Nossa historia começa em 2010 quando decidimos comprar uma motocicleta adequada para percorrer longas distâncias, até então motocavamos de sport touring, super blackbird xx ou de hayabusa ... nossas maiores distancias limitavam-se a 1500, 2500 km de percurso total, ainda não sabíamos o que era realmente viajar em uma moto.
A moto escolhida foi uma R 1200 GS 2009 adquirida no final de 2010, iniciamos então viagens pelo Brasil, com maiores quilometragens e com o intuito de conhecermos a moto e testar nosso comportamento para realizar uma primeira viagem internacional.
Rapidamente nos adaptamos e marcamos para 18/03/2011 nossa primeira grande viagem, saindo de Tupã com destino a Bariloche descendo pelo Chile, assim fizemos, correu tudo maravilhosamente bem e descobrimos em 18 dias, 8200 km que essa poderia ser a nossa maior diversão, aventurar-se pela então descoberta cordilheira dos andes!
Quando passamos por Puerto Mont, no estacionamento do hotel em que ficamos haviam duas R 1200 GS Adventure com placas da Australia, isso nos intrigou bastante, mas mais intrigada ficou minha companheira Carla, dizendo "essas motos não são iguais a nossa".
"Porque elas são tão diferentes, mais gordas, com malas e equipamentos tão diferentes?" De volta a nossa casa fiz um levantamento sobre as diferenças entre uma R1200 GS e uma R 1200 GS Adventure, posto isso, a pergunta que me veio foi: "Se vamos viajar longas distâncias, a melhor moto para isso não seria uma Adventure?"
Em maio de 2012 estávamos nós dois, no aeroporto de Araçatuba, com capacetes nas mãos e vestidos com equipamentos de motociclista, embarcando para Porto Alegre em busca da R 1200 GS Adventure comprada na SUD Motors BMW.
Pegamos a moto na concessionária e partimos para a primeira revisão em Curitiba, no caminho havia Blumenau, onde um casal de dentistas amigos da pós graduação que fiz em Bauru haviam mudado. "Vamos fazer uma visita?" Nos comunicamos e marcamos de almoçar em Blumenau. Durante esse almoço contamos sobre a aventura por Argentina e Chile, e relatamos que a intenção de comprar a moto que havíamos adquirido era para percorrer a toda a América do Sul. Foi então que o universo conspirou e uma explosão de interrogações surgiram.
Nosso amigo, Eduardo Matte, vira pra nós e fala: "Cara eu atendo um paciente de Itajaí que é maluco! Ele se chama Dolor e saiu de Itajaí, foi até o fim do mundo em Ushuaia e seguiu ao topo do mundo em Prudhoe Bay no Alaska!"
Continuou: "Ele é uma figura, até fundou um grupo que se chama Fazedores de Chuva!"
Perplexo, cheirando a florzinha e apagando a velinha respondi: "Qual é Matte, que conversa é essa, ninguém vai de Ushuaia (aonde fica isso?!) ao Alaska de moto!"
Uma semana depois, graças a internet, estava falando com o Dolor, esse ser humano espetacular, comprando camisetas e adesivos na Angel e nos tornamos Fazedores de Chuva!
Fomos convidados para o VIII encontro dos FCs em Vitória-ES e para lá seguimos em out/nov de 2012. Lá nos conhecemos pessoalmente e concluímos o que era até então uma suspeita: "Caímos em uma cilada, isso aqui e um hospício, só tem malucos!"
Foi nesse evento que conheci o Gildo, de Maceió.
Foi plantada a semente, iniciou-se o sonho...
Nasce um guerreiro!
Qualquer um pode fazer, porém poucos o fazem!
No dia 11 de outubro de 2014 eu e minha esposa Carla saímos de Tupã/SP para irmos ao 10º Encontro dos Fazedores de Chuva em Itajaí/SC, no entanto, optamos por um caminho um pouco diferente, no caso, passando por Ushuaia.
Saímos de Tupã com a Magma, nossa primeira GSADV 1200, 2012 e partimos para Ushuaia tendo como destino Itajai. Saímos pelo Paso Cristo Redentor, e descemos ate Pucon para rever o vulcão Villa Rica que nos encantou na primeira viagem, retornamos para Argentina pelo Paso Mamuil Malal e visitamos novamente San Martin de Los Andes e Bariloche matando a saudade de tudo o que nos agradou profundamente.
