GCFC Osmar e Terezinha - Em Viagem

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  • Renan Xavier
    Fazedor de Chuva
    • Jul 2011
    • 404

    #1

    GCFC Osmar e Terezinha - Em Viagem

    Passamos a acompanhar mais um casal de Fazedores de Chuva em viagem. São eles o Osmar e a Terezinha, que moram em Balneário Camboriú, Santa Catarina. Até que eles próprios passem a postar, iremos reproduzir aqui suas percepções que escrevem no blog do Osmar, que pode ser acessado em http://osmarb.blogspot.com/.

    ---
    De Arequipa a Puno - 20º dia da viagem.

    Já estávamos com saudades da moto. Afinal, dois dias inteiros sem sequer ligar o motor dela, é demais para nós, amantes do motociclismo. Por isso, hoje, bem cedo, começamos os preparativos para seguir viagem. As malas precisavam ser feitas, porque tivemos que desfazê-las para selecionar o que levaríamos para o Colca. Agora as coisas deveriam voltar cada qual para o seu respectivo lugar, digo, respectiva bolsa.

    Minha companheira é bastante prática, e num instante, tudo está ajeitado. Mais uma vez, tudo coube nas bolsas. Agora é minha vez. Enfiar as bolsas nos maleiros. E não dá outra. Couberam, incrível, mas couberam!

    Apesar de ser manhã de domingo, o trânsito em Arequipa é o mesmo de sempre, um salve-se quem puder. Ninguém cede, todos querem ter razão e a vez, e com a mão na buzina vão abrindo caminho num congestionamento sem fim. E por incrível que pareça, a cidade está infestada de policiais, que passivamente assistem a tudo, como se aquilo fosse algo normal.

    Com muito cuidado conduzo a moto para a saída da cidade, em direção ao nosso destino. Neste trecho, a rodovia faz parte do Corredor Interoceânico, que liga o Atlântico ao Pacífico, por onde passamos ao entrar no Peru (e o deixamos para ir em direção a Cusco).

    Ao deixar Arequipa, a rodovia contorna os vulcões El Misti e Chachani até atingir um planalto onde se localiza uma zona protegida para vicunhas. E elas estão por todo lado. Há que cuidar para não atropelar alguma que cruza a rodovia bem à nossa frente. E com as vicunhas, estão as lhamas e as alpacas, estas últimas, difíceis de diferenciar.

    A rodovia segue subindo até atingir seu ponto mais alto, em Crucero Alto, 4.528 metros sobre o nível do mar. A temperatura cai para dez graus apesar do belo sol que nos acompanha, mas necessitamos reforçar a roupa.

    Próximo ao meio dia, estamos passando por Juliaca. E aqui, os conceitos mudam um pouco. Sabe aquele trânsito pesado de Arequipa? Pois é, até dá saudades. Loucura, loucura, loucura. Apesar de ser domingo, parece que todos vieram para a tradicional feira, localizada no canteiro central da grande avenida, com as duas pistas superlotadas de tuc-tucs, vans, ônibus, caminhões, mototaxis, e um veículo peculiar daqui, que consiste em uma bicicleta adaptada para transporte de tudo, de pessoas a mercadorias. É uma espécie de charrete, só que em vez de ser puxada, é empurrada. Seria um triciclo, com duas rodas na dianteira, sustentando o compartimento de transporte. E movido a tração humana. Terezinha fotografou algumas.

    Vencido o trânsito de Juliaca (não sei porque o GPS me levou pelas ruas mais movimentadas), mais um pouco rodando por um planalto, e chegamos a Puno, a mais importante cidade peruana situada às margens do Lago Titicaca, a quase 4.000 metros de altitude. A chegada é em grande estilo. A rodovia deixa o planalto, vence umas montanhas, e de repente surge no horizonte, o azul do lago imenso. E grudada ao lago, ali está ela, a bela cidade de Puno.

