GCFC ARTUR ALBUQUERQUE - Ushuaia até Prudhoe Bay

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  • Dolor
    Fazedor de Chuva

    • Mar 2011
    • 3250

    #46
    Diário de Bordo PHD Alaska: Presidencia - 26/09/2011
    Roque Saens Peña – No Hotel Aconcágua, como o meu cartão Visa negou
    crédito, com muita dificuldade consegui trocar dólares por alguns pesos
    argentinos ($1.00 USD = $400,15 Pesos). Somente aceitavam a cédula de dólar se
    fosse sem amassado e sem qualquer tipo de marca, corte ou a mais simples
    deformidade causada pelo uso. Ou seja, somente queriam cédulas novas. Mas, me
    ajudaram a garantir o pagamento da gasolina para a próxima jornada. Aproveitei
    para atualizar o blog. Mas, inserir fotografias era uma dificuldade devido ao
    baixo nível de sinal da Internet. No hotel Aconcagua, recarreguei as minhas
    baterias, corpo e mente. Então, estava pronto para seguir na estrada. Fui
    olhara minha Electra e lembrei-me do som estranho no motor, na última manhã, durante
    a partida. Verifiquei a vareta de nível e faltava óleo no motor: mais um litro.
    Após demonstrar tanta resistência, força e bravura, se tivesse de dar um nome a
    minha Harley negra, por merecimento, seria El
    Toro Miura.

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    • Dolor
      Fazedor de Chuva

      • Mar 2011
      • 3250

      #47
      Diário de Bordo PHD Alaska: Presidencia - 27/09/2011
      Roque Saens Peña – Matelândia (Parcial = 920 Km / Total = 46.821 Km) –
      No Hotel Aconcágua, o café da manhã é uma mesa permanente. A qualquer hora, o
      hóspede pode ao menos lanchar. Às 06:00 h da manhã, com Pesos no bolso, a
      gasolina estava garantida. Somente faltava achar. Segui pera ruta nacional 12, chegando a Resistência, quando me lembrei da
      recomendação do João Batista e segui
      com a moto pela marginal; pois moto na pista central é multa na certa. No
      caminho, não havia gasolina. Outra
      vez apelei para o galão de reserva.
      Somente consegui abastecer em Posadas.
      Com o Sol a pleno no céu azul, segui pela RN 12 com o coração mais leve e cheio
      de alegria, pois bem ali ao lado estava a minha querida terra Brasil. Fiz um pit stop em Puerto Iguazu, a fim de comprar um remédio para um amigo. Enchi o
      tanque com o saldo de Pesos e me dei ao luxo de fazer um lanche na loja de
      conveniências do posto, que tinha até Wi-Fi. Estava curtindo a iminência de
      pisar na minha Terra. Tudo estava justo e perfeito. Então, segui na direção da
      fronteira. Na alfandega-imigração, o prazer de ouvir falar a minha língua e está entrando em minha Pátria, minha casa, depois de
      tanto tempo me sentindo estrangeiro e peregrino. Não lembro de ter sentido
      tanta felicidade e orgulho de ser brasileiro, como nesta entrada no Brasil. Meu coração era pura
      felicidade. Na BR 227, chegando a Matelândia,
      logo após o segundo posto Ipiranga, identifiquei da estrada o pouso preferido de
      tantos motociclistas internacionais, o Hotel
      Faeli – hotelfaeli@gmail.com – de propriedade do Fazedor de Chuva João Batista e sua esposa Eliete.
      Na entrada do hotel, uma surpresa: estavam me esperando o Dolor, o fundador da “Tribo” dos Fazedores de Chuva, além do Fazedor
      de Chuva Osmar e a sua inseparável
      esposa Terezinha. A comunidade dos Fazedores de Chuva – www.fazedoresdechuva.com
      – é constituída pelos motociclistas que já
      fora e voltaram, do Alaska e de Ushuaia, com suas motocicletas, exclusivamente,
      por estrada. À noite, nos reunimos na casa do João e tivemos uma jantar especialmente
      preparado pela sua esposa Eliete, regado a delicioso vinho. A segunda surpresa
      foi após o jantar, quando o Dolor pediu permissão aos anfitriões para me fazer
      uma singela e significativa homenagem,
      me distinguindo, formalmente, como Fazedor de Chuva. Recebi o diploma, que guardarei, e os distintivos (badge /patch) que
      usarei com muita dignidade. Minha gratidão ao amigo Dolor pelos presentes e
      pela presença, incluindo os amigos Osmar e Terezinha; e minha gratidão aos
      amigos João Batista e Eliete por me receberem em sua casa e a todos, como Fazedores
      de Chuva, por me fazerem essa honrosa e inesquecível homenagem.

