ali, todas as pessoas teriam que agachar para passar. Mas naquele tumulto todo, não dava para raciocinar. A nossa única ação foi ficar perto da Celestina até o navio partir. Logo apareceu o comandante do navio que implicou com o local de estacionamento. Posteriormente o homem que recebia os bilhetes na entrada nos procurou perguntando o quanto pagamos pela moto. Mostramos as passagens e ele exclamou que o valor tinha sido muito barato e me sequestrou todas as passagens. Após o navio partir o procurei e recuperei as nossas, mas a da Celestina não me foi devolvida.
                  O navio tem três convés, ou três andares. No primeiro, as passagens custam R$ 130, conta com chuveiros e banheiros; nesse andar ficam os camarotes da tripulação (funcionários). No segundo convés ficam a área VIP no valor de R$ 150, onde fiquei que conta co ar condicionado. Nesse andar tem duchas, banheiros e o restaurante; também os camarotes para passageiros. No terceiro é onde fica o bar e área de lazer.
                  Quando o navio partiu, deixamos a moto ali estorvando todo mundo e fomos procurar a área VIP. Quando descobrimos a área VIP levamos um choque. Não havia absolutamente um local para dormirmos. As redes ocupavam a parte aérea, as malas ocupavam o piso debaixo da redes e toda a lateral da sala. Em alguns lugares eram empilhadas.
                  Estava me esquecendo de contar: com exceção das pessoas dos camarotes, éramos os únicos passageiros do navio que não tinha rede para dormir.
                  Quando chegamos para embarcar e a Edivânia viu aquela bagunça percebi que o sangue sumiu do seu rosto. Ela não disse nada, mas dava para perceber que estava com vontade de sair correndo. Quando ela viu a sala onde dormiríamos aconteceu a mesma coisa; só fez uma pergunta: “como dormiremos?” e respondi: “igual galinha: em pé. Apóia-se numa perna e encolhe-se a outra, assim altaternadamente”.
                  Para sair daquele estado de choque a convidei para acabar de conhecer o navio. Chegando na área de lazer onde um DJ animava o ambiente com músicas da região. Sentamos por ali, por volta das 19:30 e só saímos as 22:30 quando encerraram o barulho. Esse Dj depois se transformou em cantor e logo convidou as pessoas para dançarem. Não demorou estávamos fazendo sucesso com nossos passos de dança. Fomos elogiados insistentemente pelo cantor.
                  Saímos do bar e fomos direto para onde a Celestina estava para providenciarmos um banho. Tiramos nossa roupa de motociclista e botas no banheiro do piso um, mas fomos tomar banho na nossa área. Quando subimos levamos os colchonetes e travesseiros que foram encostado num minúsculo espaço vago.
                  Após o banho recomendei para a Edivânia: “previna-se que nossa noite não vai ser nada fácil”. Pedi a ela que escolhesse o local da parede que queria dormir, quando ela perguntou: “de que jeito?” e eu respondi: “escolha o local que eu te darei as condições necessárias! “. Ela deu uma volta e me apontou o local que seria melhor e onde existiam diversas malas. Então como todos estavam dormindo, comecei a amontoar malas e desocupar o local e assim deitamos cabeça com cabeça na lateral do navio.
                  Com vinte minutos fui até a Celestina para buscar a jaquetas porque o frio do ar condicionado era muito forte. Com mais 20 minutos fui buscar as calças de motociclistas e as meias, porque não conseguíamos dormir por causa do frio.
                  

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                  • Dolor
                    Fazedor de Chuva

                    • Mar 2011
                    • 3250

                    #264
                    12/01/2012 - quinta-feira - 265o. dia - Navio Almirante do Mar.


                    Às 6:30 acordei com diversos pés próximo da minha cara: era a fila do café da manhã que era servido no restaurante. A Edivania indiferente, continuava dormindo. Esperei a fila diminuir e fui tomar café. Foi nessa hora que descobri que estávamos famosos dentro do navio. Tanto pela Celestina como pela dança.



                    Subimos para a área de lazer e ficamos lá curtindo o som e a paisagem proporcionada pelo Rio Amazonas, quando descemos e fomos dar continuidade ao sono. Dormimos pouco, porque o movimento era grande próximo aos nossos colchonetes.

                    Na hora do almoço o gerente do navio afirmou que nunca viu dançarinos tão bons no seu navio. Sentimo-nos vaidosos (vaidade! Ahhh, vaidade! neblina da nossas deficiências!). Como fomos almoçar bem próximo do horário final ficamos no meio da tripulação, quando fomos motivo de muitos questionamentos a respeito da viagem. Foi como uma palestra.



                    Um determinado momento da tarde, enquanto a Edivania tirava um cochilo, fiquei filosofando a respeito daquela experiência. Ver a convivência de 220 pessoas dormindo e permanecendo a maior parte do tempo em redes que, de tão próximas, uma tem que ficar mais alta que a outra, para caber mais gente. Geralmente são três níveis de rede: uma bem baixinha, outra no meio e uma mais alta que, para a pessoa descer, precisa pisar na do meio. Se um roncar, e havia ronco, o outro tem que virara cabeça. Observei que na parte de baixo, onde não havia ar condicionado, algumas mulheres descuidavam do seio e o mamilo aparecia. Claro que isso deve ter incomodado o vizinho.



