Sinomar e Edivânia, GCFC O Velho Doido

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    Fazedor de Chuva

    • Mar 2011
    • 3250

    #91
    17/07/2011 - domingo - 86o. dia
    Dedico este Post ao Dr. Renato Bessa, médico do PSF. Médio coração grande. Um dos maiores corações do corpo clínico de Morrinhos. 

    Ao contrário de ontem que choveu o dia todo, hoje o sol amanheceu alegre. Logo que saí da barraca deparei-me com o gelo brilhando no cume da montanha e com a leve neblina emanada das águas do lago.
    Em poucos minutos de viagem vimos várias pessoas aglomeradas na beira da estrada e paramos. Tivemos a oportunidade de ver o primeiro urso da nossa viagem. O bicho comia um pouco distante, indiferente às pessoas que a cada vez aumentava mais ao longo da rodovia. Não é só brasileiro que fica entusiasmado com o bicho. A maioria ou todos carros parados tinham placas do Canadá. Mais a frente vimos outra concentração de pessoas e paramos; era um parque onde, levados pela disposição dos demais, fizemos uma caminhada de 3 km ao longo do parque com direito de ver uma linda cachoeira natural.

    Depois que estávamos bem no meio da parque foi que dei falta da chave da Celestina e me lembrei que a tinha deixado na ignição. Como tínhamos deixado a mochila com os passaportes ficamos brincando com a possibilidade de alguém ter sumido com a moto e com nossos documentos. Quando retornamos uma surpresa nos esperava: tinha um presernte esperando por nós. Um imã de geladeira e um catão com a seguinte frase no verso: "Sweet trip! A reminder of B.C. No anverso do cartão tem as descrição Anna´s Incense, www.annasincense.com. Obrigado B.C! Guardaremos sua lembrancinha eternamente.
    

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      Fazedor de Chuva

      • Mar 2011
      • 3250

      #92
      18/07/2011 - segunda-feira 87o. dia
      Dedicos este Post ao Dr Guilherme e à sua Esposa Carol. Um dos obstetras mais querido de Morrinhos. O casal, assim como eu, costuma filar bóia aos sábados na casa do Dr. Luis.

      Roteiro: Lilloot, Clinton, Williams Lake, Quesnel

      Hoje a viagem rendeu andamos 400 km até as 15 hs. Como tinha um compromisso de encontrar com meu amigo Jorge, que também está indo ao Alaska, parei na cidade de Quesnel, no Canada, para ver no seu blog, onde o rastreador indicava sua localização. Constatei que ele já estava chegando a Quesnel. Corremos para interceptá-lo em algum lugar da estrada, mas nem foi preciso porque o avistamos conversando com outro motociclista em posto de gasolina. Após cumprimentos afetuosos, o Jorge me disse que o outro motociclista era da cidade e que o havia convidado para dormir na sua casa. Logo eu me convidei, também e partimos. Primeiro passamos num café de outro motociclista onde fomos brindados com um delicioso café, seguido de um saboroso sanduiche. Fomos parar numa mansão com 2 pavimentos, no meio de um bosque e, para variar, um lindo jardim.

      Apesar da enormidade de espaço dentro da casa, preferimos a nossa barraca. Afinal, motociclista é meio fedido para ficar numa casa suntuosa. O dono da casa se chama Dean e sua foto, junto com a esposa, aparece no blog.

      Obrigado Dean!

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        • Mar 2011
        • 3250

        #93
        19/07/2011 - terça-feira - 88o. dia
        Dedico este Post ao meu discípulo que hoje está melhor que o mestre: Marco Aurélio Guimarães. Hoje é gerente de informática na Prefeitura de Quirinópolis-Go.

        Roteiro: Quesnel, Prince George, Vanderhoof, Burns Lake, Houston, Smithers

        A calvice dos pneus dos meus veículos é igual a que foi a minha própria calvice. Eu não a percebia e quando alguém notava e comentava eu quase o mandava à **** que o pariu. Então foi caindo de um em um ou de dez em dez e sempre achava que ainda estava cabeludo. Assim está acontecendo com os pneus da Celestina. No meu planejamento era para eu trocá-los em Vancouver. Chegando lá, olhei-os e considerei-os bons. Ontem o Dean, o cara que deu-nos poso, disse que o pneu dianteiro está meio careca. Quase o mandei para aquele lugar, mas lhe garanti que os trocaria em Prince George que é uma cidade maior. Chegando na referida cidade os avaliei novamente e disse para o Jorge: dá para eu andar mais quatro mil quilômetros.

