On the Road with Grampa 2015

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  • Dolor
    Fazedor de Chuva

    • Mar 2011
    • 3250

    #1

    On the Road with Grampa 2015

    A conta seria muito simples; se cada abraço recebido valesse U$10,00, pronto, todos os custos da nossa "On The Road with Granpa 2015", estariam cobertos.



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    Como as coisas andam mais ou menos como "rato em guampa de gaúcho, quanto mais sobe, mais aperta", esta terceira edição de moto pelos Estados Unidos, estava fadada ao fracasso, ou seja, não iria acontecer, pelas mais variadas razões comerciais. Todavia, lá por meados de abril a Angela, sempre ela, num pé de orelha me convenceu, e confesso também, sem muita necessidade de convencimento, que a tradição teria de ser mantida, portanto, deveria seguir em frente e não desperdiçar mais esta oportunidade de ouro de estar na estrada durante quase três semanas, "motociclando" com o Pedro pelas terras do Uncle Sam, nestas férias escolares de julho.



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    Decidido, fomos à compra das passagens, destino Los Angeles, nossa base americana, enquanto faríamos o roteiro nos próximos dias.

    Enviei um email para o Pedro, não sem antes perguntar ao pais, Oncinha e Paula, se não havia nenhum impedimento para a participação dele nesta empreitada, posto estarem as notas neste "terceirão", digamos...surfando pelo meio da onda, como já sabemos, característica quase universal da adolescência, fase tão linda de descobertas e de discussões sobre o florescer da vida do jovem.



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    Exatamente aí, ao entregar o convite, tive a ideia de começar a creditar os abraços recebidos como forma de pagamento por esta jornada comandada exclusivamente pelo coração. Foram e tem sido tantos, naquele valor já mencionado, que por uma questão de justiça tive de reajustar os valores para aqueles mais apertados, ternos e cheios de declarações que deixam a minha existência totalmente florida com estes carinhos tão espontâneos e gentis, vindos de um jovem com 16 anos. A viagem além de já estar paga, tem créditos de abraços para as futuras!



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    Te amo Pedro e obrigado por seres esta parte tão importante da minha vida, me controlando para não te amassar com os meus abraços que sintetizam todo o amor que tenho por todos vocês!
  • Dolor
    Fazedor de Chuva

    • Mar 2011
    • 3250

    #2
    Capitulo 02 - Chegou o dia

    Como de hábito, aqueles dias que antecedem a partida são sempre os mais frenéticos, com o funil das preocupações não conseguindo escoa-las a contento, mas como as folhinhas do calendário vão sendo destacadas, quer queiramos ou não, seguimos em frente, procurando deixar o que fica, devidamente encaminhado. Tudo isto vem a confirmar uma afirmação que se atesta a cada partida: "o difícil é fazer o check in, ou colocar a chave no carro ou na moto, ligar a ignição, engatar a primeira marcha e...partir".

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    Aí estão encerradas todas as dificuldades de uma viagem!

    Nunca estamos prontos o suficiente para avançarmos, pois sempre há uma decisão de última hora à ser tomada, um enrosco para ser desenroscado, um pepino para ser descascado, enfim, se não houver uma verdadeira determinação, e claro, um mínimo de organização, seguramente estaremos proibidos inclusive de morrer, não é verdade"?

    Peço licença para uma pequena confidencia, pois ao longo da nossa vida familiar, fui um grande chantagista, pois ao querer sair para alguns dias de férias com as crianças, a Angela, envolvida até o limite da responsabilidade com as nossas atividades comercias, arguia da impossibilidade de deixarmos os negócios, sendo retrucada com os meus questionamentos sobre a possibilidade de um infarto acontecer comigo.

    Quantos dias teria de ficar no hospital?

    Em seguida já respondia: no mínimo uma semana, na melhor das circunstâncias, portanto, se não tínhamos organização para sairmos, como a teríamos no caso de doença?

    Vamos embora e assim, com esta desculpa, devo ter tido pelo menos uns 20 infartos!

