GCFC ARTUR ALBUQUERQUE - Ushuaia até Prudhoe Bay

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  • Renan Xavier
    Fazedor de Chuva
    • Jul 2011
    • 404

    #1

    GCFC ARTUR ALBUQUERQUE - Ushuaia até Prudhoe Bay

    É um pequeno povoado, que é conhecido no nosso meio porque abriga a famosa Floresta de Placas, onde a maioria dos motociclistas gostaria de colocar uma placa de seu moto clube, como fez o Roberto, afixando em um dos totens do local uma placa dos Harley’s Dogs MC. Como nesta pequena cidade, em todos os lugares que passei, não há miséria.

    Todos que vem desbravar um local como este, vem em condições de trabalhar. Se não tem a “ferramenta” apropriada para ganhar o seu pão, ou morre de frio ou vai embora. Não há como viver de migalhas. Além de descansar o corpo e a máquina e colocar o Blog em dia, fui caminhando um 2 km para espairecer e respirara a atmosfera da cidade. É raro ver alguém andando à pé pelas ruas. Pelo ronco poderoso, as grandes camionetes parecem ter dúzias de cilindros. Todos com quem cruzei, nos mais diversos lugares, sempre foram muito amáveis e educados. Nas construções, obviamente, utilizam muito a madeira e o estilo é colonial.

    Aos futuros viajeros, que cruzarem a Alaska Highway, recomendo com ênfase a hospedagem no Historic Air Force Lodge (airforcelodge@yahoo.ca), pois além de ser um local extremamente agradável, é metade do preço dos demais hotéis. Além disso, o proprietário Michael Lexou é um amigo, que faz de tudo para nos ajudar. Valeu! Ir:. Michael. Muito obrigado. TFA. I love Canada.

    GCFC ARTUR ALBUQUERQUE




  • Renan Xavier
    Fazedor de Chuva
    • Jul 2011
    • 404

    #2
    DE WATSON LAKE A TAYLOR

    Diário de Bordo:
    Watson Lake – Taylor (Parcial = 957 Km / Total = 26.410 Km) – Quanto me preparava para partir, vejo uma camionete do Brasil toda adesivada, estacionada em frente a pousada. Infelizmente, não pude falar com os paulistas. Só podiam ser paulistas e muito bem relacionados, porque algumas logos estampadas eram todas do mais alto nível político e financeiro. Parti com um dia ensolarado e finalmente pude guardar a capa de chuva. Na Alaska Hwy ainda estava frio, mas dava para aguentar com a segunda pele e a jaqueta de couro. Mal a estrada penetrou mais profundamente na floresta, consegui fotografar um urso negro e mais a frente uma névoa muito densa encobriu tudo, me obrigando a reduzir a bastante a velocidade. Ficou bem mais frio. Mas, ainda dava para suportar. Mais a frente, o tempo abre e outros ursos negros aparecem e quilômetros a frente, vários bisões estão na estrada. Passam muitos grupos de motociclista em sentido contrário e fazem o mesmo gesto de cumprimento californiano, baixando o braço à 45º e abrindo a mão, em saudação ao motociclista que segue em sentido contrário. Mais estrada e após uma curva, freio bruscamente porque havia uma família numerosa de cabritos monteses lambendo alguma coisa nas frestas da estrada. Depois de abastecer em Coal River Lodge, o tempo abriu e esquentou um pouco. Estrada perfeita e paisagem maravilhosa, que atingiu o ápice ao penetrar na região de Muncho Lake. O cenário espetacular me obrigou a parar: entre montanhas, um lago imenso de um azul leitoso, que me lembrou a beleza do Lago Argentino, em El Calafate. A estrada seguia beirando o lago por um bom pedaço. Alguns quilômetros depois de Summit Lake, a estrada avança por entre as montanhas, é o Stone Moutains
    Provincial Park. O cenário é impressionante, mesmo com a chuva que voltou a fazer parte da paisagem. Abasteci em Toad River Lodge e conheci o biker John, com sua Honda Shadow, trazendo a sua casa a reboque. Passo pelo povoado de Fort Nelson e 200 km mais tarde vem a desenvolvida e bonita cidade de Fort Saint John- devia ter ficado por lá. Com preguiça de avançar até Dawson Creek, às 06:00 PM parei em Taylor e fui testar a minha teoria de hotel mais barato em cidade pequena. O chinês disse que tinha água quente e acesso Wi-Fi a Internet e como preço era razoável para a região ($70.00 CD). Paguei adiantado sem ver o quarto. Me dei mal. Além do sinal de acesso a Internet ser fraquíssimo e insuficiente, as condições do quarto eram precárias e o cheiro de mofo do tapete estava
    insuportável. Lugar feio, depressivo. Sem ânimo para reclamar ou fazer qualquer outra coisa, curti a pior noite de toda a viagem.



