Novos nômades

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  • karine
    Fazedor de Chuva
    • Jul 2012
    • 1595

    #16
    Há 53 anos Jane Goodall começava um dos mais belos estudos científicos já realizados

    Na manhã de 14 de julho de 1960, ela chegou a uma praia pedregosa na costa leste do lago Tanganica. Foram seus primeiros passos na então chamada Reserva de Caça Gombe Stream, uma pequena área protegida que o governo colonial britânico havia demarcado nos idos de 1943. Trazia uma barraca, pratos de flandres, uma caneca sem asa, um binóculo tosco, um cozinheiro africano chamado Dominic, e - como acompanhante, por insistência de pessoas que temiam por sua segurança na selva da Tanganica pré-independente - sua mãe. Vinha estudar os chimpanzés. Ou pelo menos tentar. Quem não a conhecia bem apostava em seu fracasso. Mas uma pessoa, o paleontólogo Louis Leakey, que a recrutara para a tarefa em Nairóbi, acreditava que ela podia ter êxito.

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ID:	168668
    Fonte: National Geographic Brasil

    Um grupo de moradores acampados na praia perto de redes de pesca recebeu os recém-chegados e os ajudou a descarregar o equipamento. Por volta das 5 da tarde, alguém anunciou ter visto um chimpanzé. "Lá fomos nós", escreveu Jane depois em seu diário. Foi só um vislumbre distante, vago. "Ele se afastou quando alcançamos o bando de pescadores que o fitava. Escalamos a encosta, mas não o vimos mais." Apesar disso, ela registrou um amontoado de ramos curvados e amassados numa árvore próxima: um ninho de chimpanzé. Esse dado, o primeiro ninho, foi o ponto de partida de uma saga, ainda em andamento e completando agora 53 anos, que viria a ser uma das mais importantes da biologia moderna: o contínuo e minucioso estudo do comportamento dos chimpanzés de Gombe, empreendido por Jane Goodall e outros.

    A história da ciência registra alguns dos grandes momentos e detalhes icônicos dessa saga, fascinante como um conto de fada. A jovem senhorita Goodall não tinha credenciais científicas quando começou nem ao menos diploma universitário. Era uma brilhante e motivada inglesa, formada em secretariado, que sempre amara os animais e sonhava em estudá-los na África. Provinha de uma família de mulheres fortes, pouco dinheiro e homens ausentes. Suas primeiras semanas em Gombe foram atribuladas, tateando à procura de uma metodologia, perdendo tempo por causa de uma febre que provavelmente era malária, caminhando muitos quilômetros pela selva montanhosa e avistando poucos chimpanzés.

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ID:	168669
    Fonte: National Geographic Brasil

    Finalmente, um macho idoso, de barbicha grisalha, deu-lhe uma chance - fez um hesitante e surpreendente gesto de confiança. Jane batizou-o de David Greybeard (David, o Barba Grisalha). Em parte graças a ele, Jane fez três observações que abalaram as confortáveis certezas da antropologia física: chimpanzés comem carne (presumia-se que fossem vegetarianos), usam ferramentas (talos de planta para pescar cupim no ninho) e as fabricam (removendo as folhas do caule), sendo esta última uma característica supostamente única da premeditação humana. Foi um avanço enorme na pesquisa científica: cada uma dessas descobertas reduziu ainda mais a diferença percebida entre a inteligência e a cultura do Homo sapiens e do Pan troglodytes.

    Fonte: National Geographic Brasil

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    • Proftel
      Fazedor de Chuva
      • Apr 2013
      • 343

      #17
      Karine:

      Na Idade Média, um vassalo só se ausentava de seu lugar de nascença no máximo 35 Km (trinta e cinco quilômetros) a vida inteira!

      Não se concebe isso hoje em dia!

      Os Senhores Feudais iam mais longe guerrear, "buscar o cálice sagrado" ou "livrar Jerusalém" etc.

      Creio que os frequentadores dessa página, mesmo em 1.300 dC seriam nômades, não sou "Espírita" mas, de vez em quando, a explicação do "Chico Xavier" sobre "Reencarnação", vou te contar, até parece plausível.

      Nascido na Religião Católica (sou Católico Apostólico Romano - Batizado e Crismado (enquanto era Seminarista em Araraquara)), nem deveria estar comentando sobre mas, que é interessante é!

      Não me leve a mal, estou só divagando.

      Alexandre.

      :-)

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      • karine
        Fazedor de Chuva
        • Jul 2012
        • 1595

        #18
        Izan Petterle: a beleza enigmática das coisas

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ID:	169672
        Fonte: National Geographic Brasil

        Após anos criando gado, treinando cavalos no Mato Grosso, Izan Petterle decidiu ser fotógrafo. Aos 40 anos. O sonho de infância permaneceu como hobby durante os 15 anos em que trabalhou como fazendeiro. Só ganhou espaço quando sua mulher decidiu morar no Rio de Janeiro, e ele enfim tirou os pés da Chapada dos Guimarães. Nesse dia, ele se perguntou: “E agora, o que é que vou fazer da minha vida?”

        Petterle buscava sentido para sua vida, mas não queria procurá-lo na capital fluminense. Preferiu comprar um apartamento em São Paulo. “Aquela história era minha. Já com dois filhos criados, 19 anos de casado, minha mulher foi categórica: ‘Faça o que você quiser da sua vida, que eu faço da minha’. Pensei: ‘Não tem mais fazenda, não tem mais a vida que eu tinha. A única coisa que me sobrou foi o sonho, a fotografia. E vou fazer tudo que eu tiver que fazer para chegar lá’“, lembra-se o gaúcho.

