30trips: 30 anos, 30 países em 300 dias

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    Fazedor de Chuva

    • Mar 2011
    • 3250

    #31
    Estou guardando com muito carinho e atenção todos os relatos, mais do que isto, montando um ótimo guia deste sonho da Heda e do Duda, dupla de aventureiros plugados na vida.

    Quando estiver rodando pela Ásia me será de grande utilidade!

    Parabéns a estes incríveis FC!

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    • karine
      Fazedor de Chuva
      • Jul 2012
      • 1595

      #32
      Luang Prabang: O charme da Indochina

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ID:	163151
      Fonte: 30trips.com

      Chegamos a Luang Prabang, nosso último destino no Laos. A antiga capital imperial é a cidade mais visitada do país. Muitos turistas vão ao Laos só para conhecê-la e nem passam por outros lugares. Este é o caso, por exemplo, de duas brasileiras com as quais cruzamos na belíssima cachoeira Kuang Si Falls. Aliás, não foram as únicas que encontramos, embora ouvir português por aqui não seja a coisa mais comum. São duas brasilienses que optaram por curtir os dias de férias nesse pedaço do planeta e que do Laos partiriam ainda para Vietnã, Camboja e Tailândia. Exatamente o pedaço da trip que estamos fazendo neste momento só que, por conta do tempo hábil, elas não poderão conhecer tanto quanto nós.

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ID:	163152
      Fonte: 30trips.com

      Luang Prabang também demonstra traços da influência francesa, possui excelentes restaurantes, ruas agradáveis e um clima estiloso completa o cenário. Os mercados diurno e noturno são uma atração à parte, com toda a sorte de artesanato local que deixaram a Heda maluca.

      A cidade também é considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Nós chegamos exatamente na semana em que os laosianos comemoravam os 17 anos da conquista deste título. Este é outro fato curioso que reparamos aqui na Ásia. Os locais considerados patrimônio comemoram muito esse status, coisa que não vimos no Rio de Janeiro, por exemplo.

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ID:	163153
      Fonte: 30trips.com

      Logo em nosso primeiro dia partimos para conhecer a famosa cachoeira e, realmente, foi uma das mais lindas que já vimos na vida. Trata-se de um complexo de quedas d’agua localizado a cerca de meia hora do centro da cidade. Pode-se chegar lá em um dos inúmeros passeios de van que são oferecidos, ou tuk tuk, mesmo. Muito da sua beleza vem pelo tom claro de suas águas, tipo “mar do Caribe”. Ficamos hipnotizados e não resistimos a um belo mergulho, embora a água estivesse muito gelada (é inverno no Laos). Duda, inclusive, deu diversos saltos de uma corda amarrada na árvore que fazia a diversão dos turistas. Gostamos tanto que no último dia voltamos ao local para mais uma tarde de deleite e lazer.

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ID:	163154
      Fonte: 30trips.com

      Mas as maravilhas do Laos não acabaram por aí. O lugar também é conhecido como o país de um milhão de elefantes, então fizemos um passeio onde eles eram a principal atração. A Heda é simplesmente louca por esse bicho, então imaginem a ansiedade. Na ocasião, andamos em uma cadeira acoplada ao animal, os alimentamos e (o ponto alto) tomamos banho de cachoeira sentados no lombo deles. Incrível! São dóceis, inteligentíssimos, seu odor natural não é lá muito agradável, mas certamente foi uma das melhores coisas que fizemos na vida. Se for ao Laos, não deixe de experimentar! A experiência foi ótima e inesquecível, um dos melhores momentos da 30trips até então. Há várias companhias em Luang Prabang que oferecem o mesmo pacote com preço diferenciado, então vale a pesquisa.

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ID:	163155
      Fonte: 30trips.com

      A vida lá estava boa: passear pela cidade, pelas feiras, jantares a luz de velas na beira do rio, boa comida e tudo isso gastando muito pouco. Todas essas qualidades fizeram com que ficássemos cinco dias na cidade (no início estávamos prevendo 2 ou no máximo 3 dias). Foi a primeira vez nesta 30trips que tiramos um dia off. Estávamos precisando de um dia “sem compromissos”. Afinal, conhecer o mundo requer muita dedicação e afinco. Agora, com as baterias recarregadas, estamos dispostos a enfrentar as, previstas, 24h de viagem que nos levarão ao famoso Vietnã. Então, até lá!!

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ID:	163156
      Fonte: 30trips.com

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      • karine
        Fazedor de Chuva
        • Jul 2012
        • 1595

        #33
        Bom dia Vietnã!!!

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ID:	163251
        Fonte: 30trips.com

        Após 27 horas e meia de viagem num ônibus não muito confortável chegamos a Hanói, capital do Vietnã. A cidade é vibrante e muito movimentada, nos hospedamos no “old quartier”, uma espécie de centro velho muito frequentado por turistas. O barulho de buzina e a quantidade de motos superam Bangkok e Kuta, a poluição sonora por lá é uma constante, eles buzinam mesmo com o sinal fechado, só por diversão. Nas calçadas motos estacionadas e nas ruas gente andando. Ainda assim Hanói me pareceu muito interessante.

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ID:	163252
        Fonte: 30trips.com

        Chegamos no primeiro dia da comemoração de 40 anos da operação Linebacker II, que foi a última ofensiva americana antes do acordo de paz que pôs fim a guerra do Vietnã. Eles comemoram a data pois derrubaram 30 aviões, em sua maioria B-52 nessa histórica semana.

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        Fonte: 30trips.com

        Visitamos uma antiga prisão que se transformou em museu. Foi construída na época da dominação francesa e pudemos ver como os presos políticos vietnamitas eram torturados, ficando algemados à cama, rolava até uma guilhotina para os mais rebeldes. Aqui também vimos uma grande homenagem à participação e ao apoio feminino no movimento político. Há uma seção exclusiva para elas, com fotografias e textos enaltecendo sua lealdade e coragem. O mesmo prédio foi utilizado para prender pilotos americanos durante a guerra do Vietnã. Esses por sua vez, foram bem tratados, na maior mordomia, podiam até praticar esportes e se comunicar com os familiares através de cartas.

        Ainda pelas ruas de Hanói, vimos várias lojas de arte, algumas com antigos cartazes de propaganda comunista. A bandeira do país e a do comunismo é vista por todo canto da cidade. Ainda visitamos a Universidade local e comemos nas barraquinhas de rua como não podia deixar de ser, procurei por lá a famosa carne de cachorro vietnamita, mas infelizmente ainda não encontrei. Quem sabe nas próximas cidades?

        Halong Bay

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ID:	163254
        Fonte: 30trips.com

        O principal ponto turístico do Vietnã, que fica a 180 km de Hanói. é Halong Bay que foi eleita uma das sete maravilhas naturais da humanidade, (o Brasil é o único país com dois representantes, sendo eles a floresta amazônica e as cataratas do Iguaçu). Em Hanói é oferecido diversos pacotes para percorrer a baia, optamos por um passeio de dois dias e uma noite. A paisagem é incrível! Por lá caiacamos por entre as ilhas, visitamos uma caverna gigante e secamos nada menos que seis garrafas de vodka russa, juntamente com uns amigos israelenses e holandeses que conhecemos por lá.

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ID:	163255
        Fonte: 30trips.com

        Uncle Ho

        Ho Chi Minh é o cara por aqui. Um mito e certamente a figura mais importante do país. Em todo lugar se vê o retrato dele, seja em outdoors, cartazes, escolas, camisetas, revistas e onde mais quiser imaginar. Ele foi um líder revolucionário e presidente do Vietnã do Norte. Comunista, lutava pela unificação do país, que acabou acontecendo em 1975, seis anos após sua morte. Ele governava de Hanói, portanto lá estão sua casa, muito simples para um estadista, que virou um museu e seu maosoléu, onde seu corpo está embalsamado. Mesmo tendo vivido e feito história em Hanói, após a unificação do país deram seu nome à cidade de Saigon, antiga capital do Vietnã do Sul, que foi dominado pelos seguidores de Ho Chi Minh.

