Machu Picchu. Realizar um sonho que tive ha 25 anos atras!

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  • Joverany
    Fazedor de Chuva

    • Apr 2013
    • 224

    #1

    Machu Picchu. Realizar um sonho que tive ha 25 anos atras!

    Bom dia Fazedores de Chuva.

    Dia 05 de dezembro estaremos, minha filha e eu, saindo pra conquista de mais um sonho
    que vou relatar abaixo.

    Em 1889 servi o Exercito brasileiro, e naquele quartel ouvi falar sobre Machu Picchu, comecei
    ali a sonhar um dia estar la.
    1990 entrei pra faculdade, todos do curso combinamos de ao final da graduação irmos até
    o santuario Inca, fizemos até um caixa onde cada um contribuia com uma determinada quantia
    para realizarmos o passeio ao final dos 4 anos. Porém muitas coisas aconteceram e esse
    dinheiro poupado foi consumido em outras necessidades. Ali o sonho ficou parado, mas nao
    esquecido, em diversos momentos me imaginei indo até la e estando caminhando pelas ruas
    de Machu Picchu.
    Então mais de 25 anos depois, após muitas adversidades, alguns tombos que tive pela estrada
    da vida, Deus me permitiu mais uma vez ter vida e saúde para realizar mais esse sonho.

    Dia 05 de dezembro proximo minha filha mais velha, Fernanda, e eu estaremos subindo na
    Gildete (V Strom) e partindo rumo a esse sonho, conheceremos também as linhas de Nazca,
    caminharemos lado a lado com o Pacífico (que tanto encantou Charles Darwin) e com fé
    em Deus banharei nesse oceano.

    Hoje faltando 30 dias para girar a chave da moto (momento mais difícil segundo nosso grande
    lider dolor diz) e começar a jornada, serão 23 dias na estrada. Confesso que nao estou
    bem por conta do medo e da ansiedade, atravessar a Bolívia, andar na estrada da morte,
    atravessar o Paraguai, andar no Peru. Nesses 3 países será uma navegação a moda antiga
    pois nao temos mapa deles no GPS, usaremos mapas de papel, orientação por coordenadas
    geograficas, placas de orientação e pedindo informações a moradores.
    Então estou extremamente ansioso, tenho momentos de grande medo, vontade de chorar,
    às vezes bate desespero, vontade de largar de mao. Mas sonhos foram feitos pra serem
    sonhados e realizados. Qualquer um pode fazer, porém poucos o fazem...

    Tenho feito todo o planejamento, mas confesso que a Bolívia hoje muito me preocupa,
    combustível, pernoites, e também a estrada da morte.
    Caso algum FC tiver dicas pra me passar recebo e agradeço de coração.

    Seguirei muitas orientações em um GCFC Sinomar Godoi Tavares, ele viajava com menos
    de 70 dolares diários, viajaremos com 80 dolares diários (ser pobre nao é facil ..kkk).

    Então meus amigos relatei aqui, mais um sonho a ser realizado, mais um sonho de rapaz,
    mais um sonho de anos que nosso bondoso Deus me permitiu realizar.

    Abraços.

    RFC Joverany

    Segue abaixo o mapa com a rota.

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    O sonho é o combustível das grandes conquistas.
  • Formigao SFA
    Fazedor de Chuva

    • Dec 2012
    • 3014

    #2
    Postado originalmente por Joverany Ver Post
    Bom dia Fazedores de Chuva.

    Dia 05 de dezembro estaremos, minha filha e eu, saindo pra conquista de mais um sonho
    que vou relatar abaixo.

    Em 1889 servi o Exercito brasileiro, e naquele quartel ouvi falar sobre Machu Picchu, comecei
    ali a sonhar um dia estar la.
    1990 entrei pra faculdade, todos do curso combinamos de ao final da graduação irmos até
    o santuario Inca, fizemos até um caixa onde cada um contribuia com uma determinada quantia
    para realizarmos o passeio ao final dos 4 anos. Porém muitas coisas aconteceram e esse
    dinheiro poupado foi consumido em outras necessidades. Ali o sonho ficou parado, mas nao
    esquecido, em diversos momentos me imaginei indo até la e estando caminhando pelas ruas
    de Machu Picchu.
    Então mais de 25 anos depois, após muitas adversidades, alguns tombos que tive pela estrada
    da vida, Deus me permitiu mais uma vez ter vida e saúde para realizar mais esse sonho.

