Sinomar e Edivânia, GCFC O Velho Doido

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  • Dolor
    Fazedor de Chuva

    • Mar 2011
    • 3250

    #106
    03/08/2011 - Quarta-feira - 103o. dia

    Dedico este Post ao Dirceu Soares, Gerente de Atendimento da Caixa Economica Federal em Morrinhos. Simnpatia de pessoa que me ajuda nos serviços bancários.

    Cgeguei!!!!!!!!!!!!!!!!!! Cheguei!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Cheguei!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Objetivo alcançado. Depois de 103 dias e 26.696 km rodados desde Morrinhos, Estado de Goiás, chegamos a Dadhorse e Prudue Bay, conforme fotos em anexo.

    As vezes fico pensando dentro do capacete sobre o quanto somos influenciados por metas. As metas nos dão energia; as metas nos dão vigor físico; as metas nos provem os recursos financeiros , alimentação, vestuário e sobrevivência. Se você se impõe metas diária, consegue; se estabelece metas a longo prazo, também.
    Durante a viagem muitos motociclistas meio que menosprezaram minha moto e meu estilo de viagem. Quando dizia que estava fazendo uma viagem de U$ 80, riam ou duvidavam. Muitos perguntavam: “porque não trocou de moto?” e eu respondia: porque meus recursos não permitem e eu amo a Celestina”.

    Hoje não pegamos chuva por isso a viagem foi ótima. Dos 150 km rodados pegamos uns 30 km de asfalto, uns 10 em recuperação que exigiu redução da velocidade e a outra parte uma estrada não pavimentada estava um tapete, permitindo andar a 80 ou mais. Andei nessa velocidade porque sou medroso.
    A cidade de Dadhorse não tem atrativo nenhum e somente dois hoteis cujo mais barato custa U$ 230,00 por acomodação. Trata-se da cidade das máquinas e dos galpões. Tem mais máquina, caminhão e camionetas do que gente. Grandes empresas de petróleo e suas terceirazadas estão instaladas aqui. Para todo lado que voce vira tem uma placa ou um vigilante proibindo a entrada.

    Por essas razões, nós e mais outros quatro motociclistas resolvemos empreender volta. Entre eles duas mulheres cada uma pilotando sua BMW e viajando sozinhas fazendo o trecho Panamá Prudue Bay. Depois de rodar uns 200 km de volta parei para acampar e elas continuaram. Já era mais de 20 hs e eu estava cansado e elas não. Tornei-me seus fãs

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    • Dolor
      Fazedor de Chuva

      • Mar 2011
      • 3250

      #107
      Queridos Sinomar e Edivânia:

      Há pouco tomei conhecimento da grande viagem que vocês estão empreendendo e, é claro, li todo o relato, embarquei de imediato nesta aventura, me diverti muito e com muita alegria e honra, tenho o prazer de passar os fundamentos que norteiam os Fazedores de Chuva, organização que agrupa todas as pessoas que tem a aventura nos seus corações, especialmente sobre duas rodas.

      Vocês fazem por merecer todas as honrarias deste grupo, que a partir do cumprimento do trajeto entre Ushuaia e Prudhoe Bay, incluindo pelo menos 6 países da América do Sul, entre eles a Colombia, exclusivamente sobre uma moto, habilitam-se a serem reconhecidos onde quer que estejam, como Grandes Caciques Fazedores de Chuva.

      A Edivânia cumpriu com grande valentia e determinação, o que dizes com muita propriedade na apresentação das motivações que os levaram a fazer esta viagem, especialmente na terceira, "a do cunho maldoso da inveja", claro que a saudável, juntamente contigo, a essência do slogan dos Fazedores de Chuva: "Qualquer um pode fazer, porém, poucos o fazem..." e por isto ela recebe o título que estas valentes mulheres fazem por merecer, de serem chamadas de Adelitas.

      Oportuno registrar também a valentia da Celestina!

      Que amada!

