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Br 230 transamazônica - um corte de leste-oeste no brasil
DESAFIO RODOVIÁRIO FAZEDOR DE CHUVA BR 230 - TRANSAMAZÔNICA
4º DIA - MARABÁ/PA até MEDICILÂNCIA/PA - 600 Km
Então chegou o grande dia de começarmos a parte de terra. Estávamos ansiosos para isso, pois a transamazônica é mais famosa por sua poeira do que por sei asfalto.
Para nossa surpresa, esse percurso foi mais tranquilo do que imaginávamos. Um boa parte de asfalto e uma pequena parte de terra. Diria até que era 2/3 asfalto e 1/3 terra. Pegamos algumas poacas, muita poeira e é claro, o calor. Esse castiga mesmo. Parávamos em algum posto de serviço e tomávamos água direto e levávamos na moto também para alguma eventualidade, por que toma-la era impossível. Estava fervendo quando a pegávamos e por isso servia apenas para lavar as mãos.
Altamira está um canteiro de obras. Uma bagunça só, portando preferimos seguir em frente até Medicilândia. Lá, dois hotéis mais ou menos e mesmo assim ficamos com medo.
Tudo correu tranquilo, dentro do esperado, conseguimos dormir.
DESAFIO RODOVIÁRIO FAZEDOR DE CHUVA BR 230 - TRANSAMAZÔNICA
5º DIA - MEDICILÂNIDA/PA até RURÓPOLIS/PA - 260 Km
De manhã abastecemos no Posto Maverick, de Medicilândia, tiramos algumas fotos da cidade e partimos para a poeira.
Sem sombra de dúvidas, foi o pior trecho que enfrentamos. Muita poaca, muito caminhão e trânsito, muita poeira e o tal calor. A poucos quilômetros da saída de Medicilândia, já enfrentamos uma poaca, de manhã cedo, para acordar. Não sabíamos que o dia inteiro seria isso. Senta, levanta, senta e quando chegou ao meio dia não aguentávamos mais levantar. Paramos para almoçar em Uruará/PA, atrás do posto de combustível, tem uma boa churrascaria.
A estrada estava tão ruim e eram tantos os buracos, veículos e poacas que somente as 15:00 hs chegamos em Rurópolis/PA. Exaustos, com sede, descansamos um pouco e tomamos aquela água gelada.
Aqui saímos da BR 230 e seguimos até Alter do Chão/PA, onde chegamos por volta das 18:00 hs, para o nosso merecido um dia de descanso.
Como saímos da BR 230 para um turismo fora do Desafio, não computei como dia viajado pela Rodovia.
Alter do Chão/PA é uma cidade muito bonita e merece uma nova visita. Suas praias com água verde do Rio Tapajós, é uma tentação ao mergulho.
Passamos um dia para, além de lavar algumas roupas, conhecer seu povo, sua cultura e suas belezas naturais.
Algo interessante aconteceu em Alter de Chão/PA. Paramos num hotel à beira rio para ver se tinha acomodações disponíveis. Quando desci da moto a primeira coisa que fiz foi tirar as luvas e posteriormente o capacete para ir até a recepção do hotel. Em algum momento, minhas luvas caíram no chão e eu não vi. Como naquele hotel não tinha vaga, embarcamos na moto e fomos atrás de outro. Encontramos um no centro e perguntando à recepcionista se tinha garagem para as motos, ela disse que não, mas que eu não precisava me preocupar, pois “aqui em Alter do Chão, o índice de criminalidade é muito baixo”. Bom, com isso ficamos descansados. Subimos até o quarto e fomos tomar banho, lavamos algumas roupas e após, saímos para jantar.
No outro dia de manhã, fui lavar meu capacete e iria aproveitar para lavar também as luvas, as quais não achei. Fui na moto, abri toda a bagagem, revirei as bolsas tudo de novo e nada. Então, peguei as luvas reserva e coloquei à minha disposição.
Fomos pra praia e caminhando pela orla, escuto um senhor dizer ao marinheiro de uma embarcação: “E essas luvas, são suas marinheiro?”. Quando de repente vejo que são as minhas luvas e que estavam em cima do muro em frente a orla, num belo cartão postal. Ou seja, alguém passou por ali, viu minhas luvas no chão, juntou e colocou-as em cima do muro, para talvez quem perdeu viesse buscar, bem em frente ao hotel onde eu tinha parado para consultar hospedagem.
Assim, contente, fui até o hotel levar minha tão estimada luva e com a certeza de que, em Alter do Chão, a criminalidade é baixa mesmo.
O resto do dia em Alter do Chão foi só banho, sol e cerveja.