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ID:	163256

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        • karine
          Fazedor de Chuva
          • Jul 2012
          • 1595

          #34
          Hoi Na: A cidade das lanternas

          Saímos de Hanoi rumo ao litoral do Vietnã. Eu nunca havia pensado em como seria a costa desse país. Claro, imaginava que não houvesse mais bombas, mas a imagem da famosa Guerra do Vietnã também não me deixava crer que seria um paraíso.

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ID:	163446
          Fonte: 30trips.com

          Compramos um ticket de ônibus aberto (sem data marcada) que nos permite fazer umas três paradas até o destino final, que seria Ho Chi Min, a antiga Saigon, no sul do país. Com ele, viajamos a noite toda em um ônibus com cerca de 15 confortáveis beliches, embora a condição precária das estradas muitas vezes nos fizesse ter a impressão contrária.

          De toda forma, penso que esses ônibus também deveriam ser adotados no Brasil, um país tão grande, onde muita gente ainda depende do transporte rodoviário para visitar a família, por vezes em viagens que duram dias. A única coisa que realmente ficou a desejar foi a educação dos motoristas desses ônibus, que nos acordavam sempre com música típica altíssima e algumas pancadas (isso mesmo, pancadas) na perna.

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ID:	163440
          Fonte: 30trips.com

          Nossa primeira parada foi na cidade de Huê, que até 1945 foi capital do Vietnã do Norte, e faz parte do trajeto turístico. Tomamos apenas o café da manhã e demos uma breve volta no local, foi só o tempo de embarcar no outro ônibus rumo à romântica cidade de Hoi An, também no litoral e famosa por suas típicas lanternas vietnamitas. Lá passamos o nosso adorável Natal. O primeiro do nosso núcleo familiar. Foi o máximo!!

          Chegamos pouco depois do meio dia e aproveitamos para reconhecer o local. Um charme!! À noite, arrumados para a nossa ceia, fomos passear pela cidade e qual não foi a nossa surpresa ao ver, aparentemente, a população em peso nas ruas, vestindo roupas natalinas, máscaras de Papai Noel, fazendo mini apresentações de coral nas esquinas e culminando com uma missa com coral completo a céu aberto?! No Vietnã, comunista, nós não podíamos imaginar!

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ID:	163441
          Fonte: 30trips.com

          Acontece que o país tem uma boa tolerância religiosa e, mesmo sem querer, fomos parar numa cidade de maioria cristã. Fizemos vídeos, tiramos boas fotos e fomos procurar um bom restaurante para passarmos nossa primeira ceia juntos (só nós dois). Optamos por um restaurante cuja a dona é descendente de uma família de gourmets local e que, além de tudo, cria novas e deliciosas receitas. Foi perfeito!

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ID:	163442
          Fonte: 30trips.com

          A culinária nessa região do mundo é realmente um achado. Se em Bali o que chama a atenção são os legumes e frutas frescos, aqui na Indochina eles adicionaram a isso a melhor mistura e composição de temperos do planeta! Até pesquisei fazer um curso de culinária nesse restaurante, mas seus segredos custam o olho da cara. Melhor esperar pela volta à Tailândia.

          Percorrer Hoi An à noite é um deleite para os olhos. A cidade, como disse, é famosa por suas lanternas feitas de seda e que enfeitam todos os estabelecimentos e árvores das redondezas, deixando um clima de magia no ar. Maravilhoso. Claro que eu quis levar algumas. Apenas U$ 2,00!! Mas como fazer isso tendo apenas uma mochila? Despachar pertences só quando chegarmos à Malásia, depois de passar pelo resto do Vietnã, Camboja e Tailândia de novo. No way! E, mais uma vez, as coisas lindas que encontramos no caminho terão que ser levadas apenas na memória e nas fotografias.

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ID:	163443
          Fonte: 30trips.com

          A manhã do dia 25 foi dedicada às nossas famílias. Como no Brasil ainda era noite do dia 24, foi fácil falar com todos tanto em Floripa, quanto no Rio. E, neste mundo de contradições, foi a primeira vez que conseguimos participar das duas ceias. Adoramos!! Valeu, Skype!

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ID:	163444
          Fonte: 30trips.com

          Neste mesmo dia experimentamos outro restaurante, que é indicado pelo TripAdvisor, nosso guia mor, como já comentamos em outros posts. Simplesmente excelente. Para quem aprecia uma boa refeição, como eu, Hoi An é simplesmente o paraíso. À tarde demos uma volta pelo mercado local e fizemos um passeio de barco pelo rio Thu Ban, que banha a cidade. Quem nos levou foi uma simpática senhora que não falava inglês e já estava bem castigada pelo tempo. Volta e meia eu penso nisso: observando esse povo, quantas coisas já vivenciaram, não é mesmo?

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ID:	163445
          Fonte: 30trips.com

          Na volta ao hotel descobrimos uma lojinha que vendia vinhos. Optamos por um bom e velho Concha Y Toro, para matar a saudade da sulamérica. No Vietnã? Outra surpresa. Assim curtimos a última noite na cidade em total clima de romance, como o próprio local sugere. Na manhã seguinte partimos para Nha Trang, mas isso é outra história…

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          • karine
            Fazedor de Chuva
            • Jul 2012
            • 1595

            #35
            Nha Trang: Um balneário vietnamita

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ID:	163578
            Fonte: 30trips.com

            Se o romantismo da cidade litorânea de Hoi An nos encantou, as similaridades com as cidades de praia do Brasil é que nos impressionaram em Nha Trang. Por aqui não vemos construções em nenhum estilo já encontrado na Ásia – templos budistas, hindus, madeira trabalhada, telhados chineses, nada. Nha Trang tem, sim, uma bela e larga orla, projetada com jardins e grande calçada para a prática de exercícios, e seus prédios são tão quadrados e/ou com sacadas quanto os nossos.

            Nas primeiras horas da manhã são os locais que dominam a praia. Sempre cobertos da cabeça aos pés (na Ásia a moda é ser branquelo), eles a utilizam para a prática de esportes como corrida, natação e tai chi chuan. Da metade da manhã para frente é a vez dos gringos tomarem conta da paisagem.

            A cidade, que pertencia ao Vietnã do Sul e que outrora foi um ponto estratégico dos EUA durante a guerra, atualmente é um polo turístico e atrai pessoas do mundo inteiro, principalmente da Rússia. Um fato curioso é que nesta viagem conseguimos perceber bem onde as pessoas de cada país costumam passar suas férias. Neste caso, os russos praticamente dominam a costa vietnamita.

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ID:	163581
            Fonte: 30trips.com

            Além da praia, um dos principais atrativos de Nha Trang é o teleférico que leva à Ilha Hon Ter (ou do Bamboo), administrada por um imenso resort. As cabines são tipo as do Bondinho do Pão de Açúcar, no Rio, mas esse aqui é considerado o mais extenso do mundo e percorre 3km de uma ponta à outra. Fomos andando (coisa que os dois adoram fazer, ainda bem) pela orla em um passeio que durou cerca de 2h. No caminho tiramos fotos da praia, dos monumentos e entramos num bairro nada turístico, o que foi bom para conferir a simpatia dos moradores, principalmente das lindas crianças.

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ID:	163582
            Fonte: 30trips.com

            Chegando lá, adivinhem? Não entramos no tal bondinho devido o preço abusivo cobrado: R$ 100 por pessoa, para quem não é hóspede. Ainda que a vista fosse bonita, sou mais a da versão carioca (que também não tem a tarifa tão diferente para quem não mora na Cidade Maravilhosa – não é o nosso caso). Para quem tiver um orçamento de férias, vale a visita. Nós, como ainda temos muito o que ver (e pagar), passamos essa.