        O caminho até se tornar fotógrafo de NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL foi percorrido após grandes jornadas pelo Brasil fotografando cavaleiros e amazonas durante três anos sabáticos, 1998, 1999 e 2000. Por sorte, o fim desse período coincidiu com a fundação da edição brasileira da revista.

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ID:	169673
        Fonte: National Geographic Brasil

        Não foi sem preparo que iniciou esse projeto. A base da fotografia aprendeu quando passou no vestibular para Medicina Veterinária na UFRGS, em 1974. O jovem de 18 anos ganhou dinheiro do avô para comprar um fusca, mas voltou para casa com uma câmera Pentax, três lentes e fez um curso de fotografia. A veterinária, por sua vez, largou no quarto ano de estudos. Depois que se mudou para a capital paulista, inspirado por uma entrevista de Sebastião Salgado, investiu novamente em equipamento, decidiu explorar assuntos com os quais já tinha intimidade – cavalos e veterinária – e montou o plano e o roteiro de viagem.

        Nessa jornada, Izan documentou cavaleiros e suas celebrações populares e religiosas, sobretudo a cavalhada, festa folclórica de origem medieval encenada no Brasil desde 1584. Os registros acabaram publicados na revista em setembro de 2001, na reportagem Festa a cavalo. “É aquela história: ‘Se hace camino al andar’. Sou o único cara que fez isso até hoje e a NATIONAL adorou.”

        Fonte: National Geographic Brasil

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        • karine
          Fazedor de Chuva
          • Jul 2012
          • 1595

          #19
          O homem que rodou 4,8 milhões de km com seu Volvo

          O norte-americano Irv Gordon passou muito tempo com seu possante, um 1800 S, da Volvo. Ele está com o carro desde 1966 e, pelo visto, vai continuar um bom tempo com o veículo.

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ID:	173782
          Fonte: Auto Esporte

          Gordon e seu 1800 S já rodaram 4,8 milhões de quilômetros, distância correspondente a 120 voltas ao mundo. A conquista foi marcada no único estado estadunidense que Gordon ainda não conhecida – o Alasca – no último dia 18.

          "Não foi tanto pela questão de alcançar a marca, mas pelas viagens que fiz a fim de conquistá-la e o que experimentei até aqui. Nunca tive a meta de 1 milhão, 2 milhões de quilômetros rodados. Só gostei de dirigir e curtir a vida com o meu Volvo”, disse o proprietário do veículo.

          Pois é, Fazedores de Chuva, há almas inquietas espalhadas por todas as partes do mundo e com os mais distintos veículos. Todos rodando atrás de seus sonhos.

          Aprocheguem-se, FC!

          Fonte: Auto Esporte

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          • karine
            Fazedor de Chuva
            • Jul 2012
            • 1595

            #20
            Por onde começar?

            "Se seus sonhos estiverem nas nuvens, não se preocupe, pois eles estão no lugar certo; agora construa os alicerces"
            (Dalai Lama)

            A Jus Prado no site Extremos escrever uma reflexão sobre como ir atrás dos sonhos. Sempre uma inspiração para os novos nômades. Confira:

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ID:	181060
            Foto da Internet

            É gratificante poder compartilhar inspiração, seja ela vinda através de belas fotos ou relatos de viagem pelo mundo a fora ou mesmo através de uma simples conversa com o seu melhor amigo recheada de atenção e amor.

            Junto com a inspiração que toca o coração dos sonhadores é natural que venha também uma certa curiosidade em saber como é que faz para colocar um sonho em prática?
            Independente do caminho que cada um faz ou irá traçar para chegar lá e de qual seja o seu sonho todos nós temos a capacidade de realizar aquilo que projetamos, alinhando: atenção, intenção e ação podemos voar alto!

            Então, como começar?
            Primeiro de tudo é acreditar que é possível por mais que a situação atual não seja favorável, sim, acredite! Não é utopia nem viagem na maionese, chega de desculpas externas e expanda a sua capacidade de compreensão pois há muito mais coisas além do que apenas aquilo que se pode ver. Para os mais descrentes aconselho: tente!

            E não basta apenas acreditar, tem que trabalhar duro na crença de que é possível pois os obstáculos contrários virão de todos os lados: parentes, amigos, o sistema, a mídia e o mais difícil de todos: você mesmo, que será severo bombardeando o seu sonho com todos os tipos de argumentos como: 'é impossível', eu não consigo', 'não tenho dinheiro', 'não tenho tempo', 'não tenho isto ou aquilo' e blá blá blá. Coragem!

            Não espere que os outros entendam ou aceitem o que você quer realizar, nem espere a opinião deles, forme a sua opinião e trate de aceitar a ideia você mesmo! Vire a mesa desta voz interior. Por que não é possível? Tome as rédeas e transforme obstáculos em possibilidades.

            Ainda no plano abstrato de nossa mente, comece a investigar o seu sonho, faça rascunhos, descubra o que você realmente quer fazer e materialize-o na forma de objetivos.
            Comece pequeno, pesquise tudo relacionado ao seu objetivo e aos poucos organize-se, trabalhe e dê forma com as ferramentas que você tem hoje, devagar e etapa por etapa. Paciência.

            Continue desenvolvendo o seu objetivo e inspire-se! Quando as coisas vão começando a acontecer tente não se cobrar demais, pelo contrário, aprenda a se desapegar de qualquer resultado e permita reajustar os planos e descansar se for preciso, novas ideias vão surgir, esteja receptivo a elas e tudo isso faz parte do processo onde o importante é continuar se movimentando para frente!

