The Long and Winding Road

Collapse
X
 
  • Hora
  • Mostrar
Clear All
new posts
  • Dolor
    Fazedor de Chuva

    • Mar 2011
    • 3250

    #16
    Porto Alegre a Alegrete

    Publicado em 22 de maio de 2012 por Mundo de Moto

    Em 21 de maio de 2012, segunda-feira, acordei sem pressa, por volta das 9hrs. Senti que a manhã estava mais fria. Como no dia anterior tirei toda bagagem da moto, hoje fiz uma pequena seleção de coisas que achava não serem mais necessárias. Acordei decidido a tentar fazer toda a volta pelo sul da Ámérica do Sul, invertendo meu roteiro, com a finalidade de chegar mais cedo a Punta Arenas e vir subindo a Carretera Autral e sul do Chile até Santiago. E decidi também, que vou passar pelo Brasil no final dessa primeira parte, como está nos mapas do roteiro, só que ao contrário. O motivo dessa inversão é a preocupação com o frio extremo, assim, chego mais cedo a Punta Arenas e vou subindo devagar, mesmo assim ainda acho que será quase impossível aguentar o frio e terei dificuldade com o anoitecer cedo. Aqui em Alegrete anoiteceu às 18hs, imagina descendo mais uns 4 mil km.

    Click image for larger version

Name:	dsc00158.jpg
Views:	1
Size:	33,3 KB
ID:	155027

    Depois de um banho, um café da manhã, arrumar a bagagem e instalar na moto, saí às 11:30hr, abasteci e verifiquei o consumo do dia anterior, que foi de 30,5km/l. Fui até o Mauri motos, e fizemos a troca do óleo, com 2,5mil km de uso, rodaria ainda mais 500km, mas aproveitei estar na Concessionária, não gostaria mais de levar óleo na moto depois daquele vazamento todo que me fez voltar, então coloquei o que eu tinha na moto. Verificamos que era necessário a troca de pastilhas dianteira e traseira e assim foi feito. Adesivos com o blog devidamente colados na oficina e loja do Mauri, agradecimentos e pé na estrada por volta das 12:30hr.

    Confesso que colocar tudo na moto e tirar é um trabalho duro. Esse meu trabalho novo, moto-aventureiro, terá que me render horas extras pois todas madrugadas estou atualizando blog, face e flickr, baixando fotos, respondendo emails, acordo cedo para preparar a bagagem, passo a tarde pilotando a moto. Quero ver o dia que tiver que acampar, montar e desmontar barraca. Hoje já me falta tempo para escrever mais. Para parar na estrada quando lembro de algo e anotar. Tirar mais fotos.

    Click image for larger version

Name:	dsc00162.jpg
Views:	1
Size:	65,7 KB
ID:	155028

    Na saída de Porto Alegre paguei novamente o pedágio de R$4,00. Aproveitei para colocar meu Mp3, mas estava sem bateria. Não adianta, sempre esqueço algo. Nos pedágiso seguintes não foi necessário pagamento. Segui sempre memorizando o telefone de atendimento de socorro da rodovia. Na medição de consumo seguinte, constatei 28,3km/l. Hoje rodei + – 520 km da zona sul de Porto Algre até a cidade de Alegrete ainda no estado do RS. Rodei aproximadamente 100km à noite, o que eu já tinha decidido não fazer por motivos de segurança, mas como aqui em Alegrete eu ficaria na casa de amigos, segui o planejado. E assim foi, chegando aqui procurei a Kika e o Nelson, irmão do Thadeu, nosso amigo motociclista de Florianópolis que participou sempre das nossas reuniões de despedida. Logo chegou o Diogo e saimos para jantar.

    À noite vi que esqueci em Porto Alegre minha escova de dente.

    Em 22 de maio de 2012, acordei lá pelas 9hrs e saí para cortar o cabelo por R$7,00 e comprei uma escova de dente nova. Alegrete é uma cidade antiga, seguidamente o trem passa apitando. Na parte da tarde, aproveitei para aprender a usar a camera filmadora Go Pro, instalei ela na moto e saí pela cidade para verficar se ficou bem fixada. Um ótimo teste pois Alegrete tem quase todas as suas ruas com calçamento bem ruim e antigo e a camera foi aprovada, fixei ela no peso de guidão do lado direito, foi o único lugar onde a braçadeira serviu.



    Depois de várias voltas pelas praças de Alegrete, voltei para a casa do Diogo Maurique, que estava me hospedando, e tomei um café da tarde com o pai dele, comi um bolo delicioso e escutei uma história intrigante. Contou-me o Sr. João, que décadas atrás ele foi convidado para ser diretor do presídio, como substituto somente por um mês, ele aceitou e no presídio havia uma cela sem cadeado, a grade tinha um parafuso, pois aqueles presos eram os mais perigosos e não podiam conviver com outros, ele pediu ao agente prisional que retirasse um dos presos e levasse até a sala dele para uma conversa. O preso contou sua história, de que sofreu abusos desde a infância e com 12 anos matou a primeira pessoa, com 19 a segunda. Dentro do presídio havia matado outra, e mesmo assim o Sr. João decidiu dar a ele uma chance, conseguiu para ele um trabalho no campo e lá ele mostrou-se um trabalhador exemplar, até que um dia ele foi a um bar e matou uma pessoa. Em seguida ele se entregou a polícia. Perguntado porque ele pela primeira vez se entregou, respondeu que não queria prejudicar o Sr. João, pessoa maravilhosa que deu a ele a chance de trabalhar e ainda levou muitas melhorias ao presídio. Depois ele foi solto, fez faculdade, formou família e hoje é um aposentado. Não que eu considere isso de família, aposentadoria e faculdade como um grande mérito, mas a moral da história, no meu entender, apesar de que uma vida não vale uma lição, mas realmente uma boa ação gera uma boa reação. Então, quanto tocar alguém, toque positivamente, e tocar eu digo pelo fato de simplesmente passar na vida dela, pode ser com o frentista do posto, o caixa do banco e etc, o positivo vai render e vai ficar.

    Click image for larger version

Name:	dsc00160.jpg
Views:	1
Size:	67,4 KB
ID:	155026

    À noite fiquei bem feliz quando a Karina Farias, de Criciúma me informou sobre a publicação de uma matéria sobr a viagem no site www.satcweb.com.br, o link direto está lá na página de IMPRENSA.
    Última edição por Dolor; 23-06-12, 11:07.

    Comentário

    • Dolor
      Fazedor de Chuva

      • Mar 2011
      • 3250

      #17
      Alegrete a Salto/UR

      Publicado em 24 de maio de 2012 por Mundo de Moto

      Em 23 de maio de 2012, saí de Alegrete após um belo café da manhã na casa do Diogo, coloquei toda bagagem e abasteci a moto, por volta das 10hrs estava na estrada rumo a Quaraí, fronteira com o Uruguai. Neste décimo dia de viagem completei no meio do caminho 2mil km, fotografei o painel e segui, terminando em Salto com 2,2 mil km totais.

      Click image for larger version

Name:	dsc00173.jpg
Views:	1
Size:	41,1 KB
ID:	155031

      Ontem à noite durante o jantar, entre amigos falamos que hoje a previsão era de chuva. Previsão certeira. Quarenta quilômetros depois de sair já parei embaixo do telhado da porteira de uma fazenda para colocar roupa de chuva. Mais um exercício de paciência, além da bagagem , de baixar fotos, de postar nos blog, face e flickr, e etc, colocar a capa de chuva também é um trabalhão, ainda mais sozinho e com vento. Depois parei para pegar o Mp3, e ai sim, só parei novamente na fronteira com o Uruguai para fotos e abastecimento, pois a gasolina no Brasil, apesar de ter abastecido à R$2,98 o litro, ainda é mais barata que no Uruguai. Eu faço uma conta simples. Da hora que eu acordo até rodar os primeiros 50km levo em média duas horas e meia com tranquilidade.

      Click image for larger version

Name:	dsc00166.jpg
Views:	1
Size:	71,2 KB
ID:	155029

      A Citycom saiu do Brasil!! Está no Uruguai!!

      Estou feliz por isso mas tenho que dizer que os 10 dias de Brasil foram inesquecíveis. E isso foi obra das pessoas que estiveram comigo. Eu não esperava e nem planejava isso. Todos lugares que passei, eu já tinha ido antes, mas agora foi totalmente diferente, fui com a minha City, fui sozinho, fiz amigos, fui sem pressa, fiz fotos, foram dias lindos, nenhum acidente, nenhum problema e muitas surpresas.

      A entrada no Uruguai foi tranquila, após a ponte apresentei identidade e documento da moto, os policiais ficaram conversando e curiosos com a Citycom.

      Click image for larger version

Name:	dsc00174.jpg
Views:	1
Size:	63,2 KB
ID:	155030

      Do lado uruguaio da ponte está a cidade de Artigas, serviu apenas de passagem, achei a saída para Salto pedindo informação uma vez, e já fui informado de que a estrada estava em condições ruins. Eu tinha pensado em mandar umas mensagens de texto para pessoas queridas via celular e para isso estava guardando uns créditos finais até a fronteira, mas atravessei e pensei que do lado do Uruguai ia pegar sinal, mas não e fiquei sentindo falta disso.

      Moto de tanque cheio, já sabia que não havia posto por 200 quilômetros até Salto, fui rodando a 90 km/h, fazendo uma média altissíma, mas ainda não aferida, parei para fotos na estrada deserta, campos de todos os lados, um cheiro delicioso que me lembrou outras viagens que fiz. Na parada tirei a capa de chuva e luvas de chuva.

      Na fronteira não fiz cambio de moedas nem carta verde. Deixei para resolver isso em Salto.

      Em Salto, cheguei por volta das 16hrs, procurei pelo Ruben, que me levou até uma casa de cambio, onde troquei cem reais por novecentos pesos uruguaios, depois fomos tentar a carta verde numa seguradora, que pediu para eu retornar às 10 hrs do dia seguinte, e ainda me deixou no hotel TIA, na Calle Brasil. Internet wi-fi no quarto, ótimo para atualizar tudo. Banho quente, uma volta pela cidade de moto à noite e percebo que a Citycom virou atração. Aqui não tem esse modelo, mas Uruguai é um país de motos, cada porta de casa tem uma parada na frente, geralmente modelos Scooter e Cub.

      Click image for larger version

Name:	dsc00168.jpg
Views:	1
Size:	50,2 KB
ID:	155032

      Estou muito feliz que a viagem esteja seguindo seu propósito, ou seja, 10 dias de viagem, inesperados 2,2mil km rodados, e nesse exato momento não sei para onde vou daqui à 7hrs quando eu acordar. Nisso que considero parte 1, tenho um objetivo principal, conhecer e percorrer uma parte da Carretera Austral no sul do Chile, e objetivos secundários em toda região sul do Chile, de Val Paraíso para baixo, a travessia da cordilheira ao lado do Aconcágua e Mendoza. Não estou com vontade de descer toda a Ruta 3 na Argentina até Ushuaia, pois esse trecho já fiz duas vezes.

      Comentário

      • Dolor
        Fazedor de Chuva

        • Mar 2011
        • 3250

        #18
        Salto/UR a Uruguaiana/BR

        Publicado em 25 de maio de 2012 por Mundo de Moto

        Em 24 de maio de 2012, amanheci em Salto e saí para verificar a resposta do corretor de seguros sobre a carta verde. A resposta dele foi negativa quanto a possibilidade de se fazer a carta verde fora do Brasil. Somente se a placa da minha moto fosse do Uruguai. Depois dessa notícia saí atrás de outras seguradoras, passei em umas 4 e nenhuma fazia. Até no banco de seguros estatal eu fui. Quando eu estava saindo da cidade, parei numa tenda para tomar uma coca e um cara lá me diz que a um tempo atrás uns brasileiros de moto passaram na cidade e fizeram a carta verde a seguradora Royal. Fui até lá, mas em Salto o intervalo no trabalho é das 12 às 14 e 30. Tudo fechado. Fiquei aguardando para depois de tanto tempo obter outra negativa quando a elabração da carta verde no Uruguai. Minha idéia era sair de Salto e seguir para Córdoba/AR, mas arriscar sem o seguro nem pensar. A carta verde é um seguro contra terceiros obrigatório para estrageiro rodar no Mercosul.

        A única opção era ir a Uruguaiana no Brasil, e foi isso que fiz. Antes abasteci e paguei com cartão de crédito, pois diz o frentista que quando vier a fatura terei 28% de desconto. Tanque cheio por 340 pesos uruguaios, caríssimo! A gasolina custa o litro 37,70 pesos, e eu troquei 100 reais por 900 pesos, mas a conta é próximo a 10/1 e ai você vê que a gasolina deles está 3,70 o litro. Vamos aguardar a fatura e conferir.

        Além desse grande intervalo de trabalho, e se não me engano às 17:30 hs já fecha tudo de novo, do preço da gasolina, eu achei curioso que numa cidade pequena as pessoas de bicicleta param no sinal.