Saímos de Bariloche com o tempo fechado e nevando bem fraquinho, por sorte, algumas dezenas de quilômetros a frente o tempo melhorou e seguimos para Comodoro Rivadavia, onde, com muita dificuldade, encontramos um hotel para dormirmos, era um estabelecimento bastante precário, mas todos os outros estavam lotados. No dia seguinte seguimos para Rio Gallegos com tempo nublado e muito frio, lá nos hospedamos em uma pousada muito agradável e cujo dono era motociclista.
No dia seguinte quando acordamos, abri a cortina para ver o tempo e a moto que estava sob a nossa janela, ela estava com os assentos branquinhos, coberta de neve, achamos lindo, vamos as fotos!
Durante o café da manhã o dono da pousada, também motociclista, nos abordou e iniciou uma conversa, rapidamente ele estava sentado em nossa mesa contando histórias e querendo ouvir as nossas, papo vai, papo vem, ele já ciente dos nossos planos recomendou que ficássemos parados naquele dia para interagirmos, conversar e tomar vinhos juntos. Segundo ele, não era um dia apropriado para subir para El Calafate como pretendíamos, insistiu muito nisso, mas como tínhamos uma planilha com os dias contados para realizar a viagem resolvemos não acatar suas recomendações e seguir viagem.
Esperamos o tempo melhorar um pouco e partimos, próximo da 11 horas, de Rio Gallegos para El Calafate com muito frio e uma chuva bem fininha o percurso era pequeno, 305 km, vamos que vamos!
Calma da ignorância!
A medida que subíamos o tempo piorava e isso começou a nos preocupar, pois a medida que seguíamos, a nossa frente so se via escuridão. Passando Gobiernador Mayer começou a nevar e de repente nos vimos no meio de uma terrível tormenta, com forte nevasca e vento indescritível, a medida que prosseguíamos a coisa só piorava, foi então que vi uma placa indicando Esperanza 37 km, seguramente nossos piores quilômetros percorridos sobre duas rodas. Naquele momento já havia neve em toda a pista, algo entre 10 e 15 cm, e só aumentava a intensidade da nevasca, as rajadas de vento ficaram piores e quando muito fortes faziam a moto deslizar do centro da pista para o acostamento de ripio, aonde a moto tracionava melhor apesar da insegurança relativa ao relevo. Assim foram os 37 quilômetros, com a moto em segunda marcha, quando as rajadas de vento nos colocavam no ripio em primeira, lutando contra a tempestade.
Chegando em Esperanza, a estrada estava bloqueada por uma cancela e alguns policiais correram para nos indicar que deveríamos seguir para o posto de gasolina, quando parei a moto no posto os frentistas correram em nossa direção nos apontando e fotografando com seus celulares, a Carla estava com hipotermia, tremia intensamente, mal conseguia falar e não conseguia descer da moto. Pedi aos frentistas que nos auxiliassem e eles ajudaram a Carla a descer da moto enquanto outros continuavam apontando pra mim, abaixei a a cabeça e então entendi, eu estava congelado, por isso a admiração deles, batia com a mão no peito e na barriga e caiam blocos de gelo de mais de 1 cm de espessura. Consegui descer na moto e pedi pra Carla correr para o interior do restaurante, pedir uma bebida quente, tirar a capa e se posicionar em frente ao aquecedor do ambiente enquanto eu me ajeitava.
Um encontro para a vida toda!
Quando decidimos subir para El Calafate, uma coisa que nos encorajou era saber que havia um casal de motociclistas que havia saído de Rio Gallegos para El Calafate cerca de 2 horas antes de nós. Essa informação chegou a mim através do meu querido irmão e monitorador de viagens profissional Gildo de Maceió, assim conhecido no mundo motociclistico, ele estava em contato com esse casal e nos alertou sobre a saída deles para o mesmo destino.
Tem um casal, o cara chama Marco Antonio Gazzetti, O Marcão Lobo solitário. Eles são da sua região, moram em Presidente Prudente. Ele nem sabia que Presidente Prudente fica a 110 quilômetros de Tupã, morávamos tão perto e o destino fez com que nos encontrássemos no fim do mundo por causa de uma forte tormenta.
Com essas informações, quando abri a primeira porta corta vento de acesso ao restaurante, o Marcão estava abrindo a segunda, saindo para me auxiliar, apontei o indicador para ele e disse Marco Antonio Gazzetti, ele pasmou! "Como você sabe o meu nome? Está tudo bem com você?
