GCFC - DIOMAR NAVES E HANS KARLSSON - Palmas to New Orleans

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  • Dolor
    Fazedor de Chuva

    • Mar 2011
    • 3250

    #16
    Queridos Diomar e GCFC Hans:
    Sentimos saudade dos relatos e como estamos embarcados juntos, queremos saber por onde andam.
    Aproveitem cada minuto e cada quilometro desta aventura que é a realização do sonho de todos nós.
    Não nos deixem muito tempo sem noticias.
    Beijos
    Dolor e Angela
    PS: Estamos esperando voces no VII Encontro Intl dos Fazedores de Chuva, em Guanajuato, durante o periodo de 17 a 20 de novembro.

    Comentário

    • Renan Xavier
      Fazedor de Chuva
      • Jul 2011
      • 404

      #17
      43 Dia.
      San José, Costa Rica. Centro América.
      03 de setembro de 2011, sábado, 10.739 km.



      COUNTRY ROADS, TAKE ME HOME TO THE PLACE, I BELONG,
      MOUNTAIN MOMMA, TAKE ME HOME, COUNTRY ROADS.

      “Estrada sertaneja, me leve pra casa, para os lugares que conheço,
      Montanha mãe, me leve pra casa, estradas sertanejas...”



      Essa canção de John Denver foi tocada pelo meu ipod em algum momento da estrada e me fez ter mais saudades ainda do “Brasilzão sem porteira”.

      Ainda nas estradas do interior da Colômbia onde parei alguns segundos pra comprar uma frutinha, que não consegui guardar o nome, mas que lembro ter gosto do Kiwi, e que um camponês vendia nas margens da “carretera”, fui observando, com meu olho de arquiteto, algumas peculiaridades das construções pelo caminho, onde constatei que a casinhas, tanto da Venezuela, quanto na Colômbia, mostram o telhado de cimento amianto ou de folhas de zinco. Não vi até agora, mesmo até na Costa Rica, nenhuma telha de barro como as nossas, e como sei que eles têm, nessa época do ano, um clima bem quente, imagino como deve ser desconfortável.

      Lições ao Pé do Mandacaru
      Ao parar pra filmar e fotografar naquela selva de mandacarus, fomos surpreendidos por um colombiano de uma cidadezinha ali perto que estava em uma moto pequena e com roupa suja e rasgada de quem trabalha muito e duro. O Sr. Teodomiro, que ao ver as motos grandes se aproximou com curiosidade, interesse e depois de nos cumprimentar, perguntando se precisávamos de alguma ajuda, foi também questionando sobre nossa historia e falando da sua. Disse que sonhava em algum dia poder fazer uma viagem como essa e que já havia morado fora do seu país, nos Estados Unidos, trabalhado como lixeiro e que se orgulhava dessa temporada pois em pouco tempo já era um dos responsáveis pela equipe.

      Ao ver aquele senhor tão simples, batalhador, com seu jeitinho humilde, mas inteligente e cheio de esperança e de vida, me emocionei e lembrei-me de uma conversa que tive uma vez com meu amigo Allan Divino de Palmas que me disse que se algum dia ele perdesse tudo na vida e virasse um varredor de rua, em muito pouco tempo seria o chefe deles. Isso nos mostra que por mais humilde que seja nossa tarefa, nossa ocupação, nossa condição de vida, se tivermos amor no que fazemos e dedicação, não tem como não sermos bem sucedidos e galgar degraus na evolução espiritual e material. Valeu Teodomiro, que bom ter conhecido mais um bom cidadão do nosso mundo... Você é dos nossos!



      Enquanto eu tirava fotos dos mandacarus e de Teodomiro, foi muito bom ouvir na moto do Hans, sempre cantante em qualquer situação, a voz de Genésio Tocantins cantando “quem ama perdoa”, canção de Juraíldes da Cruz. Fui lembrando que nessa aventura, as magoas também vão passando sem que se perceba, assim como as milhas, as arvores, as pessoas e ate mesmo sem perceber, o próprio tempo vai passando pra trás. Estamos agora, a três horas atrás do horário do Brasil.

      Eita! Saudade danada de um pequizinho que devem estar comendo agora esse meu povo, pois o maior preço que pago por essa bela aventura não é tanto a saudade de Dona Enite, da neguinha ou da novelinha do “Brogodó”... Mas por ter esperado o ano todo pra comer um pequizinho, e na época dele chegar, ter ido embora!...

      Avistei uma placa que indicava “Ovejas em la via”, e vi também que aqui tem calangos cruzando o asfalto quente, a mil por hora.





      Ao ir escrevendo, como já disse e repito agora, não me preocupo com forma, gramática ou os possíveis erros que penso ser perdoáveis por vocês, pois só estou escrevendo pra meus amigos e conhecidos e movido por emoções dos momentos que tenho passado, ainda bem que tenho a Taizinha que cuida de nosso blog e familiares e a namorada que me alertam de algumas falhas a serem corrigidas em meus relatos. A Elsa me disse, por exemplo, em sua preocupação de quem quer o melhor pra mim, que devo evitar parágrafos longos, pois alguns têm preguiça de ler quando é assim.

      Ok! Minha neguinha! Vou tentar seguir seu conselho, embora isso me faça lembrar, que estou em uma fase da minha vida muito tranquila onde decidi mais que nunca, reciclar ideias, posturas, ações e principalmente separar “amigos” de “conhecidos”. Sendo assim acredito que pessoas que não gostam, ou não tem o habito de ler, de gostar de artes, de musica, de animais e de crianças, devo deixar na categoria de “conhecidos”, e pouco me importa se esses não têm paciência ou interesse em meus relatos, e muito menos me interessa tê-los em minha aba do chapéu, em minha intimidade ou em minha garupa. Podemos ate tomar um vinho juntos, mas só isso.

      Lembrei agora também de um amigo que não vejo a muito tempo de nome Oswaldo, Professor Oswaldo De La Gustina, que certa vez me motivou a escrever dizendo que gostava de meu estilo e da emoção que tento passar, e que se cansou de ver a realidade e de conhecer escritores ditos técnicos, estudados e ate famosos, com seus guarda-roupas cheios de livros tão perfeitamente editados, revisados, diagramados e etc., porém, sem ninguém que interessasse em lê-los e muito menos compra-los. Lembro também que conheço alguns músicos e seus discos nessa mesma condição. Não vamos dar mais valor e atenção à técnica que a emoção, a razão mais que a intuição, como diz Oswaldo Montenegro: toda grande obra passou por um rascunho e por rasuras... e como canta também, meus companheiros de labuta nas noites dos bares de Goiânia; os irmãos Di Paulo e Paulino; “o coração que sai vencido, quase nunca tem razão, a razão que sempre vence, nunca teve
      coração...”

      Última edição por Renan Xavier; 16-09-11, 10:04.