    Como a vontade de ficar fora ia aumentando, na mesma proporção foram crescendo as dificuldades hipotéticas de saúde, passando agora para a necessidade da colocação de "pontes cardíacas".
    Se corresse tudo bem, um mês, de internação hospitalar!
    E assim, entre infartos e pontes, fomos solidificando a nossa estrutura familiar, baseada fundamentalmente na convivência, única fonte, na minha opinião, capaz de alimentar o sentimento do amor.

    Não acredito em amor, sem convivência!

    Houve fases, confesso, que nenhuma das doenças acima eram o suficiente para nos convencer a viajar, dai então, apelei e de forma vergonhosa!

    E se eu morrer, a vida dos que ficam não vai continuar?

    Então, em nome da assustadora morte, partíamos e felizmente em todas as ocasiões sobrevivemos, às vezes...necessitando de uma respiração boca a boca, em outras, até o milagre da ressureição aconteceu!

    Como exercitamos a verdade, neste momento, confesso, me proibi de morrer, porque simplesmente não posso fazer esta partida final, tantos são os compromissos assumidos e responsabilidades empilhadas, mas...consegui uma janela, melhor, um gateira, para deixar passar esta réstia de felicidade de estar com o Pedro, sortudo por ser tão amado, não só por nós, da Família, mas pelos que nos cercam, como demonstrou o Elton, fazendo questão de fazer a transferência de aeroporto em São Paulo, dedicando toda a sua atenção a ele, explicando com detalhes sobre os lugares por onde passávamos, enquanto eu com os meus botões pensava; eu amo aqueles que amam os meus!

    As despedidas, como esta no aeroporto de Navegantes, foi, como sempre o são, feitas com os corações transbordando pelos olhos, ternas e totalmente conectadas pelo prazer imensurável de estarmos juntos, como aconteceu em casa, no almoço sempre festivo de todos os dias, com o Teteu e a Clara se amando entre empurrões e abraços imediatos.

    Vão do choro ao riso, numa fração de segundos!

    Incrível como o amor vai sendo forjado nesta relação de convivência diária!

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    Voltando ao carro do GCFC Elton, vencemos o percurso entre os aeroportos de Congonhas e Guarulhos, ao sabor do feriado local de 9 de julho, e como sempre acontece quando as vibrações são totalmente positivas, o nosso jantar no destino final, acompanhou o mesmo ritmo frenético do relógio, nos empurrando para a sala de embarque, que implacável, não permitiu que pudéssemos aproveitar todos os minutos restantes na companhia dessa grande figura humana.

    Já a bordo, tivemos o prazer de cruzar os céus neste fantástico e novíssimo Boeing 787 Dreamliner, uma maravilha da capacidade do homem, e vou reconhecer, da civilização americana do norte, de ousar em tudo e em todo o tempo.

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    Houston, nosso portão de entrada nos Estados Unidos, tem simplesmente 80 guichês para a imigração, aqui, coisa séria e sob a responsabilidade dos "immigration police officers", gentis, rápidos e educados como convém às pessoas educadas concientes dos seus deveres, como o foi toda a tripulação da United, que está de parabéns.

    Califórnia, estamos chegando!
    Última edição por Dolor; 11-07-15, 16:35.

    Comentário

    • Elton
      Fazedor de Chuva

      • Mar 2011
      • 497

      #3
      Estamos aqui na torcida por essa viagem especial!.
      Viajar com o neto deve ser muito gostoso mesmo, mas assim: he facil nao he? Pedro he uma pessoa extremamente facil de gostar!!!

      Boa viagem meus queridos
      sigpic
      Grande Cacique Fazedor de Chuva

      Prudhoe Bay, Alaska - Ushuaia, Argentina em um mesmo ano:2010
      Nascente FC-feito em 2013 com a Marcia
      Rodoviário FC - BR-153 e BR-101, ambos feitos em 2015 com a Marcia
      Iron Butt Association member feito em 2002 nos USA
      http://www.2wheelsadventure.com

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      • Dolor
        Fazedor de Chuva

        • Mar 2011
        • 3250

        #4
        Capítulo 03 - 11/07/2015

        Chegar nos Estados Unidos é sempre um exercício de aceitação da nossa infelicidade como vítimas, para não dizer os principais protagonistas da vergonha pela qual vimos passando, e claro, humilhados com a sucessão de acontecimentos políticos e policiais do nosso país, não nos valorizando absolutamente em nada.

