Sinomar e Edivânia, GCFC O Velho Doido

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  • Dolor
    Fazedor de Chuva

    • Mar 2011
    • 3250

    #226
    10/12/2011 - Sábado - 232o. dia - Darien Gap

    Após o café da manhã a rapaziada pulou na água para nadar e a Edivânia e eu pegamos o bote e fomos até outra ilha próxima do navio e a circulamos andando pela areia e arrastando o bote.

    A água que no local mais profundo é azul, na orla já se torna verde. Um lado da ilha, o voltado para o mar aberto é muito bonita. Porém o lado onde a água é mansa tem muito, mas muito lixo. Tivemos que subir no barco novamente para evitar pisar ou encostar no lixo. É uma pena!.

    Esse lixo vem do alto mar ou até da costa, não sei. Mas os índios por um dólar pega o lixo dos navios e levam para suas ilhas.

    Foi um passeio muito romântico. Na volta para o barco pegamos um veto contra que dificultou as remadas e cansamos muito. Mas isso serviu para temperar o romantismo com um pouco de aventura.

    Por volta das 15 hs partimos rumo a Cartagena. Antes, porém, o capitão Israel, estabeleceu uma lista de restrições que achei justas. Visam a segurança de todos.

    Agora estamos em alto mar balançando mais que avião no meio da tempestade. São 18:30 e já está escuro por causa de uma chuva e com isso as ondas aumentaram de tamanho e levamos muito saculejo. O nosso aposento fica bem no bico do navio e por isso sentimos quando ele embica e depois sentimos quando ele sobe. Quando desce dá um vazio na barriga que está sendo difícil segurar o enjoou.

    Somente a Edivania e eu temos quarto privativo. Os demais dorme de forma coletiva. Nós ficamos no bico; no meio ficam a cama do casal de suíço e um “berço” onde fica o Uruguaio. Na frene do Uruguaio fica a cama do capitão e na frente dos Suíços fica a cozinha. Tudo sem divisória.

    Noutro aposento, mas atrás do navio tem uma cama grande onde dormem os três holandeses. O nosso local, alem da privacidade, é bem mais arejada. Tem uma escotilha acima que fica aberta quando não tem chuva e, quando a chuva é fraca, semiaberta. Também é o único quarto que tem ventilador. Mas balança muito. É como andar numa montanha russa. Em condições normais é até gostoso o balanço.

    A previsão de viagem é de 48 horas, ou seja, dois dias completos levando essas pauladas. Esta sim! É uma aventura.

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    • Dolor
      Fazedor de Chuva

      • Mar 2011
      • 3250

      #227
      11/12/2011 - Domingo - 233o. dia - Darien Gap

      A partir das 23 hs de ontem até lá pelas 9 horas de hoje estivemos sob tormenta. No inicio foi muito forte o Capitão determinou que todos fossem para suas camas e, ele e seu auxiliar, trabalharam muito. Nós também sofremos. Fiz a seguinte média: 40% ficávamos de cabeça para baixo; 40% de cabeça para cima e uns 20% na horizontal. Média muito otimista, porque acho que não fiquei na horizontal esse tanto de tempo. Cada grande onda que via levantava o bico do navio e quando chegava no fim, levantava a popa do navio e proa embicava. Tinham momentos que ficávamos sem contato com a cama; a cama vinha encontrar com nosso corpo já na volta. Mesmo assim conseguimos dormir. Depois que percebemos que a tormenta não passaria dormimos. Mesmo com as velas recolhidas o barco tombava muito e isso me fazia acordar para ajeitar o corpo.

      O restante do dia foi normal, exceto por uma discussão que tive o capitão. Devido ao mau tempo ele nos deu uma maça para cada um do grupo de manhã e insisti que com uma panela tampada dava para esquentar uma água para eu fazer meu café com leite. Com a cara não muito boa ele fez. Lá pelas onze saiu um café com leite. No almoço sem justificativa nenhuma foi nos dado duas opções: um copo de sopa ou um sanduíche. Nós escolhemos sanduíche e demos sorte porque pudemos comer dois o pessoal da sopa, também avançaram no pão de forma. Logo em seguida eu pedi um pouco de água quente para meu café. Ele fez cara feia. Quando foi lá pelas 16 horas serviu um pouco de mamão com abacaxi que foi muito pouco. Então eu peguei o meu copo particular, coloquei do meu leite e do meu café, pequei da minha bolacha e subi para convés e pedi mais água quente e novamente ele fez careta.

