Coyhaique a Chile Chico - Parte 2
Publicado em 19 de junho de 2012 por Mundo de Moto
Em 11 de junho de 2012, segunda-feira, lunes no Chile, uma hora a menos que no Brasil, acordei no mesmo padrão sem pressa, sem estresse, café da manhã farto e com calma, decisão tomada, seguir para Chile Chico, me informei e existia na cidade escritório de companhias que faziam a travessia de ferry do Lago General Carrera. De Coyhaique eu teria que rodar até Puerto Ibañez, passando pela Punta del Diablo, trajeto de uns duzentos quilômetros, pegar o ferry e chegar em Chile Chico em aproximadamente duas horas. Caminhei pela cidade e não encontrei o escritório, voltei no hostel e me explicaram de novo onde era. Novamente fui, caminhei bastante e cheguei dando de cara com uma faixa escrito “Cerrado”. Abanei para uma pessoa lá dentro, que veio do lado de fora e com paciência me explicou que nesta época somente a empresa Sotramin fazia esse trajeto e onde estava localizada. Caminhei bastante, subindo uma ladeira pela cidade, comecei a suar cheio de roupas, mas encontrei a empresa, que me informou horário de saída, ou seja, 19 horas. Achei ótimo, pensei um pouco, comprei a passagem, minha e da moto.

Voltando na hospedagem, resolvi tirar uma foto de como são os pneus de carros aqui, cravejados para rodar com segurança no gelo, mas fazem um grande barulho rodando.
Estava com tempo sobrando, fiquei na hospedagem me arrumando, e na internet buscando informações, dando notícias pelo facebook, preparei a moto e me informei sobre o trajeto. Momento tenso da viagem, todos me dizem que tem escarcha na ida para Puerto Ibañez, ou seja, gelo na pista. Saí correndo pela cidade a pé, buscando as três lojas de peças de carros que existem, a fim de comprar a corrente líquida para pneus, mas nenhuma tinha disponível, tudo foi vendido. Confesso que fiquei um pouco nervoso, não tinha outra opção, me preparei, completei o tanque, equipamento vestido, passagens no bolso e máquina na estrada buscando o caminho de onde eu embarcaria no ferry. Saí de Coyhaique às 14 horas, para embarcar às 19 horas, alta margem de segurança.

Depois de alguns minutos na estrada, começo a subir, e subir aqui nessas estradas nessa época significa neve e gelo. E assim foi, curvas e a paisagem foi ficando belíssima, já pensei na hora que foi mais uma decisão acertada, trecho que recomendo, Coyhaique à Chile Chico ou vice-versa. Passei por diversos lagos congelados, mas não era uma casquinha de gelo não, pois numa parada para fotos joguei uma grande pedra no lago e ela saiu pulando e deslizando mas não quebrou o gelo. Claro que não ia ser tão simples assim esse trecho, sempre tem que vir uma emoção forte e uma dificuldade. Gelo na pista, todo cuidado, pilotando na ponta dos dedos, nenhum carro passando na estrada, ótima margem de tempo para não perder o ferry.

O visual nessa estrada é incrível, foi ótimo ter tempo, pois fiz diversas paradas para fotos e para admirar as montanhas nevadas distantes. Parecia uma pintura, um quadro, uma obra de arte. Mas essas paradas para fotos exigiam uma habilidade extra, pois eu tive a sorte de na pista congelada, ter um pequeno trilho que algum caminhão ou carro que passou antes fez, mas para tirar foto eu tinha que passar pelo gelo e ali estacionar. Certos lugares como esse, sempre deixam um gostinho de quero mais. São daqueles que você fica olhando, olhando, olhando e nunca se satisfaz, tenho esse sentimento.
Cheguei ao trecho em descida com diversas curvas, paisagem coberta de neve, nova parada, e de novo aquela emoção de atingir um lugar incrível e o melhor é que esses trechos nem programados são, apareceram de surpresa, revelados depois de uma montanha, depois de uma curva. Tudo que surpreende positivamente é muito melhor do que algo bom, mas já esperado. Dessa vez o gelo não me derrubou, o trecho foi bem menor e com trilhos, se comparado com a saída de Chaitén.