        Hoje foi uma tocada boa. As cidade estão ficando mais distantes uma das outras e a paisagem sem novidades não nos motiva a parar. Paramos algumas vezes na estrada para ver urso preto e veados. Paramos em Smithers para dormir. Depois de ver os preços dos hoteis, deixamos o Jorge em um e fomos procurar lugar para acampar. Fiquei com pena dele, tendo em vista que transparecia no rosto sua tristeza e sua preocupação com a gente. Mas mesmo assim o deixamos.

        Depois de andar um pouco pela cidade, passamos perto de uma casa com um grande quintal onde tinha um traile. Então eu disse para a Edivânia: "o dono dessa casa tem trailer, então é gente nossa!". Inhambu na capanga. Não só acampamos, como lavamos e secamos roupas, banhamos e ganhamos um delicioso bolo. O casal se chama Carol e John Wriçht e, acreditem, tem um filho adotivo no Brasil o qual, nunca viram pessoalmente. O garoto tem 11 anos e todo mês o casal envia uma mesada para sua educação. Pirei! Hoje de manhã nos despedimos abraçando, parecendo velhos amigos. Aliás, sempre é assim com as pessoas com as quais pernoitamos e todas as convidamos para irem ao Brasil e que aí ficarão na minha casa e que as conduziremos para os locais mais bonitos do país. Se todas resolverem a ir estarei 'fudido'. Primeiro é o tamanho da minha casa. Os três cômodos da minha casa não dão a área da sala de estar de cada uma das casas que fiquei aqui. Segundo é o estado de conservação do meu carro. Nem se compara com os daqui.

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          • Mar 2011
          • 3250

          #94
          20/07/2011 - Quarta-feira - 89o. dia
          Oferece este ao Marlon Rangel. Empresário bem suscedido em Lan House que atravessa a noite trabalhando. Ele é o único contato que vejo após as 23 horas do Brasil e 19 horas daqui.

          
          Roteiro: Smithers, Ktwanga e Stewart

          Encontramos com o Jorge lá pelas 9 horas, tendo em vista que, após acordar, ficamos conversando com nossos anfitriões. A primeira tocada de 120 km foi ótima, tempo bom e paisagem bonita. Porém, depois veio a chuva. Pilotamos uns 300 km debaixo de chuva num frio que estimo os 14 graus. Como sabia que enfrentraríamos 220 km sem posto de gasolina, abasteci meus tanques sobressalentes. Esse peso extra proporcionou maior estabilidade na Celestina e andei entre 100 e 110 km/h, mesmo debaixo de chuva, coisa que nunca tinha feito. Mas a viagem foi muito segura. Como previsto tive que abastecer a Celestina com gasolina dos galões, debaixo de chuva, tendo em vista que não encontramos nenhum local coberto nas imediações onde o mapa indicava um povoado era um parque.

          As minha roupas e da Edivânia, por serem novas, aguentaram bem a chuva. Não molhamos nada, ou quase nada. Porém, o Jorge deu uma molhada legal.

          Chegamos a Stewart por vota das 14 horas e o Jorge ficou doido para arrumar hotel. Nunca vi gostar tanto de hotel como ele. Hoje comentei com ele: "Você tem que durmir e curtir um parque. Deixe os hoteis para as cidades grandes; aproveite que está comigo". Ele arrumou uma desculpa de que a tia dele não deixa, entre outras, e vai continuar hospedando nos hoteis. Mas dessa vez demos razão para ele, porque a chuva não para e o frio é muito forte. Em pleno verão daqui, as montanhas tem gelo até na base. Assim, mesmo vendo uma área ideal para acampar, protegida da chuva, resolvemos acompanhá-lo. Mesmo com um hotel a U$ 110,00 e U$ 23,00 por dois sanduiches. Corresponde ao meu orçamento para dois hoteis.

          Mas compensa; o cara é muito legal. Hora nenhuma a gente o vê com a cara ruim, irritado ou triste. É um companheirão. Acertei com ele que vamos continuar como fizemos em Smithers: ele no hotel e nós acampados. Encontramos cedo para viajarmos.