      Então fui obrigado a lembrar-lhe que ao partir ele nos disse que haveria 5 refeições: de manhã, as 10 horas frutas e almoço. Ás 16 hs teria um lanche e a noite jantar. Perguntei se teríamos carne ele disse, naquela oportunidade, somente pescado.

      Acontece que apareceu pescado uma vez no segundo dia á noite que ele comprou de um índio. Eu não gostei, sobretudo porque estava tarde da noite, mas o grupo gostou.

      Discutimos um tempo e o Uruguaio ficou omisso; o grupo de holandeses e suíços não entendia nada, mas quando ele trouxe minha água e perguntou-lhes se alguém queria leite com café todos quiseram. Inclusive a mulher do capitão e ele próprio.

      No primeiro dia fui até o fogão barco para fazer meu próprio café. Na segunda ida minha ele me abordou perto de todo o grupo que somente sua esposa estava autorizada a mexer no fogão. Aí eu respondi que tudo bem; eu pediria a ela. Na primeira veza que a pedi ela fez careta, também.

      Mas ele tem uma grande virtude que admiro nas pessoas. Ele não guarda rancor. Ela já brigou com outros, mas logo está legal.

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      • Dolor
        Fazedor de Chuva

        • Mar 2011
        • 3250

        #228
        12/12/2011 - segunda-feira - 234o. dia - Desembarque da moto
        Do barco avistamos as luzes de Cartagena ainda a noite, mas o capitão diminuiu a velocidade para chegar durante a claridade, tendo em vista que, no porto para barcos pequenos, tem uma barreira de pedra construída pelos espanhois para impedir os ataques de piratas, na qual só existe uma passagem demarcada por bóias.

        Às 6:20 estávamos fotografando Cartagena de dentro do mar. Porém o capitão não encontrou cais vago para descarregar as motos e resolveu servir um café com leite e torrada para esperar. Por volta das 10 hs ele resolveu desembarcar os passageiros muchileiros quando contratou uma uma grande cano para pegar as motos no barco no meio da baia e levá-las até a borda.

        Cheguei a comer as unhas quando me faulou desta opção. Mas apesar do medo a transposição das duas motos foi bem tranquila. Não obstante do grande esforço dos 5 homens e eu.

        O intermediário que arrumou nossa imigração disse que naquele horário podíamos esperar o expediente da tarde na aduana que iniciaria as 14 hs. Chegamos na Aduana pontualmente as 14 hs e só fomos sair as 16:30. Nunca vi tanto pouco caso do funcionário público como nesse lugar. Eles distribuem os processos por empregado e caímos na mão de um que não aparecia e a mulher que atendeu outros motociclistas que chegaram depois de nós disse que não podia nos atender.

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        • Dolor
          Fazedor de Chuva

          • Mar 2011
          • 3250

          #229
          12/12/2011 - Comentários para os motociclistas

          Atenção motociclistas, sei que minha recomendação não vai adiantar nada, porque não adiantou para mim. Um motociclista brasileiro, quase implorou para eu não atravessar o Darien por barco. Ele me contou seu sofrimento e eu pensei: “ele não deu sorte, coitado!”.

          Eu dei sorte, mas não repetiria a viagem. A Silvia que me atendeu em Porto Lindo foi muito correta; o capitão Israel é muito correto; um profissional exemplar. Apesar dele não ter uma preocupação com a satisfação do cliente. Seu maior orgulho é ser Capitão. Ele se sente muito bem sendo o chefe geral. Mas fora isso é excepcional.

          Quem for viajar tome alguns cuidados em levar as coisas que gosta de comer e que não PRECISA DE FOGO. Porque a qualquer vento mais forte o capitão proíbe o fogo e muita coisa mais. Percebi que em outros barcos são os passageiros que cozinham, então mais uma razão para você ter uma sardinha ou atum na bagagem. O barco carrega pouco gelo e em dois dias acaba, daí para frente a cerveja que você levar só quente. O peixe não pode ser guardado e por isso só come se os índios forem vender, como na maior parte da viagem não há índio, a comida é macarrão um dia, arroz com cenoura em outro, pão de forma com queijo em outro, sopa em outro e sopa de lentilha em outro.