            Duas curiosidades: a primeira é que as pessoas aqui (e no Sudeste Asiático, de um modo geral) são bem curiosas e isso pode chocar um pouco os brasileiros. É comum nos oferecerem um serviço, por exemplo, e, se não quisermos, eles nos perguntarem o que vamos fazer naquele momento e depois, para onde vamos e tal. E não há perigo em dar essas informações por aqui. Brasileiro é que é desconfiado, por motivos que bem conhecemos, entre eles a violência. Triste. Também não precisa se incomodar caso você resolva olhar as fotos tiradas durante o dia em sua câmera e, não mais que de repente, ouvir uma risada ou um comentário sobre uma delas vindo do garçom que, só então você percebe, está parado atrás de você. Isso para eles também é super normal.

            A segunda curiosidade é que a cidade vem sediando diversos concursos de beleza, entre eles o Miss Universo 2008, que também foi palco do primeiro show de sucesso da, até então desconhecida, Lady Gaga. Isso é somente uma curiosidade, mesmo.

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ID:	163580
            Fonte: 30trips.com

            A qualidade gastronômica de Nha Trang também é muito boa. Comi dois pratos que eram servidos no coco e no abacaxi, simplesmente divinos. A noitada por lá também é famosa e o movimento nos pubs é frenético. Tomamos algumas cervejinhas geladas. Bem legal.

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ID:	163577
            Fonte: 30trips.com

            Tanta animação me fez ponderar com o Duda se não seria melhor passar a virada do ano por ali. Sabe como é, somos criados na praia e eu tenho a minha crendice de pular as sete ondas. Entretanto, isso significaria menos dias nas famosíssimas praias do sul da Tailândia, então, melhor rumar para Saigon (ou Ho Chi Min, como queiram). Certamente Rèveillon na praia faz muito mais o nosso perfil, mas vivenciá-lo na cidade mais importante do sul do Vietnã será algo marcante em nossas vidas. Até lá!!

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ID:	163579
            Fonte: 30trips.com

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            • karine
              Fazedor de Chuva
              • Jul 2012
              • 1595

              #36
              Um pedaço de Saigon

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ID:	163942
              Fonte: 30trips

              Passar o Réveillon sem praia não é a coisa que eu mais gosto, só não poderia imaginar que meu ano terminaria e começaria na famosa Saigon. Se o destino era inusitado, a trilha sonora também não poderia ser mais diferente. Duda não se conteve e cantarolou por todo (todo!) o período em que estivemos por lá: “Nosso apartamento, um pedaço de Saigon”.

              Preferi Saigon, antiga capital do Vietnã do Sul, à HaNoi, antiga capital do norte e atual capital do país. Após a vitória do norte comunista, Saigon passou a chamar-se Ho Chi Minh – o mais importante líder na época da guerra e que morreu antes de ela terminar –, muito embora os sulistas ainda se refiram à cidade, carinhosamente, com o antigo nome.

              Mesmo sendo cortada por ruas claras, largas e arborizadas, Saigon ainda respira o conflito histórico. Turistas afoitos por saber um pouco mais como foram os dias daquela década de terror despertaram um mercado que sobrevive de partilhar os seus horrores.

              Claro, como o país ainda é comunista, a versão contada é a deles – o que para nós, ocidentais que só aprenderam a versão norte americana, é muito bom. Agora, quem visita a cidade nunca pode se esquecer de trazer o seu olhar crítico. Afinal, quando dois lados são postos de forma unilateral e sem confronto, é claro que haverá uma imensa proliferação de discursos e leituras parciais de um mesmo fato.

              Nosso ônibus, vindo de Nha Trang, chegou às 7h da matina. Como o quarto da guesthouse não estava pronto, perguntamos para a recepcionista qual era um bom lugar para tomarmos café. “Vocês preferem arroz ou macarrão”, disse ela. Preciso comentar? Deixamos as malas, saímos andando a esmo e nos deparamos com o Brazilian BBQ, onde encontramos um café decente, mas aquém do da nossa terrinha. Explicado: o dono não é brasileiro.

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Name:	Pelas ruas de Saigon (13).jpg
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ID:	163910
              Fonte: 30trips

              Aproveitamos que o dia começou cedo para rodar pela cidade. Em pleno calor, fazer isso cedinho teve sua vantagem. Pegamos um tipo de táxi que, na verdade, é um cara pilotando uma bicicleta com uma “cadeira” no lugar da cestinha. Eu me sinto mal com esse tipo de coisa porque, apesar de saber que é o trabalho dele, para mim é como se estivesse explorando o motorista. Essa não é a primeira vez que vimos esse transporte, nem que o Duda tentava me convencer a andar nele. Então, fui.

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Name:	Pelas ruas de Saigon (18).jpg
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ID:	163912
              Fonte: 30trips

              Pedimos que nos deixassem no Museu da Guerra, mas acabaram nos levando ao Museu Nacional. Uma pequena confusão, mas rendeu uma visita bacana, embora grande parte do acervo esteja relacionado ao conflito e não ao restante da história do país.

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ID:	163911
              Fonte: 30trips

              De lá partimos em busca dos locais mais famosos. Primeiro visitamos o Palácio da Independência, que é o antigo Palácio Presidencial do regime Sul Vietnamita. Foi lá que, em 30 de abril de 1975, o exército comunista invadiu – a essa altura já com o consentimento dos EUA -, conquistou, unificou e deu formas ao país que vemos hoje. A construção em si não tem nada de mais, mas certamente o local é muito representativo.

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ID:	163914
              Fonte: 30trips

              De lá partimos para o afamado Museu da Guerra. Que experiência! Como eu disse, é preciso analisar as coisas com cuidado porque tudo ali é parcial. Por exemplo, há uma sessão exclusiva sobre as crianças que trabalhavam em prol da causa comunista nos campos e em todas as fotos elas apareciam sorrindo, pois estavam felizes em ajudar. Pera lá, né? Cavando túneis infindáveis com apenas uma colher… sorrindo? Carregando corpos feridos e inundados de sangue… sorrindo? Estudando (se é que era possível) em escolas improvisadas nos acampamentos, sem qualquer recurso… sorrindo? Não era uma colônia de férias, né?

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Name:	Museu da guerra (11).jpg
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ID:	163919
              Fonte: 30trips

              Mas tudo ali é impactante. A história de diversos soldados de ambos os lados contadas uma a uma, com fotografias. O horror causado pelos Estados Unidos a um país muito menos desenvolvido, mas com a garra de um monstro, exposto sem censura é de arrepiar. A atuação da imprensa e os jornalistas mortos. Os relatos e as imagens de adultos e, principalmente, crianças com necessidades especiais e mutilações grotescas nascidas após o conflito, tanto no Vietnã, quanto nos EUA, devido ao uso de armas químicas, como o Agente Laranja, me levou às lágrimas. Algumas delas fazem artesanato e os vendem nas dependências do museu. Forte, impressionante, absurdo, emocionante. Certamente esse museu é uma visita necessária!!

              No dia seguinte, o último do ano, fizemos um tour pelas cercanias da cidade. O passeio começou com a visita a uma fábrica de objetos (vasos, quadros etc) feitos com madre pérola. Um trabalho muito bonito.

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Name:	Igreja do Caodaísmo (1).jpg
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ID:	163937
              Fonte: 30trips

              Depois seguimos para um belíssimo templo da religião chamada Caodaísmo. Tá aí uma religião que eu simpatizei! Surgida no próprio país, em 1926, seu nome completo significa “A Terceira Grande Anistia Religiosa Universal”. A crença, que possui aproximadamente oito milhões de seguidores só no Vietnã, é monoteísta, com Deus sendo representado por um olho dentro de um triângulo. Esse símbolo está presente em todos os seus templos, que por sinal são lindíssimos.

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Name:	Igreja do Caodaísmo (2).jpg
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ID:	163938
              Fonte: 30trips

              Os seguidores do Caodaísmo acreditam que Deus teve que dividir-se durante o processo de criação das coisas e, por isso, todos os seres possuem uma parte Dele si. Para eles, o mundo é dividido em três períodos: o primeiro quando Deus inspirou o surgimento das religiões chinesas, do judaísmo e do hinduísmo. O segundo quando surgiram o budismo, o cristianismo, o islã e o confucionismo. E o terceiro é o momento atual onde, devido às deturpações de suas mensagens transmitidas anteriormente, Deus optou por não utilizar mais profetas e sim mensagens diretas por meio de sessões espíritas, para nos comunicar o seu desejo do nascimento de uma religião universal. Por isso, o Caodaísmo pretende reunir os ensinamentos destas religiões e unir toda a humanidade em uma mesma crença. Eu achei isso lindo! Utópico, mas lindo.