      Comentário

      • Dolor
        Fazedor de Chuva

        • Mar 2011
        • 3250

        #18
        CFC Diomar, temos conosco, nos Fazedores de Chuva, que numa viagem de moto, por mais que não pensemos nisto, voltamos sempre melhores do que quando partimos. São estas experiências que vão nos enriquecendo a vida, e se assim não acontecer, é porque não demos o justo valor que uma empreitada desta natureza vale.
        Temos que ir juntando tudo isto de bom que vai acontecendo ao longo do caminho, e quanto ao texto...bem...é um prazer ler os teus relatos.
        Não podes correr o risco de ao resumi-los não conseguires externar o que vives ou o que sentes, nos privando de
        participar da tua viagem na sua plenitude.
        Por favor, não economize sentimentos!
        Abraços extensivos ao GCFC Hans.
        Dolor e Angela

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        • Renan Xavier
          Fazedor de Chuva
          • Jul 2011
          • 404

          #19
          Mais um relato de Diomar, em seu 44o dia
          San José, Costa Rica. Centro América.

          04 de setembro de 2011, domingo, 10.739 km. (Continuando)



          “O que estou achando melhor em me aventurar nessa jornada de me auto-conhecer, e querer ser uma pessoa melhor é que se começa a acreditar que esta sendo".

          Vamos assim seguindo nosso caminho e nosso aprendizado, tanto na senda estradeira de milhas e fronteiras, como na reflexão em temas atinentes à vida e as pessoas.

          Os viajantes sejam motociclistas, mochileiros ou qualquer outro estilo que se tenha esse contato com as raízes culturais de cada país, na sua essência e verdade, vão aprendendo alguns “macetes” para poder ir se virando conforme suas necessidades. Vai se conhecendo a qualidade e o preço dos hotéis somente pela aparência, ambientes, lugares e tipos de pessoas que se deve evitar, ou se pode aproximar, seja pra pedir uma informação ou simplesmente conversar e vai se familiarizando também, com o idioma local em palavras essenciais pra ir sempre adiante e se comunicando de forma básica.



          Tenho me virado bem com o espanhol, ou melhor: “portunhol”, que por ser muito parecido com o nosso português, é fácil de entender e se fazer ser entendido. Você vai acostumando o ouvido aos sons, às pronuncias, às palavras e aos poucos conseguindo aumentar seu vocabulário. Um dos grandes segredos é falar bem devagar (despacio), e pedir que falem assim também, explicando sempre que você é um estrangeiro. No caso de nos, motociclistas, algumas frases se deve saber logo de inicio, como: - adonde se encuentra um hotel? Hablas despacio, por favor! Quantos quilômetros hasta la próxima gasolineira? Nesse ultimo caso, se prepare para uma irritante resposta: - “Como 2 horas”, ou pior ainda a resposta: “muchos”. Eles insistem em medir as distancias em horas, nunca informando se foi marcada com a velocidade de carro, ônibus ou, em nosso caso: motos.

          Colômbia Simpática

          A cada quilometro que adentrávamos na Colômbia, íamos ficando encantado com o tratamento a nos dispensados tanto pela população, quanto pela guarda nacional que, muito raro, nos parou para pedir os documentos, mas sempre, pra simplesmente conversar e dar boas vindas e quando não nos paravam, sempre trocavam o fuzil ou a metralhadora de mão, e num aceno, acompanhado de um sorriso amigável, nos desejavam boa viagem.

          Em um desses momentos, ao sermos parados, vendo dois militares se aproximarem e estenderem e a mão para um cumprimento, um deles foi logo abordando o Hans com as perguntas de sempre; de onde vens? Pra onde vais? A potência da moto? Quanto custa? Etc. e outro, também, ao me fazer perguntas, no final, bem sorridente e ate me chamando pelo nome que ele tinha lido da “bolha” (para-brisa), de minha Boulevard, me pediu enfim os documentos. Brincando, falei que era uma discriminação, pois o outro não havia pedido os documentos a meu parceiro, quando então, ele também brincando me respondeu: “olha a idade dele, seria uma descortesia...” Está ai o povo mais simpático que conheci, nos mais de 17 países que passei desde a viagem de 2002.

          E a Gold Wing tocando, de Paulinho Pedra Azul, gravado por mim, a poesia que diz: “Juro eu sou assim, tropeiro de cantigas que mudou de vida pra ser cantado, Passarim sem asas, sou tudo e nada, eu sou um sonhador...”

          Depois de Cartagena, paramos pra dormir em Santa Marta, terra do ex-jogador de futebol, ídolo e orgulho da região, “Valderrama”, que inclusive tem seu busto em uma praça da cidade. No outro dia, como sempre as 06:00hs da matina, já estávamos de saída, observados por uma grande montanha por todos os lados e um sol nascente muito brilhante, furando os vales e baixos, em canudos de raios de luz que, a muito tem sido nosso único e verdadeiro guia, mas dessa vez nas nossas costas pois rumávamos para oeste.

          Um pouco mais adiante, apesar de ter nosso guia, o Sol, pelas costas, e estar pensando nessa situação que ate então, tínhamos sempre rumado para o norte e agora havíamos mudado temporariamente de direção, tenho a bela surpresa de imediatamente ser respondido por nosso
          astro rei, como se quisesse me mostrar, que ele não nos havia nos abandonado e que estava ali pra
          nos indicar o caminho, nos dando segurança e a certeza de sermos sempre bem guiados por sua
          presença imperativa e energia vital ao se refletir no retrovisor da Gold Wing à minha frente, e assim
          permanecer sempre me guiando e por mais algumas horas e mais adiante ate findar essa manhã
          ensolarada da “Simpática Colômbia”.



          A estrada continuava, com a presença alegre dos ciclo-taxis (bicicletas ou motos com uma carrocinha acoplada atrás, que cabem duas pessoas), mas agora tendo dos dois lados da via, lagos imensos de agua salgada, casas de pescadores sobre palafitas e ligadas à terra firme por longas passarelas de madeira também elevadas por estacas, formando uma espécie de “paliteiro” sobre as aguas, e ainda completando esse belo quadro, repousava elegantemente, bandos numerosos de garças brancas e outras de penas avermelhadas e de tamanhos variados.

          “La vai uma garça branca, vai voando, vai levando minha saudade, pra quem está morando em outra cidade...”

          Última edição por Renan Xavier; 16-09-11, 10:03.

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          • Dolor
            Fazedor de Chuva

            • Mar 2011
            • 3250

            #20
            CFC Diomar, é um prazer ler os teus relatos, principalmente quando viajamos juntos, num "tiro" deste calibre.
            Continuem aproveitando!
            Esperamos que não chegues em Tocantins, de volta, com dificuldade em falar o nosso tupiniquim!
            Beijos!
            Dolor e Angela

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            • Dolor
              Fazedor de Chuva

              • Mar 2011
              • 3250

              #21
              Dia 50
              Arriaga, México. América do Norte.
              09 de setembro de 2011, sábado, 12.300 km.