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      • Dolor
        Fazedor de Chuva

        • Mar 2011
        • 3250

        #48
        Diário de Bordo PHD Alaska: Matelândia – 28/09/2011

        Os amigos Fazedores de Chuva, Dolor,
        Osmar e Terezinha deixaram seus compromissos em Itajaí e Balneário Camboriú
        e vieram de moto até Matelândia, no Hotel Faeli – hotelfaeli@gmail.com – de
        propriedade do Fazedor de Chuva João
        Batista e sua esposa Eliete, para
        me recepcionar na chegada ao Brasil, me honrando com tamanha atenção. Hoje, todos
        tomamos o café da manhã juntos e os três amigos partiram para seus destinos.

        O João e sua esposa Eliete foram para o trabalho e eu me dediquei a atualizar o Blog,
        aproveitando a excelente qualidade de acesso a Internet. Mais tarde, o amigo
        João veio me convidar para almoçar. À noite jantamos em família. Depois,
        ficamos conversando sobre viajar de moto, quando ele me contou sobre as suas
        grandes viagens pelos vários continentes. Comentei com o João Batista que
        algumas pessoas me perguntavam por que nós motociclistas abandonávamos o
        conforto e a segurança das nossas vidas para correr tantos riscos. E eu e o
        irmão João Batista concordamos que a aventura é inerente a nossa natureza humana
        e faz bem ao nosso espírito. Há algum tempo, escrevi sobre este tema: “Desafio e Aventura – Há bilhões de
        anos, emergimos das águas e nos arrastando sobre a terra, iniciamos a nossa
        extraordinária jornada. Há pouco mais de um milhão de anos, emigramos da África
        para colonizar a Ásia e a Europa. E mais tarde, atravessamos o Estreito de
        Bering, para povoar a América e por outros heroicos caminhos, continuamos a
        permear a biosfera das mais importantes massas continentais desse nosso pequeno
        planeta. Assim, desde épocas imemoriais, desafio e aventura têm propiciado
        alimento para os nossos corpos e estímulo para nossas mentes. Desafio e
        aventura têm sido imprescindíveis para aferir nossos limites, potencialidades e
        relações; além de fundamentais para nos fazer sentir que estamos vivos e que
        podemos ser senhores de nós mesmos, ainda que por fugazes momentos, como o eram
        os nossos mais remotos ancestrais. Hoje em dia, muitos alimentam essas
        necessidades atávicas com a prática do salto livre de paraquedas na imensidão
        dos céus, outros surfando a 5.000 m de altitude nas areias coloridas sobre a
        neve do Himalaia, velejando na tempestade através da Passagem de Drake (Cabo
        Horn), outros escalando e morrendo no peito congelado de um Aconcágua. E mais,
        muito mais. Porém, nós motociclistas, aplacamos esse impulso ancestral,
        pilotando as nossas motos nas longas estradas, por terras distantes,
        ultrapassando fronteiras, adentrando amplos horizontes, integrando belas
        paisagens, aprendendo com as gentes, fazendo novos amigos e irmãos. Como
        observam os não iniciados, poderíamos fazer essas mesmas viagens de outras
        maneiras mais cômodas, seguras e confortáveis.

        Mas, não seria a mesma coisa; porque somente sobre a sela de uma
        motocicleta podemos conhecer cada palmo do chão, perceber de uma perspectiva
        privilegiada a discreta transição da paisagem e a sutil mudança da atmosfera,
        seguindo com a cara no vento, sentindo a natureza na pele, conhecendo os
        detalhes e percebendo o mundo passar. Quando estamos na estrada, por breves e
        prodigiosos momentos, estamos também reverenciando o passado. Então, somos como nômades das estepes em
        caravanas errantes, navegantes em mares nunca dantes navegados, cosmonautas
        rumando para novas estrelas, capitães de nossas almas e senhores de nossos
        próprios destinos. Entender o que é viajar de moto, para os homens comuns,
        permanecerá inacessível, mas para os iluminados, estará aguardando de braços abertos.”

