30trips: 30 anos, 30 países em 300 dias

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  • karine
    Fazedor de Chuva
    • Jul 2012
    • 1595

    #16
    Pequim ou Beijing, ou ainda, 北京.

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ID:	159521
    Fonte: 30trips

    A famosa capital chinesa tem muitas atrações. Grande Muralha, Praça da Paz Celestial, Cidade Proibida, Templo do Céu, Palácio de Verão, Mercado Noturno, Panda Zoo, Estádio Olímpico Ninho de Pássaro, dentre tantos outros destinos.

    Em 8 dias por lá fomos a quase todos.

    Ficamos num hostel ótimo ao lado da cidade proibida e da praça da paz celestial. Recebemos pela segunda vez na trip um upgrade de quarto, tínhamos reservado um quarto de 6 e recebemos um privado. Com beliche e sem banheiro, mas pelo menos era só nosso.

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ID:	159522
    Fonte: 30trips

    Aqui também tem uma mega avenida com todas as lojas de marca, a diferença é que nela tem um pequeno portal que ao atravessar tudo muda. Entramos direto no mercado noturno, extremamente chinês e muito interessante. Fedido e superlotado, mas interessante. Alí tivemos a oportunidade de degustar diversas iguarias da culinária chinesa tais quais: bode, camarão, cobra, cogumelos, vespa e escorpião, tudo no espeto. Faltou coragem pra completar a lista que ainda tinha: lagartixa voadora, aranha caranguejeira, gafanhoto, barata, cavalo marinho, estrela do mar e até o bizarríssimo coração de galinha. Isso claro, sem contar o famosíssimo pato laqueado de Pequim, que também foi devidamente degustado em um restaurante próximo.

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ID:	159523
    Fonte: 30trips

    O templo do céu e a cidade proibida são interessantes, mas muito parecidos, entre si e até com o que já tínhamos visto na Coreia. Isso nos desencorajou a visitar o palácio de verão que na nossa concepção, embora certamente lindo, seria mais do mesmo. A cidade proibida é gigante e da até pra imaginar quando o imperador vivia ali e não deixava ninguém entrar.

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ID:	159524
    Fonte: 30trips

    A Heda ficou feliz em ver os Pandas no Zoo local, mas logo depois ficou triste por ver que o elefante tinha um espaço quase igual ao nosso cafofo no Rio.

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ID:	159525
    Fonte: 30trips

    Falando em elefante, o estádio olímpico ninho de pássaro é irado, lindão e foi o mais caro do mundo de todos os tempos, mas é um tremendo elefante branco. Parece um país que eu conheço que finda a copa de 2014 terá que ter muita criatividade para arrumar utilidade para tanto estádio.

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ID:	159526
    Fonte: 30trips

    E a muralha.. Grandona como não podia deixar de ser, conhecemos dois brasileiros e juntos percorremos um belo pedaço dessa maravilha da humanidade. A muralha não fica perto, tivemos que fechar uma excursão e optamos por conhecer o pedaço de Mutyaniu (top 1 do trip advisor). A Heda ficou maravilhada com a grandiosidade da construção e eu com um carrinho (estilo rolimã) que descia desde o topo até o estacionamento junto a base da escalada. Com o Rodrigo, paulista sangue bom que conhecemos nessa trip e estava no nosso hostel, demos mais um belo rolé no mercado noturno, que também ficava bem próximo da nossa estada.

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ID:	159527
    Fonte: 30trips

    Mas nada disso conseguiu nos tirar a impressão de país superlotado e de gente porca. Até eu que não ligo muito pra essas coisas ficava bolado. Gente come macarrão nojentamente, cospe e escarra a cada minuto, fuma em qualquer lugar, grita, tira meleca, fica brincando com cuspe dentro da boca, atropela os pedestres e ainda passam na frente das velhinhas no metrô. Isso sem falar nos dentes podres. Foi engraçado ver um casal super romântico tomando umas num barzinho e o cara toda hora dando uma paradinha pra escarrar.

    Apesar dos pesares foi bom enquanto durou.

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    • karine
      Fazedor de Chuva
      • Jul 2012
      • 1595

      #17
      O mundo paralelo de Datong

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ID:	159768
      Fonte: 30trips

      Coube a mim o post sobre Datong, cidade chinesa que não recebe muita gente de fora, sendo o turismo mais interno, mesmo. Tudo começou porque eu achei que dez dias era muito tempo para Pequim, então sugeri ao Duda a ida à Datong, que já tinha visto em algumas pesquisas na Internet e também em propagandas locais. Proposta aceita, lá fomos nós.

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ID:	159769
      Fonte: 30trips

      370 Km separam as duas cidades. Optamos por percorrer esse caminho de trem. Cinco horas de dia, na ida, e cinco à noite, na volta. Ao chegarmos, uma paisagem diferente nos esperava: muita, muita poeira, alguns escombros e olhos (puxados) super curiosos com a nossa presença ali, naquele pedaço de mundo que mais parecia um universo paralelo.

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ID:	159770
      Fonte: 30trips

      Além da nossa presença ocidental, duas turistas inglesas, mais velhas, também aterrisavam por ali. A filha de uma delas mora na China e elas aproveitaram para dar uma volta pelo país. De Datong só queriam um encosto para as costas. Depois da noite de sono sua viagem continuaria sobre os trilhos chineses. Enfim, aproveitamos para descolar seu mesmo hotel barato, próximo à estação.

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ID:	159771
      Fonte: 30trips

      Feito isso, fomos desbravar a cidade. Como disse, Datong está acostumada a receber turistas compatriotas, então é raro encontrar alguém que fale inglês (nós só vimos um). Isso reforçou a sensação de mundo paralelo. Para nos comunicarmos fizemos uso de um outro vocabulário (que os italianos dominam como ninguém): os gestos. Obviamente não foi uma tarefa fácil, mas divertida, muito embora às vezes ficássemos às escuras com alguns questionamentos. Nos cardápios dos restaurantes não adiantavam as mímicas. Era apontar para aquelas letrinhas, que mais pareciam desenhos, e rezar para que viesse alguma coisa gostosa.

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ID:	159772
      Fonte: 30trips

      Pegamos um ônibus e descemos onde pensávamos ser o centro da cidade. Não era. Tentamos nos informar em duas agências bancárias, mas nada de alguém falar inglês por ali. Entramos numa lojinha e a menina, muito solícita, também não falava inglês, mas usou a internet para traduzir o que queríamos… naquela altura (pasmem!), um Mac’Donalds (já era fim de tarde, só estávamos com o café da manhã no estômago e os bowls chineses já não me entravam mais. Enfim, fui para o meu segundo hambúrguer da viagem). Ela escreveu o nome num papel e, com o estômago colado, entramos num táxi que nos deixou em frente à rede estadunidense (prefiro essa expressão).

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ID:	159773
      Fonte: 30trips

      Lá sofremos o nosso primeiro (e, queremos, último) assalto. Tá, não tem a ver com o turismo em Datong, mas foi engraçado. Sentados estávamos terminando a refeição quando
      entra uma mulher gorda, com a camiseta toda babada, pela porta lateral do estabelecimento (estávamos sentados na segunda mesa a partir dessa entrada). Eu estava lá, perdida em pensamentos e não percebi nada. Apenas me dei conta dessa mulher mexendo na embalagem da comida do Duda (que já não continha mais nada), chacoalhando o copo de coca-cola dele (que também já estava a zero) e, em seguida, o meu. Este sim, quase cheio, que ela simplesmente pegou e saiu andando pela porta da frente.

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ID:	159774
      Fonte: 30trips

      Na hora eu pensei que fosse uma funcionária da limpeza e demorei uns dois segundos para me dar conta. Logo depois o cara que estava na mesa ao nosso lado começou a xingar os funcionários, que tentaram, sem sucesso, pegar a ladra. Eu e o Duda caímos na gargalhada. Surreal!! Foi a primeira vez que vimos um assalto ao lanche do Mac’Donalds! E olha que nossa carteira e óculos de sol estavam igualmente sobre a mesa! Saldo do crime: meu copo de coca-cola quase cheio e um frango que o cara da mesa ao lado estava comendo. Ambos foram devidamente repostos pelo competente gerente local. Foi engraçado.

      Mas vamos lá, por que Datong? A história da cidade é longa (afinal, estamos na China, uma das civilizações mais antigas) e remete a 200 a.C, quando foi fundada. Localizada próximo à Grande Muralha da China, Datong também está perto da fronteira com a Mongólia, no norte do país. O que me atraiu para lá foram as Grutas de Yungang, um complexo de estátuas gigantes de Buda que foram entalhadas num paredão de rocha entre 460 e 494 d.C. Dá para imaginar uma arte dessa magnitude naquela época?

      Para chegarmos até lá utilizamos a técnica da Internet. Entramos numa loja que vendia computadores e artigos para celular e pedimos todas as informações via tradutor do google. O cara que nos atendeu escreveu num papel, em chinês, claro, o que deveríamos mostrar ao taxista. É bom saber: combine o preço antes ou fique bem atento porque eles costumam “esquecer” de ligar o taxímetro.

      No caminho, o que nos intrigava era aquele cenário de destruição que vimos: prédios pela metade, escombros, muita, mas muita poeira nas ruas, muitas obras, até um muro gigante sendo construído. Como não encontramos uma viva alma que falasse inglês, fomos questionar nosso grande oráculo google. Na pesquisa descobrimos que Datong, conhecida como a capital do carvão, vem investindo pesado no seu potencial turístico. Quando eu digo pesado, me refiro a quase U$ 7,5 bilhões. O objetivo é construir templos e prédios no estilo antigo, para dar à cidade uma “cara mais chinesa”. O próprio muro é inspirado no que cercava a cidade séculos atrás e que já não existe mais. Como disse a Legião Urbana: “O futuro não é mais como era antigamente”.

      Particularmente, acho isso uma besteira. Eles possuem um parque com impressionantes 51 mil esculturas budistas esculpidas nas rochas, sendo a mais alta com pouco mais de 16 metros. Além disso, também há um monastério suspenso construído no meio de um penhasco, por volta de 490 d.C. Isso já é luxo demais! Precisam, sim, investir no atendimento ao turista. De que adianta tanta obra se 99,9% da população (incluindo a rede hoteleira e restaurantes) não fala inglês?