              Além do horizonte deve ter, algum lugar bonito pra viver em paz, onde eu possa encontrar a natureza, alegria e felicidade com certeza. Lá nesse lugar o amanhecer é lindo, com flores festejando mais um dia que vem vindo, Onde a gente pode se deitar no campo, se amar na relva escutando o canto dos passarinhos"... (R. Carlos).
              (continuando),*

              México, oficialmente Estados Unidos Mexicanos, localizado na América do Norte. O país é limitado a norte pelos Estados Unidos; ao sul e oeste pelo Oceano Pacífico; a sudeste pela Guatemala, Belize e Mar do Caribe; a leste pelo Golfo do México. Com um território que abrange quase dois milhões de quilômetros quadrados, o México é o quinto maior país das Américas por área total e o 14º maior do país independente do mundo. Com uma população estimada em 111 milhões de habitantes, é o 11º país mais populoso do mundo e o mais populoso país da hispanofonia. O México é uma federação composta por trinta e um estados e um Distrito Federal, a cidade capital.
              Na Mesoamérica pré-colombiana muitas culturas amadureceram e se tornaram civilizações avançadas como a dos olmecas, toltecas, teotihuacanos, zapotecas, maias e astecas, antes do primeiro contato com os europeus. Em 1521, a Espanha conquistou e colonizou o território mexicano. (Viva la Wikipédia).

              O México é uma das maiores economias do mundo e uma potência regional, O país ocupa o quinto lugar no mundo e o primeiro das Américas em número de Patrimônios e é um dos 10 países mais visitado do mundo.

              Com relação à brincadeira que fiz, deixando vocês no suspense tentando adivinhar o que esta acontecendo com a gente dessa vez, dos “Garupeiros” que arriscaram palpite, o novo amigo Alexandre Evangelista, foi o que mais aproximou, pois estamos sem pneu pra minha moto desde quinta feira quando chegamos aqui em Arriaga, essa cidadezinha pequena no sul do México a 300 km da fronteira com a Guatemala.

              Dessa vez foi minha “Negona”, que esta precisando de sapatos novos, mas vamos voltar a historia onde paramos na saída da Costa Rica, e conto mais adiante todo o drama desse acontecimento novo que mais uma vez nos faz ficar parados por no mínimo três dias, mas que me da chance nova de escrever mais relatos a vocês, pois já imaginava que só iria ter tempo, em Nova Orleans depois da nossa chegada e estava ate pensando em pedir ao Hans uma parada de um dia pra atualizar os relatos. MAIS UMA VEZ TENHO QUE TOMAR CUIDADO COM O QUE DESEJO.

              Atravessamos o restante que faltava desse nosso segundo pais da América Central, sempre sendo presenteado com paisagens lindas, de muitas plantações de cana, banana, milho, ótimas estradas de duas pistas nos dois sentidos, pontes sobre aqueles rios que embora barrentos e rasos correndo velozmente sobre pedras, mas não deixando de ter sua beleza peculiar. Seriamos injustos se ficarmos comparando com nossos grandes rios profundos e de água limpa que temos no melhor pais do mundo, “O NOSSO BRASILZÃO”. E que estamos deixando descuidar.
              *
              Don Quixote de la Mancha e Sancho Pacinha.
              Na fronteira com a Nicarágua, na cidade de “Peñas Blancas”, fomos vendo a diferença e a desordem do pais que tínhamos pela frente, onde nos cobravam tudo, a fumaça mal batida nas motos com intuito de matar germes e pragas trazidas do outro pais, cobraram para carimbar o passaporte (coisa que em nenhum outro pais foi feito), cobraram seguro dos veículos e na saída quando achamos que tínhamos pago tudo possível ainda veio uma cobrança do governo municipal.

              Passamos mais um bom par de horas envolvidos, e saímos querendo rodar pelo menos uns 300 km antes de anoitecer.
              Observamos o lago de Managua, também conhecido como lago Xolotlán. Tem dimensões aproximadas de 65 por 25 km, e uma profundidade média de 9,5 metros (atingindo máximos da ordem dos 39 metros). A capital da Nicarágua, Manágua, está situada na margem sudoeste deste lago.

              Este lago foi fortemente poluído, em parte pelas descargas de mercúrio feitas pela Kodak na década de 1950. Apesar da poluição, parte da população de Manágua ainda vive junto ao lago alimentando-se do seu peixe. A alimentação das águas do lago é feita pelos rios Sinecapa e El Viejo.

              O nível das suas água subiu 3 metros em 5 dias durante o furacão Mitch em 1998, destruindo as casas de muitos daqueles que habitavam as suas margens.

              O lago Manágua comunica com o muito maior lago Nicarágua cujo nível se encontra nove metros abaixo, através do rio Tipitapa. A ligação entre os dois lagos havia sido interrompida em 1910 devido a uma descida do nível das águas do Manágua, mas foi restabelecida em 1998 devido aos efeitos do furacão Mitch.

              Mais a frente, apareceu aquele espetáculo sempre muito bonito, de uma “Floresta de Cata-ventos”, aqueles gigantescos aparatos para captar energia eólica, que nos causa um encantamento mágico, com aquelas pás imensas lentamente girando e girando sem parar, me fazendo sentir ainda mais, na condição, que eu já me peguei sonhando em minha alma metida a poética, comparando algumas vezes, como se Hans e eu, fossemos uns tipos semelhantes aos personagens de Miguel de Cervantes, os intrépidos sonhadores e lutadores do bem “Don Quixote de la Mancha” e seu fiel escudeiro “Sancho Pança”, que em nosso caso, devo ser eu o segundo, porem com a pança diminuída, pois já emagreci 2 quilos nessa viagem, e deixando pro meu “Don Hans” o lado mais realista e guardando sempre comigo, o “sonhador”.

              Digamos que eu seja um “Sancho Pacinha”, mas com essa pança farta de sensibilidade e emoção, transbordando em desejos de levar boas energias e deixando marcas com os feitos desses “Cavaleiros da Triste Figura”. Porem, como já ouvi de algum poeta: “Estamos descobrindo que os Moinhos de Vento são reais”... E estão disfarçados por ai, nas formas bizarras de políticos corruptos, empresários inescrupulosos, falsos e interesseiros amigos, todos prontos para com suas “Pás Gigantescas”, como se fossem tentáculos cruéis da ambição e do poder, nos enganar e escravizar não somente nossas amadas “Dulcineias”, mas também a nos próprios, e a nossas vidas.

              “Viver na noite, me fez senhor do fogo. A vocês, eu deixo o sono. O sonho, não! Este eu mesmo carrego!"... (Paulo Leminski).