Segui rodando até chegar a Puerto Ibañez, cidade de ruas contadas nos dedos das mãos, poucas pessoas nas ruas, mas um fantástico final de tarde nas margens do Lago General Carrera. O ferry já estava no porto, apesar de faltarem ainda mais de duas horas para a partida. Não existe, pelo menos nessa época do ano, um escritório da Sotramin, empresa que faz a travessia no ferry, perguntei e o atendimento é dentro de uma lanchonete, onde fiquei as esperando a hora do embarque, aquecido pela lenha queimando. Mas o fim de tarde estava convidativo, o lago estava lindo, caminhei pela orla, fiz diversas fotos, curti demais o visual do pôr do sol nas montanhas, muito bem abrigado por todo meu equipamento. Ventava demais, nem preciso dizer que o vento era cortante, geladíssimo, parecia até que eu sentia o cheiro de neve no vento que passou pelo topo das montanhas, mas já acho que era delírio meu após o excesso de neve e gelo.

No momento de embarcar no ferry, como na outra vez, me deixaram por último, mas fiquei ali curtindo ver os carros e caminhões embarcarem, o vento fazendo todos correr para a parte interna. Esse ferry é maior que o que me levou a Chiloé, pois é um trajeto de duas horas, então ele tem dois andares, na lateral, fechados, com mesas e poltronas, TV com vídeo, mas sem wi-fi. No meio do lago, subi na parte externa, pois o lago estava com algumas ondas e senti o ferry batendo na água, fiquei curioso de ver a escuridão do imenso e gelado lago, sentir o vento e a água respingando. Como sempre, todos perguntam de onde vem, para onde vai e sempre faço amigos. Combinei de sair do ferry com um grupo de três amigos que vinham trabalhar no reparo de antenas de telefonia móvel, para nos hospedarmos na pequena Chile Chico. O desembarque foi às 21 horas.
No posto Copec, único da cidade, perguntei se aceitavam pagamentos com cartão de crédito, a resposta foi negativa. Eu tinha cartão de crédito, reais, 6.200 pesos chilenos e um tanque vazio. Ruas desertas da cidade, mas logo encontramos uma hospedagem, que eles decidiram que era suficiente e econômica, sem nem mesmo pesquisar por outras. Custo da noite, com café da manhã, seis mil pesos, e fui convidado pelos amigos para me deliciar com pizza. Bem, achei que estava tudo resolvido, abrigo, alimento, amigos, valor exato para pagar a hospedagem, dia seguinte eu pensaria na continuação, então foi banho e uma noite de sono.
Publicado em 19 de junho de 2012 por Mundo de Moto
Em 11 de junho de 2012, segunda-feira, lunes no Chile, uma hora a menos que no Brasil, acordei no mesmo padrão sem pressa, sem estresse, café da manhã farto e com calma, decisão tomada, seguir para Chile Chico, me informei e existia na cidade escritório de companhias que faziam a travessia de ferry do Lago General Carrera. De Coyhaique eu teria que rodar até Puerto Ibañez, passando pela Punta del Diablo, trajeto de uns duzentos quilômetros, pegar o ferry e chegar em Chile Chico em aproximadamente duas horas. Caminhei pela cidade e não encontrei o escritório, voltei no hostel e me explicaram de novo onde era. Novamente fui, caminhei bastante e cheguei dando de cara com uma faixa escrito “Cerrado”. Abanei para uma pessoa lá dentro, que veio do lado de fora e com paciência me explicou que nesta época somente a empresa Sotramin fazia esse trajeto e onde estava localizada. Caminhei bastante, subindo uma ladeira pela cidade, comecei a suar cheio de roupas, mas encontrei a empresa, que me informou horário de saída, ou seja, 19 horas. Achei ótimo, pensei um pouco, comprei a passagem, minha e da moto.
Voltando na hospedagem, resolvi tirar uma foto de como são os pneus de carros aqui, cravejados para rodar com segurança no gelo, mas fazem um grande barulho rodando.
Estava com tempo sobrando, fiquei na hospedagem me arrumando, e na internet buscando informações, dando notícias pelo facebook, preparei a moto e me informei sobre o trajeto. Momento tenso da viagem, todos me dizem que tem escarcha na ida para Puerto Ibañez, ou seja, gelo na pista. Saí correndo pela cidade a pé, buscando as três lojas de peças de carros que existem, a fim de comprar a corrente líquida para pneus, mas nenhuma tinha disponível, tudo foi vendido. Confesso que fiquei um pouco nervoso, não tinha outra opção, me preparei, completei o tanque, equipamento vestido, passagens no bolso e máquina na estrada buscando o caminho de onde eu embarcaria no ferry. Saí de Coyhaique às 14 horas, para embarcar às 19 horas, alta margem de segurança.