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    Última edição por Renan Xavier; 01-08-11, 23:32.

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    • Renan Xavier
      Fazedor de Chuva
      • Jul 2011
      • 404

      #3
      Continuamos acompanhando a trajetória de Artur Albuquerque, que está quase concluindo sua viagem. No momento, está no Canadá. Confira o post de seu blog.


      Diário de Bordo:
      Canmore – Banff – Canmore (Parcial = 30 Km / Total = 27.403 Km) – Hoje, com mais tempo, logo após acordar,
      conclui a leitura dos Comments do Blog, que tantos amigos, disponibilizando seu precioso tempo, tiveram a
      paciência e gentileza de escrever. Muito obrigado, irmãos. Desculpem-me por nem sempre poder responder. Realmente, nos momentos e dias difíceis as mensagens de apoio da família e dos amigos me trouxeram forças e levantaram o meu astral. Agora, hospedado no Hostel Bear, estou mais tranquilo porque a região é belíssima, as pessoas hospedadas são muito cordiais e como estou adiantado no meu cronograma, o custo do hostel é o ideal para eu poder esperar alguns dias, economizando energia, até poder avançar para Billings, meu próximo compromisso. Estava um sol maravilhoso e resolvi ir conhecer a pitoresca e bucólica cidade de Banff, que é como são em arquitetura e beleza, todas as cidades dessa região. Depois de passear um pouco pela cidade, fui conhecer o Indians Buffalo Nations Museum, que mostra como era o estilo de vida e traços das culturas das tribos (armas; tendas; ritual do fumo; artefatos
      para cavalgar; etc) que abitavam as várias regiões, além dos vários animais empalhados (Eagle; Caribou; Buck Mule Deer; American Buffalo; Musk Ox; Rocky Mountain Sheep; Mouse; etc), que ainda existem no Canada. O nome do museu é um tributo ao Grande Chefe Walking Buffalo, que percorreu todas as nações indígenas e as principais nações modernas do mundo, pedido que os povos vivessem em paz e que os índios fossem tratados pelo homem branco como um irmão.

      Depois, acelerei a Electra, subindo a montanha para conhecer o Banff Gondolas Explore. Não fiz o passeio de gondola porque imaginei que lá em cima deveria estar muito frio – estava sem agasalho – além do preço do passeio ser o valor de um pernoite no hostel. Satisfeito por ter saciado a curiosidade, voltei para Canmore. Na cidade, procurei um lugar agradável para tomar um café. Estacionei em frente um lugar bonito e agradável. Tinha um casal sentado logo na mesa da frente, junto a calçada. Perguntaram sobre a viagem que eu estava fazendo e começamos a conversar, inclusive sobre o as grandes cidades do Brasil e seus cinturões de miséria (periferias e favelas). Derek e Diana são canadenses, residentes em Calgary e estavam em Canmore a passeio. Derek também é motociclista e ambos, muito gentis e atenciosos, me convidaram para conhecer Hot Springs. Para acompanhá-los retornei Banff e voltei subir a montanha onde fica a Gondola, pois um pouco mais a cima era Hot Springs, um complexo estrutural criado há muitos anos, em função de uma límpida e quente piscina natural. Passamos a tarde de molho em uma água, que vinha do coração das montanhas, com 39ºC. Acho que os últimos resquícios do pó do Alasca, que estavam entranhados na minha pele, ficaram na famosa piscina do Canada. Quando tentei fotografar o local e o casal de amigos, a carga da bateria tinha acabado. Mais tarde, me convidaram para jantar. Ante tanta gentileza e amabilidades dos novos amigos canadenses,
      não tinha como lhes dizer não. Fomos comer fundi de legumes e carnes exóticas, além de uma garrafa de vinho para comemorar a nova amizade e a minha viagem, no Gryzzlly Restaurant, em Banff. Casa muito bonita, bem decorada com serviço e comida excelentes. Na hora da conta, perguntei se a casa aceitava cartão de crédito e o Derek falou: “nem pensar”, pois eu era seu convidado. Em certa oportunidade, a Diana me confidenciou que o Derek tinha ficado impressionado com a minha viagem e tinha ficado muito feliz em me conhecer. Em seguida, mostraram-me várias coisas interessantes em Banff e à noite, antes de seguirem para Calgary, me conduziram até Canmore, na porta do hostel. Fiquei feliz com tanta atenção e cordialidade e triste por não ter como agradecer. Em homenagem aos novos amigos
      canadenses, Derek e Diana, transcrevo o que o Grande Chefe Pés Pretos Walking Buffalo disse, à época, aos presidentes do Canada e de outras grandes nações, que estavam apoiando a sua luta em prol da paz entre o homem branco e todas as nações indígenas: “vim encontrar com estranhos e achei meus irmãos".