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Name:	Igreja do Caodaísmo (3).jpg
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ID:	163939
              Fonte: 30trips

              Após uma breve parada para o almoço, fomos ao Cuchi Túnel, uma complexa rede de túneis escavados pelos vietcongs e suas famílias, munidos apenas de cestas e pequenas pás. Essa extensa rede possui três níveis e compartimentos maiores que abrigavam pequenas cozinhas. Uma obra impressionante pela grande extensão e rudimentaridade das ferramentas utilizadas. Esses locais foram fundamentais para o sucesso de algumas batalhas contra os EUA e o sul, além de abrigarem a população durante os ataques aéreos norte-americanos. É quase impossível para um ocidental entrar em todos os buracos e túneis porque, se atualmente os vietnamitas são pequenos e franzinos, imaginem numa época em que a alimentação era limitada e as condições eram apenas de sobrevivência?

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Name:	** Chi Tunels (13).jpg
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ID:	163940

              Na volta, após um rápido banho, nos preparamos para curtir a virada do ano na cidade. Descobrimos onde seria a queima de fogos e ficamos a postos. Meia noite e… fogos… à distância… mas à distância MESMO. Ainda assim o local estava cheio. Brindamos com champagne a felicidade de estarmos juntos nesse projeto e em tantos outros que vão aparecer por essa vida. No fim, o lugar não importa tanto quando estamos na companhia de quem amamos, não é mesmo?

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Name:	Reveillon (3).jpg
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ID:	163941
              Fonte: 30trips

              No meio da multidão e de motos que lotavam a região, reencontramos um casal argentino que havíamos conhecido no passeio. Fred e Sol dividiram conosco os primeiros momentos do ano, num bate papo gostoso que rolou madrugada adentro. Fred estava morando na Europa e Sol foi encontrá-lo, depois passou alguns meses na Índia e agora estavam viajando pela Conchinchina. No dia seguinte nos encontramos novamente e conhecemos o também argentino Santiago, que está fazendo um mochilão por essas bandas. Jantamos todos juntos, conversamos outras horas, mas fomos dormir cedo, pois no outro dia, cedinho, partiríamos em um ônibus rumo ao Camboja. Foi difícil despedir-nos de um lugar que nos trouxe tantas e tão distintas emoções em um espaço tão curto de tempo, mas chegara a hora de dizer adeus… ou até breve.

              Comentário

              • karine
                Fazedor de Chuva
                • Jul 2012
                • 1595

                #37
                Camboja: o que a história escondeu

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Name:	Ruas de Phnom Penh (1).jpg
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ID:	164056
                Fonte: 30trips.com

                A partida de Saigon foi um dos momentos mais reflexivos da 30trips. Perceber alegria nas pessoas que vivenciaram o horror da guerra e têm de tolerar um regime que lhes foi imposto – e processar tudo isso – não foi tarefa das mais fáceis. Partimos de lá para Phnom Penh, capital do Camboja, num ônibus noturno. Do próximo destino sabíamos apenas sobre o famoso templo de Angkor Wat e que a Angelina Jolie adotou um cambojano há alguns anos.

                Chegamos cedo e a cidade nos pareceu simpática, com um quê europeu (o mesmo sentido em Vientiane). Optamos por não reservar hotel, visto que nesta parte do mundo encontramos preços melhores ao fazermos na hora. Apenas pesquisamos o bairro mais turístico, as ruas mais legais e partimos a pé mesmo. Acabamos nos hospedando em um na rua paralela à que beira o rio e foi muito bom.

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Name:	Museu Nacional (5).jpg
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ID:	164057
                Fonte: 30trips.com

                Logo no primeiro dia fomos rodar o local e fizemos uma visita ao belo Museu Nacional. Como ainda estávamos meio perdidos, fomos até lá de tuk tuk. É preciso combinar (e pechinchar) o preço. As obras impressionam (muitas remetem ao budismo) e por lá é possível passar uma tarde agradável lendo um bom livro no jardim interno. Gostei muito.

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Name:	Massaman curry (3).jpg
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ID:	164061
                Fonte: 30trips.com

                Na saída resolvemos explorar a cidade a pé. Como era meio-dia, entramos no primeiro restaurante de comida típica que nos chamou a atenção. Que encontro! No Kabbas Restaurant comi simplesmente a melhor comida que experimentei na viagem, até agora (mas duvido muito que outra chegue perto): Massman de Frutos do Mar. Além do gosto divino, o aroma delicioso daquele prato ficou em mim de um jeito, o dia inteiro, que tivemos que voltar lá naquela noite. Maravilhoso! Tenho que aprender a receita!

                Aqui a feira é a céu aberto e nela é possível encontrar toda a sorte de carnes expostas ao sol, sem o menor pudor (ou higiene). A cidade não passa a imagem de extrema pobreza, embora seja pequena para a capital de um país e tenha crianças pedindo esmolas perto dos pontos turísticos. A população é um show à parte. Muito simpática.

                Após o jantar, já de volta ao hotel, Duda se deu conta de que havia esquecido a bolsa com todos os shampoos, cremes, filtros solares e afins na “rodoviária”. Pior: havia deixado lá (não me perguntem o motivo) o seu passaporte antigo, que tem o visto dos EUA. Tensão total. No outro dia fomos bem cedinho ao local e, pasmem, tudo estava lá, em cima de um banco, intacto! E eles falaram: “no Camboja ninguém mexe, não”. Foi um exemplo de civilidade, embora tenham tão pouca riqueza. Adoramos!

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Name:	Museu do genocídeo (3).jpg
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ID:	164058
                Fonte: 30trips.com

                Lá mesmo combinamos um tour com um motorista de tuk tuk que nos levaria ao Museu Tuol Sleng, uma antiga escola que serviu de prisão política durante o genocídio que matou covardemente 25% da população cambojana, entre os anos de 1975 e 1979. Chocante, não? Eu também não sabia que um genocídio tão atroz era mais recente (quase meu contemporâneo) que o cometido contra os judeus pelos nazistas.

                Essa triste história só durou tanto tempo e foi excluída da mídia ocidental na época porque os EUA (eles, mais uma vez), que estavam com sua imagem mundialmente arranhada por conta da Guerra do Vietnã, não queriam que o mundo voltasse novamente sua atenção àquela região do planeta, e ela acabou isolada, mais ou menos como é Cuba hoje.

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Name:	Museu do genocídeo (5).jpg
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ID:	164059
                Fonte: 30trips.com

                O caso é que, o governo anterior era apoiado pelos norte-americanos e sofreu um golpe, onde o Khemer Vermelho saiu vitorioso. Diferente do regime de dominação comunista que enfrentavam os vizinhos vietnamitas, que buscava, com o tempo, uma unidade e identidade nacional e o desenvolvimento do país, o Khmer Vermelho do Camboja tinha em mente uma dominação muito mais cruel.

                Ultra maoísta, sua ideia central era criar uma sociedade comunista puramente agrária, desmantelando toda e qualquer noção de convivência em grupo e social – inclusive os laços familiares –, sem propriedade privada, religião, moeda ou mercado e aniquilando a capacidade intelectual de toda a população, no intuito de cultivar seres incapazes de refletir e contestar qualquer coisa. Tão audaciosos e lunáticos quanto Hitler, não?

                Para isso, em abril de 1975 as pessoas que viviam nos grandes centros urbanos da época (e que eram consideradas pelo regime pró-EUA e, portanto, anti-comunistas), foram retiradas a força de suas casas e mandadas ao interior de forma dispersa. Ou seja, em uma mesma família, cada membro era enviado para viver em uma vila do campo (e trabalhar em regime escravo) diferente dos demais, onde jamais receberiam notícias sobre o paradeiro um do outro.

