GCFC - DIOMAR NAVES E HANS KARLSSON - Palmas to New Orleans

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  • Renan Xavier
    Fazedor de Chuva
    • Jul 2011
    • 404

    #1

    GCFC - DIOMAR NAVES E HANS KARLSSON - Palmas to New Orleans

    Acompanhamos ainda, a dupla amiga de Grandes Caciques Diomar Naves e Hans Karlsson. Confira o diário recém-iniciado.

    ---

    Saímos de Palmas no dia 22 de julho. Na primeira viagem saímos também num dia 22 de outubro de 2002, coincidências que estarei sempre narrando, pois não planejamos nada e tudo foi simplesmente acontecendo. Chamo coincidências, pois eu sempre acreditei que nessas “coincidências” que mora Deus.

    Os fatos da primeira viagem vocês poderão conferir com os escritos da Taizinha com mais qualidade de edição, pois não tenho muita habilidade para escrever e não pretendo me passar por escritor profissional pois nem amador eu sou, mas vou escrevendo. Como diz meu grande amigo Sebastião Pinheiro, vou escrevendo “com a caligrafia do coração”, narrando com toda carga emotiva por esse meu jeito metido a poeta e, assim que possível, ilustrando com algumas fotos e vídeos para, no mínimo, despertar o interesse e a curiosidade dos meus amigos que poderão nos acompanhar quase de imediato e virtualmente na nossa garupa.

    Todas as experiências que certamente iremos passar nos próximos 2 meses ou mais, tempo que calculamos durar essa nova aventura sobre duas rodas. Ainda o conforto de saber que, depois de terminada essa história, ainda poderei entregar a um profissional como meu “mestre” jornalista e escritor Tião Pinheiro para correções e formatações corretas gramaticais e demais correções Me aguarde e me guie, São José de Monte Alegre!

    Voltando à nossa saída de viagem, noto que desta vez tenho mais experiência, coragem e estou mais preparado. Na primeira viagem eu fiz as malas com apenas 2 calças, 3 cuecas, 3 meias, 3 camisas e muita disposição, pois mais que isso um motociclista não tem espaço para carregar. Eu prefiro o nome “Motoqueiro”, mas meus amigos do Moto Clube que participo me matariam se eu dissesse. Levo também um equipamento de gravação em vídeo (uma câmera profissional de vídeo e outra de fotos) e, como não poderia faltar, a minha inseparável e companheira viola, amarrada na garupa. Além disso, trago também mais uma carga imensa de saudade e solidão por deixar um amor pra trás. Esse mesmo amor, em contrapartida, me motiva a voltar, pois como diz “São José de Monte Alegre”: “Um homem não tem precisamente que partir mas tem que ter pra quem voltar”...

    Escolhemos uma rota passando pelo norte do Tocantins. Entramos pelo Maranhão, em Carolina, e fomos dormir na pequena cidade de Riachão. O nosso próximo destino é a cidade de Recife para encontrarmos outro amigo motoque... (opss!!!) motociclista de nome Mário. Hans também o conheceu no mesmo ano de 2002 quando quis pedir informações sobre as três possibilidades de rota que teríamos para seguir. Mário também é um viajante antigo que tem mais de 1 milhão de kms rodados de moto pelo mundo e ele já fez essa rota algumas vezes.

    No primeiro trecho de nossa aventura saindo do Tocantins pela simpática cidade de Filadélfia, conheci a balsa que atravessa o Tocantins e chega do outro lado em Carolina, já no Maranhão. Hans comentou que não imaginava que pra chegar no Tocantins teria que passar por “Carolina, Filadélfia e Nova Iorque do Maranhão”. Risos.

    O rio cheio pelo lago da barragem de estreito, se apresenta bem largo e muito bonito, uma paisagem exuberante que registrei na minha câmera, aproveitando sempre o grande movimento que as motos atraem, aliadas à surpresa e às curiosidades das pessoas quando sabem que esse cabeludo, junto com um homem de 85 anos, estão a caminho dos Estados Unidos da América naquelas motos. As pessoas ficam sempre admiradas.

    Depois de Riachão, rodando pouco mais de 500 kms pelo fato de termos saído de Palmas na metade do dia, pegamos pesado para recuperar o tempo perdido e fizemos mais de 700 kms até chegarmos em Picos, já no Piauí, para pernoitarmos. Jantamos e, logo após, comemos um abacaxi que viajou na garupa do Hans de Miracema até ali.

    Encontrei há pouco um motociclista, para o qual li o que estou escrevendo, em busca de uma opinião sobre o meu estilo de contar a história. Todos eles têm a tradição de fazer um diário de bordo. Ele me aconselhou escrever mais objetivamente, com poucas palavras, pois os motociclistas, em geral, não gostam de ler muito e pulariam a parte filosófica das minhas narrativas se interessando mais pela parte prática e informativa de meus relatos.


    Então cabe aqui eu me justificar: é que tenho uma alma metida a poética, além de tempo e paciência. Nos meus relatos pretendo passar as experiências, rotas, caminhos, imprevistos e, além disso, tentar passar, a quem interessar possa, as lições e experiências que me ajudaram e ajudam para o meu crescimento espiritual, através do contato direto com as pessoas e diferentes culturas do planeta, aproveitando para fazer uma reforma moral.

    Última edição por Renan Xavier; 05-08-11, 11:32.
  • Renan Xavier
    Fazedor de Chuva
    • Jul 2011
    • 404

    #2
    Os Caciques Diomar Naves e Hans Karlsson continuam seu percurso pelo interior brasileiro.
    Confira o que Diomar disse no blog.