    Nos hospedamos no Hotel Puno Plaza, um confortável três estrelas localizado na Plaza de Armas, onde se destaca a bela Catedral construída em homenagem à Virgen de La Candelária. No próprio hotel contratamos o passeio de amanhã: visitar as Ilhas Flutuantes dos Uros e a Ilha Taquile.





    Última edição por Dolor; 15-08-11, 15:26.
  • Dolor
    Fazedor de Chuva

    • Mar 2011
    • 3250

    #2
    Queridos GCFC Osmar e Terezinha:
    Como é bom saber que tudo caminha bem e que estão aproveitando. Estamos aqui na torcida para que tudo vá melhor ainda e na contagem regressiva para o VII Encontro Intl dos Fazedores de Chuva.
    Vocês nos animam e nos orgulham!
    Abraços
    Dolor e Angela
    Última edição por Dolor; 15-08-11, 22:28.

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    • Dolor
      Fazedor de Chuva

      • Mar 2011
      • 3250

      #3
      Segunda-feira, 15 de agosto de 2011

      As Ilhas Flutuantes de Uros


      21º dia da viagem
      Hoje foi mais um dia de descanso. Para a moto.
      Bem cedo tomamos um barco que nos levou para visitar as ilhas flutuantes de Uros. Incrível! Bem perto da margem, na baia de Puno, do Lago Titikaka, existe uma comunidade que vive em ilhas flutuantes, construídas com a totora – uma espécie de junco muito abundante no local, e que serve para tudo, desde a construção do piso da ilha, construção de barcos, casas, artesanias, como comida para humanos e animais.
      Provei um pedaço. Achei com gosto de chuchu, ou seja, sem gosto algum.



      Numa das ilhas fomos recebidos pelos seus moradores, que auxiliaram nosso guia numa demonstração de como são construídas as tais ilhas. E não é que flutuam mesmo! Caminhar por ali, é como se estivéssemos pisando em um colchão d´água. Também tivemos a oportunidade de passear em um barco feito com totora, modelo catamarã.
      Naquelas ilhas eles vivem, comem, dormem, têm posto de saúde, escola, restaurante, e claro, venda de artesanias. Muito bonitas, por sinal.

      Dali seguimos para a ilha Taquile, esta, uma ilha de verdade. Três horas e meia de barco, e lá chegamos. A ilha não é longe: o barco que é lento. Lento demais.

      Nesta ilha vive uma comunidade aimará, civilização pré-incaica, cuja atividade principal é a agricultura, reforçada agora, pelo turismo. O que nos chamou a atenção foi, que ali, os homens é quem fazem o tricot. Grupos de homens sentados, conversando, tecendo.

      Outro detalhe importante na ilha, são os acessos. Existem dois: uma subida com quase 500 degraus, que para nós é quase impossível, e que eles, os nativos, sobem correndo, e outro, uma imensa rampa, com aclive mais suave. Optamos por esse, já que exige menos esforço.

      Mas a subida compensa. O Titicaca visto lá do alto é ainda mais bonito. Ao longe, os contornos das montanhas nevadas da Bolívia. A água de um azul profundo, contrastava com as terras secas da ilha.
      E para completar, um gostoso almoço. Na ilha existem vários restaurantes, mas todos com o mesmo cardápio. Para hoje, tinham sopa de quinoa e truta grelhada. Estava muito saboroso.

      Ao final da tarde, retornamos a Puno. Amanhã seguiremos viagem. Nosso destino está perto, Copacabana, na Bolívia.
      Já estou começando a sentir saudades do Peru.




      Última edição por Renan Xavier; 16-08-11, 22:22.

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      • Renan Xavier
        Fazedor de Chuva
        • Jul 2011
        • 404

        #4
        O casal chegou a Copacabana, Bolívia, e segue com destino à La Paz. O relato completo está no site, http://osmarb.blogspot.com/.