      Mas ok, Datong e a Grande Muralha foram o melhor da China. De emocionar, embasbacar, arrepiar. É incrível como a humanidade é capaz de construir coisas tão magníficas. Ainda mais em um tempo onde mecanismos e ferramentas eram tão precários.

      Visitar um lugar onde o símbolo máximo de globalização é uma lanchonete do Mac’Donalds, mas que ainda não possui um mercado, por exemplo, ao estilo do que conhecemos (um Carrefour está prometido para ser inaugurado em 2013); onde turistas ocidentais como nós são motivo máximo de observação na rua, de risos encobertos por mãos tímidas, de dedos apontados em nossa direção, de pessoas indo ao nosso lado e medindo-se para observar como somos maiores que eles, foi muito legal. Uma experiência e tanto. Datong, sim, valeu, e muito, a visita.

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      • karine
        Fazedor de Chuva
        • Jul 2012
        • 1595

        #18
        Heda, após passar 12 dias na China, faz uma reflexão curiosa e interessante sobre esse excêntrico país

        Semelhante diferença

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ID:	159866
        Fonte: 30trips

        A menina sempre teve curiosidade pelo desconhecido, especialmente pelo esquisito. A menina era aquela que, embora estivesse envolvida com a turma do fundão, não deixava de se relacionar com os mais sozinhos simplesmente pelo fato de eles serem diferentes. E assim a menina cresceu viajando, no sentido literal e também no figurado, por tudo aquilo o que lhe parecia estranho e lhe proporcionasse aquele formigamento no estômago e aquela profusão de pensamentos que só o que não conhecemos e nos tira da zona de conforto, é capaz de nos fazer sentir.

        Experimentar diversas sensações sempre fez parte do gosto incomum da menina. E ela já estava acostumada a ser assim quando, aos 30 anos, decidiu ver de perto toda esquisitice e excentricidade que o mundo poderia lhe proporcionar. No meio dessa aventura foi parar na China, a terra que por vezes sonhou conhecer, incentivada por tudo o que lera em livros e revistas e pelo que aprendera em filmes e seriados. Tinha planejado ficar um mês naquele país e achava que ainda seria pouco para dar conta de todas as novidades que ele, certamente, traria à sua própria vida. Mas só pôde contar com, injustos, 12 dias. E assim, a menina aterrissou excitante na China.

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ID:	159867
        Fonte: 30trips

        A primeira coisa que a surpreendeu foi o frio que fazia naquele país. A segunda foi a rigidez em relação à segurança, vez que todas as entradas das estações de metrô possuíam raio-x de bagagem, onde as pessoas colocavam seus pertences. E a menina pensou: “Frutos da ditadura: a insegurança e a eterna expectativa de um novo golpe. Seja uma revolução popular ou militar, as noites de sono para quem sobe ao poder desta forma nunca mais serão as mesmas”.

        Ao chegar ao hotel teve sua terceira surpresa: vários endereços da internet eram bloqueados, especialmente as redes sociais. “Mais um ônus de um regime não democrático e da neurose que lhe é subliminar”, disse a si mesma. E assim, a menina tomou um banho e qual não foi a sua surpresa (e indignação) ao ver que o vaso sanitário era um buraco feito no chão, em pleno século XXI?

        Decidiu dar uma volta, respirar o ar puro e buscar algo para comer. A questão é que o ar era sujo, sujo da poeira da imensa quantidade de obras que estavam ocorrendo por lá. Em meio a isso, um grande número de pessoas surgia oferecendo-lhe um universo infinito das coisas mais inúteis e cheias de brilhos que ela sequer podia imaginar. Algumas delas ela conhecia: badulaques vindos do Paraguai, sem qualquer função específica, que em seu país fizeram sucesso entre as crianças na década de 1980. Hoje não é mais assim porque as crianças são mais exigentes que na sua época e preferem um badulaque eletrônico trazido dos Estados Unidos. “No ocidente o que é apenas brilhoso está ultrapassado”, concluiu, para em seguida refletir: “Transformações típicas de um mundo em que o capitalismo acaba de entrar e quer, de todas as formas, segurar com suas fortes e afiadas garras. Afinal, o mercado chinês, por ele só, é um mundo”.

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ID:	159868
        Fonte: 30trips

        Andando mais um pouco deparou-se com uma rua cheia de barracas de comida. Todas esquisitas. Aquele tal formigamento começou a lhe provocar. Ela não resistiu e visitou cada lugar onde pôde ver e experimentar o que quis e conseguiu. “Enfim, um pouco de originalidade”, pensou. Foi a experiência mais louca que teve até então. Nessas ruas o queijo frito era doce, o escorpião tinha gostinho de camarão, a larva tinha gosto de vômito, a cobra tinha gosto de nada e a fruta caramelizada tinha gosto de céu. Eram tantas as novidades que a menina estava eufórica para compartilhar todas as suas descobertas com alguém.

        Foi aí que um grupo de jovens nativos aproximou-se dela perguntando de onde era e o que fazia ali. A conversa evoluiu e ela ficou cada vez mais curiosa em relação à cultura daquelas pessoas tão diferentes. Elas tinham os olhos puxados, mas eram tão calorosas quanto qualquer um de seu país. Perceber isso lhe arrancou um sorriso do rosto. A menina estava feliz.

        Com aquele grupo ela aprendeu sobre as rígidas regras de controle de natalidade impostas pelo governo local, aprendeu que, embora o governo seja composto por homens, a base das famílias é matriarcal e a mulher tem a decisão final. Aprendeu que eles gostam de estar conectados com o mundo e esforçam-se para ser mais do que apenas uma fonte de mão de obra barata, mas para firmarem-se como consumidores de, para eles, uma nova cultura. Ela percebeu isso claramente em suas roupas (lá o legal era usar tudo junto: estampas, tecidos e cores, ao mesmo tempo, desde que fossem de uma das novas lojas de marcas internacionais que acabavam de inaugurar, ou a imitação de seus produtos); no seu idioma, vez que os jovens comunicavam-se muito bem em inglês (mesmo sendo desfavorecidos pelo sotaque) e nas viagens além de suas próprias fronteiras, que começavam a fazer. Assim mesmo, eram extremamente patriotas, defensores de seus costumes e de suas questões ante outras potências asiáticas.

        Era tanto antagonismo junto que ela foi ficando cada vez mais curiosa e aceitou um convite para tomar chá. No fim do programa, mesmo com uma conta muito além de suas expectativas, ainda os convidou para a visitarem em seu país, onde faria questão de lhes mostrar todas as riquezas e peculiaridades de seu povo. E a menina foi embora feliz.

        No caminho observou os vários grupos de casas iguais que surgiam a sua frente. Suas semelhanças eram diferentes entre si, na medida em que cada grupo tinha um estilo: pobre ou rico. A menina refletiu: “É impressionante como o socialismo tornou-se tão parecido com o capitalismo. Ao redor do mundo todos são iguais… dentro de suas próprias castas”.

        De volta ao hotel reparou em um cartaz que sempre esteve ali, mas de forma muito discreta. Ele falava sobre um golpe de chá, onde estudantes chineses aproveitavam para extorquir dinheiro de turistas e treinar seu inglês. Esse era apenas um entre tantos outros tipos de truques que eles usavam contra inocentes. Na verdade, o mais leve, que não provocava qualquer dano físico, pelo menos. Ficou ferida… de coração. Decepcionada.

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ID:	159869
        Fonte: 30trips

        Até então estava procurando manter sua mente aberta para todas as coisas que fazem parte de uma cultura diferente da sua: que as pessoas arrotam e soltam pum em qualquer lugar, sem cerimônia; que escarrar e brincar com o próprio catarro para depois cuspí-lo no chão (inclusive do trem do metrô) faz parte da tradição de uma civilização tão antiga; que naquela loucura diária da rotina de milhares de pessoas, as crianças usarem calças sem costuras no meio e defecarem ou urinarem em plena rua, sem que a mãe se preocupasse em limpar o dejeto ou o filho, poderia ser normal; que o jeito estúpido de passar sempre a frente do outro, com o objetivo de levar vantagem em tudo, seja em uma fila, num banco de trem, num restaurante ou numa simples escada rolante, é consequência da superpopulação de filhos únicos num país onde cada um tem de lutar por sua própria sobrevivência, ainda que não estejam em uma selva de fauna e flora, como as que conhecia.

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Name:	Noite Fria (1).jpg
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ID:	159870
        Fonte: 30trips

        Apesar das justificativas que ela mesma dava às cosias que lhe geravam aquela sensação de nojo ou de revolta, a menina já não conseguia mais aturar comer em louças e talheres sujos e usar um buraco no chão como banheiro. Então, percebeu que, para ela, essas diferenças eram tão difíceis de aceitar por não serem exatamente uma novidade. Na verdade elas representavam tudo o que ela mais detestava em seu próprio país, só que ali, na China, estavam elevadas à décima potência. Esse pós-conceito quebrou o seu encanto e fez a menina chorar. Foi a primeira vez, em 30 anos, que o diferente lhe pareceu tão igual.

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        • karine
          Fazedor de Chuva
          • Jul 2012
          • 1595

          #19
          Sanur: Welcome to Bali!!

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Name:	Air Asia (8).jpg
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ID:	160148
          Fonte:30trips

          Chegamos em Bali, o tão famoso paraíso na Terra. Praias lindas, com ondas perfeitas, plantações de arroz, paisagens belíssimas e um astral único, isso permeia o imaginário popular quando se fala de Bali e com a gente não poderia ser diferente. Enquanto era apenas um sonho ou uma realidade distante era fácil, não tinha com o que se preocupar, mas com a proximidade de nossa chegada precisávamos definir onde ficar. A ilha é grande e cada local tem sua particularidade, sendo bem diferentes entre si. Nossa ideia original era alugar um bangalô e sossegar numa praia qualquer por um mês. Deste lugar visitaríamos o resto da ilha de moto.

