Mais um pouco do 14º post
Albuquerque, Novo México
De manhã, depois de rodar um trechinho urbano original da Santa Fé Old Trail, passamos na Harley-Davidson para trocar pneu e lonas do freio traseiro que acabou ontem (510 dólares). Segurança acima de tudo. Quando terminaram os serviços, já avançada a amanhã, fomos diretamente para Madrid (200 habitantes), uns 50 Km a Sudoeste de Santa Fé, viajando pela Trilha da Turquesa, uma estrada-paisagem (scénic-highway) lindíssima, com curvas na medida certa, morros e formações rochosas interessantes e foram cenário do filme Wild Hogs (Motoqueiros Selvagens). Madrid era uma cidade-fantasma desde 1970 e agora, graças a Maggie, dona do Diner, e ao filme, voltou a viver do turismo e da venda de souvernirs. O restaurante Diner, da Maggie, agora é loja de venda de souvernirs, camisetas principalmente (http://www.wildhogsmadridnm.com/maggiesdiner.htm), com uma placa na entrada dizendo que ali não é um restaurante. As mesas e o balcão viraram prateleiras. Quando saímos ele estava fechando. Daí seguimos uns 70 Km no rumo Sul para Albuquerque, a mais populosa cidade do Novo México com 560 mil habitantes aproximadamente, na ponta Norte do Deserto de Chihuahua, a 1.619 metros de altitude, perto da borda do platô do Colorado, onde pernoitamos no Motel 6 e fomos mais uma vez premiados com um belíssimo entardecer nublado, quase às nove da noite. Nesse dia rodamos só uns 120 Km.
Gallup, Novo México
O amanhecer em Albuquerque provou que o céu do Novo México é lindo em qualquer tempo, nublado inclusive. Albuquerque é também uma bela e espalhada cidade. Na saída pela Route 66 encontramos uma fotógrafa ajustando as lentes para captar esse céu maravilhoso. Albuquerque concentra um terço da população do Novo México. Chegamos e saímos dela pela Route 66 e da periferia ao centro rodamos cerca de treze quilômetros. No centro são poucos os edifícios altos. Esse controle da verticalização e do crescimento das cidades parece ser uma boa explicação para o bom funcionamento delas nos Estados Unidos. Conclusão oposta vale para as nossas cidades brasileiras. Exatamente por funcionar bem é que saímos cedo para passear tranquilamente pela Old Town e visitar alguns ícones da Route 66, como o Diner 66. No centro também foi tranquilo chegar ao Teatro Kimo. Depois foi só pegar a Route 66 no rumo Oeste até Gallup, um passeio entre muitos remanescentes da Rota, tantos que só olhávamos sem sequer parar para fotografar. Mas paramos na antiga ponte de ferro sobre o Rio Puerco, 30 a Oeste de Albuquerque, perto do Route 66 Casino Hotel. Ziguezagueando entre a I-40 e a Velha Rota 66, foram cerca de 200 Km de paisagens espetaculares sob o maravilhoso céu do Novo México. Era fácil esquecer o GPS e passar batido na saída para algumas atrações. O calor foi grande - rodamos agora sob o inclemente clima desértico - e o camel bag com gelo nas costas acabou logo. Mas deu para parar junto à placa do Chaco Canyon, que é pequeno, mas sua importância está em que ele guarda os vestígios da cultura Chaco e a placa fica bem ao lado da Route 66. Saímos uns poucos quilômetros da Route 66 para visitar o antigo Fort Wingate, instalado onde hoje está a placa e depois removido para as proximidades de Gallup, sempre com a missão de combater os Navajos. As expedições eram comandadas pelo lendário Kit Carson, aquele dos gibis da nossa infância e adolescência lá em Bragança. Chegar a Gallup pela Route 66 e conseguir vaga no motel do histórico hotel El Rancho (El Rancho Hotel Historic Site) era tudo o que precisávamos para escapar do calor bravo. Foi nele que eu e Araceli ficamos hospedados em 2013 (agora ficamos no motel El Rancho, ao lado). Além de ser um local histórico da Rota 66 reconhecido pelas autoridades, o hotel El Rancho tem um excelente restaurante onde os pratos - como os quartos - tem nomes