    Dia 05 de dezembro proximo minha filha mais velha, Fernanda, e eu estaremos subindo na
    Gildete (V Strom) e partindo rumo a esse sonho, conheceremos também as linhas de Nazca,
    caminharemos lado a lado com o Pacífico (que tanto encantou Charles Darwin) e com fé
    em Deus banharei nesse oceano.

    Hoje faltando 30 dias para girar a chave da moto (momento mais difícil segundo nosso grande
    lider dolor diz) e começar a jornada, serão 23 dias na estrada. Confesso que nao estou
    bem por conta do medo e da ansiedade, atravessar a Bolívia, andar na estrada da morte,
    atravessar o Paraguai, andar no Peru. Nesses 3 países será uma navegação a moda antiga
    pois nao temos mapa deles no GPS, usaremos mapas de papel, orientação por coordenadas
    geograficas, placas de orientação e pedindo informações a moradores.
    Então estou extremamente ansioso, tenho momentos de grande medo, vontade de chorar,
    às vezes bate desespero, vontade de largar de mao. Mas sonhos foram feitos pra serem
    sonhados e realizados. Qualquer um pode fazer, porém poucos o fazem...

    Tenho feito todo o planejamento, mas confesso que a Bolívia hoje muito me preocupa,
    combustível, pernoites, e também a estrada da morte.
    Caso algum FC tiver dicas pra me passar recebo e agradeço de coração.

    Seguirei muitas orientações em um GCFC Sinomar Godoi Tavares, ele viajava com menos
    de 70 dolares diários, viajaremos com 80 dolares diários (ser pobre nao é facil ..kkk).

    Então meus amigos relatei aqui, mais um sonho a ser realizado, mais um sonho de rapaz,
    mais um sonho de anos que nosso bondoso Deus me permitiu realizar.

    Abraços.

    RFC Joverany

    Segue abaixo o mapa com a rota.

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    Boa tarde, Joverany!

    Indico que use o Maps.me no celular e baixe os mapas da Bolívia, Paraguai e todos que quiser, este é um GPS offline. Já viajei muito com esse app e digo que é ótimo, quase excelente, nem tudo é perfeito, pois o mesmo gasta um tanto de bateria do celular, mas se mantiver em trechos conhecido o app em segundo plano(celular apagado), dará para usar o dia inteiro. Treine com o app antes de sair de casa. O app traça rotas de ponto a ponto, não deixe de levar mapas de papel, pois sempre resolvem dúvidas.
    Compre um suporte de celular para prender na moto, uso um na moto que acho confiável, porém o preço é um pouquinho salgado, mas o produto é bom, marca RAM, tem para vender nesse link http://www.maregps.com.br/shop/ram-h...scription=true, compre também o suporte para prender esse conjunto links http://www.maregps.com.br/shop/ram-b...Base%20Tubular e http://www.maregps.com.br/shop/ram-b...rch=RAM-B-201U. Verifique as especificações antes de comprar, se assim desejar.

    Bons ventos na terra dos Incas!
    Abraços formiguentos,

    sigpic

    Formigão NRME
    "Levantando Poeira"

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    • Joverany
      Fazedor de Chuva

      • Apr 2013
      • 224

      #3
      Obrigado pela dica..
      Ja baixei o aplicativo no celular, estou testando e pelo que estou notando será perfeito para nos ajudar na viagem...
      Muito obrigado pela excelente dica.
      O sonho é o combustível das grandes conquistas.

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      • Lucas Carcará
        Fazedor de Chuva
        • May 2017
        • 3

        #4
        Boa tarde Fera,

        Seu roteiro parece incrível.
        Não tenho muito a indicar pois, como você, estou na ansiedade para que chegue logo a data.
        Farei um percurso parecido em 2018, mas passando pelo Acre.

        Conte-nos tudo e envie fotos, vou ficar aqui de olho e torcendo por você.