                As escolas foram destruídas ou transformadas em presídios, os livros e qualquer manifestação de pensamento livre foram proibidos e qualquer cidadão com um nível mínimo de cultura, que fosse ler ou assinar o nome mal e porcamente, foi considerado inimigo do Estado. Homens e mulheres foram presos, torturados e brutalmente assassinados. Eles eram obrigados a confessar crimes contra o regime que nunca cometeram, para justificar a repressão. Há relatos, por exemplo, de um adolescente que foi obrigado a admitir que foi contratado pela CIA para defecar nos campos do Camboja (Oi?). No próprio museu que visitamos, a estimativa é de que tinham sido interrogadas e torturadas de 17 mil a 24 mil pessoas, durante os anos de regime. Destas, apenas 12 sobreviveram.

                Ao chegar lá, todos os prisioneiros eram obrigados a decorar e seguir um rígido código de conduta que até hoje está exposto. Dentre as normas absurdas, a de número seis chama atenção: “Enquanto recebe chicotadas ou choques elétricos, você está proibido de gritar”.

                Esse cenário de horror, pior do que qualquer outro que eu tenha ouvido falar em toda a história, vitimou 1/4 da população de um país! Todos assassinados com armas brancas, ou seja, em mortes muito mais lentas e cruéis. De tão singular essa situação a que os cambojanos foram submetidos, fica difícil até para os próprios historiadores denominarem o que ocorreu por lá. No fim, genocídio (extermínio em massa, em forma sistemática, de grupos nacionais, étnicos, raciais e religiosos) é a expressão mais aceita e usada informalmente, devido à metódica forma de assassinatos adotada e ao imenso número de vítimas fatais. Porém, por não ser motivado por nenhuma das razões elencadas acima, mas apenas pelo nível cultural das pessoas, o termo não é utilizado oficialmente.

                O Museu do Genocídio, como é popularmente conhecido, preserva um bloco inteiro da forma como era nos tempos difíceis. Nos demais é possível ver a conservação de documentos e fotos das vítimas, da aparelhagem utilizada durante as torturas e dos algozes dessa barbárie, além de caveiras das pessoas que perderam as vidas. Ao observamos o ambiente como um todo, permeado por imensos pátios, é possível imaginar a maravilhosa escola que aquele mesmo local abrigava, antes disso. Ambiente que, como sabemos, preza pela convivência, as descobertas, os laços, os relacionamentos e o aprendizado.

                O fim dessa história horrenda começou em dezembro de 1978, quando, temendo um ataque do país vizinho, o Khmer Vermelho atacou o Vietnã, mas suas tropas foram repelidas. Logo após, em janeiro de 1979 os vietnamitas invadiram o Camboja e a imprensa daquele país foi responsável pelas primeiras divulgações sobre as atrocidades a que os cambojanos haviam sidos submetidos todos aqueles anos.

                Mesmo assim, EUA (que mudou de lado após o ataque ao Vietnã), China e Tailândia, temendo a expansão do comunismo vietnamita, continuaram a apoiar o Khmer Vermelho (estabelecido no país na região próxima à fronteira com a Tailândia) até 1989! É incrível como mesquinhos interesses políticos podem transpor o valor da vida humana.

                A boa notícia é que, em 2003, um acordo entre a ONU e o governo do Camboja criou um tribunal híbrido que, mesmo aos trancos e barrancos, levou ao banco dos réus os principais membros do regime, exceto Pol Pot, o grande líder, que morreu em 1998 sem nunca ter sido julgado. A dificuldade em puní-los também perpassa pela conivência do governo cambojano que, com a desculpa de poupar a imagem das vítimas e suas famílias (a mesma lorota ordinária usada pelo governo brasileiro durante anos, em relação aos documentos da época da ditadura militar no Brasil), dificulta o esclarecimento e o acesso às provas desse massacre.

                Os réus são defendidos por advogados norte-americanos e europeus (e aí eu me pergunto onde está o escrúpulo desse povo?) – que são mencionados em uma sala do museu. Em 2012 esse mesmo tribunal condenou à prisão perpétua Dutch, um ex-professor de matemática que se tornou um dos principais nomes do Khmer Vermelho, sendo responsável superior pelas ações e crimes cometidos na prisão que hoje abriga o Museu do Genocídio.

                Com o aumento no número de mortos, também foram criados campos de extermínio em massa, principalmente ao redor da capital. Não fomos visitá-los porque havíamos acabado de passar por duas experiências pesadas na sequência, no Vietnã e no Camboja. Violência demais para dois corações pacíficos.

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Name:	Molecada local (3).jpg
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ID:	164060
                Fonte: 30trips.com

                De qualquer forma, mesmo apenas tendo passado pouco mais de 30 anos do ocorrido, os cambojanos são pessoas amáveis, simpáticas ao extremo e que fazem de tudo para agradar. Apesar da pobreza, vemos facilmente rostos felizes e pessoas preocupadas com a reconstrução da auto-estima da nação e do desenvolvimento do país. Parece que aquela máxima de quanto mais sofrido, mais feliz e amigável é o povo, se traduz em verdade por aqui. Nisso, brasileiros e cambojanos se encontram

                Comentário

                • Sassa e Cuca
                  Fazedor de Chuva

                  • Sep 2012
                  • 1056

                  #38
                  Triste e preciso relato! Infelizmente, nada mais humano do que torturar, humilhar, matar e sentir prazer nisso!
                  Somente essa espécie é capazes destes e de outros comportamentos. Não é possível reparar algo tão terrível...o tempo? Não sabemos! Resta transformar de exemplo a não ser repetido.

                  Sassa e Cuca

                  Comentário

                  • karine
                    Fazedor de Chuva
                    • Jul 2012
                    • 1595

                    #39
                    Angkor Wat: PAZ aos olhos e à alma

                    Click image for larger version

Name:	Angkor Wat (4).jpg
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ID:	164283
                    Fonte: 30trips.com

                    Após seis horas de viagem de ônibus chegamos à famosa cidade de Siem Reap, porta de entrada para as ruínas de Angkor Wat. Já na “rodoviária” (que na Indochina costumam ser apenas lojas das companhias de ônibus ou meros terrenos baldios) escolhemos um motorista de tuk tuk que nos levou a uma guesthouse por ele indicada. O cara falava um inglês excelente (aliás, o nível de inglês nos países do sudeste asiático é de deixar os brasileiros com muita, mas muita vergonha) e por isso combinamos com ele mesmo um tour pelas famosas ruínas no dia seguinte.

                    Deixamos as malas e fomos dar um giro pela cidade à pé mesmo. Siem Reap é mais desenvolvida que a capital, Phnom Penh e parece que foi projetada para deixar os turistas muito confortáveis. A realidade por aqui é bem diferente do que vimos ao longo do caminho. Por conta de sua história recente (que relatamos no post sobre Phnom Penh), o país ainda está reerguendo-se. Eu achei o Laos, comunista, o país mais pobre da região. Já o Duda teve essa impressão do Camboja.

                    As margens do rio Siem Reap, que corta a cidade, são arborizadas e têm calçadão e banquinhos para curtir a paisagem. Restaurantes com comida local e internacional estão espalhados ao longo do centro, assim como pubs, que têm uma rua inteira dedicada a eles. Livrarias também são presença forte na cidade. Lá comprei o livro Stay alive, my son, uma narrativa sobre os tempos do genocídio.

                    No outro dia, às 5h da madrugada estávamos esperando o motorista do tuk tuk em frente ao nosso hotel. A intenção era assistir o nascer do sol diretamente de Angkor Wat, só que o cara nos deu um bolo! Então, mesmo ainda escuro, decidimos dar uma volta e encontramos um simpático motorista que tinha levado um bolo de turistas e aceitou fazer o mesmo tour pelo preço que havíamos combinado com o primeiro. Ótimo!