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ID:	160149
          Fonte:30trips

          Compramos um guia, pesquisamos na internet e ouvimos alguns amigos que conheciam a ilha. Assim, decidimos fazer a primeira parada em Sanur, a princípio por quatro dias. Os motivos que nos levaram para lá foram o bom preço do hotel, a meio quarteirão da praia, e sua localização estratégica, relativamente perto do aeroporto e dos principais atrativos.

          A primeira impressão que tivemos foi do voo mais descontraído de todos os tempos. Como viajamos em pleno Halloween, desde as instruções de segurança até a roupa dos comissários (caracterizados de zumbis, vampiros etc), passando por história de terror contada pela chefe de cabine e gincana entre os passageiros, tudo tinha a ver com o dia das bruxas. Ao desembarcar, a quantidade de taxistas insistindo pela corrida em nada lembrava o paraíso. Após longa pechincha fechamos com um deles. No caminho, o trânsito e o calor mais nos remetiam ao inferno. Ainda assim, nada conseguiria estragar o clima, afinal estávamos em Bali.

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Name:	Resort (130).jpg
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ID:	160150
          Fonte:30trips

          Sanur é uma vila muito interessante, pequena, discreta e charmosa. Essa região é mais frequentada por pessoas mais velhas e casais em férias ou lua de mel (portanto, com maior poder aquisitivo), possui uma longa praia de um lado e uma rua principal do outro, ótimos restaurantes e bares, além de diversos resorts de luxo que dominavam boa parte da faixa de areia. Ficamos num pequeno hotel em cima de um restaurante japonês.

          Sabíamos que estávamos em Bali e, embora muito empolgados com a situação, ainda não tinha caído a ficha de quão incrível poderia ser o mês que nos dispusemos a passar nessa ilha. Propositalmente chegamos no dia 31 de outubro, para comemorar o meu aniversário de 30 anos por lá. E a escolha foi acertada, não poderia ter sido melhor! Ainda sem conhecer muito de Bali, pegar uma moto em Sanur e sair sem destino foi muito maneiro. A noite um jantarzinho romântico fechou a comemoração. Certamente vai ficar na história.

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ID:	160151
          Fonte:30trips

          De moto, visitamos ainda Kuta, Ubud e as praias do sul: Uluwatu e Padang Padang. Todos esses destinos serão detalhados em posts específicos. Assim, nos ambientamos na ilha, que é consideravelmente grande. Bali é conhecida como a ilha dos Deuses e só não poderia ser a ilha da Magia, porque esse título já pertence à minha queridíssima Floripa. Agora, com conhecimento de causa, alongamos nossa estadia por mais dois dias em Sanur e desistimos de alugar uma casa, optando por ficar um pouco em cada um dos lugares supracitados.

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Name:	Sanur Beach (2).jpg
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ID:	160152
          Fonte:30trips

          Assim foi feito. No final ainda tivemos a oportunidade de voltar a Sanur para mais dois dias na companhia dos meus pais, Zeca e Celi. Eles passaram uma semana conosco em Bali e os últimos dias foram no maneiríssimo Resort Puri Santrian. Com a decoração e arquitetura totalmente no estilo balinês, tendo estátuas de deuses por todos os lados. Os pequenos detalhes e as portas eram esculpidos à mão na madeira, formando verdadeiras obras de arte. O quarto era absurdo, digno de lua de mel, com dois ambientes, banheira de hidromassagem, varandão e uma bela cama king size. Foram dois dias intensosos, tênis, mergulho, piscina, massagens balinesas e muita mordomia. Fomos a vários restaurantes caprichados da vila e aproveitamos ao máximo os recursos que o resort oferecia. O período em família foi ótimo e nos ajudou a matar a saudade, botamos o papo em dia, curtimos muito juntos e ficamos com gostinho de quero mais. E foi de lá que, depois de uma semana perfeita, eles se despediram deixando saudades.

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          • karine
            Fazedor de Chuva
            • Jul 2012
            • 1595

            #20
            "Isso aqui (ôô) é um pouquinho de Brasil (iá, iá)..."

            Esse é o primeiro post escrito em conjunto pelo casal. Esperamos que gostem!!

            Após duas semanas na China e uma escala de um dia em Singapura, chegamos, de ônibus, na capital da Malásia, Kuala Lumpur. As semelhanças com o Brasil são muitas e logo se fizeram visíveis. A começar pelo clima quente, pelo ônibus e pela estrada. Tudo do jeitinho brasileiro, até as paradas em postos bem estruturados com lanchonetes e afins. Deu uma saudade gostosa. Esse sentimento de identidade foi reforçado em outras similaridades, como o sorriso das pessoas, convivência de raças e etnias distintas, o trânsito meio corrido, o estilo dos edifícios e das casas, as ruas arborizadas (lembram muito nosso querido Rio de Janeiro) e até a língua. Explicamos. Antes de receber os ingleses, portugueses já tinham aportado na Malásia e sua passagem pode ser vista até hoje em algumas palavras, como bendera, poliklinik, meja e keju (bandeira, policlínica, mesa e queijo, respectivamente).

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Name:	Little India (2).jpg
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ID:	160199
            Fonte: 30trips

            Em KL, como é chamada por seus moradores, tivemos o privilégio de nos hospedar na casa de uma querida amiga, a polonesa Iga (que Heda conheceu no ano em que morou na Irlanda e que já havíamos recebido no Rio e em Floripa) e seu marido, o brasileiro (e gente boníssima) Matheus. Eles foram excelentes anfitriões e ajudaram ainda mais a gerar esse clima de “como se estivéssemos em casa”. O fato de ser um país em desenvolvimento, assim como o Brasil, também pesou. Lá não vimos nem a organização extrema do Japão e de Singapura, nem o consumismo deliberado dos Estados Unidos, nem aquela zona generalizada que foi retratada nos posts sobre a China, da qual já estávamos saturados.

            Apesar disso, as diferenças são grandes. Que bom, pois é pra isso que estamos aqui. Iga e Matheus moram em Brickfields, um bairro de predominância indiana, com um belo templo hindu ao lado. Como a Iga adora a culinária deste país, nos levou para degustar diversos pratos típicos de lá, baratíssimos e muito bons. Sempre apimentados e muitas vezes vegetarianos, mas todos excelentes. Os indianos comem com a mão: arroz, vegetais e diversos molhos, tudo misturado e com as mãos. Nós usamos garfo e colher (facas não são costumes na Ásia), mas na próxima vez comeremos como os locais.

            Uma das coisas mais interessantes da Malásia é a formação étnica de seu povo. As raças predominantes são chineses, indianos e malaios e, embora sejam todos malasianos, eles não se misturam entre si e exercem papéis distintos na sociedade. Neste sentido, configuram uma nação desunida (na raiz da palavra) o que, conforme percebemos, é o maior problema do país ou o que dá origem aos outros. Os Indianos pegam no pesado, trabalham na construção e em serviços menos nobres. São vistos pelas outras etnias como baderneiros. Já os chineses trabalham em escritórios e com tecnologia. São vistos pelos outros como workaholics e dinheiristas. Por sua vez, os malaios, em sua maioria muçulmanos, têm regalias como generosas cotas nas universidades e só eles podem ocupar vagas no serviço público. Além disso, toda empresa, inclusive estrangeira, precisa ser presidida por um malaio. Muitos aproveitam essa condição para atuar como laranjas, recebendo gordas quantias em dinheiro apenas para assinar como presidente de alguma corporação. Em contrapartida, como são muçulmanos, não podem beber. Poucas semanas antes de chegarmos, uma atriz famosa local, malaia e muçulmana, foi flagrada bebendo e fumando por um paparazzi, resultado: serviu de exemplo e tomou diversas chibatadas na bunda.

            O sistema político é o sultanato. Cada estado é governado por um sultão. Todos eles se revezam no comando do país, em uma ordem combinada entre eles, com um mandato que dura cinco anos. Na Malásia as penas são duras: roubo – corta a mão; uso ou porte de drogas – várias chibatas na bunda (até esfolar); tráfico de arma ou drogas – forca; e por aí vai… Apesar disso, soubemos de casos de furtos a carros estacionados, roubos de passaporte e de bolsas, esses efetuados por motoqueiros. Então, o visitante precisa estar atento.

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            Fonte: 30trips

            Como bons turistas que somos, não poderíamos deixar de visitar as torres gêmeas da Petronas (até o nome é parecido com o da petrolífera brasileira), um dos principais cartões postais da cidade. O belo parque em seu entorno foi projetado pelo brasileiro Roberto Burle Marx. A visita à Batu Cave e à estátua de Lord Murugan, gigantesca e imponente, que disputou (mas perdeu) um posto de nova maravilha da humanidade, também foi incrível. Por sorte, presenciamos uma cerimônia em que os indianos estavam lavando as imagens de seus “santos” com água de coco. Muito bonita. Batu Cave é um lugar mágico e lindo de observação. Traz uma sensação de paz e vale mais de uma visita. Lá também recebemos a benção de um hindu, que amarrou pulseirinhas em nossos pulsos e pintou nossa testa, em sinal de boa sorte.

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            Fonte: 30trips

            Em contrapartida a este lado espiritual, visitamos ainda um imenso shopping onde é possível comprar todos os lançamentos tecnológicos a um preço bem acessível. Metade do que é oferecido no Brasil. Iga e Matheus ainda nos levaram para dançar Swing (típica dança norte-americana desenvolvida entre os anos 1920 e 1950, que pode ser vista em diversos filmes), comer pratos árabes e chineses que ainda não havíamos experimentado, incluindo uma sobremesa feita com gergelim, mas que parecia caldo doce de feijão. Por intermédio deles também conhecemos várias pessoas interessantes, legais e pudemos ver como os malasianos – sejam indianos, chineses ou malaios – são simpáticos.

            Mas as atividades não pararam por aí: jogamos squash, curtimos um show no Pub Waikiki e fizemos um passeio irado para lindíssima ilha de Langkawi (assunto do próximo post) com a Assouma e o Adrian, um casal muito querido formado por um chinês malasiano e uma tunisiana.