            Faça as pazes com o medo! Qualquer medo principalmente o medo do desconhecido, aquela sensação de frio na barriga e garganta seca quando você vê que o que você sonhou e planejou por um período está prestes a acontecer, uma mistura de medo com entusiasmo e euforia, pois bem, aproveite e mantenha-se positivo e aberto para os imprevistos, deixe a vida te surpreender através de cada experiência!

            E uma vez que você realiza um sonho verá que todos os outros são totalmente alcançáveis! E assim você será capaz de dar saltos cada vez mais altos, sem limites para aquele que verdadeiramente acredita!

            Bons ventos e ótimos tempos!

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            • karine
              Fazedor de Chuva
              • Jul 2012
              • 1595

              #21
              O poder transformador da fotografia

              O fotógrafo da National Geographic Luciano Candisani conta um pouco sobre a sua história com a fotografia. Confira:

              "O icônico retrato da menina afegã Sharbat Gula, de Steve McCurry, está de volta à capa de National Geographic. Escolha perfeita para abrir uma edição inteira dedicada ao poder transformador da fotografia.

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Name:	ng.jpg
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ID:	187823
              Fonte: viajeaqui.abril

              Vi esta fotografia de McCurry pela primeira vez na adolescência. Eu já era, então, um “leitor” inveterado da famosa revista de borda amarela, que via na biblioteca do colégio. Nessa época, pouco lia do texto em Inglês, mas nada podia ser mais eloquente pra mim do que aquelas histórias contadas com imagens espetaculares.

              Ligado ao mar, me interessava sobretudo pelas reportagens do universo de ilhas remotas feitas por David Doubilet. Suas incríveis imagens de águas cristalinas e recifes multicoloridos alimentavam meus sonhos de um dia ver e fotografar aquilo tudo com meus próprios olhos.

              Queria um trabalho como aquele! E fui atrás. Aos 15 anos de idade, tirei uma credencial de mergulho autônomo e consegui uma Nikonos V, a lendária câmera anfíbia da Nikon. Fiz minhas primeiras fotografias embaixo d’água no quintal de casa, entre Ilhabela e Angra dos Reis, estabelecendo uma ligação com a natureza que mais tarde me levou a optar pelo curso superior de biologia na Universidade de São Paulo.

              No primeiro semestre da faculdade, comecei a estagiar no Instituto Oceanográfico. Adorava aquela atmosfera de pesquisa marinha e logo passei a embarcar para expedições ao longo da costa brasileira.

              Trabalhava como assistente de pesquisa e também fazia fotografias submarinas de equipamentos de coleta e procedimentos de trabalho com a minha Nikonos, a pedido dos professores. Os laboratórios precisavam dessas imagens e pouca gente fazia fotografia submarina naquela época.

              Os convites para trabalhos de documentação fotográfica começaram a surgir em profusão. Virei um “fotógrafo” de expedições científicas.

              Foi assim que, entre 1996 e 98, fiz duas longas viagens para a Antártica, a serviço do Instituto Oceanográfico, e publiquei minhas primeiras matérias importantes na imprensa brasileira. As imagens sobre a rara vida abaixo da superfície congelada do mar, inéditas na época, conquistaram visibilidade e abriram o longo caminho que me levaria ao sonho acalentado na juventude.

              Desde o ano 2000 produzo reportagens fotográficas para a National Geographic Brasil e, agora, fotografo também para a edição mundial da revista, a mesma publicação que fora decisiva na minha escolha profissional. Histórias que se encontraram graças ao poder transformador da fotografia".

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              • karine
                Fazedor de Chuva
                • Jul 2012
                • 1595

                #22
                Quando desistir?

                Antônio Calvo, é proprietário da Loja Armazém Aventura e adora esportes ao ar livre. Confira o relato dele no site Extremos:

                "Eu fiz a escolha errada. Entusiasmado com a escalada, com os dias longe do agito do dia a dia, feliz por estar com um grande amigo, escolhi uma linha um pouco mais à esquerda que deveria e quando percebi já estava enroscado, parado no meio da parede quase vertical, sem conseguir subir ou descer e com a minha segurança ainda uns cinco metros abaixo, nada pronta. Até agora eu ficara num estado de transe, num universo paralelo - e só meu - que me afastara de tudo e de todos, mergulhado numa sensação que muitos aventureiros e esportistas dizem que sentem quando atingem o máximo da concentração e performance. Mas o medo me fez perder o foco e a magia do momento foi embora. Então voltei a ouvir a minha respiração e sentir o sangue fluindo pelas veias, ouvi o coração batendo. E isso não era nada bom...

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ID:	187911
                Foto: Paul Colas-Rosas

                A primeira coisa que eu tentei fazer foi me concentrar para concentrar. Parece engraçado e sem nexo, mas foi justamente isso que eu fiz: uma concentração enorme para voltar a me concentrar. Aos poucos achei um pé mais em baixo e tomei coragem para mudar de posição. Já era hora, meus braços estavam cansados e muito provavelmente eu não aguentaria por mais tempo. Consegui um segundo apoio de pé mais em baixo, havia desescalado apenas alguns centímetros quando senti um leve puxão na corda. Com a minha discreta descida o Paul percebeu que a corda estava solta e por isso era necessário retesá-la. Gritei alguma coisa como “não puxa, não puxa”. Eu não queria levar um tranco da corda a ponto de desequilibrar e cair os cinco metros que me separavam do último grampo logo depois da grande chaminé. Foi então que desci mais um metro e parei, travei de vez, não conseguia pensar em mais nada além de fud*!