      Parabéns muito especial para a Adelita Edivânia e para ti Sinomar, que a partir de hoje passarás a ser chamado de Grande Cacique Fazedor de Chuva O Velho Doido!

      Segue abaixo o que é a essência do espírito dos Fazedores de Chuva!

      Leiam com muita atenção, releiam, respirem fundo, sintam-se muito queridos e muito bem acolhidos por todos nós!

      Vocês estão em casa!


      FAZEDORES DE CHUVA


      Uma Moto, um Mapa, um Passaporte, algumas Roupas,

      um punhado de Moedas, muita Coragem, uma Alma Inquieta, um Sonho...


      Nasce um Guerreiro!


      A Moto é para sentir o vento, a liberdade...

      O Mapa é para demarcar territórios, conquistar...

      O Passaporte é o símbolo, o registro, a prova!

      As Roupas protegem, aquecem, acolhem...

      As Moedas são para alimentar o corpo!

      A Coragem é para cruzar as três Américas com todos os seus mistérios,

      belezas e perigos na solidão de duas rodas...

      A Alma Inquieta é para deixar para trás o conforto e a segurança que só

      a rotina perto dos que bem queremos pode nos proporcionar...


      “O Sonho é para realizar o que qualquer um pode fazer, porém, poucos o fazem...”


      Parabéns, Sinomar e Edivânia,

      GRANDES CACIQUES FAZEDORES DE CHUVA

      Sejam bem vindos à elite do Motociclismo Mundial!


      Finalmente, aproveito para lembrar que no período entre 17 e 20 de novembro próximo, teremos o nosso VII Encontro Internacional dos Fazedores de Chuva, em Guanajuato, México, onde, desde já, esperamos por vocês.

      Informações a respeito dos Fazedores de Chuva, poderá ser encontrada no site: www.fazedoresdechuva.com ,que está à disposição, inclusive, para a divulgação da viagem de vocês no nosso Forum.


      Abraços e beijos
      Dolor e Angela
      Fazedores de Chuva
      Presidente
      Última edição por Dolor; 02-10-11, 10:59.

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      • Dolor
        Fazedor de Chuva

        • Mar 2011
        • 3250

        #108
        04/08/2011 - Quinta-feira - 104o. dia
        Dedico este Post à minha amiga Iraci Goes. Ela não gosta de computador, portando não vai ler. Mas alguém pode contar-lhe. Ela tem como ponto positivo, a meu meu, o fato de gostar muito de si mesmo e da vida. Faz cada comida gostosa, ai que fome!!!

        Hoje foi nosso primeiro dia de retorno para casa. Na realidade para motociclista não existe retorno. A gente volta para casa, sempre que possível, por um caminho diferente, conhecendo novas cidades, novas culturas e outras paisagens.

        Hoje a chuva me pegou justamente na descida da serra, onde o piso acumula água e fica escorregadio. Sofri muito por uns 50 km, depois melhorou. Parece que estava chovendo desde o dia em que passamos de ida. Tinha muito barro velho.

        Chegando a Coldfoot tive duas surpresas boas. Quando entrei no café para devolver os galões que pegara emprestado, uma senhora puxou assunto e eu contei como tem sido minha viagem e por onde retornarei. Quando disse que minha viagem está sendo feita com recursos próprios e, por isso, não posso gastar mais que U$ 80 por dia ela logo me passou o contato do seu irmão em Nova York para eu acamapar.

        Na mesa ao lado tinha um motociclista que escutava e me convidou para comer com ele. Declinei da oferta informando para ele que na hora em que ele passou por nós na estrada, estávamos comendo um Hot Dog, feito lá mesmo. Como a mulher queria tirar uma foto junto da Celestina, deixei o motociclista e fui lá. Existe uma foto da Edivânia fritando Bacon, ovo e cozinhando salchichas para comermos com catchup.

