Br - 230 / um grande desafio

Collapse
X
 
  • Hora
  • Mostrar
Clear All
new posts
  • Gilmar Dessaune
    Fazedor de Chuva

    • Oct 2012
    • 6891

    #16
    Bom dia!!!

    Por analogia, sua explicação sobre as prioridades na BR-230 se equivalem ao trânsito marítimo, onde o maior tem preferência por ser difícil parar um grande navio e assim por diante.

    Show, parabéns pela narrativa.

    Abração.

    Comentário

    • SARIS PINTO
      Fazedor de Chuva

      • Aug 2014
      • 32

      #17
      A noite em Uruará foi embalada pela orquestra de mosquitos. Acordamos bem cedo e nos preparamos para a estrada. A poeira era o que escondia os buracos. Chamados de “poacas”, essas armadilhas da natureza camuflavam as valas, buracos, as erosões, pedras e tudo mais que poderia derrubar uma motocicleta. Andar rápido era importante e a consequência da distração seria sempre cair nas famosas poacas.

      A próxima parada seria a cidade de Placas – PA. Uma curiosidade faz parte da história da cidade. O Estado do Pará tinha dois fuso-horários. O marco da divisão foi erguido na cidade e o município chegou até a ter dois réveillons. O meridiano que corta o município é o mais longo que atravessa o país com mais de 4000 kms. Mas a associação comercial e empresarial de Santarém solicitou a unificação de horários em virtude das perdas comerciais e financeiras. Acabou-se os dois horários e infelizmente para o turismo da cidade, o monumento da divisão de horários foi destruído, conforme pesquisas na internet, em janeiro de 2014.

      Click image for larger version

Name:	16 - PLACAS.jpg
Views:	1
Size:	100,3 KB
ID:	235464Click image for larger version

Name:	18 - PLACAS.jpg
Views:	1
Size:	89,8 KB
ID:	235465
      MARCO DIVISOR DE HORÁRIO / CIDADE DE PLACAS - PARÁ

      Logo mais chegamos ao cruzamento da BR-163 (Cuiabá – Santarém) com a BR-230, onde se localiza a cidade de Rurópolis - PA. Seguimos para Santarém - PA e tivemos um merecido descanso. Não pretendo discorrer sobre Santarém, pois a mesma se localiza fora da BR-230. Mas confesso que a cidade de Santarém merece ser visitada para se apreciar a sua culinária e as belas praias de Alter do Chão.

      Click image for larger version

Name:	DSC02162.jpg
Views:	1
Size:	52,9 KB
ID:	235468Click image for larger version

Name:	DSC02167.jpg
Views:	1
Size:	88,5 KB
ID:	235469
      SUPERMERCADO MARÍTIMO ABASTECENDO A CIDADE DE SANTARÉM - PA

      Saímos de Santarém e encontramos a estrada ainda úmida, felizmente diminuindo a poeira. Novamente em Rurópolis, paramos para o reabastecimento.
      Rumamos na BR-230 para a cidade de Itaituba, sempre passando por caminhões de transporte de madeira e soja. Nesse trecho a BR-163 sobrepõe a BR-230, formando um único caminho.

      Click image for larger version

Name:	20 - RURÓPOLIS.jpg
Views:	1
Size:	66,3 KB
ID:	235466Click image for larger version

Name:	RURÓPOLIS.jpg
Views:	1
Size:	41,5 KB
ID:	235467
      RURÓPOLIS - PA

      Nossa viagem era em sentido Leste-Oeste e os caminhões vinham em sentido oposto. Até o entroncamento da BR-163 com BR-230, haveria muitos caminhões. Após, não haveria mais carros nem grandes veículos na estrada. Almoçamos em Divinópolis – PA. No fim do trecho chegamos em Miritituba e fomos levados na balsa que atravessava o Rio Tapajós para a cidade de Itaituba – PA. Enfim, concluirmos o dia de viagem.

      Click image for larger version

Name:	25 - DIVINÓPOLIS.jpg
Views:	1
Size:	77,9 KB
ID:	235470
      DIVINÓPOLIS - PA

      Click image for larger version

Name:	28 - PORTO BALSA MIRITITUBA - ITAITUBA.jpg
Views:	1
Size:	70,4 KB
ID:	235471Click image for larger version

Name:	30 - RIO TAPAJÓS- ITAITUBA.jpg
Views:	1
Size:	81,9 KB
ID:	235472
      MARGEM DO RIO TAPAJÓS PARA A BALSA MIRITITUBA - ITAITUBA - PA
      Última edição por SARIS PINTO; 10-07-16, 09:50.