          A sorte foi que trouxe muitas maças, barra de cereal, bolachas, batatas em sacos, sardinha e bacon em conserva. Entretanto, o estômago não aceita muita coisa dessas que levei mas foram melhores que o servido no barco.

          Bom, feito as recomendações acima, e mesmo assim, o motociclista optar pela viagem procure a Silvia. Ela tem o barco dela, que foi esse que vim, e outros contatos. Por isso ela pode atender o viajante tanto em Porto Lindo, onde mora, como em Cartagena, pegando os barcos de volta.

          O site dela é www.hostelwnderbar.com, o seu e-mail é hostel.wunderbar@yahoo.com,

          Conheci um casal de brasileiros que atuam nesse mercado há seis anos mas eles não transportam motos. Seria mais para os muchileiros. Seu e-mail é federico_layolle@yahoo.com.br.

          Portanto, para finalizar dou a seguinte sugestão aos motociclistas. Deixe a muito em Colon e pague um Cruzeiro de ida e volta até Cartagena, com cassino, discoteca, piscina, shows, para em ilhas e não BALANÇA. O preço dessa viagem é de U$ 500. No barco a gente fica roxo de tanta pancada. Para usar o banheiro um trabalho enorme. O comandante determinou que os homens mijariam no mar e só faria o número dois no banheiro para economizar água. Mas mesmo assim era muito difícil, tanto no mar como no minúsculo banheiro.

          A passagem entre Colômbia e Panamá só de avião que pagamos U$ 900 pela moto e U$ 150 por pessoa (mas essa possibilidade de viajar com a moto só se estiver de sozinho ou de dois. Não carregam mais de dois passageiros). No barco se cobra U$ 450 para a moto e U$ 450 por passageiro. A viagem de avião gasta um dia de preparação e uma hora de viagem; de barco os preparativos podem chegar a 5 dias e mais 5 de viagem.

          Se você quiser fazer um passeio de barco, até San Blaz pode contratar um só para ir até elas e voltar.

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          • Dolor
            Fazedor de Chuva

            • Mar 2011
            • 3250

            #230
            13/12/2011 - terça-feira - 235o. dia - Cartagena

            Hoje aconteceu uma coisa estranha. De manhã a Edivânia alegou que o prédio do hotel estava balançando. Eu disse que podia ser, tendo em vista que estávamos no segundo piso e o prédio é de estrutura de madeira. As vigas, pilares e assoalho são de madeira.

            Depois eu estava na sala do café e senti o chão tremer, então virei para a camareira que estava próximo de mim e perguntei-lhe porque o piso tremeu. Ela mais que intrigada demorou a entender e quando entendeu disse que não sentiu nada.

            Andando pela rua encontramos o casal de Suíços que viajou com a gente e a primeira coisa que a moça disse foi perguntar se nós também estamos sentindo o chão tremer. Rimos muito ao chegar a conclusão que ainda estávamos com vertigem da viagem.

            Ficamos quase o dia todo no quarto do hotel. Acho que o corpo e a mente já estão fugindo das dificuldades que nos espera até o Brasil, passando pela Venezuela, Guianas e Amapá.

            Amanha faremos um giro pela cidade e pegamos a estrada.

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            • Renan Xavier
              Fazedor de Chuva
              • Jul 2011
              • 404

              #231
              14/12/2011 - quarta-feira - 236o. dia - Cartagena de Indias - Barranquilla - Cienaga





              A Edivânia está tão cansada do navio que não queria deixar o hotel antes da hora máxima para o check-out que estava prevista para as 13 hs. Com muito custo a convenci de pegar a moto e dar um passeio pela cidade utilizando.
              Eu imaginava uma Cartagena bem pequena, mas a cidade tem mais de um milhão de habitantes. Mas o que atrai os turistas é a pequena cidade histórica. Uma cidade cercada por uma grande muralha cheia de canhões virados para fora. Dentro dessa muralha tem a maior ocupação de espaço com construção que eu já vi. São casas absolutamente grudadas uma nas outras, divididas por ruas que só cabem um carro e não têm passeio para pedestre. Numa parte da cidade, certamente o local onde morava os nobres prevalece os sobrados de até três pavimentos. Na viagem, depois das ruínas dos Incas no Peru e dos Maias na Guatemala, Cartagena foi a maior atração histórica da viagem.
              Na volta para o hotel nos perdemos nas pequenas ruas e fomos perguntar como chegaríamos a um hotel. Por coincidencia era um jornalista que nos levou para a redação que ficava em frente para fazer uma entrevista com a gente.