    ---

    No segundo dia atravessamos o Maranhão até chegarmos em Picos, no especial estado do Piauí. Digo especial pois é marcante o sentimento de amor e paixão que os nativos dessa terra nordestina têm por suas raízes e seu torrão natal. Mais que uma naturalidade, se torna uma "religião" ser daquela região, ser piauiense.

    Ao entrar no Piauí vamos sendo recebidos, de quilômetros em quilômetros, por rebanhos de bode (tive que pesquisar esse coletivo, pois acho que matei essa aula) nas margens das estradas, tornando-a um pouco perigosa para velocidades avançadas. Há sempre uma visão diferente dessa criação característica da região e, como não poderia faltar, somos observados e autorizados a prosseguir pela autoridade monárquica do senhor soberano animal nordestino, o todo nobre e respeitado Sr. Jumento, animal tão importante no dia a dia e cotidiano dessa gente amigável, sorridente e simpática. Afinal, "O Jumento é nosso irmão."

    Almoçamos na fronteira do Maranhão com Piauí, na bela cidade de Floriano, onde me lembrei de alguns amigos naturais daquela região que vivem em Palmas. Aproveito então para homenagear todos os piauienses da família do grande Paulo Reis que partiu recentemente, fora do combinado.

    Tive o prazer de ter no cardápio do dia, dois belos tipos de "bode", um cozido e outro assado, que apesar de ser uma delícia e eu ter me esbaldado de comer, não foi degustado pelo Gringo (forma carinhosa e divertida que chamo o Hans), pois não consegui convencê-lo a provar, por preconceitos e azar dele.

    Continuamos nossa aventura pelas sendas nordestinas. Agora sentindo dores constantes nas costas e pescoço por estar destreinado em viagens longas de moto. Vou me socorrendo com comprimidos de relaxantes musculares, mas notando, como na primeira viagem, a capacidade de adaptação de nosso corpo humano às circunstâncias da vida. No primeiro dia as dores foram intensas, diminuindo nos segundo e terceiro dias. Só espero que acabem logo pois, pra quem não tem essa experiência, chega a pensar em desistir por imaginar que não irá suportar meses com aquelas dores incômodas.

    Algumas regras e cuidados vou aprendendo com a estrada e com os velhos viajantes como: nunca viajar à noite, tomar cuidado nas ultrapassagens e muito cuidado com o contato com pessoas aparentemente prestativas que algumas vezes estão sondando para tirar proveito de alguma forma, até mesmo com assaltos e furtos.

    Pelo Piauí só encontramos sorrisos e pessoas nos desejando boa viagem, sempre nos abençoando com a recomendação da companhia de Deus a nos guiar e proteger. Mais adiante falarei da crença do Hans em Deus. Por mais que ele diga que é uma espécie de ateu e que não precisar acreditar em Deus, fico observando seu espirito amigável, simpático, justo, mostrando-se um verdadeiro gentlemen, sei que Deus acredita muito nele.

    Outro fator interessante que vou descobrindo no universo motociclista é o costume e a afinidade que vamos adquirindo com a velocidade, nossa maior companheira e aliada que nos conduz. Vamos nos familiarizando tanto com ela que começamos a conhecer suas linguagens e sinais como o som do vento e as imagens da paisagem passando por nós, aprendendo assim a identificar qual velocidade estamos sem sequer precisar olhar o velocímetro da moto, como se a sensibilidade nos informasse num velocímetro emotivo se estamos a 100, 110 ou 130 km por hora (nossas velocidades médias de cruzeiro).

    Lembro-me agora uma das muitas frases filosóficas tradicionais dos motociclistas que diz que "ao viajarmos de moto, nós não olhamos a paisagem, nós somos a paisagem", pois a estrada para os motociclistas tem cores mais vivas, cheiros e sons peculiares e próprios que, só quem anda de moto ou a pé, pode entender. É como diz a canção "Estrada de Canindé" cantada pelo velho Rei do Baião "Luiz Gonzaga". Aproveito a oportunidade para pedir autorização por estar entrando em Pernambuco, a sede de seu reinado e sempre respeitando "Januário", pois de "Taboca a Rancharia, de Salgueiro a Bodocó, Januário é o maior".

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    Última edição por Renan Xavier; 05-08-11, 11:29.

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    • Renan Xavier
      Fazedor de Chuva
      • Jul 2011
      • 404

      #3
      Os viajantes Diomar e Hans nos enviaram fotos para que todos possam ter acesso. São imagens de sua passagem por Fortaleza e Natal, no norte do Brasil.

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      • Renan Xavier
        Fazedor de Chuva
        • Jul 2011
        • 404

        #4
        Segue informações do GCFC Hans Karlsson sobre a trajetória pelo nordeste e norte do Brasil. Nesta segunda-feira, dia 08 de agosto, eles (Hans e Diomar) estarão embarcando em Belém, de barco, para Manaus.