            Agradecemos muitíssimo ao Matheus e à Iga por nos receberem da melhor maneira possível, o que nos permitiu conhecer KL de modo tão distinto. A melhor parte é que voltaremos em breve. Após as festas de fim de ano, que deverão ser comemoradas por nós na Tailândia e por eles na Polônia, teremos mais alguns dias nessa surpreendente cidade.

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            Fonte: 30trips

            Também agradecemos aqui as dicas do querido Thiago Pontini. Os bolos da Secret Recipe provaremos na próxima ida.

            Comentário

            • karine
              Fazedor de Chuva
              • Jul 2012
              • 1595

              #21
              Langkawi: a belíssima surpresa

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              Fonte: 30trips

              A Malásia tem uma particularidade: por ter sua população dividida em três grandes etnias e, assim sendo, religiões distintas, o país respeita os feriados de cada uma delas que, por sua vez, se aplicam a todos os habitantes. Isso significa que o número de feriados ao longo do ano é imenso. Ta aí uma coisa ótima, não é? Justamente na semana que estávamos lá eles comemoravam o feriado de Hari Raya Haji. O Matheus nos explicou que esse feriado mulçumano também é conhecido pelos católicos, pois comemora-se o sacrifício de Abraão, disposto a matar seu filho em nome de Deus. Aproveitamos os dias livres para fazer uma viagem pelo país. O local escolhido foi a paradisíaca ilha de Langkawi, localizada no noroeste da Malásia, a cinco horas de carro da capital e muito próximo à fronteira com a Tailândia.

              Saímos durante a madrugada e de manhã cedo chegamos na cidade porteira de Kuala Kedah, onde pegamos o ferry boat. Antes do almoço já estávamos na ilha. Reservamos o hotel pelo site Agoda, dica do Matheus que compartilhamos com vocês. Langkawi lembra muito as cidades de praia brasileiras, aquelas com boa infraestrutura. Além de nós, também era a primeira vez que Iga e Matheus visitavam o lugar. Durante nossa estadia, não precisamos nos preocupar com nada. Adrian e Assouma, o casal bacana ao qual já nos referimos no post sobre Kuala Lumpur, haviam estado lá algumas vezes e bolaram um roteiro irado.

              Assim que chegamos pegamos um barquinho para os três casais, que nos levou até a ilha de Dayang Bunting, para que nos deliciássemos no incrível Lake of the Pregnant Maiden (ou Lago da Donzela Grávida), localizado em meio a um deslumbrante paredão de rochas. Coisa de filme!! Indescritível a beleza. Na sequência fomos alimentar falcões, aves símbolo da ilha e que está por todos os lados. O passeio terminou com a vista de um belo pôr do sol entre as montanhas e o mar.

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ID:	160368
              Fonte: 30trips

              No dia seguinte alugamos um carro e fomos explorar a ilha. Na primeira parada fizemos uma trilha (cheia de escadas) que nos levou a uma cachoeira belíssima. Com o calor bombando, ficamos um tempo por ali para nos refrescar e também aproveitar a energia daquela água.

              De lá fomos à praia de Tanjung Rhu. O local é praticamente deserto e, novamente, sua beleza nos remeteu a esses paraísos que por vezes fantasiamos ou vemos em algum filme de Hollywood. Pedras e uma pequena ilha “brotavam” em meio à água cristalina. O verde das matas compunha a moldura daquele cenário incrível. Decidimos ir à ilha nadando, pelo menos em parte do trajeto. Em outras era possível andar. Esse passeio durou três horas, mas foi impossível sentir qualquer cansaço. Coisas de lugares mágicos como aquele. Inclusive, algumas semanas depois vimos uma reportagem no site de turismo da CNN, destacando a mesma praia entre as melhores do mundo. A menção é merecidíssima, é realmente show!! Segue trecho da matéria:

              “The quieter Tanjung Rhu has an earthy beauty and serene atmosphere. The three-kilometer Tanjung Rhu beach area is surrounded by ancient limestone caves, rippling waterways and dense mangroves”.

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ID:	160370
              Fonte: 30trips

              O dia terminou novamente com a caça a um belo pôr do sol. Fomos até o ponto mais alto da ilha, mas chegamos tarde e o astro rei já tinha ido para o seu repouso. Mesmo assim, a vista compensou tudo.

              A culinária local, como não poderia deixar de ser, estava repleta de frutos do mar. Uma delícia. A Assouma, como muçulmana que é, pagou um jantar a todos, como é do costume deste feriado. Explico. Faz parte do ritual mulçumano sacrificar um carneiro e doar 2/3 da carne, sendo 1/3 aos pobres e 1/3 aos amigos e vizinhos. Não tendo esse animal, ela doou o jantar. Uma fofa!! Achei esse costume de doação MUITO legal!!

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              Fonte: 30trips

              Em Langkawi, finalmente, conseguimos comer pão pela manhã, graças à uma senhora inglesa que mudou-se para lá e abriu um café há cerca de 18 meses. Isso porque na Ásia o café da manhã é exatamente o que eles almoçam. Eu simplesmente não consigo “almoçar” às 9h da manhã, muito menos na primeira refeição. O Duda conseguiu, mas ainda assim nunca foi o ideal.

              A ilha também é zona franca e possui alguns Dutty Free. Como bons mochileiros, as únicas coisas que compramos (logicamente por conta do espaço disponível) foram chocolates e duas garrafas de vinho. Vale ressaltar que todos foram consumidos na viagem de volta à KL, que durou absurdas nove horas!! Sim, pegamos um engarrafamento monstro na volta do feriado. Mais uma semelhança que nos fez lembrar de casa, né? Duda mandou bem dirigindo na mão inglesa.

              Na saída, porém, mais uma situação nos aguardava. Tínhamos deixado os carros estacionados em uma escola e, quando retornamos, uma das funcionárias pediu para que tirássemos uma foto, encenando como se ela estivesse nos entregando um panfleto da instituição. Parece que iriam barganhar mais investimentos, a partir da visita de turistas estrangeiros ao local. Até aí, tudo bem. Só que entre a decoração com trabalhos escolares de recorte e colagem feito pelas crianças estava o cartaz de um bumbum esfolado (quero dizer, em carne viva!) de uma pessoa que havia apanhado por consumo de drogas. E uma criança apontava para a cena sorrindo. Sinistro!!

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              Fonte: 30trips

              Mais uma vez agradecemos ao Matheus e à Iga pela oportunidade e pela companhia, assim como ao Adrian e à Assouma. Certamente a Malásia não teria sido tão especial sem vocês!! Já estamos loucos para voltar…

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              • karine
                Fazedor de Chuva
                • Jul 2012
                • 1595

                #22
                Sul de Bali: The paradise

                Ir para o sul da ilha de Bali já fazia parte dos planos. Primeiro, durante as pesquisas feitas ainda no Brasil, a praia de Nusa Dua era recorrentemente citada como uma das mais belas do mundo. Depois, no Havaí conhecemos a Carol, uma gaúcha que havia ficado por um mês na praia de Ulwatu, repleta de brasileiros, segundo ela. E, como não poderia deixar de ser, sabíamos que algumas sequências do filme Comer, Rezar e Amar tinham sido rodadas na praia de Padang-Padang.

                Nossa primeira incursão naquela região foi enquanto ainda estávamos hospedados em Sanur. Alugamos uma motinho e desbravamos todas as vias (a maioria em reforma) e o trânsito caótico, formado por milhares de outras motos e carros (poucos caminhões), com muita coragem e persistência. Dirigir em Bali, isso sim, é uma aventura! A maior parte do caminho é cortada por uma via principal (expressa) que dá acesso a todas as praias e vila existentes no percurso. Essa estrada está em bom estado de conservação, mas lotada de policiais, que frequentemente nos paravam para exigir propina. “The police iscorruptin Bali” dizem os moradores. Nada que seja estranho a nós, infelizmente. Uma dica para quem for a Bali: embora seja aceita na maioria dos países do mundo, a CNH brasileira não valei por lá, então, faça a carteira internacional.
                Enfim, conseguimos chegar ao famoso paraíso. A primeira parada foi em Uluwatu. A praia é para surfistas, por isso os brasileiros praticantes do esporte vão para lá. Ouvimos, especialmente, muito sotaque gaúcho. As ondas ficam longe da costa e há uma barreira de coral embaixo d’água, então surfistas, tenham consigo muito fôlego, força no braço e aquelas “botinhas” específicas de borracha para evitar acidentes.

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ID:	162040
                Fonte: 30 trips

                Para chegar no mar é preciso descer uma escadaria encravada entre as pedras. Os banhistas podem aproveitar uma parte menor da praia, mas extremamente linda, entre as rochas e com a água clarinha. As lojinhas, restaurantes e dormitórios ficam em cima do penhasco. A vista de qualquer lugar lá em cima é de tirar o fôlego. Se o assunto for praia, Uluwatu é disparadamente a mais linda de Bali. Estando lá a dica é aproveitar a vista de um dos restaurantes e tomar uma Bintang (cerveja local) curtindo o esplendoroso pôr do sol. Voltamos lá algumas vezes.

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ID:	162041
                Fonte: 30 trips

                Nosso próximo destino foi Padang-Padang. Essa praia é igualmente maravilhosa, com a diferença do grande espaço para os banhistas. Ela pode ser vista da estrada, com sua areia branquíssima, seus costões rochosos, suas águas cristalinas, seus bancos de corais e, lá no fundo, as ondas dos surfistas. O acesso também é por escada, mas essa é muito mais simples. Logo no início uma placa avisa que ali tem festa todos os sábados. Algumas pousadinhas e restaurantes (poucos warungs – restaurantes de comida local, deliciosa, que no Brasil seriam os conhecidos PF’s), a maioria de ótima qualidade, comida orgânica e italiana, se espalham pela única rua, compondo um cenário tranquilo, paradisíaco e roots. Estava decidido: ficaríamos alguns dias lá (que, usando toda a minha oratória, eu consegui transformar em seis).

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ID:	162042
                Fonte: 30 trips

                Um paraíso à beira mar. Era isso que eu precisava para me recuperar definitivamente do trauma deixado por toda a loucura e porquice chinesa. Em Padang curtimos dias de sol, calor, sombra e água fresca. Nossa pousadinha tinha ar-condicionado, internet wi-fi e piscina. Nem o cabelo que era louro e ficou verde por conta do cloro foi motivo de tristeza.