      Comentário

      • SARIS PINTO
        Fazedor de Chuva

        • Aug 2014
        • 32

        #18
        Atravessar as longas estradas amazônicas nos faz pensar e a refletir a vida. Uma lembrança que tenho é acerca da grandeza das coisas. É muito fácil se achar grande com riquezas materiais. Mas o território amazônico subverte essa ordem; lá temos outras medidas de grandeza. Exemplos:
        a) o município de Altamira – PA tem 159.533 km². Maior que o Estado do Ceará, com 184 municípios;
        b) a grandeza do tempo. Na amazônia o tempo não é medido em horas, minutos ou segundos. O tempo da viagem é medido em dias. A população se desloca nos barcos por vários dias e é algo absolutamente normal;
        c) a grandeza da floresta e rios. Tudo é a plena expressão do sentido “Lato”. A floresta, mesmo devastada ao longo da rodovia, continua imponente. Os rios, gigantes, mostram que são as artérias da selva.
        d) a grandeza das pessoas simples. Aonde chegávamos, sempre fomos bem recebidos e acolhidos por desconhecidos que nos tratavam como velhos amigos.

        Em Itaituba mudamos de margem no imenso Rio Tapajós. Curtimos em um ótimo banho de rio em Itaituba. O balneário era bálsamo para os corpos cansados que em breve encararia as longas distâncias da estrada. Itaituba era o limite civilizatório da BR-230 e era pouco seguro para os moradores do Pará seguirem adiante na época das fortes chuvas. Para a nossa viagem, o desafio era chegar em Jacareacanga-PA, a mais ou menos 400 kms de distância.

        Click image for larger version

Name:	32 - itaituba - balneário.jpg
Views:	1
Size:	94,0 KB
ID:	235486
        BALNEÁRIO EM ITAITUBA - PA

        Amanheceu um novo dia. Nossa jornada seria solitária após a partida. Após quase duas horas do início da viagem, chegamos ao Parque Nacional da Amazônia. No Parque a selva é preservada, mudando o clima para mais úmido. A pista ficou mais escorregadia e as sombras das árvores cobriam os traiçoeiros buracos.

        Click image for larger version

Name:	36 - PARQUE NACIONAL AMAZÕNIA.jpg
Views:	1
Size:	98,3 KB
ID:	235487Click image for larger version

Name:	38 - PARQUE NACIONAL AMAZÔNIA.jpg
Views:	1
Size:	99,0 KB
ID:	235488Click image for larger version

Name:	37 - Parque Nacional Amazonico.jpg
Views:	1
Size:	79,6 KB
ID:	235489
        PARQUE NACIONAL DA AMAZÔNIA BR-230 - PA

        Chegamos no início da tarde no 180. Era o marco de distância de 180 kms para Jacareacanga ( mais ou menos o meio do caminho). Pista de pouso de aeronaves, lá nada mais era que um pequeno ponto de civilização na selva. Compramos gasolina e seguimos viagem.

        Click image for larger version

Name:	39.jpg
Views:	1
Size:	67,5 KB
ID:	235490Click image for larger version

Name:	39.2 - KM 180.jpg
Views:	1
Size:	55,7 KB
ID:	235491
        BR - 230 / KM 180 - PA

        Próximo a Jacareacanga - PA o inesperado aconteceu... uma manobra de um veículo maior derrubou o Augusto. Uma forte dor no ombro acometeu imediatamente o moribundo. Faminto, sujo, isolado e machucado na BR-230 representava o pior dos pesadelos. Não teve escolhas... Augusto reuniu forças para levantar a motocicleta e esperar o resto do grupo no portal da cidade. Dormimos em Jacareacanga. Fim de mais uma jornada.

        Click image for larger version

Name:	40 - JACAREACANGA.jpg
Views:	1
Size:	89,5 KB
ID:	235492
        JACAREACANGA - PA
        Última edição por SARIS PINTO; 11-07-16, 17:42.