                    Com exceção dos familiares acompanhantes, todos, há a poucas horas, eram totalmente desconhecidos, mas que, agora, tornaram-se amigos. Uns ajudando os outros, sobretudo as mães com bebês viajando sozinhas, que eram muitas. Crianças gritando, chorando e brincando de esconde-esconde no meio das redes, toleradas pacientemente por todos. Nós, por causa da moto, éramos parados por onde andávamos parecendo tratarem-se de antigos conhecidos.



                    A chegada do navio em Belém ocorreu por volta das 20 horas. Descobrimos que além de ter que esperarmos todo mundo descer para depois tirarmos a Celestina, teríamos que esperar a maré subir, também. O nível do rio estava uns 5 metros mais baixo do que o piso onde estávamos. Desenrolei os colchonetes e dormi em cima de umas tábuas. Uma hora da manhã me acordaram para tirar a moto. Tiramos a moto; deixamos a moto ao lado de fora num local seguro e voltamos para dormir no navio. Não dormimos muito porque ficamos conversando com dois motociclistas brasileiros (Messias e Celso) que estão fazendo uma aventura São Paulo-Jalapão-Oiapoque-São Paulo e porque às 5 hs os estivadores começaram a entrar com mercadorias, pois o navio retornaria para Macapá às 10 hs. Amaré tinha abaixado para o mesmo nível da chegada.



                    Se não tivesse tirado a moto, teríamos q voltar para Macapá.

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                    • Dolor
                      Fazedor de Chuva

                      • Mar 2011
                      • 3250

                      #265
                      13/01/2012 - Sexta-feira - 265o. dia - Belém



                      Procuramos um hotel para descansar. Encontramos um no centro que deu para dar uma caminhada na hora do almoço, quando visitamos o mercado Ver-o-Peso e adjacências.



                      Depois voltamos para o hotel para colocar o sono em dia.



                      Afinal dormimos menos de quatro horas na noite.

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                      • Renan Xavier
                        Fazedor de Chuva
                        • Jul 2011
                        • 404

                        #266
                        14/01/2012 - Sábado - 267o. dia - Rodovia Belém-Brasília

                        Dormimos em Paragominas, após uma viagem muito tranquila, apesar do calor. Dormimos na área coberta do estacionamento dos caminhões do posto, mas usamos o wi-fi do hotel, ao lado.

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                        • Renan Xavier
                          Fazedor de Chuva
                          • Jul 2011
                          • 404

                          #267
                          15/01/2012 - domingo - 268o. dia - Rodovia Belém-Brasília

                          Pegamos chuva após as 14 hs. Paramos para abastecer e demoramos mais um pouco para fazer um café. Os postos dão café grátis mas é muito doce para meu diabetes. Assim tenho tomado apenas uma dose por volta das 10 hs e outra lá pelas 15 horas. Enquanto eu tomava o café ocorria uma batida entre 3 caminhões alguns km mais a frente. Chegando lá tivemos que usar um desvio no qual a celestina e eu sofremos muito. Depois de passar, o cansaço era tanto que arrependi de não ter voltado e dormido. A previsão de desocuparem a pista era lá pela madrugada. Dormimos num galpão, ao lado da oficina de um posto de gasolina, próximo ao trevo de Araguaína

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                          • Renan Xavier
                            Fazedor de Chuva
                            • Jul 2011
                            • 404

                            #268
                            16/01/2012 - Segunda-feira - 269o. dia - Rodovia Belém-Brasília

                            Hoje se pilotei duas horas sem chuva foi muito. Chuva desde a madrugada até dormir. Ora mais forte, ora mais fina, mas sem parar. Mas a viagem foi tranquila. Andei bem devagar de forma que não tinha que ultrapassar muitos caminhões e nem era ultrapassado, com frequência. A segurança tem sido minha grande preocupação neste final de viagem. Já pensou se eu morrer no final?

                            A Celestina também não está muito legal. Quando aperto na acelerador ela tem dado uma engasgadas. Por isso evito forçá-la muito nas ultrapassagens. Dormimos na sacada da loja de autopeças do posto de gasolina. Os postos de gasolina por essas bandas oferecem até ducha com água quente.

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                            • Renan Xavier
                              Fazedor de Chuva
                              • Jul 2011
                              • 404

                              #269
                              17/01/2012 - terça-feira - 270o. dia - Comemoração do 9o. mês na estrada

                              Para comemorar o 9o. mês na estrada, preparei um vídeo para os internautas curtirem.

                              Video Estradada de terra entre Roraima e Guiana Inglesa

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                              • Dolor
                                Fazedor de Chuva

                                • Mar 2011
                                • 3250

                                #270
                                GCFC Velho Doido, Edivania e Celestina, é aventura pra ninguém botar defeito!

                                Tenho aproveitado cada linha dos relatos para admira-los cada vez mais e estamos na contagem regressiva para o Encontro de Motos em Morrinhos, quando teremos o maior prazer em certifica-los com Grandes Caciques Fazedores de Chuva.

                                "Qualquer um pode fazer, porém, poucos o fazem..."

                                Vocês valem cada quilômetro!

                                Abracos
                                Dolor e Angela
                                www.fazedoresdechuva.com
                                Presidente

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