                Eu estava com o amigo Paul Colas-Rosas escalando a Chaminé Jimmy nas Agulhas Negras, dentro do Parque Nacional do Itatiaia. Era a primeira viagem desde o nascimento do meu filho Luca. Estes meses parado me deixaram com aquela coceira no corpo que os viajantes sentem ao ficar por mais de alguns dias no mesmo lugar, como bem descreve Jack Kerouac em seu livro beat “On the Road”. Era preciso colocar a mochila nas costas e o pé na estrada.

                A Jimmy ou Travessia Diagonal tem um nível moderado de dificuldade, “apenas” 3º IV, porém sua exposição é E3 - numa escala de 1 a 5. Quanto menor o número da exposição, mais protegida é a via e, portanto, apresenta mais pontos para a segurança ao longo da subida. Seus conquistadores e data da façanha são desconhecidos. É considerada uma das mais belas vias das Agulhas segundo o “Guia da Região do Itatiaia, Escaladas e Montanhismo”.

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ID:	187912
                Foto: Paul Colas-Rosas

                Colado na pedra como um gato escaldado, à esquerda da “canaleta curva para a direita”, no meio das Agulhas Negras, gritei para o Paul que eu precisava de ajuda. “Quanto tempo você consegue ficar nesta posição?” ele perguntou. Acho que respondi “uns 5 minutos!”. Ele desfez a segurança em sua cadeirinha para liberar o único sistema que nos conectava, o cordão umbilical que liga os escaladores e que, em teoria, nunca, nunca mesmo deve ser solto. Mas eu já estava sem proteção alguma porque a corda ainda não estava costurada em nenhum grampo. Simplesmente não há proteção naquela parte da escalada, logo não faria a menor diferença estar ou não conectado ao parceiro. Então gritei “voa!”.

                A estratégia era simples. Bastava ele chegar num bloco de pedra ao meu lado, quase na mesma altura, e refazer a segurança. Se eu caísse a partir de então, ao invés de chapar no final da grande chaminé que acabáramos de escalar, pendularia para a base desse bloco. Na minha cabeça o estrago seria menor. Calmo e objetivo, o Paul escalou até o bloco de pedra e preparou a minha segurança novamente. Que alívio, o plano havia dado certo!

                Mas a escalada estava condenada, perdi totalmente as minhas forças, físicas e mentais. E ainda era preciso descer tudo o que havíamos escalado até então.

                Quando é preciso desistir dos sonhos e vontades e assumir que é hora de voltar? Eu me lembro que o Paul foi olhar o próximo lance da Jimmy enquanto eu retomava o fôlego. Era o crux, o trecho mais difícil da via de escalada, que tem início num enorme platô e possui parcas proteções na rocha. Enquanto ele esteve fora eu peguei a máquina de filmar e apertei o rec. As palavras não saíram da minha boca. Os primeiros segundos mostram uma respiração profunda, um olhar solto, triste, perdido. Olho para o relógio na tentativa de buscar coragem e assumir que eu não tinha mais força para continuar. Não queria desapontar o amigo e muito menos eu mesmo. Não queria assumir a derrota e sair daquele universo paralelo que tanto me empolga quando estou ao ar livre, mas era preciso entender que a maneira que se chega ao cume é muito mais importante que a própria façanha em si, como bem descreveu Terrey; mas nem no cume eu estava (!) ... E aí começo a confessar: “são 14h15 e eu estou extremamente exausto”, foram as primeiras palavras, e na sequência “desisti, o Paul foi olhar o platozão da Jimmy e aproveitei para descansar na sombra. Aquela exposição com uma desescaladinha, com a tensão de esperar a segurança chegar acabou comigo. Então daqui a gente já desce, desescalando e fazendo rapel. Acontece, bora pra casa, segurança em primeiro lugar”.

                Não foi fácil assumir a derrota. Nunca é fácil conjugar frases e pensamentos em primeira pessoa, assumir o “eu” interno: eu posso, eu não posso; eu sou capaz, eu não sou capaz. Mas é preciso ter coragem quando necessário. Afinal, o cume não é necessariamente o verdadeiro pico da montanha, o cume é na verdade o lugar que carregamos em nosso interior, em nossos corações. É um lugar íntimo e pessoal, mas verdadeiro em seus sentimentos como escreveu a Luiza, minha esposa, depois de ler o rascunho deste texto: “Fico feliz em sentir que sabe desistir quando necessário e que isso não tem sido mais tão frustrante assim. Afinal, com você eu pude aprender que muitas vezes o nosso cume não é necessariamente o cume real da montanha ou o final da via de escalada. Ainda bem que desistiu, que chegou em casa seguro e feliz para curtir a saudade comigo e com o Luquinha. Te amamos e com certeza ainda temos muitas aventuras para curtirmos juntos!”

                A descida não foi fácil. Na verdade, o desnível das Agulhas é tão alto que, mesmo acordando às 5h45 e iniciando o retorno por volta das 15h00, só conseguimos alcançar o acampamento no refúgio Rebouças às 19h00, com as lanternas na cabeça para encontrar o caminho no breu da noite.

                Terminei o dia feliz. Feliz porque sabia que a escolha fora correta. Porque não forçando a barra, evitamos causar qualquer tipo de acidente. Feliz porque o Paul iria cozinhar alguma coisa gostosa para o jantar - assim eu esperava! - e eu só precisaria servir o mate. Por saber que iria adentrar novamente, numa próxima escalada em algum outro lugar por aí, aquele universo paralelo que eu tanto gosto quando o foco é total. Feliz porque mais uma vez, como Chouinard, as atividades ao ar livre me ensinaram a lidar com a adversidade e, por isso, foi um ponto alto também. Terminei mais forte de quando comecei.