        Comentário

        • SARIS PINTO
          Fazedor de Chuva

          • Aug 2014
          • 32

          #19
          Jacareacanga é uma cidade paraense situada no baixo amazonas. A maior população indígena em uma cidade paraense encontra-se também em Jacareacanga. Conhecemos os índios Mundurukus que são bem numerosos nas ruas. Alguns parecem indigentes perambulando num mundo (dito civilizado) que não é o seu...
          Outra curiosidade local foi que no início de 1956 ocorreu a Revolta de Jacareacanga. Foi uma revolta militar contra Juscelino Kubitschek recém-empossado. Oficiais da aeronáutica partiram do Rio de Janeiro e utilizaram a Base Aérea de Jacareacanga como ponto de início da revolta. Rapidamente o levante foi controlado. Mas toda a história e riquezas culturais, antropológicas ficaram em segundo plano. Estávamos preocupados com o Rocha. O que conhecemos bem em Jacareacanga foi o precário sistema de saúde brasileiro.
          No dia anterior o Augusto foi atendido no hospital da cidade e foi muita sorte ter sido o dia da presença do médico. Porém, mesmo medicado, suas dores no ombro eram intensas. Concluímos que não poderíamos perder outro dia na selva distante. A decisão foi inevitável; seguir em frente.

          Partimos de manhã bem cedo para Apuí-AM. Choveu durante a noite. Era preciso viajar com cuidado. Outro tombo e a viagem para o Augusto com certeza estaria encerrada. Nada de correr riscos desnecessários. A piçarra molhada se transformou em lama. Uma lama que grudava nos pneu, dificultando a condução.

          Click image for larger version

Name:	42.jpg
Views:	1
Size:	40,7 KB
ID:	235515
          JACAREACANGA - PA


          Encontramos, enfim a divisa com o Estado do Amazonas. Uma placa velha, quase apagada, próxima a uma ponte. Era enfim o derradeiro estado brasileiro que a BR-230 atravessava.

          Click image for larger version

Name:	45 - DIVISA PA - AM.jpg
Views:	1
Size:	90,3 KB
ID:	235516Click image for larger version

Name:	46.jpg
Views:	1
Size:	59,4 KB
ID:	235517
          DIVISA ENTRE OS ESTADOS DO PARÁ E AMAZONAS


          Terminamos as fotos e chegamos ao Rio Sucunduri. A lama dificultava muito a subida dos veículos na balsa. Após a travessia, rumamos até o restaurante da Dona Rosa e lanchamos. Eu comi melancia. Acho melancia uma fruta muito boa, mas fiquei muito “cheio”, o que incomodou minha condução na BR.

          Click image for larger version

Name:	47 - JACARACANGA - APUI ANTES DONA ROSA.jpg
Views:	1
Size:	60,3 KB
ID:	235518Click image for larger version

Name:	48 - JACAREACANGA - APUI.jpg
Views:	1
Size:	69,7 KB
ID:	235519Click image for larger version

Name:	49 - JACARACAECANGA - AUI RIO sucunduri.jpg
Views:	1
Size:	70,6 KB
ID:	235520
          BALSA SOBRE O RIO SUCUNDURI - AM

          Click image for larger version

Name:	50 - DONA ROSAA.jpg
Views:	1
Size:	80,5 KB
ID:	235521
          DONA ROSA E SUA LANCHONETE NA BR-230 - AM


          Chegamos em Apuí-AM. Abastecemos as motocicletas e fomos para o hotel descansar. O Augusto resistiu a maratona do dia...

          Click image for larger version

Name:	52 - HOTEL APUI.jpg
Views:	1
Size:	45,3 KB
ID:	235522
          APUÍ - AM
          Última edição por SARIS PINTO; 13-07-16, 01:06.

          Comentário

          • Luiz Almeida
            Fazedor de Chuva

            • Feb 2015
            • 86

            #20
            Que maravilha, Saris! Estou revivendo tudo com o teu relato e fotos.

            Abração!

            Comentário

            • SARIS PINTO
              Fazedor de Chuva

              • Aug 2014
              • 32

              #21
              Obrigado RFC Luiz, abraços !!!

              Comentário

              • SARIS PINTO
                Fazedor de Chuva

                • Aug 2014
                • 32

                #22
                A alvorada aos poucos despertava a selva ... Com a luz solar e o café da manhã já saboreado o momento nos convidava para seguir na estrada. Mas um fato pitoresco ocorreu: uma neblina densa se formou tornando o ar muito úmido, impossibilitando olhar com nitidez através da viseira do capacete. O dia foi raiando e a névoa se misturava com o pó da estrada. A viseira, antes embaçada, agora aos poucos foi se transformando em lama. Que trecho perigoso foi esse que percorremos!!! Nevoeiro na floresta amazônica... novidade que nunca imaginei presenciar.

