Sinomar e Edivânia, GCFC O Velho Doido

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  • Dolor
    Fazedor de Chuva

    • Mar 2011
    • 3250

    #1

    Sinomar e Edivânia, GCFC O Velho Doido

    Foi uma alegria muito grande "dar de cara" com a história deste casal numa viagem, cheia de determinação e desafios , cobrindo os extremos das Américas, de Ushuaia, Tierra del Fuego, Argentina, onde a terra acaba pelos lados do sul, até Prudhoe Bay, Alasca, Estados Unidos, onde o norte tem o seu começo, claro, com as primeiras aceleradas acontecendo em Morrinhos, Goiás.



    Nada foi nem tem sido obstáculo para este casal obstinado a perseguir um ideal, um objetivo e mais do que tudo isto, um sonho.

    Foram atrás e para satisfação de todos nós, eles tiveram a Coragem, para cruzar as 3 Américas com todos os seus mistérios, belezas e perigos na solidão de duas rodas...

    São verdadeiras Almas Inquietas, para deixar para trás o conforto e a segurança que só a rotina perto dos que bem queremos pode nos proporcionar...

    Finalmente, eles encarnaram a essência do que são os Fazedores de Chuva, para quem:

    "O Sonho é para realizar o que qualquer um pode fazer, porém, poucos o fazem..."

    Sejam bem vindos à elite do Motociclismo Mundial!

    Dolor e Angela
    Fazedores de Chuva
    Presidente
    Última edição por Renan Xavier; 20-09-11, 12:16.
  • Dolor
    Fazedor de Chuva

    • Mar 2011
    • 3250

    #2
    AVENTURA USHUAIA – ALASKA / 2ª ETAPA

    Este projeto tem a finalidade de viabilizar a segunda etapa da AVENTURA USHUAIA-ALASKA, que será uma grande viagem de motocicleta, sem carro de apoio, a ser realizada em uma moto, através das Américas do Sul, Central e do Norte, partindo de Morrinhos – GO com destino ao povoado de Prudhoe Bay, que fica às margens do Oceano Ártico (Alaska – USA), com um percurso estimando em 55.000 km, ida e volta, rompendo fronteiras através de 18 países, durante 180 dias, com previsão de partida em 23/04/2011. A ida será pela Bolívia, Peru, Equador, América Central e Oeste da América do Norte e a volta pelo Leste dos USA e Leste do México, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa, entrando no Brasil por Roraima e chegando até Belém.
    Com essa viagem visitarei todos os países continentais das Américas. A primeira etapa da Expedição Ushuaia-Alasca já foi realizada, quando, em 04/01/2009, parti de Morrinhos com destino a cidade de Ushuaia, situada no extremo da América do Sul e percorri 19.500 km, de ida e volta, durante 64 dias e 2.300 km de cascalho. Nessa aventura passei pelo Uruguai, Paraguai, Argentina e Chile, país este, que percorri de um extremo a outro, até a região do Deserto do Atacama. Essa experiência foi registrada no blog HTTP://morrinhos2ushuaia.blogspot.com.

    Motivações

    A primeira será buscar, em cada país visitado, projetos ou instituições que atendam crianças e adolescentes carentes com vistas a implantá-los na minha cidade. Meu desejo é trabalhar enquanto o corpo permitir; seja remunerado ou não, e vislumbro no voluntariado a melhor ocupação para um sexagenário. Penso que minha inquietude não acabará nunca. Então, quando cessar esse “formigamento” pelas estradas, pretendo gastar minhas energias ajudando os menos favorecidos.