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        Friday 4 Aug -11, the Bridgestone tire arrived around 11 AM at our hotel, Beira Rio Hotel, in Sobral, Ceara, Brazil. By 1 pm we were on the road heading SW for the city of Teresina, capital of the state of Piaui, the poorest in Brazil. The new rear tire was mounted by the Honda agency work shop, very large, very nice, very clean. A front tire, that I had shipped to Asuncion, Paraguay nine years ago, and picked up and carried with me since in June this year, was also installed. After demonstrating to the Honda techs of how you, without help, raise a prone Gold Wing to the vertical, we, Diomar and I, were on our way in the 95F heat. We arrived in Teresina after dark at around six (the sun sets early here) and met up with Elsa, Diomar's girlfriend, who had flown in from Palmas, Tocantins. The 200-mile trip to Teresina took longer than expected because we were delayed by a unusual event: After a gas-stop we were chased by a white pickup truck which Diomar suspected to be up to no good (robbery), and I believed it wanted to out-run the Gold Wing. He didn't - after 100 mph he gave up. It cought up at a police check point where we were stopped. It turned out that it was the service station owner who was chasing us only to collect R70.00 for the gasoline that we had failed to pay! A "drive-off", a first for me. Regards, Hans

        PS Tomorrow, 8 August, we head for Belem to catch a boat to Manaus.

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Name:	July 27 11 Palmas Recife 008 Hans on ferry crossing Tocantins River, Brazil 22 July -11.jpg
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        • Renan Xavier
          Fazedor de Chuva
          • Jul 2011
          • 404

          #5
          Enquanto esperamos notícias de Diomar e Hans, eis um pouco mais de nosso novo amigo Cacique Diomar.

          De acordo com o blog, é Arquiteto, músico e apresentador de TV. Mora em Palmas, Tocantins.

          Segundo ele,
          "Sou arquiteto, músico, apresentador de TV... mas o que mais gosto é de ser "Boiadeiro". Adoro serenatas, trabalhar com pessoas simples como sertanejos e índios quilombolas. Meu escritório é a natureza exuberante com sua as cachoeiras, rios, matas, como também as cidadezinhas do interior. Também adoro pescaria (pratico a subaquática), animais e boa música".

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          • Dolor
            Fazedor de Chuva

            • Mar 2011
            • 3250

            #6
            Devaneios de um motociclista


            Vinha-me à cabeça a palavra solidão e eterno. Lembrei-me da viagem de 2002 quando atravessamos o deserto do Atacama, no Chile e Peru, o mais árido do mundo. Nos primeiros dias tudo era novo e interessante, depois se torna monótono, triste e feio.

            É impressionante como a vida esta relacionada com a água, tanto nessas paragens como no sertão do nordeste brasileiro. Onde tem um riozinho, um filete de água, mesmo que salobra e suja, nasce a possibilidade de chegar alguém e tentar sobreviver em regiões tão inóspitas, estéreis e frígidas. Imagino que essa região e o Nordeste em geral deve ter sido sempre assim e que continuará do mesmo jeito para sempre.

            Uma pessoa poderia facilmente sumir em um lugar desses levando a vida sem que ninguém notasse. “Água é Vida!”

            Sempre sonhei em terminar meus dias tocando em uma pousada a beira-mar, fazendo uma tatuagem, recebendo gringos e nativos, cantando com minha viola, aprendendo a surfar. Talvez até fumar uns cigarrinhos interessantes (minha mamãe vai me matar com esse comentário). Enfim, viver em um lugar sossegado e distante onde ninguém me acharia, mas não exatamente um sossego sepulcral como esses que vi nos desertos nordestinos.

            Faço agora um parágrafo voltado para mais uma lição que a Mestra Estrada vai me aplicando e do conhecimento cada vez mais profundo do estilo e características de vida, o “modus vivendi” dos MOTOCICLISTAS. Tenho notado que viajar de moto pelo mundo além de ser uma deliciosa aventura, dar muito prazer e ser um grande desafio, também é uma lição de convívio na difícil arte de viver a dois, (ou a três, a quatro, cinco, dez), seja como casais, no âmbito familiar ou entre amigos. Os Motociclistas mais antigos ou experientes que estão tendo paciência e me acompanhando nesses relatos devem confirmar.

            Segundo o dicionário de sociologia: MODUS VIVENDI. É uma espécie de arranjo temporário que possibilita a convivência entre elementos e grupos antagônicos e a restauração do equilíbrio afetado pelo conflito. O antagonismo é temporariamente regulado e desaparece como ação manifesta, embora possa permanecer latente.

            Na minha convivência com o Hans, por exemplo, um grande parceiro de viagem, vou notando algumas peculiaridades de tratamento e relação que devem ser a base, como em todos os relacionamentos: a tolerância, a cortesia, o trabalho em equipe e, principalmente, o respeito a individualidade de cada um.

            No meu caso, me apresento pela segunda vez como um convidado do Hans a fazer em sua companhia a “viagem dele”. Ele decidiu a rota e a planejou por meses. É ele também quem paga as contas. Sabe, por sua experiência, o que deve e o que não se deve fazer, os perigos, as expectativas e os focos. Tais focos são sempre muito pessoais e de difícil conciliação com outros indivíduos que não sejam parceiros já conhecidos, onde se sabe a maneira de agir e os pensamentos, gostos e estilos de vida são semelhantes.

            No meu convívio com o Hans existem algumas diferenças marcantes como: grande diferença de idade (ele é 40 anos mais vivido), de cultura (ele é sueco naturalizado americano e eu brasileiro, goiano e adotado pelo Tocantins) e de prioridades que a vida nos ensinou a respeitar.

            Então me vejo nesse aprendizado, exercitando diariamente minha capacidade de agir com humildade quando necessário, resignação, respeito aos mais velhos e aceitação do meu lugar como um “caroneiro” e ainda sabendo aceitar e agradecer à vida e à boa sorte por receber esse presente desse Homem tão gentil, cortês e cavalheiro, mas que também tem seus momentos de preocupação, concentração e até mesmo raiva, indignação, entre outros.