        Após colocar a moto ao lado da bomba de gasolina as duas motos ficaram juntas e eu fui no caixa para liberarem meu abastecimento. Quando voltava a Edivânia vinha apressada para encontrar comigo e já foi dizendo: “aquele rapaz falou algo que não entendi; parece que ele quer abastecer nossa moto”. Chegando lá constatei que era isso mesmo. O cara me passou a mangueira e mandou eu encher meu tanque. Ganhei a gasolina do tanque e ainda coloquei mais um pouco nos galões.

        Ele aparece na foto com sua moto e seu nome é Jesse Turner e mora em Anchorage. Obrigado Jesse!

        Coldfoot tem duas bombas de gasolina, um café restaurante, um pequeno hotel e uma oficina. Acho que nenhuma residência. Mas tem um serviço de informação turística de primeiro mundo. Aliás o mais bonito em toda minha viagem.

        Saindo de lá logo na frente tivemos a felicidade de avistar um urso Marron (Grizzily).

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        • Dolor
          Fazedor de Chuva

          • Mar 2011
          • 3250

          #109
          05/08/2011 - sexta-feira - 105o. dia

          Dedico este Post ao Dr. Rafael Troncoso. Estudioso e criterioso médico dermatologista de Morrinhos. Ele que apaixonado por motocicleta mas vai fazer como seu pai: deixar para comprar uma depois de velho.

          A viagem de hoje não teve muitas novidades. Tenho que continuar reclamando ou elogiando a chuva; ela provoca medo e tensão, mas trás-nos emoção. Levantamos acampamento por volta do meio dia, por causa dela ou por causa da nossa preguiça em enfrentá-la. Quando vimos que ela não parava tomamos providência e enfrentamo-la. Quando estávamos terminando de amarrar as coisas na Celestina, estiou. Meu sofrimento antecipado pela estrada molhada foi enorme. Cada acordada que dava durante a noite (que aqui é dia) eu lembrava da mesma. Enquanto aguardava a estiagem para desarmar a barraca, sofria também. Porém, pegamos 100 km de asfalto e deu tempo para dar uma enxugada na estrada, possibilitando-me andar em torno de 60 km/h seguindo os rastros dos caminhões.

          Chegamos em Fairbanks às 19:00 hs, passamos num supermercado para comprar crossantes e fomos para a casa da Cindy. Chegando à residência, o Raimundo, seu marido, veio nos receber com um sorriso no rosto e dizendo: “tenho uma surpresa para vocês! Vou dar uma diária no melhor hotel da cidade, querem?”. “A única condição é que vocês divulguem o hotel em seu blog!”, arrematou ele.

          Às 22:30 estávamos entrando no lindo hotel cujas fotos aparecem no próximo Post. Depois de quatro dias sem tomar banho fiquei quase meia hora curtindo uma super ducha quentinha.

          Sobre ficar sem tomar banho gostaria de fazer uma alerta aos engraçadinhos que me mandam e-mail dizendo que ando fedido. Tem amigos meus que só dorme em bons hoteis e, suponho, toma banho diariamente. Porém, ficam dois meses sem lavar a roupa. Também aí no Brasil tem muita madame que, nos dias de frio, pula o banho.

          Estou igual aos de uma etnia que circula no Brasil: se minha mulher reclama por banho, eu parto para a ignorância e convenço-a ao contrário.

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          • Dolor
            Fazedor de Chuva

            • Mar 2011
            • 3250

            #110
            Pink´s Waterfront Lodge - Fairbanks

            Atenção motociclistas do Brasil! Chegando a Fairbanks procure o Hotel Pikes. A diária é mais barata que os pequenos cubículos da região e muito melhor, conforme podem ver pelas fotos.

            Ele fica em frente ao Aeroporto, logo na chegada de quem vem de Anchorage. A diária para duas pessoas custa U$ 195,00. www.pikeslodge.com.

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              Fazedor de Chuva

              • Mar 2011
              • 3250

              #111
              06/08/2011 - sábado - 106o dia
              Dedico este Post ao Thiago Oliveira. Ele que é mecânico da Yamaha e preparou a Celestina para esta empreitada. Ele doou sua mão-de-obra como ajuda. Obrigado Thiago!