Imediatamente nos abraçamos e a partir desse dia nasceu uma amizade que envolveu nossas famílias e compartilhamos hoje e para sempre.
Tomamos todos os vinhos que tínhamos nas nossas malas, alguns mais do restaurante e dormimos no alojamento do posto, nada parecido com um hotel 1 estrela.
No dia seguinte abriram a estrada por volta das 12 horas após jogarem sal e aguardarem o degelo da pista, seguimos juntos para El Calafate. Como crianças em plena felicidade, desfrutamos daquele pequeno paraíso que se chama El Calafate, fizemos treking no glaciar Perito Moreno e nos reconhecemos irmãos.
O Marcão e a Ro estavam voltando de Ushuaia e nós estávamos indo, foi tão a afinidade entre nós que os levou a reverem os planos, como iríamos visitar o Parque Torres del Paine e Puerto Natales, lugares por onde eles não haviam passado, eles decidiram faze-los conosco, assim aconteceu.
No quarto dia após nos encontramos nos despedimos em Puerto Natales, eles retornaram e nós seguimos para Punta Arenas retomando o nosso roteiro original. Em Punta Arenas embarcamos no ferryboat para Porvenir e de la prosseguimos até Ushuaia, Fin Del Mundo.
Ficamos 3 dias em Ushuaia e de lá retornamos na companhia do FC Argentino Hernan Bello, morador de Ushuaia e um grande e querido hermano.
Retornamos pela Ruta 3 e quando entramos no brasil levamos ele para conhecer alguns atrativos nas Serras Gaúchas e Serras Catarinense, passamos pela Serra do Rio do Rastro, dentre outras maravilhas locais.
No dia 14 de novembro de 2014, após 34 dias de viagem e 13.700km rodados, chegamos em Itajaí para o grande evento, o 10º Encontro dos Fazedores de Chuva.
O sonho de continuar o projeto continuou vivo por anos, adiado duas vezes por motivos que a vida nos apresentou, até que em 2025 decidimos, junto com o casal de amigos Gildo e Ilíada, a dar seguimento a segunda etapa, o Extremo norte das américas.
Partimos do Brasil dia 22 de Maio, de Tupã, junto com Gildo, que compartilhava do mesmo sonho. Havíamos combinado em Vitória, no VIII encontro dos FCs , que iríamos juntos a Prudhoe Bay
Daí em diante, começou a Jornada, seguindo para Resistencia, Salta, San Pedro de Atacama, Arica, Piura, Cuenca, Quito, até chegarmos em Bogotá.
Em Bogota vivemos uma experiência única, passamos por um Sismo de 6,5 de magnitude. Estávamos no quarto andar do hotel, nos preparando para tomar café da manha quando começou a balançar tudo, nossas jaquetas estavam em uma arara e pareciam o badalo de um sino. Não sei dizer se foi tenso ou divertido.
De Bogota embarcamos nossas motos de avião para a cidade do Panamá, aonde ficamos turistando por dois dias, achamos muito interessante conhecer o Canal do Panama e toda historia sobre a sua construção.
Seguimos cruzando a América Central e conhecendo a realidade desses povos, apesar de tão próximos e pequenos, esses seis países mantem sua identidade cultural, semelhantes, mas nunca igual.
Nos surpreendemos em alguns deles com a desigualdade social e o atraso em relação a necessidades básicas, principalmente relativa ao saneamento. Passamos pela Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador e Guatemala. E então atingimos a América do Norte, estávamos no México.
Nossa intenção era subir até Mazatlan e pegar o ferry até La Paz, Baja California, mas estava muito quente e nos aconselharam subir para o lado do golfo no México, assim o fizemos. Seguimos para Minatitlan, Tampico, Monterrey, onde fizemos revisão das motos, em Tamaulipas vivemos uma expêrincia que ficou marcada, estávamos em um posto para lanchar e abastecer as motos quando chegaram viaturas do exército mexicano, eram várias viaturas, com armamento pesado e muitos soldados. Conversando com um tenente ele nos informou que após meses de confronto eles haviam retomado a região que foi dominada pelo narcotráfico por vários anos. Devido ao bate papo e ao encantamento que a motocicleta causa, nos pediram para participar de uma sessão de fotografias ao lado das motos do Brasil com os militares, isso nos rendeu um souvenir que não tem preço, um pache do batalhão de infantaria de Tamaulipas que removeram de suas lapelas e nos doaram dizendo que seriam nossa proteção no Mexico.