                Boas escaladas."

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                • karine
                  Fazedor de Chuva
                  • Jul 2012
                  • 1595

                  #23
                  O direito ao risco

                  O colunista do O Globo André Ilha escreve sobre os esportes de aventura e essa busca pelo risco e incerteza.

                  O caminho evolutivo seguido por nossos ancestrais lhes proporcionou uma série de qualidades físicas e mentais que permitiu multiplicar de forma assombrosa o resultado do seu trabalho, e criar ecossistemas artificiais confortáveis e seguros para si e sua prole, eliminando os perigos e as incertezas próprios do mundo primitivo. Salvo por desigualdades sociais, abrigo, alimento, vestuário, saúde e segurança estão de certa forma garantidos, permitindo o relaxamento daquelas qualidades inatas originais que nos levaram a conquistar o mundo.

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Name:	esporte-radical.jpg
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ID:	188094
                  Foto da Internet

                  Relaxar, no entanto, não significa eliminar, e para muitos um chamado selvagem, como aquele do livro imortal de Jack London, convida a fazer uso de tais qualidades, ou de parte delas, não mais em busca de alimento ou abrigo ou enfrentando tigres-de-dentes-de-sabre, mas de forma estilizada, em atividades esportivas ao ar livre genericamente denominadas esportes de aventura. Surfe, escalada em rocha, mergulho, voo livre e outras mais são atividades que colocam seus praticantes em contato direto com a natureza em seu estado mais indomado. E, além de gerarem um prazer arrebatador, contribuem para que seus adeptos cultivem outras qualidades relevantes como autocontrole, solidariedade, trabalho em equipe, amor à natureza e tantas outras.

                  A palavra aventura, no entanto, pressupõe incerteza e risco. Não existe aventura com resultados garantidos nem sem alguma dose de risco. Esta afirmação, consagrada nos verbetes dos melhores dicionários, é também espelhada na ótima definição oficial para os esportes de aventura dada pelo Ministério do Esporte. Emoções fortes, até bem fortes, (quase) sem risco e com desfecho assegurado, consegue-se nos parques de diversões, mas não descendo de caiaque um rio turbulento, pulando de parapente do topo de uma montanha ou explorando uma caverna submersa.

                  Esta característica dos esportes de aventura, todavia, nem sempre é bem compreendida pela maioria da população, que preza, sobretudo, o conforto e a relativa segurança do mundo moderno. Isso de certa forma se reflete em recorrentes projetos de lei que, apesar de bem intencionados, se aprovados descaracterizariam, ou mesmo eliminariam, aquilo que pretendem regular. Apesar de normalmente voltados para a prática comercial destas atividades — portanto, tendo como alvo primário o chamado turismo de aventura — , tais projetos, por redação deficiente, respingam também, e de forma desastrosa, sobre os praticantes amadores.

                  Tais projetos são estruturados sobre duas linhas bem definidas: a busca obsessiva por certificações e registros formais, numa lucrativa (para alguém) cartorialização que nem sempre apresenta alguma utilidade concreta; e restrições manietantes, inclusive quanto ao livre acesso aos locais de prática destes esportes, muitos deles em parques naturais públicos, que equivaleriam, se aprovados, à sua virtual eliminação, ainda que não explicitamente declarada.

                  O medo de responsabilização civil e mesmo penal no caso da ocorrência de um acidente, sempre maior devido ao viés paternalista da legislação brasileira, potencializa este processo, e hoje o maior risco enfrentado por um escalador ou b.a.s.e. jumper talvez não seja a sua atividade em si, mas sim advogados que incitam alguém a mover processos judiciais se um acidente ocorre. Ou, pior, por praticantes eventuais que, se algo acontece, alegam desconhecer, como se isso fosse possível, que estas atividades são de fato arriscadas, e buscam dividir uma responsabilidade que deveria ser só sua com mais alguém, não raro para tentar obter alguma vantagem financeira.

                  Como montanhista inveterado, e praticante circunstancial de outros esportes de aventura, pleiteio o direito de atender a esta pulsão ancestral com a plena consciência dos riscos envolvidos, assumindo integralmente as consequências da decisão de praticá-los e não esperando jamais, por coerência, que alguém, indivíduo ou instituição, venha a ser responsabilizado na hipótese de que algo dê errado. Não é pretensão exagerada, nem descabida, e precisamos caminhar para uma jurisprudência que assegure este direito.

                  Comentário

                  • karine
                    Fazedor de Chuva
                    • Jul 2012
                    • 1595

                    #24
                    Nômades asiáticos conseguem nomear o cheiro

                    Peça a um grupo de pessoas para descrever a cor de uma folha de papel, ou de uma nuvem, ou de um copo de leite, com certeza todas elas vão dizer que a cor é "branca”. Mas peça para o mesmo grupo descrever o cheiro de canela, você vai provavelmente conseguir um monte de respostas, variando de "picante" para "smoky", até "doce". Quando se trata de nomear os cheiros, os seres humanos lutam para encontrar termos universais. Na verdade, os cientistas há muito tempo pensavam que a capacidade estava fora do nosso alcance. Mas um novo estudo indica que habitantes de uma remota península no sudeste da Ásia podem descrever cheiros tão facilmente como nós escolhemos as cores, relata uma matéria da revista Science desta semana.