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      • Renan Xavier
        Fazedor de Chuva
        • Jul 2011
        • 404

        #4
        GCFC Artur está em Great Falls e Billings. Já são mais de 28 mil quilômetros rodados. Estamos acompanhando esta aventura do Grande Cacique Fazedor de Chuva a partir de seu blog.

        Diário de Bordo: Great Falls – Billings (Parcial = 379 Km / Total = 28.496 Km) – O céu continua azul e no início da manhã o clima ainda está frio. Mas, desde Calgary, já é possível viajar sem qualquer agasalho especial. saindo da cidade, registro algumas imagens de Great Falls e sigo em busca da placa que indique as rodovias 200, 87 e 3 E, que me levarão a Billings. Mantendo o motor em um regime de 2.500 giros, a Electra serenamente corta a grande pradaria; surgem pequenas elevações espalhadas pelo campo e as fazendas já estão preparando os rolos de feno para estocar o alimento do gado para o longo inverno. A raça de gado preferencial sem dúvida é o Angus, preto e vermelho, que é visto na maioria das pastagens. Após o meio-dia, a jaqueta de couro já é dispensável. Às 02:00 PM, no posto de gasolina Conoco, após a bifurcação para Harlowton ou Billings, o PHD Magnus Valente com a sua Dyna preta e vermelha, enquanto me esperava, saboreava um típico cachorro-quente. Cumprimento o irmão brasileiro, agradecido por me receber e vou rapidinho pegar o meu. Conversamos algum tempo e pegamos a estrada. Após percorremos uns 200 km, chegamos a sua bela e confortável casa, onde sua esposa Karole e seu filho de 10 anos Nicholas, todos brasileiros, estavam nos aguardando. Bom estar entre amigos e poder conversar em nossa língua natal, até tarde da noite. Eu lhes contei sobre a parte da viagem no extremo Alaska e ele sobre a realização do sonho de sua família, ao ter sido convidado para vir trabalhar nos States, em 2009. A sua expertise na área de automação e o seu positivismo frente a vida com certeza absoluta em breve lhes darão o Green Card.





        Última edição por Renan Xavier; 10-08-11, 10:36.

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        • Renan Xavier
          Fazedor de Chuva
          • Jul 2011
          • 404

          #5
          Diário de Bordo:
          Billings – Hill City (Parcial = 641 Km / Total = 28.758 Km) – Parti de Billings com um dia maravilhoso e o ar ainda gelado. O destino era Hill City e deixei o GPS presenteado pelo meu amigo Magnus Valente me levar – agora que estou mais tecnológico, vou ter que mudar o meu discurso de old school sobre o uso do GPS. No caminho, uma infinidade de Harley transitava em pequenos grupos, pelas estradas, em todas as direções. Fui conhecer o local onde aconteceu uma das batalhas mais espetaculares da colonização americana, protagonizada pelo Gen. Custer, entre soldados e índios: The Little Bighorn Battlefields National Monument. Em cada posto de gasolina e em cada bar de cruzamento de estradas, havia uma grande quantidade de Harleys e as pessoas comemoravam aquecidas pelos raios de confraternização, que se irradiavam desde Sturgis. Era uma grande e contagiante festa. Parei para abastecer, vieram conversar comigo sobre o adesivo do Alaska, na minha Electra e me sugeriram ir conhecer a Devil’s Tower; saí 60 km da rota. Agora, com GPS podia abusar. Sol brilhante, clima agradável, a estrada adentrando a mata, parecia um jardim florido de Harleys. Passei por Deadwood, que é uma linda cidadezinha, que mantem a arquitetura dos idos dos anos 1800 e a mesma atmosfera de aventura no jogo e na busca de ouro. A noite chegava e as centenas de faróis de motocicletas iluminavam todas as direções da Black Hills National Forest. Com a alma leve e o coração cheio de felicidade, cheguei a Hill City. Viagem fantástica, principalmente para um velho motociclista, que viaja sozinho, desde o Alaska.