        Click image for larger version

Name:	dsc001791.jpg
Views:	1
Size:	53,5 KB
ID:	155033

        O mais incrível desse dia é que eu cheguei a conclusão de que realmente tenho algum problema grave de esquecimento frequente ou falta de atenção. Depois que parei numa tenda para lanche tirei as luvas e botei na parte da trás da moto, ai saí e mais à diante vejo um senhor na calçada gritando e abanando pra mim, foi a luva que eu esqueci atrás da moto e caiu no meio da rua. Peguei. Depois eu estou indo embora, já na saída da cidade e vem um carro trás de mim farois piscando, chega do meu lado e me mostra o motorista a minha pastinha com documentos. Parou o carro eu peguei com ele. Eu nem sei onde eu deixei cair, mas lá dentro estava documentos, todos carregadores e etc. Tenho tanta sorte que eu posso largar as coisas na rua que alguém vem me entregar depois. Mas essa desatenção está me preocupando. Em Porto Alegre esqueci umas coisas lá, fico pensando as coisas que eu esqueço por ai e nem percebo.

        Fui para o Brasil, desse vez rodando a 120km/h, para chegar antes dos despachantes estarem fechados, no último posto antes da fronteira abasteci e gastei meus últimos pesos que restaram, dos 900 que comprei. Estrada ótima, deserta em relação as do Brasil. No Uruguai nunca me pediram a carta verde nem mesmo fui parado pela polícia.

        A fronteira tanto de entrada no Uruguai quanto de saída foram fáceis e rápidas, cheguei em Uruguaiana ainda às 17 horas e me informei rapidamente sobre qual despachante elabora Carta Verde, achei fácil, fez na hora e me custou R$198,00 por um prazo de 30 dias. Feito isso, fui até a Concessionária Felice Dafra, fui muito bem recebido, colei meus adesivos no show room e oficina, sentamos todos para uma conversa sobre a citycom e outros modelos e fui convidado pelo Gerente Paulo para pernoitar na sua casa, o que aceitei sem pestanejar. Lá fui cercado de cuidados pela família, jantamos, conversamos, tomei banho e dormi muito bem.

        Comentário

        • Dolor
          Fazedor de Chuva

          • Mar 2011
          • 3250

          #19
          Uruguaiana a Santa Fé/AR

          Publicado em 26 de maio de 2012 por Mundo de Moto

          Em 25 de maio de 2012, completei 13 dias de viagem e 3.000km. Estou em Santa Fé, Argentina. Já rodei por três países nessa viagem (BR, UR e AR). Logo pela manhã, fui direto a Dafra para por segurança fazer a troca da correia dentada de transmissão. Como não havia a peça pronta entrega, peguei a correia nova que eu levava de reserva. Então estou usando a nova e tenho a usada de reserva, que usarei somente se a que está na moto agora se romper. Mas como fiz 19.000km com a original, tenho certeza que antes de fazer 19mil com a nova, estarei no Brasi para uma revisão geral na moto. Limpamos a vela, que estava preta em razão do combustível de má qualidade, que em algum momento usei na moto, não sei se no Brasil ou Uruguai. Limpamos o filtro de ar, calibrei os pneus, confirmei com a Dafra a desnecessidade de colocar um anti congelante no radiador, pois o usado originalmente na moto já tem tal função e resiste a baixas temperaturas.

          Click image for larger version

Name:	dsc00181.jpg
Views:	1
Size:	82,7 KB
ID:	155034

          Saí da loja e fui direto fazer a passagem pela fronteira do paso de los libre, super tranquilo, necessário apresentar apenas a carta verde, o documento da moto e a identidade. Ali mesmo fiz um cambio de reais para pesos, e segui. Procurando a estrada para Santa Fé, errei um retorno mas foi necessário rodar apenas alguns metros a mais. Como fiz cambio de pouco dinheiro, queria fazer pagamento em cartão de crédito e muitos postos não aceitaram, fui seguindo até que a moto entrou na reserva. Comecei a rodar a 80km/h e parei para perguntar a uns senhores se tinha posto mais na frente. Me tranquilizaram dizendo que mais 5km eu chegaria. Ufa, mas já foi um susto desnecessário.

          Click image for larger version

Name:	dsc00183.jpg
Views:	1
Size:	49,1 KB
ID:	155035

          Esse trecho em direção a Santa Fé, realmente tem muito caminhão, é a Br 101 da Argentina, mas uma grande reta. Chegou um momento que haviam crateras cruzando a pista, rodei quase 1 hora nesse trecho, tendo quase que parar antes dos obstáculos para passar com a citycom, e dando várias pancadas em outros quase imperceptíveis. Fiquei bem apreensivo com medo de amassar a roda, furar pneu, quebrar suspensão ou rachar o quadro. Mas passamos eu e moto ilesos.

          Click image for larger version

Name:	dsc00185.jpg
Views:	1
Size:	47,6 KB
ID:	155037

          Nos trechos seguintes não foi difícil encontrar postos de combustível e até o momento meu galão de 6 litros extras vai vazio para evitar mais peso. Em nenhum momento a polícia me pediu propina, fui parado apenas uma vez, verificaram documentos, ficaram curiosos com a camera filmadora e segui.

          Click image for larger version

Name:	dsc00184.jpg
Views:	1
Size:	70,4 KB
ID:	155036

          Cheguei em Paraná, e paguei um pedágio de 7 pesos para passar pelo túnel subfluvial e sair do outro lado na cidade de Santa Fé. Esse túnel foi inaugurado em 13 de dezembro de 1969 e podemos saber mais sobre ele aqui: http://www.tunelsubfluvial.gov.ar/

          A chegada em Santa Fé foi com um final de dia lindo, a cidade parecia estar de férias, todos andando de moto, caminhando e de bicileta na beira do rio Paraná que separa Santa Fé de Paraná, uma linda beira mar. Fiz um passeio pela orla, pelo centro, procurei hotel e me hospedei por 135 pesos no centro. Na noite dei umas voltas pela cidade, que tem um casino e um porto reformado muito parecido com o Puerto Madero de Buenos Aires. As coisa aqui são caras, já não existe mais a Argentina onde era tudo mais barato que o Brasil, pelo contrário, muitas coisas mais caras inclusive o Macdonalds. Caminhando à noite é claro que eu perdi alguma coisa, a embalagem plástica da máquina fotográfica.

          Podemos ver mais sobre Santa Fé aqui: www.welcomeargentina.com/santafe

          Comentário

          • Dolor
            Fazedor de Chuva

            • Mar 2011
            • 3250

            #20
            Santa Fé a Nono

            Publicado em 26 de maio de 2012 por Mundo de Moto

            Em 26 de maio de 2012, botei o despertador para sete e meia da manhã, acordei e pensei se por acaso eu tenho algum compromisso? Tenho horário para chegar a algum lugar? Tem alguém me esperando? Desliguei e dormi até as nove. Esqueci que era sábado e eu queria ver o treino de F1, eu ando meio perdido nos dias, só sei os dias em números, pois tenho que postar no blog. Comecei a arrumar as coisas, liguei o computador e escrevi mais no blog, tomei um banho, vesti minha calça e bota e fui buscar a moto na garagem do hotel, que era na quadra de trás. Só me hospedei em hotel com nome estranho até hoje, o TIA em Salto (600 pesos uruguaios), o NIZA em Santa Fé (135 pesos argentinos) e hoje aqui em Nono, o Nono Hostel (65 pesos argentinos), esse até faz mais sentido, pois esse é o estranho nome da linda cidade. O cambio eu calculo arredondando, como se 1 real compra 10 pesos uruguaios e 1 real compra 2 pesos argentinos.

            Click image for larger version

Name:	dsc00198.jpg
Views:	1
Size:	80,4 KB
ID:	155038

            A gasolina segue com alto preço, no Brasil paguei em média 2,85 reais por litro, mas chegou a 2,95 e em Porto Alegre 2,45 reais por litro. No Uruguai, as duas vezes em que abasteci, pois entrei de tanque cheio, custaram 37,70 pesos o litro. Já na Argentina, vi gasolina de 5,99 pesos, mas cheguei a abastecer por 7,40 pesos o litro. Estou gastando esse absurdo com gasolina e ainda fiquei com a vela preta. A Citycom faz a parte dela e eu a minha, sendo que já obtive 34,5km/l com esse scooter, nessa aventura, com essa carga, fiz várias médias de 30km/l, mas agora as últimas foram de 25km/l, pois peguei estradas de alta velocidade e rodei a 120km/h. Hoje passei por uma estrada de concreto, velocidade máxima permitida de 130km/h e até curvas com inclinação tinha, estrada que ligava Santa Fé a Córdoba, excelente.

            Hoje na estrada eu tive a idéia de vender pacote múltiplo de utilidades. O Mundo de Moto Touring Adventure SPA, só para mulheres, pois eu não vou carregar homem na minha garupa mundo a fora. A cliente vai emagrecer, fazer turismo, aventura, sofrer e conhecer esse novo esporte. Digo isso porque a última vez que almocei foi em Alegrete/RS na casa do Diogo, nem me lembro que dia e não tenho a menor vontade de almoçar, tenho que me obrigar a comer. Tenho que cuidar disso para não adoecer. Deixando as brincadeiras de lado, antes que me apareçam clientes, também porque esse Moto-Spa tem limite de peso, a moto só leva 150kg, teríamos que troca a Scooter por uma com mais capacidade de carga, vou seguir escrevendo sobre meu dia.

            Click image for larger version

Name:	dsc00199.jpg
Views:	1
Size:	37,1 KB
ID:	155039

            Arrumei a bagagem na moto, aquele trabalhão, mas cada dia faço melhor. Hoje na estrada a bagagem não saiu nem um centímetro do lugar. Como estava de tanque cheio, parei no porto reformado para tirar uma foto, que era bem perto do hotel, e segui para Córdoba, achei fácil a saída, claro que sempre pergunto para um e outro, paro num posto, vejo o mapa, dou uma erradinha, mas sempre é tranqüilo, nunca me perdi.

            As estradas na Argentina, próximas a grandes cidades são excelentes. Assim que parei para abastecer a primeira vez, o frentista falou que vinha chuva. Rodei mais 10 km e ele acertou, nos primeiros pingos achei uma parada de ônibus no meio do nada, daquelas minhas sortes, e botei o equipamento de chuva, que só tirei aqui em Nono, de onde estou escrevendo agora.

            Click image for larger version

Name:	dsc00209.jpg
Views:	1
Size:	32,8 KB
ID:	155040

            Hoje o dia foi fantástico, pois peguei boas estradas, e depois de Córdoba, parei num posto vi diversas motos passando. Um deles parou e eu perguntei onde iam tantas motos e ele me diz que vão a Copina fazer curvas. Mas na hora pensei que então eu vou também! Sai do posto, depois de comer um pão com salame e queijo, e fui em direção a serra. Fui a Villa Carlos Paz, nas margens do lago San Roque. Cidade linda, muito animada, com muitas motos, quadriciclos circulando, barcos no lago e pessoas nas ruas curtindo o dia. De C. Paz comecei a subir a serra pela ruta 20, final de tarde e muitas curvas, cenários de filme, estrada ótima, muitas motos descendo a serra, e somente eu subindo, pois logo a noite caiu e o frio chega forte, mas estou muito bem equipado. Depois de fotos, frio gostoso, cheguei em Mina Clavero, uma cidade de aventura, alternativa, cheirinho de serra, de lareiras acessas, e acabei me hospedando na cidade 9km ao lado chamada Nono. Pedi informações no centro de informações turísticas, que me indicou o hostel, onde perguntei do quarto coletivo, sua lotação e estavam apenas duas chicas argentinas, então decidi ficar. A cidade tem wi-fi, mas como também diversos outros lugares na Argentina que tem Wi-Fi, não funciona bem. Noite bem fria, fui no supermercado comprar uns cereais, suco e um bolo com uvas passas. Sempre é bom ver o preço e pensar um pouco, uma coca-cola 2L estava 12 pesos e o suco de pêssego natural, excelente, 6,99 pesos. No Brasil o suco é mais caro.

            Sobre Nono podemos ver mais aqui: www.welcomeargentina.com/nono

            Sobre Mina Clavero podemos ver mais aqui: www.welcomeargentina.com/minaclavero

            Sobre Villa Carlos Paz podemos ver mais aqui: www.welcomeargentina.com/villacarlospaz

            Comentário

            • Dolor
              Fazedor de Chuva

              • Mar 2011
              • 3250

              #21
              Nono a Mendoza

              Publicado em 28 de maio de 2012 por Mundo de Moto

              Acordei às 9hrs com o despertador das minhas colegas de quarto. Pulei do segundo andar do meu beliche e fui até a cozinha tomar um café com leite e comer um pão com doce de leite. Vi que o dia estava daqueles que me deixam feliz, céu azul. Essa noite não tirei nada da moto, e ela ficou guardada na garagem descoberta ao lado do meu quarto, mas com portão fechado. Então foi rápido sair hoje de manhã. O trajeto que segui depois de Nono, foi com a vista ao lado esquerdo da serra que atravessei no dia anterior, somando o céu azul a um monte de curvas, igual a felicidade. Hoje não pensei em economia de combustível e acelerei, como fiz no dia no anterior. Não fiz média pois nem sempre completei o tanque por inteiro, mas acredito que tenha conseguido os 25km/l litro habituais.