                Alugamos outra scooter para visitar as tão faladas praias de Nusa Dua e Dreamland. A primeira é um complexo de resorts. Muito bonita, como todo o sul da ilha, mas com aquela vibe bem turística mesmo. Lá encontramos o garçom de um warung com uma camiseta da minha amada terrinha, Floripa!! “Eeee saudade”!! A segunda é bonita, mas perde para as outras e, para a minha infelicidade, no dia em que fomos ela estava tomada por excursões cheias de chineses. Sim, eles estão começando a se aventurar para fora do seu próprio país e dá para notar o quão novatos são nessa arte. Muita roupa, pouquíssima desenvoltura com o mar, muito escândalo e, como não poderia deixar de ser, sujeira. Espero que o contato com o mundo exterior os eduque ou quem perderá serão as belezas naturais do planeta.

                Em Padang seguimos caminhando pelo lado leste e, entre pedras e areia fofa, fomos parar na maravilhosa Impossible Beach. Deserta, cheia de piscinas naturais, um lugar com aquele tipo de beleza que emociona. Ficamos algum tempo ali, curtindo a “solidão” e o visual incrível.

                A festa de sábado a noite é um show a parte. Em plena praia, mesas e cadeiras de plásticos são distribuídas pela areia. Em frente, uma equipe monta os apetrechos da banda. No fundo, alguns isopores dão conta das Bintangs geladas e de uma grande quantidade de peixes, camarões e lulas que podemos escolher, nós mesmo, ali na hora. O preço do jantar é cobrado pelo peso do pescado, que é assado em uma churrasqueira improvisada, mas servido com um delicioso tempero em um bonito prato montado em folhas de bananeira, que tem arroz, espinafre e dois tipos de molho como acompanhamento. Um verdadeiro banquete! As garçonetes, tradicionalmente vestidas, nos servem com a típica simpatia do povo local. A única construção de concreto dá abrigo ao banheiro e também à cozinha.

                No repertório da banda muuuuuuuuito Bob Marley. A acústica é turbinada pelo paredão rochoso da praia. Em poucos minutos o local está cheio de turistas, na maioria jovens surfistas. Quem não encontra lugar nas mesas abre logo uma canga e senta na areia mesmo. Durante a primeira parte da apresentação as pessoas ainda estão tímidas e jantando. Na segunda parte, porém, todos se soltam e vão dançar em frente ao palco. Não é um show “típico” montado para quem vem de fora. Essa festa poderia acontecer em Floripa, na Guarda do Embaú, na Prainha ou em Itacoatiara. E exatamente por não ser nada forçado é que ela, naquele pedacinho de céu que é Padang, é tão especial.

                Gostamos tanto da experiência que decidimos mostrar tudo ao Zeca e à Celi durante a semana que eles passaram conosco na ilha. A princípio, o perfil deles estaria mais para Nusa Dua, mas como deixá-los de fora de tanta magia? Com eles, passamos mais dois dias em Padang-Padang e, embora talvez não fosse sua primeira escolha, temos certeza que gostaram da experiência, principalmente do clima mágico da festa. Com a vibe contagiante, todos nós dançamos com os pés descalços na areia. Nada de problemas, de dores nas costas ou pelo corpo em virtude das longas caminhadas daqueles dias. Tudo isso ficou menor perto daquele momento. E nós quatro curtimos!
                Vale lembrar que a luz era somente de velas e, por isso, o brilho das estrelas e da lua era realçado. Eu e o Duda ficamos olhando o mar, admirando o céu, ouvindo aquele som e… pulamos na água! Como resistir a um banho de mar noturno com esse cenário de fazer inveja a qualquer Comer, Rezar e Amar?

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                Fonte: 30 trips

                Próxima parada, toda a fé e cultura de Ubud.

                Terimakasi!!

                Comentário

                • karine
                  Fazedor de Chuva
                  • Jul 2012
                  • 1595

                  #23
                  Ubud: onde a fé e a cultura se misturam

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ID:	162212
                  Fonte: 30trips

                  Já sabia que Ubud era a região mais mística da ilha, mas só quando cheguei lá é que tive a sensação de realmente estar em Bali (como eu imaginava que seria). A região de Uluwatu e Padang-Padang foi a mais linda de praia, com todo o clima que eu gosto – de cidade minúscula praiana sabe? –, além do visual inenarrável de tão belo. Mas Ubud foi um sentimento. Uma vibe diferente paira por lá, com todos os templos e construções no estilo balinês.

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                  Fonte: 30trips

                  Andar pelas ruas de Ubud é como se estivéssemos dentro de um filme típico. A cada viela uma surpresa, a cada construção um detalhe novo que sempre misturava o suntuoso, devido à riqueza de detalhes, e o delicado, pelo lindíssimo trabalho artesanal que representavam. As oferendas também tomam conta do cenário. Diariamente as pessoas confeccionam cestinhas de folha com flores sortidas, incensos e colocam em frente a todos (eu disse todos) os estabelecimentos. Sempre em pares. Assim como nas entradas dos templos existem duas estátuas de dragões indonésios. Isso significa o bem e o mal que existe em cada ser, lembrando que o importante é o equilíbrio. E eu simplesmente ADOREI isso. De tantas oferendas nas ruas, Duda por vezes acabava derrubando alguma sem querer e, prontamente, pedia desculpa às entidades, claro.

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                  Fonte: 30trips

                  Ficamos hospedados no hotel Sanias, ao lado do Mercado de Ubud, que também possuía um templo particular. Um verdadeiro oásis, com suas cabanas fidedignas ao estilo local, seus chatôs e sua deliciosa piscina. Um verdadeiro achado. Embora não fosse um resort, o quarto e as acomodações em geral eram muito, muito boas. Uma ótima dica para quem quer ficar hiper-bem localizado, com muito conforto, beleza e não está disposto a gastar fortunas em estadia. Afinal, Ubud tem um mundo de atrações. Quem vai querer ficar no quarto?

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                  Fonte: 30trips

                  O Warung Lokal, nome do warung que fica ao lado do hotel é um dos melhores que fomos. Viramos clientes assíduos. O mercado, a poucos passos de distância, traz todo o artesanato em madeiras, cangas, roupas, objetos de decoração e, claro, prata de Bali. Chegamos a ir a Celuk, onde ficam as fábricas, mas lá só vale mesmo se for comprar em grandíssima quantidade. Caso contrário, o melhor é barganhar com as vendedoras de Ubud.

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                  Fonte: 30trips

                  Na mesma região está localizado o Palácio de Ubud e a Starbucks mais linda do planeta!! Sério mesmo! Em meio a um jardim cheio de vitórias-régia e no maior estilo balinês (que por sinal é o meu preferido em se tratando de decoração, bem dosado, claro). O must!!

                  Ali também é fácil alugar uma moto para visitar as cercanias. Um fato curioso é que em Bali, segundo informações de locais, crianças de dez anos podem pilotar moto e de 12 anos já podem dirigir carros. Vimos várias pilotando pelas ruas. Alugamos uma motinho e rumamos para o norte, nas plantações de arroz e também para a Floresta dos Macacos. Neste até dá para ir andando, só não vá se perder entre as maravilhosas lojas espalhadas pelo caminho. Ah se minha mala fosse maior que uma mochila… Apenas um cuidado: muitos macacos desta floresta e de outros templos como o de Uluwatu, por exemplo, são treinados para furtar bolsas, relógios, óculos etc. E não se enganem com as carinhas doces dos bichinhos. Eles sabem mostrar sua força e seus dentes MUITO afiados quando querem. Se o “material” não for de grande valia, a pessoa que, na verdade, está por trás dos bichos até devolve o pertence, muitas vezes cobrando uma propina pela “ajuda”. Então, melhor ficar esperto.

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                  Fonte: 30trips

                  Na saída de Ubud existem várias fábricas de esculturas em madeira, que eu simplesmente A.M.O! Sabe aqueles budas de 1,5m vendidos a cerca de R$ 2 ou R$ 3 mil? Ali, igualzinho e autêntico, sai por U$ 100. Nessas horas o parco tamanho da minha mochila me faz chorar!

                  Está pensando que o descanso vem com o pôr do sol? Não mesmo! Ubud tem, pelo que vimos, a melhor gama de restaurantes da ilha. Todos lindos e a maioria muito bom. Além disso, shows típicos encantam os turistas. Fomos a dois. O primeiro era formado por várias esquetes de contos balineses, encenadas por dançarinas e dançarinos, acompanhados por um grupo que tocava instrumentos típicos de batuque e de sopro. Já o segundo era uma peça contínua, com vários atos sobre um antigo conto hindu, onde uma princesa era sequestrada por um nobre mau e o príncipe recebia ajuda de macacos para resgatá-la. Esse espetáculo contava apenas com as vozes dos homens como trilha sonora e também algumas cenas envolvia fogo. Em ambos o figurino impressiona, mas esse foi o que mais gostamos. Zeca e Celi já nos acompanhavam a essa altura.

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ID:	162218
                  Fonte: 30trips

                  Escolhemos começar em Ubud a semana que eles passariam conosco exatamente para que tivessem, logo de cara, esse encontro com o lado mais místico de Bali, na intenção de que sofressem uma momentânea ruptura com mundo ocidental e experimentassem aquele sabor tão único. Acho que valeu. Com eles revisitamos alguns lugares, fizemos novamente o rafting (que vale muito à pena), frequentamos várias massagens, fomos a templos belíssimos e, em nossos jantares maravilhosos comemoramos, por mais de uma vez, a alegria de estarmos juntos de novo! Esse reencontro com a família foi fundamental para recarregarmos as baterias no encerramento deste primeiro trimestre da 30trips. Receber esse calor humano, neste momento em que minha família passa por um período delicado (e passageiro, claro), foi muito bom! Por isso, aos meus queridos sogros eu só tenho a dizer: muito obrigada!