    A segunda motivação é sair da zona de conforto propiciada pelo sedentarismo e evitar o endurecimento das articulações, artérias e mente, conforme ensinado pelo texto abaixo:

    “Depois de viver mais de dois terços da vida (pela expectativa das seguradoras) é hora de sair da rotina e estabelecer desafios para o corpo não minguar rapidamente. E não há maior desafio do que ousar sair da redoma de proteção urbana, abandonando a zona de conforto e assumir a liberdade de ir ver pessoalmente e pelos próprios meios como as coisas realmente são. Além disso, depois de viver mais da metade de uma vida convencional, é hora de experimentar algo insólito ou inusitado; como usufruir a sensação de liberdade de se desprender de tudo e pilotar uma moto através das Américas, como um antigo nômade em seu cavalo - despojado de excessos de regras, conforto e segurança - e vivenciar a aventura de interagir com pessoas de antigas culturas, transitar por lugares históricos ou de rara beleza e por fim; escrever um livro sobre as fantásticas experiências, que com certeza serão vivenciadas pelo caminho”. (Texto adaptado do site www.phd-br.com).

    A terceira tem cunho maldoso: quero ser invejado pelos meus colegas motociclistas. Para meus companheiros ofereço o seguinte texto:

    “Vício de viagem é uma doença grave, bastante semelhante ao do álcool e da toxicodependência. Um dos meus leitores se queixou de que estou espalhando vírus da doença através da Internet por meio das minhas notas de viagem. Como uma pessoa que está definitivamente afetado por esta doença, eu diria que a vida calma suburbana é realmente perigosa para minha saúde”. Do aventureiro Alex Mumzhiu.
    Última edição por Dolor; 20-09-11, 11:09.

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    • Dolor
      Fazedor de Chuva

      • Mar 2011
      • 3250

      #3
      23/04/2011 – O grande dia: Saída rumo ao Alaska



      Hoje acordei antes do sol. A tensão era grande. Mas ela aumentou ainda mais quando cheguei ao local da saída, o grande encontro de motociclistas organizado pelo meu amigo Rui Leite. Vou tentar descrevê-la subdividindo-a em três partes:

      1 - A primeira foi encontrar no recinto, amigos que não esperava nunca estar ali; pessoas que nem curtem o motociclismo. Estavam ali por conta da nossa amizade. Nem vou citá-las para não cometer injustiça. Mas quem foi sabe de quem estou falando e recebe gora os meus agradecimentos. Fiquei muito feliz. Citarei duas dessas que me surpreenderam: O Prefeito Cleomar Gomes, que me acompanhou até trevo da Br-153 e foi um dos últimos a me abraçar pedindo-me para levar e propagar o nome de Mrrinhos. O outro foi o ex-prefeito Rogério Troncoso que fez questão de tirar uma foto comigo e desejar-me felicidades no passeio. Obrigado aos dois.



      2- Outra alegria foi contar com a presença de motociclistas de diversos estados, os quais me cumprimentaram efusivamente. Obrigado a todos.



      3- Por último, quando meu coração disparou e as lágrimas tentaram sair, foi deparar-me com a presença dos meus filhos que vieram me dar um abraço. Foi uma surpresa muito grande. Conseguiram me esconder que meu filho Marcelo sairia de Montreal, no Canadá e viria despedir de mim. Esperava vê-lo somente quando passasse por lá. Minha cunhada Nilzete disse que eu fui e sou um dos melhores pais que ela já conheceu. Fiquei muito lisonjeado, mas consertei, afirmando que são meus filhos que são bons.

      Segue um foto com o Marcelo e a Aline, além de outras dos motociclistas.

      A viagem até Rio Verde foi muito ruim, exceto pelo fato, de conceder uma entrevista à TV Paranaíba. Os buracos da estrada quebraram o suporte da lanterna traseira e causou um mau contato na lâmpada principal.

      Não deu para subir as fotos hoje
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      Última edição por Renan Xavier; 20-09-11, 12:10.

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      • Dolor
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        • Mar 2011
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        #4

        24/04/2011 - Domingo - segundo dia

        Dormi na casa do meu irmão em Rio Verde e a parte da manha do domingo foi para arrumar a lanterna. Encontrei um surdo-mudo, de bem com a vida, que fez um serviço perfeito. Na realidade o quebrou foi uma adaptação que fiz para baixar as lanternas e colocar os reservatórios de gasolina.