          E a visão que o Hotel oferece. Comer um sanduiche, numa sala aquecida, vendo as montanhas nevadas através das grandes janelas será inesquecível.

          Devido ao tempo, tiramos poucas fotos.

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            • Mar 2011
            • 3250

            #95
            21/07/2011 - Quinta-feira - 90o. dia

            Dedico este Blog à Professora Mirian Mendonça. Professora e diretora competente de Morrinhos. Pessoa alegre e comunicativa.

            Rota: Stewart, Meziadin Junction, Bell II, Bob Quinn Lake e Tatogga (só Stewart que é cidade as demais têm menos de 10 casas) - 334 km rodados

            Devido ao tempo fechado demoramos a sair do hotel. Às 8:15 daqui estava ouvindo o Jornal do meio dia da Radio Integraçao News, da minha Morrinhos, que começa ao meio dia.

            Por volta das 10 horas partimos para conhecer o Glacial Salmon que é a atração turística de Stewart que atrai turistas de várias partes do mundo. Encontramos dois motociclistas suecos, mas a maioria provem do EUA e do próprio Canadá.

            O Glacial Salmon, não é tão bonito quanto ao de Perito Moreno na Argentina e o nevoeiro atrapalhava a visão, mas mesmo assim o achei fascinante. Na Argentina vi comentários das pessoas tomarem uísque 3012; doze anos do uísque e 3.000 anos do gelo. Então aqui resolvi tomar o café 3001; um ano do café e 3.000 anos do gelo. Pedi a Edivânia para arrancar um pedacinho de gelo e misturar num café que ela preparou para mim. Só nós dois naquele local lindo, conforme podem ver nas fotos. É que o espírito de aventureiro me fez andar mais um pouco além do ponto de observação onde diversas pessoas esperavam o tempo limpar. Apesar de uma placa proibindo passar, andamos mais uns seis quilômetros e tivemos o privilégio de ver o tempo aberto, mostrando uma cena impressionantemente bela.

            Meu amigo Jorge não quis avançar com a gente e voltou para a base, onde começa o passeio. No caminho rumo ao Glacial, existe um ponto de observação para ver os ursos pescarem. Ficam diversos turistas com enormes máquinas fotográficas, aguardando alguma aparição. Mas uma pessoa nos disse que não estava subindo salmão e dificilmente os bichos apareceriam e fomos embora.

            Oficialmente já sou um morrinhense que saiu de moto de sua cidade e chegou ao Alaska. Para se chegar ao Glacial, tem que passar por uma ponta do Alaska com controle de imigração e tudo. Até carimbo no passaporte recebemos. Essa inesperada entrada no Alaska motivou meu amigo Jorge a encerrar sua viagem de subida e empreender retorno ao Brasil. O argumento dele está correto, tendo em vista que, se o objetivo era Alaska, então já estava cumprido. Porém, para mim, cujo objetivo é o extremo norte, o argumento não me serve.

            Assim nos despedimos definitivamente dessa viagem. Ele aproveitou que entrou um hotel barato nesse canto do Alaska e resolveu ficar mais uma noite. Eu, ao contrário, aproveitei o dia lindo para esticar rumo ao note, haja vista, que ainda faltam quase dois mil quilômetros para atingir meu objetivo, sendo uns oitocentos de estrada sem pavimento.

            Na viagem tivemos a oportunidade de visualizar quatro ursos pretos na beira da estrada o que nos fez temer dormir em parques. Paramos para dormir numa Rest Area, onde dois trailers também pousariam. Um deles, encontramos no Glacial.

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              • Mar 2011
              • 3250

              #96
              22/07/2011 - Sexta-feira - 92o dia

              Dedico este Post ao Professor Waldir Fernandes, meu amigo Waldirão. Ele foi contratado na Telegoiás em 1985 pelo então chefe de Distrito, Rogério Troncoso. O objetivo, segundo o contratante, era injetar sangue novo na equipe. Na época pensei que o sangue estava contaminado, mas hoje somos grandes amigos.