              Click image for larger version

Name:	dsc00219.jpg
Views:	1
Size:	38,6 KB
ID:	155041

              No caminho para San Luis, a Citycom atingiu 20mil km de experiência. Paramos no acostamento para fotografar, contar parabéns e assoprar as velinhas. Era possível ver o sorriso tanto nela quanto em mim, naquele dia lindo, naquela estrada perfeita com aquele plano de fundo de cinema, daqueles que você olha e parace que desenharam, que não é real. Das centenas de garotas que estiveram comigo, inclusive as tops como BMW, Ducati e Harley-Davidson, três eu guardo na lembrança com muito carinho, pois elas passaram momentos inesquecíveis comigo, sabem muito da minha vida, deram o sangue pelo meu prazer e foram muito valentes. Elas são a Yamaha Axis 90 ano 1995, minha primeira moto, o scooter que eu sonhava, viveu comigo por mais de 30 mil km, a Suzuki Gs 500E ano 2000, a moto que marcou meus 18 anos, carteira de habilitação na mão e o mundo debaixo das rodas, viveu comigo por mais de 70 mil km e agora a Citycom, estamos casados a mais de 20 mil km, apaixonados, em lua de mel pela América do Sul. Essas três garotas, me tiraram o sono enquanto não estiveram na minha garagem, e depois que chegaram, perdo horas admirando elas. Elas foram as 3 que eu nunca pensei em troca-las. Parabéns Citycom!! Comemoramos em alto estilo na Argentina e com uma chegada triunfal a Mendoza.

              Em San Luis, parei num posto YPF para abastecimento e comer o que restou do jantar de ontem, cereais e suco de pêssego. Aproveitei para carregar um pouco da bateria da máquina que tinha acabado pouco antes, botei numa tomada dentro da loja de conveniências, pedi autorização para o rapaz do caixa e saí de novo para abastecer a moto, quando voltei, pedi para conectar o notebook, mas era outra pessoa no caixa e mandou eu me indicou a tomada, mas era a mesma que eu tinha posto o carregador da máquina, ai fui lá e não estava mais. Eu comecei a falar com ela em português, bem rápido e ela não me entendia, fiquei meio nervoso. Ai expliquei devagar e ela apontou que estava lá dentro da sala para minha segurança.

              Click image for larger version

Name:	dsc00214.jpg
Views:	1
Size:	60,3 KB
ID:	155042

              Segui e a estrada que era cheia de curvas virou um retão pista dupla de asfalto perfeito, no qual eu aproveitei para acelerar forte e chegar logo a Mendoza. Mais uma parada para abastecimento e final de tarde eu estava em Mendoza com toda tranquilidade, dia maravilhoso, mais pareceu um filme esse último dia. Mendoza é lindo, toda cheia de árvores nas ruas, parques, temperatura ótima, mas dizem que no verão é bem quente pois falta circulação de ventos. Pesquisei onde me hospedar e fiquei na Calle Belgrano, no hotel Savoy, no mesmo padrão porcaria de sempre.

              Sobre Mendoza podemos ver mais aqui: www.welcomeargentina.com/mendoza

              Comentário

              • Dolor
                Fazedor de Chuva

                • Mar 2011
                • 3250

                #22
                Mendoza a Uspallata

                Publicado em 29 de maio de 2012 por Mundo de Moto

                Em 28 de maio de 2012, acordei e tomei café com leite e 2 croissant, fui na rua, olhei o céu e estava nublado, mas o recepcionista do hotel, sabendo que eu iria subir a cordilheira já me animou, dizendo que o tempo em Mendoza não tem haver com o tempo na montanha.

                Procedimentos matinais, bota tudo na moto, limpa viseira, veste equipamento, procura posto, quando acha só tem a premium, mas estou usando a gasolina super, mais barata. Como eu estava de meio tanque, achei com facilidade a saída para o Chile e abasteci na estrada. Logo na saída o visual da estrada fantástico com a cordilheira ao lado, totalmente tomada pela neve, até o vento frio descendo de lá eu já sentia. Pela lateral da estrada estavam também lindas vinículas, como é tradicional aqui nessa região. Seguindo no caminho, comecei a pensar como a estrada ia passar por aquela parede branca, tomada de neve, a montanha cada vez maior a medida que eu me aproximava.

                Click image for larger version

Name:	dsc00234.jpg
Views:	1
Size:	44,5 KB
ID:	155062

                Logo começaram curvas deliciosas, pista simples, passando por dentro de uns pequenos tuneis, com a montanha ao lado. Eu tentava olhar para o topo mas me sentia um pouco tonto e tinha que tirar a mão do acelerador nas curvas para não passar reto. Subindo passei por um poste caido mas não dei bola, parei no primeiro posto para completar o tanque e não arriscar e o frentista me informou que não tinha energia e não poderia abastecer. Mas como agora decidi me previnir, em Mendoza eu carreguei 5 litros extras no meu galão que levo no meio dos pneus, segui tranquilo até o Povoado de Uspallata, onde parei numa posto YPF com gerador e completei o tanque, claro que sempre os frentistas jorram gasolina pelo entorno da boca do tanque, atendem com má vontade. Mas não me preocupa a moto, mas sim os poucos ml de gasolina no lixo.

                Aqui em Uspallata é onde foram filmadas algumas das cenas do filme Sete Anos no Tibet. Um pequeno povoado com ruas de terra varridas pelo vento, uma vez e outra levamos uma poeirada na cara. Está a 110 km de Mendoza.

                Click image for larger version

Name:	dsc00225.jpg
Views:	1
Size:	55,2 KB
ID:	155059

                Saí do posto e segui o caminho, mas 1,5 km depois encontrei uma fila de veículos no acostamento e fui passando todos até chegar numa barreira com dois policiais que trataram de me barrar e me avisar que a passagem estava fechada, que nos dias anteriores nevou demais e estavam limpando a estrada, sem previsão de abertura. Voltei ao posto e encontrei Alexandro e esposa, de São Paulo, viajando por aqui com uma Harley Davidson Road King. Ficamos de conversa e fomos diversas vezes ver se a rota estava aberta, como nos chegou a informação de que abriria aproximadamente as 17 horas, paramos numa tenda e tomamos os 3 litros dos tradicionais vinhos da região, muitas risadas da situação, estavamos bem aquecidos.

                Click image for larger version

Name:	dsc00222.jpg
Views:	1
Size:	61,7 KB
ID:	155063

                Realmente liberaram o caminho final da tarde, eu subi uma parte da cordilheira, ventos fortes me impediam de andar a mais de 80km/h, mesmo com acelerador totalmente aberto. Insistente rodei até Puente del Inca, a 2.720 metros de altitude e a 80 km de Upsallata. Lá, fiz fotos e com gelo por toda parte me recordei de quando cruzei a noite, parte do Paso de Jama, pelo deserto do atacama, em direção ao Chile em 2005, e tive que dormir dentro de uma casinha da aduana pois a estrada e eu congelamos. Experiência tem que servir para algo afinal e viajar sozinhome faz ser muito mais cauteloso. Optei por voltar a Uspallata. Mesmo porque rodar nestas estradas é algo que você pode fazer dezenas de vezes sem enjoar.

                Click image for larger version

Name:	dsc00229.jpg
Views:	1
Size:	82,1 KB
ID:	155060

                A Puente del Inca é uma formação rochosa que sofreu os efeitos erosivos das águas do rio de Las Cuevas, na região do Aconcágua, em Mendoza, Argentina. As ruínas são de um hotel de águas termais, e a coloração vem das águas sulfurosa que minam no local.

                Toda essa atualização e post no blog fiz de dentro da loja de conveniências do posto YPF Full aqui de Uspallata, com calefação, enquanto eu conversava com outros dois amigos que fiz por aqui, um Francês e outro Alemão, o primeiro a 1 ano na estrada e o segundo a 5 meses, mas a moto parada do lado de fora do vidro do lado da minha mesa chama a atenção de todos e muitos entram para conversar, tirar dúvidas, matar a curiosidade.

                Click image for larger version

Name:	dsc00236.jpg
Views:	1
Size:	54,7 KB
ID:	155061

                As vezes, não consigo terminar o post no mesmo dia, mas para tranquilizar aos que acompanham, acabo publicando e complementando ele um ou dois dias depois, então se algo pareceu incompleto, volte lá que provavelmente hoje já está terminado, afinal cheguei em Uspallata às 11 horas do dia 28 e agora são 7 horas do 29, mas o sol não aparece, estou aguardando ele jogar aqui o primeiro raio para partir. Está muito frio!

                Comentário

                • Dolor
                  Fazedor de Chuva

                  • Mar 2011
                  • 3250

                  #23
                  Uspallata a Viña del Mar

                  Publicado em 30 de maio de 2012 por Mundo de Moto

                  Em 29 de maio de 2012, aproveitei a internet do porto YPF para atualizar blog e outras mídias, aperfeiçoar alguns menus e posts, mandar notícias e etc. Fiquei nessa atividade até às 3 horas da manhã, já que a conveniência tinha calefação e internet wi-fi. A essas horas do lado de fora do posto estava muito frio. Fechei o computador e dei uma olhada na cidade de moto, pensei em montar a barraca, mas não me senti seguro, estava frio, sozinho, montar à noite não era uma boa idéia e decidi voltar ao posto e aguardar o dia amanhecer. Calibrei o pneu da moto, vesti mais roupas, tinha tempo. Comi duas pequenas barras de chocolate e tomei um café com leite grande e muito quente e às 7 horas e 40 minutos o céu começou a receber um pouco de luminosidade e então resolvi sair em direção à Cordilheira.

                  Click image for larger version

Name:	dsc00297.jpg
Views:	1
Size:	58,0 KB
ID:	155065

                  Claro que foi difícil, depois de no dia anterior ter dormido à 1 hora da manhã e acordado às 8 horas, subido até Upsallata, chegado aqui às 11 horas e ficado até às quase 8 horas do dia seguinte, e ainda sair pra rodar por + – 7 horas para chegar a Viña del Mar no Chile, mas de novo explico que uma vez já fiquei preso à noite no deserto do atacama em razão do frio e do perigo de nessa região pilotar à noite. A estrada em razão do gelo muitas vezes está molhada, tem muitas curvas, muito vento, muito frio, muitas pedras que caem das montanhas. Outra razão fundamental era que justamente esse trecho era um dos maiores atrativos da viagem, e eu queria um dia inteiro para fazer ele. Como na outra vez que passei da ARG para o CH pela cordilheira, é um lugar tão lindo, que não sabemos quando poderemos voltar aqui, então minha vontade’é ficar hora olhando, apreciando, admirando, brincando e tirando fotos lá no topo.

                  Click image for larger version

Name:	dsc00309.jpg
Views:	1
Size:	73,6 KB
ID:	155067

                  E essa, apersar de sofrida, foi de novo uma decisão maravilhosa! Realmente a experiência anterior fez a diferença e o meu dia 29 de maio de 2012 foi espetacular! Perfeito! Um sonho. Sobi a Cordilheira bem equipado, usando 3 segundas pele, 2 balaclavas, 2 proteções no pescoço, 3 meias, e uma sobre jaqueta. Me serviu como um teste para dias frios e a única coisa que está me faltando é mais proteção nas mãos. Estou pensando em adapatar um protetor de mãos na Citycom, só para evitar ventos. Tentarei fazer isso em Santigo, onde vou trocar o óleo também.

                  Click image for larger version

Name:	dsc00239.jpg
Views:	1
Size:	51,5 KB
ID:	155064

                  Na subida, não parei no Puente del Inca pois já tinha parado no dia anterior e toquei direto para o portal do Aconcágua. Cheguei lá com os primeiros raios de sol ainda tocando o pico da montanha e vieram baixando vagarosamente. Com muito frio tirei a primeira foto somente com o capacete aberto, e eu sempre tendo que achar lugares para botar a máquina e sair correndo para a foto, tanto corre corre no gelo começou a me esquentar, me divertir, eu estava alucinado por ter chegado naquele lugar, eu gritei, pulei corri no gelo e fui pegando intimidade, tomei uns escorregões tanto de moto como a pé, mas não caí. Arrumei a máquina de todas as formas, a moto também subi pelo meio da neve com a bota atolando até as canelas para chegar ao mirador. Quando o sol baixou tirei mais fotos. Fiquei mais de 2 horas lá. E vi o quanto meu equipamento é bom, pois de tênis e jeans seria impossível se deitar e caminhar no gelo. Na outra vez eu estava com uma bota de motociclismo mas não era impermeável e não consegui ficar pisando no gelo muito tempo e ainda sai com o pé molhado no frio. Dessa vez eu deitei, pulei, sentei e fiquei igual criança lá. Faltou um pedaço de papelão pra fazer ski bunda.

                  Fiz um filme em HD, de um pequeno trecho da subida da cordilheira, que pode ser assitido aqui: http://www.youtube.com/watch?v=-PHfYzLHtKI

                  Depois dessa primeira parada para fotos, corri tanto pela neve que tirei uma das balaclavas e a sobre jaqueta, cheguei a ficar suado. Seguindo pela estrada, logo mais à diante cheguei a aduana integrada, onde fiz tanto a saída da Argentina como a entrada no Chile, mas não antes de ter que carimbar muitos papeis, apresentar os mesmo em diversas cabines, mas não foi demorado. Eu ainda tinha 300 pesos argentinos, que na minha idéia, eu passaria no mínimo 3 dias na argentina, e pensei que trocando por pesos Chilenos, teria ainda o mesmo valor para passar os mesmo 3 dias no Chile, então na fronteira troquei 300 pesos argentinos por 21 mil pesos chilenos. Desci a cordilheira pelo famoso trecho chamado de los caracoles, e segui em direção a Viña. Estradas maravilhosas, mas logo cheguei ao primeiro pedágio de 500 pesos, e depois outros se seguiram e ai vi que meu cambio não foi bom, e isso se confirmou quando parei no primeiro posto, e vi o preço da gasolina acima de 800 pesos, ou seja, pagando os pedágios e completando com uns 9 litros de gasolina já se ia metade do meu dinheiro que duraria na argentina uns 3 dias, e eu nem tinha jantado e me hospedado. Nesse posto então não abasteci e botei no tanque os 5 litros que eu levava de gasolina extra num galão no banco traseiro, entre os pneus reservas. Quantidade suficiente para chegar a Viña.