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        • Dolor
          Fazedor de Chuva

          • Mar 2011
          • 3250

          #49
          Diário de Bordo PHD Alaska: Matelândia -
          Londrina (Parcial = 460 Km / Total = 47.281 Km) –

          Estou me
          desacelerando aos poucos e é uma tranquilidade estar percorrendo as estradas do
          meu Brasil. Com o intuito de relaxar mais um pouco, o descanso em Matelândia foi
          fundamental. Além disso,as muitas conversas como o amigo Fazedor de Chuva João Batista me ilustraram com vários
          fatos de violência de seu conhecimento e experiência própria, que as minhas
          preocupações no retorna da viagem eram procedentes e racionais. O dia amanheceu
          ensolarado e às 09:00 h já estava agradecendo e me despedindo do admirável viajero João Batista e em seguida,
          peguei a BR 227.

          Boa estrada com a paisagem tomada pela agricultura. No último
          pedágio antes de Londrina, o PHD Lucio Flavio, já estava me esperando.

          Seguimos para a Pequena Londres – que o Lucio explicou ser o significado de Londrina, em
          virtude de a cidade ter sido colonizada pelos ingleses – e fomos direto para a
          loja de motos Garage, de propriedade do Hamilton,
          onde tive a oportunidade de conhecer vários amigos do Lucio. À noite, fomos
          visitar a loja de motos da Dany,
          onde também conversei com vários motociclistas sobre a viagem, que estava
          acabando de realizar. Depois, fomos jantar um delicioso bacalhau, regada a um
          ótimo vinho de Mendoza. Agradeço ao amigo Lucio e sua esposa Marineide pela carinhosa acolhida. Ao
          iniciar a fase de regresso, tiver o prazer de ser convidado por vários amigos
          que acompanham a viagem. Infelizmente, em razão do prazo para retorno ao
          trabalho, não há como aceitar os gentis convites de hospedagem, como os que
          recebi do Neco Prates, de Jundiaí, do
          PHD Manga, de Jacareí e do PHD João Correa, diretor da rede do Hotel
          Tropical. Mas, a todos os amigos, que fique registrada a minha gratidão.
          Última edição por Dolor; 05-10-11, 14:13.

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          • Dolor
            Fazedor de Chuva

            • Mar 2011
            • 3250

            #50
            Diário de Bordo PHD Alaska: Londrina – 30/09/2011
            Guaratinguetá (Parcial = 853 Km / Total = 48.134 Km) –


            Às 06:00 h, o amigo
            Lucio Flavio nos preparou um café e
            em seguida, me levou à saída da cidade. Minha intenção era evitar passar pelo
            centro de São Paulo. Então, depois
            de Ourinhos, rumei para Piracicaba, a fim de alcançar a rodovia
            Don Pedro, nas imediações de Campinas.
            O TwinCan – o coração da Electra – girava
            sereno na Dutra como se pudesse avançar pelas estradas, eternamente, sem nunca mais
            parar. Lembro que nos momentos mais difíceis do meu retorno, à noite, a minha
            esperança de passar incólume pelas armadilhas dos homens era alimentada por
            minhas orações e de manhã, a cada partida da Electra, após ter superado tantas
            armadilhas da estrada, aumentava a minha certeza de chegarmos íntegros ao nosso
            destino. Como é notório, algumas pessoas são apaixonadas por futebol e assumem
            a identidade de um time. Mas, eu sempre fui apaixonado pela mítica e pelo estilo HARLEY-DAVIDSON. Agora,
            após esta minha experiência de mais de
            52.000 km, em uma única viagem, superando todo tipo imaginável de estrada
            ruim, me orgulho de estar pilotando este
            magnífico e poderoso trator, que com o mínimo de manutenção, tem se mostrado à altura para superar qualquer realidade. Às 15:00 h, estava no Frango Assado da Rodovia Carvalho Pinto. Mas, o ponto de encontro não era lá. Então, segui para o de Roseira, onde o PHD Jacob me
            aguardava na companhia do PHD Paulão.
            Após os tradicionais abraços e uma rápida conversa, seguimos juntos em nossas
            três Electras, até Guaratinguetá.
            Quando, entrei na casa do Jacob, uma surpresa maravilhosa: a minha esposa Claudia estava lá. Iria seguir comigo
            para o Rio de Janeiro, coroando a última etapa da minha viagem.