              Hoje o programa foi atualizar a internet, mas não tive tempo de terminar porque tinha compromissos sociais agendados. É que está sendo realizado uma “Pecuária” aqui na cidade e a Cindy tem uma barraca montada e nos deu ingressos para ir. Acertamos com seu marido Raimundo que sairíamos as 16 hs. A fotos deles aparecem no Blog; ele de barba e ela de blusa azul.

              A feira daqui é semelhante à nossa pecuária daí. Tem vaca, cavalo, pequenos animais domésticos e selvagens. Tal qual aí, aqui também ninguém vai onde os animais estão. Só fiquei sabendo da existência deles quando estávamos saindo.

              Percebi duas diferenças importantes: 1) o controle com a venda de bebida alcoólica. Para entrar no único lugar que vende o produto, o controle é rigoroso. Todos têm que mostrar documentos, inclusive o velho que escreve, e cada um é marcado com uma fita no braço. Menor de 21 anos não entra.e 2) as filas na frente de cada barraca de alimentação. O pessoal daqui comem com força.

              Na barraca da Cindy, por ter o nome Brasil, apareceu uma goianiense que morou no Parque Ateneu. Lea de Castro é uma simpatia de pessoa que vive há 13 anos nos Estados Unidos, mas só tem uma semana de Alaska. Ela veio para cá para curtir o rigoroso inverno. Pode?

              Coincidentemente ela mora perto do Chena Hot Spring, local onde o Raimundo nos levará amanhã, por isso, combinamos de nos encontrar novamente. A Lea aparece de blusa rosa na foto. Segundo ele, confirmado por ela, é um local com águas termais muito bonito.

              A cantora que aparece no palco e amiga do casal e minha amiga e, de tabela, minha também. Ela canta Rock muito bem, eu acho. Porque não conhecia nenhuma das músicas que cantou.

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              • Dolor
                Fazedor de Chuva

                • Mar 2011
                • 3250

                #112
                07/08/2011 - Domingo - 107o. dia

                Dedico este Post a Douglas Pessoa da UEG de Itapuranga. Ele que é um entusiasta do motociclismo e curte meu Blog.


                Acordamos um pouco mais tarde e fomos ao supermercado comprar suprimentos para o passeio programado. Enquanto o Raimundo se aprontava, aproveitamos para trocar a bandeira do Brasil que nos acompanhou até agora, tomando vento, sol, chuva, frio e calor. Ela irá para um quadro que será fixado na minha sala, juntamente com a que foi ao Ushuaia e a que ora coloco. No seu lugar coloquei outra que fará todo retorno e andará um pouco mais. Até o Hino Nacional cantamos. Foi o último ato com sol, tendo em vista que logo a chuva começou a cair e nos acompanhou até Chena Hot Springs.

                Chena Hot Springs fica a 98 km de Fairbanks, mas os motociclistas do Canadá, Alaska e de outros estados dos USA, adoram o local. Para os motociclistas que estiverem voltado de Prudue Bay, a entrada fica um pouco antes de Fairbanks. Trata-se de um excelente local para relaxar o corpo depois do grande percurso em estradas não pavimentadas e molhadas. Os japoneses gostam tanto que até avisos na língua deles existe.

                É um local com um custo/benefício compensador para quem já está por aqui. Segundo informou meu anfitrião Raimundo, a diária do Hotel é de U$ 100,00 para duas pessoas, mas existem opções mais baratas. A cabana que fiquei onde tive que levar roupas de cama fica em U$ 50,00 para três pessoas; tem cabanas hotel, que não sei o preço; camping por U$ 10,00 e até área para acampar sem pagar nada, eu vi. Acampando paga-se uma taxa de U$ 10,00 para uso das térmicas.

                Mais uma vez não paguei nada. O Raimundo entrou na recepção, mandou chamar o gerente, falaram alguma coisa e me pediram o Passaporte foram-nos entregues os crachás e a chave da cabana. Além da entrada para as piscinas de águas quentes, foi nos dado uma cabana para ficarmos até as 15 horas de amanhã. A cabana é simples mas tem três camas de lona. Alertados antecipadamente pelo Raimundo, trouxemos toda a roupa de cama, inclusive os sacos de dormir.