Dia difícil, mas aguentamos firmes (kkkkkkk), vejam pelas fotos.
DESAFIO RODOVIÁRIO FAZEDOR DE CHUVA BR 230 - TRANSAMAZÔNICA
6º DIA - RURÓPOLIS/PA até ITAITUBA/PA - 250 Km
Depois de um merecido descanso, ouvir e presenciar a dança carimbó, saímos de Alter do Chão/PA em direção a Santarém/PA, onde eu fui na Concessionária Yamaha arrumar minha moto. Numa daquelas onde estão fazendo o asfalto, molharam como de costume e eu fui sair do “trilho” para um carro passar, acabei escorregando e fui ao chão. Devagar, nada grave, entortou a proteção de motor e o pedal da marcha. Após as reparações de praxe, seguimos para Rurópolis/PA, para continuar a BR 230.
Chegando lá, tomamos um café e um breve descanso, rumamos à Itaituba/PA.
Alerto aos viajantes que o Google Maps não aponta os quilômetros corretos de Rurópolis/PA, até o “trinta”, como é chamado trevo da Rodovia BR 163 que desce para Cuiabá/MT. Aumente mais ou menos 100 quilômetros.
Uma estrada ruim, igual quem vem de Medicilância/PA, muitas poacas, caminhões, poeira e, naturalmente, calor.
Após atravessar a balsa com a rapaziada da Honda, chegamos em Itaituba/PA por volta das 15:00 hs e ficamos no Hotel Juliana. Um ótimo hotel, mas na sua esquina é um ponto de drogas e tem que se tomar um certo cuidado a noite.
Tudo correu na tranquilidade.
No outro dia iríamos nos encontrar com o Parque Nacional da Amazônia.
E nós nem esperávamos o que iria acontecer.
DESAFIO RODOVIÁRIO FAZEDOR DE CHUVA BR 230 - TRANSAMAZÔNICA
7º DIA - ITAITUBA/PA - 00 Km
Empolgados por saber em que vamos passar na parte mais bonita da viagem, ou seja, pelo Parque Nacional de Amazônica, tomamos café e saímos em disparada pela BR 230.
Mais ou menos a 50 quilômetros de Itaituba/PA começa o Parque Nacional.
Andamos alguns quilômetros e .... começou a chover. Não uma chuva forte, mas algumas gotas e isso nos deu preocupação. O Adriano era o mais preocupado, pois se a coisa piorasse, talvez enfrentaríamos a lama e com ela na transamazônica, não teríamos negociação. Fica intransitável, mas até então estava dentro da normalidade. Uns pingos aqui, um escorregão ali e íamos firmes e fortes.
Em toda nossa viagem, sempre o Adriano andava na frente. Primeiro que ele é um piloto mais experiente que eu e segundo, pelo obvio, eu gosto da fotografia e portanto paro mais, me atraso mais e então combinamos assim.
Ele já estava alguns quilômetros em minha frente quando comecei a pegar lama. Ela foi ficando mais forte e mais forte, até que tive que parar, pegar um pedaço de madeira e desobstruir as rodas. A lama da transamazônica é como se fosse um "durepox" grudando nos pneus.
A coisa ficou feia, mas não chovia. Era a lama de uma chuva forte de uma hora antes de nós passarmos por ali.
Isso era por volta das 9:00 horas da manhã e eu já estava ali, sozinho e ilhado. Não conseguia ir pra frente e nem para trás. Fiquei parado no meio da pista e não podia estacionar mais para a beira da estrada pois ali, fora do trilho, era lama de não se parar em pé. E eu estava num local perigoso, numa baixada onde algum veículo em alta velocidade poderia colidir comigo.
Então fui forçando a moto, “embreando” até conseguir subir o morro e lá de cima, quem trafegava conseguia me ver. Só que houve um problema: forçando desse jeito, minha embreagem “queimou” e aí, fiquei sem ela. Ligava a moto, apertava a embreagem, colocava a primeira, soltava a embreagem e nada.
Consegui descer mais um pouco e numa baixada achei uma sobra. Por sorte passou um caminhão e parou. O rapaz gentil, pegou um alicate, subiu mais minha embreagem e colocamos a moto no “acostamento”. Me deu uma sugestão: “rapaz, espera o sol secar a lama, que será mais fácil você ir”.
Com a embreagem daquele jeito, não tive outra escolha. Fiquei esperando o sol secar das 11:00 às 13:00, ali parado, no meio da Selva Amazônica, ouvindo todos os seus sons magníficos e maravilhado com a natureza. Não tive medo. Só num momento em que me pareceu escutar alguns cantos, mas talvez foi coisa da minha imaginação.