            À noite, a esposa do amigo Jacob, Silmara, nos
            preparou uma deliciosa Paella e comi tanto, que já comecei a recuperar os
            quilos perdidos durante a viagem. Com o coração batendo em um ritmo mais
            tranquilo, sinto como é bom ter para onde voltar e entre os meus amigos, já me sentir em casa.

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            • Dolor
              Fazedor de Chuva

              • Mar 2011
              • 3250

              #51
              Diário de Bordo PHD Alaska: Guaratinguetá – Rio - 01/10/2011
              de Janeiro (Parcial = 306 Km / Total = 47.127 Km) –

              Às 08:00h em ponto, nos despedimos da Silmara. Eu,
              Claudia e Jacob pegamos a estrada. Sob um belo céu azul de primavera,
              chegamos a Piraí, no posto de
              gasolina, onde fica a Casa do Mamão.
              Em poucos minutos, começaram a chegar várias Harleys e a Bandit 650 do meu
              filho, Alexandre Montenegro.

              Eram os amigos que vinham do Rio de Janeiro. Foi com forte emoção que abracei o meu filho,
              o irmão Roberto – companheiro na
              Expedição Alaska – e o irmão Balaciano
              - que articulou com outros amigos a recepção na estrada. Após muitos abraços dos
              amigos e fotografias, seguimos juntos, em um longo trem de motocicletas, até a Loja
              da Harley-Davidson, que permanecia
              aberta além do horário normal para nos receber. A nova loja H-D do Rio de Janeiro,
              a Rio Harley-Davidson, é ampla e
              bonita, conforme o padrão norte-americano e as novas políticas de proximidade
              com os clientes e de prestação de serviços com qualidade vão garantir o sucesso
              contínuo, que a Rio H-D está fazendo por merecer. Sobre a viagem, as distâncias
              de cada percurso diário foram registradas no Diário de Bordo, em função da
              quilometragem entre a partida e a chega, entre as cidades.

              Não considerando os percursos adicionais dos passeios na mesma cidade ou outra cidade fora da rota
              da viagem, por exemplo. Assim, a Electra partiu do Rio de Janeiro marcando
              23.260 km no odômetro total e chegou ao Rio de Janeiro marcando 75.505 km,
              perfazendo 52.000 km, durante todo o
              transcurso da Expedição. Foram gastos dois jogos de pneus Dunlop, um para ir e
              outro para voltar. E as manutenções consistiram basicamente na troca de óleos e
              filtros. Eu já gostava da minha Harley e agora, depois das experiências que
              passamos na estrada, tenho orgulho dela. Em uma viagem dessa magnitude, no
              mínimo, temos oportunidade de perceber nossa vida à distância e na imensidão
              silenciosa dos desertos, pensar muito e retificar ou ratificar alguns conceitos,
              que norteiam a nossa existência. Um episódio que me marcou muito ocorreu em uma
              das muitas conversas, na Costa Rica, com Don Miguel. Ele comentou que muitas
              pessoas dão valor a certas coisas importantes na vida, somente, depois que as
              perde. E observou que na minha viagem, era como se eu tivesse perdido tudo, na
              minha vida, temporariamente. E me perguntou o que me fazia mais falta, dentre as coisas que eu tinha deixado
              para trás. Sem qualquer sombra de dúvida, lhe respondi imediatamente; minha família e meus amigos. Percebi que eles são muito mais importantes do que eu poderia
              imaginar. Além disso, comentei com ele que três
              coisas foram fundamentais para superar os momentos mais difíceis: à noite, as
              mensagens de apoio da minha família e dos meus amigos; além das minhas orações
              ao Criador, que me davam forças para suportar a solidão, vencer o medo e avançar
              a cada dia; e pela manhã, ao acionar o start
              e o TwinCan (tipo de motor H-D) pegar
              de pronto, me dava a certeza de que menos aquele dia me separaria de meu
              destino. Com os conhecimentos que adquiri nas situações mais críticas, seria
              bem mais fácil fazer esta viagem, novamente. Mas, dificilmente, o faria sozinho,
              porque a solidão potencializa demasiadamente a saudade, a incerteza e o medo. Contudo,
              as boas experiências superaram muitíssimo as poucas experiências ruins. Mas,
              todas elas contribuíram para o meu aprendizado e para uma melhor consciência sobre
              os meus próprios limites, me mostrando um pouco mais quem realmente sou. Então,
              me descobri bem menor do que eu pensava ser e concluí que ao realizar a viagem ao
              Alaska, dei um passo mais além do que eu pretendia. Assim, sem o esforço da
              minha família, o apoio dos meus amigos e a cobertura da Harley-Davidson seria muito mais
              difícil realizar a Expedição e superar as adversidades, sozinho. Registro o meu
              sincero agradecimento a minha
              família, a todos os amigos do Rio de
              Janeiro, do Brasil e das Américas pelo apoio importante, sob
              todas as formas, que recebi.