            Muitas vezes, tanto na viagem de 2002 quanto nessa, já senti vontade, ao me deparar com alguma mudança de humor de meu parceiro que me desagrada, a chegar a pensar em desistir de prosseguir a viagem ou me deixar ouvir alguns auto conselhos mal criados como: “Ah! Gringo vai se ferrar!... vai procurar sua turma!... eu não preciso passar por isso!... sou isso!... sou aquilo!...”, tudo isso, claro, motivado por orgulho, vaidade e outros sentimentos filhos de um egocentrismo desnecessário e destruidor.

            Nesse percurso, graças a “Santa Protetora dos Vagabundos de las Carreteras”, já consigo me superar nesses sentimentos egoístas e descobrir, logo em seguida, que aquele sentimento de ira ou talvez indiferença, embora aparentemente a mim dirigido, se trata do jeito e da personalidade de cada um frente a uma luta pessoal, com seus próprios anjos e demônios, e que nada tem a ver comigo. É o movimento de descarregar no parceiro mais próximo, como acontece em todo convívio.

            Pra quem consegue uma certa evolução espiritual suficiente e aprendida com a vida, seja no amor ou na dor, descobre que, logo em seguida, vem o cuidado constante um com o outro, a preocupação com a saúde e até mesmo com sentimentos emocionais.

            Foi o que aconteceu em Mossoró onde eu estava meio calado no café da manha e ele me pergunta com seu sotaque misturado “O que foi Diomar? Está você triste?”. É isso aí, amigo velho, “eu sou a sua turma”.

            Deve ser por isso que, quando alguém descobre esse mundo incrível de viajar pelo mundo sobre duas rodas e ao passar por essas experiências, vai se tornando “Cavaleiro Solitário” e dispensa companhias para se sentir verdadeiramente livre, de tudo e de todos, já que é tão complicado e difícil encontrar parceiros ideais.

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            • Dolor
              Fazedor de Chuva

              • Mar 2011
              • 3250

              #7
              Querido FC Diomar:
              Foi um dos textos mais lindos que li até hoje sobre convivência entre pessoas.
              Parabéns pela tua sensibilidade e delicadeza na abordagem de um tema tão delicado e ao mesmo tempo tão presente no relacionamento humano.
              O fizeste com a precisão, firmeza e delicadeza que somente as pessoas dotadas com grandes sentimentos conseguem transmitir, com um misto de resignação, compreensão e acima de tudo, de respeito ao ser humano que participa dos teus sonhos.
              Quando dizes: é isso aí, amigo velho, "eu sou a tua turma", mostra que o teu espírito navega num patamar mais elevado do que o da maioria de nós, pobres mortais.
              Nos orgulhas como motociclista e mais do que isto, como ser humano, quando transpiras tanta personalidade respirando tanta humildade.
              Obrigado por tanto carinho e generosidade para conosco!
              Abraços muito afetuosos!
              Dolor
              www.fazedoresdechuva.com
              Presidente
              Última edição por Dolor; 16-08-11, 00:31.

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              • Renan Xavier
                Fazedor de Chuva
                • Jul 2011
                • 404

                #8
                O Fazedor de Chuva Diomar Naves enviou um relato interessante sobre a viagem, que faz com o GCFC Hans Karlsson. Eles partiram de Palmas, Tocantins, Brasil, e seguem com destino à Nova Orleans, Estados Unidos. Vamos reproduzir um trecho abaixo.

                ---



                23o Dia, Domingo, 14 de agosto de 2011.

                2.300 km (água).

                Ainda a bordo do Rondônia onde nossa viagem tem previsão de cinco dias e aproximadamente 2.300km, vamos seguindo, pois “navegar é preciso”...

                A região Norte do Brasil é conhecida pela utilização frequente do transporte hidroviário. Devido à grande quantidade de rios e a concentração de inúmeras comunidades ribeirinhas, localizadas à beira de rios importantes, o barco sempre teve um papel fundamental para a sociedade. Em função da importância do transporte hidroviário, muitos turistas optam pelos barcos para conhecerem melhor a região e um dos trajetos mais conhecidos e procurados é o Belém – Manaus.

                Com quase seis mil quilômetros de distância, chegar a Manaus partindo de Belém é uma viagem e tanto. São cinco dias a bordo de um dos inúmeros barcos que fazem o trajeto e o viajante tem todo esse tempo para apreciar as lindas paisagens amazônicas, conhecer novas pessoas e viver a rotina de muitas pessoas que moram na região norte e utilizam o barco para se locomover. Durante a viagem, os barcos fazem pequenas paradas em comunidades ribeirinhas, geralmente para o embarque e desembarque de passageiros.

                Apesar da grande quantidade de barcos que realizam a viagem Belém – Manaus é importante se certificar da qualidade do serviço oferecido, já que muitos barcos trafegam em condições mais precárias. Outra informação importante é relativa às acomodações: os barcos não oferecem grandes luxos e a tarifa mais barata é para o setor de redes, onde o turista não tem um cômodo especial e dorme junto com muitas outras pessoas.

                Para aqueles que pretendem ter um pouco mais de conforto, a solução é optar pelos camarotes, que são pequenos quartos, com duas camas tipo beliche, em alguns barcos, banheiro privativo. Os preços para essas acomodações são mais altos, mas o viajante tem a opção de manter seus pertences em segurança, ao contrário do que acontece com aqueles que optam pelo setor de redes.