              Chegamos ao hotel faltando 45 minutos para termino da nossa diária; tomamos um banho e partimos.
              A maior cidade no caminho, rumo a Venezuela, foi Barranquilla. Nessa cidade paramos num supermercado para comprar água e quitanda para o dia seguinte. Fizemos tanto sucesso com os clientes do supermercado que a tarde caiu. Barranquilla também é uma cidade grande e tivemos trabalho para sair dela. É que juntamente com o horário de pico das pessoas saindo do trabalho já tinha um outro grupo indo para o estádio qaue ficava no mesmo rumo para onde íamos. O time da cidade chama Junior de Barranquilla e jogaria uma decisão que depois soubemos foi campeão nos penaltis.
              Como o transito não andava, a noite nos pegou e sem jeito de procurar local para dormir. Assim fomos andando. Logo a Celestina me causou preocupação. Tinha momento que ela não engatava a primeira marcha, quando reduzia da segunda. Estava muito perigoso para pilotar, tendo em vista, que em muitas situações, precisava da primeira para sair rápido de situações perigosas e ela não entrava. O farol baixo também estva queimado desde lá do Panamá.
              Quando vi que não dava mais, era noite, ventava muito, os carros não respeitavam a moto e partiam para cima, sem farol baixo e sem primeira. Parei numa vila e determineir aqui a gente dormiria nem que seja no acostamento.
              Então enquanto eu comia uma barra de cereal, tendo em vista que a fome já incomodava bastante, a Edivania se pôs a caminhar ao longo da rodovia. Logo ela voltou dizendo que tinha arrumado um lugar para dormir.



              Chegando ao local indicado por ela o acerto dela com o proprietário da casa era de acamparmos na área foi mudado. Insistiu tanto que tivemos que passar a Celestina para a sala e colocou-nos para dormir no quarto ao lado.

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              • Renan Xavier
                Fazedor de Chuva
                • Jul 2011
                • 404

                #232
                15/12/2011 - quinta-feira - 237o. dia - Santa Magdalena - Maicao (Colômbia)



                Acordamos com o dono da casa nos oferecendo um café preto e para avisar que teríamos que passar a coisas para fora porque ele e a esposa trabalham fora e tinha que fechar a casa.

                Procurei uma oficina de moto na vila, indicada pelo meu anfitrião, onde lubrifiquei e ajustei o cabo da embreagem na tentativa de fazer a primeira engatar.



                Saí da oficina engatando beleza, mas logo o problema voltou a ocorrer bem pior. As vezes não engatava nem desligando a moto. Mas deu para eu chegar até Santa Marta que é uma cidade de uns 200 mil habitantes. Parei numa oficinazinha tão sem vergonha que minha esposa até me recriminou. O cara conserta as motos na rua. Então disse para ele o problema e ele deu uma mexida na pedaleira e me mostrou a causa. O navio tinha entortado a pedaleira e uma pequena saliência impedia o pedal alcançar à primeira marcha. De vez em quando meu pé mudava a posição da pedaleira e a primeira engatava. De forma que ele deu uma regulada na altura do petal de cambio e apertou a pedaleira e a Celestina parecia chupar o engate. Felizmente.



                Perdemos algum tempo com esses mecânicos e mais uma vez tivemos que rodar a noite. Antes de escurecer parei na beira da estrada para a Edivania mijar e quando íamos montar parou ao nosso lado uma moto com dois ocupantes. Ele parou de forma meio que bloqueando minha saída e estava visivelmente drogado ou bêbado falando coisas que não entendíamos. Gritei para a Edivania subir, dei partida na moto e arranquei. Joguei mais para a direita possível, mas mesmo assim minha mala lateral ainda pegou no pneu dianteiro dele. Nunca usei uma primeira tão acelerada como naquele momento. A moto dele era pequena e ele me alcançou rápido mas na medida que eu injetava combustível e aumentava as marchas ele ficava para trás. Ele também estava muito bêbado.