        Comentário

        • Joverany
          Fazedor de Chuva

          • Apr 2013
          • 224

          #5
          Apos quase um ano de inicio e termino dessa viagem, estou aqui para contar o que passamos.
          Peço desculpas pelo meu atraso, tive muitos problemas pessoais que me impediram até mesmo de
          acessar o site dos FCs para saber dos acontecimentos.
          Fiz um relado pessoal da viagem, uma especie de diário, enquanto tudo estava fresco na memoria,
          então esse conteúdo irei editar e postando aqui.
          abraços a todos
          RFC Joverany
          O sonho é o combustível das grandes conquistas.

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          • Joverany
            Fazedor de Chuva

            • Apr 2013
            • 224

            #6
            Os anos que antecederam a viagem, logo se transformaram em meses, dias e finalmente em apenas horas foram de planejamentos, estudos, conversas, busca de historias, experiências, cálculos, economias, enfim um período em que meu maior objetivo era realizar esse sonho, era o que me motivava e me impulsionava para respirar e continuar vivo nesta nave chamada vida. A medida que o tempo passava a ansiedade e o medo aumentavam, pois o desconhecido nos esperava, sempre que procurava um viajante que passou pelos mesmos caminhos o medo aumentava pois poucas informações nos eram passadas, as poucas que recebíamos eram as mais amedrontadoras possíveis. Ouvi muito as frases: “Bolívia? Se prepare pra sofrer com falta de combustível, comida, estradas ruins e polícia corrupta.” “Vai passar pelo trecho entre Cusco e Nazca? Foi lá onde mais sofri frio na minha vida.” “A polícia da Argentina me levou uma quantia de pesos como propina.” “No Paraguai a polícia é corrupta, é comum assaltos com morte, país difícil de atravessar.” Enfim apenas um motociclista, GCFC Sinomar Tavares, e um amigo, Marcelo, me falavam frases motivacionais para acreditar que tudo seria bom e tranquilo.
            Quando os dias se aproximaram da data programada veio o medo, e tinha que ir com medo mesmo, desistir de um sonho seria o mesmo que sepultar um pedaço do meu ser. Me recordo quando olhei pra moto na sala de minha casa, pensei que iria pô-la pra fora e só voltaria depois de um mês. Então percebi que o momento tinha chegado, entrei em crise de choro pois tinha medo de não voltarmos vivos. Então pus a mão na massa e comecei a “montar” a motocicleta para a viagem. E com a graça de Deus dia 05 de dezembro de 2017, 8h começamos nossa aventura que narrarei a seguir.
            O sonho é o combustível das grandes conquistas.

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            • Joverany
              Fazedor de Chuva

              • Apr 2013
              • 224

              #7
              Primeiro dia, Morrinhos-GO até Inocência-MS. Saímos no horário programado e combinado, uma longa viagem precisa de disciplina e um atraso logo na saída seria um problema. Então pegamos a estrada por volta de 9h, pois tinha que fazer algumas despedidas, meu mecânico Thiago, meu amigo e irmão de fé Jeremias, minha mãe e ter a companhia de um irmão motociclista Deivty Amador que nos deu um bota fora. Como esta viagem não seria comum e os imprevistos iriam nos acompanhar dia a dia, esqueci de levar minha carteira de identidade, e sem a mesma não atravessaria a fronteira do Brasil, fui socorrido pelo Deivty Amador que a levou até mim na estrada. Quero abrir um espaço aqui pra mencionar que a grande motivação pra escrever essa história foi a grande quantidade de imprevistos tornando a viagem um desafio diário. Acredito que esses fatos se devem aos acontecimentos que antecederam os dias de partida pois não pude estudar estradas, clima, taxas de câmbio e situação econômica dos países envolvidos. Neste primeiro dia de jornada destaco aqui um comboio de motociclistas que encontramos na cidade do Prata-MG, estes estavam indo para Santa Catarina, minha filha Fernanda disse-lhes onde estávamos indo, senti um clima de “não acredito!” no ar, saliento também uma forte chuva que caiu na cidade de Paranaíba-MS, onde uma fortíssima enxurrada começou a arrastar uma moto e esta quase derrubou minha moto, me obrigando a sair feito louco na chuva pra socorrer nossa guerreira. Me lembro de comentar um fato da juventude onde viajava a Brasília em um ônibus que fazia a rota Paranaíba/Brasília, sempre quis conhecer seu ponto de partida. Pouco depois que a chuva parou seguimos até Inocência, local onde fizemos nossa primeira janta em um quarto de hotel, já visando uma economia de dinheiro, que poderia ser útil em algum momento posterior.