        ---




        De Puno a La Paz

        22 e 23º dia da viagem
        O dia amanheceu ensolarado, mas a temperatura... em torno de sete graus quando saímos de Puno. Sem pressa, afinal nosso destino de hoje era bastante perto: Copacabana, na Bolívia,
        Quando ganhávamos a estrada, dois policiais, em moto, fizeram sinal para parar. Droga! Estava indo tão bem. Durante toda a viagem, ninguém tinha nos parado ainda. Fazer o quê?

        Pediram os documentos da moto, licença para conduzir, e seguro internacional. Ufa! Até que enfim o trabalhão que tivemos para conseguir o seguro SOAT vai ser compensado. Enquanto um deles examinava os documentos, o outro admirava a moto, com olhos bastante arregalados.

        - Quantos cavalos? Que cilindrada? Quanto custa? Quanto corre...

        Aquele que olhava os documentos se desinteressou deles e, juntamente com seu colega, passou a prestar mais atenção à moto. Respondi todas as perguntas, e fomos liberados.

        Logo chegamos à fronteira com a Bolívia, em Kasani. A liberação pela aduana peruana foi rápida, imigração idem, mas um policial me chamou para seu gabinete. E foi pedindo: passaporte (mostrei-lhe a identidade, documento com o qual entrei no Peru), documentos da moto, licença para conduzir, seguro internacional (outra vez?), licença internacional para conduzir, e certificado internacional de vacinação (?). Mostrei-lhe todos, e meio sem jeito, me liberou.

        Agora vamos fazer o trâmite na Bolívia.

        Como de costume, lá vou eu para a fila da imigração, enquanto Terezinha fica cuidando da moto. O policial que examinou os documentos, pergunta pela Senhora. Respondi ficou lá fora, mirando a moto (a moto estava rodeada de curiosos, civis e policiais, que não se limitavam a simplesmente olhar, mas precisavam tocar, como que duvidando da realidade à sua frente).

        Ele não gostou. Me cravou um olhar de “seca pimenteira” e disse:

        - Aqui não é necessário isto. Nós, os bolivianos, somos todos honrados (como quem diz, aqui não temos ladrões).

        Gelei, mas fui salvo pelo gongo, digo, pelo ônibus.

        Naquele momento havia chegado um ônibus cheinho de turistas, então, prontamente respondi ao policial olhando para toda aquela gente:

        - Mas senhor, há muitos estrangeiros por aqui!

        - Está bien, respondeu ele. Ufa!

        O trâmite foi rápido. Só a fotocópia do documento da moto, e da licença para conduzir.

        Num instante e já estávamos a caminho.




        Copacabana é uma cidade pequena, de 8 mil habitantes, aproximadamente, mas que, devido à presença da imagem da Virgem de Copacabana, recebe milhares de peregrinos (algo como em Aparecida do Norte).

        Nos hospedamos no Hotel Utama. Bom. Novo, pessoal amável, com farta mesa de frutas, chás, pipocas, caramelos, free 24 horas.

        Lá encontramos um simpático jovem casal de brasileiros, viajando em ônibus: o Danilo e a Camila.
        Como é bom encontrar compatriotas. Ouvir o bom e velho português.

        À Tarde fomos conhecer a Isla Del Sol, onde existem várias ruínas da civilização Inca. Belo passeio.

        À noite, más notícias nos chegam: moradores da localidade El Alto, por onde vamos passar amanhã para chegar a La Paz, estão bloqueando a estrada.

        Por telefone, o nosso amigo Maico, de La Paz, nos dá algumas orientações, para podermos seguir tranqüilos.

        Amanheceu muito frio. Algo em torno de quatro graus. Mesmo, lá vamos nós. Em pouco tempo chegamos ao estreito de Tiquina, onde os veículos utilizam balsas para cruzar o Titicaca, que ali mede aproximadamente mil metros. Por orientação do nosso Grande Cacique Fazedor de Chuvas Dolor, a moto tem que entrar de ré na balsa, senão, fica muito complicado para sair na outra margem, já que entrada e saída são feitas somente pela popa.