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          • Dolor
            Fazedor de Chuva

            • Mar 2011
            • 3250

            #6
            GCFC Artur, uma alegria poder estar viajando contigo!
            Tenhas certeza de que depois, passado o tempo, em casa, chegarás a conclusão que poderias ter "ficado" um pouquinho mais nas estradas, principalmente aí, nos Estados Unidos, onde a viagem, decididamente, não é uma aventura, e sim, um belo passeio.
            Não estou aqui para ensinar o padre a rezar a missa, mas aí, encostado de Sturgis, está um dos lugares mais lindos dos EUA, o Mount Rushmore National Memorial, em Keystone, além de uma série de atrações, que já deves estar a par.
            Simplesmente, imperdível, assim como o passeio de trem pelas Black Hills.
            Gorgeous!
            Abraços
            Dolor
            Presidente dos Fazedores de Chuva

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            • Renan Xavier
              Fazedor de Chuva
              • Jul 2011
              • 404

              #7
              Recebemos mais algumas notícias do GCFC Artur Albuquerque. Confira abaixo.

              ---




              Diário de Bordo: Rapid City – Albert Lea (Parcial = 830 Km / Total = 29.748 Km) – Os amigos do Harley’s Dogs MC partem e quando estou preparando a Electra para seguir meu curso, chegam o Edinho e o Aloisio, que tinham se hospedado no meu hotel, na noite anterior. Estou me sentindo um vampiro; é como se eu me alimentasse da presença dos amigos. Então, resolvemos seguir juntos até Milwaukee. Partimos tarde; o Aloiso na moto e o Edinho no
              carro. Iríamos até onde fosse possível. Pernoitamos em Albert Lea, às 09:00 horas da noite.





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              • Renan Xavier
                Fazedor de Chuva
                • Jul 2011
                • 404

                #8


                Diário de Bordo: Rapid City – Acordei cedo e parti para o hotel onde estava hospedada a galera da excursão do Gilberto – Brazilian Bike Travel. Não podia deixar de dar um abraço em todos, principalmente, nos meus irmãos PHD Cacau (Salvador – BA) e no PHD Nabuco (Rio – RJ). Quando cheguei, já estavam preparando mais de 15 motos para a partida. O carro de apoio do grupo era um grande caminhão que levava as malas; e inclusive já guardava uma motocicleta – alguém já devia estar enjoado de pilotar. Falei e abracei todos os amigos e tiramos umas fotos. Em seguida, voltei para o meu hotel em tempo de encontrar com a minha turma – além do Lelinho, eu era o segundo “agregado” aos Dogs – e irmos passear na região do Rushmore Mt. À noite, me levaram para jantar no “Red Lobster”, a fim de honrar a promessa feita a mim pelo Presidente do Harley’s Dogs, o Robertinho. Além do privilégio da convivência, de compartilhar a alegria e o companheirismo como integrante circunstancial do grupo, o Peter ainda fez a gentileza de colaborar com alguns tanques de gasolina para a minha volta. Viver pela primeira vez a experiência de passear de Harley pelas estradas infestadas de motos das Back Hills e
                Badlands, no encontro de Sturgis – para quem é fissurado em motociclismo – é algo muito especial; e ainda na companhia de amigos como o Peter, Renato, Kappa, Ricardo Bruno, Julio e Lelinho foi a melhor consagração de uma viagem de sonhos, que eu poderia imaginar. Ao meu irmão Roberto e amigos dos Harley’s Dogs MC, muito obrigado.




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                • Renan Xavier
                  Fazedor de Chuva
                  • Jul 2011
                  • 404

                  #9
                  GCFC Artur Aluquerque está retornando. Deve passar hoje pela Ciudad del Mexico. Trazemos aqui o último post de seu blog.

                  ---



                  Diário de Bordo: Matehuala – San Miguel de Allende (Parcial = 391 Km / Total = 34.927 Km)
                  Parti sem a companhia do Sol. O dia de viagem iniciou-se semi-nublado, frio e escuro. Durante o alvorecer, uma neblina forte cobriu a estrada e reduzi a velocidade. Numa viagem desta, cair, nem pensar. Passei por várias cidadezinhas interessantes e a estrada era o que tinha de mais moderno. Muitas gasolineras davam tranquilidade quanto ao combustível. Em Dolores Hidalgo, tirei uma foto da bandeira nacional “à meio pau”, em sinal de luto nacional.