              Quando fomos tomar café da manhã encontramos pessoas que perguntaram sobre a viagem, de onde estávamos vindo e para onde iríamos, um homem que era chofer de uma poderosa senhora achou por bem me dar duas páginas de uma oração aconselhando-me a fazê-la todos os dias, conselho que acabei não seguindo, penso que deveria pois os problemas vindouros nos castigaram física e emocionalmente. Assim que saímos do hotel fomos em um posto de saúde para tomar vacinas que acreditei serem necessárias em vários países, algo que não aconteceu e fui vítima de 3 agulhadas sem necessidade apenas pra seguir conselhos de pessoas que, creio eu, viajaram pra vários países “sentadas no sofá da sala”. Fomos pra estrada e vivi um fato curioso sobre as chuvas mato-grossenses, víamos a chuva, vestíamos a capa para atravessa-la mas sua extensão não passava de 2 quilômetros. Após o almoço passamos pela capital Campo Grande, embaixo de uma senhora chuva, trânsito lento, confuso e asfalto de má qualidade, esses fatores me fizeram propor nunca mais passaria por aquela cidade. Pouco depois da capital passamos por Aquidauana, me recordei de quando assisti a novela pantanal sempre mencionando essa cidade como um local de grande comercio de gado, imaginei ser uma grande cidade com leilões ou locais para compra e venda de gado, fiquei decepcionado pois não foi como pensava. Mais a tarde entramos no pantanal, região plana e com muito calor, fiquei aborrecido por não encontrar nenhum jacaré, atravessando a estrada. Um bom trecho do pantanal parecia ser desabitado e quando haviam habitações não existia um hotel ou camping para pernoitarmos, o cansaço estava dominando, dores no corpo sendo necessário uma parada para alongar e melhorar as dores, mas pergunta se a coragem deixava parar, o medo de parar e levar uma “bocada” dum jacaré me fazia suportar o sofrimento e seguir em frente até chegarmos em Corumbá-MS, fronteira com a Bolívia, isso já por volta de 22h. No hotel onde ficamos o proprietário ficava questionando para onde iríamos e como estávamos indo, gentilmente nos cedeu um galão de 10 litros, ele sabia do que estava falando pois esse foi útil ao extremo na travessia da Bolívia. Não fizemos a janta dentro do hotel, então sai para comprar algo em um pit-dog envolvido no medo, pois muito me “aterrorizaram” sobre essa cidade, e não notei tanto perigo assim em suas ruas e avenidas.

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              Última edição por Joverany; 07-11-18, 21:19.
              O sonho é o combustível das grandes conquistas.

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              • Joverany
                Fazedor de Chuva