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                • Dolor
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                  • Mar 2011
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                  #113
                  08/08/2011 - segunda-feira - 108o. dia

                  Dedico este Post à Mariangela Tomazela e sua filhinha Amanda. Ela que é uma esperta e competente funcionária do Celeiro Supermercados em Morrinhos. Ambas, namorada e filha do meu grande amigo Rui Leite.

                  Confesso que estava meio desmotivado com o passeio até Chena Hot Springs. Afinal tenho Caldas Novas pertinho de mim, para que andar por causa de água quente. Mas o entusiasmo do meu anfitrião era tão grande que não tive jeito de negar, principalmente porque ele vinha nos acompanhar. Até por consideração por tudo que ele fez por nós, resolvi vir.

                  Não arrependi. Ficamos conversando até as 23 horas, curtindo uma banheira termal. O cara é muito legal. Ele voltou para Fairbanks e nós fomos para cabana. Aí começa nosso sofrimento.
                  Conforme escrevi ontem, a viagem até o balneário foi debaixo de uma chuva constante, forte e muito fria. Sair da cabana até as piscinas, sem as roupas de motociclistas, foi um sacrifício; debaixo de chuva e muito frio. Dentro d´agua foi tudo muito bom, mas a cabana era muito fria. Mas muito fria, mesmo. De cara já coloquei as duas Underwears que trouxe: uma para calor e outra para o frio. Coloquei duas meias, uma de lã que tinha usado uma única vez nesta viagem.
                  Depois de dormir um pouco acordei com um frio enorme; o saco de dormir, pela primeira vez, foi ineficaz. Levantamos e pegamos as jaquetas e as calças de motociclistas que já estavam com seus respectivos forros para frio. Depois de deitados, lembramos das luvas, que não tínhamos colocados. As minhas coloquei debaixo das sovaco e consegui dormir.

                  Acordei tirei uma foto da Edivânia ainda dormindo e levantamos por volta das 10 horas, fizemos o café e às 10.40 estávamos imersos na água quente. Depois que saímos fotografei o termômetro que às 14:00 horas marcava 40o. F. O que equivale a 4 ou 5 graus Celsius. Acho que dormimos numa temperatura abaixo de zero grau, pelo menos dentro da nossa cabana de plástico.

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                    Fazedor de Chuva

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                    • 3250

                    #114
                    09/08/2011 - terça-feira - 109o. dia

                    Hoje foi dia de atualizar a internet. Fiquei quase 5 horas nessa atividade. A partir das 17 hs fomos lavar a Celestina. A promessa era voltar com ela sem lavar, ou seja com sujeira acumulada de diversos países, mas o barro que acumulou na estrada até Prudue Bay estava muito volumoso e seria peso para carregar desnecessáriamente.

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                      #115
                      10/08/2011 - Quarta-feira - 110o. dia

                      Ofereço este Post à Teresinha do Amaral. Amiga de muitos anos; funcionária do IPASGO e ex-primeira dama atuante, querida pelo povo e excelente mãe. Entre suas virtudes inclui a paciência com meu amigo Rogério Troncoso, por concidência seu marido.

                      Hoje foi o dia de começar a volta. Depois de acampar três noites antes de seguir para Prudue Bay e mais cinco noites após a volta (um hotel, um clube e três na barraca) eu já estava apaixonado pela cidade e pelos proprietários da casa onde fiquei.

                      Após a despedida calorosa, fomos comer dois sanduiches cada um antes de pegar a estrada. Saímnos de Fairbanks por volta das 14 hs. Andamos uma hora e a chuva pegou. Por volta das 20 hs ela deu uma trega suficiente para armarmos a barraca num camping que, por sorte, apareceu naquele momento.