              Rota: Tatoga, Dease Lake, Good Hope Lake, Upper Liard (nenhuma é cidade) - 492 km rodados

              Hoje saímos da British Columbia e entramos no território de Yukon. Deixamos a rodovia CA-37 e pegamos a CA-1. Faltando aproximadamente 300 km para chegarmos na cidade de Withehorse, paramos para dormir numa área de pesca e entretenimento; junto com vários trailers. Hoje não tivemos muitas emoções na viagem, a não ser a visualização de mãe e filhote de um Caribu. No trajeto passamos por uns quatro lagos e dois parques, semelhantes aos anteriores. Agora concordo que o Canadá tem a maior reserva de água doce do mundo. São inúmeros rios e diversos lagos. Estes são todos na cor verde escuro, quase negros, e os rios invariavelmente de águas claras, variando de transparentes a azuis.

              Encontramos com diversos motociclistas no percurso, mas o que me chamou a atenção foi um jovem que saiu de Nova Iorque e vai até ao Alaska, numa moto bem velha e mal cuidada. A bicha vasa óleo e tem a pintura toda estragada. O rapaz é tímido. Encontramos com ele três vezes na estrada e ele fica sozinho descansando. No primeiro encontro, quando viu o nome Brasil na Celestina, ele aproximou todo curioso. Na segunda já pedi hospedagem em Nova Iorque na casa dele. Ele me passou o e-mail e disse que se estiver voltado até lá será um prazer. O site dele é algo mais ou menos assim; a letra não ficou legível:




              Mas o que ocupa minha mente por muito tempo, enquanto estou pilotando, são os ciclistas. Admiro-os, pela coragem e determinação, mais que os motociclistas. Por toda a viagem, exceto nas freeways, onde são proibidos de trafegar, a gente os encontra. Mas aqui no Canadá me impressiona mais. Nos últimos três dias percorremos em torno de mil quilômetros onde o espaçamento entre uma construção e outra varia entre 80 a 220 km; até agora já passei por seis trechos desses, onde não se encontra nenhuma, sem exagero, nenhuma habitação; nenhuma fazenda; nenhum morador isolado. Na última quarta-feira choveu quase o dia todo e, ontem e hoje, pegamos alguns trechos com chuva que faz o frio ficar muito forte. Mesmo assim, nesse período encontramos em torno de 20 ciclistas em grupos de três, dois, casal e solitários, estes a maioria. Se para nós motociclistas é difícil conciliar comida, imagine para eles. Sem falar nas gigantescas muriçocas, que atacam às milhares, estão por todo lado e não respeitam movimento. Mesmo mexendo com as mãos elas atacam. Imagino que elas os picam quando estão na subida.

              Não gosto muito de conversar com os ciclistas devido suas calças ou calções. Eles colocam uma almofada na região pélvica que aumenta muito o volume da mesma. Não sei se é por causa da anatomia do selim ou por vaidade, eles ainda dão uma levantada geral na genitália que destaca mais ainda. Até que o cérebro processa que aquilo não é tamanho, mas enchimento, o sentimento de inveja já me atacou. Não gosto muito que minha mulher veja, também. Tenho medo dela sub-avaliar o que tem em casa.

              Será que meu amigo Dr. Leonardo Frauzino, ciclista apaixonado, usa essa roupaEle parece tão sério e respeitador, acho que não.

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              • Dolor
                Fazedor de Chuva

                • Mar 2011
                • 3250

                #97
                23/07/2011 - Sábado - 92o. dia

                Dedico este Post ao amigo de adolescência, Deusmar e sua esposa Ocirene, empresários do ramo de auto peças em Goiatuba.

                Conforme citado no blog de ontem, hoje domingo, permaneci em Whitehorse visando trocar o óleo e os pneus da Celestina. A cidade é pequena, 26.418 habitantes pelo folheto, mas muito desenvolvida comercialmente. Além de ser um entreposto para o noroeste do Canadá e norte do Alaska, a cidade serve de ponto de partida para os turistas que gostam da natureza. Daqui pode pregar voos em hidro-aviões para os lagos gelados do norte ou simplesmente fazer uma pescaria e visualizar a natureza na região. Para se ter uma ideia do movimento turístico, hoje entre as 7:00 e as 10:00, enquanto estava no camping, quatro jatos decolaram. Um vi que era comercial, os demais só escutei o barulho.

                A cidade tem fundação marca em 1897, mas tem poucas construções remanescentes desta época. Estou procurando, também, uma câmara fotográfica, tendo em vista que a minha, depois de molhar, perdeu o foco.