Eu estava no Km 140 (após Itaituba/PA) e deveria chegar ao KM 180, onde encontraria ajuda.
Consegui. Mesmo capenga encontrei o Adriano lá e vimos que minha moto não conseguiria vencer o caminho.
Uma autorizada mais perto seria voltar para Itaituba/PA, ou seja, 180 quilômetros ou 800 quilômetros até Humaitá/AM. Decidimos voltar.
Colocamos minha moto em cima de uma pick up e chegamos a Itaituba/PA por volta das 19:30 hs. Cansados, desanimados, mas acolhidos.
DESAFIO RODOVIÁRIO FAZEDOR DE CHUVA BR 230 - TRANSAMAZÔNICA
8º DIA - ITAITUBA/PA - 00 Km
Tomamos nosso café e fomos levar minha moto até a concessionária da Yamaha. Com a embreagem nova vindo de Santarém/PA, a “branquela” ficaria pronta só no outro dia, ao meio dia.
Então ficamos perambulando por Itaituba/PA na moto do Adriano e se tornou mais um dia de descanso.
DESAFIO RODOVIÁRIO FAZEDOR DE CHUVA BR 230 - TRANSAMAZÔNICA
9º DIA - ITAITUBA/PA - 00 Km
De manhã, após o café, por volta das 9:30hs. resolvi ligar para a Concessionária e recebi a triste notícia de que minha moto só iria ficar pronta final de tarde.
Com isso o Adriano decidiu voltar pra casa, pois seu tempo estava curto e ainda, o seu comércio, estava com problemas de nota fiscal, informática etc.
Então, após nos despedirmos ele partiu até o “trinta” e desceu a BR 163 chegando em casa 5 dias depois.
Aproveitei o dia para descansar, lavar mais algumas tralhas e no final de tarde, fui buscar minha moto, novinha em folha. Toda revisada, óleo trocado, preparada para a continuação do desafio, só que agora, “solito”.
Que perrengue hein!!!! Como dizemos aqui quando algo tenso acontece.
Mas moto pra dar defeito basta estar funcionando e submetida a regimes duros aumenta o risco.
O bom foi que conseguiu transporte rápido para o conserto. Por outro lado ficou sozinho... bem... são histórias para contar o resto da vida...
É por isso que após cada desafio cumprido, nos tornamos melhores, pois vamos agregando km e experiências.
A boa notícia é que revisei todo o desafio até aqui postado e está tudo OK para certificação, só falta postar o final da viagem e correr pro abraço.
Os posts do extrato do cartão de crédito foram suficientes para suprir eventuais fotos não clicadas.
DESAFIO RODOVIÁRIO FAZEDOR DE CHUVA BR 230 - TRANSAMAZÔNICA
10º DIA - ITAITUBA/PA até JACAREACANGA/PA - 400 Km
Novamente saí de Itaituba/PA rumo a Jacareacanga/PA. Seriam 400 quilômetros no meio da floresta amazônica e eu estava muito entusiasmado pelas belas imagens que iria encontrar. Pena que meu companheiro de viagem não estava comigo, neste, que eu acho, o percurso mais bonito da viagem.
Para rodar esses 400 quilômetros, levei quase o dia inteiro. Não pela dificuldade da estrada, que por sinal, estava ótima, mas pelas diversas paradas para fotografia, contemplar a natureza e sentir o vento no rosto.
A moto estava perfeita. Embreagem nova (a outra acho que já estava “arriando”), calibragem perfeita, suspensão, tudo ok. Andava redondinho, numa tocada boa e as vezes bem devagar para aproveitar aquele momento.
Ao meio dia cheguei ao famoso Km 180, onde lanchei, lavei o rosto, fui ao banheiro e descansei um pouco. Estava tudo correndo perfeitamente, belas imagens, o calor normal, ainda bem que não tinha nem sinal de chuva.
Passei por paisagens lindíssimas, daquelas de tirar o capacete, colocar um óculos e andar suavemente a 20 Km/h, contemplando o vento, o cheiro e o som da natureza. Fiz isso por diversas vezes, por isso demorei para chegar em Jacareacanga/PA.
Por volta das 17:00 hs cheguei ao meu destino. Em Jacareacanga/PA ou Jacaré, como o povo chama, é uma cidade pequena, com ruas de terra e nem a avenida principal é asfaltada. Estava a máquina lá, acho que irão asfaltar em breve.
Fiquei num hotel atrás do posto de gasolina na entrada da cidade. Me colocaram muito medo de Jacareacanga/PA, por isso logo fui me acomodando, guardando a moto.
A noite saí pra jantar num restaurante ao lado do hotel. Carne de sol com arroz, batatas fritas, saladas e feijão. Estava faminto.
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