                Nas duas modalidades, não são oferecidas toalhas de banho, que ficam sob responsabilidade do viajante. Durante a viagem, o navio faz paradas em algumas comunidades, apenas para embarque e desembarque de passageiros: Almeirim, Prainha, Monte Alegre, Óbidos e Juriti. O navio possui um restaurante a bordo, onde é possível fazer as refeições durante os dias de viagem.

                De acordo com a programação de viagem, o barco inicia o trajeto nas baías do Guarujá e Marajó até chegar ao Rio Pará. Em seguida, passa pelo Rio Amazonas, onde passa por famosos encontros de águas: Tapajós e Amazonas e Negro e Solimões. Além do quesito sociocultural, a viagem Belém – Manaus é uma ótima oportunidade para conhecer de perto alguns dos rios mais importantes do Brasil.

                Aconselho alguns cuidados que se deve tomar ao fazer essa viagem, deve-se ter consciência que ira viajar de uma forma simples, com pessoas simples inseridas em suas rotinas normais e tradicionais e nossas presenças, como dos demais turistas além de ser exceção somos estranhos àquela gente. Portanto a melhor forma de aproveitar o trajeto é ir logo de cara se enturmando e fazendo amizades que são muito fáceis, pois os nortistas também são muito simpáticos e verdadeiros bem no estilo da gente simples e sincera que estou acostumado a conviver nos meus 10 anos de televisão com meu programa no interior do estado do Tocantins. Não vi casos de violência nem de roubos e apesar de ter um bar onde se vende bebida alcoólica e toca-se musica alta todas as noites, tudo vai se desenvolvendo com certa tranquilidade.

                Texto do Fazedor de Chuva Diomar Naves

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                Última edição por Renan Xavier; 16-08-11, 21:46.

                Comentário

                • Renan Xavier
                  Fazedor de Chuva
                  • Jul 2011
                  • 404

                  #9
                  Diomar fez mais um relato de sua incrível trajetória, acompanhe abaixo:

                  ---
                  24o DIA, Catamarã Rondônia, Parintins, AM.

                  Domingo, 14 de agosto de 2011

                  “Não estou fugindo de nada, apenas correndo ao encontro de mim mesmo e que a estrada e a vida cuidem bem de nos”...

                  Parintins, terra dos “Bois Garantido” e “Caprichoso”, do mais belo festival folclórico que já tive a oportunidade de presenciar e participar como jurado no ano de 2009 e onde descobri que amar seria possível. Salve! Salve! Todas Cunhãs Porangas (inclusive a minha), Sinhazinhas da Roça, Pajés e a Nação Azul hoje minha preferida, o único lugar do planeta onde a Coca Cola e o Banco Bradesco tem as logomarcas também na cor azul.

                  Estamos nesse momento ancorados em Parintins esperando o embarque e desembarque de passageiros e cargas, depois de quatro dias a bordo do Catamarã Rondônia cuja viagem esta sendo incrivelmente interessante, com aprendizados culturais, divertida e animada, com belas paisagens dos rios Pará, Tocantins, Tapajós, Amazonas, Negro e Solimões e ainda casinhas sobre palafitas por todas as margens de ribeirinhos solitários e sofridos mas que insistem em viver aqui sem energia elétrica, sem televisão, sem saneamento básico, sem Mac Donald, sem nada!... Mas tendo de tudo que precisam pra sua pouca exigência de felicidade.

                  Fiquei um pouco decepcionado por ser de noite e não ter visto nem filmado, logo na saída de Belém, o encontro do meu Rio Tocantins com as aguas do rio Pará formando juntos em sua foz nas aguas do Oceano Atlântico, a bela Baia de Marajó, mas a foz do Tapajós foi linda de se ver onde suas aguas limpas e verdes tentam se misturar com as de cor marrom e barrenta do Amazonas.

                  Sempre fui um legitimo “puxa-saco” do meu Rio Tocantins, pois minha vida e minha historia sempre tiveram fortes laços afetivos com suas aguas e seu domínio que sobre mim exerce um fascino aqui expressado em forma de “reverencia”, respeito e admiração. Esse Rio que desde que meu Pai foi eleito Prefeito no Município de Peixe, tive as glorias de conhecer e em suas margens e barrancas o acesso à magia dos primeiros acordes ao violão, das primeiras serenatas, primeiras namoradas, a liberdade e as aventuras da adolescência e onde descobri que um dia eu seria também
                  um “Cantadô”... “Um Passador de Poesias”...

                  “Inté mais Tocantinzão, jazim tô de vorta com novas historias pra contar pro meu povo”...

                  Quando embarcamos as motos ainda em Belém, ficamos conhecendo um Polonês que embarcava seu carro um Oldsmobile e ficamos sabendo que já havia feito sete voltas ao mundo, algumas de carro, outras de moto, de barco, avião, trem e outra a bordo de um Fusquinha (Volkswagen Caddy). Com 63 anos de idade nascido em Varsóvia, capital da Polônia, Andrzej é jornalista e engenheiro mecânico, nessa oitava aventura ele partiu do Alasca (EUA) em cinco de
                  março para realizar o contorno da América, indo da costa do Oceano Pacifico e voltando pela borda do Atlântico. Fluente em quatro línguas (Polonês, Inglês, Espanhol e Russo), o que o ajudou a conhecer diferentes lugares e culturas. Já visitou 144 países e passou 11 anos de sua vida viajando, os registros do desafio estão expostos no YouTube.