        Faltando vinte quilômetros, já na localidade de El Alto, me deparo com o que seria o primeiro bloqueio da estrada. Antes mesmo já havia sinais de bloqueio, com muitas pedras sobre a pista. Aí a solução foi abandonar o asfalto, e seguir pelas ruas do casario às margens da rodovia. Ruas essas em péssimas condições (o que mais tarde fomos saber, era um dos motivos do bloqueio, que visava chamar atenção das autoridades para o abandono que a região se encontra).

        Mas os piqueteros, vendo que veículos estavam desviando e furando o bloqueio, simplesmente bloquearam todas as ruas do casario. Era praticamente impossível passar, mas mesmo assim, fomos tocando. Logo me deparo com um grupo deles. Vamos conversar. Pergunto por que estão fazendo aquilo, e a resposta vem em uníssono: o governo nos abandonou. Não temos estradas, ruas, escolas, sequer temos água em nossas casas.

        Me identifico como turista brasileiro, lamento o que estão passando, e solicito permissão para passar. Um dos mais velhos deles, possivelmente um líder, se aproxima, pede uma ajuda para comprar refresco e que podemos seguir. Vinte pesos bolivianos, e lá vamos nós.

        À frente, outro bloqueio, e a história se repete. São pessoas humildes, todos lutando por direito que julgam justo. Ao saberem que somos brasileiros, começam a falar em futebol. Então para descontrair, falei para eles: em 2014 a copa do mundo será no Brasil, e nós aguardamos o Peru para a competição. Enquanto eles me olhavam sem terem entendido o que falei, a Terezinha me lembrou que eles são bolivianos, e não peruanos. Que bola fora! Tratamos de sair dali o mais rápido possível, antes que alguém não gostasse da infeliz troca.

        Finalmente, depois de quase uma hora perambulando pelas ruas do casario, conseguimos chegar ao asfalto, e logo nos encontramos com o nosso amigo Maico, que nos conduziu ao Hotel Camino Real Suites, na Zona Sul.



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        • Renan Xavier
          Fazedor de Chuva
          • Jul 2011
          • 404

          #5
          27º dia da viagem



          Estamos em La Paz. No Hotel Plaza, na zona central da cidade. Hoje pela manhã, depois de mais um delicioso desayuno, preparamos nossa bagagem para ir até Coroico. Nosso plano era descermos até lá pela estrada nova, pernoitar, e amanhã (dia 22) retornarmos pela estrada antiga, conhecida como “ruta de la muerte” e ainda, seguir viagem até Oruro, onde pernoitaríamos, para no dia seguinte, 23, tomarmos o trem para Uyuni (já estamos com as passagens compradas).

          A viagem de ida foi tranqüila, apesar de alguns trechos do asfalto apresentarem defeito no pavimento. Pelo caminho, subimos até 4.650 MSNM, para depois baixar até 1.185. Saímos de uma paisagem árida para chegar numa floresta tropical, verde e exuberante.

          Instalamos-nos em um pequeno hotel central e saímos para almoçar. Na movimentada Plaza de Armas encontra-se de tudo, menos um bom restaurante. Comemos qualquer coisa e voltamos para o hotel, nos sentamos numa varanda com vista espetacular, donde se via, ao longe, ambas as estradas: o caminho novo e o caminho velho. E ficamos a imaginar, como seria a volta amanhã, quando apareceu por ali, o proprietário do hotel. Disse-nos ele que o caminho antigo é muito bonito, mais belo que o novo, mas para irmos tranqüilos, deveríamos sair somente amanhã à tarde. Desaconselhou ir pela manhã, devido ao grande movimento de ciclistas que por ali descem. Com efeito, é uma das grandes atrações desta estrada, a descida em bicicleta, quando grandes grupos de turistas a percorrem, em passeios organizados por agências especializadas.