                Click image for larger version

Name:	54.jpg
Views:	1
Size:	33,3 KB
ID:	235635Click image for larger version

Name:	55.jpg
Views:	1
Size:	26,7 KB
ID:	235636
                HOTEL EM APUÍ - AM .............................. NEVOEIRO NA BR-230


                Conforme as primeiras horas do dia foram passando, a névoa se dissipou. Rumamos na BR-230 até encontrarmos a balsa seguinte. Agora era a travessia do rio Aripuanã. Uma curiosidade é que o Rio Aripuanã desde o nascedouro tem esse nome. Mas um pouco antes de cruzar a BR-230, o Aripuanã se encontra com o Rio Roosevelt que é o único rio brasileiro com nome de uma personalidade americana.

                Click image for larger version

Name:	64.1.jpg
Views:	1
Size:	72,6 KB
ID:	235637Click image for larger version

Name:	64 - Balsa rio aripuanã.jpg
Views:	1
Size:	59,9 KB
ID:	235638Click image for larger version

Name:	64.2.jpg
Views:	1
Size:	63,6 KB
ID:	235639
                BALSA SOBRE O RIO ARIPUANÃ


                Aceleramos sempre atentos as condições físicas do Augusto em conduzir a sua motocicleta. Chegamos a uma fazenda que tinha porteiras fechadas em plena rodovia federal. Como alguém privatiza uma rodovia pública? Descobrimos que se tratava de um território indígena Tenharim Kagwahiva. Não havia espaço para romantismo nem humor no encontro entre índios e brancos; o negócio era simples: pagar 10 reais por motocicleta, não tirar fotografias nem parar no território, sair o mais rápido e mostrar o comprovante de pagamento na outra porteira. Foram nessas terras que em dezembro de 2013 a população de Humaitá protestou violentamente contra o desaparecimento de três homens. O três foram mortos em represália à morte do cacique da aldeia Campinho depois de ser atropelado por uma motocicleta, na Transamazônica. Por conta dessas mortes, houve ameaças de invasão à Terra Indígena, onde os índios ficaram acuados e isolados. O prédio da FUNAI foi incendiado, com destruição de casas indígenas. Enfim, atearam fogo no pedágio criado pelos índios na rodovia Transamazônica.

                Click image for larger version

Name:	67.1.jpg
Views:	1
Size:	56,5 KB
ID:	235640Click image for larger version

Name:	67 - PEDÁGIO NA RESERVA INDÍGENA.jpg
Views:	1
Size:	59,4 KB
ID:	235641Click image for larger version

Name:	SAM_0216.jpg
Views:	1
Size:	76,1 KB
ID:	235642
                TERRITÓRIO INDÍGENA NA BR-230 (PEDÁGIO)


                Após mais algumas horas de estrada e enfim chegamos ao Rio Madeira, anfitrião da cidade de Humaitá. A derradeira balsa. Mais um dia vencido. Faltava pouco para completar a BR-230. Fomos para o Hotel descansar e depois recepcionados pelo motociclista Rogério Minotauro, de Humaitá.

                Click image for larger version

Name:	67.2.jpg
Views:	1
Size:	77,8 KB
ID:	235643
                HOTEL EM HUMAITÁ-AM
                Última edição por SARIS PINTO; 13-07-16, 01:05.

                Comentário

                • Hercilio_Junior
                  Fazedor de Chuva

                  • May 2016
                  • 48

                  #23
                  Grande relato Saris, parabéns pelo incentivo que a todos nós causa... Para começar a programar o meu, gostaria de saber qual foi a época de realização do seu desafio?
                  Meu canal. https://www.youtube.com/channel/UCS6...2_4fLmp5CjS8ew