                Passamos um susto bem grande. A noite nos pegou sem chegar em alguma vila. Quando chegamos na localidade de Maicao determinei que a Edivania fosse olhando um local para dormirmos. Já terminando a cidade ela viu uma cobertura do lado de uma casa e mandou eu parar. Fomos até a casa de moto, porque a Celestina aparenta muito mais confiança do que nós dois juntos. A moça que nos atendeu sem abrir a porta permitiu que acampássemos e logo fechou a porta novamente. Quando já estávamos montando a barraca aparecem duas moças e um senhor que era o pai delas. Depois aparece o namorado de uma. Daí para frente tivemos que dispensar eles para podermos trabalhar.

                Ofereceram banho e um misto quente com Coca-cola para comermos antes de dormir. Depois o dono da casa me colocou no celular para falar com o irmão dele que mora em Ipatinga em Minas Gerais no Brasil. Eu dispensava meu interlocutor rapidamente com medo do preço da ligação, mas logo ele me voltou o telefone para continuar a conversação. No dia seguinte nos serviram ovo, queijo, panqueca, leite e café.

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                • Renan Xavier
                  Fazedor de Chuva
                  • Jul 2011
                  • 404

                  #233
                  16/12/2011 - sexta-feira - 238o dia - Maicao(Colômbia) a Maracaibo- (Venezuela)





                  Esse carro da foto é um dos taxis que anda pelo interior da Venezuela, Todos em situação lastimável.

                  Por volta das 10 horas estávamos dando saída da Colômbia. A aduana, ao contrário da entrada, foi rapidíssima. A imigração demorou mais um pouco porque tinha muita gente para ser atendida. Do lado da Venezuela foi rapidíssimo. O único problema foi que nas proximidades da divisa só compra gasolina nos postos quem tem autorização. Eu que tinha deixado para abastecer com gasolina barata, tive que pagar o preço da Colômbia no cambio negro.

                  Foram uns 90 km de pobreza e carros enormes e velhos dentro da Venezuela. Andei o tempo todo chingando o Hugo Chaves por tamanho atraso. Porém, quando aproximamos e entramos na cidade de Maracaibo a coisa muda de figura. Uma cidade de um milhão de habitantes que ostenta riqueza e capitalismo para toda a parte. Contei quatro Mac Donalds e dois Burguer Kings, sem contar as concessionárias de carros asiáticos. Os carros caindo aos pedaços passaram a ser minoria; na maioria taxis. Os taxis que rodam em Maracaibo são enormes, feios e velhos.



                  Como passamos num shoping center para comer um Big Mac, quando saímos já estava escurecendo.

                  Estamos tomando um medicamento para prevenir da malária e ele tem prejudicado nosso estômago. Não temos muita vontade de comer e quando comemos a boca não é boa. Assim estávamos bem fracos no final do dia e resolvemos procurar um hotel. Todos os hotéis que nos informaram e encontramos eram acima de U$ 90. Então resolvemos sair da cidade para procurar um posto de gasolina para acampar. Como minha gasolina estava bem pouca parei num posto dentro da cidade para abastecer. Após abastecer, um cara chegou no frentista e, sem mais nem menos, perguntou quanto era meu abastecimento e pagou. Diate da generosidade aproveitei para dar mais uma facada, perguntando se ele não sabia de um lugar para podermos armar a barraca e passar a noite. Sorridentemente disse para seguir-lhe que iria mostrar um lugar muito bom para acampar. Minha esperança era que ele nos levasse para sua casa.




                  Assim partimos atrás de um dos poucos taxis que não era caindo aos pedaços. Nos levou até a praça de pedágio na entrada da gigantesca ponte que atravessa o Lago Maracaibo. A ponte deve ser tão cumprida quanto a Rio-Niteroi. Chegando no destino, depois de andar uns 15 km, atrás do taxi com os piscas alarmes ligados, ele procurou o gerente do pedágio e pediu para acamparmos no pátio o que foi prontamente aceito.