              Mais adiante, seguindo na pobre e triste Nicarágua, sofrida com tantas lutas contra ditadores e revoluções, víamos sempre, nas estradas ruins e esburacadas, famílias inteiras com pás, baldes e carrinhos de mão, mostrando que estavam tapando buracos na esperança de receberem alguma ajuda, ou deveria chamar de esmola, por aquele trabalho no desespero, talvez por não terem outra opção de sobrevivência.

              Tudo isso me constrangia muito de ver, como também era constrangedor testemunhar policiais nos parando de quilômetros em quilômetros, e humilhantemente também, mendigarem migalhas, com desculpas de que estavam precisando de dinheiro pra colocar créditos no celular ou pra abastecer suas motinhas velhas e decadentes. E toda essa cena vexatória e sem dignidade, piorava quando meu parceiro, com razão, se recusava a alimentar e contribuir com aquele estado de degradação humana e víamos assim, eles ficarem com “cara de taxo” e mais humilhados pela recusa e não poderem fazer mais nada.

              Começou a formar uma grande e pesada chuva no horizonte a nossa frente, quando passávamos por Managua, e paramos em um posto de gasolina pra abastecer e vi meu parceiro sacar de seu alforje de fibra de vidro da sua valente “Asa Dourada”, o poderoso “Macacão Mágico Parador de Chuvas”, que não parou a tempestade que iria cair, mas a transformou em poucos pingos esparsos e em uma neblina cerradíssima que nos atrasou um pouco a viagem, mas eu agradecia por não ser toda aquela chuva que ameaçava cair.

              Caminhos errados, abandonados e ruins
              Na área urbana da capital Managua, mais uma vez com tanta conturbação, fomos erroneamente instruídos a pegar uma estrada, que diziam nos conduzir a fronteira com El Salvador, e depois de andar uns 20 km, a estrada simplesmente foi desaparecendo e os buracos como verdadeiras crateras tomando conta, e íamos diminuindo nossa velocidade ate ficar andando a 20 km/h, e era tarde pra voltar, pois além de ter caminho ruim de volta, ainda não sabíamos quanto restava pela frente, e foi quando Hans se encontrava parado, descansando um pouco de tanto lutar pra livrar-se de buracos, que passou e parou um senhor numa caminhonete e ficamos sabendo que havíamos pego a estrada velha e abandonada, mas que restavam apenas mais 20 km e melhoraria.

              Foi preciso mais de 1 hora para andar esses poucos quilômetros e éramos sempre observados, por camponeses pobres e esquecidos, daquelas paragens desertas, impressionados com as maquinas, e provavelmente desentendidos do por que, daqueles dois “Extras Terrestres”, estarem por aquelas bandas. Com certeza também se divertiam rindo da nossa cara por concluírem que estávamos perdidos. Fotografei e mando pra vocês um casal, companheiros de solidão que nos observavam nessa situação.

              Chegamos à pequena e histórica cidade de Leon, onde na porta do charmoso e antigo hotelzinho de nome “Balcones”, tive também a sorte de entrevistar um senhor nativo da região que me contou a importância de sua cidade como lugar de guerreiros e revolucionários. Então perguntei: - guerra contra a escravidão e pela liberdade? E imediatamente Hans entrou na conversa e completou: - ou guerra contra os tantos ditadores? Ele prontamente respondeu: - “Contra los dos por ser inimigos iguales“...
              Do lado esquerdo, sempre a oeste, as aguas do Pacifico novamente se faziam ouvir em ondas escuras e geladas.
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              Última edição por Renan Xavier; 12-09-11, 09:07.

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              • Dolor
                Fazedor de Chuva

                • Mar 2011
                • 3250

                #22
                CFC Diomar, ir ao México e não ver o GCFC Antonio Braga,
                a-braga@hotmail.com ,em Oaxaca, e o GCFC Manuel Quintana, quintacuarto@gmail.com ,em León, é como ir à Roma e não ver o Papa.
                Não deixem de contata-los pois terão o maior prazer em abraça-los.
                Boa viagem!
                Dolor e Angela

                Comentário

                • Dolor
                  Fazedor de Chuva

                  • Mar 2011
                  • 3250

                  #23
                  Dia 52

                  Arriaga, México, Estados Unidos
                  11 de setembro de 2011, domingo, 12.300 km.