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Name:	ubud (585).jpg
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ID:	162219
                  Fonte: 30trips

                  PS1: Um detalhe curioso sobre Ubud é que após o fenômeno “Comer, Rezar, Amar” (que confesso só estar lendo agora) a vila é invadida por inúmeras mulheres solteiras que buscam viver as mesmas experiências que a Elizabeth Gilbert. Gente, são mais de dez mulheres para cada homem, quase todas louras (europeias, norte-americanas e australianas) e entre 35 e 50 anos. Então, se você está solteiro e busca esse perfil de companhia, a boa é Ubud!

                  PS2: Ainda em relação ao livro, por vezes pensei em consultar o famoso Ketut Liyer. Pensei, cogitei, falei, mas não fui atrás. Não sei até que ponto é bom saber essas coisas (ou acreditar nelas). De todo modo, não fui. Ainda me pergunto se fiz bem ou não, mas, enfim, vai ficar para a próxima.

                  Comentário

                  • karine
                    Fazedor de Chuva
                    • Jul 2012
                    • 1595

                    #24
                    Kuta: a bagunça é aqui

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Name:	Praia de Kuta (1).jpg
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ID:	162361
                    Fonte: 30trips

                    Bali é um paraíso, tranquilo e espiritual? Não em Kuta. Aqui o bicho pega. Um trânsito violento, mais moto que gente, mais camelôs que moto. Da vontade de andar com uma plaquinha escrita: “No, thanks!!” pra evitar o trabalho de ter que repetir essa frase trocentas vezes por dia. Kuta é desenvolvida, urbana e barulhenta. Apesar disso é muito legal e tem seus atrativos.

                    Os nativos dizem que “Kuta never sleeps”. Pode ser.. A galera jovem atrás de diversão vai toda pra lá. Repleto de australianos querendo farra, existem várias boates e bares na região. A bagunça não tem hora pra acabar, e é só cair a noite que começa a festa.

                    Cartaz "amável" de um restaurante em Kuta:

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ID:	162362
                    Fonte: 30trips

                    Grandes Shoppings Centers e lojas de marca se misturam a barraquinhas estilo feirinha, Resorts se mesclam com hotéis de 20 dolares, restaurantes famosos como Hard Rock Café e Bubba Gump ao lado de warungs como o Warung Totemo que foi o melhor de Bali, baratíssimo e com excelente comida.

                    A praia de Kuta é diferente, toda murada. No por do sol os tradicionais vendedores que vemos por toda a cidade não se cansam de oferecer “bintang time” em referência a marca de cerveja local. Mas essa parte eu gostei, não rolou surf pra mim na meca dos surfistas. As ondas de Uluwatu, além de gigantes, eram muito longes e em cima de um coral, quase todos os surfistas ali usavam uma botinha de borracha para não se cortar. Aqui era diferente: ondas de 1 metro com séries maiores e quebrando próxima da areia, permitiu que o surfista amador aqui pegasse altas ondas!! Em várias sessions durante as nossas 3 estadias por lá.

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Name:	Praia de Kuta (6).jpg
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ID:	162363
                    Fonte: 30trips

                    3 estadias?? Explico. Kuta fica no meio do caminho e do lado do aeroporto, então entre cada uma de nossas mudanças aproveitamos pra ficar uns dias por lá, degustar os deliciosos pratos por 3 dólares, sucos de fruta no capricho por 1 dólar e claro pegar “altas” ondas. E mais uma vez a Heda também se arriscou a surfar.

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Name:	Rafting 1 (12).jpg
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ID:	162364
                    Fonte: 30trips

                    Não nos hospedamos com meus pais aqui, primeiro pela zona que isso é, e segundo porque priorizamos mostrar-lhes as belezas da ilha. Mas passamos com eles por Kuta, num fim de tarde para mostrar a cidade de Bali que ficou famosa após um atentado terrorista em 2002 que matou 202 pessoas, em sua maioria, estrangeiros. Esse passeio também proporcionou umas comprinhas e até um encontro com o astro de hollywood Jim Carrey (ou seria um sósia?).

                    Comentário

                    • karine
                      Fazedor de Chuva
                      • Jul 2012
                      • 1595

                      #25
                      Singapura: onde as coisas funcionam

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Name:	singa 1 (32).jpg
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ID:	162541
                      Fonte: 30trips

                      Singapura era uma das paradas obrigatórias da nossa passagem RTW, e de lá iríamos rodar a região. Por esse motivo tivemos duas passagens rápidas pelo país, a primeira de um dia vindo da China e saindo correndo pra Kuala Lumpur pra encontrar a Iga e o Matheus, e a segunda por dois dias servindo de escala entre Bali e Bangkok.

                      A cidade é interessante, muito moderna e tudo funciona. No metrô já vimos logo de cara avisos sobre pesadas multas por fumar, beber ou entrar comendo nos vagões. Até chiclete da multa. Drogas então nem pensar, pena de morte sem pestanejar. O trânsito fluindo e o respeito pelas pessoas fizeram um forte contraste com a China, de onde viemos.

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Name:	singa 1 (26).jpg
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ID:	162542
                      Fonte: 30trips
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ID:	162544
                      Fonte: 30trips

                      Hospedar-se por lá é bem caro, por isso optamos por ficar em hostels. Na primeira vez ficamos no Tree in Lodge e na segunda vez no River City Inn. Os dois hostels são os primeiros na qualificação do site hostelworld.com e são bem localizados e tem excelente estrutura. Ambos renderam belas ideias para implementação futura no Lapa Hostel, principalmente o segundo.

                      Singapura é um dos quatro tigres asiáticos e desde a sua separação da Malásia decretada em 1965, não parou de crescer. Hoje é um dos países mais ricos do mundo, com o 3º maior PIB per capita do mundo, 4º maior centro financeiro e 5º porto mais movimentado. Pra um país menor que a cidade do Rio de Janeiro tá bom né??

                      Dentre as atrações turísticas do local, visitamos a Marina Bay e a famosa estatua de Merlion na primeira parada e o grandioso complexo de entretenimento Clarke Quay e seu riverwalk, que conta com diversos bares e restaurantes além de ter uns dois ou três shoppings no seu entorno.

                      É isso, da primeira vez o reencontro com a civilização marcou. Da segunda, valeu pelo descanso após um mês intenso em Bali e a grande expectativa pela visita à Tailândia que se aproximava.

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ID:	162543
                      Fonte: 30trips

                      Vale ressaltar que a Singapore Airlines é muito foda!! A melhor classe econômica do mundo fez jus ao título: poltronas espaçosas, aeromoças simpáticas e com uniformes estilosos, comida oriental ou ocidental acompanhada de vinho, além de um computador de bordo completasso, com mais de 200 filmes. O aeroporto mantém o padrão da companhia, e além de gigante é bonito e confortável.

                      Voltaria outras vezes, de preferência com mais dinheiro!! hehe

                      Comentário

                      • karine
                        Fazedor de Chuva
                        • Jul 2012
                        • 1595

                        #26
                        A frenética Bangkok

                        Em leituras de outros livros de viagem, a capital Bangkok já me parecia ser diferente da tranquilidade de outros paraísos naturais da Tailândia. Chegando lá, tive a confirmação: a cidade é frenética.

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Name:	pelas ruas de Bangkok (3).jpg
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Size:	90,7 KB
ID:	162582
                        Fonte: 30trips

                        Com um trânsito que nunca para, é difícil deslocar-se por outros meios de transporte que não sejam o trem ou o metrô. Acreditem, nós até tentamos, mas demoramos duas horas para percorrer apenas metade do caminho que o google indicava levar, no máximo, 40 minutos.

                        Optamos por ficar, inicialmente, no hotel Nasa Vegas, que estava em promoção e fica ao lado do metrô. Já sabíamos da existência de uma região preferida por mochileiros, mas como a única forma de chegar até ela seria táxi ou tuk tuk, resolvemos dar uma olhada antes.

                        Bangkok é uma cidade estratégica para a nossa 30trips, pois daqui faremos viagens menores para a Indochina (Laos, Vietnã e Camboja) e o sul da Tailândia, tiraremos os vistos de Myanmar e da Índia e pegaremos nosso voo para o Nepal. Ao todo, serão três visitas. Por isso, estava receosa com a possibilidade de termos, eu e ela, uma relação de amor e ódio, mas tudo deu certo. Como disse para o Duda, Bangkok é uma bagunça gostosa. Não sei como explicar em palavras, mas é muito bom circular por aqui.

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ID:	162583
                        Fonte: 30trips

                        Tivemos sorte, chegamos na véspera do aniversário de 85 anos do rei Rama IX. Bhumibol Adulyadej, seu nome verdadeiro (que significa Força do Incomparável Poder na Terra), subiu ao trono em 1946 e atualmente é o chefe de Estado há mais tempo em serviço no mundo. Até então eu pensava que era a rainha da Inglaterra, Elizabeth II, mas ela é a segunda e ocupa o cargo há 60 anos.

                        O aniversário foi lindo. Não apenas os militares e autoridades políticas prestigiaram a festa, realizada na praça em frente ao Palácio Real, mas também muitos, muitos populares (ao menos 200 mil pessoas, segundo dados oficiais). Inclusive, quando pedíamos informações sobre alguns pontos turísticos, os moradores nos pediam para rezar pela saúde do rei, que hoje está debilitada.

                        Neste dia todos vestiam amarelo e soltavam velas pelo ar. Eram tantos elogios toda vez que perguntávamos sobre ele, que eu realmente me emocionei. Cheguei a comentar com meus pais, numa conversa pelo Skype, que nunca tinha ido a um país onde as pessoas gostassem tanto do seu governante e como isso era estranho e, ao mesmo tempo, impressionantemente belo. Para mim, brasileira que sou, é difícil admitir um sentimento tão bom por um governante em um país cheio de desigualdades como é, também, a Tailândia.

                        Em minhas pesquisas descobri que embora tenha apoiado alguns regimes militares e seja um dos monarcas mais ricos do mundo (com um patrimônio estimado em U$ 35 mi), ele facilitou a transição do país para a democracia, nos anos 1990, e utiliza parte de sua fortuna para financiar cerca de três mil projetos assistenciais e de desenvolvimento na Tailândia. Além disso, era bonito, já foi monge e toca sax. Talvez por isso seja um semi-Deus por aqui.