                  Click image for larger version

Name:	dsc00305.jpg
Views:	1
Size:	59,5 KB
ID:	155066

                  Nessa passagem pela Cordilheira do Andes, que se chama Paso Libertadores, existe um túnel de 3 km de extesão, a exatamente 3.175 metros acima do nível do mar.

                  No trecho de Los Andes até um pouco antes de Viña del Mar, senti novamente uma das vantagens da viagem de moto. Havia uma fragância no ar, fiz um longo trecho com o capacete aberto, rodando a no máximo 80 km/h, apreciando o cultivo das vinícolas. Nessa região, no entorno de Santiago, os chilenos produzem os melhores vinhos e existem diversas vinículas, daí deriva o nome Viña del Mar.

                  A chegada em Viña foi para fechar com chave de ouro mais um dia, que teve apenas como imprevisto o cambio ruim da fronteira. Maravilhosa cidade e já senti a hospitalidade e educação do povo chileno. Aqui eu nem preciso pedir informação, só paro a moto no sinal, olhando meu mapa e o motorista ao lado já me pergunta o que estou procurando. E isso aconteceu diversas vezes. Peguei meu guia que indicava um Hostel, achei ele, negociei preço, confirmei sobre a internet, já que esteva calejado de internet com problemas na Argentina, depois de conferir tudo decidir ficar num quarto sozinho, já que estava sem dormir na noite anterior e nem saí mais do quarto, foi banho, conferida na internet e dormir sem jantar.

                  Dia fantástico que fez valer a viagem. Estou muito satisfeito e forte para as próximas estapas.

                  Para ver mais sobre Viña del Mar, visite este site: http://www.vinadelmar.cl/

                  Comentário

                  • Dolor
                    Fazedor de Chuva

                    • Mar 2011
                    • 3250

                    #24
                    Viña del Mar a Santiago

                    Publicado em 2 de junho de 2012 por Mundo de Moto

                    Em 30 de maio de 2012, acordei no hostel lá pelas 9 e 30, trouxeram o café no quarto, já liguei o computador para seguir fazendo posts no blog, baixando vídeo no youtube e outras coisas necessárias para botar tudo em dia, comecei arrumar a moto e isso durou até às 13:30hs quando finalmente estava tudo pronto para partir. Na noite anterior, o Fernando de Florianópolis me colocou em contato com amigos dele aqui no Chile, falamos pelo telefone do hostel e me avisaram que iriam me receber em Santiago. Saí então para explorar Viña e adorei! Linda, fui em todas as praias, e ainda pela avenida costanera até outra cidadezinha chamada Cóncon. Fiz diversas fotos, sempre naquele estilo põe a máquina e sai correndo para aparecer na foto.

                    Click image for larger version

Name:	dsc00334.jpg
Views:	1
Size:	66,6 KB
ID:	155069

                    Outra vantagem da moto é que vou onde os carros não vão, então diversas vezes entrei em lugares para pedestres, quando não havia ninguém, fotografei a moto ao lado de atrações, cheguei na beira da praia, da montanha, na pontinha do mirante, subi por trihas, tudo com a moto. Depois de tanta foto a bateria da máquina acabou. Então na praia de Reñaca, a mais badalada, vi um café de frente para o mar, onde deveria ter uma tomada, sol de final de tarde, entrei e dei de cara com um cheesecake maravilhoso! Perfeito! Enquanto a máquina carregava a bateria eu me sentei para apreciar lentamente o cheesecake de amoras, no sol, com a vista para o mar de Reñaca e a citycom estacionada na minha frente. Uma família ficou algum tempo olhando a moto, me viram vestido com a jaqueta, me chamaram, fizeram diversas perguntas e me parabenizaram. Sempre entrego o meu adesivo com o endereço virtual do blog para que essas pessoas que por ai me encontrem sigam acomapanhando a viagem.

                    Click image for larger version

Name:	dsc00353.jpg
Views:	1
Size:	46,6 KB
ID:	155071

                    Aqui tem anoitecido cedo, às 18:30hs já é noite. O fuso horário aqui em relação ao Brasil é de uma hora mais cedo.


                    Click image for larger version

Name:	dsc00346.jpg
Views:	1
Size:	40,0 KB
ID:	155070

                    Chamou minha atenção aqui no litoral do Chile, a quantidade de avisos de possibilidade de tsunami, e existem diversas placas, umas avisando ser área de Tsunami, outras indicando por onde fugir, e até uma faixa enorme avisando o dia do treinamento para casos de terremoto e tsunami.

                    Depois de ter encontrado diversas pessoas de diversos países, como os amigos motociclistas da França e Alemanhã lá em Uspallata, em Reñaca conversei com umas garotas que também tiravam fotos na praia, elas eram da Guatemala.

                    Click image for larger version

Name:	dsc00344.jpg
Views:	1
Size:	82,6 KB
ID:	155072

                    De Viña fui a Val Paraíso pela aveninda que circula a costa, somente 7km, praticamente colada, é uma cidade portuária, maior, sem o charme e clima de Viña. Após uma panorâmica decidi saguir para Santiago onde os amigos já estavam avisados, mas olhando meus documentos dei falta da carteira onde eu levava cópias do documento da moto, da carteira de habilitação e da carta verde. Voltei no Hostel e não estava, ou seja, perdi. Mais essa, incrível! Eu ando com tanta coisa no bolso, MP3, máquina de fotos, chave reserva da moto, Itoken do Itau, moedas, dinheiro, documentos, carteira. Por isso também escolhi essa Jaqueta Alpinestars Quantun DNS, tem diversos bolsos e os que eu uso para coisas grandes são feitos na parte externa, não causam incomodo nem me pressionam se estão cheios.


                    Click image for larger version

Name:	dsc00359.jpg
Views:	1
Size:	63,4 KB
ID:	155073

                    Chegada tranquila em Santiago fui andando até onde me pareceu mais central e de um posto liguei para Agustin e Mario que foram me buscar, por sorte eu estava perto. O telefone público funciona com uma moeda de 100 pesos chilenos, mas eu não conseguia chamar, então uma pessoa que estava sentada próximo fez a ligação do celular. Depois descobri que para chamar celular tem que botar 09 na frente do número. Logo os amigos chegaram e os segui até em casa, onde conheci também Antonio, irmão de Mirta, esposa de Agustin, mãe de Fran e Mario. Todos andam de moto e gostam de viagem. Já foram ao Brasil de moto e pretendem ir novamente. Em casa muito bate papo, um delicioso jantar e claro, banho e dormir.

                    Dia seguinte, 30 de maio de 2012, sem pressa alguma, primeira vez que lavo roupa, na verdade a máquina lavou, depois banho, barba feita pela segunda vez em toda viagem, peguei a moto e saí pela cidade. Percebi que falta o costume, a cultura motociclística em Santiago. Terrível andar de moto aqui e para eles a moto é um inimigo, buzinam o tempo todo, sinal de luz, jogam o carro contra você, não dão espaço, ou seja, cheguei aqui com costumes de brasileiro e me vi mal nessa capital que sofre com trânsito, poluição e muito estresse. São Paulo é um luxo perto de Santiago nesse quesito. Logo a moto que é a solução, pois mantém a liberdade, diferente dos coletivos, que te condenam a obedecer horários e caminhos. A poluição é terrível, acho mesmo que peguei um dia um pouco pior, pois vi pessoas de máscara na rua. A cidade fica cercada pela cordilheira e o ar não circula, a nuvem de poeira e poluição não se dispersa. Depois de Viña, uma decepção Santiago.

                    Click image for larger version

Name:	dsc00367.jpg
Views:	1
Size:	32,3 KB
ID:	155075

                    Nesse mesmo dia fui ao Parque Metropolitano de Santiago, entrada de 1.500 pesos, é lindo, outro clima, cheio de pessoas andando de bibicleta, lindos caminhos, consegui percorrer todo ele de moto. Subi até o Cerro San Cristóbal para ter a vista toda da cidade, mas claro, em razão da poluição eu vi mais nuvens de poluição do que a cidade. O parque realmente é uma paz no meio do caos, mas lá de cima você ainda escuta buzinas, sirenes, como em filmes de New York. Acho que as pessoas que buzinam não tem a mínima noção do alcance do som irritante que elas emitem. Incrível a altitude que eu estava, eu nem via os carros mas escutava as buzinas. Aguardei até o pôr do sol e fotografei. Na volta para a casa dos amigos, claro que me perdi. Eu gosto e pratico me perder pela cidade, mas aqui me cansou isso, dificuldade demais de achar o caminho certo. Cheguei aqui sem mapa da cidade, e lá no parque ganhei o mapa do parque e da cidade, mas não tem toda cidade.

                    Para saber mais sobre o Parque Metropolitano de Santiago acesse: www.parquemet.cl

                    Click image for larger version

Name:	dsc00378.jpg
Views:	1
Size:	45,9 KB
ID:	155074

                    Mais uma boa noite de sono e mais um dia em Santiago, no primeiro dia de junho decidi visitar as estações de esqui, já que nos dias anteriores, fiquei satisfeito e cansado com a complicada capital. Ontem, na volta do Cerro San Critóbal, passei pelos tradicionais bairros Providência e Bela Vista, agradaveis mas normais, um de belas casas e outro de barzinhos nas calçadas, e passei também pelo Palácio La Moneda, mas não tenho nem vontade de fotografar. Então tomei o caminho para a Cordilheira novamente, mas não pela auto pista, dessa vez sem pedágios, logo começaram curvas deliciosas e eu com a moto sem carga acelerei e me diverti demais, a Citycom apesar de pneus que já não oferecem toda aderência me permitiu grandes inclinações. Mas logo chegamos ao trecho com curvas numeradas, uma serra incrível com curvas de menos de 10km/h, mais lentas que uma esquina, buracos, areia e pedras que caem da montanha que me levaram a 3 mil metros de altitude na estação tomada de brasileiros, Vale Nevado.


                    Fui a estação La Parva, mas ela é um pouco mais baixa e não tinha quase movimento, mas a estrela das montanhas, Vale Nevado, lotada de brasileiros, me guardou uma surpresa incrível! Realmente um presente que me emocionou. Avistei o Marcos e a Catia, representantes da Winner-Motors em Santa Catarina, uma das primeira pessoas que eu falei sobre a viagem, e que nem mesmo me deixou terminar de falar, perguntou o que eu precisava, me permitiu escolher o capacete do meu gosto, tamanho e cor e me presenteou, mas o maior valor não foi do capacete, foi a confiança. E lá estava eu com o capacete! Nos emocionamos muito, tiramos fotos, falamos sobre a viagem, me convidou para à noite nos reencontrarmos. Incrível, não marcamos nada, como faz dias que ele saiu do trabalho também não sabia que justo hoje, naquele dia e horário estaríamos os dois amigos de Florianópolis nos encontrando a 3 mil metros de altitude no Chile! Ele estava de excursão e iam uma garotas cariocas que também tiraram foto comigo, pois o namorado de uma delas tem uma Citycom e está adorando também a Scooter. Na noite fui ao encontro dele no hotel e saimos para jantar. Custamos a acreditar! Não poderia ter pessoa melhor para eu encontrar, as palavras de incentivo e confiança me empurram mais à frente, sabendo que junto comigo tenho pessoas assim. Quando estava lá no Vale Nevado, começou a dar uma nevadinha leve e eu tratei de descer rápido.

                    Click image for larger version

Name:	dsc00402.jpg
Views:	1
Size:	56,3 KB
ID:	155076

                    Claro que na volta até a casa dos amigos eu me perdi horrores, fiquei meio cansado disso. Na hora de ir à noite jantar com Marcos e Catia acertei tudo mas era bem mais perto. Depois, casa e dormir. Já foram 4 tanques de gasolina no Chile, ou mais, não me lembro bem, mas andar em alta velocidade e se perdendo tanto, consumiu muito.

                    Em 02 de junho, passei a manhã em casa atualizando o blog e a tarde fui na casa do Antonio Reyes, amigo chileno que trocou o óleo e o pneu traseiro da citycom. Na casa dele, tinha todas as ferramentas e não poderia ter oficina melhor, pois usei o Wi-Fi da casa dele, coca-cola, e depois dos trabalhos, já na noite fria a mãe dele nos serviu um delicioso lanche, chá, pães e etc. Ainda me presenteou com mais luvas de lã e a sua irmã Mirte me presenteou com um lindo gorro pela aeronautica chilena na Antártida. Então agora um pneu a menos para carregar atrás da moto, diminui o peso. O dianteiro troco mais à diante, sem dúvidas antes de entrar na Carretera Austral, se lá for possível chegar e cruzar. Na noite fomos todos na casa de amigos motoclistas, muito frio, muito papo, perguntas e fotos. Chegamos de volta na madrugada do dia 3 às 4hrs da manhã.