                  Um dos sintomas que nossa aventura esta chegando ao final, que estamos quase pra completar nossa meta, é quando, ao sermos questionado pelas pessoas, ao pararmos em algum lugar, seja pra abastecer ou na porta de hotéis e nos perguntam para onde estamos indo, e ao dizemos que é pra os Estados Unidos, não mais perceber o espanto ou a surpresa das pessoas. Sinal que estamos pertos, que daqui onde estamos, já não é mais uma distancia impressionante. Porém, depois de chegar à Nova Orleans, ainda tenho mais um trecho importante pra concluir pois terei que embarcar minha moto em um avião em Miami, e teremos que ir rodando ate lá, e depois de descer em São Paulo, rodar sozinho ate Palmas por mais de dois mil quilômetros. Portanto ainda temos vários dias de companhia e “Garupa”.
                  Voltando onde paramos, depois de sairmos da Cidade de Leon na Nicarágua e passarmos pela fronteira, também muito conturbada e pobre com Honduras, perder mais 3 horas de tramitação com os documentos de sempre, cruzamos os 150 km ate a próxima fronteira com El Salvador, observando também e igualmente a mesma pobreza e sofrimento do povo desses pais, assim como no anterior. Apesar de ver terra boa, muito verde, continuam as plantações de frutas e cereais, mas propriedades pobres, muitos animais na pista, soltos e pastando nas margens da rodovia, aqueles “Ciclos Táxis”, por todo lado e as tradicionais “Jardineiras”, coloridas, antigas, mas pobres.
                  Mais de 100 km após Managua, uns 60 km depois de Leon, apareceu na minha esquerda um grande vulcão, soltando uma fumaça densa e branca de sua cratera. Como se trata de uma paisagem muito diferente e anormal para esse “Boiadeiro”, que aqui vos fala, fiquei alguns minutos hipnotizado, observando enquanto ele ia crescendo ao aproximarmos, sempre impressionado com aquela manifestação da natureza e do planeta, como se fossem “furúnculos”, em erupção na “Tez terrestre”.
                  Mesmo depois de vê-lo passar, e ficar às minhas costas, não conseguia parar de sentir a sua presença me observando por trás, e de vez em quando conferia no retrovisor a sua imagem imponente e ameaçadora, ali, monitorando minha passagem por seu território, como se me dissesse a todo instante, que eu tivesse respeito e cuidado, pois deixava bem claro quem é que mandava no pedaço.
                  Ainda na fronteira com Honduras, fiquei sabendo por um nativo, que a me ver com a camisa da seleção Brasileira de Futebol, começou a falar desse esporte que tanto nos orgulha e leva uma imagem positiva do nosso Brasil por todo mundo, como estou a 50 dias sem ver TV e sem noticias da minha terra, o rapaz me contou que o Ronaldinho havia feito nessa semana um lindo Gol Olímpico, e foi a melhor noticia do dia e não deixei de sentir o amor que todo Flamenguista possui, e o orgulho de ser rubro negro “ate morrer”. No outro dia eu já viajava com a minha camisa do “Mengão”, corrigindo, camisa não; “MANTO SAGRADO”.
                  Começaram a aparecer nas margens das estradas, nos acostamentos, quilômetros de milho espalhados, seja em grãos ou ainda em sabugos, secando e com seus proprietários esparramando com os pés ou grandes pás de madeira. Essa cena ainda continuaria ate El Salvador, confirmando o que eu iria concluir, ate mesmo depois de passar por Guatemala, que esses países da América Central são muito parecidos em tudo, paisagem, costumes, alimentação, tipologia etimológica e principalmente na pobreza desses camponeses. Entrevistei um desses quando passava pelo interior de El Salvador.
                  Interessante, como vai se criando um código moral em nos motociclistas mundiais, (adorei ser chamado assim pelo “Fazedor de Chuva”, Dolor), em ter quase que, como se fosse uma “lei das estradas”, esse compromisso de sempre responder a esses acenos tanto das pessoas quanto dos outros companheiros motociclistas que eventualmente vamos cruzando pelo mundão a fora. E me lembro do Tio Bira de Palmas, meu exemplo de dedicação espiritual, quando me dizia que devemos sempre que encontrar alguém em nosso caminho, em nossa vida normal, seja em casa quando acordamos, seja na rua, nos bancos, no transito, no trabalho, enfim, sempre que encontrarmos ou cruzarmos com outro ser humano, desejar um sonoro, alegre e sincero “Bom Dia”, mas um bom dia verdadeiro, não pra cumprir formalidades, desejando realmente que aquele irmãozinho tenha um “BOM E AGRADAVEL DIA”.
                  Aparece mais uma Montanha no horizonte, mas a estrada passa por um “furo” baixo entre elas e continuamos em direção a El Salvador. Ao ver passar um carro de modelo diferente, lembrei-me que no começo da viagem, quando entramos pela Venezuela, nosso primeiro país dessa jornada, a novidade desses carros de marcas e modelos tão diferentes dos que estamos acostumados a ver no Brasil, chamava muita atenção, e que agora, já depois de vários dias vendo tantos carros diferentes, já não mais notamos nem despertavam meu interesse em analisa-los. Fazendo-me novamente traçar um paralelo da viagem com a vida cotidiana de todos nos, onde a monotonia do cotidiano nos torna cego e insensíveis às coisas simples, como observar a natureza, as crianças, os animais, uma flor, um por de sol, coisas cotidianas e naturais, mas que no contexto geral, são elas que nos permitem momentos de alegria, prazer e são elementos primordiais para vivenciarmos aquele conhecida máxima de: “viver intensamente cada dia como se fosse o ultimo”.
                  Fomos parados mais uma vez por uma barreira policial, após termos sido também parados a menos de 1 km atrás por outra, e isso já estava começando a nos irritar, e quando vi Hans meio nervoso e impaciente, enquanto tirava o capacete, o policial veio primeiro a mim, que já estava sem o meu, e antes que dissesse algo eu rasguei em meu “portunhol”, tentando comunicar que havíamos acabado de ser fiscalizados logo atrás, quando o oficial, em tom ríspido, me perguntou: - le molesta cuándo lo paro?, Eu me levantei, deixando o pequenino fardado, descendente indígena, bem abaixo dos meus olhos, e concluí que não me molestava, apenas demonstravam, agindo assim, uma desorganização e uma perda do tempo dele e do nosso, falei isso também serio e em tom firme olhando em seus olhos e com meus documentos em mãos, lhe apresentando, antes que ele me pedisse. Ele, num misto de raiva e despreparo, e sem ver meus documentos arrematou: “- adelante”. Virou as costas para nos e com sua metralhadora velha e descascada balançando a tira colo, saiu abrindo caminhos entre umas seis ou sete vacas, que nesse exato momento atravessavam calmamente o asfalto, deixando rastros de fezes e sujeiras na área de trabalho dessas pobres “autoridades”.
                  El Salvador e Guatemala
                  Tivemos também um grande atraso do lado da “Aduana” de El Salvador, depois de ficarmos em uma fila esperando nossa vez de sermos atendidos, e preenchidos os formulários necessários e esperado a paciente e morosa funcionaria publica (todos iguais no mundo, só muda o endereço), finalizar as importações temporárias e a autorização pra transitar em seu pais, vieram com uma comunicação que teríamos 24 horas pra cruzar o país senão teríamos que pagar uma multa alta. Hans imediatamente protestou e não queria mais conversa, eu fui mais diplomático e fui mostrando a incoerência dessa norma e quando ela me perguntou de onde eu era respondi: “- Do Brasil, assim como sua primeira Dama a Senhora Vanda Pignato, que tenho certeza que não concorda com esse tratamento dispensado a seus conterrâneos”... As coisas foram resolvidas e nos deram um visto de turista de três meses.
                  ​Cruzamos o país adotivo da minha “conterrânea petista”, e dois dias depois já estávamos entrando na Guatemala. Evitamos passar por San Salvador, a capital e fomos dormir em San Miguel, ladeado nas estradas, pelas mesmas paisagens e plantações dos outros países do “Centro América”.
                  Na Guatemala também, as estradas viram ruas, que viram praças, que viram centros comerciais de aglomerados populares, em feiras livres e tumultuadas, que voltam a virar ruas, estradas, avenidas e assim, a “farra latina”, vai acontecendo por onde passamos, onde quem manda é a rotina e o estilo de vida da população.
                  Em uma dessas balburdias populares, de gente de todo tipo, tentando encontrar de novo a famosa “Pan Americana”, que havia virado cidade e praça, observava mais uma vez, o meu parceiro na frente, tentando pegar informações debruçando desajeitadamente, ao mesmo tempo em que mantinha sua gigante e pesada Honda em equilíbrio, sobre janelas de carros parados em sinais e estacionamentos, sem tirar a bandana que usa sobre o rosto, como um bandido usava nos velhos filmes de bang-bang americano, e sem tirar também o capacete e ainda ficando impaciente quando as pessoas não o entendiam, eu ficava incomodado sem saber como ajudar e mantinha ali atrás minha paciência e respeito ao estilo do meu guia.
                  Foi assistindo uma dessas cenas, que me lembrei, emocionado, que em setembro de 2002, fui vendo entrar em um restaurante, no posto de gasolina de meu amigo Renato Brasil na cidade de Pugmil no Tocantins, e justamente assim, para pedir informação de caminhos, que fiquei conhecendo esse “Gringo” e ali, daria inicio a uma amizade com o extraordinário ser humano de nome Hans Ragnar Karlsson que mudaria a minha vida, e continua mudando ate hoje.
                  Aprendendo sempre que, mais que eu deva ter cuidado e respeito com as diferenças de ideias e modos de agir, causadas tanto pelos choques de geração e de cultura, mas muito mais paciência e tolerância, tem de ter e praticar, meu parceiro com relação a mim, por ver alguém que só viveu a metade de sua experiência de vida, e às vezes achar, com meu ímpeto e arrogância típicos da juventude, que sei tudo, e sou o dono da razão.
                  Mais uma vez, obrigado velho amigo por tudo isso e muito mais que ainda vou aprender com você.
                  *
                  Última edição por Dolor; 11-09-11, 16:28.