              E agradeço a Rio Harley-Davidson pelo apoio de
              material e serviços essenciais, além da recepção na Loja, neste Dia da Chegada.
              Sem esse inestimável apoio coletivo, com certeza, tudo seria bem mais difícil
              ou impossível. Agora, que estacionei a Electra na minha garagem, preciso me readaptar
              ao cotidiano, dedicar as horas vagas ao texto do meu segundo livro e quando estiver
              pronto para publicação, iniciar a busca de patrocínio. Aos que me acompanharam
              nesta magnífica aventura, fiquem com Deus e muitíssimo obrigado pela boa companhia.

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              • eduardo prata
                Fazedor de Chuva

                • Sep 2011
                • 18

                #52
                Artur, grande cacique fazedor de chuva,

                Fiquei impresionado com a performance de sua conquista, sua media diaria me espantou!

                Topas fazer a Asia? partindo de moscou, pasando pela mongolia, china, laos, vietnan, camboja, tailandia, nepal e india?

                um forte moto abraço e parabens pela bela narrativa, estamos esperando o livro.

                Artur! recuar! só se for para frente.

                esperamos voces no dia 17/11 no Mexico

                Comentário

                • Dolor
                  Fazedor de Chuva

                  • Mar 2011
                  • 3250

                  #53
                  Voar com as duas rodas no chão

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                  Ter o vento passando por todos os poros da face é sentir-se parte do mundo.

                  É sentir-se dono da própria história, mesmo que a velocidade não permita movimentos bruscos, apenas involuntários sorrisos, apenas cuidadosas mãos firmes que desafiam a resistência do vento e do tempo, sobre duas rodas.

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                  Os desafios foram, um dia, sonhos, mas que tomaram conta de nós e viraram metas pessoais. Saiba que ao final, todo sonho planejado transforma-se em uma conquista.

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ID:	154491

                  E além de acreditarmos na conquista dos sonhos, acreditamos na importância da família, das trocas, da convivência pacífica, do amor e da beleza deste mundo.

                  Acreditamos no poder das palavras, dos toques, do vento e dos sonhos.

                  As viagens estão longe de serem fugas de nossas vidas ou de nosso cotidiano, são, ao contrário, onde nos descobrimos ou redescobrimos.

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                  Muito bom reler o que escrevemos sobre a capacidade que um sonho tem em nos empurrar para fora, ao mesmo tempo em que nos leva para dentro, na solidão do nosso capacete, por vezes, milhares de quilômetros longe da nossa toca, da parte mais gostosa de uma viagem, que é a de saber que temos para onde voltar.

                  Este prólogo é para relembrar a grande aventura que o nosso GCFC Artur realizou quando cobriu o percurso entre os extremos da terra, pelo nosso lado americano, objeto de desejo de praticamente um, em cada um motociclista, dos quatro cantos do planeta.

                  Como diz o slogan dos FC: "Qualquer um pode fazer, porém, poucos o fazem..."

                  Tudo isto ainda para dizer da nossa alegria ao ler na revista HOG, edição de fevereiro último, o grande feito do nosso herói.