Entramos nos EUA por Puente Colombia, perto de Laredo.
Nos EUA, cruzamos o Texas, Novo Mexico, Arizona e chegamos na California aonde registramos nossa passagem por Los Angeles, em visita ao Pier de Santa Monica.
Quando partimos de Los angeles, passamos na casa do nosso querido amigo Leandro Andrade do grupo Rumo Norte que mora próximo a San Francisco em Antich, aonde fomos muito bem recebidos e desfrutamos de sua hospitalidade em sua residência nos dois dias.
O Leandro com seu grupo tem dado apoio e orientações a muitos brasileiros que seguem rumo ao Alaska.
Lá recebemos, além da hospedagem com direito a churrasco, muito carinho e atenção, dicas e sugestões para a continuação da viagem, foi um momento determinante para prosseguirmos.
Saindo de Antioch, seguimos para as montanhas rochosas, desfrutando de suas belezas indescritíveis nos Parques Nacionais Sequoias, Yosemite e entornos.
Chegamos a Seattle, cidade encantadora, e seguimos para Prince George, Watson Lake aonde fizemos a parada obrigatória para deixarmos nossa placas na Sign Post Forest, Stewart, White Horse, cruzando as maravilhosas estradas do Canada, repletas de verde e por vida selvagem e então chegamos a Anchorage, capital do Alaska, aonde novamente fizemos revisão e troca de pneus das motos. Os pneus que colocamos nessa troca foram muito importantes para o percurso de Loose Gravel da Dalton Hiway.
Seguimos viagem para Fairbanks e Coldfoot, de onde fizemos um bate e volta até Prudhoe Bay. Encerrando assim o grande desafio de tocar o sino e fazer a foto no final da Dalton Highway.
Foram ao todo cerca de 36.000km e 74 dias de viagem dias de estrada, até chegar em Miami onde embarcamos a moto para o Brasil. Calor intenso, longas distâncias, isolamento e imprevistos — incluindo a perda de documentos durante a jornada, mas nada disso impediu de concluirmos nosso sonho.
Em duas etapas que somaram 108 dias, 49.700 quilômetros com um único objetivo: Percorrer de moto os extremos das Américas.
Qualquer um pode fazer, porém poucos o fazem!
A moto escolhida foi uma R 1200 GS 2009 adquirida no final de 2010, iniciamos então viagens pelo Brasil, com maiores quilometragens e com o intuito de conhecermos a moto e testar nosso comportamento para realizar uma primeira viagem internacional.
Rapidamente nos adaptamos e marcamos para 18/03/2011 nossa primeira grande viagem, saindo de Tupã com destino a Bariloche descendo pelo Chile, assim fizemos, correu tudo maravilhosamente bem e descobrimos em 18 dias, 8200 km que essa poderia ser a nossa maior diversão, aventurar-se pela então descoberta cordilheira dos andes!
Quando passamos por Puerto Mont, no estacionamento do hotel em que ficamos haviam duas R 1200 GS Adventure com placas da Australia, isso nos intrigou bastante, mas mais intrigada ficou minha companheira Carla, dizendo "essas motos não são iguais a nossa".
"Porque elas são tão diferentes, mais gordas, com malas e equipamentos tão diferentes?" De volta a nossa casa fiz um levantamento sobre as diferenças entre uma R1200 GS e uma R 1200 GS Adventure, posto isso, a pergunta que me veio foi: "Se vamos viajar longas distâncias, a melhor moto para isso não seria uma Adventure?"
Em maio de 2012 estávamos nós dois, no aeroporto de Araçatuba, com capacetes nas mãos e vestidos com equipamentos de motociclista, embarcando para Porto Alegre em busca da R 1200 GS Adventure comprada na SUD Motors BMW.
Pegamos a moto na concessionária e partimos para a primeira revisão em Curitiba, no caminho havia Blumenau, onde um casal de dentistas amigos da pós graduação que fiz em Bauru haviam mudado. "Vamos fazer uma visita?" Nos comunicamos e marcamos de almoçar em Blumenau. Durante esse almoço contamos sobre a aventura por Argentina e Chile, e relatamos que a intenção de comprar a moto que havíamos adquirido era para percorrer a toda a América do Sul. Foi então que o universo conspirou e uma explosão de interrogações surgiram.