                • Apr 2013
                • 224

                #8
                No dia seguinte levantamos cedo e caprichamos no café da manhã. Nos foi informado que na Bolívia, a comida pela Ruta 4 além de ruim era escassa. Fomos pra fronteira já preparados pra ficar 3 horas ou mais nos tramites aduaneiros. Chegamos sob chuva, não consumimos 3 horas, mas confesso que o serviço da polícia federal brasileira precisa ser revisto, o horário de início deveria ser 8h mas os funcionários chegaram por volta de 8h e 30 minutos e só começaram a trabalhar quase 9h, sendo que os mesmos saíam de suas cabines pra fumar, ou ficavam no celular literalmente ignorando a pessoa que estava ali em sua frente, me recordo de uma pessoa que se queixou da demora porque tinha horário pra pegar ônibus e levou uma senhora bronca do agente da polícia federal. Feito toda a tramitação chegou a hora de enfrentar a tão mal falada Bolívia, e pra mostrar que sou corajoso já entrei no país com o tanque da moto na reserva, um descuido meu porque fui aconselhado encher o tanque no lado brasileiro. Para minha surpresa fui até o posto de combustível com o galão e sem a menor cerimônia o frentista o encheu e ali comecei a jornada no país vizinho já de tanque cheio, para contrariar os “conselheiros” no período pre-viagem.
                Depois de vários quilômetros no território boliviano começamos a sentir na pele as histórias contadas por outros viajantes, a fome sendo saciada por pão com salame e a única água era de nossos cantis. Estradas excelentes, clima pantaneiro e quente. Resultado foi que a ficamos sem água e a sede apertou e muito, então naquele desespero atrás de qualquer líquido decidi seguir o conselho de um velho motociclista estradeiro, Sinomar Tavares, parei num “moquifo” pra pedir água, como ele dizia, ninguém deixa de dar a bebida a um viajante. Parei a moto e fui até uma moça fazer meu pedido, mas lá notei que tinha água para venda e a um preço quase irrisório, vi também uma mesa grande com cadeiras e deduzi que poderia ser um restaurante, então perguntei se havia comida. Tinha bebida e uma comida deliciosa feita na hora. Então ali percebi que pra se dar bem na Bolívia basta “baixar a bola” e não querer luxo. o país é pobre lembrando-me muito minha cidade nos anos de 1970.
                Almoçamos bem, matamos a sede e ainda levamos água pro restante do dia, então seguimos viagem e sempre que encontrava um posto ali parava e enchia o tanque usando o galão ganhado em Corumbá-MS, quero ressaltar que o combustível era algo que muito me preocupava e consumiu dias e horas de estudos pra tentar não ter uma pane seca ou pagar preços exorbitantes pela gasolina, e nada disso aconteceu, em todos os postos tinha gasolina e o preço era menos da metade do que paguei no Brasil, a comida a mesma situação, farta e saborosa, hotéis bons e baratos, pra ser feliz naquele país basta ser humilde e aceitar o que a estrada oferecer. Quase anoitecendo chegamos a San Jose de Chiquitos e lá mais um dos “conselhos” que recebi caiu por terra. Paramos em um restaurante e perguntei por hotel, na maior naturalidade um rapaz pegou sua moto e me falou que nos levaria até um sem cobrar um centavo sequer, apenas pelo prazer de ajudar. Percorrendo o território boliviano notei o quanto seu povo é amigo e acolhedor, parecendo mesmo que o defeito do ser humano é a diferença de classe social, lá todos são pobres, felizes e amigos. Evidente que o hotel que o rapaz nos levou era bem longe do meu bolso, acho que todos olhavam o tamanho da moto e já pensavam que éramos endinheirados, então procuramos por um outro mais barato e que cabia dentro de nossa cota diária que eram U$ 80,00, lá ficamos bem acomodados, como gentileza a gente paga com gentileza, fomos caminhando até o restaurante de nosso guia jantar, penso que seria uma falta de consideração não dar preferência a ele. Ali realmente experimentamos comida e tempero estrangeiro. Voltamos pro hotel já bem escuro e com medo, mas medo por quê? Bobagem! La ninguém queria nos assaltar, atravessamos aquele pais de leste a oeste sem ver um presídio sequer, na verdade é bem mais seguro e tranquilo que nosso país natal, infelizmente.

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                O sonho é o combustível das grandes conquistas.

                Comentário

                • Gilmar Dessaune
                  Fazedor de Chuva

                  • Oct 2012
                  • 6891

                  #9
                  Bom dia RFC Joverany,

                  Que maravilha mais uma mega aventura na cia de sua filha, muito legal isso, parabéns a ambos.

                  Seus relatos servem pra desconstruir "procedimentos" e "conceitos" de viagens de moto. Eu sou meio assim: penso, logo me viro. Lógico que num vou pra estrada sem estudar um básico tipo distância entre postos de combustível, mas num gosto de ultra detalhes, mesmo porque eu não tenho nenhum temor de rodar à noite, então dar uma esticada sempre acaba acontecendo.

                  Excelentes suas observações quanto aos parâmetros de convívio na Bolívia, como viajantes devemos nos tornar algo como uma massa de modelar, pra ir nos ajustando pelo caminho afora e não querendo que pessoas, culturas, países se ajustem ao que queremos que sejam. É aí que entra a tal humildade que você tão propriamente menciona, parabéns.