                  Comentário

                  • Dolor
                    Fazedor de Chuva

                    • Mar 2011
                    • 3250

                    #24
                    CFC Diomar, conforme já escrevi, vocês estão muito próximos de Oaxaca, portanto, não deixem de visitar o GCFC Braga.
                    Abraços
                    Dolor e Angela

                    Comentário

                    • Dolor
                      Fazedor de Chuva

                      • Mar 2011
                      • 3250

                      #25
                      Amigo Diomar. =IMPORTANTE=

                      Que beleza acompanhar tua viagem, na BOA COMPANHIA do EXTRAORDINÁRIO e PERSEVERANTE HANS.
                      Uma demonstração de FË e FORÇA DE VONTADE... dos dois...
                      Que beleza ler e reler teus lindos comentários, enriquecidos com trechos de Nobres Mestres...
                      Estou feliz em participar desta aventura na Garupa de vocês...

                      Olha só. - ATENÇÃO.

                      Já cruzei por estas plagas por duas vezes e com minha moto, tive as mesmas dificuldades que estas tendo...
                      Porém, escrevo-te para trazer ou fazer algumas indicações.
                      REMETI minha moto por duas vezes de Miami para o Brasil... Uma para CAMPINAS (te aconselho) e outra para Florianópolis, via VIRACOPOS - CAMPINAS...

                      O serviço Aduaneiro em Campinas é mais correto, sem problemas de outra espécie (conhecemos, né ) se estiveres bem documentado.

                      ATENTA PARA UM DETALHE = Exigirão de ti o documento aduaneiro da saida da moto = emitido pela Receita Federal Aduaneira... se não emitistes, procura atentamente alguém para te auxiliar; o problema é que saindo de moto pilotada eles acham que retornarás pilotando e não documentam corretamente e exigem na volta, se vier de avião o documento de exportação temporária...

                      Nos EEUU da mesma forma, ao tentares despachar a moto de avião ou Navio exigirão de ti a documentação de entrada da moto nos EEUU, e estarás com problemas se não emitires esta documentação na aduana de
                      entrada; é simples e rápido E DEVES EMITIR SIM... poderão dizer não ser necessário mas na saída da moto a ADUANA AMERICANA EXIGIRÁ A DOCUMENTAÇÃO DE ENTRADA.

                      EXIGE PARA A ADUANA AMERICANA NA ENTRADA DOS EEUU O DOCUMENTO (se não me engano é o Doc. 94) DE ENTRADA DA MOTO e explica que vais despachá-la em navio ou avião de volta ao Brasil....

                      OBRIGATÓRIO PARA REMETER AO BRASIL COMO CARGA... A ADUANA DE MIAMI EXIGE SIM...
                      POR DUAS VEZES ME INCOMODEI MUITO E QUASE PEGUEI ADVOGADO LOCAL...

                      Eu não emiti este documento nas duas vezes e no ano passado eu consegui passar com dificuldades, mas consegui auxiliado pelo Sr. MICHAEL LINERO que trabalha na transportadora ASTRAL FREIGHT SERVICES INC.
                      = 1418 N.W. 82 Avenue, Miami, Florida , 33126. = fone (305) 599-1651

                      Em 2.005 fui auxiliado pelo Sr. LUCIANO CAMPOS (BRAS.) da Empresa transportadora ALEXIM MOVING = 8851 N.W. 102 nd St = MEDLEY, FL 33178 Fone (305) 884-8194. Procura mandar para retirar em VIRACOPOS - CAMPINAS = se for de navio demora bastante... não sei bem informar.

                      Em CAMPINAS - VIRACOPOS temos um amigo motociclista e é despachante Aduaneiro = MULTI - Desembaraços Aduaneiros Ltda = o Nome dele - CECÍLIO BUFARAH Jr. = Fone (19) 2101-9800 = Rua Benedito Ap Becker
                      da Rosa 54 - Jardim Nova America - 3053-027

                      Estou tentando ajudar, certo ?

                      É importante a documentação que falei.

                      Se não tens do Brasil, não esquece na entrada nos EEUU e no Brasil a gente tenta te ajudar melhor.

                      Um abraço Amigo.
                      Alexandre
                      Última edição por Renan Xavier; 12-09-11, 09:20.

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                      • Renan Xavier
                        Fazedor de Chuva
                        • Jul 2011
                        • 404

                        #26
                        Bogotá – Colômbia.




                        Entrando na capital, depois de enfrentar uma montanha muito alta, frio de 7 graus, chuva e curvas e mais curvas, chegamos a Bogotá, e fui recebido por um motoqueiro (motoqueiro mesmo), que vestia uma camisa da seleção Brasileira e que me permitiu tirar sua foto dando-me aquele belo sorriso típico do “Povo Bão” da Colômbia.

                        Na chuva gelada da montanha, subíamos da altitude do nível do mar para a região alta e montanhosa de Bogotá, eu já estava cansado, mas acostumado a me molhar na chuva e me secar no vento e no sol, mas dessa vez o clima muito frio e as curvas perigosas me faziam ficar mais tenso e alerta.

                        Diferente da chuva que, apesar de forte e nos fazer parar para esperar acalmar um pouco, ainda nos caminhos do litoral, onde debaixo de uma cobertura, deixávamos as motos protegidas, vi a alegre presença de algumas crianças correndo e pulando em poças d’água, tomando um delicioso banho de chuva vinda dos Mares do Caribe. De pronto, aproveitando já estar ensopado, corri pra junto deles de roupa e tudo, ficando assim, numa algazarra total, moleca e numa cumplicidade infantil e divertida, onde comecei a pega-los nos braços e levantando, gira-los no ar recebendo em troca a maravilha daqueles sorrisos e gargalhadas misturadas com os sons da chuva, que só podem ser praticados por seres frágeis, inocentes e de coração puro, que não tiveram acesso e não permitiram ainda, que as dores e tentações do mundo os atrapalhassem a viver bem e nessa alegria real e verdadeira. Hans de imediato registrava tudo, em fotos e vídeo.