        Almocei e fui dormir no balneário Lagoa Santa. Em Lagoa Santa aconteceu o nosso primeiro “golpe”. Logo que acamos de montar a barraca, enquanto a Edivânia tomava banho, aproximei de um casal que estava acampado no mesmo camping. Para abordar, primeiro olhei a placa da camioneta. Depois, o tradicional “ahhh! Vocês são de Goiânia?” Logo me ofereceram o que comer aí eu disse: “Minha esposa adora esse tipo de sopa”. Pronto, o golpe estava dado, a Edivânia comeu macarrão de copo e salaminho italiano com mussarela. Apesar do “golpe” o papo foi muito bom. Terezinha e Milton são dois aposentados com alto poder aquisitivo que adora viajar e já conheceu quase todo o Brasil.
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        Última edição por Dolor; 20-09-11, 10:57.

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        • Dolor
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          • Mar 2011
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          #5
          26/04/2011- Terça-feira –Quarto dia



          Saída de Lagoa Santa , Goiás, e chegada em Bonito, Mato Grosso do Sul. Espero que o pior dia de viagem seja o de hoje. Logo de manha fui sair da barraca e apoiei todo meu peso em cima do Netebook e a tela de LED trincou toda. Estou escrevendo através os buracos visíveis da tela; em torno de 20% foi danificada e parece que está aumentando com os sacolejos da viajem. Em Campo Grande tentei arrumar mas desisti. Demora três dias para chegar e custa o preço de um computador novo. Então vou ver se o restante da tela aguenta até eu chegar nos Estados Unidos, onde espero resolver a questão. Se algum amigo quiser e puder procurar uma oficina autorizada da ACER nos países do meu caminho, favor me passar e-mail informando. Talvez na especializada encontro um usado.


          Na saída de Campo Grande passei numa barreira eletrônica a 32 km/h e ouvi um apito. Segundo me informaram, fui multado, porque a velocidade é de 30 km/h.

          Em Bonito procuramos o escritório de turismo para nos informar sobre a cidade. O cara passou uma lista de locais bonitos para visitar e outra maior contendo o nome de hotéis. No caminho na procura de um albergue, vimos um quintal gramado de uma casa simples. Pensei: “É ali!”. Parei chamei e apareceu uma senhora, cujo nome, viríamos a saber ser Dna. Lori e já fomos logo dizendo que o quintal dela tinha caído do céu, etc, etc. Para encurtar o assunto, logo estávamos com barraca armada e o banheiro franqueado.

          A noite saímos para contratar os passeios. Pelos preços pagos, teremos que ficar dois dias parados, sob pena de furar o nosso orçamento diário. Contratei o passeio de flutuação no Rio Sucuri e uma caminhada na Gruta do Lago Azul.

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            • Mar 2011
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            #6
            27/04/2011 - quarta-feira – Quinto dia






            Acordamos por volta das 6:30 hs, fui ao supermercado pertinho e comprei o material para um sanduba: hambúrguer, queijo, presunto, bacon, ovo e pão. Devidamente proteinados partimos rumo ao Rio Sucuri.

            O passeio consiste numa pequena caminhada com um guia explicando o motivo da água absolutamente transparente; em razão do calcário do qual é composto o solo. Depois, utilizando máscaras e roupas especiais para flutuar e reduzir o a sensação térmica da água, a gente desce flutuando rio abaixo durante quase uma hora. Foi muito gostoso. Mas para quem nasceu na roça (acostumado com a natureza), já mergulhou no mar e ainda pretende mergulhar no Mar do Caribe, não dei uma nota muito boa ao passeio. Acho até que devemos ter um córrego aí em Morrinhos que dá para mergulhar e ver uns peixes, previamente tratados e amansados. Porém a organização do turismo em Bonito é invejável. Qualquer cidade que for investir em turismo ecológico deveria pegar umas aulas aqui.