                  Quando estávamos quase terminando de armar a barraca vem para o nosso lado dois policiais rodoviários. Pensei: “agora fudeu!”. Os policiais chegaram, cumprimentaram e começaram a perguntar sobre nossa viagem. Quando terminamos a conversa nos mostraram onde era o escritório deles e, em poucos minutos, estávamos tomando banho numa super ducha.

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                  • Renan Xavier
                    Fazedor de Chuva
                    • Jul 2011
                    • 404

                    #234
                    17/12/2011 - Sábado - 239o. dia - Maracaibo - Venuzuela

                    Agradecemos aos policiais que nos ajudaram que ainda estavam por ali trocando de turma, e voltamos para a cidade de Maracaibo para conhecê-la melhor, tendo em vista que a noite não foi possível tirar fotos.

                    Depois de rodar bastante, paramos perto de um barzinho para perguntar sobre a saída da cidade e o cara, antes de responder pediu para tirar fotos. Enquanto ele aguardava sua esposa e perguntei se aquele bar tinha água mineral ele foi lá dentro e trouxe duas garras de 1,5 litros e me deu de presente. Depois ambos se alternaram sentando na moto para fotos, só então foi me ensinar a saída, dizendo: “ siga-me que vou te levar at';e mais na frente”.

                    A região que estamos viajando é muito feia. Desde Barranquilla na Colômbia a paisagem passa ser semelhante ao nordeste brasileiro, muito bode, cacto e aquelas arvores espinhenta, tornado cansativa e obrigando diversas paradas.




                    Hoje fui fazer meu primeiro pagamento de um abastecimento na Venezuela. Cheguei perguntando ao frentista se aceitava cartão e ele disse que não. Enquanto ele abastecia fiquei recriminando o posto. Educadamente ele ficou calado. Quando fui pagar a surpresa: B$ 0,70 por 10,6 litros. Para o leitor e o eleitor fazer suas próprias contas: U$ 1,00 equivale a mais ou menos B$ 4.000,00. Um Big Mac custa B$ 51.000,00 e a gasolina menso de B$ 0,07.




                    A viagem rendeu pouco. Logo após escurecer, paramos em outro ágio onde armamos a barraca com o consentimento da polícia.

                    Um detalhe: o Hugo Chaves suspendeu toda cobrança de pedágio no País. As praças são utilizados para fiscalização da policia. Já pensou se na próxima renovação das Concessões Paulistas, o governo reduzisse a tarifas pelo menos pela metade? Seria eleito para Presidente.




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                    • Renan Xavier
                      Fazedor de Chuva
                      • Jul 2011
                      • 404

                      #235
                      18/12/2011 - Domingo - 240o dia - Oitavo mês na estrada

                      Por volta das 16 hs estávamos chegando à Caracas. A viagem foi boa; estradas boas e bastante movimento ao aproximar da capital. Pela estrada passamos por uma zona industrial muito forte onde tem montadoras como a GM e outras Asiáticas.




                      Tem regiões das Américas que fazemos mais sucesso com as pessoas. Toronto e Montreal no Canadá e New York foram algumas dessas regiões. Mas aqui na Venezuela foi sensacional. Diria que 30% dos carros que nos ultrapassam faz uma manifestação; ora tirando a cabeça para fora e gritando, ora abanando a mão ou somente buzinando. As pessoas paradas nas calçadas gritam ou simplesmente param o que estão fazendo para nos observar.



                      A busca por hotel é muito trabalhosa. Aqui na capital até encontramos hotel na faixa de U$ 50, mas era muito simples e lotados. Visitamos uns seis e acabamos ficando num de U$ 100. Amanhã procuraremos um mais barato se formos ficar mais tempo aqui.

                      Pretendo procurar uma concessionária Honda para trocar as velas da Celestina. Mas não é prioridade.



                      Wi-FI não é uma coisa comum aqui na Venezuela. Os Mc Donalds da estrada e aqui de Caracas não tem e nenhum hotel mais barato que U$ 100 tem. Outra coisa é a questão de saque de dinheiro nos caixas eletrônicos. Já tentei em quatro e não consegui.

                      Aliás essa questão de Banco está começando a me preocupar: meu limite de cartão foi amentado sem eu pedir, não consigo sacar, minha senha da internet para ver minha conta não foi aceita. Quando eu realizo um gasto acima de R$ 30 pelo cartão, recebo um torpedo informando o valor. Aqui na Venezuela vem o torpedo com a seguinte informação: “Nada para mostrar”.