                  Estou curtindo demais essa aventura e ávido pelos próximos capítulos.

                  Abração

                  Comentário

                  • brunomadeiros
                    Fazedor de Chuva
                    • Oct 2018
                    • 10

                    #10
                    Muito bom poder acompanhar a aventura de vocês.

                    Na estrada é tudo bem assim, aparências enganam e o preconceito de classes transmite insegurança para aqueles que não calçam os sapatos da humildade.

                    Parabéns pela viagem e fico ansioso pelos novos capítulos dessa história.

                    Comentário

                    • Joverany
                      Fazedor de Chuva

                      • Apr 2013
                      • 224

                      #11
                      Antes de chegarmos a San Jose de Chiquitos, uma linda paisagem nos deixou encantados, uma visão de vários maciços rochosos estilo Grand Canyon na região de um município chamado Chochis, naquele ponto a Bolívia já mostrando suas belezas naturais. Uma delas era uma imensa rocha, com uns 200 metros de altura, estilo um monólito circular, destacava-se a distância sendo contornava pela estrada dando a impressão de que não era circular e sim constantemente acompanhando a estrada, só percebemos seu formato ao vermos no hotel um quadro exibindo-a, mostrei a minha filha por onde passamos ela olhou a estrada e pensou ser um caminho de trem de ferro, depois de uma análise minuciosa foi que ela concordou comigo de que foi por onde passamos com a moto.
                      Seguindo a viagem rumo a Santa Cruz de La Sierra, onde pernoitaríamos encontramos vários carros com brasileiros e inclusive fizemos amizade com algumas dessas pessoas que estavam indo também para a mesma cidade que nós, iriam pra uma formatura de uma das filhas. Parece-me que em Santa Cruz existem vários brasileiros fazendo faculdade, não sei a razão mas imagino que o baixo custo de vida e facilidade para estudar sejam os grandes atrativos.
                      Pelo caminho vi algumas pessoas que se destacavam na multidão de bolivianos, o diferencial era seu vestuário e comportamento. Os homens vestiam macacão, camisas com mangas longas e boné, desde os mais jovens até o mais idosos, as mulheres com vestidos feitos a mão e não pronunciavam uma palavra sequer. Peguntei a um amigo morador e estudante em Santa Cruz quem eram essas pessoas e ele me disse que se tratavam dos menonitas, e segundo o mesmo esse povo se envolve com trabalhos na agricultura e possuem regras e costumes próprios, um desses costumes é subjugar as mulheres sendo comum algumas fugas das mesmas com intuito de libertarem-se e procurar uma condição de vida melhor.
                      Em San Jose do Chiquitos tomamos um cafe da manhã na rua, alias em nenhum hotel boliviano era servido. Então é comum por la as pessoas colocarem nas portas de suas casas, uma mesa com comida e bebida a venda, paramos e conhecemos uma gostosura boliviana, "empanada", muito se parece com esfirra, porém achamos muito saborosa, gostamos tanto que a todo momento que paravamos para lanchar era nossa primeira opção, na noite anterior comemos um prato tipico, "pollo com papa frita", frango com batata frita. Nossa! Comemos tanto que chegou um momento na viagem que ja não aguentávamos mais a frase Pollo com papa frita... kkkkk

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                      Pollo com papa frita

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                      Café da manha, olha a empanada.

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                      Chochis

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                      Estrada boliviana, ruta 4, pavimento de concreto.
                      O sonho é o combustível das grandes conquistas.