                No dia 21/07/2011 completaram 3 meses de viagem e como de costume vou prestar conta hoje, porém os dados foram fechados naquele dia:

                Meses Anteriores Mes atual Acumulado
                Combustível Litros.......... 831,31 611,33 1.442,64
                Combustível Valor.......... 1.695,26 1.149,96 2.845,22
                Alimentação.................... 1.482,68 1.330,66 2.813,34
                Passeio............................ 522,44 185,57 708,01
                Moto............................... 125,21 107,62 232,83
                Hotel.............................. 659,18 528,33 1.187,51
                Aduana.......................... 427,36 107,36 534,72
                Pedágio......................... 44,47 58,77 103,24
                Avião............................. 2.046,78 0 2.046,78
                Roupas........................... 0 2.263,84 2.263,84
                Medicamentos/protetor.. 0 49,00 49,00
                Equipamentos eletrônicos. 0 445,61 445,61
                Outros.............................. 247,79 108,75 356,54

                Total................................... 7.251,17 6.335,47 13.586,64

                Média diária de despesas R$ 120,85 211,18 151,00
                Km rodados.......................... 13.575 9.536 23.111
                Km/dia ................................. 223 318 257
                Consumo Km/litros 16,33 15,60 16,02
                Última edição por Dolor; 01-10-11, 15:48.

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                • Dolor
                  Fazedor de Chuva

                  • Mar 2011
                  • 3250

                  #98
                  24/07/2011 - Domingo - 93o. dia
                  Hoje foi um dia sem atividades. Um pouco chuvoso e aproveitamos a estadia para ficar no camping para ageitar as coisas e lavar as roupas mais finas. Fazer as unhas e a sobrancelha e outros.
                  Saimos apenas para comer e fazedr umas compras de supermercado e voltei para tirar uma pestana vespertina.

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                  • Dolor
                    Fazedor de Chuva

                    • Mar 2011
                    • 3250

                    #99
                    25/07/2011 - Segunda-feira - 94o. dia
                    Dedico este Post ao Flavinho. Ele que é motociclista e empresário no ramo de motocicleta. Meu comnpanheiro de peteca nas quadras do lago. Jovem moderado nas farras, trabalhador e econômico. Virtudes que o diferencia positivamente.

                    A primeira coisa após levantar acampamento foi procurar o pneu para a Celestina. Encontrei o traseiro na loja da Yamaha e não encontrei o dianteiro. Eles venderam o pneu mas não instalavam, então fui para Honda onde troquei pneu, óleo, filtro e verifiquei as lonas de freio traseiras que ainda estãoi boas. O pneu me custou U$ 229,23 e o serviço na Honda U$ 128,57.
                    Saímos de Whitehorse por volta das 16 horas e partimos rumo ao Alaska. Pensei comigo: "só paro para dormir quando chegar na divisa com o Alaska". Assim fui tocando. Por volta das 22:00 hs o sol ainda estava me prejudicando a pilotar, batendo nos meus olhos, quase parei, mas continuei. Quando foi 11:45 cheguei na divisa, ainda bem claro, conforme pode ver nas fotos da placa. Aliás aqui não escurece totalmente nesta época do ano. Qualquer hora da madrugada que acordo o sol está clareando.

                    Hoje estou sem inspiração para escrever. Mas ontem me senti muito feliz em ver a placa do Alaska. Mesmo com um frio bem forte e milhares de muriçocas me atacando, tirei a jaqueta para tirar uma foto com meu uniforme amarelo. Fiquei tão feliz que resolvi acampar alí mesmo. Ao lado do marco da divisa tinha uma grama do lado do Canadá onde armei a barraca para descansar um pouco, tendo em vista que já passava da 1:00 hora da madrugada e o dia já estava claro, convidando para pegar a estrada novamente.
                    Eu tenho um grande defeito que me prejudica muito. Não consigo ser totalmente feliz com o momento atual. A sensação de felicidade para mim é muito curta. Em vez de dormir sorrindo com o objetivo alcançado, pensando quão bom é viver uma aventura como essa, mas não, logo os pensamentos sobre o futuro invadiram minha mente e expulsaram os sentimentos de felicidade. Daí para frente os pensamentos dominantes foram a chegada no Círculo Ártico e ao extremo norte do Alaska em Prudoe Bay..

                    Mas com certeza essa lembrança não apagará nunca das minhas recordações.