                    Chegamos a tempo do nascer do sol. Muitos outros turistas tiveram a mesma iniciativa, mas certamente optar por esse horário é a melhor dica que podemos dar a quem visita o local. Primeiro porque é muito mais fresco a essa hora, depois porque com o passar das horas as ruínas vão ficando cada vez mais lotadas de gente e por último, mas não menos importante, o amanhecer por entre as ruínas é de uma beleza inenarrável.

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Name:	Angkor Wat (10).jpg
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Size:	89,6 KB
ID:	164284
                    Fonte: 30trips.com

                    Angkor Wat é o templo que mais me impressionou na vida. Se Machu Pichu está situada num local incrível, aqui é a preservação das ruínas e a autêntica e belíssima arquitetura que chamam a atenção. Considerada a maior estrutura devotada à religião já construída, o local faz parte de um complexo de templos tombados como patrimônio da humanidade pela Unesco, que compõem um dos tesouros arqueológicos mais importantes do mundo.

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Name:	Angkor Wat (12).jpg
Views:	1
Size:	96,6 KB
ID:	164285
                    Fonte: 30trips.com

                    Esses templos estão construídos na chamada Zona de Angkor, um complexo de 200 Km quadrados que levou 37 anos para ser construído, pelo menos a maior parte do que vemos hoje. Angkor Wat foi capital do Império Khmer (não confundir com o partido comunista surgido anos mais tarde) entre os sóculos IX e XV. Primeiramente o local era dedicado à religião hindu, mas ao longo da história (e da conversão de seus imperadores) também foi templo de diferentes vertentes do budismo.

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Name:	Angkor Wat (16).jpg
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ID:	164286
                    Fonte: 30trips.com

                    Os monges budistas, aliás, permaneceram em Angkor Wat ao longo dos séculos, mesmo com a mudança da capital para uma região mais próxima da costa. Não se sabe ao certo o que motivou o abandono total dos demais templos da região, mas o fato é que foi um português chamado Antônio Madalena que, em 1586, redescobriu as ruínas aos olhos do ocidente. Sua impressão foi essa: “… uma construção de tal modo extraordinária que não é possível descrevê-la por escrito. Especialmente, é diferente de qualquer outro edifício no mundo. Possui torres, decoração e todos os refinamentos que o gênio humano pode conceber”.

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Name:	Angkor Wat (20).jpg
Views:	1
Size:	102,4 KB
ID:	164287
                    Fonte: 30trips.com

                    Vou abrir aqui umas aspas especiais para comentar uma reflexão que estamos tendo ao longo da 30trips. Como os portugueses que até pouco séculos atrás eram viajantes de carteirinha, corajosos, desbravavam terras desconhecidas, agora são um dos povos que menos encontramos zanzando pelo mundo? É incrível como mudaram sua cultura! Talvez eu e o Duda possamos justificar esse nosso lado exatamente na descendência Soares e Teixeira, respectivamente. Será?

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Name:	Angkor Wat (38).jpg
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ID:	164288
                    Fonte: 30trips.com

                    Bom, voltando a Angkor, mesmo com a visita lusitana, o mundo só voltou suas atenções às ruínas depois que um francês, Charles Boillevaux, publicou suas impressões sobre o local em um livro que falava sobre os anos que passou na Indochina, entre 1848 e 1856. Charles escreveu: “Um desses templos poderia ocupar honorável lugar entre os nossos edifícios mais belos. É maior do que qualquer um dos nossos legados de Grécia e Roma e apresenta um triste contraste com o estado de barbárie em que agora se encontra sumida a nação”. Por aí vocês podem imaginar a grandiosidade do lugar.

                    É necessário comprar um passe que dá acesso livre às principais ruínas do complexo. Uma trilha bem sinalizada nos guia para não perdermos o caminho. Vale lembrar que na maioria dos locais as mulheres só podem entrar com as pernas e os ombros cobertos. Então, se a roupa for curta por causa do calor intenso, tenha sempre uma scarf na bolsa e um saião ou canga para amarrar quando for necessário. A sensação de paz é incrível.

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Name:	Pub street e arredores (9).jpg
Views:	1
Size:	86,6 KB
ID:	164289
                    Fonte: 30trips.com

                    De volta a Siem Reap, ainda extasiados com a experiência que tivemos, fomos curar o cansanço do longo dia de caminhada com uma deliciosa massagem (a mais barata do sudeste asiático!). Também experimentamos a tal fish massage, um outro tipo que funciona assim: colocamos os pés dentro de um aquário repleto de pequenos peixes que, segundo dizem, alimentam-se de nossas peles mortas, limpando a região dos pés. No início a sensação é de aflição com aquele monte de boquinhas incontroláveis roçando cada centímetro. Com o passar do tempo a gente esquece esses bichinhos e passa momentos agradáveis jogando conversa fora. O preço dessa prática no Camboja é também o mais barato que encontramos: U$ 2 por tempo indeterminado. Delícia!

                    Os últimos dias foram de emoções intensas e extremas, mas nossa ida a Angkor Wat foi uma espécie de redenção e de renovação de paz aos olhos e à alma. Daqui voltaremos para a Tailândia, após passarmos um mês nessa que foi uma das regiões mais especiais que conhecemos até agora. A Indochina já deixa saudade e estará para sempre no coração… até o nosso próximo encontro.

                    Comentário

                    • karine
                      Fazedor de Chuva
                      • Jul 2012
                      • 1595

                      #40
                      Bangkok Parte 2: À vontade na Khaosan

                      Voltamos à capital da Tailândia. Dessa vez tudo foi diferente, já conhecíamos a cidade e tínhamos alguns objetivos definidos, tirar o visto de Myanmar e da Índia. Já sabíamos o que esperar dessa metrópole maluca, então, fomos direto pra Khaosan Road, que conhecemos na primeira vez que visitamos a cidade, e por lá passamos a maioria do tempo. Chegamos a noite e com mala, assim sem muita paciência e disposição para barganhar acabamos nos hospedando em um hotel bacana, um pouco mais caro mas com direito a piscina na cobertura e tudo. Vale a dica: D&D Inn.

                      Click image for larger version

Name:	Brasileirada (1).jpg
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ID:	164347
                      Fonte: 30trips.com

                      Ainda no ônibus vindo do Camboja conhecemos quatro brasileiros. O entrosamento foi tamanho que logo na chegada à Khaosan Road fomos direto para um bar brindar o encontro com umas geladas. São eles Teco e Luiza, um casal de paulistas, e Sarah e Suzana, irmãs e mineiras. Todos muito gente fina. Embora bom, o encontro durou pouco, já que na manhã seguinte cada um tomou seu rumo.

                      Click image for larger version

Name:	Khaosan Road (1).jpg
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Size:	97,6 KB
ID:	164348
                      Fonte: 30trips.com

                      A ideia era resolver a situação dos vistos e sair de Bangkok o quanto antes rumo a Kuala Lumpur (onde pegaremos o voo para Myanmar) passando pelas belas praias do sul da Tailândia no caminho. Em dois dias estávamos com o visto do Myanmar na mão. Apesar das longas filas na embaixada, o processo não é complicado, basta apresentar o passaporte algumas fotos, preencher formulário e esperar os tais dois dias. Por sua vez, a embaixada da Índia não é tão ágil e após entregarmos a documentação ainda teríamos que esperar oito dias (ÚTEIS) para recolher o passaporte devidamente visado.

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Name:	Barcas Tailandesa (1).jpg
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ID:	164349
                      Fonte: 30trips.com

                      Não estava nos nossos planos passar tanto tempo em Bangkok. Acabamos de vir de um mês pela Indochina e tudo que queríamos era uma maré mansa em belas praias. Assim, tivemos que nos adaptar a essa nova realidade e decidimos partir para as ilhas mesmo sem passaporte (a embaixada da Índia nos deu um documento oficial dizendo que eles estavam retidos para visto). Dessa forma tivemos que voltar para Bangkok mais uma vez, buscar o passaporte e descer de novo. Nada logístico, mas era o único jeito se quiséssemos aproveitar 20 dias de sol e belas paisagens.