                    Comentário

                    • Dolor
                      Fazedor de Chuva

                      • Mar 2011
                      • 3250

                      #25
                      Santiago a Pucón

                      Publicado em 5 de junho de 2012 por Mundo de Moto

                      Em 3 de junho de 2012, estava tão bem hospedado na casa do Agustin e família que levantei tarde, pois na noite anterior chegamos do encontro entre amigos motociclistas, era domingo, café da manhã, seguimos de conversas e fiquei para o almoço, quando chegamos as 15 horas comecei a me arrumar para sair. Fotos, despedidas e me acompanharam de carro até o início da ruta 5, a Panamericana. Esse estrada tem aproximadamente 48.000 quilômetros, se estende desde Prudhoe Bay no Alaska até Quellón no Chile. Na galeria de fotos abaixo inseri um mapa da Panamericana. Vamos ver se chego a Quellón!

                      Click image for larger version

Name:	434px-panamericanhwy1.jpg
Views:	1
Size:	17,5 KB
ID:	155095

                      Seguindo pela Panamericana, fui vendo a noite chegar, com o sol batendo na Cordilheira, com seus picos congelados, estava um dia lindo, lua cheia e muito frio. Entrei a noite rodando, o frio aumentando e eu pensando em chegar a Chillán. Comecei a perceber que não seria possível, estava frio demais e sentindo sono. O tempo nos pedágios me atrasam demais, tira luva, põe luva, e são 3 pares uma por cima da outra.

                      Estava me sentindo muito seguro na estrada, que é excelente, pelo menos os pedágios servem para manter a estrada em ótimas condições, é perfeitamente, sem esse frio extremo, rodar noite à dentro. Os postos de combustíveis são excelentes, completos, internet, muita comida, calefação e até banho quente por 500 pesos.

                      Click image for larger version

Name:	dsc00421.jpg
Views:	1
Size:	55,7 KB
ID:	155096

                      Acho que se aproximava das 21 horas quando eu rodando pela estrada altamente confiável, vejo já a alguns metros alguns pedaços enormes de pneus que sairam de algum caminhão que ia a frente, desviei deles por centímetros e passei raspando. Depois pensei que só faltava mesmo eu cair nessa estrada depois de ter passado por outras muito mais difíceis, com chuva, barro, terra, buracos, à noite e em países menos seguros. Então parei num posto Copec, comi um enorme sanduíche, que pela primeira vez veio como estava no cartaz eme custou 3.990 pesos chilenos. Pedi para botar a barraca atrás do posto, chamaram a gerente que pensou um pouco e permitiu depois de dizer que não se responsabilizava por danos e roubos, mas aqui é o país onde menos me preocupo com isso. Pessoas educadas, maioria prestativas e honestas.

                      Click image for larger version

Name:	dsc00424.jpg
Views:	1
Size:	31,0 KB
ID:	155097

                      Em 04 de junho de 2012, acordei quase as 9 horas da manhã, na barraca. Na noite anterior eu pensei que ia acordar umas 7 horas, mas eu estava tão quentinho. Pena que coloquei a barraca no terro com um pouco de inclinação e ai dava uma escorregada o saco de dormir. Experiência, agora aprendi, na próxima vou tentar um local plano, mas embaixo da árvore foi uma decisão acertada. Fui até a moto e vi o banco molhado, passei a mão com luva e seguiu molhado, ai apertei o banco e quebrou todo o gelo. O sereno congelou à noite no banco da moto e isso que já era 9 horas da manhã. Me disseram que fez – 3 graus na madrugada.

                      Claro que na hora de desermar a barraca nesse frio eu não consegui de forma rápida botar ela na mesma embalagem que eu tirei, mas enfiei tudo dentro do saco estanque que levo atrás da moto, abasteci no posto, e parti, e na estrada entrei já um pouco depois das 10 horas, rumo a Pucón, mais de 500 km pela frente.

                      Click image for larger version

Name:	dsc00426.jpg
Views:	1
Size:	74,3 KB
ID:	155098

                      Como no meio da moto eu levo uma mochila, botei uns pesos, na verdade milhares de pesos chilenos num bolsinho lateral, para quando eu chegasse no pedágio. Eu levanto a mochila, a moça do pedágio pega o dinheiro, põe de volta o troco ali, eu sempre digo que não quero o ticket e sigo viagem sem tirar luvas. Ufa!. Aquilo me fazia perder muito tempo no pedágio. E aqui tem pedágio demais, por 600 pesos cada. Já paguei 14 no Chile.

                      Eu estava vestido com 3 meias, 3 luvas, 3 proteções de pescoço, 3 blusas e calças tipo segunda pele, 2 balaclava mais a Jaqueta e Calça de moto. Sorte que não tenho embreagem na mão, pois os dedos não dobram, muita luva. E mesmo assim, estava com frio. Isso mes preocupa, pois e quando chover? E se esfriar mais que isso? Ainda pretendo rodar em direção sul uns 1.800 km.

                      Muito vento na estrada, mas não ainda aquele vento patagônico da Argentina, mas já suficiente para o consumo cair para 22km/l, ajudado pela velocidade constante de 110 ou 120km/h. Gasolina aumentando de preço em relação a capital, mesmo usando a 93, a mais pobre de todas, me custa 830 pesos chilenos o litro. Depois de abastecer 4 vezes, pagar muitos pedágios, acho que uns 7, passando Temuco peguei a estrada para Pucón. Cheguei em Villarrica, uma cidade a beira do lago de mesmo nome, e também com o mesmo nome do Vulcão. Rodei pela cidade e pela avenida que costeia o lago, mas meu objetivo mesmo era ficar em Pucón, cidade mais nova e mais perto do Vulcão. Dizem que é mais cara a hospegem em Pucón, seguindo a lei da procura, mas eu estou aqui na baixa temporada, tem turista, mas estou sozinho no hostel que escolhi, todo para mim a um preço saboroso. Aqui no Chile o caro é a gasolina e o pedágio em excessso, o resto, pelo menos fora de época, está acessível. Ao chegar aqui pesquisei somente 2 pousadas, ou hostel, e como o preço estava o mesmo que no meu guia antigo, ótimo, escolhi e fiquei muito satisfeito. Correndo para um banho quente, depois de escolher o maio quarto e o que tem mais aquecimento.

                      Click image for larger version

Name:	dsc00458.jpg
Views:	1
Size:	93,3 KB
ID:	155099

                      O visual do Vulcão Villarrica é impressionante. Ele está situado na cordilheira dos Andes, IX região da Araucania, Chile, nas coordenadas geográficas: 39.42°S 71.93° W. Seu cume se encontra a 2843 m de altitude, e é classificado como um estratovulcão. Em seu sopé encontram-se as cidades de Pucón e Villarrica. Este vulcão permanece coberto por neve durante todo o ano. É também conhecido como Rucapillán, ou “casa do demônio” na língua mapuche. Este vulcão, junto com o Quetrupillán e o Lanin (sendo que o último é compartilhado pela Argentina e pelo Chile) encontra-se dentro de uma área de preservação ambiental conhecida como Parque Nacional Villarrica.

                      O Villarrica é um dos mais ativos de todo o Chile. Sua última grande erupção ocorreu em 1984, quando a população de Pucón teve de ser evacuada (embora a lava não tenha atingido a cidade). Ainda hoje, quase 30 anos depois, ainda é possível identificar o trajeto que a lava tomou nesta erupção pelas ravinas formadas na floresta presente no sopé do vulcão. Embora na atualidade ele não esteja em erupção, é comum observar fumarola ser expelida de sua cratera.

                      Click image for larger version

Name:	dsc00453.jpg
Views:	1
Size:	60,5 KB
ID:	155100

                      Em 5 de junho de 2012, acordei tarde e aquecido, tomei café ainda com as compras do dia anterior, chocolate quente, pão e doce de membrillo. Era o dia de partir para Puerto Montt, mas eu pouco tinha visto de Pucón. O preço da hospedagem estava convidativo, eu tinha emails a responder, e estava muita chuva. Essa combinação de chuva com frio extremo me dá medo. Então decidi ficar e de novo decisão super coerente, pois ao meio dia abriu o tempo, lindo sol, oas nuvens sairam e revelaram o vulcão Villarrica, enorme. Peguei a moto e fui ao mirante da cidade, a praia do lago, e iniciei uma subida de moto a base do vulcão. Subi bastante até chegar a neve que havia no caminho, segui na neve, mas a moto começou a patinar, patinar e querer escorregar para os lados da estradinha, e se ela cai lá, nunca mais eu tiro, pelo menos sozinho. Até me arrisquei demais para fazer boas fotos e curtir a neve de moto. Queria um pneu off road na Citycom, estar com ela descarregada e usando todo meu equipamento de proteção. Senti frio demais, desci e voltei ao hostal da Carmem. Banho quente para descongelar, feliz com o visual, com as fotos. Saí aquecido para ir no supermecado comprar umas coisinhas para o lanche, sempre compro o doce de mebrillo que comecei a comer na casa do Agustin e Mirta e não parei mais, sopinha de aspargos e chocolate quente. Depois, internet, cama e esperar o dia seguinte.

                      Comentário

                      • Dolor
                        Fazedor de Chuva

                        • Mar 2011
                        • 3250

                        #26
                        Pucón a Chiloé

                        Publicado em 8 de junho de 2012 por Mundo de Moto

                        Em 06 de junho de 2012, lá pelas 9 horas da manhã vi que o dia estava lindo, daqueles que convidam para a estrada. Sem pressa alguma, pois estava muito bem hospedado no Hostal da Carmem, que é muito simpática e me deixou super à vontade, me senti em casa. Desci na cozinha e me servi com o que tinha na noite anterior comprado no supermercado, sempre o mesmo café da manhã aqui em Pucón, pães com doce de membrillo e chocolate quente. Tomei um banho muito quente, comecei a me vestir, acertei as contas com ela e arrumar as coisas na moto. Não muitas, pois aqui em Pucón, deixei barraca, pneu e malas laterais na moto, só retirando o que eu ia usar.

                        Nessa noite o que me preocupou foi o início de uma dor de garganta, mal que a anos me faz eventualmente sofrer, mas havia muito tempo não se fazia presente. No primeiro sintoma botei na boca uma pastilha bem gostosinha, anti-inflamatória e com outros benefícios. Peguei a bula na internet para ver quantas eu poderia tomar, em que freqüência.

                        Click image for larger version

Name:	dsc00463.jpg
Views:	1
Size:	44,3 KB
ID:	155124

                        A moto ficou no terreno do Hostal, mas não ficou coberta e ficou visível da rua. Não me preocupei, achei a cidade muito segura. Diferente de Santiago, onde todos parecem ter medo e sempre se preocupam se a moto não vai ser roubada. Não me lembro se já contei aqui, mas fui num posto em Santiago, parei do lado da bomba e ninguém me atendeu, ai eu olhei os outros motoristas abastecendo seus próprios carros, e uma pessoa atrás de camadas de vidros e mais grades, falando pelo microfone, e exigindo pagamento antecipado para depois liberar a bomba. Posto da Petrobrás.

                        Despedidas e partida às 12 horas, rodei até Villarrica onde abasteci e parei para foto na frente do lago e vulcão ao fundo, ambos com o mesmo nome da cidade. Para chegar a Pucón, tive que sair da Ruta 5 e entrar uns 50 km a oeste, por uma estrada pista simples e sem pedágios. Na volta para Ruta 5, outra estrada segundária mas não a mesma da ida. Nela levei o segundo susto da viagem e incomparável ao primeiro que foi aquele pedaço de pneu de caminhão na estrada à noite. Estrada cheia de subidas e descidas, cercada de árvores, eu com a viseira escura abaixada. Depois de uma subida, havia uma descida cega. Você sobe, mas não sabe o que existe na continuação da estrada, e para meu azar, a estrada asfaltada acabou, uma placa na sombra, exatamente onde o asfalto acabava, avisava já muito tarde que a pista estava em reforma. Eu vinha a 120 km/h, moto carregada, pneu dianteiro bem gasto, dei uma leve pressionada no freio traseiro e entrei assim na estrada de pedrinhas, em descida e com a lateral com grande desnível, daqueles que parecem te sugar. Nessa hora o sangue frio é 90%, pois acredito que muitos cravariam o freio e o chão seria a continuação. Confesso que fico impressionado como pode que tantos pensamentos passem ao mesmo tempo pela minha cabeça em menos de um segundo. Pensei que ia cair bem ali naquela vala ao lado da estrada, pensei que eu estava bem equipado para isso, pensei que queria que ao menos os manetes não quebrassem, pensei que a moto estava impressionantemente bem equilibrada e eu já tinha atravessado um bom trecho sem cair e em altíssima velocidade, acredito que a uns 100km/h, quando se eu tivesse tido a opção atravessaria a uns 50km/h, finalmente pensei que sim, eu ia sair dali ileso. O final disso é que não sei bem como, um misto de sangue frio, de ação certa no momento certo e também de sorte, me fizeram passar ileso, só tendo que segurar o coração para não cuspi-lo no painel.

                        Click image for larger version

Name:	dsc00465.jpg
Views:	1
Size:	31,4 KB
ID:	155125

                        Logo mais encontrei a Ruta 5, pista dupla, segurança, 4 pedágios até Puerto Montt. Antes disso ainda parei num posto Terpel, tanque cheio, estava com muito frio e fui na conveniências. Comprei a promoção de 2 cachorros quentes por 1.690 pesos. Aqui os cachorros quentes são um pão fininho com uma salsicha, e ai você serve à vontade o molho, que é apenas os prontos, mostarda, maionese e etc.