                  Mas, chegar a San Miguel de Allende me deu mais tranquilidade. Cidade histórica, bem conservada, muito bonita e turistas por toda parte. E o sol de domingo dava ares de dia de festa. Quando vagava pela cidade em busca de hotel, encontrei um grupo de Harleyros que me aconselhou a procurar hotel próximo ao centro da cidade. Fui ver a Pousada La Aldeia, muito cara. A Casa Bonita achei muito aconchegante, confortável e com preço razoável ($650.00). Nesta esta etapa da viagem, viajando sozinho, adoto a filosofia espartana: pouca comida, hotel barato e gasolina à vontade. Mas, o alto astral da cidade me convidava a relaxar. Depois que me acomodei e deixei a Valiente em na garagem fechada coberta, fui “turistar” um pouquinho: coloquei minhas sandálias havaianas, uma calça de agasalho e tomei o rumo da Plaza Principal.

                  A arquitetura histórica conservada, incluindo o calçamento de pedras das ruas, cada esquina exige admiração. Para concluir o papel de turista, fui almoçar tacos no restaurante TenTen Pie – com direito a uma taça de vinho, uma torta de limão e um gostoso café local ($233.00) – onde o gerente Pablo Sánches Navarro me atendeu com toda cortesia e amabilidades, além de tirar uma foto minha, fazendo um brinde especial. San Miguel de Allende é tão agradável, tem tantas obras belas para se ver, que é um lugar que vale a pena voltar.

                  O povo mexicano, alegre, receptivo e amigável, merece muito reencontrar a paz. Amanhã, passo pela Ciudad de Mexico, paro para apreciar a Heroica Puebla e pretendo pernoitar em Oaxaca, seguindo o roteiro de lugares imperdíveis, sugeridos pelo Edinho.






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                  • Dolor
                    Fazedor de Chuva

                    • Mar 2011
                    • 3250

                    #10
                    GCFC Artur, muito bom saber que tudo caminha bem.
                    O conselho é o de sempre: desfrute!
                    Estás muito próximo de León, onde temos o GCFC Manuel e os amigos do Iron Wing. Para teu conforto, segue o email do Manuel: quintacuarto@gmail.com e os telefones: 477 670 1085 (celular) 477 717 2407 (res), que penso, deverias telefonar. Não deixe também de chamar o Braga, em Oaxaca, cujo número, imagino devas ter. Caso contrário, me informe.
                    Abraços
                    Dolor e Angela
                    Última edição por Dolor; 29-08-11, 21:50.

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                    • Renan Xavier
                      Fazedor de Chuva
                      • Jul 2011
                      • 404

                      #11
                      Diário de Bordo: Oaxaca



                      Às 08:00 h, quando estava finalizando a arrumação da bagagem na moto para partir, o Antonio Braga veio ao meu
                      hotel se despedir, conforme combinado. Conversamos muito e baseado em sua experiência – pois já atravessou 5 vezes a América Central – fez algumas observações importantes, tais como: normalmente, chegar à fronteira às 07:00h, antes dos ônibus, ou por volta da 15:00h, quando volta a ficar mais tranquila; tendo em vista a pobreza local e o salário médio mensal de $100.00 USD, é importante agradar os funcionários (Imigracion e Aduana) com sorriso,
                      educação e humildade; e se possível, alguma lembrancinha (um chocolate, um boné, um patch…); quanto aos tramitadores, descartar educadamente os adultos e escolher os meninos, que além de agilizar a tramitação e olhar a
                      moto, ficarão felizes com $3.00 USD para cada um; caso seja adulto, negociar até o máximo de $15.000 USD; em Tapachula, não atravessar cedo a fronteira, porque o banco onde se paga o seguro, na Guatemala, abre às 09:00h; em Panama City, seguir no rumo da cidade velha e procurar a Pension Monaco (garage), que fica em frente a Imigracion, próximo aos Bombeiros; em Cúcuta, contratar um taxi para ajudar na tramitação, pois os vários lugares para fazer a documentação ficam longe uns dos outros etc. Depois de me repassar detalhes importantes para que está viajando de moto pela América Central, me convidou amavelmente a que eu ficasse um pouco mais e fosse para a
                      pousada de sua filha Suzana – Casa Sopetran (www.oaxacapartmenst.com.mx). Frente a tanta amabilidade e
                      atenção, além Da possibilidade de me passar mais algumas experiências, aceitei o convite, agradecido. Conversamos muito e vimos detalhes no meu roteiro pela América Central. Foi um dia para acalmar o espírito e preparar o ânimo para
                      aceitar as rotinas das fronteiras. E para isso, as conversas com o Antonio Braga foram essenciais. Á tarde, almoçamos no melhor restaurante da cidade, El Asador Vasco, onde el costuma frequentar somente em ocasiões muito especiais. Foi uma sutil deferência, a qual fiquei muito agradecido. À noite, fomos comer tacos em uma tacaria tradicional da cidade. Então, estava pronto para a América Central.