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              • Mar 2011
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              #7
              GCFC O Velho Doido e Edivânia, que prazer poder acompanha-los por lugares tão bonitos quanto Bonito, que faz jus ao
              nome.
              Estamos viajando juntos.
              Abs
              Dolor

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                #8
                28/04/2011- quinta-feira – Sexto dia



                Hoje fomos conhecer a Gruta do Lago Azul. Trata-se de um buraco na terra que impressiona. Ali dá para perceber que a natureza é lenta e inexorável. É quase uma hora descendo e outra para subir. Não há como entrar naquele recinto natural sem fazer algumas reflexões a respeito da vida e do Universo. Valeu o passeio pelo preço e pelo benefício. Devem existir poucas cavernas no mundo, tão funda e bela como a Gruta do Lago Azul.


                Na saída da caverna o cara que trabalha no escritório turístico me reconheceu e me procurou logo dizendo:

                - Qual dos hotéis que você hospedou?

                Então contei a história já relatada em postagem anterior em que eu ia passando na rua e vi um quintal e solicitei acampamento, quando ele retrucou:

                - você faz a barba com quê? Com óleo de peroba?

                Mudando de assunto: Se eu ficar sem atualizar o blog nos próximos dias, não se preocupem. É que deverei ficar uns dois dias pescando em alguma fazenda da beira da estrada.

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                  #9
                  Sinomar, quem tem boca vai a Roma!
                  Abs
                  Dolor

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                    #10
                    29/04/2011 - Sexta-fdeira - 7o dia

                    Nesse dia saioms de Bonito e chegamos até Corumbá. Exceto pelos 80 km de estrada de terra e o calor a viagem foi tranquila até a chegada à Corumbá. Faltando 60 km da cidade bateu uma chuva de vento tao forte que tive fui obrigado a atravessar a pista em frente à Polícia Federal e ocupar uma das vagas da garagem do posto policial. Em menos de meia hora a chuva parou e seguimos viagem chegando a Corumbá já à noite.

                    Logo na chegada encontramos um posto de gasolina com duchas para nosso banho, mas tinha cobertura, conforme nossas exigências (somos metidos só acampamos debaixo de cobertura). Porém, como o céu estava estrelado, armamos a barraca no tempo. Por volta das 2 horas da manha, a mesma chuva e o mesmo vento voltaram. A Edivânia e Eu ficamos por quase 2 horas segurando a barraca do lado de dentro para que ela nao quebrasse as varetas, mas mesmo assim duas varetas quebraram. Depois da ventenia, a chuva ficou fina e, como nosso equipamento de dormir é seguro, conseguimos dormir o resto da noite a um som de um chuva fraca e o teto da barraca bem próximo das nossas cabeças.

                    A sorte que a mulher que me acompanha é a Edivânia, porque se fosse outra, nessa hora, já estaria sozinho seguindo viagem ela voltando para casa. Mas como ela é uma super companheira, amanheceu rindo e curtindo com o acontecido.

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                      #11
                      30/04/2001 - Sábado - 8o. dia

                      Acordamos por volta das 7:00 horas, com sinal de mais chuva. Por isso acabamos de fazer o "chek out do hotel", nas dependências do posto. Em seguida fui arrumar as varetas da barraca, quando um serralheiro improvisou uns caninhos para os locais quebrados e aproveitamos para ajeitar os alforges que estavam bastante tortos.
                      Seguimos para a divisa com o objetivo de arrumar a documentaçao de saída do Brasil e entrada na Bolívia. Porém, para nossa surpresa, a fila era enorme e o horásrio de expediente era até as 13 horas, e nao conseguimos ser atendidos. Teríamos que passar mais um dia em Corumbá.
                      Dessa vez, conseguimos um local melhor para acampar. Aproveitamos o restante do dia para passear e passar um super bonder no meu capacete que quebrou durante a tempestade noturna; provavelmente sentamos nele.

