Do uai ao Chuí

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  • Forasteira
    Fazedor de Chuva

    • Sep 2021
    • 89

    #1

    Do uai ao Chuí

    Eu sempre me achei bem meio desorientada.. ou pra trocar boas afirmações, desapegada demais...
    Eu queria ir, eu ía, simplesmente ía...
    Não era importante chegar... às vezes nem sabia onde chegar...

    Nessa viagem, eu saí com 1 destino, um início, um meio e um fim (só que não)
    Por cargas do "destino" eu saí com um roteiro e sabendo por onde iria passar e onde eu queria chegar.
    Um colega fez todo o roteiro e eu resolvi acompanha-lo até um trecho e depois seguir até onde cismei de ir: Chuí

    Eu queria fazer a minha viagem, fazia um tempo que eu precisava me retirar, me resgatar.
    Porém eu iria sair com mais 2 pessoas: meu colega que resolveu continuar a viagem dele e me acompanhar e mais uma pessoa que se manifestou e criou coragem.
    Bom, eu sabia que assim não seria exatamente a minha viagem, mas quem sabe, depois, oque iria acontecer?
    Bora lá começar!

    Então, por "brincadeira" do Universo, ele fez no 3º dia fundir meu motor e a partir dali, fiquei sozinha.
    Não era isso que eu queria?

    Agora sim, eu poderia então estar comigo mesma e literalmente ter que orientar!
    Externamente falando eu era péssima de mapas, de rotas e direções, agora eu sou menos pior, kkkkkkkk
    Mas eu tinha um roteiro e aprendi a olhar e entender por onde ir e aproveitar coisas que provavelmente eu nem veria se não soubesse por onde passar.
    E ao mesmo tempo, mantive meu desprendimento para estar aberta a seguir o caminho por onde os próximos sinais do Universo me mandar.

    Costumo dizer que eu não tenho tempo e nem espaço e isso é o VIVER NA ESTRADA.
    Como eu já contei no outro tópico, eu já vivi no mundo, já fui mochileira e essa viagem tinha o intuito de resgatar oque vivi e resgatar em mim o brilho nos olhos pela vida que já tinha se perdido.
    Me reconhecer novamente, me reencontrar; e aposto sempre num grande retiro, numa grande viagem solo pelo mundo afora.
    Então, sem tempo pra acabar, sem lugar pra fixar, só resta seguir até... chegar...

    Pois é, pra chegar eu teria que me orientar, mochilando de moto, tendo um lugar pra chegar, eu precisava aprender a ler, ler o mapa, ler a rota e bolar um trajeto de por onde ir, que horas e tudo isso que foi novidade para mim, confesso.
    Me orientando assim eu chegaria lá!

    E dos perrengues, pra completar, fiquei sem velocímetro por uns 2 dias! Ou seja, de tanto eu falar que sou desorientada, lá vem o Universo de novo e fala:
    Toma! Desoriente-se!
    Eu aprendi a ler, mas não tinha mais como sabe quantos km andei, nem em que velocidade eu passei um radar...

    Só comprovei que aquilo que está dentro de mim e eu afirmo, verei fora de mim!
    Mudei e me orientei.
    Parei de falar que era desorientada e decidi como eu queria ser.
    Assim, verei externamente na minha vida oque está dentro de mim

    Apesar dos perrengues, ou talvez por eles, só vi gente boa, pessoas que me acolheram com tanto carinho, nada de ruim e de mau.
    Só coisa legal! Lugares lindos e tudo oque eu precisava.
    Tudo depende do seu olhar, oque você quer enxergar.

    Essa é a viagem da vida!


    *Do Uai ao Chuí - 15/07/2021 - 05/09/2021


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    Última edição por Forasteira; 23-01-24, 01:18. Razão: Para melhor identificar qual o desafio
  • Forasteira
    Fazedor de Chuva

    • Sep 2021
    • 89

    #2
    O resgate - Me orientando e me resgatando internamente com uma viagem externa


    Então, Do Uai ao Chuí, enfim, concluí!
    Vivendo novas histórias e revivendo antigas vivências cumpri um objetivo, para mim, autodesafio.
    Missão pessoal cumprida, hora de voltar pra casa.
    Volto viva de vida e instigada a continuar a estrada.
    Iniciei então os 3 desafios: Cardeal, Bandeirante e Rodoviário.
    Bom, como canta a canção: "ando devagar pois já tive pressa"

    Chuí - 13/08/2021

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    Última edição por Forasteira; 20-04-23, 20:14.