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                  Comentário

                  • Renan Xavier
                    Fazedor de Chuva
                    • Jul 2011
                    • 404

                    #10
                    Esse foi o depoimento de Hans Karlsson sobre o que presenciou até o momento.

                    Primeiro, segue a versão traduzida, depois, o depoimento como foi feito.

                    --- PORTUGUÊS

                    Depois de cinco dias contra as correntes barrentas do rio Amazonas, chegamos a Itacoatiara (tente pronunciar este nome de maneira rápida) a última parada, de nove, antes do destino final, Manaus, no estado do Amazonas. Desembarcamos em Itacoatiara com nossas motos e seguimos os 250 quilômetros restantes para Manaus, chegando lá na segunda, meio dia antes do navio, que era um catamarã, com com cerca de 400 passageiros, quase todos no convés em redes. O catamarã pode suportar até 2.000 passageiros, mas como esta é a baixa temporada, não estava lotado. Amanhã, quarta-feira, dia 17 de agosto, vamos para Boa Vista, capital do estado de Roraima, a cerca de 800 quilômetros ao norte, na esburacada BR-174. Em seguida, teremos Venezuela e Colômbia. Atenciosamente, Hans

                    ---INGLÊS

                    After five days on the N/C Rondonia heading up-stream against the muddy currents of the Amazon River we arrived at Itacoatiara (try to pronounce this tounge-twister) the last stop, of nine, before the final destination, Manaus in the state of Amazonas. We disembarked in Itacoatiara with our bikes and rode the remaining 250 KM to Manaus, arriving there yesterday, half a day before the ship, a catamaran, with with about 400 passengers, almost all on open decks in hammocks, their only "territory". The catamaran can handle up to 2000 passengers, we were told, but this is the slow season so it was not crowded. Tomorrow, Wednesday 17 Aug/11, we'll head for Boa Vista the capital of the state of Roraima some 800 KM (500 miles) to the north on the pot-holed BR174. Then Venezuela and Colombia. Regards, Hans

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                    Última edição por Renan Xavier; 16-08-11, 22:07.

                    Comentário

                    • Dolor
                      Fazedor de Chuva

                      • Mar 2011
                      • 3250

                      #11
                      GCFC Hans, muito bom saber que já estão em terra firme...quer dizer...naquilo que deveria ser uma bela estrada e que sei estar muito mal, esta que os levará ate Santa Helena de Uairén, lá na divisa com a Venezuela. Continuem vivendo este sonho que é para realizar o que qualquer um pode fazer, porém, poucos o fazem, como diz o slogan dos FC.
                      Nos mantenham atualizados e na garupa das motos de vocês, lembrando que aqui, este site, é a casa dos FC.
                      Disponham e boa viagem!
                      Diomar, que tal postar um vídeo com uma bela música aqui nos FC?
                      Dolor e Angela

                      Comentário

                      • Renan Xavier
                        Fazedor de Chuva
                        • Jul 2011
                        • 404

                        #12
                        Nossos amigos estão tendo dias tão longos neste percurso que vai de Palmas até Nova Orleans, que acabaram se atrasando ao postar comentários e novidades, inclusive no próprio blog. Este foi o último texto postado, dias atrás, mas quando ainda estavam seguindo a Sobral. De toda maneira, é uma experiência a ser vivenciada, principalmente devido aos contratempos.

                        ---

                        Ainda no Posto de Canindé notei que a moto do Hans estava com o pneu traseiro na lona, o que causou grande espanto nele. Seu cálculo foi baseado no pneu dianteiro trocado no Peru e com plenas condições de chegar até Belém para nova trocara troca. O pneu traseiro tinha sido trocado na Argentina, portanto com menos quilômetros rodados, o qual, teoricamente, estaria ainda em condições de rodar.

                        Encontramos então nosso primeiro percalço e imprevisto a ser superado. Estávamos a 170 km de Sobral, cidade que tínhamos intenção de pernoitar. Porém eram 16h20min e teríamos que rodar a uma velocidade muito baixa de 50 km/h esse trecho. Sabíamos que pegaríamos noite adentro no fim desse trecho e a grande preocupação que se estourasse ou furasse esse pneu era constante.

                        Teríamos grandes dificuldades para arrumar um caminhão em algum povoado desse sertão e depois outra grande dificuldade – a de colocar a gigante da Gold Wing em cima com seus mais de 400kg. Depois disso, ainda teríamos que nos deslocar até Sobral ou Teresina, a mais de 500km, e começarmos outra luta – descobrir onde achar o pneu raro dessa moto nada popular e, ainda, alguém que conseguisse trocá-lo.

                        Motociclistas experientes como o Mário e o Tácio que, certamente, sabem desmontar e montar até mesmo uma moto inteira, também teriam dificuldades com a falta do equipamento necessário.

                        A lição foi aprendida e a experiência adquirida. Agora sabemos que precisamos sempre checar os pneus a partir de 10.000 km.

                        Passamos por maus momentos, oscilando entre cansaço, estresse e sono que a velocidade lenta nos causava. Aproveitei então a baixa velocidade para fazer algumas filmagens das motos nas estradas, da paisagem bonita, de grandes serras, das vilas e cidades que se apresentavam na região do sertão de Canindé para utilizar também em meu documentário.

                        Mas a tensão que passamos ao cair da noite na estrada (definitivamente noite e chuva não foram feitas pra viajar de moto), onde os faróis nunca são tão eficientes, principalmente os da minha Boulevard. Além do mais, o ofuscamento causado pelos faróis que vem em sentido contrário, buracos e animais na pista, desencadeava cansaço físico e mental enorme.