                    O estudo refere-se aos Jahai´s, nômades caçadores que vivem nas florestas de montanha ao longo da fronteira entre a Malásia e Tailândia. O olfato é muito importante para esta sociedade. Odores são frequentemente evocados na doença, ou medicina, por exemplo, e é uma das poucas culturas dedicadas exclusivamente aos cheiros. "Por exemplo, eles conseguem descrever o cheiro de cabanas antigas, comidas do dia anterior, e repolho”, diz Asifa Majid, um psicólogo do Centro de Estudos da Linguagem na Radboud University Nijmegen, na Holanda. Isso sugere, diz ela, que o Jahai pode isolar propriedades básicas do cheiro, bem como podemos isolar a cor branca do leite.

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ID:	188565
                    Foto da Internet

                    A matéria descreve que para saber se o Jahai é melhor em cheiros de nomeação do que o resto do mundo, Majid e alguns colegas pediram para falantes Jahai nativos e falantes nativos ingleses para descreverem 12 odores diferentes: canela, terebintina, limão, fumaça, de chocolate, rosa, diluente, banana, abacaxi, gasolina, sabão, e cebola. O Jahai facilmente e consistentemente identificaram os cheiros, enquanto o falante de inglês lutou e não conseguiu.

                    Por exemplo, todos os falantes do Jahai testados concordaram que o cheiro de canela deve ser descrito como c??s, pronuncia-se "cheng-us", a mesma palavra que eles usam para o cheiro de alho, cebola, café, chocolate, ou de coco. Isto sugere que os Jahai´s são capazes de identificar as propriedades de odor comuns em todos esses alimentos, o que sugere uma capacidade de percepção especial em comparação com outras culturas.

                    Em contraste, Majid diz: “a descrições dos ingleses para os odores eram cinco vezes mais e quase todos os participante vieram com um nome completamente diferente”. Há pouco consenso sobre a forma de descrever os cheiros, e as pessoas muitas vezes dão diversas descrições conflitantes e contraditórias “Além do mais, ela observa, quando os ingleses descrevem os cheiros, muitas vezes usam a fonte do cheiro em sua descrição”. Um limão, por exemplo, cheirava "limão". Os Jahai´s, por sua vez, usam suas próprias palavras únicas para os cheiros.

                    A matéria revela ainda que a disparidade pode ser devida à importância de odores no cotidiano dos Jahai´s, diz Douglas Medin, um psicólogo da Universidade de Northwestern, em Evanston, Illinois, e um especialista em cognição e aprendizagem nas culturas indígenas. Em uma floresta tropical densa, troncos podem ter a mesma aparência, por exemplo, por isso nem sempre é possível identificar uma árvore apenas por sua aparência, diz Medin, que não esteve envolvido no trabalho. Além disso, depois de uma chuva forte, os cheiros tornam-se mais evidentes e você pode facilmente identificar uma pilha de fezes de macacos, folhas em decomposição, ou flores nas proximidades, se você aprender a identificar os cheiros. Em alternativa, tendo uma forma acordada para descrever um cheiro que poderia atrair um tigre pode salvar sua vida.

                    Também é possível que os Jahai´s sejam construídos de forma diferente do resto de nós. Os genes que codificam os receptores olfativos em nossos narizes apresentam uma grande variação não só entre diferentes populações humanas, mas também entre as pessoas. Por isso, pode ser que os Jahai´s evoluíram mais esses receptores ou uma diversidade maior deles do que todos os outros, bem como a tribo Tsimane da floresta boliviana mostraram-se mais sensíveis aos cheiros do que os alemães.

                    "Nós não vamos ser capazes de responder a essas perguntas até que estudos semelhantes sejam realizados em muitas outras culturas humanas", diz Nicholas Evans, psicólogo e biólogo especializado na diversidade de estruturas lingüísticas da Universidade Nacional Australiana, em Canberra. "Mas este estudo tenha arrombado o lacre do frasco de perfume”, finaliza a matéria.

                    Fonte: Jornal do Brasil

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                    • karine
                      Fazedor de Chuva
                      • Jul 2012
                      • 1595

                      #25
                      Empresa faz aventureiros levarem cama para dormir no topo da montanha

                      Para muitas pessoas, uma das piores coisas ao ficar longe de casa, é a sensação de desconforto ao dormir em uma cama que não é a sua. Mas a rede de hoteis Ibis quis provar que isso é apenas psicológico, ao organizar uma expedição especial e instalar uma cama no topo mais alto da Venezuela, o Monte Roraima.

                      A campanha, idealizada pela agência BETC Paris e organizada em parceria com a We Are Anonymous e os aventureiros Aaron Chevernak e Gareth Jones, tem por objetivo mostrar que é possível dormir em qualquer lugar do mundo – mesmo os mais inóspitos. Com duas semanas de duração, a expedição reuniu sete pessoas que percorreram 900 quilômetros na Venezuela, carregando uma cama novíssima de casal. Apelidado de ‘Sweet Bed’, o móvel foi transportado por vales, correntezas, rios e trilhas dificílimas até alcançar o cume.

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Name:	cama.jpg
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ID:	188706
                      Fonte: Época Negócios

                      O público pode conferir cada detalhe da aventura através de uma plataforma interativa disponibilizada em 11 idiomas, inclusive com versão em português. O conteúdo – com vídeos, mapas, fotos e áudios – está dividido em cinco capítulos que narram cada passo do trajeto: do ‘Caminho Longo e Difícil’, passando por ‘Sozinho no Cume’ até chegar ao esperado momento: ‘Sono Impossível: O grande momento’. Ao final, a campanha ainda consegue provar que o aventureiro Aaron Chevernak realmente conseguiu dormir lá em cima, a 4ºC.