                  Comentário

                  • SARIS PINTO
                    Fazedor de Chuva

                    • Aug 2014
                    • 32

                    #24
                    Postado originalmente por Hercilio_Junior Ver Post
                    Grande relato Saris, parabéns pelo incentivo que a todos nós causa... Para começar a programar o meu, gostaria de saber qual foi a época de realização do seu desafio?
                    Boa noite FC Hercilio.
                    Iniciamos a nossa viagem no dia 22 de junho e concluímos a BR-230 no dia 05 de julho de 2013. A primeira pergunta que vem a mente é: 14 dias para percorrer 4300 kms vai dar uma média de 307 quilômetros por dia. Mas é tão pouco rodado!!! Por que tanto tempo? Porque não ficamos somente viajando na rodovia Transamazônica. Fomos até Tucuruí – PA e Santarém – PA, dispendendo tempo e desgaste físico. Houveram também as quedas das motocicletas, protestos e outros imprevistos que tornaram a viajem mais complexa.
                    A época de julho foi escolhida por ser início da estiagem na Amazônia. Alguns preferem maio e outros os meses seguintes, até setembro ou outubro. De motocicleta é sempre importante avaliar o período da jornada.
                    Eu prefiro no final do período das chuvas - julho - pois a poeira não é dominante nem as “poacas” se manifestam de forma mais perigosa na estrada.
                    Abraços.
                    Última edição por SARIS PINTO; 13-07-16, 23:05.

                    Comentário

                    • Hercilio_Junior
                      Fazedor de Chuva

                      • May 2016
                      • 48

                      #25
                      Postado originalmente por SARIS PINTO Ver Post
                      Boa noite FC Hercilio.
                      Iniciamos a nossa viagem no dia 22 de junho e concluímos a BR-230 no dia 05 de julho de 2013. A primeira pergunta que vem a mente é: 14 dias para percorrer 4300 kms vai dar uma média de 307 quilômetros por dia. Mas é tão pouco rodado!!! Por que tanto tempo? Porque não ficamos somente viajando na rodovia Transamazônica. Fomos até Tucuruí – PA e Santarém – PA, dispendendo tempo e desgaste físico. Houveram também as quedas das motocicletas, protestos e outros imprevistos que tornaram a viajem mais complexa.
                      A época de julho foi escolhida por ser início da estiagem na Amazônia. Alguns preferem maio e outros os meses seguintes, até setembro ou outubro. De motocicleta é sempre importante avaliar o período da jornada.
                      Eu prefiro no final do período das chuvas - julho - pois a poeira não é dominante nem as “poacas” se manifestam de forma mais perigosa na estrada.
                      Abraços.
                      Muitíssimo obrigado pelas dicas, assim fica mais objetivo o planejamento. Pretendo tbm fazer como vocês fizeram, com tempo para visitar lugares ao longo do desafio.
                      Meu canal. https://www.youtube.com/channel/UCS6...2_4fLmp5CjS8ew

                      Comentário

                      • SARIS PINTO
                        Fazedor de Chuva

                        • Aug 2014
                        • 32

                        #26
                        Chegou enfim o derradeiro dia de viagem para completar a BR-230. Pelo menos para mim a viagem na Transamazônica não estava sendo prazerosa. O calor estava me deixando desanimado. As muitas horas de estradas poeirentas, esburacadas, sem ter o que curtir não estava mais me motivando a seguir em frente. Mas meu objetivo sempre foi completar a rodovia. Tive que seguir adiante.
                        Humaitá até Lábrea são somente 220 Kms. Li várias vezes que eram 200 kms. Mas não são. São 220 Kms !!! Enfatizo os 20 quilômetros porque realmente na lama é uma eternidade essa pequena diferença.

                        Click image for larger version

Name:	67.3 -  54º Batalhão de Infantaria de Selva – “Batalhão Cacique Ajuri.jpg
Views:	1
Size:	74,5 KB
ID:	235681
                        54° BATALHÃO DE INFANTARIA DE SELVA - HUMAITÁ - AM
                        “Batalhão Cacique Ajuricaba”


                        Rumamos para mais esse trecho. A recomendação era que se tivesse muito cuidado na estrada, pois não havia cascalho sobre a pista. Tudo era ou poeira ou barro. De um dia para outro as características da estrada podiam mudar. Um dia de sol e a terra ficava firme. No outro, a chuva transformava tudo em barro de louça, tornando quase impossível trafegar.
                        Após os primeiros 20 kms de asfalto razoável (próximo ao cruzamento com a BR-319) começava o inferno.