                        Como fiquei traumatizado com o cambio que fiz no Paso Libertadores, fronteira Argentina com Chile, quanto meus 300 pesos argentinos, que me serviriam para uns 3 dias no mínimo na argentina, viraram 21000 pesos chilenos, o que me serviu para apenas um dia, adotei uma estratégia, que pode até não ser a melhor em termos financeiros, não parei para fazer a conta, mas extorquido não serei mais, já que lá só tinha uma casa de câmbio e logo mais à diante tinha pedágios. Em diversos postos, ao abastecer, pedi ao frentista que cobrasse no cartão 10 ou 20 mil pesos a mais e assim fui juntando uns pesos no caminho. Vou pagar IOF, mas vai para os bolsos dos brasileiros e não dos argentinos ou chilenos.

                        Click image for larger version

Name:	dsc00470.jpg
Views:	1
Size:	47,9 KB
ID:	155126

                        No caminho, o Vulcão Osorno foi uma maravilhosa companhia na paisagem. Maravilhoso, com o sol de final de tarde fazendo a neve que o cobre completamente brilhar. O frio estava me maltratando e a moto com a velocidade alta e o vento forte fazendo média entre 21 e 22km/l. Eu acelerava para fugir do frio e para chegar logo a Puerto Montt com o escritório da Navimag aberto.

                        Duas coisas engraçadas aconteceram, num dos pedágios, como em todos os outros, eu pedi que a moça do caixa que não me entregasse o ticket, em espanhol claro, todas entenderam, mas essa colocou o ticket na minha mão, eu entreguei de volta e ela não pegou, eu disse para botar no lixo, disse que não queria, ela dizia que não servia para ela, fiquei ali naquilo um tempo e comecei a rir. Acho que ela ficou nervosa que não me entendeu bem nas minhas primeiras palavras, de capacete fechado e balaclava tampando a boca e depois não conseguiu escutar bem o que eu falava, não prestou atenção. Eles falam muito rápido, e existem diversas diferenças do espanhol dentro do Chile e principalmente para a Argentina. Pneu vira llanta na Argentina e aqui vira neumático, e a gasolina vira nafta e agora bencina, que falando, tem o mesmo som de vencina, ou seja vizinho. Mas com calma todos se entendem, só não pode ficar nervoso.

                        Click image for larger version

Name:	dsc00474.jpg
Views:	1
Size:	55,1 KB
ID:	155127

                        Depois, em Purto Montt, perguntei a um rapaz de moto onde era o porto, onde era o ferry, onde era a Navimag, e ele não entendeu nunca, eu também comecei a rir e pensei, mudei de país e não percebi, agora aqui no sul ninguém me entende, mas isso foi ele andando na moto dele e eu na minha. Mas eles têm sotaques, algo como um paulista tentando falar com um manézinho pescador do Pântano do Sul. Acho que aqui no caso o manézinho sou eu.

                        Achei o Navimag, que faz as linhas Puerto Nateles a Puerto Montt e Puerto Chacabuco a Puerto Montt, as duas nos dois sentidos, ida e volta. No escritório da frente, a Naviera, que faz Quellón Chaitén e Puerto Chacabuco a Quellón. Uma vez por semana cada linha dessas e por sorte, a que eu queria, de Quellón a Chaiten ia sair no dia seguinte. Não comprei nada, pois é possível comprar na hora pelo mesmo preço, perguntei sobre a linha Puerto Chacabuco a Puero Nateles e ninguém faz. Uma certa dificuldade ainda nos dias da semana, mas sei que Lunes é segunda, sábado é sábado, domingo é domingo e viernes é sexta. Ai falta Miércoles, Jueves e Martes. No nosso padrão, eles entendem rápido, só não entendem porque não começa na “primeira-feira”, mas depois de saber que começa na segunda, ai o resto é fácil. Na Naviera informaram que eu deveria estar no máximo às 15:30 no porto em Quellón para embarcar a moto, depois o embarque de passageiros serias às 22hs, o navio sai da baia às 24 e fica no mar até às 3hrs, pois não pode chegar em Chaitén à noite, e o percurso leva 4 horas aproximadamente.

                        Inicio a chata busca por hospedagem, e logo percebo que aqui nessa cidade feia, tudo é mais caro que lá na linda Pucón, méritos da Carmem, que somou o bom atendimento, com ótimo preço numa cidade maravilhosa, resultado é vontade de voltar, mesmo gostinho que ficou de Viña Del Mar. Começo por um horroroso, sem garagem, perto da rodoviária, que me lembrou o hotel deprimente de Santa Fé e de cara descartei, vi outro mais caro, e até que achei um intermediário. Existe uma influência psicológica nessa escolha, como ir ao supermercado com fome, é buscar hotel muito cansado, à noite, morrendo de frio, com medo de ficar doente. Fiquei muito satisfeito com minha escolha, mas paguei com dor, uma noite por mais que o dobro de Pucón. Larguei a moto na frente do hotel, preenchi os papeis, subi ao quarto. Banho quentíssimo e deitei na cama, comecei a senti calor, sono, preguiça, mas a moto estava na rua.

                        Vesti um jeans e as botas, as jaquetas e fui guardar a moto, quando vi na esquina a duas quadras um Mcdonalds, fui correndo pedi o meu amado curto de libra, no Brasil quarteirão com queijo, voltei correndo também e cama. Sim eu escovei os dentes antes.

                        Em 07 de junho de 2012, acordei com despertador, que eu tinha decidido abolir, mas foi necessário para não perder o único ferry que partia essa semana ainda. Mas fiz todas as contas erradas, peguei meu aparelho de celular, que hoje não serve para nada, pensei que ele estava no horário do Brasil, ou seja, uma hora mais tarde, então, como queria acordar às 7hrs, botei o celular para despertar às 8hrs. Acordei, fui tomar café, subi e liguei o computador, pois na minha idéia estava muito cedo, tinha margem. Mas o computador sim estava no horário do Brasil, e o celular estava no do Chile, não sei como nem porque, não me lembro de ter mudado. Refiz as contas e como teria que rodar apenas 265km até Quellón, seguia com boa margem de segurança.

                        Esta noite também deixei tudo na moto, então me vesti com o máximo de roupas e sai, fiz abastecimento no primeiro posto e rodei até encontrar o final da estrada e onde há o embarque no ferry para Chiloé. Havia um saindo e nem mesmo parei a moto, embarquei direto, pagamento somente em dinheiro, 6.500 pesos.

                        Comentário

                        • Dolor
                          Fazedor de Chuva

                          • Mar 2011
                          • 3250

                          #27
                          Chiloé a Chaitén

                          Publicado em 10 de junho de 2012 por Mundo de Moto

                          Seguindo no mesmo dia 07 de junho de 2012, achei que os fatos que vou descrever mereceram um post exclusivo.

                          Após o desembarque tranquilo no Arquipélago Chiloé, que muito me surpreendeu, pois tudo que eu li sobre o Chile, não fazia nenhum tipo de destque ao arquipélago, nada havia me chamado a atenção nos estudos anteriores a viagem, segui rodando lentamente, a uma média de 100km/h. Estava com tempo sobrando para chegar no porto antes das 15:30hs.

                          Chiloé é um arquipélago ao sul do Chile. Além de um grande número de ilhas de menor tamanho, compreende a Ilha Grande de Chiloé, a quinta em tamanho da América do Sul (depois da Terra do Fogo e as ilhas brasileiras de Marajó, Bananal e Tupinambarana) com aproximadamente 250 km de extensão e uma média de 50km de largura.

                          A estrada que cruza Chiloé ainda é a Ruta 5 (Panamericana) e lá em Quellón, cidade do embarque no Ferry da Naviera Asutral, seria o km inicial, que termina lá no Alaska. Cheia de curvas, pista simples, alguns caminhões e diversas partes em obra, realmente não permite uma média acima de 90km/h. O visual é incrível, trasmitindo paz, tranquilidade, casinhas no meio do campo, sempre com a chaminé expelindo fumaça do aquecimento à lenha, cheia de subidas e descidas, morros e aventualmente a estrada se aproxima do mar.

                          Click image for larger version

Name:	dsc004761.jpg
Views:	1
Size:	42,8 KB
ID:	155129

                          Esse aquecimento a lenha usado em excesso aqui no Chile é uma fonte de poluição, com o pauco gás que o Chile produz, só consegue abastecer com gás encanado as residências de Puerto Natales e Punta Arenas, mas até que sentir o cherinho de lenha, ver a fumacinha na chaminé de cidades como Pucón e aqui no Chiloé é muito agradável. Sempre dá vontade de parar a moto, bater na porta daquela casinha, imaginando uma sala quentinha e perguntar “sai um té ai?”.

                          Click image for larger version

Name:	dsc00482.jpg
Views:	1
Size:	84,6 KB
ID:	155130

                          Dia lindo, tudo indo muito bem, cheguei em Quellón às 11:30hs, altamente antecipado, pois esse barco só tem uma vez por semana e já estava me achando o maior sortudo por ter uma saída exatamente no dia que eu cheguei. Procurei o porto, foi um pouco difícil. Lá uma pessoa me informa que eu teria que comprar a passagem no escritório da Empresa Naviera Austral, e era no centro. Fui procurar e agora sim levei um cansaço. A cidade é minúscula, eu achei a rua, mas a placa é tão pequena que passei na frente de uma portinha de madeira umas quatros vezes e não vi. Lá comprei a passagem pelos 35.500 pesos chilenos, aproximadamente 72 dólares. Me informei sobre outras rotas, principalmente sobre a volta de Puerto Chacabuco para Quellón e o mais importante, que horas eu deveria estar no porto. A atendente ligou para uma outra pessoa que confirmou às 17 horas.

                          Click image for larger version

Name:	dsc004791.jpg
Views:	1
Size:	32,9 KB
ID:	155131

                          Lá de Quellón tem-se um visual lindo do Vulcão Corcovado, de 2.300m de altura, coberto de neve como todos os outros.

                          Como eu iria desembarcar na Carretera Austral, mais precisamente em Chaitén, cidade destruída pelo Vulcão de mesmo nome, resolvi fazer umas compras no mercado local, e amarrei as sacolas na moto. Fui ao posto enxer o tanque, galão de 6 litros também na moto, parei num restaurante para uma almoço não muito bom.

                          Em maio de 2008, a erupção do vulcão Chaitén provocou a evacuação de todos os habitantes da cidade, convertendo a Chaitén praticamente em uma cidade fantasma. Ele estava a 10.000 anos sem entrar em erupação e está localizado a 10km noroeste dessa cidade, que vai ser reconstruída pelo governo em um local próximo.

                          Click image for larger version

Name:	dsc004801.jpg
Views:	1
Size:	44,5 KB
ID:	155132

                          Como eu queria manter o padrão de prevenção na viagem, cheguei no porto meia hora antes das 17hrs. O mesmo homem que me mandou comprar a passagem na agência disse que o navio já tinha atracado ali e embarcado um único carro e estava no mar já, que eu deveria ir no escritório. Lá fui eu, que agora já sabia o caminho. Cheguei lá, pareciam já estar me esperando, já todos com sorriso amarelo na cara, e eu pergunto que horas o navio vem ao porto de novo. Começam a se justificar, dizendo que abriu uma brecha no porto, que tinha maré naquela horas para atracar, que eu não tinha telefone para entrarem em contato. Eu sou bem traquilo e dou mais risada do que faço cara feia, e acho que assim se consegue as coisas com mais facilidade. Eu já estava tratando direto com a gerente da empresa ali no local, que resolveu que o barco de passageiros viria no pier pegar a moto e levaria até o navio. Fui até o pier e esse barco é um barquinho pequeno que vai em cima do grande, serve para pegar passageiros e levar até ele, e impossível de botar a moto nele, o pier era muito alto e ele muito fino. Veio o capitão do navio até o pier e disse que não voltaria até o porto. Eu voltei lá no escritório, me ofereceram o dinheiro de volta, eu não aceitei, ofereceram então que eu voltasse a Puerto Montt e no dia seguinte pegasse o que sairia de para Chaitén, eu não aceitei também pois eu teria que rodar de volta 270km, dormir mais um noite no hotel, passar de novo no ferry de Chiloé para Pargua e rodar até P.Montt. Me ofereceram então pagar a hospedagem e eu não aceitei.