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                      • Dolor
                        Fazedor de Chuva

                        • Mar 2011
                        • 3250

                        #12
                        GCFC Artur:
                        Nos agrada muito a cidade de Oaxaca e mais ainda a amizade do Braga, da sua mulher Norma e do filho Toto, dos
                        quais guardamos ótimas lembranças.
                        Estamos aqui na retaguarda e seguindo as orientações do Braga, tudo fica mais fácil, lembrando que já fazes parte
                        dos "experientes", pois esta é a segunda vez que cruzas a América.
                        Abraços
                        Dolor e Angela

                        Comentário

                        • Renan Xavier
                          Fazedor de Chuva
                          • Jul 2011
                          • 404

                          #13
                          Eis as últimas boas novas do GCFC Artur Albuquerque, que já está voltando.

                          ---




                          Diário de Bordo: Oaxaca – Tapachula
                          (Parcial = 722 Km / Total = 36.395 Km)

                          Frequentemente, venho acordando às 03:00 h da manhã, tento voltar a dormir e não consigo. Talvez seja o estresse acumulado, por vagar por tanto lugar ermo ou inóspito com a preocupação de não chegar ao destino previsto e não encontrar hotel no meio do caminho. Além disso, me atormenta a possibilidade da Electra para de repente, pois o ruído que parece ser no eixo traseiro está mais consistente, a luz do ABS continua acesa e agora o motor de arranque deu para ratear. Então, depois de fazer minha oração pedido forças e boa sorte a Deus, me levanto às 05:00 h para começar a rotina de higiene e arrumação.

                          Às 07:00h, com tempo bom, rumei para a estrada. Foram quase 100 km de serra, com muitas curvas fechadas, matas pontilhadas de cactos, buracos e frestas largas no piso da estrada, sem posto de gasolina, animais pastando à beira da estrada e os muitos quebra-molas anunciava cada povoado perdido naquela imensidão. Às 12:00 h, passei pela periferia de Tehuatepec. Mais a frente, havia um bloqueio de caminhões. Já imaginando quanto tempo eu perderia, não tomei o devido cuidado com o quebra-molas e foi arrancada a mola do descanso lateral. Como trago sempre na moto uma corda de paraquedas, rapidamente, solucionei o problema.

                          Avancei com a moto até o ponto de agitação e parei ao lado de uma tendinha, que nunca faturou tanto vendendo coca-cola. Na realidade, o bloquei feito pelos caminhões estava sendo comandado pelos campesinos, que aguardavam os advogados, que trariam os papéis de propriedade da terra, referente a prometida reforma agrária. A Electra passou a ser o centro das atenções.

                          Devido estar com uma Harley, pensavam que eu fosse americano. Rapidamente, distribui gentilezas, sorrisos e cigarros, enfatizando que eu era brasileiro, que eles tinham razão em lutar pelos seus direitos e que o mesmo movimento existia no Brasil. Rodearam-me, aparentando simpatia e demonstrando bom
                          conhecimento sobre o Brasil. Mas, a maioria dos caras trazia um facão do tamanho de suas pernas, na mão. As mulheres se aboletaram no banco da moto e eu ainda tinha que sorrir. Para acabar com a brincadeira, pois já estavam falando em dar uma volta de Harley, perguntei se existia um mecânico por ali. Sob a fresca sombra de uma árvore, a oficina era um lugar agradabilíssimo. Enquanto o mecânico
                          colocava a mola no lugar, fui convidado a me sentar com os campesinos para conversar, na área da oficina, onde estava havendo uma reunião.

                          Comentaram que seus filhos já tinham educação gratuita e a assistência à saúde era razoável. Mas, lhe faltava a propriedade da terra. Comentaram sobre a preocupação com os traficantes que vinham do norte e temiam que a compra de grandes áreas de terras, que estava ocorrendo na região, eram destinadas as bases que os traficantes planejavam fazer por ali. Comentei com eles que na falta da polícia, assim como eles se organizavam para lutar pela terra, eles deveriam começar a pensar em como lutar contra os traficantes. Pois em número, eles eram bem maior. Passou-se mais algum tempo e decidiram abrir uma exceção para eu passar.