                      A terceira passagem por Bangkok foi relâmpago, chegamos num dia, buscamos o passaporte no dia seguinte e no mesmo dia a noite voltamos para ilhas, mas uma vez ficamos na Khaosan, mas dessa vez num hotel totalmente humilde e dentro do orçamento apertado.

                      As ilhas serão assunto dos próximos posts, então voltemos a Bangkok. Em função dos vistos, acabamos rodando muito pela capital tailandesa. Descobrimos que o barquinho já usado da outra vez era o maior adianto para cortar a cidade. Então, o utilizamos por diversas vezes. Descobrimos também que andar de táxi com taxímetro é a melhor parada, muito barato mesmo. O detalhe é que sempre precisamos tentar pelo menos umas cinco vezes até que um aceite fazer a corrida dessa forma. Com gringos, eles preferem combinar o preço antes, sempre mais caro, claro. O consulado da Índia fica em Sukhumvit, então aproveitamos pra voltar ao suntuoso Shopping Terminal 21 e ao restaurante Basil que fica em frente ao mesmo. Foi válido. Deu pra conhecer melhor a cidade e nos tornamos “quase locais”.

                      Mas a Khaosan Road é uma das coisas que mais curtimos na cidade e, por lá se pode encontrar de tudo e merece um capítulo à parte. De barraquinhas de comida a roupas coloridas, de bares e restaurantes a escorpião no espeto, de souvenires e lembrancinhas a agências de turismo. Existe uma grande quantidade de alfaiates que a toda hora oferece ternos exclusivos por uma bagatela. Mais ou menos assim, você escolhe o modelo, escolhe a marca e eles prontamente costuram a etiqueta escolhida, se ainda trabalhasse no banco, certamente compraria um terno Armani ou Hugo Boss por lá.

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Name:	Khaosan Road (2).jpg
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ID:	164350
                      Fonte: 30trips.com

                      Não menos impressionantes são as barraquinhas de documentos falsos. Em plena luz do dia, o sujeito monta uma barraca lotada de carteirinhas e diplomas, e prepara um catálogo com todos os modelos disponíveis. Assim qualquer um chega lá e arranja rapidamente uma identificação do FBI, um diploma de Harvard, uma carteira de motorista de qualquer país, ou ainda de funcionário de alguma companhia de aviação. Mesmo diante de tantas ofertas, as mais saídas são as carteirinhas de estudante, que podem ser da própria universidade quanto da ISIC. O serviço é oferecido segundo as mais rígidas normas de qualidade, não precisa ter a foto na hora, pode escolher o nome que quiser, fica pronta em 10 minutos e ainda custa menos de cinco dólares.

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Name:	Barcas Tailandesa (7).jpg
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ID:	164351
                      Fonte: 30trips.com

                      Bangkok é o centro turístico do sudeste asiático. De lá se chega a todos os destinos da Tailândia e região com facilidade. A oferta é grande; ônibus, trem, voos intercontinentais e várias companhias low fare, tornam Bangkok um centro operacional e logístico excelente para “servir de base” num rolé pela região.

                      Para os viajantes independentes, ou sem grana mesmo a Khaosan Road se torna o centro nervoso de Bangkok e acaba sendo o primeiro e o último destino de quase todos os mochileiros quem vêm explorar a região. Não tem jeito, lá é o pico de Bangkok, o lugar mais estratégico para entrar logo no clima da mochilagem. Outro detalhe é que essa rua fica muito próxima dos principais pontos turísticos da cidade como o Buda deitado e o Grand Palace. Para completar o cenário uma gigantesca variedade de hotéis baratos e de agências que organizam passeios pela região. Numa dessas compramos um bilhete de ônibus noturno + barco, que saia da própria rua diretamente para Koh Phi Phi, a primeira das ilhas tailandesas que vamos conhecer, no próximo post.

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                      • karine
                        Fazedor de Chuva
                        • Jul 2012
                        • 1595

                        #41
                        Crazy Phuket

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Name:	Pattong (4).jpg
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ID:	164490
                        Fonte: 30trips.com

                        A maior ilha da Tailândia é também a mais famosa. Já tínhamos ouvido muito falar de Phuket, mas era das ilhas, uma das que menos nos chamava atenção. De qualquer forma estávamos em Phi Phi, muito perto para passar reto.

                        Saímos de Phi Phi à tarde e chegamos por lá no início da noite. Com pouco tempo, ficaríamos apenas por um dia e na manhã seguinte deveríamos voltar a Bangkok para pegar os passaportes. Então, partimos para conhecer a ilha e fomos caminhando até a praia de Pattong, uma das principais de lá e a mais perto de onde ficamos hospedados. A orla até que é bonita, falar o contrário seria injusto, mas acabávamos de vir de uma semana num paraíso e, diante disso, uma praia repleta de cadeiras de sol e bares lotados não tinha como ser tão apreciada.

                        Phuket está localizada na costa oeste da Tailândia, então beleza natural no seu entorno é o que não falta. Dentre os principais passeios oferecidos estão a própria ilha de Phi Phi e uma tal de James Bond Island, onde foram gravadas cenas de um dos filmes da série e que pelas fotos parecia ser bem interessante. De qualquer forma, não tínhamos tempo hábil e deixamos passar.

                        A ilha é muito grande, demoramos quase uma hora de táxi pra chegar do porto a Pattong. O bairro parece um pedaço de Bangkok, ou seja, aquela muvuca. A ilha, assim como a cidade de Nha Trang, no Vietnã, é dominada por turistas russos e oferece diversos serviços voltados a eles. A influência era tanta que acabamos almoçando num restaurante com comidas típicas daquele país. Lá, a Heda aproveitou a oportunidade e fez uma massagem facial.

                        Até então tudo tranquilo, uma cidade grande, praiana e turística. Mas foi à noite que Phuket mostrou sua outra face. A nightlife local é peculiar por explorar serviços sexuais de forma escrachada e, entre cabarés e neons, foi possível presenciar cenas bizarras. Com as ruas sempre lotadas, boates e bares bombam. O som alto se mistura com o do bar ao lado. As bebidas são vendidas no baldinho: vodka, whisky, red bull, rum, é só escolher. Na rua mais agitada, muitos locais também funcionam como prostíbulos abertos e exibem mulheres russas e tailandesas em janelas de vidro ou em balcões.

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Name:	Nightlife (10).jpg
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ID:	164491
                        Fonte: 30trips.com

                        Grande parte das tailandesas que dominam a cena noturna, aliás, são ladyboys. Na Tailândia a operação de mudança de sexo é legalizada. Também conhecidos como o terceiro sexo, muitas vezes essas pessoas exercem profissões ditas normais como vendedor ou caixa, diferentemente dos outros países ondem ficam estigmatizadas e não lhes resta outra opção além de trabalhar em cabarés e afins. Enfim, não era o caso de Phuket. Fomos a um complexo de bares, onde dançarinas exibiam-se em acrobacias de pollydance no balcão. A mais desenvolta era, com certeza, ladyboy, mas havia algumas que não podemos distinguir com convicção. Eram cerca de vinte bares, todos com suas respectivas performistas, e todos lotados, entre nativos e ocidentais a bagunça era geral. Crazy!!

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Name:	Nightlife (17).jpg
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ID:	164492
                        Fonte: 30trips.com

                        Acredito que o pouco tempo que tivemos foi o suficiente para ver qual é da parada. Legal, mas não ficamos com muita vontade de voltar. De lá fomos a Bangkok num rápido bate volta e seguimos para as ilhas da costa leste.

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Name:	Train & Train Station (1).jpg
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                        Fonte: 30trips.com

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                        Fonte: 30trips.com

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                        • karine
                          Fazedor de Chuva
                          • Jul 2012
                          • 1595

                          #42
                          Koh Tao: Let’s dive

                          Missão cumprida em Bangkok e passaporte devidamente visado na mão. Partiu Koh Tao!!

                          A única coisa que sabíamos sobre essa ilha é que era um dos melhores e mais baratos lugares do mundo para prática de mergulho submarino. Ao longo da viagem já fizemos diversos mergulhos com snorkel, e estávamos planejando há tempo esse mergulho com cilindro.