                        Click image for larger version

Name:	68 - ENTRONCAMENTO HUMAITÁ - LÁBREA -  BR 319.jpg
Views:	1
Size:	71,9 KB
ID:	235680
                        BR-319 PRÓXIMO A BR-230 - AM

                        A estrada estava em manutenção e as motos tinham vontade própria nesse piso. Um terror. Adiante surgiram milhares de lombadas (costelas de vaca) que faltavam afrouxar todos os parafusos do juízo. Continuamos até o novo atoleiro. Tudo muito complicado na condução. Passamos por um caminhão baú em apuros. Só podíamos comtemplar o infortúnio do motorista. E sempre em frente. Cada quilômetro era metro a metro, às vezes passo a passo. Outros momentos o solo endurecia e acelerávamos para ganhar tempo.
                        Esse foi meu primeiro erro: acelerar. A estrada, ora fofa, ora dura, era uma armadilha perigosa. Acelerei e não tinha me atentado ao meu segundo erro: não ter removido o para-lama dianteiro da Teneré 250cc. Esse pequeno para-lama encheu de barro amazônico que mais parece chiclete e travou a roda repentinamente. Conclusão: fui direto ao chão. O tombo foi muito rápido e machucou meu punho e perna. Fui ajudado a levantar e adiante a moto pendeu novamente e outro tombo e outro. Não tinha mais prazer na BR-230. Queria era ir embora daquele lugar.

                        Click image for larger version

Name:	75 - HUMAITÁ - LÁBREA.jpg
Views:	1
Size:	86,2 KB
ID:	235687Click image for larger version

Name:	76.jpg
Views:	1
Size:	98,9 KB
ID:	235688Click image for larger version

Name:	77.jpg
Views:	1
Size:	90,8 KB
ID:	235689
                        TOMBOS NA BR-230 - AM


                        Li vários livros sobre a Amazônia e acerca da BR-230. Uma coisa sempre foi unânime. Tomar cuidado no trecho Humaitá-Lábrea. Uma analogia que me veio na lembrança é que se viajar na BR-230 é como ouvir rock. Na Humaitá-Lábrea a música transformava em Punk-Rock/ Hard Core. Quando adolescente ouvi muito Ramones, Dead Kennedys, The Clash, Replicantes. Lembrava-me dessa comparação a toda hora... Era o trecho Punk-Rock, era o trecho Punk-Rock...
                        Recobrava as forças e seguia em frente. Após muito esforço e encontramos o Augusto e sua moto no chão também. Nada para comemorar.
                        Dirigimos com cuidado até a balsa do Rio Mucuim. Uma rampa perigosa para entrar no transporte. Do outro do lado uma imagem curiosa; os restos dos eletrodomésticos cobriam de branco a margem oposta do rio. No dia anterior um caminhão virou e perdeu toda a carga na descida da balsa. A propulsão era humana e lentidão do transporte nos obrigou a ajudar a acelerar a travessia.

                        Click image for larger version

Name:	71.jpg
Views:	1
Size:	98,0 KB
ID:	235682Click image for larger version

Name:	70 - BALSA HUMAITÁ - LÁBREA.jpg
Views:	1
Size:	99,4 KB
ID:	235683Click image for larger version

Name:	69.jpg
Views:	1
Size:	77,4 KB
ID:	235684
                        BALSA SOBRE O RIO MUCUIM - AM


                        Cada hora era imperiosa para não chegarmos a noite em Lábrea. Caminhões e máquinas moto-niveladoras estavam cruzando o nosso caminho.
                        Faltavam algumas dezenas de quilômetros para Lábrea quando reencontramos o asfalto. Mas pior que a lama, o asfalto lembrava um cenário de guerra. Milhares de buracos serviam de armadilhas prontas para engolir os desatentos.
                        Aos poucos as nuvens negras iam cobrindo o céu. Conseguimos chegar ao portal da cidade e começou a chover. A chuva era grossa, mas já estávamos em Lábrea.

                        Click image for larger version

Name:	83.jpg
Views:	1
Size:	56,3 KB
ID:	235686Click image for larger version

Name:	80 - LÁBREA.jpg
Views:	1
Size:	100,2 KB
ID:	235685
                        LÁBREA - AM


                        O resultado do trecho final foi um retrovisor e pisca-pisca quebrados. A direção ficou desalinhada.
                        Em mim, corpo dolorido e perna e mão machucados.
                        Tive a oportunidade de fazer um curso no CIGS - Centro de Instrução de Guerra na Selva. Lá na unidade era sempre dito que “o pôr do sol não é o fim de um dia, mas o início de uma nova jornada”.