                          Desejei sorte a todos e segui em frente. Boa estrada e por volta das 15:00 h, explode uma grande tempestade bem na minha frente e por sorte tinha um posto de gasolina nas imediações. Parei para esperar terminar o aguaceiro, a 160 km do meu próximo destino. Sob chuva, cheguei a Tapachula,
                          às 10:00 h da noite e entrei no primeiro hotel que encontrei. Depois de tudo arrumado, banho tomado e planejada a próxima perna para o outro dia, falei pelo Skipe com a minha família e quanto tentei começar a escrever, o enorme cansaço aliado ao sono baixa as minhas pálpebras e não me deixou mais pensar.



                          Comentário

                          • Dolor
                            Fazedor de Chuva

                            • Mar 2011
                            • 3250

                            #14
                            GCFC Artur:
                            Não se deixe dominar pelo excesso de preocupações, claro, que não podemos despreza-las, mas foque a tua
                            viagem...na tua viagem. Depois que tudo passou, quando estiveres no aconchego e segurança da tua casa, verás que poderias ter relaxado um pouquinho mais, ter ido um pouquinho mais longe ou no mínimo, verás que os fantasmas não eram tão grandes quanto o imaginavas.
                            Como um bom escoteiro, o lema do "sempre alerta" tem tudo a ver com os viajantes, mas quando se sai de casa para uma empreitada do tamanho desta que estás fazendo, com o coração repleto de bons sentimentos, acredite, somente coisas boas acontecem. Veja as positividades que tens atraído ao longo da tua viagem. Como se diz, só gente boa tem se aproximado de ti e assim a conspiração passa a ser sempre positiva.
                            Desfrute!
                            Abraços
                            Dolor e Angela

                            Comentário

                            • Renan Xavier
                              Fazedor de Chuva
                              • Jul 2011
                              • 404

                              #15
                              Diário de Bordo: Tapaxula – Puerto Quetzal (Parcial = 298 Km / Total = 36.693 Km)



                              Às 06:00h, rumei para Talisman, a fim de fazer a saída do México. Minha intenção era chegar cedo a Imigração, antes dos ônibus cheios de turistas e trabalhadores, conforme sugestão do meu amigo Antonio Braga. Consegui fazer a Imigração e a Aduana bem cedo. E quando perguntei sobre a devolução automática dos $400.00 USD que me haviam debitado, responderam que eu precisava voltara a auto-pista, um pouco antes de chegar a Tapachula, no posto do Banejercito, onde havia a placa “Viva Mexico”, indicando a Aduana. Depois de algum tempo, atravessei a fronteira satisfeito, porque tinha conseguido fazer tudo sem a inconveniência dos tramitadores. Chego a fronteira da Guatemala e consigo fazer
                              cedo a Imigração sem os tramitadores. Sigo para a Aduana e o funcionário diz que eu somente posso ter atendida a minha solicitação de Permissão de Trânsito para a minha motocicleta, dentro de três meses. O funcionário me explicou que quando eu entrara na Guatemala – indo para o norte – me deram o prazo de 3 meses. Porém, quando eu saí, me cancelaram a permissão – quando deviam ter adotado outro procedimento – e a lei determinava que nova permissão somente poderia ser dada a pós 3 meses. Após um jogo de cena, apresentaram a solução: seria expedida uma Guia
                              de Trânsito Especial, por uma agência de despachantes aduaneiros, para eu abandonar o país em um prazo de 24 horas. Caso eu não o cumprisse, minha moto seria apreendida e eu deveria pagar uma multa de $10,000.00 USD. Além disso, eu seria acompanhado na viagem sob a Custódia de um cidadão do país. Creio que por acaso, estava por ali o tramitador Raul, que se propôs a me custodiar.

                              Inicialmente, eu disse que não tinha como levar o Raul, pois o lugar do garupa estava ocupado com bagagem. Pediram para eu aguardar e começaram os telefonemas entre o dono da agência e alguém. Como não havia outra solução, empilhei tudo sobre o bagageiro traseiro da Electra – que ficou parecendo uma torre – e aceitei a solução de levar o Raul. Inicialmente, entendi falarem em custo total de $2,000.00 e argumentei que não tinha esse dinheiro e iria fazer uma reclamação na Embaixada Brasileira. Depois de algum tempo já se falava em $200.00 USD pelos serviços da agência e mais $100.00 para as despesas de transporte etc da pessoa responsável pela minha custódia, que teria de voltar de ônibus. A tarde avançava e eu tive de aceitar. Durante a espera conheci e conversei bastante com um motociclista chamado Ariel de Leon, que me pareceu ser uma pessoa equilibrada e confiável. Me afirmou que o Raul era um bom rapaz e não teria nenhum tipo de problema com ele. Mais tarde, o Raul me aparece de banho tomado e barbeado, pois iria aproveitar para visitar a sua segunda família, em El Salvador.