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                      Fazedor de Chuva

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                      • 3250

                      #100
                      26/07/2011 - Terça-feira - 95o. dia
                      Dedico este Post ao Policial Nirlando. Um dos mais novos amigos em Morrinhos. Pessoa tímida e reservada. Só tornamos amigos por causa da peteca do lago.

                      Rota: Northway, Tok, Slana, Glennallen e Sulton – 512 Km

                      A viagem de hoje foi apenas de transcurso, sem muita novidade. Como o mapa mostrava falta de cidades ao longo da rodovia, na primeira cidade após a entrada no Alaska, pedimos um super sanduba para reforçar as energias. Eram 10 horas da manhã e o restaurante ainda servia o desgejum.

                      Com a refeição garantida, rodamos 512 km no dia. Aestrada não ajudou, além de duas demoradas paradas por conta de serviços, existem muitos pedaços de rodovia construidos com cascalho ou brita solta; dezenas ao longo desses 500 km. Por esse motivo não podia desenvolver alta velocidade e a tensão aumenta muito o cansaço.

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                        • 3250

                        #101
                        27/07/2011 - Quarta-feira - 96o dia

                        Dedico este Post ao meu ex-chefe, companheiro e amigon Dr. Pedro da Lara. Conversar com o Pedro é num dos melhores passa tempo que existe. A gente ri o tempo todo. Cara de bem com a vida.

                        Rota: Palmer, Anchorage, Palmer e Willow – 494 Km

                        Como fomos dormir depois das 23 hs, acordamos tarde. Após pegar a estrada e rodar uns 60 km tive que parar para usar a gasolina dos galões é que ontem, devido ao cansaço, fiquei com preguiça de abastecer; esse negócio “no próximo abasteço” não funciona por essas bandas. Assim almoçamos num Mc Donalds de Palmer, cidade próxima de onde dormimos, cujo Wi-Fi não deu para passar as fotos para o Blog, por isso não o atualizei.

                        Anchorage é uma cidade muito bonita, como quase todas por essas bandas. As pessoas daqui gostam de viver intensamente o verão e transmitem isso com os jardins das suas casa, comércio ou ruas. Não canso de admirar as flores. Em Palmer tinha dois postos de gasolina de frente um ao outro. Gosto de abastecer no Shell, mas o deixei, por causa das flores que enfeitavam cada uma das bombas de um Chefrom.

                        Alguém me disse que o Alaska tem a maior renda per-capta dentre os estados americanos. Não sei se é verdade, mas que ele tem a maior frota de mono motor (teco-teco) por habitante, com certeza. Às margens da estrada tem diversos pontos de aterrissagem e um aviaozinho estacionado. No meio do nada apareceu um local de compra e venda onde tinha dezenas deles em Anchorage, tem um aeroporto só para eles, onde deve ter centenas. Acredito que na época do frio eles conseguem aterrissar no gelo, por isso essa popularidade. Imagino, também, que a máquina deve ser subsidiada pelo governo, já que a renda com a exploração do petróleo é grande e não tem gente para gastar. A densidade populacional aqui é muito baixa.

                        No Alaska não tem lavoura e muito menos pecuária. Acho que as crianças daqui não conhecem uma vaca. Nas casas fazem umas hortas, mas lavoura nada. No oeste do Canadá, tão frio quanto aqui, existem lavouras de feno para tratar dos animais. Também a terra daqui é muito ruim em fertilidade. Aliás ela vem perdendo qualidade a medida que venho subindo. As árvores gigantescas da Califórnia vem diminuindo gradativamente.

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                        • Dolor
                          Fazedor de Chuva

                          • Mar 2011
                          • 3250

                          #102
                          30/07/2011 - Sábado - 99o. dia
                          Dedico este post ao amigo Clebston Carvalho, ele que é sócio da Interativa Lan House e um apaixonado pelas minhas viagens. Pessoa muito simpática, sempre com um sorriso no rosto.

                          O projeto inicial era ficar até domingo no The Anderson Bluegrass Gazette & Country Music, porém a vida já estava ficando sem graça sem a estrada, e resolvemos partirmos hoje. Esperamos apenas nossas vizinhas do Mississipe apresentarem suas canções. Por volta das 15 horas partimos.