          Quando ficamos a sós, começamos a fazer as contas. Se levamos três horas para vir de lá até aqui pelo caminho novo, asfaltado, quanto tempo levaremos para subir pelo caminho antigo, em chão batido? E depois ainda ir até Oruro, que são mais 250 Km? E parece que a estrada não está muito boa. E ter que cruzar La Paz!



          - Vamos dormir em La Paz, falei para Terezinha.

          Ela me olhou sem entender bem, pois já estávamos instalados no hotel em Coroico.

          - Hein?

          - Isto mesmo. Vamo-nos. Vamos aproveitar que o sol forte já secou a estrada, que os ciclistas que desceram hoje já chegaram. Vamos subir e dormir em La Paz.

          Quarenta e um anos de casados, fizeram com que possamos nos comunicar, sem falar muito. Algo como adivinhar o pensamento um do outro. Em menos de dez minutos já estávamos prontos. Acertei meia diária com o hotel e partimos, para enfrentar a temível “ruta de la muerte”, no percurso ascendente. Esta estrada está encravada na montanha, e permite a passagem de apenas um veículo, com alguns pontos onde é possível cruzar um pelo outro. Nestes pontos, usa-se mão inglesa, pois desta forma, os motoristas têm maior visibilidade do barranco de um lado, e do abismo do outro, podendo assim aproveitar cada palmo da estrada, chegando seu veículo o máximo possível para o lado.

          A estrada é de terra e pedra, curvas fechadíssimas, passagens a vau, e abismos profundos sem a proteção de guard-rail, que raramente podiam ser vistos, devido à forte neblina. São apenas trinta quilômetros, quando a velha estrada alcança a nova. Ali acontece sempre um momento de euforia, de celebração pela vitória, de ter vencido a já conhecida como a mais perigosa estrada do mundo.

          E nós sobrevivemos a ela, e agora estamos aqui, em La Paz, instalados no Hotel Plaza (deveríamos ter ido para o Camino Real...), prontos para amanhã alcançarmos Oruro.



          Ao finalizar meu relato diário, não poderia deixar de consignar dois elogios: para minha valente companheira, que em todos os momentos sempre transmitiu coragem e confiança neste piloto, animando-me a sempre ir em frente, vencer os obstáculos, chegar onde se quer.

          E para nossa moto, BMW GS 1200 Adventure, que nos conduziu pela pior estrada que jamais enfrentei, sem apresentar o menor problema. Valentona ela!

          Hoje vamos dormir mais cedo, com aquele gostinho doce da vitória, de vencer um obstáculo difícil. Amanhã, Oruro nos espera.

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          • Renan Xavier
            Fazedor de Chuva
            • Jul 2011
            • 404

            #6


            Potosi e Sucre
            32º e 33º dias da viagem

            Potosi é uma das mais antigas cidades da Bolívia. Foi fundada pelos espanhóis em 1545, numa altitude de 4.080 metros sobre o nível do mar, está encostada no Cerro Rico, uma montanha de prata. A quantidade de prata extraída nos primeiros duzentos anos e levada para a Espanha, dizem os nativos, que seria suficiente para fazer uma ponte ligando Potosi a Madri. E que também se poderia fazer outra ponte de volta, com os ossos dos milhões de índios e negros que ali morreram, obrigados a trabalhos forçados dentro da mina, sem sequer ver a luz do dia.

            Na época da colônia, Potosi foi a mais rica e populosa (170 mil habitantes) cidade das Américas, mais populosa que Londres ou Madri.

            Quando a prata acabou, a cidade decaiu para 10 mil habitantes, só se recuperando mais tarde, com a exploração do estanho, zinco, chumbo e cobre, e ainda, um pouco de prata. Hoje, esses minérios são explorados por cooperativas mineiras, que é a principal atividade econômica da cidade.