                        Era assim que tínhamos que pensar: a conclusão da viagem na BR-230 não era o fim da estrada, mas o início de uma nova jornada.
                        Última edição por SARIS PINTO; 15-07-16, 23:28.

                        Comentário

                        • Hercilio_Junior
                          Fazedor de Chuva

                          • May 2016
                          • 48

                          #27
                          Grande Jornada, primoroso relato e todos na sua garupa acompanhando essa aventura!!! Parabéns pela conclusão desse grande desafio que sabemos ser para poucos e você escreve seu nome dentre os que conseguiram. Congratulações FC Saris e mais uma vez agradeço as inúmeras dicas que nos deixou durante seus relatos......
                          E que venha a minha jornada!!!!
                          Meu canal. https://www.youtube.com/channel/UCS6...2_4fLmp5CjS8ew

                          Comentário

                          • SARIS PINTO
                            Fazedor de Chuva

                            • Aug 2014
                            • 32

                            #28
                            Postado originalmente por Hercilio_Junior Ver Post
                            Grande Jornada, primoroso relato e todos na sua garupa acompanhando essa aventura!!! Parabéns pela conclusão desse grande desafio que sabemos ser para poucos e você escreve seu nome dentre os que conseguiram. Congratulações FC Saris e mais uma vez agradeço as inúmeras dicas que nos deixou durante seus relatos......
                            E que venha a minha jornada!!!!

                            Obrigado FC Hercilio . A grande verdade é que em comparação as décadas de 1970 e 1980, a transamazônica hoje é mais segura de ser percorrida. Temos a disposição ótimos mapas, previsões de tempo mais confiáveis, GPS, rastreamento Spot e celulares funcionado próximo as cidades ao longo da rodovia.
                            Por outro lado, as motocicletas são mais seguras de conduzir.
                            Qualquer um pode fazer a BR-230 ... Inclusive você ...
                            O que falta é achar a época que mais lhe agrade e ajustar o equipamento de acordo com as características da rodovia. Segurança sempre em primeiro lugar !!!
                            Abraços, Sáris Pinto.
                            Última edição por SARIS PINTO; 16-07-16, 22:44.

                            Comentário

                            • Gilmar Dessaune
                              Fazedor de Chuva

                              • Oct 2012
                              • 6891

                              #29
                              Boa noite, agora, RODOVIÁRIO FAZEDOR DE CHUVA BR-230 SARIS PINTO,

                              O que dizer após ver e rever todas as fotos, detalhes, narrativas dessa aventura que certamente te fez mudar de status no motociclismo???

                              De tirar o fôlego!!! Confesso que verdadeiramente dei um grande suspiro ao terminar de conferir o desafio, pois me senti um pouco "cansado" dos perrengues que passaram e por outro lado o desejo de cortar essa artéria de moto só faz aumentar. Inspirador!!!!

                              Impressionantes as fotos de homens e motos esparramados pelo chão. Me fez lembrar de um jogo de boliche, onde a pista da BR-230 assume dois papéis: ora é a pista, ora é a bola a provocar um strike surreal. O preço cobrado para percorrê-la é alto, mas as lembranças serão eternas.

                              Parabéns e receba o selo sob seu nome que te coloca na Elite do Motociclismo Mundial com louvor, afinal são raros os que topam e conseguem vencer a BR-230.

                              Obrigado pela paciência de postar fotos e comentários nos dando a real dimensão do que foi essa giga aventura.

                              Agora posso carimbar:

                              Click image for larger version

Name:	Carimbo Homologado.jpg
Views:	139
Size:	4,4 KB
ID:	240917Click image for larger version

Name:	Rodoviário.jpg
Views:	34
Size:	93,6 KB
ID:	240918

                              Receba um grande abraço e faço a pergunta que não quer calar: qual será o próximo desafio???? Rssssss

                              Comentário

                              • Jorginho
                                Fazedor de Chuva

                                • Jul 2015
                                • 718

                                #30
                                Parabens Saris foi uma aventura e tanto a sua, que bom que as dificuldades passada na estrada vira historia depois!!! Pq percebi que nos seus relatos foi tenso para vc desde a saida em Joao Pessoa como a chegada a Labrea!!!

                                Comentário

                                Working...