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        Uma tristeza potencializada quando surge debaixo das nossas asas, até como se por elas fosse protegida a espalhada Los Angeles, num total de 88 cidades compondo, digamos, a sua comarca, é um campo de fertilidade impressionante, com as suas mais de dez milhões de almas, fora as duas recém chegando.

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        Foto de Marshal Aston

        A viagem foi muito agradável, sem aglomero na conexão em Houston, muito bem atendidos pela equipe da United, simplesmente profissional, fazendo os seus trabalhos de forma discreta e séria como convém àqueles que vivem objetivamente as suas funções.

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        Já nos aguardava o GCFC Mike, com os braços, como de hábito, abertos para nos receber e também como sempre, com a sua atenção voltada para o Pedro, um sortudo por catalizar todas as boas atenções para si.

        Fomos à AAA, American Automobile Associaton, vamos dizer, o nosso antigo Touring Clube, para a troca da placa da Dream, posto que o Mike vem conversando com a pessoa encarregada do setor, para não devolvê-la, a "F6 Angel". Aproveitamos e trocamos o endereço do registro da moto, junto ao DMV, Departament of Motor Vehicles, equivalente ao Detran, ali mesmo, sem necessidade de nenhuma declaração, nem burocracia, ao contrário, com uma taxa de U$20, a alteração seria feita na hora, ou então, preenchendo um requerimento e o enviando pelo correio, seria grátis, daí...bem diferente do nosso.

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        Tudo fácil, respeitoso e extremamente carinhoso!

        Vão entendendo o primeiro parágrafo, certo?

        Já saímos com a placa e os "stickers" referente o licenciamento nas mãos, para nós mesmos colocarmos na moto.

        Nós mesmos, sem nenhuma burocracia!

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        Coitado de nós, prisioneiros da burocracia burra e desconexa do nosso país!

        O que se falar então de armas? O Mike tem um arsenal de deixar qualquer batalhão policial tupiniquim de queixo caído, mas isto será assunto para um capítulo à parte quando formos para o Burro Canyon, local mais do que apropriado para se praticar tiro!

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        Com a boca babando, fomos direto para para o melhor hambúrguer, na nossa opinião, dos Estados Unidos; "In N' Out"!

        Pensem num sanduiche saboroso, com uma porção generosa de batatas fritas feitas na hora, regados com todas as Coca do mundo!

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        Um pecado!

        Assim, saboreando o mesmo almoço no jantar, nos despedimos desse dia cercado de tantas atenções, cansados, mas felizes, isso sem contar que o Mike foi na storage, onde guardamos a nossa moto, a buscou, lavou, trocou óleo, calibrou os pneus, enfim, deixou-a pronta para a nossa satisfação.

        Sangue bom!
        Última edição por Dolor; 13-07-15, 12:49.

        Comentário

        • Dolor
          Fazedor de Chuva

          • Mar 2011
          • 3250

          #5
          Capitulo 04 - 12/07/2015

          Finalmente chegou a hora de seguirmos os nossos sonhos, e para variar, aquele projeto maravilhoso de levantar cedo para o dia render mais, claro, ficou comprometido pois combinamos com o Mike de tomarmos o "breakfast" juntos.

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          Pernoitamos no honesto Americas Best Value Inn, em Azuza, por U$97, dispensando o modesto café da manhã pelo Covina Burger, nosso velho conhecido, onde já somos...um tipo de prata da casa, saudados por praticamente todos os funcionários, quando da nossa chegada.

          Bom esse tipo de hospitalidade!

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          Como a melhor coisa que temos para oferecer é o nosso tempo, lagarteamos até praticamente meio dia, jogando conversa fora e fazendo planos de viagens ao sabor dos sonhos, com o Pedrinho no meio desse tiroteio, opinando, perguntando, enfim, colocando mais uma pitada de sal na salmora!

          Sou obrigado a me beliscar de vez em quando para ter certeza que estou acordado e de verdade vivendo todo este nirvana!