            Potosi ostenta vários prédios dessa época, e o mais importante é “A Casa de La Moneda”. Ali se cunhavam as moedas de prata da coroa espanhola. Visita guiada nos mostra as duras condições de trabalho a que se sujeitavam os operários que ali labutavam.



            O dia de hoje dedicamos a conhecer Sucre, a capital constitucional da Bolívia, a cerca de 165 quilômetros de Potosi. Fomos em taxi compartido com outros passageiros, pagando quarenta bolivianos cada um. Uma pechincha. As corridas de taxi aqui são baratas, por conta do combustível que é barato. Para os bolivianos. Isto porque foi baixada uma norma determinando que os veículos com placa estrangeira paguem o preço internacional da gasolina, ou seja, quase três vezes mais. Que pena! Estava bom demais, gasolina a menos de um real o litro...

            Sucre está situada a 2.800 metros sobre o nível do mar, o que foi um alívio para nossos pulmões, já cansados do ar rarefeito de Potosi. Apesar de ser a capital constitucional, abriga apenas a Suprema Corte de Justiça. Todos os demais poderes foram transferidos para La Paz.

            Amanhã retomaremos nossa viagem em moto, e iremos até Cochabamba. Para evitar estradas sem asfalto, retornaremos até Oruro.


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            • Dolor
              Fazedor de Chuva

              • Mar 2011
              • 3250

              #7
              GCFC Osmar e Terezinha:
              Muito bom saber que a viagem de vocês caminha bem e que estão aproveitando bastante.
              Parabéns por mais um desafio vencido!
              Coroico já foi transformada numa medalha!
              Estamos aqui torcendo e à disposição!
              Digno de destaque também a forma agradável com que a viagem está sendo relatada.
              Abraços
              Dolor e Angela
              PS: Continuamos na contagem regressiva, agora 79 dias, para o nosso VII Encontro Intl dos Fazedores de Chuva, em Guanajuato, México.

              Comentário

              • Renan Xavier
                Fazedor de Chuva
                • Jul 2011
                • 404

                #8
                O casal Osmar e Terezinha continuam sua trajetória deliciosa pela América do Sul, no momento, na Bolívia. Eles já confirmaram presença no México, em nosso Encontro dos Fazedores de Chuva, em novembro... Terão, com certeza, relatos tão belos quanto este abaixo.

                *Ah... e que emoção em ver o Osmar usando a camiseta dos Fazedores (repare esta primeira foto). Estamos juntos!

                ---

                Santa Cruz de La Sierra, 36º e 37º dias da viagem



                Cochabamba é considerada a Capital Gastronômica da Bolívia. E não é para menos. Por lá se come muito. E muito bem. E para encerrar nosso tour gastronômico pela cidade, fomos jantar no “Casa de Campo”, um dos muitos restaurantes especializados em comida típica boliviana, onde tivemos a oportunidade de apreciar um “sillpancho”: um enorme bife empanado de rês, do tamanho do prato, bem fino e muito macio, decorado com dois ovos fritos e temperinho verde picante, sobre uma guarnição de arroz e papa fritas. Ideal para a noite, segundo os entendidos. Aprovado!



                A viagem até Santa Cruz foi sem muitas novidades. No início, montanhas. Subimos a pouco mais de quatro mil metros, para depois baixar a menos de mil, numa estrada movimentada e com muitas falhas geológicas, onde, em trechos de cem a duzentos metros não existia asfalto, e sim calçamento com pedras irregulares, mas em bom estado. E curvas.

                Depois a planície, imensa, coberta por frondosa vegetação. Temperatura em torno de trinta e quatro graus. Estrada com pavimento bom, mas cruzando por muitos povoados, sempre com feiras, muitos pedestres, escolares, veículos lentos.