                      Assista ao vídeo:




                      Fonte: Época Negócios

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                      • karine
                        Fazedor de Chuva
                        • Jul 2012
                        • 1595

                        #26
                        Aventureiro quer ir do Chile à Austrália em um barco a remo

                        O famoso explorador russo Fyodor Konyukhov, partiu sozinho para uma viagem através do Oceano Pacífico em um barco a remo em dezembro de 2013. Há alguns dias, ele enfrentava problemas com algas, que cobriam o barco, e tubarões, comuns na região.

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Name:	russo.jpg
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ID:	189021
                        Fonte: Extremos

                        Fyodor planeja atingir, após 200 dias, a costa da Austrália, remando 11 horas por dia. A distância entre o Chile e Austrália é de 6.500 milhas náuticas, mas, devido aos ventos fortes, o cidadão russo poderá percorrer 9 mil milhas. A embarcação tem 9 metros de comprimento e 1,5m de largura e é fabricada em fibra de carbono.

                        Até hoje ninguém conseguiu remar sozinho o Oceano Pacífico. Fyodor, 62 anos, é um aventureiro experiente, e suas principais conquistas são: completou o projeto de escalada dos 7 Cumes, já escalou o Everest duas vezes, já atingiu o Polo Sul e o Polo Norte em uma expedição de ski solitário, já cruzou o Atlântico 14 vezes entre elas uma vez a remo. Ele também é membro da Sociedade Geográfica Russa e tem 9 livros publicados, além de mais de 3.000 pinturas. É casado e pai de 3 filhos.

                        Fonte: Extremos

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                        • karine
                          Fazedor de Chuva
                          • Jul 2012
                          • 1595

                          #27
                          Lady Hester Stanhope, 1776-1839

                          Algumas mulheres são reconhecidas como guerreiras e aventureiras. Elas desbravaram um mundo até então desconhecido. Uma delas foi Lady Hester.

                          Ela nasceu no coração de um estabelecimento inglês, filha do Conde Stanhope Terceiro e sobrinha do futuro primeiro-ministro Pitt, o Jovem.
                          Lady Hester manifestou seu lado aventureiro no início da vida, quando tentou remar um pequeno barco para a França, que logo foi recapturado. Uma senhora ativa e uma inteligente jovem, ela foi escolhida para atuar como anfitriã do primeiro-ministro em eventos oficiais e, mais tarde, serviu como sua secretária.

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ID:	190058
                          Fonte: Hypescience

                          Após a morte do primeiro-ministro, ela foi premiada com uma pensão substancial da nação pelo seu serviço. Foi esse dinheiro que lhe deu a liberdade de viajar. Ela partiu para Atenas, onde Lord Byron a recebeu, com um plano de enviá-la a Paris para espionar Napoleão.

                          Diplomatas britânicos logo acabaram com isso e Lady Hester partiu para o Egito. Quando seu navio lá chegou, ela passou a usar roupas masculinas, um hábito que assumiu a partir desse momento. Mais tarde, Lady Hester explorou o Oriente Médio. Ela se reuniu com o governante do Egito, tratou bandidos, visitou locais bíblicos, e, com tanta hospitalidade árabe, começou a acreditar-se uma rainha para os moradores.

                          Lady Hester foi a primeira europeia a visitar várias cidades e foi recebida calorosamente por seus governantes. Na cidade em ruínas de Palmira, Lady Hester imaginava que tinha sido coroada rainha do deserto, e nunca perdeu essa crença. Ela passou seus últimos anos em um palácio nas montanhas do Líbano.

                          Fonte: Hypescience

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                          • karine
                            Fazedor de Chuva
                            • Jul 2012
                            • 1595

                            #28
                            Menina de três anos viaja pelo mundo de bicicleta com os pais

                            O matemático alemão Christian Riedke e sua mulher, a turismóloga espanhola Olga Avila Martorell, passaram seis dos últimos nove anos na estrada, ao longo de duas grandes viagens em cima de bicicletas.

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ID:	191513

                            "Pedalar é um jeito de conhecer de perto os lugares que visitamos", dizem Christian e Olga, que já passaram ao todo por 40 países, em todos os continentes.

                            Entre as duas viagens, nasceu Naila, a filha do casal, que aos três anos, passou a maior parte de sua vida na estrada e já é capaz de conversar em cinco idiomas diferentes.

                            Ela fala o espanhol e o catalão maternos, o alemão paterno, além de um significativo repertório da língua portuguesa.

                            "Às vezes ela pede que conversemos em inglês, que é o idioma que usamos com a maioria dos viajantes que encontramos. Outro dia, ensaiou algumas expressões em tailandês. Como não entendemos nada, ela não insistiu", diz o pai.

                            A última descoberta da pequena nômade é a de que a variedade de expressões que aprendeu integra idiomas diferentes, e que nem todos compreendem todos os conjuntos lexicais que ela aos poucos domina.

                            "Ela ainda mistura bastante, mas já está começando a diferenciar as línguas", observa Christian.

                            Mas como é viajar com uma criança de três anos? "Antes arriscávamos mais. Hoje maneiramos um pouco". O casal procura passar apenas algumas horas do dia pedalando, para que a filha não se canse.

                            "Não é qualquer criança que toparia; Naila é tranquila e paciente", comenta Olga. "Ainda assim, não podemos passar horas contemplando uma paisagem. Naila não se interessa por paisagens."

                            RELATOS DE VIAGEM

                            Carregados de roupas, fogareiro, sacos de dormir e uma tenda, o casal atravessou a África de norte a sul, pernoitando nas savanas e povoados e banhando-se nos riachos que cortavam a paisagem.