                        Nada tinha sido tão difícil, se comparado ao que passamos ao sairmos das estradas vicinais e entrarmos de volta à BR-222, num trecho de uns 30 km ate chegar a Sobral. A cada quilômetro parecia que Sobral estava mais distante ainda, além da pressão que faziam os caminhões muito grandes, que colavam na traseira das motos por não poderem ultrapassar, devido ao fato da estrada não ter acostamento direito. Ficavam ali piscando faróis altos e nervosos com nossa presença tão lenta e incômoda na rodovia, mesmo com os pisca-alerta ligados, sinalizando dificuldades e problemas.

                        Foi uma experiência muito ruim.

                        Comentário

                        • Renan Xavier
                          Fazedor de Chuva
                          • Jul 2011
                          • 404

                          #13
                          Nossos amigos Hans e Diomar seguem seu percurso rumo a Nova Orleans. Entretanto, estão sem tempo para postarem seus comentários e experiências no site e no blog, por isso estamos fazendo esta manutenção. De todo modo, publicaram recentemente um relato na tentativa de contarem esta incrível viagem virtualmente também. Mas, o relato é antigo, de quando estavam a caminho de Sobral. Como se trata de uma passagem cheia de aventuras e ensinamentos, publicamos neste espaço.

                          ---

                          Ainda no Posto de Canindé notei que a moto do Hans estava com o pneu traseiro na lona, o que causou grande espanto nele. Seu cálculo foi baseado no pneu dianteiro trocado no Peru e com plenas condições de chegar até Belém para nova trocara troca. O pneu traseiro tinha sido trocado na Argentina, portanto com menos quilômetros rodados, o qual, teoricamente, estaria ainda em condições de rodar.

                          Encontramos então nosso primeiro percalço e imprevisto a ser superado. Estávamos a 170 km de Sobral, cidade que tínhamos intenção de pernoitar. Porém eram 16h20min e teríamos que rodar a uma velocidade muito baixa de 50 km/h esse trecho. Sabíamos que pegaríamos noite adentro no fim desse trecho e a grande preocupação que se estourasse ou furasse esse pneu era constante.

                          Teríamos grandes dificuldades para arrumar um caminhão em algum povoado desse sertão e depois outra grande dificuldade – a de colocar a gigante da Gold Wing em cima com seus mais de 400kg. Depois disso, ainda teríamos que nos deslocar até Sobral ou Teresina, a mais de 500km, e começarmos outra luta – descobrir onde achar o pneu raro dessa moto nada popular e, ainda, alguém que conseguisse trocá-lo.

                          Motociclistas experientes como o Mário e o Tácio que, certamente, sabem desmontar e montar até mesmo uma moto inteira, também teriam dificuldades com a falta do equipamento necessário.

                          A lição foi aprendida e a experiência adquirida. Agora sabemos que precisamos sempre checar os pneus a partir de 10.000 km.

                          Passamos por maus momentos, oscilando entre cansaço, estresse e sono que a velocidade lenta nos causava. Aproveitei então a baixa velocidade para fazer algumas filmagens das motos nas estradas, da paisagem bonita, de grandes serras, das vilas e cidades que se apresentavam na região do sertão de Canindé para utilizar também em meu documentário.

                          Mas a tensão que passamos ao cair da noite na estrada (definitivamente noite e chuva não foram feitas pra viajar de moto), onde os faróis nunca são tão eficientes, principalmente os da minha Boulevard. Além do mais, o ofuscamento causado pelos faróis que vem em sentido contrário, buracos e animais na pista, desencadeava cansaço físico e mental enorme.

                          Nada tinha sido tão difícil, se comparado ao que passamos ao sairmos das estradas vicinais e entrarmos de volta à BR-222, num trecho de uns 30 km ate chegar a Sobral. A cada quilômetro parecia que Sobral estava mais distante ainda, além da pressão que faziam os caminhões muito grandes, que colavam na traseira das motos por não poderem ultrapassar, devido ao fato da estrada não ter acostamento direito. Ficavam ali piscando faróis altos e nervosos com nossa presença tão lenta e incômoda na rodovia, mesmo com os pisca-alerta ligados, sinalizando dificuldades e problemas.

                          Foi uma experiência muito ruim.

                          Última edição por Renan Xavier; 16-09-11, 10:09.

                          Comentário

                          • Renan Xavier
                            Fazedor de Chuva
                            • Jul 2011
                            • 404

                            #14
                            Segue um trecho da viagem de nossos amigos Hans e Diomar. O texto que foi enviado por Diomar é um pouco mais extenso, mas dá para ter um gostinho do relato e da experiência incrível que eles estão tendo por este trecho.

                            ---

                            CARTAGENA – COLOMBIA

                            Preparem-se, estou inspirado e em estado de graça desde as 09h00min da manha quando o mar do caribe me apresentou um paraíso na terra, “Cartagena”, essa cidade na costa norte da Colômbia na região da Costa do Caribe. Com uma população de mais de um milhão de habitantes, tem registros de atividade e desenvolvimento na região datados de 4000 aC, parece ser a primeira comunidade humana documentada no que é hoje a Colômbia e ao seu redor observa-se ainda nas estradas (“Carreteras”, “Vias” pra treinar o espanhol que tenho rasgado legal), varias culturas dos
                            povos indígenas ainda presentes com sua característica e dignidade. Fundada em 1533 teve papel fundamental no desenvolvimento da região durante as eras de conquistas espanholas, era um centro de atividade política e econômica, devido à presença da realeza e vice-reis ricos. Hoje é considerada um Património Mundial.