                        Caminhões passavam por nos, escrito em seus para-choques “carga larga”, e demorei um pouco pra “cair a fixa” que, em espanhol, “largo” significa comprido, e que “ancho” é que significa largo. Entenderam?...



                        Passamos um susto também ainda antes da subirmos a montanha quando numa velocidade de aproximadamente 120 km/h, vi a moto de Hans, ao sair de uma parte convexa no asfalto, voar nessa rampa inesperada e ficar, com as duas rodas no ar, depois cair pesadamente e as perninhas de meu parceiro agitando como asas de borboleta querendo decolar. Estávamos tão “velozes e furiosos”, que não deu tempo de frear minha “negona”, e pratiquei o mesmo voo livre e sem asas. Bom humor narrativo a parte, fui mais um susto daqueles que só me atrevo a brincar assim, depois de ver que não aconteceu nada além do susto, uma pequena dor no antebraço pela pressão exercida e mais uma lição dos cuidados a serem retomados. Qualquer distração causada pelo costume com a rotina da estrada e a velocidade podem ser fatais.

                        Logo adiante fui acalmando ao ouvir uma canção de meu conterrâneo Genésio Tocantins, cantando assim: “Desde menininho que sonhei correr estrada, sina sagrada de um canário cantadô. Salve o Brasil e seus cantadô”...

                        Em uma cidade de nome San Martin, a ultima antes de chegar a Bogotá, na porta de um hotelzinho, fomos abordados por dezenas de pessoas que foram chegando, atraídos pelas motos e ficamos mais de meia hora conversando, contando da aventura, dando explicações e divertindo aquela gente simples e amigável. Eu do meu lado, como sempre não me decepcionando com meu magnetismo infantil, parecia a “Xuxa da Colômbia” com uma molecada a minha volta querendo saber de tudo e ainda tendo um Gordinho muito esperto como interprete por ter sido o primeiro a chegar perto e conversar comigo e se sentir intimo do viajante cabeludo e suas roupas de couro, dentes de animais pendurado, couro de crocodilo no pulso e dando toda atenção a eles e não tratando, como é de costume dos adultos, as crianças como objetos ou animais e talvez seja esse o segredo desse magnetismo. Foi outra farra divertida e animada. Os “grandes” com a gente não tinham vez, que se virassem com o velho e bom Hans Karlsson.





                        No outro dia ao retomar a viagem, passamos por uma plantação de uma espécie de Palmeira, que veríamos ainda por muitas vezes ate depois de pularmos para a América Central, que descobri que se chama “Palma de Cera”, e que tem a finalidade em seu plantio e através de seus frutos, produzir óleo vegetal.

                        Começaram também a aparecer fazendas com criação de Búfalos em pastagens muito verdes de capim quicuia.
                        Última edição por Renan Xavier; 16-09-11, 10:02.

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                        • Dolor
                          Fazedor de Chuva

                          • Mar 2011
                          • 3250

                          #27
                          CFC Diomar, muito importante a participação do GCFC Lelê (Evangelista) a respeito da documentação da moto. Ele já
                          viveu esta experiência e como o diabo é o diabo, não por ser o diabo, mas sim por ser velho, vale a pena prestares
                          atenção nas orientações.
                          Boa sorte!
                          Abraços
                          Dolor e Angela

                          Comentário

                          • Renan Xavier
                            Fazedor de Chuva
                            • Jul 2011
                            • 404

                            #28
                            Pneus Arriados em Arriaba

                            Meu povo querido da garupa, quando achava que nossa aventura já estava do encerramento para o fim, e que dentro de cinco dias estaríamos tomando um vinho e fumando o charuto que comprei na região do Mar do Caribe para comemorar a conquista, já acomodados em Nova Orleans, e ainda curtindo ao ver Hans no colo de sua amada, porém, nessa auto-estrada muito boa do México, onde andávamos a 120 km/h, me sentindo quase vitorioso, arriscando ate um grito de desabafo tipo: “Yuruuuuu!”... por chegar ate aqui nessa aventura, que como dizem os “Fazedores de Chuva”, “todos podem fazer, mas poucos fazem”, e só agora entendo direito essa frase, pois definitivamente não é fácil e se trata de coisa pra “macho”, foi ai que a nossa boa sorte, nos apronta mais uma de suas travessuras, pra adiar em três dias ou mais nossa jornada.



                            Após andarmos 100 km da fronteira com a Guatemala, parando em uma gasolineira para abastecer e tomar uma agua, um curioso nativo, mandado também por nossa “Boa Sorte”, nos fez tardiamente confirmar que o pneu traseiro da minha “Negona”, estava na lona.

                            Assim como aconteceu com Gold Wing, perto de Sobral no Ceará, nos observávamos sempre o pneu dianteiro, por ser mais fácil de ver, e esquecíamo-nos do traseiro, que esta sob para-lamas fechados, e alforjes laterais camufladores, e que por serem o pneu da tração e suportar mais peso, consequentemente gastam-se mais rápidos, e como baseávamos no dianteiro, que apresentava mais de meia vida ainda por rodar, fomos surpreendidos novamente por nossa inexperiência e comodismo.

                            Restava-nos fazer como no Ceará, ir devagar para trás ate “Tapachulla” a 100 km, ou para frente ate “Arriaba” a 180 km, no ímpeto de seguir sempre adiante, cometemos nossa segunda falha, pois mesmo com muito cuidado, e andando a 80 km/h, depois de andarmos mais de 100 km, e faltando 50 km pra nosso destino previsto, escutei um tiro perfeito e vi minha Boulevard arriar a traseira “cansada de guerra”.

                            Hans parte velozmente pra ir buscar socorro e o velho violeiro aqui, depois de fazer um “xixizinho” aguando as relvas verdes, dos campos de “Pacho Villa”, conformadamente pego minhas câmeras, registro tudo e olhando em volta, torcendo pra encontrar uma casa onde pudesse tomar pelo menos uma agua, pois estávamos ate àquela hora, que já se passavam das 17:00hs, somente com o café da manhã, avistei a uns 100 metros o meu oásis.

                            Dessa vez não gritei como em Roraima o prefixo nordestino pra me receberem sem medo, mas ao ver um senhor sem camisa, e com o bigodinho tradicional dos “Muchachos comedores de tortillas”, sair de dentro da casa meio desconfiado, olhando meio de lado a figura do “Zorro Tupiniquim”, com suas roupas pretas de couro, já gritei de longe apontando pra entrada: - “Com su permisso”, quando o vi abrir um sorriso acolhedor e responder: “Bienvenido”.