                          Click image for larger version

Name:	dsc004811.jpg
Views:	1
Size:	46,9 KB
ID:	155133

                          Eu fiquei lá dentro do escritório, quentinho, sentei numa mesa, usando a internet e aguardando uma solução, pois eu sabia que o barco só saia ali da baía de Quellón a meia noite. A gerente veio com a “maravilhosa” solução: “conseguimos outro barco para levar a moto”. Fui de novo até o mesmo pier, e lá estava um barco de pescado, de madeira, décadas de uso e exatamente da largura da Citycom. Estava também um cara da empresa Naviera. Perguntei então quem iria botar a moto ali e iria tirar lá. E ele faz um gesto e falando: “Eu e você”. Ai minha risadinha simpática já tava ironica. Então vamos lá! Um dentro do barco, outro fora, um degrau pro pier de cimento, uns 30 cm de água no meio, duas cordas amarrando o barco que balança, cai a roda dianteira, bate o fundo do motor da moto no pier, empurra mais, cai a de trás bate paralama e está dentro. Antes disso tirei toda carga da moto, joguei no meio do barco, por sorte também não cai nada na água. “Vamos amarrar? Não vamos assim mesmo. Ok, vou segurando no freio então”. E fomos em direção ao meio do oceano, onde o navio estava acorado. O cara que estava comigo, chama no rádio alguém dentro do navio, que abre a porta de trás, a rampa gigantesca que deveria descer em terra firme para carros entrarem, agora baixou no meio do mar. O barco aproxima-se, bate na rampa, jogam 2 cordas, amarram de qualquer modo e vai ser assim mesmo, agora tinham mais alguns dentro do navio para ajudar. De toda forma, se a moto afundasse na água, independente da profundidade era perda total na moto e nessa parte da viagem, já que outra Citycom só no Brasil, mas que o fato de estar do lado daquele navio enorme e no meio do oceano aumentou o medo, isso é verdade. De novo, passa roda da frente, bate o fundo na borda do barco, passa a de trás. Eu no barco pequeno empurrando a moto e outros no grande puxando, e logo que passou já gritei para empurrar lá para cima. Joguei, malas, galão da gasolina, sacolas de supermercado na rampa do navio, o pequeno se afastou e consegui respirar, sem acreditar muito no que fizemos e o quanto arriscamos, e isso tudo à noite, o que torna o mar ainda mais assustador, escuridão profunda e gelada.

                          Dentro do barco, aproveitei para pegar uma garrafa pet de coca 2 litros que estava vazia, cortei no meio e com fita silver fiz uns protetores de mãos reciclaveis, sabendo do frio que eu iria encontrar pela frente. Ao subir, logo perguntei do Wi-Fi, e diferente do que me informaram na venda dos bilhetes, agora não tinha, cancelaram pois estava causando complicações ao funcionamento dos intrumentos do navio que também usam o mesmo sistema. Conheci a sala dos motores. O navio está equipado com 2 motores de 9 cilindros cada, 18 no total, e a minha moto 1. Eu embarquei antes dos passageiros, pois o embarque dos veículos, foi às 16:30hs, passageiros era às 22hrs, ai o navio ficaria das 22 às 24 na baía de Quellón, mas era obrigado a sair dali às 24hrs. Então, como a viagem leva 5 horas, e em Chaitén não permitem atracar à noite, ele navegou uns minutos, saiu da baía e ficou parado até às 3 da manhã.

                          Dentro do navio tinha a minha moto e um carro. Eu e mais uns 6 passageiros. E ainda queriam me devolver o dinheiro. Depois descobri que essas linhas são subsidiadas pelo governo, acredito que para ajudar na recuperação de Chaitén e desenvolvimento da região onde íamos desembarcar, isolada do mundo, pois sem dúvidas essa viagem seria um prejuízo gigantesco para empresa.

                          Comi um pouco do que comprei no supermercado, desci onde estava a moto e peguei meu saco de dormir e colchonete, botei num grande espaço entre poltronas e dormir.

                          Acordei em 08 de junho de 2012 com às luzes do barco se acendendo, avisando a chegada em Chaitén. Fui na janela, visual fantástico, percebe-se a cidade, de poucas casas, destruída, um vulcão enorme ao fundo, uma neblina rasteira e muita vegetação. Depois de uma noite toda no mar, que de onde parti já era um lugar sem nada e já tinha atravessado uma balsa e um arquipélago inteiro, chegar ali me fez refletir o quanto longe e isolado de qualquer coisa eu estava.

                          Comentário

                          • Dolor
                            Fazedor de Chuva

                            • Mar 2011
                            • 3250

                            #28
                            Chaitén a La Junta

                            Publicado em 12 de junho de 2012 por Mundo de Moto

                            Em 08 de junho de 2012, o desembarque em Chaitén/CH foi muito tranqüilo, desde a parte interna do navio até terminar de atravessar a rampa. Depois já foi possível constatar o piso coberto de gelo. O capitão, que nada tinha falado comigo até o momento, uma figura de cara bem fechada, soltou lá fora suas palavras: “cuidado, escarcha”. Significa que tem gelo na pista. Terminei de botar luvas, saquei uma foto, quando ia fechar o capacete vem um carro 4×4 descendo a ladeira com as quatro rodas travando, para na minha altura e uma mulher de carona abre o vidro e fala: “muito corajoso, não passe de 40 km/h”. Isso tudo foi em menos de cinco minutos.

                            Click image for larger version

Name:	dsc00501.jpg
Views:	1
Size:	94,1 KB
ID:	155146

                            Tudo pronto e já o começo é derrapando para sair do porto. Curioso, chego ao centro de Chaitén e realmente incrível a cidade destruída pelo vulcão em 2008 estar assim até hoje. Parece filme, fiquei pensando na situação da necessidade de abandonar sua casa, pois o vulcão ao lado está cuspindo cinzas que cobririam a cidade. As casas estão lá, de portas fechadas, algumas não agüentaram o peso das cinzas e caíram, outras somente com vidros quebrados. Percebi o topo do Vulcão Chaitén expelindo fumaça constantemente. Saquei fotos, tira e põe luvas, sigo à diante com precaução e saio da cidade. Estrada branca de neve, perigo está vestido de noiva, numa reta a 60 km/h a moto simplesmente sai debaixo de mim e eu levo um deslizante gelado de metros deixando uma marca no chão. Nem deu tempo de pensar nada antes de cair. Só pensei depois de estar no chão. O que mais pensei repetidamente era o fato de ter caído nos primeiros 20 km da Carretera Austral, fazendo as contas, em 500 km seguindo nessa média eu ia cair ainda 24 vezes. Certamente o meu chassis (corpo) não ia agüentar e nem mesmo a moto. Já achei sorte quando constatei que com a moto nada houve além de um ralado na parte baixa da carenagem e comigo só um pouco dolorido, mas pouquíssimo. Levantei a moto, botei no canto da estrada e ai sim tirei foto. Sei que algumas pessoas tem o sangue frio de cair, tirar a foto e depois levantar a moto, mas eu pensei ainda que poderia vir um carro, pois eu estava perto de Chaitén e parar naquele gelo ele não ia conseguir, além de estar com tanque cheio mais combustível extra no galão.

                            Click image for larger version

Name:	dsc00489.jpg
Views:	1
Size:	70,7 KB
ID:	155147

                            Qual minha opção no momento? Seguir à diante, reduzir a velocidade, mas mesmo assim estava muito difícil pilotar, até mesmo em pé era difícil caminhar, então segui a aproximadamente 30 km/h com os pés arrastando no chão. Isso abaixa demais o centro de gravidade da moto e garante um equilíbrio extra, mas uma conseqüência, meus pés ficaram extremamente gelados com a neve e o gelo que batia nas botas. Por mais incrível que pareça, eu comecei a torcer para que o pavimento terminasse, já que ele está apenas perto da cidade, mas nessa velocidade, tudo demora a chegar. Quando chegou a parte de terra, surpresa total, a dificuldade continuou a mesma. Obviamente na parte de terra também havia gelo, mas uns quilômetros depois o gelo quebrado e derretendo virou uma lama lisa, que brilhava com a luz do sol. Segui na mesma velocidade, na mesma posição e agora além dos pés congelados, a bota cheia de lama gelada, mas só por fora. Nem mesmo na queda passou gelo para parte interna do equipamento. Na queda a maior pancada foi no quadril e cotovelo, mas a escolha certa do equipamento de proteção me salvou.

                            Click image for larger version

Name:	dsc00490.jpg
Views:	1
Size:	46,3 KB
ID:	155148

                            A primeira cidade estava a aproximadamente 150 km, La Junta/CH. Fiz as contas e pensei que se fosse possível rodar sem parar, a 30 km/h, eu chegaria lá às 14 horas. Não incluí na conta possíveis tombos. Então assim fui, tendo que engolir o coração a cada minuto, ofegante, segurando o guidão força, viseira semi-aberta, pois a respiração embaçava tudo, pernas cansando pela posição. Estava tenso, cansado e com medo, mas ao mesmo tempo, pensando que ali eu estava, na temida Carretera Austral, com a Citycom, aquele era o momento de acertar tudo, de ser perfeito e me concentrei apenas em uma coisa, tirando todas as contas, preocupações, cidades, lugares e possibilidades da mente, para chegar a La Junta. Tentei não olhar para o painel, pois era só decepção com a velocidade e quilometragem percorrida, e isso me causaria angustia. Aquela frase “devagar e sempre” nunca fez tanto sentido como agora.

                            Click image for larger version

Name:	dsc00504.jpg
Views:	1
Size:	68,6 KB
ID:	155149

                            No caminho vi placa que indicava o Ventisqueiro Yelcho, entrei e parei a moto assim que começava a trilha, todo equipado, peguei a mochila com coisas importantes e caras e segui o caminho a pé, mata fechada, sozinho, de capacete e luvas. O Ventisqueiro é lindo, enorme, impossível de por fotos passar toda emoção de vê-lo, pois não retrata bem a distância, o vento, o barulho do gelo e água do derretimento caindo. Não demorei muito, voltei e segui.

                            Cheguei em La Junta realmente por volta das 14 horas, parei no posto Copec, estava decidido a dormir ali, perguntei do horário de funcionamento, para ter certeza que seria possível abastecer no dia seguinte ao sair, procurei onde ficar. Existiam na cidade algumas opções, fiquei na que tinha internet e pagamento com cartão de crédito. Hopedaje da Marisel. Deixei a moto na frente e subi para tomar um banho. O banho não estava muito quente, como eu gosto, no modo descongelar, e o chuveiro batia no meu ombro. Não demorei, pois não estava gostosa a situação e pensei que tinha que fazer algo em relação a Cyticom. Decisão número um foi botar o pneu novo na frente. Procurando pelo povoado, encontrei depois de passar por três, um que topou fazer o serviço. Ele não tinha a mínima noção, pois ali não existe moto, mas eu tinha, só não tinha como tirar o pneu da roda e colocar novamente, pois a roda sair da moto é fácil, dois parafusos.

                            Click image for larger version

Name:	dsc00506.jpg
Views:	1
Size:	43,0 KB
ID:	155150

                            A parte que eu sabia foi simples, agora tirar o pneu da moto, deu trabalho, tentou de diversas formas, claro com a roda no chão, arranhando tudo, depois de martelada de todo lado saiu, colocou o pneu novo, martelada, roda no chão, toda picada, pintura descascada, como a traseira está também, roda na moto, pagamento de 2.000 pesos, voltei na Marisel.

                            Decisão número dois foi comer tudo que eu levava de comida extra, pois tinha doce, suco, pão, e isso fiz durante a noite e manhã seguinte. Decisão três foi botar os 5 litros de gasolina extra no tanque e levar o galão vazio. Meu objetivo foi baixar o peso da moto, pois então estava agora com mais de dez kg a menos e esperava mesmo que isso fizesse uma diferença sensível. Justamente eu que sempre digo que a moto deve ir estar o mais leve possível, me lembrei disso e também fiz uma pequena limpa em papéis, guias, revistas e etc. Antes de dormir botei a moto próxima ao vidro da sala da pousada, deixei malas, barraca e tudo mais na moto, que às 8hrs já estava com um pouco de gelo. Subi ao quarto, onde eu não conseguia nem tirar as mãos debaixo das cobertas para escrever no site, alguns cachorros na rua latindo me incomodavam, mas o cansaço vence sempre e dormi com o notebook ligado me esquentando mais.

                            Comentário

                            • Dolor
                              Fazedor de Chuva

                              • Mar 2011
                              • 3250

                              #29
                              La Junta a Coyhaique

                              Publicado em 14 de junho de 2012 por Mundo de Moto

                              Em 09 de junho de 2012, manhã fria e iniciei por vestir peça por peça do equipamento, isso leva sempre aproximadamente 20 minutos, pois são dezenas de peças, uma sobre a outra, camada por camada, mais protetores de pescoço e de coluna, balaclava, capacete, coloca a Go Pro na moto e pronto.

                              Enquanto eu me aprontava, a dona da hospedagem veio duas vezes perguntar se eu ia fazer o pagamento. Acho que ficou um pouco assustada porque eu andava equipado e pensou que ia me escapar, também acho que é tão raro alguém passar por lá agora que a sede dela pelos meus rarefeitos pesos estava grande. Então meu lado implicante floresceu, pois não gostei da desconfiança e eu aprontei tudo mesmo, cheguei a colocar a luva esquerda, liguei a moto antes de ir pagar, acho que ela quase morreu de angústia. Fui até ela e uma em cima da outra.

                              Click image for larger version

Name:	dsc00516.jpg
Views:	1
Size:	27,7 KB
ID:	155161

                              A moto com um pouco de gelo, já passava das 10 horas da manhã, pegou de primeira, como todas outras vezes, independentemente da temperatura, da hora, chuva ou sol. Segui a filosofia de sair na hora que estivesse pronto, sem correria, sem despertador, pra rodar o que fosse possível. Na hora do pagamento a senhora da hospedagem, eu digo a ela que pretendo ir a Coyhaique, e ela de pronto responde que não é possível, que a estrada tem gelo, lama e está muito ruim. Eu acreditei nela na parte da estrada, mas não na parte do não é possível, ai eu acreditei mais na minha idéia mesmo.

                              Não fiquem pensando que é só sofrimento a viagem, eu adoro pilotar e nessa saída, mesmo sozinho, mesmo na Carretera Austral, mesmo com um penhasco do lado eu mandei ver na máquina, sem pena, chegando a desenvolver 90 km/h na terra molhada com buracos e curvas. Não penso que arrisquei demais. Crianças brincam de certas coisas extremamente arriscadas também, geralmente os pais nem imaginam e me lembro bem o que eu fazia.