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ID:	162584
                        Fonte: 30trips

                        Em nossas voltas pela cidade, optamos por comer nas diversas barraquinhas que se encontram por todos os bairros. Além de deliciosa, a comida de rua não faz mal. Turistas e trabalhadores de terno e gravata comem nestes locais com satisfação. É muito bom mesmo!! Também aproveitamos para tirar o visto do Vietnã.

                        Seguindo a dica de um morador, para visitar as principais atrações turísticas tomamos um metrô até o Rio Chao Phraya e de lá percorremos o restante do caminho num delicioso passeio de barco ao enterdecer. Super recomendamos essa dica!! Lá visitamos o templo do Buda Deitado (Wat Pho), que impressiona pelas três torres feitas em rico detalhe da arquitetura tailandesa.

                        Por lá também fica a citada a Khaosan Road, região dos mochileiros. Fomos dar uma conferida e, claro, decidimos nos mudar para cá. Outra atmosfera. Não procurei por hoteis melhores, mas na próxima ida eu indico caso tenha. Neste caso, o melhor é ficar lá mesmo. Na região também fizemos uma massagem nas pernas e nos pés. Estávamos com saudade, depois de Bali. A completa faremos na próxima visita à cidade.

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                        Fonte: 30trips

                        Além do aniversário do rei, uma data ainda mais importante foi comemorada por nós em Bangkok: nosso primeiro ano sob o mesmo teto, no dia 03 de dezembro. Jantamos no restaurante Basil, no Sharaton Hotel, e essa é outra grande dica. Maravilhoso!! Certamente voltaremos em nossa próxima ida.

                        Lá perto também está localizado o Shopping Terminal 21. A ideia é reproduzir os mercados de rua e cada andar remete a uma cidade do mundo, sendo essas: Roma, Paris, Tóquio, Londres, Istambul, São Francisco e Los Angeles. Incrível! Também vale a visita.

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ID:	162586
                        Fonte: 30trips

                        Muita coisa ainda precisa ser explorada, descoberta e descrita aqui. Já está marcado na agenda da próxima vinda a Bangkok uma massagem completa, a visita aos famosérrimos alfaiates locais, aula de culinária tailandesa e visita aos outros pontos que não fomos ainda.

                        Deixamos meu mochilão e a mochilinha do Duda num locker aqui e vamos viajar apenas com um mochilão e uma mochilinha com os apetrechos eletrônicos. Indochina, aí vamos nós!!

                        Comentário

                        • karine
                          Fazedor de Chuva
                          • Jul 2012
                          • 1595

                          #27
                          Além das ruínas de Ayutthaya

                          Click image for larger version

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ID:	162608
                          Fonte: 30trips

                          Saindo de Bangkok, nosso primeiro destino foi Ayutthaya, capital cultural da Tailândia. Considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o local já foi, de fato, capital do país por 417 anos, durante o famoso Império Sião.

                          Nesta época, por volta do ano 1700, a cidade era a mais populosa do mundo, com aproximadamente um milhão de habitantes. Incrível!! Ela foi construída no Golfo do Sião, onde fica o vale do Rio Chao Phraya (o mesmo que banha Bangkok), de forma equidistante da China e da Índia, a fim de controlar a expansão árabe e europeia pela região.

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ID:	162609
                          Fonte: 30trips

                          Em 1767 foi invadida pelo Império Birmanês, resultando em sua destruição e também do reino. Após esse episódio, Ayutthaya nunca mais foi a mesma. Atualmente é uma cidadezinha com quase 55 mil habitantes que sobrevive do turismo às ruinas de seu passado glorioso.

                          Fomos para lá em uma viagem de trem, que sai de hora em hora da estação de Bangkok. Muitos turistas fazem deste passeio uma day trip, retornando para dormir na capital. Nós preferimos ficar por lá mesmo e sentir o clima reinante.

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Name:	Ayutthaya (5).jpg
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ID:	162610
                          Fonte: 30trips

                          Nos hospedamos na Bifern Homestay (não tem site, mas é facilmente encontrada nos sites de busca especializados), que é muito boa. Bem localizada e com um preço muito justo, a comida é feita pela dona do local e é irresistível. Esta mulher é muito simpática e permite que os hóspedes, mesmo após o check-out, tomem banho (dá toalhas novas, inclusive) após um dia de passeio por ali. Foi o que fizemos, antes de ir embora.

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Name:	Wat Mahathat (7).jpg
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ID:	162615
                          Fonte: 30trips

                          Para circular pela cidade pode-se alugar uma bicicleta ou ir a pé mesmo. Entre as famosas ruínas estão a de Wat Phra Si Sanphet (antigo Palácio Real), e a de What Mahathat (antigo monastério real). Nesta última, existem muitas estátuas de Buda que foram decaptadas pelo exército da Birmânia durante a invasão. A maior atração é uma cabeça que foi resgatada por moradores e colocada entre as raízes de uma árvore como forma de marcar o ocorrido.

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Name:	Elefantes de Ayutthaya (3).jpg
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ID:	162613
                          Fonte: 30trips

                          Mas o lugar não é apenas feito de histórias. Nas ruas de Ayutthaya vimos os primeiros elefantes de perto. As pessoas podiam dar volta com eles, pagando, claro. Eu até abracei um filhote lindo!! Mas dá pena do jeito como são tratados pelos adestradores, que sempre carregam consigo um gancho de ferro e, de vez em quando, os usam contra esses dóceis bichos, para mantê-los “dançando” para o público. Quando vi isso, fomos embora.

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Name:	Elefantes de Ayutthaya (6).jpg
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ID:	162614
                          Fonte: 30trips

                          Outra crueldade com animais, mas muito popular por aqui, é a rinha de galo. Proibida no Brasil, em Ayutthaya presenciamos um campeonato, com direito a troféu e prêmios para os vencedores. Eu não tive coragem de assistir. Só via os animais saindo ensanguentados do “ringue”. O Duda, que tem estômago muito mais forte que o meu, tirou fotos e fez vídeos da briga. Se o material for publicado neste site, deixo claro que foi sob meu protesto!

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Name:	Briga de galo (8).jpg
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ID:	162612
                          Fonte: 30trips

                          Ainda circulando por lá, visitamos um templo mais novo, utilizado pela população nos dias de hoje. Bonito, mas nada suntuoso, o local estava cheio de visitantes e locais.

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Name:	Ayutthaya (9).jpg
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ID:	162616
                          Fonte: 30trips

                          A cidade é uma ótima opção de turismo tranquilo e barato. Almoçamos na beira do rio, em um restaurante ao ar livre. Apenas uma lona no chão, com mesinhas sem cadeiras. Uma delícia!!

                          A última parada foi uma visita ao Buda deitado de Ayutthaya. Os fãs do jogo de videogame, Street Fighter II devem reconhecê-lo, pois era cenário do jogador Sagat. Duda me fez pagar o maior micão da história ao posarmos igual ao game. Tem coisas que só por muito amor mesmo.

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Name:	Buda deitado SF2.jpg
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Size:	94,1 KB
ID:	162611
                          Fonte: 30trips

                          Findada a aventura virtual, embarcamos num trem noturno rumo à fronteira com o Laos. Essa aventura, sim, eu espero que seja tranquila.

                          See you soon!!

                          Comentário

                          • karine
                            Fazedor de Chuva
                            • Jul 2012
                            • 1595

                            #28
                            Click image for larger version

Name:	Rio (fronteira com o Laos) (2).jpg
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ID:	162733
                            Fonte: 30trips.com

                            Você já ouviu falar de Nong Khai?

                            Click image for larger version

Name:	Monumentos budistas (1).jpg
Views:	1
Size:	93,8 KB
ID:	162730
                            Fonte: 30trips.com

                            Nem nós, até dois ou três dias antes de chegar aqui.

                            Não se trata de uma cidade turística ou com grandes atrativos, os motivos que nos trouxeram pra cá foram definidos pelo departamento de logística da 30trips. Essa cidade fica no norte da Tailândia, bem pertinho da fronteira com o Laos, e é a última estação de trem do país. A maioria das pessoas desce na ferroviária pega um tuk-tuk e vai direto para a borda com o Laos. Nós podíamos fazer igual, mas preferimos passar uma noite por lá e ver que surpresas isso poderia nos trazer.

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Name:	Pelas ruas de Nong Khai (1).jpg
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ID:	162731
                            Fonte: 30trips.com

                            O percurso desde Ayutthaya até aqui foi feito num trem noturno, segunda classe, mas com ar condicionado. Nesse trem conhecemos Maureen Sinclair e Col Farrell, cineastas ingleses e que estão percorrendo o sudeste asiático atrás de material para seu novo projeto, que pode ser visto em detalhes no site www.clapperboarduk.com. Eles são muito gente boa, o Col ativista político e defensor do comunismo, Mo com décadas de experiência com cinema deixou a Heda louca com suas histórias. O trajeto de 570 km foi feito em 10 horas, mas como dormimos a maioria do tempo, passou rapidinho.

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Name:	Mercado local (4).jpg
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ID:	162734
                            Fonte: 30trips.com

                            Chegamos ao hotel, deixamos as malas e já fomos pra rua descobrir o que tinha por lá. A atração turística mais famosa da cidade era o Sala Kaew Ku, onde muitas estátuas de Buda seriam encontradas. Como esse lugar era meio longe e já vimos muitos Budas nos últimos meses, deixamos passar e fomos dar um rolé pelo mercado local, onde sempre vemos muitas cenas curiosas. Dessa vez, um coroa com um chapéu que fazia menção ao craque brasileiro “Ronaldiño” e o delicioso chocolate Success com sua “original” embalagem!! Voltamos a virar atração e pousamos para fotos atendendo pedidos de alguns nativos.