                      Como durante a viagem ficara com preguiça de pegar no alforge a terceira luva, hoje foi o dia que mais passei frio nas mãos em toda a viagem. Ficava pensando, daqui a pouco a chuva passa, daqui a pouco, e quando parei estava com as mãos duras. Quando desci da moto vi um fogo acesso entre dois trailers e corri para esquentá-las. Depois que fui descobrir que eram dois casais de alemães.

                      Normalmente uso uma luva de esquiador coberta com uma luva de servente de pedreiro. Quando o frio aperta coloca por baixo das duas uma luva de lã e tem me garantido uma pilotagem, até certo ponto, confortável.

                      Dormimos ouvindo o barulho da chuva. Devido à chuva, não tiramos fotos na estrada, somente essas do local onde dormimos.

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                        • Mar 2011
                        • 3250

                        #116
                        11/08/2011 - quinta-feira - 111o. dia

                        Dedico este post ao Erick Leite, filho do meu amigo Rui Leite. Ele que é um excelente instrumentista e boa entonação vocal. Falta-lhe, na minha opinião, enfrentar um grande centro para tornar-se nacionalmente conhecido.

                        Acordamos ouvindo o barulho da chuva e já aproximava das 9 hs. Um loninha que compramos para cobrir a barraca, com medo das chuvas fortes que ocorrem na região, tem sido muito boa para escurecer a barraca nas noites claras daqui e, com isso, podemos dormirmos mais.

                        Por volta das 10:30 a chuva deu uma trégua e levantamos acampamento.

                        A viagem de hoje foi quase toda em estrada que já passamos. Seria uma monotonia não fosse um fato novo. A montanha que circulamos por uns 400 km na ida, com algum cume nevado, agora estava toda nevada. A montanha gelada de um lado, o vento forte emanado dela e a chuva de cima durou quase todo o dia. Até minha terceira luva, uma de lã que usei somente dois dias nas proximidades de Prudue Bay, foi retirada da mala. Apesar do frio a paisagem era muito bonita. Pena que a chuva dificultou as fotos.

                        Hoje foi dia novamente de passarmos pela placa do Alaska. Na ida dormimos próximo dela, agora fizemos nosso almoço na cobertura que fica próximo da mesma. Agora estamos na região chamada Yucon do Canadá.

                        Depois de pilotar 454 km sob essa tensão paramos para acampar num local com muito vento que dificultou armarmos a barraca, mas o cansaço era grande para continuarmos, e estava estiado mas com nuvens pesadas para frente.

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                          • 3250

                          #117
                          12/11/2011 - sexta-feira - 112o. dia

                          Dedico este Post à empresária Divina do Altomari. Minha companheira de balada. Já gostava do seu jeitão, mas passei ser seu fã após sua participação no desfile de modas.

                          Um vento forte, mas muito forte, sacudiu a barraca a noite inteira acompanhado de uma chuva intermitente. Não conseguimos dormir direito.

                          Toda a viagem de hoje foi em estradas já caminhadas, com incremento da neve nos cumes, conforme já mencionei.

                          Neste momento estamos novamente em Whitehorse vindo do Alaska e, sendo repetitivo, não tiramos mais fotos por causa da chuva. Dessa vez pegamos uma chuva tão forte como as que ocorrem no verão brasileiro.

                          Vou escrever pouco porque ficamos muito tempo na internet. As fotos são muito pesadas e, em média, gasto 4 minutos para subir cada uma para o Blog.

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                            • Mar 2011
                            • 3250

                            #118
                            13/08/2011 - Sábado - 113o. dia

                            Dedico este Post este Post ao Joaquim Guilherme, político influente, empresário competente e personalidade querida em Morrinhos. Ele que é concessionário da TV Comunitária local e tem divulgado minha viagem.


                            Depois de vários dias consecutivos acordando e pilotando debaixo de chuva, hoje mudou o tempo. Acordamos com sol e viajamos com ele quase o tempo todo; tomamos somente alguns chuvisqueiros.

                            Com exceção dos últimos 100 km, a estrada foi a mesma que passamos na ida: Tok, Whitehorse e Watson Lake.