Nosso amigo, Eduardo Matte, vira pra nós e fala: "Cara eu atendo um paciente de Itajaí que é maluco! Ele se chama Dolor e saiu de Itajaí, foi até o fim do mundo em Ushuaia e seguiu ao topo do mundo em Prudhoe Bay no Alaska!"
Continuou: "Ele é uma figura, até fundou um grupo que se chama Fazedores de Chuva!"
Perplexo, cheirando a florzinha e apagando a velinha respondi: "Qual é Matte, que conversa é essa, ninguém vai de Ushuaia (aonde fica isso?!) ao Alaska de moto!"
Uma semana depois, graças a internet, estava falando com o Dolor, esse ser humano espetacular, comprando camisetas e adesivos na Angel e nos tornamos Fazedores de Chuva!
Fomos convidados para o VIII encontro dos FCs em Vitória-ES e para lá seguimos em out/nov de 2012. Lá nos conhecemos pessoalmente e concluímos o que era até então uma suspeita: "Caímos em uma cilada, isso aqui e um hospício, só tem malucos!"
Foi nesse evento que conheci o Gildo, de Maceió.
Foi plantada a semente, iniciou-se o sonho...
Nasce um guerreiro!
Qualquer um pode fazer, porém poucos o fazem!
No dia 11 de outubro de 2014 eu e minha esposa Carla saímos de Tupã/SP para irmos ao 10º Encontro dos Fazedores de Chuva em Itajaí/SC, no entanto, optamos por um caminho um pouco diferente, no caso, passando por Ushuaia.
Saímos de Tupã com a Magma, nossa primeira GSADV 1200, 2012 e partimos para Ushuaia tendo como destino Itajai. Saímos pelo Paso Cristo Redentor, e descemos ate Pucon para rever o vulcão Villa Rica que nos encantou na primeira viagem, retornamos para Argentina pelo Paso Mamuil Malal e visitamos novamente San Martin de Los Andes e Bariloche matando a saudade de tudo o que nos agradou profundamente.
Saímos de Bariloche com o tempo fechado e nevando bem fraquinho, por sorte, algumas dezenas de quilômetros a frente o tempo melhorou e seguimos para Comodoro Rivadavia, onde, com muita dificuldade, encontramos um hotel para dormirmos, era um estabelecimento bastante precário, mas todos os outros estavam lotados. No dia seguinte seguimos para Rio Gallegos com tempo nublado e muito frio, lá nos hospedamos em uma pousada muito agradável e cujo dono era motociclista.
No dia seguinte quando acordamos, abri a cortina para ver o tempo e a moto que estava sob a nossa janela, ela estava com os assentos branquinhos, coberta de neve, achamos lindo, vamos as fotos!
Durante o café da manhã o dono da pousada, também motociclista, nos abordou e iniciou uma conversa, rapidamente ele estava sentado em nossa mesa contando histórias e querendo ouvir as nossas, papo vai, papo vem, ele já ciente dos nossos planos recomendou que ficássemos parados naquele dia para interagirmos, conversar e tomar vinhos juntos. Segundo ele, não era um dia apropriado para subir para El Calafate como pretendíamos, insistiu muito nisso, mas como tínhamos uma planilha com os dias contados para realizar a viagem resolvemos não acatar suas recomendações e seguir viagem.
Esperamos o tempo melhorar um pouco e partimos, próximo da 11 horas, de Rio Gallegos para El Calafate com muito frio e uma chuva bem fininha o percurso era pequeno, 305 km, vamos que vamos!
Calma da ignorância!
A medida que subíamos o tempo piorava e isso começou a nos preocupar, pois a medida que seguíamos, a nossa frente so se via escuridão. Passando Gobiernador Mayer começou a nevar e de repente nos vimos no meio de uma terrível tormenta, com forte nevasca e vento indescritível, a medida que prosseguíamos a coisa só piorava, foi então que vi uma placa indicando Esperanza 37 km, seguramente nossos piores quilômetros percorridos sobre duas rodas. Naquele momento já havia neve em toda a pista, algo entre 10 e 15 cm, e só aumentava a intensidade da nevasca, as rajadas de vento ficaram piores e quando muito fortes faziam a moto deslizar do centro da pista para o acostamento de ripio, aonde a moto tracionava melhor apesar da insegurança relativa ao relevo. Assim foram os 37 quilômetros, com a moto em segunda marcha, quando as rajadas de vento nos colocavam no ripio em primeira, lutando contra a tempestade.