de artistas de cinema. Escolhi o Doris Day, contrafilé com fatias grossas de batata frita sobre uma torrada no estilo texano (e contrariando o rótulo harmonizou com a poderosa Marble Red Ale). Valcir Alberto foi de Ronald Regan, um hambúrguer no prato. Ele gostou. Parece que não era canastrão como o homenageado, a julgar pela satisfação do Valcir. E Araceli, a garçonete que nos atendeu em 2013 foi promovida e agora é caixa. A simpatia continua a mesma. O hotel e o restaurante são às antigas. Nada de máquinas de refrigerantes (argh!) e de café. Por isso mesmo tem muitos empregados. Vida longa para Araceli e para El Rancho, sob as bênçãos de seu proprietário, Armand Ortega Senior, que morreu em julho de 2014 e agora é nome de boulevard. Gallup fica no coração do Indian Country. O céu e as paisagens deslumbrantes do Novo México atraíram fotógrafos e, logo, a indústria cinematográfica. Em 1937 um irmão de D. W. Griffifth construiu o Hotel El Rancho para servir de quartel-general para as locações de filmes. E foram muitos entre os anos quarenta e sessenta do século passado. Astros e estrelas se hospedavam aqui e deixavam registros no livro de hóspedes e nas fotos autografadas. Em The Bad Man, de 1940, Ronald Reagan era ator coadjuvante. Em The Hallelujah Trail (1964) o astro era Burt Lancaster. Por isso os quartos não tem números, mas sim nomes de artistas, como os pratos do cardápio do restaurante. As referências ao cinema estão por todos os lados e caminhando pelo hotel parece que vamos topar com algum desses astros. Com a construção da moderna Interstate 40 (I-40) e o declínio da Route 66 o hotel entrou em decadência até ser comprado e restaurado por Armand Ortega, um galerista de arte indígena famoso no mundo inteiro. Hoje El Rancho é o quartel-general do Inter-Tribal Indian Ceremonial que é realizado em Gallup no mês de agosto há sessenta anos. Outras tribos frequentam este santuário da Route 66, como motociclistas - junto conosco chegaram vários - colecionadores de carros antigos, peregrinos da Rota 66 e por aí afora. O lobby funciona como um ímã e quem senta em uma das confortáveis poltronas de madeira não tem vontade de sair. Foi meu caso. O pequeno jardim é cenário para fotos de aniversários e casamentos. O maravilhoso entardecer desse dia foi por volta de nove horas da noite outra vez. E quando a noite caiu os neóns e placas luminosas do El Rancho produziram um efeito fantástico e inesquecível.
Albuquerque, Novo México
De manhã, depois de rodar um trechinho urbano original da Santa Fé Old Trail, passamos na Harley-Davidson para trocar pneu e lonas do freio traseiro que acabou ontem (510 dólares). Segurança acima de tudo. Quando terminaram os serviços, já avançada a amanhã, fomos diretamente para Madrid (200 habitantes), uns 50 Km a Sudoeste de Santa Fé, viajando pela Trilha da Turquesa, uma estrada-paisagem (scénic-highway) lindíssima, com curvas na medida certa, morros e formações rochosas interessantes e foram cenário do filme Wild Hogs (Motoqueiros Selvagens). Madrid era uma cidade-fantasma desde 1970 e agora, graças a Maggie, dona do Diner, e ao filme, voltou a viver do turismo e da venda de souvernirs. O restaurante Diner, da Maggie, agora é loja de venda de souvernirs, camisetas principalmente (http://www.wildhogsmadridnm.com/maggiesdiner.htm), com uma placa na entrada dizendo que ali não é um restaurante. As mesas e o balcão viraram prateleiras. Quando saímos ele estava fechando. Daí seguimos uns 70 Km no rumo Sul para Albuquerque, a mais populosa cidade do Novo México com 560 mil habitantes aproximadamente, na ponta Norte do Deserto de Chihuahua, a 1.619 metros de altitude, perto da borda do platô do Colorado, onde pernoitamos no Motel 6 e fomos mais uma vez premiados com um belíssimo entardecer nublado, quase às nove da noite. Nesse dia rodamos só uns 120 Km.