                              Click image for larger version

Name:	dsc00519.jpg
Views:	1
Size:	62,0 KB
ID:	155162

                              Aqui na Carretera Austral, não precisamos nos preocupar em tirar foto no primeiro lago bonito, nem na primeira ponte alaranjada, nem no primeiro rio de águas claras que desce da montanha. Eles são abundantes, realmente lindos, a paisagem é fantástica, estava na natureza selvagem.

                              Por diversas vezes parei para apreciar a paisagem, as pontes e os rios, olhar para as montanhas com neve. Mas tirar foto não, pois tinha que tirar as luvas e o frio estava demais. Logo mais cheguei a Puyuhuapi, aproximadamente 40 km depois de La Junta e que tem 500 habitantes. Sempre cauteloso, sabia que ali havia um posto Copec e entrei na cidade para abastecer. Não tinha ninguém no posto de duas bombas, mas logo apareceu, pois escutou o barulho da moto o responsável pelo abastecimento. Incrível o preço, 925 pesos chilenos, quatro reais aproximadamente. Mas incrível também que havia como pagar com cartão de crédito, coisas de Chile. Na saída da cidade, há uma subida e uma vista linda do lago enorme que chega à porta da rua principal. Impossível não tirar uma foto ali.

                              Click image for larger version

Name:	dsc00508.jpg
Views:	1
Size:	59,0 KB
ID:	155163

                              Seguindo à diante, encontrei a placa que indicava o caminho para chegar ao Ventisqueiro Colgante, claro que entrei lá com a moto. Como em Pucón, também estava lá a recepção a placa do valor de ingressos e a porteira aberta sem ninguém nem guia, nem controles. Fora de época tem suas vantagens, como ter ficado de dono de diversos parques e atrações, e ainda pousadas. Caminho pela trilha super fechada, molhada, novamente todo equipado, mas dessa vez deixei a mochila na moto, levei só a máquina de fotos. Cara a cara com o gigante gelado, fotos e volto pela trilha. Na hora de sair na estrada, como sou super esquecido, não me lembrava de que lado tinha vindo, pois existiam duas placas idênticas dos dois lados, rodei para um lado e para outro na frente da entrada até que sai um homem de dentro da casinha à beira da estrada, na entrada do parque e eu pergunto para ele a direção de Coyhaique. Um daqueles momentos de sorte.

                              Aquela tocada emocionante teve uma conseqüência gravíssima. O guidão começou a se soltar, ia para frente e para trás e para um lado e para outro, deixando a roda dianteira um pouco solta, às vezes tomando o rumo lateral sozinha. O tempo fechou e começou a chuva leve, que molhou mais ainda o piso de lama. Eu sabia que estava no caminho certo e que o pavimento uma hora havia de aparecer. A estrada estava muito fechada, de maneira alguma passam dois carros de forma rápida em sentidos contrários, ela é super estreita e com a lateral numa inclinação que suga a moto. Uma pick-up aparece em sentido contrário, eu faço sinal para parar e pergunto quantos quilômetros para começar o pavimento, mas a resposta não é precisa, me diz que quando baixar do outro lado da montanha tem pavimento.

                              Click image for larger version

Name:	dsc00509.jpg
Views:	1
Size:	51,9 KB
ID:	155164

                              Eu estava congelando, principalmente os pés, o guidão estava quase saindo na minha mão, a viseira tinha que ficar um pouco aberta para não embaçar demais, o chão estava deslizando absurdamente, estava chovendo, a estrada estava apertada, cheia de buracos, a noite estava chegando e no meio do mato, cercado de árvores altíssimas, aparentava ser muito mais escuro, além do céu cinzento, e ainda recebo a notícia que tenho que atravessar uma montanha. Era o parque Queulat, que se encontra na província de Aysén e o seu ápice é o monte Alto Nevado, com 2.255 metros acima do nível do mar.. Na verdade o Ventisqueiro Colgante já estava no Parque Queulat, mas essa montanha me apavorou. A média anual de temperatura nesse parque é de 4 a 9 graus e a precipitação média é de 3.500 a 4.000 mm.

                              Iniciei a subida da montanha, bem assustado e realmente pensando que o mais difícil tinha aparecido. A moto não podia parar ali, era botar a vida em risco se algo de errado acontecesse. Ninguém passava, e fui tocando a 20 ou 30 km/h, fazendo as curvas da subida da montanha, de 90 graus, a 10 km/h. E sempre torcendo que a descida aparecesse. Mas subi, subi, subi, subi tanto, e passando por tanto buraco que o guidão afrouxou mais e tudo no entorno estava congelado e coberto de neve até que numa das curvas da subida a moto derrapou bem forte, me levando a pensar que o pneu traseiro tinha furado, mas não, era o gelo no chão. Pronto, estava formada a condição que eu mesmo diria que é impossível e eu mesmo não tentaria atravessar aquilo nem que me pagassem. Qual opção? Somente seguir, cauteloso, acelerando na medida de manter-se de pé e seguir em frente. Depois de muito trabalho, ofegante, frio e cansaço físico extremo, começa a sonhada descida. Sonho? Equivoquei-me, pesadelo. Pois a descida assim como a subida é íngreme e naquelas condições eu comecei a descer com a roda traseira travando, 10 km/h e os dois pés enfiados na lama pra não deixar a moto aumentar a velocidade. A situação era absurdamente difícil e arriscada. Eu não tive a ousadia de olhar para o painel, para não aumentar o susto, mas eu estava a mais de 1h naquela montanha. Eu apertava tanto as manoplas que minha mão direta doía bastante.

                              E eu que tanta piada fiz sobre voltar só com o guidão na mão, em diversas situações em que andei em estradas difíceis, ali estava com a situação de fato. Acredito que a mais difícil da minha vida no motociclismo. Eu nenhum momento eu pensei que não era capaz de atravessar a montanha, me preocupava com falha mecânica, pneu furado, noite chegando, já pensava o que ia fazer se algo acontecesse, como ia pedir socorro. Nesse local nem mesmo era possível montar a barraca em caso de problemas, pois eu iria me molhar todo, não ia suportar o frio e neve da noite, e não havia lugar mesmo. Preocupante era cair na lama com gelo e ficar com o corpo molhado. Segui, segui e segui, avançando metro a metro. Ninguém passou, mas eu, sozinho encontrei o pavimento em Los Cisnes. Eu parei a moto, desci dela, esqueci frio, chuva lama, dei uns gritos de celebração dentro do capacete, uns pulos de felicidade, uns socos no ar, e nesse mesmo instante tudo aquilo invés de dificuldade se tornou uma vitória, uma lição, uma história e uma vitória. Eu olhei para a Citycom coberta de lama e nunca achei tão linda. Parecia dizer para mim que não duvidasse dela. Aos meus olhos estava tanto ela como eu maiores do que realmente somos. Depois dessa existe algo capaz de nos parar? Então vamos seguir que Coyhaique nos aguarda.

                              Click image for larger version

Name:	dsc00514.jpg
Views:	1
Size:	99,0 KB
ID:	155165

                              Acelerei forte, dominando a frente solta, estrada linda, mas molhada, ainda parei para algumas fotos, abasteci mais uma vez, enfrentamos mais uma montanha, com pavimento, e avistei Coyhaique do alto, já de luzes acessas. Luz do sol rarefeita. Lembrei-me da senhora me dizendo ser impossível, de outros achando um absurdo essa scooter na Carretera Austral, outros apavorados com a viagem solo e ainda uns com a época escolhida. E disse para mim mesmo, acho que até em voz alta, pois eu falo diversas vezes dentro do capacete, que foi fantástico, que valeu cada metro de aventura, que vencemos.

                              Entrada na cidade, procura por hotéis, caros, optei por um intermediário, com banho muito quente, quarto só para mim, espaçoso, recepção educada e preço que valia a vitória. Deixo a moto com tudo em cima, banho, troca de roupa e saio para comer num lugar muito legal, Mamma Gaucha, uma pizza grande toda para mim e muita coca-cola, deliciosa, os Chilenos comemorando a vitória no futebol sobre a Venezuela e a classificação para participar da copa no Brasil. Senti como numa festa para mim, no gol eu sentia com se o eu fosse o artilheiro. Fantástico! Consegui! Fui dormir com essa frase na cabeça:

                              “Já temos a primeira Citycom 300i do mundo a passar pela Carretera Austral”

                              Comentário

                              • Dolor
                                Fazedor de Chuva

                                • Mar 2011
                                • 3250

                                #30
                                Coyhaique a Chile Chico - Parte Um

                                Publicado em 19 de junho de 2012 por Mundo de Moto

                                Em 10 de junho, domingo, fiquei de preguiça na cama até altas horas da manhã. No hostel que escolhi ficar, estava incluso o café da manhã, e que surpresa, o melhor café da viagem, com cereais, ovos mexidos, iogurte e diversos tipos de pães. Para nós brasileiros, acostumados ao nosso estilo de café da manhã, é um sofrimento aquele café com leite argentino, ou o chá chileno, acompanhando somente de um pãozinho. Se quiser escapar disso, escolha um hotel cinco estrelas ou faça suas compras num mercado.

                                Click image for larger version

Name:	dsc00527.jpg
Views:	1
Size:	53,0 KB
ID:	155168

                                Queria assistir ao Gp do Canadá de F1, já que o de Mônaco perdi por estar na estrada. Então comecei a procurar o canal que ia transmitir e perguntar as pessoas se elas sabiam a programação da TV. O horário foi chegando e nenhum canal estava transmitindo a corrida, então busquei na internet e assisti pelo computador.

                                Click image for larger version

Name:	dsc00528.jpg
Views:	1
Size:	41,7 KB
ID:	155169

                                Na minha cabeça, duas questões estavam latentes. Primeiro o reparo na moto e segunda era a dúvida de para onde seguir. Essa segunda era de extrema importância, pois nessa época os barcos só partem de Porto Chacabuco, a 65 km de onde eu estava, uma vez por semana, e o próximo era quarta, que me levaria de volta a Quellón, uma viagem de dois dias.

                                O reparo na moto poderia esperar a segunda e procurar alguém que fizesse, mas como estava com tempo livre, decidi eu mesmo fazer uma tentativa. Não tinha plena certeza de onde estava solto, se apenas frouxo ou se faltando um parafuso. Botei a moto na frente do hostel, peguei minhas ferramentas e comecei a desmontar as carenagens frontais, sempre tomando o cuidado de organizar bem os parafusos que eram retirados. Liguei meu notebook onde tenho gravado o manual de manutenção da moto, para ajudar na montagem e desmontagem de forma correta.

                                Click image for larger version

Name:	dsc00522.jpg
Views:	1
Size:	45,4 KB
ID:	155171

                                Ao mesmo tempo em que desmontava eu pensava que desmontar é fácil, queria ver montar de novo. Já pensei em pessoas fazendo piadinhas de que no final iam sobrar parafusos. Cuidadoso, observei que não faltava nenhum parafuso, aproveitei para verificar o aperto de todos que estavam ao meu alcance e estavam todos firmes, cheguei então ao parafuso, único que segura o guidão à caixa de direção, e ele estava no lugar, mas realmente frouxo. Peguei as ferramentas que trazia embaixo do banco, tinha várias, menos a 14 sextavada em L, ideal para esse reparo. Pedi então ao dono do hostel que tinha a 14, mas não em L, assim foi um pouco mais difícil, mas consegui fazer o aperto. Fotos da moto peladinha no frio, pois a noite indicava que ia chegar e a temperatura lá fora já começava a me castigar um pouco.

                                Uma garota entrou no hostel e logo saiu acompanhada do dono, que me perguntou se eu podia responder a ela um questionário sobre turismo na região. Lógico que sim, segui montando a moto, respondendo e conversando com ela. Estava cheio de elogios ao Chile, que realmente é um país admirável, excetuando-se a capital poluída e de motoristas mal educados. Reclamação eu teria somente sobre o valor do combustível, que é realmente caríssimo.

                                Click image for larger version

Name:	dsc00532.jpg
Views:	1
Size:	46,0 KB
ID:	155170

                                Moto pronta, bagagem recolocada, nenhum parafuso sobrando, fiquei imensamente satisfeito com o reparo feito, não era nenhuma quebra, nenhum defeito, um parafuso apenas frouxo para uma exigência absurda que fiz da moto é um lucro gigante. Evitei assim gastos com oficina e estava livre para decidir sobre o rumo da viagem.

                                E a decisão foi seguir um pouco mais ao sul do Chile. Na noite gelada, eu fui novamente a Mamma Gaucha, pois no dia anterior tinha visto alguém comendo uma salada com salmão que me deixou com água na boca. Mas o que ganhei foi um balde de água fria, pois cheguei tarde para um domingo à noite em Coyhaique, abaixo de 0 grau, restaurante fechado, me restou comer um lanche, sanduíche tipo X-tudo e aqui ainda vai abacate. Nesses dois dias à noite fui a pé pela cidade, tanto para dar um tempo da moto como para ver a cidade de outro ângulo. Adoro uma caminhada numa cidade desconhecida, ainda mais essas pequenas. Dormir cedo para acordar cedo e preparar o zarpe no dia seguinte.

                                Comentário

                                Working...