                            A única novidade foi a Floresta de Placa (Sign Post Forest) existente em Watson Lake. Segundo dados levantados mensalmente, cujos números são fixados na parede, no local estão afixados 71.000 placas. Achei o local um pouco descuidado com algumas placas caídas, tombadas, descoradas e podres. Andei pouco pelos longos corredores e vi somente uma do Brasil.

                            Apesar da insistência da Edivânia eu não quis trazer uma placa nossa para afixar no local. Sabia, pelas leituras da internet, que é muito raro as pessoas caminharem todas as ruas da floresta e também para não carregar peso desnecessário.

                            Após Watson Lake rodamos 100 km antes de acampar numa Rest Área. Desses, 16 km foram em estrada de cascalho, super lisa; muito perigosa.

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                            • Dolor
                              Fazedor de Chuva

                              • Mar 2011
                              • 3250

                              #119
                              14/08/2011 - Domingo - Dia dos Pais - 113o dia
                              Dedico este Post aos meus filhos Marcelo, Murilo e Aline pelo contato e manifestações pela passagem do dias dos pais. Também, para pedir perdão por nunca ter sido o pai que um filho gostaria de ter.

                              Hoje comemora o dia dos pais no Brasil e foi a passagem mais fria da minha vida; em três sentidos: 1) passei muito frio na estrada, 2) o mais distante em espaço dos meus filhos e 3) o mais distante da amizade dos meus filhos.

                              Hoje as meditações na solidão do capacete foi fazendo uma retrospectiva da minha condição de pai. Comecei desde o nascimento do primeiro filho até o dia de hoje. O pior que o coração doeu o dia todo por chegar a seguinte conclusão: fui um péssimo pai.

                              O filme começa desde quando o Marcelo, meu mais velho, hoje com 33 anos, tinha 2 anos de idade. Não gosto nem de lembrar das chineladas que dava no garoto ainda nessa idade. Depois passa para idade escolar quando eu assumi a condição de cobrador e castigador. Enquanto a mãe entrava com o carinho, eu, lamentavelmente, entrava com o castigo; a mãe dava abraços e eu chineladas; a mãe dava os melhores presentes que eles queriam e eu proibia o uso dos mesmos em razão das notas baixas. Ao ver minha filha educar sua filhinha sem bater, meu coração dói de arrependimento.

                              Certa vez, jamais esquecerei, quando cheguei em casa do serviço as crianças vieram correndo me chamar para vê-las dar cambalhota em cima da cama. Nesse momento, inexplicavelmente, comecei a gritar com eles, acho que até tapas dei. Esse dia foi o marco para eu atacar e acabar com minha irritabilidade. Foi a partir desse dia que fiz a seguinte pergunta: “Sinomar! É desse jeito que você quer ser amigo dos seus filhos?”. Mas vejo, hoje, que esse auto-questionamento não foi feito em outros aspéctos da nossa convivência.

                              Outra vez, o Murilo, o do meio, fazendo pirraça, ameaçou saltar do apartamento de onde morávamos. Eu, criminosamente, fui na cozinha, peguei uma cadeira, posicionei-a perto da janela, mandei-o subir e dei-lhe de cinto dizendo o seguinte: “pula! Você agora vai pular! Pula!”. A cada palavra minha era uma cintada. Sem ele pular, até hoje não esqueço, imaginem se ele tivesse pulado. Cor certeza, hoje estaria mais amargurado do que estou.

                              A Aline por ser a mais nova, me pegou bastante mudado. Mas mesmo assim, fui muito rigoroso com ela.

                              De positivo, vieram na minha cabeça apenas duas recordações: uma com a Aline, situação na qual me senti um “pai-heroi”, foi quando o Diretor do colégio onde ela estudava a 8a. Série, me chamou à instituição para me entregar sua transferência, alegando que ela e outras quatro adolescente não poderiam mais estudar naquela escola. Eu, de ímpeto, na presença da minha filha, retruquei, alegando que ela só sairia do colégio, antes de terminar o ano, com determinação do Juíz de Direito. Resultado: ela terminou o ano e, me proporcionou como prêmio, tornando-se uma aluna exemplar.