                            Não só fui “bienvenido”, como folgado que sou, quando me permitem, folgado que nem colarinho de palhaço, fui pedindo agua, tirando fotos, contando historias, sentando na rede, conhecendo o genro do Senhor “Álvaro”, que era meu anfitrião, sua mulher, filhas, netos, duas ovelhas e um carneiro, um cachorrinho muito chato de nome “Lupe”, que não parava de latir no meu pé, fui mostrando fotos, vídeos de minhas canções em meu lap top, e depois de me ajudarem a empurrar a moto para frente da casa eu os ajudei a alimentar os porquinhos no chiqueiro lamacento e fedido. Mas todo mundo feliz e íntimos.

                            Enquanto curtia a rotina e o estilo da vida de uma família típica mexicana, vi um carro parar na frente da casinha do Sr. Álvaro, e descer um rapaz de nome “Ulisses”, que ao ver minha moto parada na estrada, voltou pra ver se eu precisava de algum socorro, pois se tratava de um componente de um moto clube da cidade de “Tuxtla”, e que deixou seus contatos, dizendo que se não encontrássemos o pneu, e precisássemos de sua ajuda, nos traria um pneu usado, da moto de um de seus parceiros, para podermos chegar onde encontrássemos um novo. Anotou as medidas do pneu da Boulevard, trocamos endereços e cordialidades dessa “Tribo Fraterna do Motociclistas”, e seguiu viagem.

                            Pouco mais de três horas depois, já noite escura e sozinho, sentado em uma cadeira emprestada por Sr. Álvaro, na beira da estrada, de olho na chegada de meu parceiro, avistei as luzes giratórias de um caminhão guincho e logo adivinhei que seriam as luzes do final desse túnel que me encontrava.

                            “Nossa senhora de Guadalupe”, com olhar benevolente e sereno, me acolhia do adesivo no vidro traseiro do caminhão, quando iluminada pelo farol da Boulevard, que “mancando”, subia a rampa inclinada da carroceria do reboque, e sentado ali em cima, junto com um ajudante também de nome “Álvaro”, mais sujo, mais suado, fedido, mas certamente não mais com fome que eu, fomos viajando, tendo acima de nos um céu nublado, e a companhia de uma lua crescente, tímida mas muito bonita em seu leito negro de nuvens carregadas, da minha primeira noite mexicana. Hans seguia na frente junto com o motorista com cara de bravo, malvado e preocupado.

                            Já considerando tudo parcialmente resolvido, e torcendo pra encontramos logo, um pneu nas cidades vizinhas, de repente o caminhão para, e somos abordados pelo exercito mexicano que nos dá aquele “baculejo”, me fazendo abrir toda bagagem da moto e conferindo os documentos.

                            A fome apertava cada vez mais, quando chegamos e entramos em Arriaba, e fomos direto pra uma oficina onde Hans tinha encontrado apoio, o contato do Guincho e a promessa de nos auxiliarem no dia seguinte a encontrar o pneu, e ainda nos levaria a um hotel em sua caminhonete, que na saída, onde já me encontrava sentado dentro, finalmente achando que iria tomar meu banho e comer algo, o “Cucaracha”, grita aos amigos na oficina sorridente: “no tengo Luz”, lá se vão eles com caixas de ferramentas e lanternas, abrir o capo da caminhonete velha, e fazer a famosa gambiarra nos faróis apagados não no “jeitinho brasileiro”, mas no igual “jeitinho Mexicano”. Hans em sua moto atrás, esperando também pra sermos conduzidos ate um hotel.

                            Finalmente andando nas ruas animadas dessa cidadezinha, passando por um parquinho daqueles de interior com roda gigante, carrossel e barraquinhas apinhadas de gente, cidade essa que Hans esteve em 1957, quando fez uma viagem também em caminhonete, de Nova Orleans ate a Costa Rica, e nesse lugar acabavam as estradas e ele teve que colocar seu veiculo no trem de ferro (Ferro Carrill), ate a Guatemala.

                            Hans nos seguia atrás, e finalmente iriamos descansar depois das tantas e fortes emoções do dia e da noite. De repente o nosso guia olha pra trás e diz que meu amigo havia virado em outra rua seguindo outra caminhonete, pronto, Hans havia se perdido, lá estávamo-nos, rodando o centro da cidade atrás de uma Gold Wing perdida.

                            Depois de alguns minutos desistimos e resolvemos voltar à oficina, pois lembrei que Hans havia pegado um cartão com endereço e fones do lugar, e quando chegamos, a esposa do nosso amigo dizia que ele estava em um hotel nos esperando.

                            Era uma quinta feira de noite, e nesse hotel estamos ate hoje domingo, esperando o pneu que encomendamos da Capital, e que dizem que chagará amanhã, e quem sabe partiremos logo que o montarmos, e esperando que a “Boa Sorte”, continue nos brindando com aventuras, emoções e alguns sustos sem nos causar danos sérios e comprometedores.

                            Só uma coisa me incomodou nessa historia toda, no final da viagem, Hans terá percorrido 50 km a mais que eu nessa conquista...

                            Quer dizer 30.000 km a mais...

                            Ou melhor 750.000 km a mais que é o que ele tem em seu currículo...

                            Quer saber, perto dele, “eu sou um bostinha mesmo”...

                            Comentário

                            • Renan Xavier
                              Fazedor de Chuva
                              • Jul 2011
                              • 404

                              #29
                              Comentário do Diomar sobre a chegada nos Estados Unidos!

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                              Iuruuuuuuuuuuu!!!!!!......
                              Airiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!
                              Eihaiuuuuuuuu….!!!
                              Aoiaiaiaiaiaiaiiaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiihiiiiii iiiii…
                              Cheguei nos States, povão da garupaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa............

                              Esses foram os gritos que meu capacete ecoou quando vi os portões dos estados unidos...
                              Desabafo... descarrego... alivio.... grito de sentimento de quase vitória...
                              De saber que tenho enfrentado tudo e principalmente a mim mesmo e começando a vencer...
                              Desafios internos... físicos... morais... convivência... perigos...



                              Mas vocês saberão de tudo no próximo relato...
                              Chagamos em New Orleans depois de amanha...
                              Mais uma vez obrigado pela companhia e a amizade de todos...
                              Obrigado aos “Fazedores de Chuva”... vcs se revelaram especiais e me sinto orgulhoso de já ser chamado de “FC”...
                              Já estou combinando com Hans de fazer o trecho final que me falta... (depois, em e-mails pessoais quero agradecer a todos de um por um).
                              Alexandre obrigado por tantas informações e todo o cuidado dedicado... é bom demais fazer parte dessa família...
                              Obrigado aos amigos de Tocantins, Goiás, São Paulo e outros estados que depois também agradecerei de um por um...
                              Abraços a todos
                              E ate mais...

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