                      O pior é que estou sem dinheiro sequer para comprar um pão.

                      Ontem, num posto de gasolina, uma mulher nos abordou para contar que viu uma matéria a respeito da nossa viagem na TV de Cartagena. Não me lembro de ser filmado, mas pode ser que o jornal passou fotos para a Televisão.

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                      • Renan Xavier
                        Fazedor de Chuva
                        • Jul 2011
                        • 404

                        #236
                        18/12/2011 - Prestação de contas do oitavo mês

                        Obs.: Para transformar em dolar divida os valores por R$ 1,80
                        Prestação de contas dos: 240 dias

                        Anterior mês atual Acumulado (R$) Media (R$)

                        Litros 3.072,99 102,45 3.175,45 16,18 km/l
                        Gasolina 5.963,93 116,38 6.080,31 25,33
                        Alimentos 6.761,13 803,90 7.565,03 31,52
                        Passeio 1.609,02 ,00 1.609,02 6,70
                        Moto 3.558,06 665,26 4.223,32 17,60
                        Hotel 2.699,12 554,78 3.253,90 13,56
                        Aduana 938,42 26,28 964,70 4,02
                        Pedágio 253,02 ,00 253,02 1,05
                        Avião/barco 2.406,78 1.800,00 4.206,78 17,53
                        Roupas 2.613,51 ,00 2.613,51 10,89
                        Medicamentos 164,70 108,17 272,88 1,14
                        Equipamentos 1.027,98 ,00 1.027,98 4,28
                        Outros 399,78 75,87 475,65 1,98
                        Patrocínios -880,00 -880,00

                        TOTAIS 28.395,45 3.270,64 31.666,08 131,94


                        Inicial Atual Rodado Media
                        Odômetro 56345 107727 51382 214,09

                        Preço médio por litro de Gasolina (R$) 1,91

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                        • Renan Xavier
                          Fazedor de Chuva
                          • Jul 2011
                          • 404

                          #237
                          19/12/2011 - segunda-feira - 241o. dia - Caracas

                          O dia não rendeu, hoje. Como sempre fazemos usamos todo nosso direito do hotel. Saímos em cima da hora fatal do check-out, as 11:30. Antes tinha saído e tentado sacar dinheiro nos dois bancos nas proximidades e nem um aceitou meu cartão.

                          Após o check-out deixei a moto no estacionamento do hotel e voltei nos bancos para ver se alguém me ajudava no uso do cartão, tendo em vista que o dinheiro que tinha no bolso não dava para comprar o pão do desjejum.



                          Encontrei os bancos superlotados; não só internamente como nas grandes filas do lado de fora. Com muito custo consegui que o guarda me indicasse uma pessoa. Esse funcionário disse que eu tinha que usar um telefone que havia na agência e pedir uma senha de 4 dígitos, pois o sistema bancário daqui não trabalha com senha de 6 dígitos.

                          Para usar esse telefone tinha outra fila, porém as pessoas desistiam porque só dava ocupado. Quando chegou minha vez não tinha mais ninguém. Eu tentei umas 5 vezes até que consegui, entretanto, não entendi nada que a máquina disse. Depois disso não consegui falar com nenhum funcionário.



                          Então parti para o plano “B”: Converter dólares que carrego em moeda local. Aí gastei o resto do dia. Faltava 20 minutos para a Casa de Câmbio fechar quando eu entrei. Assim mesmo fizeram de tudo para me dispensar; até impressora quebrada alegaram. Mas depois que abrir minha carteira na frente do gerente e mostrando o quanto de dinheiro tinha nela, foi que riram de mim e arrumaram o dinheiro.



                          Antes, quando eun ia saindo do hotel abordei dois homens que estavam saindo numa moto sobre onde poderia encontrar uma Casa de Cambio. Eram dois homens com boa aparência, simpáticos e um disse que já moru em SP. Então me perguntaram o quanto eu queria trocar. Quando disse que era U$ 300,00 um deles disse que essa quantia ele mesmo podia trocar, desde que eu fosse no comércio dele. Eu concordei e comecei a seguir os dois. De repente os caras começaram a subir uma ladeira rumo a uma favela e eu comecei a ficar com medo. Quanto mais andava, mais subida, como se estivesse entrando na Rocinha no Rio de Janeiro.. De repente freei bruscamente e dei meia volta numa estreita e num esbarrancado que não sei como consegui. E desci a ladeira rapidamente sempre olhando pelo retrovisor.