Depois de alguns minutos na estrada, começo a subir, e subir aqui nessas estradas nessa época significa neve e gelo. E assim foi, curvas e a paisagem foi ficando belíssima, já pensei na hora que foi mais uma decisão acertada, trecho que recomendo, Coyhaique à Chile Chico ou vice-versa. Passei por diversos lagos congelados, mas não era uma casquinha de gelo não, pois numa parada para fotos joguei uma grande pedra no lago e ela saiu pulando e deslizando mas não quebrou o gelo. Claro que não ia ser tão simples assim esse trecho, sempre tem que vir uma emoção forte e uma dificuldade. Gelo na pista, todo cuidado, pilotando na ponta dos dedos, nenhum carro passando na estrada, ótima margem de tempo para não perder o ferry.
O visual nessa estrada é incrível, foi ótimo ter tempo, pois fiz diversas paradas para fotos e para admirar as montanhas nevadas distantes. Parecia uma pintura, um quadro, uma obra de arte. Mas essas paradas para fotos exigiam uma habilidade extra, pois eu tive a sorte de na pista congelada, ter um pequeno trilho que algum caminhão ou carro que passou antes fez, mas para tirar foto eu tinha que passar pelo gelo e ali estacionar. Certos lugares como esse, sempre deixam um gostinho de quero mais. São daqueles que você fica olhando, olhando, olhando e nunca se satisfaz, tenho esse sentimento.
Cheguei ao trecho em descida com diversas curvas, paisagem coberta de neve, nova parada, e de novo aquela emoção de atingir um lugar incrível e o melhor é que esses trechos nem programados são, apareceram de surpresa, revelados depois de uma montanha, depois de uma curva. Tudo que surpreende positivamente é muito melhor do que algo bom, mas já esperado. Dessa vez o gelo não me derrubou, o trecho foi bem menor e com trilhos, se comparado com a saída de Chaitén.
Segui rodando até chegar a Puerto Ibañez, cidade de ruas contadas nos dedos das mãos, poucas pessoas nas ruas, mas um fantástico final de tarde nas margens do Lago General Carrera. O ferry já estava no porto, apesar de faltarem ainda mais de duas horas para a partida. Não existe, pelo menos nessa época do ano, um escritório da Sotramin, empresa que faz a travessia no ferry, perguntei e o atendimento é dentro de uma lanchonete, onde fiquei as esperando a hora do embarque, aquecido pela lenha queimando. Mas o fim de tarde estava convidativo, o lago estava lindo, caminhei pela orla, fiz diversas fotos, curti demais o visual do pôr do sol nas montanhas, muito bem abrigado por todo meu equipamento. Ventava demais, nem preciso dizer que o vento era cortante, geladíssimo, parecia até que eu sentia o cheiro de neve no vento que passou pelo topo das montanhas, mas já acho que era delírio meu após o excesso de neve e gelo.
No momento de embarcar no ferry, como na outra vez, me deixaram por último, mas fiquei ali curtindo ver os carros e caminhões embarcarem, o vento fazendo todos correr para a parte interna. Esse ferry é maior que o que me levou a Chiloé, pois é um trajeto de duas horas, então ele tem dois andares, na lateral, fechados, com mesas e poltronas, TV com vídeo, mas sem wi-fi. No meio do lago, subi na parte externa, pois o lago estava com algumas ondas e senti o ferry batendo na água, fiquei curioso de ver a escuridão do imenso e gelado lago, sentir o vento e a água respingando. Como sempre, todos perguntam de onde vem, para onde vai e sempre faço amigos. Combinei de sair do ferry com um grupo de três amigos que vinham trabalhar no reparo de antenas de telefonia móvel, para nos hospedarmos na pequena Chile Chico. O desembarque foi às 21 horas.
No posto Copec, único da cidade, perguntei se aceitavam pagamentos com cartão de crédito, a resposta foi negativa. Eu tinha cartão de crédito, reais, 6.200 pesos chilenos e um tanque vazio. Ruas desertas da cidade, mas logo encontramos uma hospedagem, que eles decidiram que era suficiente e econômica, sem nem mesmo pesquisar por outras. Custo da noite, com café da manhã, seis mil pesos, e fui convidado pelos amigos para me deliciar com pizza. Bem, achei que estava tudo resolvido, abrigo, alimento, amigos, valor exato para pagar a hospedagem, dia seguinte eu pensaria na continuação, então foi banho e uma noite de sono.



Comentário