                      Comentário

                      • Joverany
                        Fazedor de Chuva

                        • Apr 2013
                        • 224

                        #12
                        Em Santa Cruz de La Sierra fomos “cambiar” dinheiro, tarefa que não foi nada fácil pois não temos mapas da bolivia e os caminhos eram feitos por placas e informações das pessoas pelo caminho. Para fazer a compra de “bolivianos” encontrei uma dificuldade e acho que fiquei desorientado pois não sabia como estacionar a moto nas ruas, não podia pô-la perpendicular ou paralelo à calçada, pois cada um me dava uma informação diferente. Então a solução foi pagar e deixar em um estacionamento privado. Porem antes de adentrar na cidade encontramos um banco às margens da rodovia, la tentamos fazer a troca de Real para Boliviano, seria possível se tivéssemos com passaporte, documentos que não adquirimos por falta de dinheiro, seriam algo em torno de 160 dólares a menos, e poderiam mesmo fazer alguma falta.
                        Voltando a estrada a moto tinha boa autonomia de combustível e procurei sempre andar com o tanque com pelo menos metade, então fui até um posto tentar abastecer e la entendi que a região estava começando a passar por uma crise de falta de abastecimento de combustíveis, esse fato me preocupou, pois ainda faltava um longo trecho de Bolívia para trafegar, meu consolo foi estar indo para as grandes cidades e com certeza por la encontraria gasolina em algum posto.
                        Neste dia aprendi uma grande lição no trânsito que me serviu para todos os países andinos por onde passamos. Notei que nas estradas nenhum veículo respeitava nossa moto, então um motociclista me ensinou como andar e ser respeitado, trafegando pelo acostamento, o que é literalmente condenado, criticado e ilegal aqui no Brasil é a solução para se andar bem e com segurança por lá, então passei a fazer o mesmo e nossos problemas estradeiros acabaram, ainda bem porque o transito estava lento e pesado, começamos a subir a cordilheira dos andes, nesse trecho muitas curvas e a floresta amazônica dando um verdadeiro espetáculo, imponente, árvores gigantes, densa, clima quente e úmido, nos deixando impressionados e encantados com tamanho poder e beleza. Minha filha já começou a dar sinais de problemas de saúde, a sinusite estava mostrando que os dias vindouros seriam bem difíceis, nos hotéis onde dormimos e dormiríamos possuíam ar-condicionado, item essencial para ter noites tranquilas, porém esse aparelho prejudicava a fernanda e sem ele não conseguíamos dormir, então realmente esse problema respiratório iria por em prova nossa vontade de continuar viajando.

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                        moto no acostamento e com uma especie de guarda chuva que so protege mesmo é do sol.

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                        floresta amazonica na bolivia

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                        Caldo de frango, na verdade agua com tempero e arroz, um baita pedaço de frango.
                        Nao achei saboroso.
                        O sonho é o combustível das grandes conquistas.

                        Comentário

                        • Joverany
                          Fazedor de Chuva

                          • Apr 2013
                          • 224

                          #13
                          Paramos para pernoitar em Santa Fé, em um hotel a beira da estrada o barulho por causa do movimento intenso seria um desafio para conseguir desligar e dormir, tomamos um banho em um banheiro terrível, pois a água não estava na temperatura que queríamos. Como de costume saímos a caminhar para melhorar as dores pelo corpo. No caminho até a praça central da cidade encontramos uma senhora tipicamente vestida estava vendendo umas frutinhas amarelas, minha filha estava curiosa pra conhecer e experimentar mais uma comida típica do país. Estava sendo vendido um saco imenso com no mínimo 50 frutinhas por 10 bolivianos, então como não podemos levar carga na moto e só queríamos conhecer o fruto, ofereci 5 bols em 5 frutinhas, mas a senhora achou que estava fazendo algo errado e nos deu umas 20 pelo preço que ofereci e ensinou como abrir para saborea-la, fiquei pensando se fosse no Brasil como seria tratada essa situação. Então na praça paramos e começamos a comer, meio azedo meio adocicada, lembrando uma pitanga fruto do cerrado. A seguir jantamos, eu como sempre experimentando uma comida nova então preferi um sanduiche e arrependi pois o tempero nada me agradou.
                          Quero abrir um espaço aqui para mencionar duas coisas que começaram a nos chatear, banheiro e wifi. Chegávamos nos locais para pernoitar, víamos anúncio de água quente e sinal wifi, e o comum era ter somente uma ou outra, nunca ambas, chegamos a um ponto que falei que antes de adentrar gostaria de testar chuveiro e sinal de internet, fizemos isso mas parecia piada, funcionava bem até usarmos depois começavam os problemas, quero mencionar isso abaixo, mas alguns lugares creio ter esquecido.

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                          O sonho é o combustível das grandes conquistas.