                              Perguntei pelo capacete e tive de lhe dar $100.00 para conseguir um capacete de plástico emprestado, que o Ariel conseguiria, em local distante. Fui liberado para entrar na Guatemala às 05:00 h da tarde. Tripulação à bordo, dei partida na Electra, que além da torre, estava sobrecarregada de alta carga de estresse, decepção, revolta e impotência. E muito difícil de equilibrar. Seguimos pela única estrada, esburacada e sem sinalização, sempre acompanhados pelos muito grandes caminhões e rápidas camionete. Eu tinha que manter certa distância dos veículos, a fim de ter tempo de ver e livrar os grandes buracos, no asfalto, com um palmo de profundidade. Além disso, a execução das constantes manobras em ziguezague, pelos grandes caminhões para livrar os buracos, não eram avisadas. Assim, procurava seguir sobre um dos rastros de seus pneus. Caiu a noite e já sem idéia de onde
                              eu estava, o meu GPS passou a ser o conhecimento da região, pelo Raul.

                              Preocupado em chegar muito tarde, comecei a acelera. Em uma ultrapassagem, no vácuo de uma caminhonete branca, marquei bobeira e em vez de permanecer sob um de seus rastros, por uns instantes, fiquei entre ambos os rastros de seus pneus. Subitamente, mesmo no escuro, percebo um grande buraco e não dá tempo de desviar. A pancada frontal foi tão forte que senti dor no meu coração. Durante o evento, em átimos de segundos, imaginei a roda dianteira e o pneu partidos e nossos corpos e a bagagem com a tampa do bagageiro no cão. Desesperado, enquanto a Electra empinava e corcoveava com um potro xucro, gritei para o Raul se segurar e continuei acelerando, a fim de não ser atropelado por caminhonete ou caminhões. Segui para a margem da rodovia, liguei o alerta e como percebi que não havia nenhuma vibração anormal, pedi ao Raul para conferir se o pneu ainda estava lá, pois eu não enxergava nada pelo retrovisor. Milagre! Estava tudo íntegro. Seguimos em frente com mais cautela e grande tensão. Depois de passarmos por várias situações críticas de alta tensão, principalmente, em decorrência das péssimas condições da estrada, vimos uma placa que indicava a direção de Escuintla. Seguimos neste rumo, sem qualquer outro tipo sinalização posterior. Muito tempo depois, surgiu uma placa indicando a direção de Puerto Quetzal, que até hoje ainda não consegui identificar, no mapa, onde ela está. Às 10:00 h da noite, ainda sem comer nada, o Raul me pediu para paramos em uma pizzaria Dominus, que ficava em algo parecido com um pequenino Mall, a beira ada estrada, já próximo a Puerto Quetzal, a fim de buscarmos informações sobre hotel. No local, ainda havia algumas poucas famílias
                              e também vários jovens com suas motocicletas 125 CC. Enquanto o meu navegador pedia a pizza e as informações, fiquei verificando a suspensão e a aparência das rodas: não percebi nada de anormal. Quando estávamos para partir, alguns rapazes se aproximaram para me cumprimentar pela Harley. Como sempre, sorrisos e amabilidades, falei que era brasileiro etc e tal. Pediram cigarros e repetiram várias vezes, para eu tomar muito cuidado. Como sempre, o medo e a impotência eram sensações permanentes, em lugares onde tudo poderia acontecer. Seguimos em direção a cidade e fomos o mais rapidamente possível em busca do hotel. O segundo que encontramos aceitava cartão de crédito e era muito bom. Como a garagem era protegida, nem tirei as bagagens da moto. Uma noite sem escovar os dentes, não faria mal. Barriga cheia, banho tomado, não conseguia dormir. Além do grande estresse como o motor de partida, que arranhava e as vezes não colocava o motor para rodar, a noite foi de intenso combate, na estrada. E por pouco não
                              ficamos por lá. Meia-noite, o Raul já roncava alto e a descarga contínua de adrenalina que recebi não me deixava dormir. Fiz a minha oração de agradecimento a DEUS e exercícios respiratórios para a minha bomba desacelerar.
                              Dou graças a Deus por acreditar Nele - não os deuses das religiões e sim Aquele que desconhecemos e apenas O intuímos desde os primórdios da existência humana – pois do contrário, não sei de onde tiraria tanta força para suporta a pior experiência desta fase de minha vida. Tenho a sensação de que está sendo tudo muito mais difícil para me testar.

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