                          A nossa vida estava muito boa. Ontem almoçamos e jantamos numa barraca ao lado da nossa (camisa preta na foto). Hoje ganhamos pão e ingredientes para fazer hot-dog (barbudo na foto). Para mais tarde já tínhamos um convite para participar de um “luau” na beira do rio, com direito a música, bebida e comida de graça. É que a organização reservou um acampamento especial para os músicos na beira do rio e muitos campistas, em vez de assistirem os shows, preferem ficar ao lado dos cantores e levam a bebida e a comida para lá.

                          Por volta das 21 horas encontramos a casa da feirante em Fairbanks, porém não tinha ninguém, haja vista que dissemos que chegaríamos no domingo. Mas mesmo assim armamos a barraca no quintal.

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                          • Dolor
                            Fazedor de Chuva

                            • Mar 2011
                            • 3250

                            #103
                            31/07/2011 - Domingo - 100o. dia
                            Dedico este Post ao pessoal da Secretaria Municipal de Saúde de Morrinhos. Tenho vários amigos lá que acompanham meu blog.

                            Hoje completaram 100 dias de viagem. Coincidentemente foi um dia de folga. Preferi deixar para segunda-feira a partida rumo a Prudue Bay. Não sei porque. O fim de semana é ruim quando você precisa comprar algo e o comércio está fechado, mas para aquelas bandas nem comércio tem, por isso poderia partir a qualquer momento.

                            Aviso aos companheiros e companheiras que me acompanham para não se preocuparem com uma eventual sumida da internet. De Fairbanks, onde estou, até Prudue Bay são mais de 800 km e só existe um ponto de abastecimento na metade do caminho, Coldfoot.
                            Acredito que gastarei 3 dias indo e outros3 voltando, mas pode ser mais. Segundo informações de outros motociclistas a estrada está muito escorregadia com as chuvas que caem diariamente na região.
                            Estimo que a minha velocidade média na estrada de cascalho será de 30 km/h.

                            Aproveitamos para fazer uma grande compra de suprimentos para comer na estrada: 24 crossants, 24 conjuntos para Hot-Dog, Castanha de Cajú, leite, Chocolate, café e adoçante.
                            O problema é como guardar essa comida a noite, tendo em vista que os avisos de urso atacando barracas e carros atrás de comida é comum na região. Com frequência as pessoas nos alertam:”não deixem comida na barraca!”
                            

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                            • Dolor
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                              • Mar 2011
                              • 3250

                              #104
                              01/08/2011 - Segunda-feira - 101o. dia
                              Dedico este Post ao Mandril, locutor de rádio em Goiatuba e conteporâneo de farras em Goiatuba. Ele é um negro simpático que curte a si mesmo e a vida. É motociclista e tem perfil dos habitantes de Los Angelis. Lá tem muitos negros com roupas e cabelos iguais aos seus.

                              Hoje cruzei a linha Artic Circle, conforme placa na foto. O circulo Polar Ártico é uma linha imaginária que antecede o Polo Norte em 20o. Encontrei vários pilotos pelo caminho que tinha como objetivo esse local. O ponto tornou-se marco para os motociclistas do mundo inteiro. São poucos pontos em que o Artic Circle pode ser ultrapassado por uma moto.
                              Um é este ao qual cruzei. Outro no noroeste do Canadá e, ainda, na Noruega. Com motos de trilhas devidamente reforçadas é possível cruzá-lo na Sibéria.

                              Pelos relatos de outros motociclistas na internet, as dificuldades entre Fairbanks e Coldfoot eram enormes. Entre o início do planejamento da viagem até as 20 horas de hoje sofri muito por antecedência. Na realidade dos 416 km rodados apenas uns 100 não são asfaltados. A estrada não pavimentada é melhor que as da Bolívia entre o Brasil e Santa Cruz de La Sierra e muitas vezes melhor do que a Ruta 40 na Argentina. Tá certo que a Dalton Highway, esta, é mais perigosa porque permite uma velocidade maior e de repente o piso acaba e somos obrigados a reduzir rapidamente as marchas, porque frear, nem pensar. Para piorar aqui chove o dia todo, seja para uma banda ou para outra, de forma que sem mais nem menos aparece rastro de uma chuva invisível e o piso fica extremamente escorregadio.