                            No Delta do rio Sinú, desde sua fundação foi um local atraente para saques de piratas e corsários por isso a cidade reforçou suas defesas com fortes e muralhas (tem a maior muralha da América latina), que se encontram ate hoje majestosas e imponentes e um ponto interessante de visitação onde logo na chegada fomo-nos encantando, tiramos fotos e filmamos à beira mar e pegamos um dia especial onde os habitantes vão para perto do mar soltar pipas e passar o dia, vimos colegiais em turmas por todo lado lanchando, conversando, brincando e milhares de pipas
                            coloridas bailando no ar em um espetáculo incrível que mando a vocês em fotos. Vi papais ensinando seus filhotes a arte de soltar pipa e uma alegria geral linda e que transcendia da terra para um céu pintado de seres alados e rebolantes. Não resistimos, descemos das motos e nos misturamos àquela alegria toda registrando tudo e ate entrevistando alguns “papás” dedicados e presentes.

                            Meu parceiro Hans ia à frente, posição que ele assumiu desde que saímos do Brasil onde fui seu guia e agora deixava essa função ao viajante do mundo mais antigo e atuante que existe hoje no planeta Terra, cada metro da orla em que passávamos aparecia um cenário mais lindo dessa beleza de cidade litorânea com praias imensas e prédios luxuosos em meio a casarões históricos da época da colonização espanhola. Como já passavam das 11 horas fomos procurar um restaurante e quando percebi Hans estava na porta do chiquérrimo hotel Hilton perguntando a um recepcionista se tinha restaurante aberto, mas pra nossa alegria e do nosso bolso comemos em um aconchegante restaurante e hotel de nome “San Pietro” aqui em Boca Grande, uma das áreas mais procuradas por turistas (diárias pra duas pessoas de $86 dólares, que além de recomendar já estou fazendo planos de voltar em fevereiro), onde estamos agora hospedados e de uma rede na cobertura eu tomo um bom vinho chileno e escrevo pra vocês nossos amigos.

                            O clima de Cartagena das Índias é tropical, húmido, chegando a certas épocas do ano a 90% de humidade onde um “goiano-tocantinense” estava suando mais que “tampa de chaleira” e após comermos um delicioso “Pescado Caribenho” com peixe do mar e molho de camarões e legumes acompanhados de “papas fritas” (pensem num nome em espanhol para “batatas fritas”, que acho bonitinho demais), dai nos registramos e já começamos a fazer contatos para localizar transportes para as motos ate o Panamá de onde seguiremos rodando ate nosso destino que são os Estados
                            Unidos da América.

                            Por falar em América sempre considerei injusto esse nome, pois Colombo fez tudo e o Américo Vespúcio é quem é homenageado e gosto de fazer uma brincadeira perguntando quem sabe o nome das três Caravelas que Pedro Alvarez Cabral veio descobrir o Brasil?... Alguém respondeu; Santa Maria, Pinta e Nina?... Se respondeu errou, pois essas eram as de Colombo, mas não se trata de um desconhecimento indesculpável de sua parte. Com exceção dos nomes de duas
                            naus e de uma caravela, ninguém sabe como se chamavam os navios comandados por Cabral.

                            Voltando a “nossa historia”, quero lembrar aos nossos “Garupeiros” que nossa intenção é tentar embarcar por aqui de Cartagena, mas se não acharmos transporte acessível desceremos ate Bogotá a capital da Colômbia e embarcaremos de avião como fizemos na viagem de 2002 e que Hans fez na descida dele quando veio dessa vez de novo.

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                            • Renan Xavier
                              Fazedor de Chuva
                              • Jul 2011
                              • 404

                              #15


                              Enquanto Diomar não nos manda o relato com fotos dos últimos dias, seguimos abastecendo este espaço com os últimos posts dele, de seu blog. Estão na Venezuela.

                              ---

                              Olá, meu Povo!!!
                              Aqui na beira da piscina do Gran Hotel em Caracas, após ganhar um dia de folga do meu chefe Hans, vou relatando as últimas.
                              Obrigado pelos e-mails de todos!
                              Obrigado Juju Bombeira, Fernanda, Luciane, cumadi Risa, Osmar Becher, velho Liw, Tio Degue, Alex Reis, Alex Evangelista (o qual não conheço pessoalmente por ser da turma do Hans, mas me parece ser tão bacana e atencioso. Acabei de ver a foto me mostrada por Hans.)
                              Muito obrigado, Dollor, que deixou uma palavras em nosso blog que muito me emocionou e me fez sentir mais gente do que realmente sou... mas estou buscando ser...
                              Obrigado à minha Neguinha e, lembrando que, “Amanha é 23”...
                              Enfim, obrigado a todos e principalmente à Taizinha que tenho lotado seu e-mail com todas as palavras desses meus amigos e ela tem colocado tudo em nosso blog, criando assim uma corrente de parceiros e amigos na garupa desse cavalo de ferro...
                              Abraços e até daqui a pouco com o 9o. relato que já estou escrevendo.
                              Di.

                              PS :. Tenho sentido falta de palavras e a presença de MEUS AMIGOS DO MEU MOTO CLUBE CAVALEIROS DO VENTO! Não deixemos a máxima “Santo de casa não faz milagres” fazer se valer.

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