                          A Edivânia, o Ocivaldo e a Dra. Vera são as únicas pessoas que afirmam categoricamente que sou ingênuo. Agora começo a perceber que eles têm razão.

                          Procuramos um hotel barato na região central e contratamos um por U$ 60,00, mas os caras não deixava a gente ver o apartamento, tinha que ver pelas fotos pregadas na entrada. Isso causou uma briga entre eu e a Edivania, tendo em vista que ela queria ir embora a todo custo. Quando entramos o quarto tinha espelho no teto e ao ligar a TV apareceu um filme pornográfico.

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                          • Renan Xavier
                            Fazedor de Chuva
                            • Jul 2011
                            • 404

                            #238
                            [IMG]20/12/2011 - terça-feira - 242o. dia - Puerto de La Cruz[/IMG]

                            Saímos às 7 hs do motel e partimos para sair de Caracas. Minha intenção era encontrar uma concessionária, mas o transito matinal era muito intenso. Aqui as motos andam entre os carros como ou pior que na Capital Paulista.

                            Depois de andar uns 50 km, já em oura cidade, avistei uma Concessionária Suzuki, para onde rumei. Disse que queria regular carburador e trocar velas, mas o mecânico disse que tinha muito serviço. Com custo o convenci de trocar pelo menos as duas velas que ficam viradas para fora deixando as outras duas que ficam mais escondidas. Mas depois de começar ele esmerilou a chave e consegui tirar as quatro velas sem tirar o tanque e debaixo de chuva, tendo em vista que a moto não cabia na oficina. Depois de pronta me deram o preço a pagar, sobre o qual levei um susto: nada. Nem as velas me cobraram.



                            Chegamos a Puerto de La Cruz ao anoitecer. Comemos um sanduíche no Mac Donalds e fomos procurar um lugar para acampar. O que conseguimos facilmente. Pela experiência da Edivânia, arrumar local para acampar com banheiro e ducha é muito mais fácil que encontrar hotel. Ela já tem olho clínico; quando ela diz "ali", 90% de acerto. Ela pede na maior cara-de-pau.





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                            • Renan Xavier
                              Fazedor de Chuva
                              • Jul 2011
                              • 404

                              #239


                              Hoje foi dia de espera: chegamos no guichê do Farryboat para comprar os bilhetes para Isla Margarita e tivemos que esperar. As 11 horas terminamos a compra. O navio só partia as 14 hs. Depois ficamos 7 horas navegando entre Puerto de La Cruz e Isla Margarita.



                              Na Venezuela é tudo muito burocrático. Acho que temos que ressuscitar o Beltrão para eles. Aqui ainda se usa a impressão digital para quase tudo. Para operações financeira e contratos bilaterais de direitos e deveres.

                              Chegamos em Margarita depois das 19 horas, debaixo de chuva e com muita fome de comida de sal. Para chegar na Cidade principal da ilha andamos mais 30 km onde pudemos comer. Depois já por volta das 22 hs saímos para procurar local de dormir.



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                              • Renan Xavier
                                Fazedor de Chuva
                                • Jul 2011
                                • 404

                                #240
                                21/12/2011 - Quarta-feira - 243o. dia - Puerto de La Cruz - Venezuela



                                Hoje foi dia de espera: chegamos no guichê do Farryboat para comprar os bilhetes para Isla Margarita e tivemos que esperar. As 11 horas terminamos a compra. O navio só partia as 14 hs. Depois ficamos 7 horas navegando entre Puerto de La Cruz e Isla Margarita.



                                Na Venezuela é tudo muito burocrático. Acho que temos que ressuscitar o Beltrão para eles. Aqui ainda se usa a impressão digital para quase tudo. Para operações financeira e contratos bilaterais de direitos e deveres.

                                Chegamos em Margarita depois das 19 horas, debaixo de chuva e com muita fome de comida de sal. Para chegar na Cidade principal da ilha andamos mais 30 km onde pudemos comer. Depois já por volta das 22 hs saímos para procurar local de dormir.



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