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                          • Joverany
                            Fazedor de Chuva

                            • Apr 2013
                            • 224

                            #14
                            A subida da cordilheira dos andes inicia-se oficialmente no trecho entre Santa Fé e Cochabamba, nesse caminho começaram os desafios da viagem, curvas constantes, a estrada que era perfeita já apresenta remendos e obras pelo percurso, a floresta amazônica mostra sua imponência, árvores gigantes que nas montanhas pareciam ainda maiores e a chuva era forte e o frio começava a torturar. Passamos por um túnel “macabro” algo que não deveria existir no mundo, era todo cavado na rocha não tinha sinalização horizontal ou vertical, nenhuma iluminação, a rocha toda úmida refletia o farol da moto e tudo se transformava numa escuridão total, assustei com aquela falta de rumo, notei a minha direita ratos grandes, dignos de amedrontar um gato, eles corriam pros lados seguindo um pequeno curso de água, então vi que onde eles estavam era a lateral da estrada, daí que me orientei por eles e segui até sair do túnel que deveria ter uns 500 metros de muito medo. Então todas essas combinações tornaram esse percurso difícil e lento, consumimos quase o dia todo apenas nesse trecho com pouco mais de 300 km. No almoço já começamos a enjoar da comida “estrangeira”, tempero diferente que não consigo descrever, os pratos eram compostos de entrada com um caldo com bastante água temperada e alguns pedaços de verdura e arroz, parecendo uma sopa de arroz, depois vem o principal que normalmente era carne com algum outro componente e suco ou chá. Minha filha não come porco e nem peixe, carne vermelha também não com medo de ser lhama, então sobrou-nos repetidamente “pollo com papa frita”, frango com batata frita. Chegamos em Cochabamba já escurecendo, tamanho foram as dificuldades do dia.
                            Chegando no hostel tive um grande susto. Dei uma olhada geral no estado da moto e notei que o liquido de arrefecimento foi todo embora, fiquei extremamente preocupado pois estava muito longe de casa e um problema como este poderia acabar com a viagem. Mas no outro dia cedo vi que fiz a leitura errada e fiquei bem mais tranquilo. A noite fomos jantar e também a uma farmácia onde minha filha, já sentindo a viagem estava com o nariz entupido e mal conseguindo respirar, estava também com uma cólica renal. A gente meio perdido entre o que a farmacêutica dizia pois o espanhol dela não era fácil de entender, então uma mulher falou em um bom português qual o melhor remédio, então falei pra fernanda, “vamos então ficar com este que ela falou, e a mulher fala português hein!”, ela riu e nos contou que era brasileira e já não conseguia falar nosso idioma com fluência. Minha garupa nesse ponto da viagem começou muito a me preocupar, pois não estava respirando bem e tínhamos trechos de grande altitude pela frente com ar rarefeito, respirar portanto era algo fundamental e como ela se encontrava, essa tarefa parecia impossível. Voltar seria uma solução? Me fiz essa pergunta várias vezes pelos dias que se seguiram, então apartir daquele local nossa viagem começou a deixar de ser passeio e se transformou em uma verdadeira aventura, onde experimentamos e conhecemos nosso limites físico e emocional.
                            Como falei anteriormente wifi e chuveiro seria uma de nossas sinas, em Cochabamba o sinal wifi era inconstante, na maior parte do tempo ficamos sem esse recurso o que nos salvou foi ter adquirido na entrada da Bolívia um chip de celular com crédito suficiente pra atravessar o país. O chuveiro dava medo tomar banho, quando ligava a água saía pra todos os lados, inclusive vazando deixando a gente com medo de ser eletrocutado, reclamamos e o funcionário foi lá, deu um apertozinho e achou que tinha resolvido, mas o problema continuou então o jeito foi enfrentar.

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                            Esta postagem minha filha pôs no facebook dela. Quando vi achei que valeu a pena todo o sofrimento dessa viagem.
                            E faria tudo outra vez.
                            Última edição por Joverany; 19-11-18, 21:28.
                            O sonho é o combustível das grandes conquistas.

                            Comentário

                            • PedroRider
                              Fazedor de Chuva

                              • Jul 2018
                              • 64

                              #15
                              Muito bacana RFC Joverany!!!

                              Continue postando as lembranças!

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