                            Na América do Sul, visitaram quase todos os países, incluindo as pouco conhecidas Guianas e o Suriname. Na Bolívia, acamparam no maior deserto de sal do mundo, as Salinas Uyuni, dentre uma infinidade de outras paisagens.

                            Depois de cruzarem alguns países europeus, voltaram para a América do Sul, regressando à Argentina, Bolívia, Paraguai e Brasil, cruzaram o Pantanal e parte do litoral sul do país.

                            De lá, rumaram à Nova Zelândia, exploraram a Tailândia e preparavam-se para adentrar a conturbada Mianmar.

                            A família acumula memórias de viagem. Certa vez, no Peru, após percorrerem uma larga extensão da costa sul totalmente desabitada, encontraram um pescador solitário. "Parecia louco", recorda Olga.

                            Perguntaram se podiam acampar ao lado de seu casebre de madeira. O homem, um tanto desconfiado, aceitou. Algumas horas depois, nos fundos da casa, acharam uma cesta repleta de crânios humanos. "Não tivemos coragem de perguntar o que era aquilo."

                            No interior da Guiné, na África Ocidental, em uma das extremidades de uma antiga ponte, toparam com um sujeito armado de uma espingarda, guardando uma enorme máquina enferrujada. Uma companhia que se instalara na região o contratara anos antes para vigiar o equipamento desativado.

                            Ao final do dia, o homem voltava para casa, deixando a máquina desprotegida. "Não fazia sentido algum. Devia ser mais caro mandar trazer de volta aquele motor quebrado do que pagar US$ 30 (R$ 70) mensais ao pobre homem por tanto tempo", diverte-se Olga.

                            BLOG ABANDONADO

                            Logo no início da viagem, tentaram manter um blog com seus relatos, mas por conta da baixa velocidade da conexão à internet em alguns países, acabaram desistindo. "Não queríamos esse tipo de rotina", dizem. "Enviar um e-mail às vezes levava 20 minutos".

                            O Brasil foi um destino recorrente do casal. Das Guianas desceram o litoral do Nordeste até Salvador. Pedalar na areia custava um pouco, mas a paisagem compensava. O ritmo das pedaladas, contudo, dependia mais do nível do mar do que da firmeza do solo arenoso.

                            "Precisávamos aguardar as marés baixas para atravessar os rios que desaguavam no mar", lembra Christian.

                            Certa vez, para cruzar o delta de um rio, aceitaram a ajuda de um homem que se prontificou a levar à outra margem as bicicletas e o equipamento a bordo de uma canoa.

                            Foi apenas depois, quando tinham as pernas mergulhadas na lama até os joelhos, que se deram conta de que haviam deixado documentos e todo o dinheiro que possuíam com o desconhecido. "Viajar muitas vezes nos obriga a confiar nas pessoas. É algo muito positivo", reflete Christian. Ao chegarem à outra margem, o barqueiro os aguardava.

                            DIVERSIDADE

                            A jornada se aproxima de um fim, ao menos por enquanto. Em julho deste ano, o casal regressa à pequena cidade de Friburgo, Alemanha, onde Christian retomará seu trabalho como professor de matemática.

                            "Estamos receosos. Será difícil enfrentar a rotina", resigna-se Christian.

                            "As prioridades de quase todos os que conhecemos por lá são o trabalho, a estabilidade e a segurança. Qualquer estilo de vida diferente do deles é visto com ceticismo, como se estilos distintos não pudessem conviver", comenta Olga, que também se prepara para ouvir críticas acerca dos cuidados e da criação da filha.

                            Os dois estão certos, contudo, de que a experiência foi a melhor educação possível para Naila. "Ela poderá não se lembrar do que viveu, mas, sem dúvida, se sentirá em casa quando estiver em meio à diversidade", conclui Christian.

                            Fonte: Jornal Floripa
                            Última edição por karine; 07-04-14, 13:50.

                            Comentário

                            • Joverany
                              Fazedor de Chuva

                              • Apr 2013
                              • 224

                              #29
                              Não tem como não perguntar....
                              Onde conseguem grana pra custear uma aventura dessas???
                              Pergunto porque pra mim isso é um sonho de vida.
                              Um sonho de vida que sonho, mas não realizo justamente
                              pela questão financeira.
                              Novamente pergunto onde conseguiram grana pra essa
                              aventura????
                              O sonho é o combustível das grandes conquistas.

                              Comentário

                              • karine
                                Fazedor de Chuva
                                • Jul 2012
                                • 1595

                                #30
                                Nômade dançarino

                                Click image for larger version

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ID:	191673
                                Fonte: Nômades digitais

                                Viajar e dançar em cada cultura diferente é algo que não é rotineiro para a maioria dos viajantes. Mas essa ideia foi levada a sério e bem ao pé da letra por Matt Harding, um ex-designer de games que se tornou sensação do YouTube ao fazer todo mundo dançar junto com ele nos vídeos que registra.

                                A série Where the Hell is Matt? começou quando ele, aos 23 anos de idade, se mudou para Brisbane, Austrália, onde começou a pensar que viajar poderia ser uma boa ideia. Após largar seu emprego, foi para o Sudeste da Ásia e fez um blog para deixar sua família e amigos cientes de onde ele estava.

                                Assista ao vídeo:



                                Até que, um dia, um amigo decidiu gravar sua dancinha boba e assim começaram a repetir a cena em todos os lugares por onde passavam. Você se lembra disso? O primeiro viral, patrocinado pela marca Gum Stride após a fama dos primeiros vídeos, veio em 2006 e depois 2008. Já em 2012, Matt decidiu caminhar com as próprias pernas e lançou seu próprio viral, com o mesmo nome.

                                Fonte: Nômades digitais

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