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    • Forasteira
      Fazedor de Chuva

      • Sep 2021
      • 89

      #3
      Ponta do Seixas - Farol do Cabo Branco - Paraíba
      16/11/2022

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      Última edição por Forasteira; 20-04-23, 20:09.

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      • Forasteira
        Fazedor de Chuva

        • Sep 2021
        • 89

        #4
        Chegou o dia de encarar uma das estradas mais terríveis do Brasil, Uiramutã, extremo norte do país!

        No começo eu estava extremamente confiante, animada e tranquila.
        Depois, recebendo algumas dicas, orientações e informações sobre a estrada, minha mente foi se rendendo ao desconforto, incômodo, medo...

        Mas isso não era meu!
        As informações normalmente não são passadas de forma neutra, mas carregadas de experiência pessoal e me contaminou.

        O tempo amanheceu chuvoso e em Uiramutã tbm já chovendo e sob neblina, adiei a ida e tirei o dia para transmutar os pensamentos e sentimentos gerados.
        Não vi mais informações e resgatei minha vontade de concluir esse desafio, portanto, desistir NÃO era minha opção.

        No dia seguinte parti determinada e tranquila, como sempre.
        Não tão cedo, mas tbm não tão tarde.

        A estrada estava surpreendentemente maravilhosa desde o trevo, Surumu e Contão, o que me fez continuar tranquila e devagar, tirando fotos, parando e lerdando...
        E ainda encontrei um motociclista morando por lá!

        Mal sabia eu que as previsões da terrível estrada estavam chegando...
        Piorando cada vez, uma estrada que nunca se acaba, muita poeira, trepidação, pedras, tensão, calor, sem lugar pra parar, água fervendo, peças da moto caindo, gasolina vazando, fogo na estrada, pôr do sol chegando, serra inclinando, cansaço físico começando, mental já se irritando, noite baixou, farol não funcionou, GPS nunca reduzia a distância a percorrer, bateria acabando, esgotamento no limite da força física, emocional a mil e a moto dando tudo o que ela podia nas condições que estava desde Manaus (como contei no desafio Bandeirante)

        Não cai, não furou pneu, não ferveu o motor, não aconteceu absolutamente nenhuma das coisas que normalmente acontecem por essa estrada!
        Eu fui EXTREMAMENTE cautelosa!
        E cheguei!!!

        Cheguei de noite, chorei, me emocionei e esgotei!
        Uiramutã, foi só uma vez pra nunca mais!
        Quero só viver minha vida em paz kkkkkkk

        Mas com muito orgulho, vou me dar o devido valor sim, por percorrer sozinha, com minha moto em péssimo estado, essa estrada que não procurei por mim, mas encarei como auto desafio do desafio que me inscrevi.

        Como muitos disseram: você é teimosa!!! E corajosa!
        Sim, eu sou! E a partir de agora, eu aceito todos os elogios e me auto valorizo, sem me exaltar além da humildade.

        15/12/2023 - Uiramutã/RR - extremo norte


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        Acompanhada pelo Secretário de Assuntos Indígenas da Prefeitura
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        Última edição por Forasteira; 08-02-24, 10:54.

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        • Forasteira
          Fazedor de Chuva

          • Sep 2021
          • 89

          #5
          07/03/2024 - Mancio Lima/Acre

          Último ponto cardeal do meu desafio!

          Enfim! E eu pensei que o finalmente seria fácil...
          Na verdade, difícil não é, mas em meio a tantos perrengues, alguma história nova teria pra contar.

          Depois de sair de Roraima, com a moto despencando, destruída, retornando à Manaus, a saga da moto se intensificou, tudo simplesmente piorou!
          A Menina nem andava mais e após várias tentativas, pegamos o barco e em 5 dias estávamos em Rondônia, enfim.

          Aí sim, uma nova saga começou, mas para melhor!
          Fizeram a Menina andar e sentindo confiança, mesmo sabendo que ela ainda não era a mesma, seguimos para o Acre. A sede pela estrada era imensa!
          E tinha muita chuva pra refrescar debaixo desse calor no norte do nosso país, já que o inverno local tinha chegado com a delonga na nossa rota.

          Tirando a buraqueira, isso é fácil, o lance foi a moto falhando a cada reduzida.
          A capa de chuva totalmente permeável e os alagamentos para incrementar a aventura realmente nos refrescaram a memória de estar na estrada. Não é pra qualquer um...

          Entre falhas misteriosas, pausas nas estradas desertas, entrada em cidades perigosas, acampadas nas delegacias, coroa por um fio, literalmente, Honda arrumando a Suzuki, dia internacional das mulheres, concluímos, eu e a Menina, sozinhas os 4 extremos do Brasil!!!