                              Após percorrer os primeiros 30 km, aproximadamente, parei para descansar e até pensei em desistir do percurso até Prudue Bay. Tinham duas patrols, uma atrás da outra, removendo a terra da estrada, que um caminhão Pipa havia previamente molhado. Mesmo uns 20 km para frente das patrolas, o piso estava molhado, ou pelos caminões ou pela chuva. Nesse trecho tive que andar entre 15 a 20 km por hora e assim mesmo tendo que colocar os pés no chão para não cair.

                              Quando vi um casal numa Harley parados, parei também. Eles estavam pensando em desistir da viagem programada até o Círculo Ártico, devido a dificuldade inicial da estrada. Mesmo com pensamentos pessimistas, e medo, resolvemos seguir viagem. Parei muitas vezes depois e esse casal não me ultrapassou. Acho que eles desistiram.
                              Porém uns 20 km para frente a estrada permitiu que eu andasse a 80 km/h, mesmo sendo de terra. A terra batida estava melhor que muitos afaltos no Brasil. Mas como alegria de pobre dura pouco, começou a chover sem parar e tive que andar entre 40 e 60 km/h exigindo muito concentração e força nas mãos.
                              Daí para frente foi asfalto, com um agravante: de vez em quando ele acabava e virava terra novamente, assim sucessivamente, o que torna a estrada mais perigosa do que as outras anteriormente citadas.

                              Chegamos a Coldfoot às 20 hs e a chuva só deu um tempo para armarmos a barraca e despencou de novo. Dormi escutando a chuva bater na barraca. Com o cansaço acho que dormiria até debaixo dela.

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                              • Dolor
                                Fazedor de Chuva

                                • Mar 2011
                                • 3250

                                #105
                                02/08/2011 - Terça-freira - 102o. dia
                                Dedico este Post ao César do Carmo, Gerente Geral da Caixa Econômica Federal em Morrinhos. Pessoa simpática e muito atenciosa no seu trabalho.

                                Acordei às 7:30, tomamos o achocolatado com crossantes e agora 10:10 hs, no horário daqui e 15:10 em Morrinhos, estou escrevendo o meu diário. A chuva que caiu a noite inteira continua, impossibilitando-nos de levantar acampamento. Se fosse no verão brasileiro, daria até para encarar, mas com o frio daqui prefiro me hibernar, como os ursos. Também,com esta chuva estrada deve estar como um sabão.

                                Agora são 22:20 aqui e 3:20 no Brasil. Se queria emoção, hoje eu passei. Saímos de Coldfoot por volta das 16:00 hs, após arrumar emprestado mais dois galões para levar mais gasolina de reserva, tendo em vista, que até Dadhorse, vizinha de Prudue Bay, são 390 km e somente meus dois galões de reserva não eram suficientes.

                                Por volta das 13 horas a chuva deu uma trégua suficiente para levantarmos acampamento e continua até agora com poucas interrupções durante o trajeto. Os primeiros 30 km foram de asfalto mas logo peguei barro e mais barro. No início o medo não deixa o acelerador passar de 30 km/h, porém, com o tempo esqueci do medo e chegava aos 50. Nessa velocidade andei uns 120 km após acabar o asfalto. Depois subi e desci uma grande serra ainda debaixo de chuva mas com piso melhor. A partir da serra muda tudo: o frio aumenta consideravelmene, a velocidade do vento nem se fala e a vegetação simplesmente desaparece. A chuva deu uma parada e a estrada melhorou. Teve até um pedaço asfaltado. Mas logo acabou o asfalto e a chuva voltou. Para piorar peguei um piso removido por terraplenagem que me fez a andar novamente a 30 km/hora.

                                Como o cansaço já era grande, paramos numa ponte em construção e armamos a barraca em cima dela. Certamente amanhã os trabalhadores nos acordarão. Escolhemos a ponte porque, segundo informações, o chão daqui é congelado a poucos centímetros da superfície e, por isso, a barraca absorve o frio. Esperamos que o cimento novo da ponte seja mais quente. Daqui da ponte deu para ver um bisão pastando, mas estava muito longe e nublado para fotos.

                                O ruim é que hoje será o segundo dia consecutivo sem tomar banho. Ficar dois dias sem tomar banho com o frio daqui até não atrapalha dormir, mas tirar a bota e a calça lambusadas de barros é uma sensação ruim.

                                Agora já são 23 hs e vou dormir. Estou sem sono porque levei um susto com meu computador. É que as bacadas afetou o sistema operacional e só se reestabeleceu depois de diversas tentativas

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