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                  Entretanto, para fazer justiça com os nossos amigos mexicanos, e segundo a ótica dos Fazedores de Chuva, não podemos deixar de registrar um contraponto à opinião do jornalista da Associated Press, relatada na página 28, que de forma, acreditamos, extremamente preventiva, naturalmente pelo que de perto vivia, se uniu ao grande número de pessoas que de todas as maneiras tentam extrapolar o limite do razoável, vendo o que fazemos em cima de duas rodas, sempre pelo lado mais pessimista, seja em função da marca, tamanho, modelo da moto que vamos utilizar, seja pelas intempéries climáticas que ultrapassam em dezenas de graus tanto para cima quanto para baixo o mínimo de sobrevivência, pela selvageria humana que encontraremos pelos países pelos quais vamos passar, enfim, com o intuito de nos advertir, mais nos alarmam do que previnem, fazendo muitas vezes, que o motociclista acabe não desfrutando na totalidade aquilo que a vida e a sua coragem o estão oferecendo.

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                  Com relação ao México, em todas as cinco vezes que por lá cruzamos, de moto, que somadas nos dão mais do que cinco meses de circulação por todo o seu território, somos testemunhas da hospitalidade, da urbanidade e da tranqüilidade com que rodamos os milhares de quilômetros por aquelas terras de Benito Juarez.

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                  Lamentamos que o GCFC Artur tenha se impressionado com informações tão alarmantes a respeito daquele momento particular de rivalidade, provavelmente entre gangues, em uma região específica, não mais violenta do que aquelas que assistimos todos os dias no nosso noticiário nacional, não especificamente sobre metrópoles como o Rio de Janeiro ou São Paulo, mas em pequenas cidades da outrora pacífica e encantadora Santa Catarina.

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                  Pelo que a nossa mídia publica todos os dias, provavelmente não teríamos a mínima condição de pegarmos as nossas motos e irmos na padaria da esquina comprar pão, e na realidade, não é isto o que acontece, claro, que distante estamos do que se pode chamar de uma sociedade civilizada, como merecemos que fosse.

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ID:	154496

                  Finalizando, acreditamos que a violência, infelizmente, está disseminada pelo mundo afora, mais potencializada em alguns pontos do planeta, entretanto, não gostaríamos de penalizar os nossos irmãos mexicanos, por uma doença na qual estamos mais para contagiar do que para sermos contagiados, o que nos dificulta e muito, convencer os motociclistas que descem os nossos países vizinhos a entrarem no Brasil.

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ID:	154498

                  Tem sido um trabalho árduo este de convence-los de que somos um país pacífico...com algumas chagas localizadas!

                  Para aqueles que estão na estrada, sigam os seus instintos e o refrão da música dos Fazedores de Chuva quando diz:

                  "A vida é curta. Faça o que quiser!"

                  Viva o México!

                  Viva o Brasil!

                  Comentário

                  • Osmar
                    Fazedor de Chuva

                    • Sep 2011
                    • 257

                    #54
                    Em fevereiro/março deste ano, eu e Terezinha rodamos aproximadamente dez mil quilômetros pelo México, donde trouxemos as melhores impressões. Foram quarenta dias de viagem, em carro, de sul ao norte, desde a fronteira com a Guatemala até a fronteira com os Estados Unidos, onde não tivemos nenhum tipo problema, quer de segurança, quer de relacionamento. Onde chegávamos, éramos muito bem recebidos e tratados.
                    Rodar pelas rodovias mexicanas (tanto nas de "cuotas" como nas "libres"), é uma tranquilidade. Muito seguras, com patrulhas e pontos de verificação do Exército, da Marinha, ou da Polícia Federal, ao longo de todos os percursos. Rodamos por centenas de quilômetros em rodovias secundárias na fronteira com a Guatemala, sem encontrar o menor obstáculo. Cruzamos toda a Baja California Sur, e a Baja California, por estradas desertas, mas muito seguras devido a um trabalho incessante dos órgãos de segurança, sempre presentes. Depois, rodamos junto à fronteira com os EUA, desde Tecate até San Luiz Rio Colorado, e nenhum problema tivemos.
                    México, um lugar onde ainda pretendo voltar, pelo menos mais uma vez.
                    GCFC Osmar e Terezinha

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