Gallup, Novo México
O amanhecer em Albuquerque provou que o céu do Novo México é lindo em qualquer tempo, nublado inclusive. Albuquerque é também uma bela e espalhada cidade. Na saída pela Route 66 encontramos uma fotógrafa ajustando as lentes para captar esse céu maravilhoso. Albuquerque concentra um terço da população do Novo México. Chegamos e saímos dela pela Route 66 e da periferia ao centro rodamos cerca de treze quilômetros. No centro são poucos os edifícios altos. Esse controle da verticalização e do crescimento das cidades parece ser uma boa explicação para o bom funcionamento delas nos Estados Unidos. Conclusão oposta vale para as nossas cidades brasileiras. Exatamente por funcionar bem é que saímos cedo para passear tranquilamente pela Old Town e visitar alguns ícones da Route 66, como o Diner 66. No centro também foi tranquilo chegar ao Teatro Kimo. Depois foi só pegar a Route 66 no rumo Oeste até Gallup, um passeio entre muitos remanescentes da Rota, tantos que só olhávamos sem sequer parar para fotografar. Mas paramos na antiga ponte de ferro sobre o Rio Puerco, 30 a Oeste de Albuquerque, perto do Route 66 Casino Hotel. Ziguezagueando entre a I-40 e a Velha Rota 66, foram cerca de 200 Km de paisagens espetaculares sob o maravilhoso céu do Novo México. Era fácil esquecer o GPS e passar batido na saída para algumas atrações. O calor foi grande - rodamos agora sob o inclemente clima desértico - e o camel bag com gelo nas costas acabou logo. Mas deu para parar junto à placa do Chaco Canyon, que é pequeno, mas sua importância está em que ele guarda os vestígios da cultura Chaco e a placa fica bem ao lado da Route 66. Saímos uns poucos quilômetros da Route 66 para visitar o antigo Fort Wingate, instalado onde hoje está a placa e depois removido para as proximidades de Gallup, sempre com a missão de combater os Navajos. As expedições eram comandadas pelo lendário Kit Carson, aquele dos gibis da nossa infância e adolescência lá em Bragança. Chegar a Gallup pela Route 66 e conseguir vaga no motel do histórico hotel El Rancho (El Rancho Hotel Historic Site) era tudo o que precisávamos para escapar do calor bravo. Foi nele que eu e Araceli ficamos hospedados em 2013 (agora ficamos no motel El Rancho, ao lado). Além de ser um local histórico da Rota 66 reconhecido pelas autoridades, o hotel El Rancho tem um excelente restaurante onde os pratos - como os quartos - tem nomes de artistas de cinema. Escolhi o Doris Day, contrafilé com fatias grossas de batata frita sobre uma torrada no estilo texano (e contrariando o rótulo harmonizou com a poderosa Marble Red Ale). Valcir Alberto foi de Ronald Regan, um hambúrguer no prato. Ele gostou. Parece que não era canastrão como o homenageado, a julgar pela satisfação do Valcir. E Araceli, a garçonete que nos atendeu em 2013 foi promovida e agora é caixa. A simpatia continua a mesma. O hotel e o restaurante são às antigas. Nada de máquinas de refrigerantes (argh!) e de café. Por isso mesmo tem muitos empregados. Vida longa para Araceli e para El Rancho, sob as bênçãos de seu proprietário, Armand Ortega Senior, que morreu em julho de 2014 e agora é nome de boulevard. Gallup fica no coração do Indian Country. O céu e as paisagens deslumbrantes do Novo México atraíram fotógrafos e, logo, a indústria cinematográfica. Em 1937 um irmão de D. W. Griffifth construiu o Hotel El Rancho para servir de quartel-general para as locações de filmes. E foram muitos entre os anos quarenta e sessenta do século passado. Astros e estrelas se hospedavam aqui e deixavam registros no livro de hóspedes e nas fotos autografadas. Em The Bad Man, de 1940, Ronald Reagan era ator coadjuvante. Em The Hallelujah Trail (1964) o astro era Burt Lancaster. Por isso os quartos não tem números, mas sim nomes de artistas, como os pratos do cardápio do restaurante. As referências ao cinema estão por todos os lados e caminhando pelo hotel parece que vamos topar com algum desses astros. Com a construção da moderna Interstate 40 (I-40) e o declínio da Route 66 o hotel entrou em decadência até ser comprado e restaurado por Armand Ortega, um galerista de arte indígena famoso no mundo inteiro. Hoje El Rancho é o quartel-general do Inter-Tribal Indian Ceremonial que é realizado em Gallup no mês de agosto há sessenta anos. Outras tribos frequentam este santuário da Route 66, como motociclistas - junto conosco chegaram vários - colecionadores de carros antigos, peregrinos da Rota 66 e por aí afora. O lobby funciona como um ímã e quem senta em uma das confortáveis poltronas de madeira não tem vontade de sair. Foi meu caso. O pequeno jardim é cenário para fotos de aniversários e casamentos. O maravilhoso entardecer desse dia foi por volta de nove horas da noite outra vez. E quando a noite caiu os neóns e placas luminosas do El Rancho produziram um efeito fantástico e inesquecível.


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