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                        • Mar 2011
                        • 3250

                        #12
                        A "Adelita" Edivânia vai para a galeria das heroínas.
                        Parabéns para o casal pela alegria e determinação em superar as dificuldades com tanta naturalidade.
                        Abs
                        Dolor e Angela

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                          • 3250

                          #13
                          01/05/2011 - Domingo - 9o. dia





                          Acordamos por voltas das 6:30 horas e até fazer o "chek out" demoramos e quando chegamos na Aduana já tinha mis de 50 pessoas na nossa frente. Menos sorte tiveram um grupo de 8 motociclistas Bolivianos que chegaram no dia anterior após o término do expediente e foram para Corumbá dormirem. Porém demoraram e quando chegaram nao foram atendidos novamente. Tiveram que esperar segunda-feira. Sobre esses colegas falarei depois.

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                            Fazedor de Chuva

                            • Mar 2011
                            • 3250

                            #14
                            02/05/2011 - Segunda-feira - 10o. dia






                            Ontem tivemos que usar a reserva de 10 litros de gasolina dos tanquinhos e hoje achei seguro comprar 4 litros de um motorista de taxi, tendo que o próximo posto ainda está a 200 km de distância.

                            A nossa mente foi toda dedicada às estórias ouvidas durante o caminho. Os oito Harleyros bolivianos que encontramos na aduana disseram que tiveram que contratar um caminhao para transportar as motos por 47 km sem asfalto. Alegaram existência de muito barro e grandes trechos de pedras em aclives. Passaram tanto medo que a minha corajosa companheira ficou com medo. Para complicar ouvimos os mais absurdas estórias de assalto e roubo nesse percurso.

                            Meu argumento foi:"quando chegarmos mais perto a gente fica sabendo". Assim partimos. Quanto mais perto chegávamos do trecho mais otimistas eram as informaçoes.
                            Até que enfim, após quase 500 km sem posto, chegamos à San José de Chiquitos, onde abastecemos. A respeito da pobreza da regiao, o dono do posto apresentou o seguinte argumentou: "hoje estamos no mesmo estágio de desenvolvimento que Mato Grosso, no Brasil, estava em 1965. E eu acrescento: a regiao Oeste da Bolívia está no mesmo estágio de desenvolvimento do Tocantinis na década de 80, ou seja: com 30 anos de atraso. Esse senhor foi otimista quanto à nossa subida na estrada sem asfalto.
                            Esse senhor nos recomendou visitar a igreja da sua vila. Foi uma grata surpresa. Uma maravilha construida por volta de 1800 que tem capacidade para comportar 20% da atual populaçao da cidade. Hoje a vila deve ter 3 mil habitantes, imagine por volta de 1800, para que uma igreja daquele tamanho?
                            Assim resolvemos fazer o que as Harley nao fizeram: enfrentar o trecho. Depois de umas 4 horas chegamos ao final dos 47 km felizes da vida. Quando eu consertar meu netebook, vou gerar um filme contendo as peripécias dessa viagem.

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                            • Dolor
                              Fazedor de Chuva

                              • Mar 2011
                              • 3250

                              #15
                              03/05/2011 - terça-feira - 11o dia


                              Saimos tarde de Santa Cruz. Fui ao Banco do Brasil ver como estava os gastos e encontrei a maior fila já vista na porta de um banco. Todos Brasileiros que estudam medicina na Bolívia, na esperança do Mercosul liberar a profissao entre os países do acordo.


                              Fui em uma lan-house atualizar o blog e esperar o escritório turístico onde eu obteria informaçoes turísticas ao longo do percurso até La Paz. Uma observaçao do rapaz das informaçoes turísticas nos chamou atençao: "nao parem nessa regiao da Villa Tunari, ela é muito perigosa. É onde está concentrado o maior polo de narcotráfico da Bolívia!". No próximo post retornarei a esse assunto.


                              Logo que saímos da cidade começou a escurecer e procuramos um posto para dorimir. Logo enxergasmos uma excelente estrutura nos funtos do posto e paramos. Segue a foto da agradável palhoça. O gerente do posto que morava ao lado nos deu todo apoio.

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