Chegando em Esperanza, a estrada estava bloqueada por uma cancela e alguns policiais correram para nos indicar que deveríamos seguir para o posto de gasolina, quando parei a moto no posto os frentistas correram em nossa direção nos apontando e fotografando com seus celulares, a Carla estava com hipotermia, tremia intensamente, mal conseguia falar e não conseguia descer da moto. Pedi aos frentistas que nos auxiliassem e eles ajudaram a Carla a descer da moto enquanto outros continuavam apontando pra mim, abaixei a a cabeça e então entendi, eu estava congelado, por isso a admiração deles, batia com a mão no peito e na barriga e caiam blocos de gelo de mais de 1 cm de espessura. Consegui descer na moto e pedi pra Carla correr para o interior do restaurante, pedir uma bebida quente, tirar a capa e se posicionar em frente ao aquecedor do ambiente enquanto eu me ajeitava.
Um encontro para a vida toda!
Quando decidimos subir para El Calafate, uma coisa que nos encorajou era saber que havia um casal de motociclistas que havia saído de Rio Gallegos para El Calafate cerca de 2 horas antes de nós. Essa informação chegou a mim através do meu querido irmão e monitorador de viagens profissional Gildo de Maceió, assim conhecido no mundo motociclistico, ele estava em contato com esse casal e nos alertou sobre a saída deles para o mesmo destino.
Tem um casal, o cara chama Marco Antonio Gazzetti, O Marcão Lobo solitário. Eles são da sua região, moram em Presidente Prudente. Ele nem sabia que Presidente Prudente fica a 110 quilômetros de Tupã, morávamos tão perto e o destino fez com que nos encontrássemos no fim do mundo por causa de uma forte tormenta.
Com essas informações, quando abri a primeira porta corta vento de acesso ao restaurante, o Marcão estava abrindo a segunda, saindo para me auxiliar, apontei o indicador para ele e disse Marco Antonio Gazzetti, ele pasmou! "Como você sabe o meu nome? Está tudo bem com você?
Imediatamente nos abraçamos e a partir desse dia nasceu uma amizade que envolveu nossas famílias e compartilhamos hoje e para sempre.
Tomamos todos os vinhos que tínhamos nas nossas malas, alguns mais do restaurante e dormimos no alojamento do posto, nada parecido com um hotel 1 estrela.
No dia seguinte abriram a estrada por volta das 12 horas após jogarem sal e aguardarem o degelo da pista, seguimos juntos para El Calafate. Como crianças em plena felicidade, desfrutamos daquele pequeno paraíso que se chama El Calafate, fizemos treking no glaciar Perito Moreno e nos reconhecemos irmãos.
O Marcão e a Ro estavam voltando de Ushuaia e nós estávamos indo, foi tão a afinidade entre nós que os levou a reverem os planos, como iríamos visitar o Parque Torres del Paine e Puerto Natales, lugares por onde eles não haviam passado, eles decidiram faze-los conosco, assim aconteceu.
No quarto dia após nos encontramos nos despedimos em Puerto Natales, eles retornaram e nós seguimos para Punta Arenas retomando o nosso roteiro original. Em Punta Arenas embarcamos no ferryboat para Porvenir e de la prosseguimos até Ushuaia, Fin Del Mundo.
Ficamos 3 dias em Ushuaia e de lá retornamos na companhia do FC Argentino Hernan Bello, morador de Ushuaia e um grande e querido hermano.
Retornamos pela Ruta 3 e quando entramos no brasil levamos ele para conhecer alguns atrativos nas Serras Gaúchas e Serras Catarinense, passamos pela Serra do Rio do Rastro, dentre outras maravilhas locais.
No dia 14 de novembro de 2014, após 34 dias de viagem e 13.700km rodados, chegamos em Itajaí para o grande evento, o 10º Encontro dos Fazedores de Chuva.
O sonho de continuar o projeto continuou vivo por anos, adiado duas vezes por motivos que a vida nos apresentou, até que em 2025 decidimos, junto com o casal de amigos Gildo e Ilíada, a dar seguimento a segunda etapa, o Extremo norte das américas.