                Assim chegamos a Santa Cruz, no começo da tarde, e nos hospedamos no Hotel Royal Lodge.
                Hoje aproveitamos para levar a moto à oficina. Precisava de um bom banho, afinal ainda estava com lama de Coroico, e calibrar os pneus. Está havendo um desencontro entre os sensores da pressão dos pneus da moto, e os calibradores dos “lhanteros”. É bom lembrar que, tanto aqui na Bolívia quanto no Peru, os postos de gasolina não possuem aqueles calibradores eletrônicos que temos no Brasil. Alguns têm simplesmente o bico de ar, e a pressão é aferida com calibrador manual. Daí um lembrete: quando vier para cá, traga o seu calibrador. Não custa nada!



                Na Andar Motors, concessionária BMW Motorrad para a região, fomos recebidos pelo Chefe do Departamento de Garantia e Posvenda, Nicolás Demmer, que nos atendeu com muita cordialidade e atenção, e ao final do dia, nos devolveu nossa motoca limpinha, cherosinha, calibradinha, e ainda nos arregalou camisetas.

                Amanhã iremos em direção a Salta, na Argentina, com intenção de cruzar a fronteira em Yacuiba, e chegar até Tartagal, para pernoite.

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                • Dolor
                  Fazedor de Chuva

                  • Mar 2011
                  • 3250

                  #9
                  GCFC Osmar e Terezinha: A confirmação de vocês no nosso VII Encontro Intl dos Fazedores de Chuva nos enche de
                  alegria e é claro, valoriza muito o nosso evento.
                  Estamos aqui na retaguarda e desejamos que desfrutem cada quilometro deste sonho que vocês vão tornando
                  realidade.
                  Abraços
                  Dolor e Angela

                  Comentário

                  • Renan Xavier
                    Fazedor de Chuva
                    • Jul 2011
                    • 404

                    #10
                    Tren de las nubes, San Antonio de los Cobres

                    O casal passou por Salta e mais recentemente fez um dos trajetos mais altos do mundo por meio de ferrovia, o fantástico trem das nuvens, que parte de San Antonio de los Cobres. Confira o relato. Há um post sobre a cidade de Salta criado no Tópico "O Mapa".



                    ---

                    40º e 41º dias da viagem

                    Finalmente conseguimos realizar um sonho antigo, que temos buscado desde 2004, quando tomamos conhecimento da existência do Tren a las Nubes. Depois de várias tentativas frustadas, eis que chega o grande dia.

                    Tenho uma grande atração por trens, herança do meu pai, que foi mecânico das lentas e barulhentas locomotivas conhecidas por maria fumaça. Nele eu sentia uma grande paixão pelos trens. E isso passou para mim.

                    Nosso passeio começou bem. Muito bem, por sinal. Através do nosso amigo Jorge Pimentel, contactamos com Lito, da agência Aletur, de Salta, para a compra das passagens. E qual não foi a nossa surpresa, quando o Lito nos entregou os bilhetes, de cortesia!!!! Fantástico! Obrigado Lito. Obrigado Pimentel!



                    O “Tren a las Nubes” parte da estação de Salta às 7:05 da manhã. Percorre 217 quilômetros até o viaduto La Polvorilla, atravessando 29 pontes, 21 túneis, 13 viadutos, 2 “rulos” e 2 “zigzags”, extendendo-se a viagem em 16 horas até voltar à cidade de Salta. A altura de suas vias, que chegam a 4.200 metros sobre o nível do mar, o converte em um dos trens mais altos do mundo.

                    Durante todo o recorrido se realizam duas paradas: uma, no viaduto La Polvorilla, e outra ao iniciar o regresso, na estação de San Antonio de los Cobres. A paisagem que se descortina das janelas do trem é impressionante. Inicia em região verde, que vai mudando lentamente, até a vegetação característica da puna, algumas poucas touceiras de um capim seco por absoluta falta de água, e violentamente castigado por fortíssimos ventos, e cactos.