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Name:	High Bar (2).jpg
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ID:	164688
                          Fonte: 30trips.com

                          Chegar lá não foi tão fácil quanto imaginávamos. Pegamos um ônibus em Bangkok e Por volta das 3h da madruga fomos acordados para trocar de veículo, e aguentar o frio do tuk tuk, e chegar ao porto. Um vez lá, tivemos que esperar até às 7h pela saída do primeiro barco. Heda não resistiu e dormiu enquanto aguardávamos. Neste percurso conhecemos dois caras muito gente boa: Shay, de Israel e Nikola, da Croácia.

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ID:	164687
                          Fonte: 30trips.com

                          Três dias em Koh Tao pareciam suficientes, pois a ilha é pequena e com a moto que alugamos era possível ir de ponta a ponta diversas vezes. Ficamos num hotel simples e sem ar condicionado, mas muito bem localizado e com excelente atendimento. Logo no primeiro dia já fomos para uma praia lindíssima, Shark Bay.

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Name:	Mergulho & Mango Bay (2).jpg
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ID:	164689
                          Fonte: 30trips.com

                          Nosso hotel ficava na vila de Sairee que conta com bons restaurantes, uma grande praia cheia de bares estilosos. Foi lá que desfrutamos nossas noites, geladas num barzinho na beira do mar com música ao vivo e sob a luz da lua. Pessoas soltavam balões que se confundiam com as estrelas. O ambiente era agradável com música ao vivo e ficávamos sentados em uma canga na areia, com direito a almofadas e mesinha.

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Name:	Mergulho & Mango Bay (9).jpg
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ID:	164690
                          Fonte: 30trips.com

                          Mal tínhamos chegado e já estávamos em casa. De moto rapidamente cruzávamos a ilha, assim a cada curva uma nova aventura surgia. A Ilha ainda tem um dos melhores bares que já fui. Em meio à floresta e com uma vista para o pôr de sol absurda: o High bar. Ele fez a alegria da galera e viramos frequentadores assíduos.

                          No segundo dia fizemos o desejado curso de mergulho, com aula teórica e prática. Foram dois mergulhos de até 12 metros de profundidade, numa barreira de corais localizada na Mango Bay. O lugar é próximo a uma praia foda, rodeada de pedras e muito verde, do outro lado da ilha, onde não se chegaria por terra. Vimos diversas espécies da fauna e flora marinha. Optamos por não tirar o certificado PADI, que consistia em quatro dias de mergulho e mais aulas teóricas, pois não tínhamos tempo nem grana para tal, de qualquer forma a experiência valeu muito.

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Name:	Koh Tao (8).jpg
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ID:	164691
                          Fonte: 30trips.com

                          Estávamos há dois dias na ilha e tínhamos dúvida de que poderíamos ver praias ainda mais lindas do que as que já mencionamos em outros posts. Seria possível melhorar ainda mais? E não é que o melhor estava por vir. No terceiro dia fomos à Freedom Beach, essa sim, para mim, a mais linda da praia de toda 30trips até agora. Para a Heda foi a segunda mais bonita. A praia é absurda, pequena e com árvores nascendo na beira do mar. Construções? Apenas um restaurante no canto, gerando um clima aconchegante e sereno. Para finalizar, sua água cristalina permite observar inúmeras espécies mesmo sem mergulhar e com um simples snorkel era possível viajar pelo mundo submarino.

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ID:	164692
                          Fonte: 30trips.com

                          Fiquei triste em ir embora. Poderia ficar ali por mais uns cinco dias… ou mais. Isso só não aconteceu porque iríamos à Full Moon Party, na ilha vizinha de Koh Phanghan. O hotel já estava reservado. De qualquer forma, fomos embora com uma sensação de até breve, debatendo se o melhor lugar da 30trips foi Koh Tao ou Koh Phi Phi. Independentemente disso, as três praias (Mango Bay, Shark Bay e Freedom Beach) entram na minha lista de mais lindas do mundo.

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Name:	Freedom Beach (4).jpg
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ID:	164693
                          Fonte: 30trips.com

                          Comentário

                          • karine
                            Fazedor de Chuva
                            • Jul 2012
                            • 1595

                            #43
                            Full Moon Party

                            Após o paraíso de Koh Tao, ilha preferida do Duda, chegou a hora de partirmos para Koh Phangan, a Ilha da Full Moon Party, localizada na costa leste da Tailândia. Estávamos ansiosos para curtir nossa primeira grande noitada nesta 30trips.

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Name:	Bottle Beach (3).jpg
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ID:	165983
                            Fonte: 30trips.com

                            A história toda começou após descobrirmos que ainda estaríamos na Tailândia por volta do dia 26 de janeiro, sábado de lua cheia. Nas noites desta lua é realizada uma das maiores (ou talvez a maior) festas fechadas à beira mar do mundo! A Full Moon Party é um evento que toma uma das principais praias da ilha de ponta a ponta e ofereces bares, bebidas, diferentes DJs, atrações pirotécnicas, muita loucura e diversão.

                            Click image for larger version

Name:	Full Moon Party (1).jpg
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ID:	165984
                            Fonte: 30trips.com

                            Após decidirmos que iríamos na famosa festa, corremos para reservar o hotel. Estávamos a 15 dias do evento, mas, pasmem: dos cerca de 200 hotéis da ilha, só encontramos oito com vagas disponíveis, sendo a maioria com preços absurdos.

                            Neste cenário, optamos por ficar em um resort que estava com o preço acessível e ficava na Bottle Bay. A ilha é muito grande e essa baía está localizada no nado oposto ao da festa. Como eles ofereciam shuttle para lá, apertamos o botão.

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Name:	Full Moon Party (13).jpg
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ID:	165985
                            Fonte: 30trips.com

                            Então a via crucis foi essa: 1h30 de barco de Koh Tao para Koh Phangan, mais uma hora de tuk tuk para o porto mais próximo de Bottle Bay e 40 min de barquinho até lá. Sim, a praia é reservada e os acessos são de barco ou estrada de chão. Maravilhoso!!

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Name:	Full Moon Party (14).jpg
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ID:	165987
                            Fonte: 30trips.com

                            Ao chegar, descobrimos que o tal resort não era tão resort assim (e agora o preço estava justificado). Na verdade é um hotel que só possui cabanas – todas bonitas e confortáveis – e um restaurante à beira mar. Mas tudo bem. O lugar é realmente lindo, paradisíaco e a falta de conexão com a Internet – e, por sua vez, com o mundo exterior – criaram um clima exclusivo muito melhor do que encomenda. Existem outros hoteis do tipo ao longo da praia e ficar por lá é uma dica valiosa, principalmente se você estiver em casal.

                            Como disse, o hotel preparou duas caminhonetes para nos levar e nos buscar da Full Moon Party. Nossa “turma” incluía três irlandesas, um norte-americano, um inglês e um casal alemão. As irlandesas, como boas festeiras que são, já chegaram prontas para a festa, todas pintadas com tintas em tons neon.

                            Essa é outra coisa legal. Diferente do que acontece no Brasil, onde é possível ver várias (dependendo da cidade, até a maioria) mulheres de salto alto e mil produções em festas na praia, na Full Moon Party o pessoal quer mesmo é se divertir. Claro que rola uma produção básica, mas o importante é que todos estejam muito confortáveis. E as tais tintas neon são um show a parte. Nós também nos rendemos.

                            A festa foi sensacional e chegamos no hotel com o dia amanhecendo… eeee delícia!! As outras noites curtimos nos bares locais e aproveitamos os dias naquela praia lindíssima. A vontade de ir embora era zero e até cogitamos partir dali direto para a Malásia, de onde voaríamos para Myanmar (ou Burma, como queiram). Mas lembramos de como a costa oeste tailandesa é divina – vide o post sobre Koh PhiPhi – e decidimos aproveitar esses diazinhos que nos restam daquele lado. Próxima parada: Krabi. Até lá!!

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Name:	Bottle Beach (4).jpg
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ID:	165989
                            Fonte: 30trips.com

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