                              A segunda foi quando já tinha perdido todas as esperanças com o sucesso profissional do Marcelo e ele veio me pedir para pagar um curso de Programação de computador na linguagem Java. Eu neguei, mas depois de chorarmos juntos, paguei. Hoje é a profissão com a qual sustenta sua família.

                              Agora, depois de velho, minha avaliação foi pior ainda. Eu que sempre repeti a frase que “honestidade era obrigação e ética uma virtude”, quebrei uma ética e um princípio que norteia família brasileira e a nossa família também. Depois de dedicar 30 anos da minha vida ao lado deles, tomei a decisão de recomeçar minha vida, fora do lar onde os criara. Achava que para ser feliz tinha que viver de forma diferente o que seria incompatível com o antigo lar. É claro que quebrando esse princípio e tornando-me antitético nessa questão eu quebrei a confiança e admiração dos meus filhos. Principalmente porque causei sofrimento para a pessoa que elas mais amavam: sua mãe.

                              Para piorar, minhas reflexões não foram positivas com relação às noras e genro. Nunca procurei a transformá-las em aliadas, conquistando suas simpatias. Eu que fui um exemplar cúmplice da minha sogra, negligenciei com as noras. Se tivesse agido diferente, talvez hoje pudesse, pelo menos, estar recebendo fotos da Sophie, minha neta, escondido do meu filho Marcelo.

                              Meu erro foi tratá-las como filhas ou amigos. Quando não concordo com atitudes delas falo como se estivesse falando com meus filhos. Filhos e amigos concorda ou discorda na presença; mas as noras e os genros se magoam. Eu pensava que, casadas com meus filhos, tornaram-se minhas filhas também.

                              Portanto como meus filhos poderão gostar de um pai como este? Que na infância não foi bom; na adolescência ruim e depois de velho pior ainda, trazendo-lhes problemas e tristeza.

                              Nunca saiu da minha cabeça um slogan da Encicoplédia Barsa, mais ou menos assim: “O sucesso de um pai é avaliado pela cultura dos seus filhos”. Consegui esse resultado, porém, os meios utilizados não foram os adequados. A Enciclopédia não me deu essa orientação e a vida não é como as estradas. Estas, se a gente erra, pode voltar e retomar o caminho.


                              Quanto ao frio físico que passei hoje, foi demasiado forte. Pilotei aproximadamente 300 km entre duas serras com um rio ou lago no meio. Uma paisagem muito linda, porém uma chuva fria, também me acompanhou todo o dia. Vimos muitos bichos na estrada, mas a chuva impossibilitou
                              Última edição por Dolor; 06-10-11, 16:37.

                              Comentário

                              • Dolor
                                Fazedor de Chuva

                                • Mar 2011
                                • 3250

                                #120
                                GCFC Sinomar:

                                Infelizmente os filhos quando nascem, não trazem com eles, o manual de funcionamento.

                                Tudo o que fizeste, ou fizemos, foi sempre motivado pelo acerto e só mais tarde, quando olhamos para trás, principalmente vendo-os agora como pessoas decentes e honestas, é que avaliamos o quanto severo podemos ter sido.

                                Não existe cicatriz sem ter havido uma ferida, assim como, nada daquilo que hoje pensas exagerado foi para o mal deles.

                                Que os nossos filhos possam nos ter como uma referencia e que melhorem como pais, se assim puderem.

                                Se tudo deu certo, vamos ver se conseguimos recuperar alguns anéis, ou quem sabe, alguns dedos!

                                Parabéns por este "mea culpa" que retrata muito bem a bondade e a grandeza do teu coração.

                                Muito tocante a tua reflexão!

                                Abraços e parabéns mesmo que tardio pelo Dia dos Pais.

                                Tu mereces!

                                Abraços
                                Dolor
                                Fazedores de Chuva
                                Presidente

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