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          Última edição por Gilmar Dessaune; 18-03-24, 14:14.

          Comentário

          • Gilmar Dessaune
            Fazedor de Chuva

            • Oct 2012
            • 6891

            #6
            Boa tarde, agora, Cardeal Fazedora de Chuva Forasteira,

            Só quem acompanhou toda essa odisseia tem a real dimensão do maravilhoso e estupendo feito alcançado por tudo que foi vivido e superado desde Outubro de 2021 até agora. Parabéns!!!!

            A começar por um motor estourado ainda no caminho do primeiro Ponto Cardeal, Chuí. Seria algo tipo assim: pra desanimar no meio do caminho, pegar o boné e voltar pra casa. Na na ni na nãoooooo!!! Bora em frente que existe uma tarefa a ser cumprida.

            E assim lá se foi o primeiro duro degrau dessa magna conquista. O Sul estava no bolso. Uhuuuu!!!!

            Depois voltar ao "uai" para recarregar energias e tomada de decisão pra vida toda: seguir pelas estradas do Brasil de forma perene.

            E a saga continuou tendo que descer de BH até quase o Paraná para retomar a senda da BR - 101 e subir até Touros onde terminava a primeira etapa e, de "lambuja", fazia a conquista do segundo Ponto Cardeal na Ponta do Seixas. O Leste estava no bolso, também.

            Nesse ínterim, muito se viveu em vários lugares tornando a viagem uma verdadeira festa de congraçamento e sinergia por onde passou. Espetacular!

            Seguindo nessa seara, veio então o Ponto Cardeal mais demolidor de convicções mesmo antes de chegar até lá perto, pois só isso já é uma verdadeira aventura nível "hard", pois há que enfrentar de tudo um pouco e o fecho de outro são uns tantos km de rios, pedras, subidas, índios, poeira, lama testando de vez toda a tenacidade e determinação de qualquer ser humano que se dispõe a chegar a Uiramutã. Com todas as dificuldades e desgastes da pessoa e da moto, finalmente o Norte estava no bolso. Recompensador!!!!

            Agora, restava voltar a encarar mais dificuldades também só para chegar ao Acre e depois marchar célere rumo a Mâncio Lima superando a tudo que estava por vir até atingir o objetivo final e colocar, finalmente, o último Ponto Cardeal no bolso. "Maktub"!!!

            Sem qualquer sombra de dúvidas, uma das conquistas mais espetaculares por vários fatores: a dificuldade para angariar recursos e custear tudo isso; fazer quase um giro anti-horário por todo o Brasil sobre duas rodas com motor, enfrentar todos os perrengues inerentes ao uso e desgaste da moto por lugares tão extremos e exigentes e conseguir superar cada etapa (certamente com a ajuda de tantas pessoas que contribuíram para que lograsse êxito); a resistência física e mental necessárias para conseguir seguir sempre em frente, mesmo diante de tudo o que viveu ao longo desses anos na estrada; a capacidade de interagir e catalisar pessoas, sorrisos, abraços, apoios e muita felicidade em cada local onde parou; tudo isso movido pelo AMOR pela moto e uma dose imensurável de insanidade ao se lançar sozinha numa aventura tão grande e difícil quanto essa, sempre acreditando no seu potencial, na sua capacidade, na sua ousadia, determinação, resiliência, persistência, garra, loucura e "pouco juízo" mas que ao final provou estar 110% certa e realizou o que "qualquer um pode fazer, porém, poucos o fazem...".

            Nos provou que nunca é a moto, mas sim a piloto que faz toda a diferença. Embora, neste caso, a moto também se fez diferenciada ao resistir a tamanhas provas de resistências (elétrica, mecânica...).

            Uma obra maravilhosa que serve de exemplo e inspiração para todos nós e lhes somos eternamente gratos por isso.

            Enaltece ainda mais seu nome na Elite do Motociclismo Mundial, esse grupo de Adoráveis Insanos que viajam mundo afora e vivem a vida de forma plena e feliz.

            Assim, só nos resta colocar a foto que marcará para sempre esse momento da homologação e a escolhida é a que consideramos o ápice dessa conquista.

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            E sob o seu nome mais um selo alusivo à sua vitória.

            Pode comemorar, até comer churrasco... de carne de soja, claro, vegetariana que é. Rssss

            Que isso não para por aqui já sabemos, pois deu provas e mais provas do metal que é feita e isso nos faz projetar grandes jornadas.

            Muito obrigado por compartilhar conosco suas aventuras.

            Mais uma vez PA-RA-BÉNS!!!!

            Abração e bon voyage!!!

            Controle: Homologação nº 035/2024

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