Partimos do Brasil dia 22 de Maio, de Tupã, junto com Gildo, que compartilhava do mesmo sonho. Havíamos combinado em Vitória, no VIII encontro dos FCs , que iríamos juntos a Prudhoe Bay
Daí em diante, começou a Jornada, seguindo para Resistencia, Salta, San Pedro de Atacama, Arica, Piura, Cuenca, Quito, até chegarmos em Bogotá.
Em Bogota vivemos uma experiência única, passamos por um Sismo de 6,5 de magnitude. Estávamos no quarto andar do hotel, nos preparando para tomar café da manha quando começou a balançar tudo, nossas jaquetas estavam em uma arara e pareciam o badalo de um sino. Não sei dizer se foi tenso ou divertido.
De Bogota embarcamos nossas motos de avião para a cidade do Panamá, aonde ficamos turistando por dois dias, achamos muito interessante conhecer o Canal do Panama e toda historia sobre a sua construção.
Seguimos cruzando a América Central e conhecendo a realidade desses povos, apesar de tão próximos e pequenos, esses seis países mantem sua identidade cultural, semelhantes, mas nunca igual.
Nos surpreendemos em alguns deles com a desigualdade social e o atraso em relação a necessidades básicas, principalmente relativa ao saneamento. Passamos pela Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador e Guatemala. E então atingimos a América do Norte, estávamos no México.
Nossa intenção era subir até Mazatlan e pegar o ferry até La Paz, Baja California, mas estava muito quente e nos aconselharam subir para o lado do golfo no México, assim o fizemos. Seguimos para Minatitlan, Tampico, Monterrey, onde fizemos revisão das motos, em Tamaulipas vivemos uma expêrincia que ficou marcada, estávamos em um posto para lanchar e abastecer as motos quando chegaram viaturas do exército mexicano, eram várias viaturas, com armamento pesado e muitos soldados. Conversando com um tenente ele nos informou que após meses de confronto eles haviam retomado a região que foi dominada pelo narcotráfico por vários anos. Devido ao bate papo e ao encantamento que a motocicleta causa, nos pediram para participar de uma sessão de fotografias ao lado das motos do Brasil com os militares, isso nos rendeu um souvenir que não tem preço, um pache do batalhão de infantaria de Tamaulipas que removeram de suas lapelas e nos doaram dizendo que seriam nossa proteção no Mexico.
Entramos nos EUA por Puente Colombia, perto de Laredo.
Nos EUA, cruzamos o Texas, Novo Mexico, Arizona e chegamos na California aonde registramos nossa passagem por Los Angeles, em visita ao Pier de Santa Monica.
Quando partimos de Los angeles, passamos na casa do nosso querido amigo Leandro Andrade do grupo Rumo Norte que mora próximo a San Francisco em Antich, aonde fomos muito bem recebidos e desfrutamos de sua hospitalidade em sua residência nos dois dias.
O Leandro com seu grupo tem dado apoio e orientações a muitos brasileiros que seguem rumo ao Alaska.
Lá recebemos, além da hospedagem com direito a churrasco, muito carinho e atenção, dicas e sugestões para a continuação da viagem, foi um momento determinante para prosseguirmos.
Saindo de Antioch, seguimos para as montanhas rochosas, desfrutando de suas belezas indescritíveis nos Parques Nacionais Sequoias, Yosemite e entornos.
Chegamos a Seattle, cidade encantadora, e seguimos para Prince George, Watson Lake aonde fizemos a parada obrigatória para deixarmos nossa placas na Sign Post Forest, Stewart, White Horse, cruzando as maravilhosas estradas do Canada, repletas de verde e por vida selvagem e então chegamos a Anchorage, capital do Alaska, aonde novamente fizemos revisão e troca de pneus das motos. Os pneus que colocamos nessa troca foram muito importantes para o percurso de Loose Gravel da Dalton Hiway.
Seguimos viagem para Fairbanks e Coldfoot, de onde fizemos um bate e volta até Prudhoe Bay. Encerrando assim o grande desafio de tocar o sino e fazer a foto no final da Dalton Highway.
Foram ao todo cerca de 36.000km e 74 dias de viagem dias de estrada, até chegar em Miami onde embarcamos a moto para o Brasil. Calor intenso, longas distâncias, isolamento e imprevistos — incluindo a perda de documentos durante a jornada, mas nada disso impediu de concluirmos nosso sonho.
Em duas etapas que somaram 108 dias, 49.700 quilômetros com um único objetivo: Percorrer de moto os extremos das Américas.
Qualquer um pode fazer, porém poucos o fazem!



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