                    Em San Antonio de Los Cobres, dia de trem é dia de festa. Festa que a população faz para receber os turistas, para poder oferecer seus produtos de artesanias, suas comidas, cantar suas músicas. Tudo é válido para agradar e receber algum valor em troca.

                    Belíssimo passeio.

                    E hoje, outro desafio: conhecer a RN 81, que atravessa o chaco argentino, ligando as cidades de Tartagal a Formosa. Rodovia deserta, cortando uma região desértica. Às vezes parecia que estávamos sós no mundo, tamanha a solidão da região. Ao final da tarde, um oasis chamado Las Lomitas. Pequena cidade que serve de descanso para os viajantes. E aí encontramos um hotel que nos surpreendeu: El Portal Del Oeste. Não pensamos duas vezes: é aqui que vamos nos “quedar” por hoje.






                    Amanhã, Asuncion.

                    Comentário

                    • Dolor
                      Fazedor de Chuva

                      • Mar 2011
                      • 3250

                      #11
                      GCFC Osmar e Terezinha, viajamos juntos nesta aventura de vocês.
                      Literalmente, vocês estavam com as cabeças nas nuvens.
                      Valeu!
                      Abraços
                      Dolor e Angela

                      Comentário

                      • Renan Xavier
                        Fazedor de Chuva
                        • Jul 2011
                        • 404

                        #12
                        43º e 44º dias da viagem - Últimos dias de viagem



                        Saímos de Assunção perto das onze horas da manhã e seguimos em direção a Ciudad Del Este sem muita pressa. No caminho, passamos em frente à majestosa sede da Confederação Sulamericana de Futebol, um conjunto de prédios modernos e muito movimentados. Coisas do futebol!

                        Fizemos várias paradas para descanso, beber água, apreciar a paisagem, lanchar, para deixar o tempo passar, e chegamos a Ciudad Del Este por volta das cinco da tarde, e mesmo assim, o movimento para acesso à ponte era intenso.

                        Não podíamos esperar mais, e resolvemos encarar o congestionamento de motos, vans, ônibus, caminhões, automóveis e pessoas, na tentativa de cruzar a fronteira. E não foi tão difícil quanto pensamos.

                        Em menos de cinco minutos estávamos liberados pela aduana e imigração paraguaias, e em outros cinco já rodávamos em estradas brasileiras. Como é bom estar de volta à nossa terra.



                        Ao cair da noite, já estávamos hospedados no Hotel Deville, em Cascavel, às margens da rodovia. O 7 de setembro amanheceu sem chuva. Novidade, já que chove na região há vários dias. Nossa última etapa da viagem, de setecentos quilômetros, estava começando.

                        Movimento intenso na BR 277. Trânsito congestionado, devido ao grande movimento de grandes e lentos caminhões e poucos pontos de ultrapassagem. A chuva nos alcançou em Joinville, a apenas noventa quilômetros de casa, e no quadragésimo quarto e último dia da viagem.





                        Chegamos em casa por volta das seis da tarde. Pouco molhados, mas muito felizes, por termos concluído esta jornada, sem qualquer tipo de incidente/acidente. E nisso, a moto teve papel fundamental. Nenhum problema. Encarou diversos tipos de estradas, asfalto, rípio, altitudes, desertos, sobrecarregada com piloto, garupa e bagagem, e não apresentou o menor defeito. Nada! Beleza de máquina, essa Adventure!

                        Fomos muito bem recebidos em todos os lugares por onde passamos, onde deixamos muitos amigos. Nosso agradecimento especial a todos, mas gostaríamos de citar cinco deles: o casal Fernanda e Geraldo, de Campo Grande, o Maicon e a Cynthia, de La Paz, e o Lito, de Salta. Obrigado amigos, vocês tornaram nossa viagem bem mais agradável.

                        Meu especial agradecimento à minha companheira/garupa/esposa/cúmplice, pelo apoio incondicional, e pela agradável companhia durante toda a viagem. Você é especial!

                        Obrigado Deus, por estar sempre conosco!

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