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Name:	Ronaldiño.jpg
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ID:	162732
                            Fonte: 30trips.com

                            A cidade é mínima, o mercado é contornado por um rio que faz a divisa entre a Tailândia e o Laos. De lá já era possível observar e imaginar o que nos aguardaria do outro lado.
                            A noite saímos para tomar uma gelada e num restaurante ou bar, estava passando ao vivo o clássico da Premier League: Manchester City X Manchester United. É impressionante o quanto esses caras gostam de futebol. Aqui na Tailândia eles jogam, torcem e vibram, em todo canto tem um campinho e todo mundo conhece os jogadores brasileiros. A pergunta que não quer calar é: Como é que não aprendem?? Nunca vi um país dessa região ao menos se classificar pra Copa do mundo.

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Name:	Yakultão (2).jpg
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ID:	162735
                            Fonte: 30trips.com

                            Antes de nos despedir da querida Nong Khai, onde tinha até misto quente no café da manhã, relato mais dois fatos interessantes que aconteceram por aqui. O primeiro deles foi o Yakultão!! 400ml de Yakult fizeram a Heda se deliciar, o sonho de muita gente aqui é realidade!! E, para finalizar, no percurso entre o hotel e a fronteira com o Laos, eu assumi o comando e pilotei o tuk-tuk . Com muita segurança e respeitando as sinalizações, arrebentei pelas ruas de Nong Khai!!

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Name:	Piloto de tuk-tuk (2).jpg
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ID:	162736
                            Fonte: 30trips.com

                            Comentário

                            • karine
                              Fazedor de Chuva
                              • Jul 2012
                              • 1595

                              #29
                              Vientiane: A (des)conhecida capital do Laos

                              Muitos turistas que visitam o Laos não chegam a ir à Vientiane. Até iniciar a 30trips eu mesma não fazia ideia de que a cidade era capital do país, muito menos que está localizada na fronteira com a Tailândia. Para mim, regiões fronteiriças remetem à bagunça, pechincha, terra sem lei. Claro, até então, minha visão era limitada pelas experiências que tenho com as fronteiras do meu país.

                              Todavia, também não esperava que fosse uma megalópole. E não foi. A primeira impressão, na rodoviária local, foi exatamente o contrário. Mas, afinal, estamos falando do Laos, um país socialista, cuja principal atividade econômia é a agricultura e que está longe de ser uma potência. Entretanto, a curiosidade era grande exatamente pela combinação desses fatores.
                              A China é, digamos, o “primo rico” e eu queria sentir o socialismo de uma forma mais roots. Deu… em partes. Explico: minha ideia inicial sobre o Laos era de que fosse um lugar remoto, onde a população vive à parte de tudo o que acontece no mundo. Não é assim. Os turistas, principalmente australianos, já descobriram esse lugar. Inclusive encontramos alguns brasileiros. Então, o trânsito de informação e a troca entre as culturas é grande. Não é, definitivamente, um ponto isolado do exterior.

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Name:	Palacio Pha That Luang (4).jpg
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ID:	162796
                              Fonte: 30trips

                              O que dizer de um país socialista em um mundo globalizado? Ele é… globalizado. No caso do Laos, não totalmente. Encontramos coca-cola, mas por aqui nem sinal de MacDonalds. Vientiane, a capital, é uma cidade com um clima bem característico. Banhada pelo Rio Mekong, por vezes me senti como se estivesse em uma mistura entre a praia da Ponta Negra – em Manaus (BR), que conheci no início da viagem –, e uma cidadezinha serrana do Brasil.

                              O Laos foi uma colônia francesa e muitas pessoas desse país escolhem viver lá até hoje. Vimos isso bem no bairro que beira o rio, com suas construções ao estilo francês e seus deliciosos restaurantes. Para explorar um pouco mais a cidade, pagamos uma corrida de tuk-tuk até o Pha That Luang, um templo budista datado do século três, mas que sofreu inúmeras reformas até os anos 1930. É considerado o cartão postal de lá. Sinceramente? É bonito, mas já vimos coisas muitos mais suntuosas por esse mundão afora. Agora, nesse lugar tem uma árvore com várias estátuas douradas de Buda em diferentes posições que é realmente um achado. Passa muita, muita paz.

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Name:	Templos budistas (5).jpg
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ID:	162797
                              Fonte: 30trips

                              O Laos é um país conhecido pela grande quantidade de monges budistas. Percebemos a numerosa presença deles pelas ruas. Cabelos raspados em uma espécie de sári branco ou laranja, sempre protegidos do sol por uma sombrinha e com aquele semblante leve. Tão bom.

                              Decidimos voltar do templo andando para desbravar outros cantos de Vientiane. Como estão próximos à fronteira com a China, é comum ver turistas desse país por lá. A cidade recebeu de presente do tal “primo rico” e camarada, um grande monumento, chamado Victoria Gate (lembra um pouco o Arco do Triunfo, em Paris) que fica em sua maior avenida. Bandeiras do país e do socialismo também estão por todos os lugares.

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Name:	Com os monges (1).jpg
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ID:	162798
                              Fonte: 30trips

                              Encerramos o passeio entrando num templo budista menor que ficava em frente ao nosso hostel. Sabe aquela coisa que se faz sem pensar (já que templos não chamam mais tanto a nossa atenção como no ínicio da viagem)? E lá eu tive uma experiência muito legal. A primeira da minha vida.

                              Sou uma pessoa de MUITA fé, mas minha opinião sobre as religiões (enquanto instituições que são) é de que são muito humanas para serem divinas, além de recorrentemente serem usadas como motivo de intolerância em diversos séculos e lugares do planeta, resumindo bem a linha de pensamento, já que não cabe aprofundar aqui. Para mim, um mundo como pintou John Lennon seria melhor: “Nothing to kill or die for, and no religion too”.

                              Essa é uma opinião muito pessoal e só estou divulgando aqui porque ao entrar nesse templo, um dos mais simples, vimos uma cerimônia onde os monges repetiam os cânticos de forma ininterrupta, em transe (será?) e eu vivi uma coisa que já mais pensei. Uma sensação, um diálogo com algo que não sei explicar, sem me afastar do que me cercava. Enfim, uma coisa única, mágica e linda! Isso aconteceu num momento muito importante para mim, no dia em que meu pai seria operado em Floripa. Deu tudo muito certo e a dupla da 30trips está mais do que feliz e aliviada!!

                              Pelo o que vimos na capital, o socialismo vem cumprindo seu papel. Não vimos qualquer discrepância social, nenhum mendigo, miséria ou pobreza extrema. Também foi seguro caminhar nas ruas, ainda que a comunicação com uma populalção, que quase não fala inglês, seja na base dos gestos. Entretanto, estamos falando da capital. Ainda vamos para Luang Prabang, na serra deles, com uma parada estratégica na cidade de Viang Vieng, da qual acabamos de saber sobre a existência. Então, vamos ver o que nos aguarda. Até lá!

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Name:	Vendedores locais (2).jpg
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ID:	162799
                              Fonte: 30trips

                              Comentário

                              • karine
                                Fazedor de Chuva
                                • Jul 2012
                                • 1595

                                #30
                                Vang Vieng: A cidade dos mochileiros

                                Mais um lugar que nunca tínhamos ouvido falar. Dessa vez trata-se de uma cidadezinha no interior do Laos. Em meio a rios e montanhas e localizada a 120 Km ao norte da capital Vientiane e 260 Km ao sul do principal destino turístico do país, a cidade de Luang Prabang, está Vang Vieng. O percurso de 380 Km entre as duas principais cidades do país demora cerca de 11 horas e ouvimos que valeria a pena fazer uma escala por lá.

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Name:	Vang Vieng (9).jpg
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ID:	162931
                                Fonte: 30trips

                                Chegamos por volta das 14h, almoçamos e logo achamos uma bela guest house pela bagatela de seis dólares. Alugamos uma moto e fomos conhecer a cidade. Um astral muito bom e uma imensa quantidade de mochileiros chamou nossa atenção. Seguimos nosso destino e acabamos indo parar na Khan Kham Cave, uma caverna muito maneira, onde precisávamos de lanterna pra ver alguma coisa, e por sorte tinha um sujeito lá alugando o equipamento. O caminho de moto era difícil e cheio de obstáculos, mas valeu!! A caverna era irada!!

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ID:	162932
                                Fonte: 30trips

                                Até então a ideia era chegar no local, passar a noite e sair no outro dia bem cedinho. Porém, procuramos na internet atrações sobre a cidade e duas reportagens do site de turismo da CNN chamaram nossa atenção. A primeira delas dizia que aqui era o paraíso dos mochileiros e fazia menção a festas no rio, em plena luz do dia, comandada por um bar. A segunda contava sobre o fechamento desse mesmo bar (cerca de dois meses antes de chegarmos) após a morte de um canadense que abusou da combinação entre álcool, drogas e esportes radicais. Segundo informações extra oficiais, mais de 20 pessoas morreram pela mesma causa somente em 2012.

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Name:	Vang Vieng (11).jpg
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ID:	162933
                                Fonte: 30trips

                                Pela quantidade de jovens por lá, a grande maioria australianos, existem alguns bares e pubs que animam a cidade. Nos restaurantes, quase sempre passando reprises do seriado “Friends”, a comida é de alto padrão e por um precinho que só no Laos mesmo. Nos bares é o som de Gangna Style que bomba. Na primeira noite vimos várias pessoas com uma marca de pilot na mão, descobrimos que era referente a um passeio pelo rio, e resolvemos ficar mais um dia para conferir.

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Name:	Vang Vieng (22).jpg
Views:	1
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ID:	162934
                                Fonte: 30trips

                                No dia seguinte, partimos para a aventura, que consistia em alugar uma “boia” (leia-se, câmara de pneu de caminhão) e com ela descer o leito do rio por cerca de duas horas e meia, percorrendo cerca de 10 km. Relaxante e mesmo os trechos com corredeiras dispensam a presença de instrutor, guia ou salva-vidas (que bom, porque se precisasse não teria). Aluga a boia e se taca no rio, simples assim. No fim das contas foi muito tranquilo e divertido. Com uma paisagem daquelas, não tinha como ser diferente.

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Name:	Nam Song River (5).jpg
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ID:	162935
                                Fonte: 30trips

                                Ou seja, mesmo sem o tal bar, a cidade continua bombando. Os baixíssimos preços atraem os mochileiros cheios de disposição, e a população local já está preparada para recebê-los. Aos que passarem pelo Laos, não percam esta parada!!!

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