          Suavemente embarcamos na Dream, seguindo o Mike até que as nossas mãos ao movimento dos abanos foram se perdendo no meio do trânsito que rapidamente nos engoliu enquanto proávamos para Venice Beach, nosso primeiro destino do dia, responsável pelas batidas mais fortes dos nossos corações. Já sentindo a umidade e a sensação térmica mais baixa, provocada pela brisa marinha, paramos numa das dezenas de sinaleiras, e como de hábito, mantendo um bom par de metros de distância do carro a frente, fomos surpreendidos, de repente, por uma ré inesperada deste vizinho distraído, e se não fora a mão decidida na buzina, seguramente a nossa viagem teria terminado ali, naquela esquina.

          Quando o parachoque da caminhonete sentou em cima da roda dianteira da Dream, apesar dos meus esforços em tentar recuar, felizmente, no último milésimo de segundo, o carro parou e desceu dele um senhor nos seus oitenta anos, seguido do motorista do veículo seguinte, provavelmente o filho, pedindo desculpas e querendo saber se havia tido alguma consequência, respondida negativamente com o questionamento sobre o por quê de tal manobra, totalmente imprevisível.

          Não houve resposta, pois creio nenhum dos dois a tinha!

          Coisas do imponderável!

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          Refeitos do susto, as lembranças do Pedro sobre a praia onde estávamos foram despertando e fizemos uma bela caminhada entre as suas areias brancas e os malucos de todas as cores e loucuras possíveis, pois deve ser uma das maiores concentrações de "foras da casinha" do planeta.

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          Ops! Esse é certo!

          Gente doida, porém, mansa!

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          Aproveitamos para curtir a exposição de "Hot Rod", com alguns modelos incríveis, cheios de personalidade!

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          Somente na América, tanta fartura de tudo!

          Seguimos em direção à Santa Monica, pois tínhamos planos de almoçarmos lá, porém, foi impossível nos aproximarmos do píer, totalmente congestionado de carros e pessoas no entorno. Continuamos para Malibu, percurso praticamente feito em cima US1, costeando estas águas pacíficas da costa poente da nossa América.

          Somente nos restou, sem qualquer outra possibilidade, entre algumas boas opções que tínhamos, um KFC, nesta altura do campeonato...um tipo prêmio de consolação.

          Rodovia travada, restaurantes cheios e estacionamento lotados!

          Deve ser a tal crise americana!

          Como o importante é a companhia e não o lugar, diversão e boa conversa eram os nossos ingredientes principais, e assim, chegamos à conclusão que até um pão seco seria o suficiente, pois tinhamos as nossas almas alimentadas com os jacintos da fartura do nosso relacionamento.

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          Costeando metro por metro o nosso caminho, chegamos em Santa Bárbara, cheios de más intenções a respeito da nossa janta no Shellfish Co., o último restaurante no píer, tipo um "botecão" com uma dignidade que somente gente desenvolvida consegue realizar, transformando tudo em atração e satisfação, com personalidade e espontaneidade ímpares.

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          Deixamos os nossos nomes na lista de espera, totalmente abertos para ficarmos onde abrisse vaga, mas no fundo desejava sentar com o Pedro, no balcão, bem em frente à cozinha, como se ela fosse e na realidade o é, um palco onde trabalham artistas da panela, forno e fogão, surfando entre as dezenas de pedidos como se estivessem no meio de um tubo de uma onda gigantesca, cercados por delícias, a maioria típicas das águas frias da costa da Califórnia.

          Bingo!

          Quase nem demos conta dos "crabs" californianos, digeridos por legítimos papa siris itajaienses!

          E assim, com os porões abarrotados nos entregamos aos braços de Morfeu, prometendo, novamente, estarmos em posição de sentido assim que o sol raiar!

          Acho difícil, mas pra que compromisso se estamos de férias?
          Última edição por Dolor; 26-06-16, 14:25.

          Comentário

          • Jacob Bussmann Filho
            Fazedor de Chuva

            • Dec 2011
            • 2788

            #6
            Bom dia Dolor

            Isso que voce esta fazendo é covardia......rsrsrsrsr....estamos babando de vontade de também estarmos por aí.....rsrsrrsrs....que legal voce e o Pedro terem voltado para mais uma voltinha de moto na terra do tio Sam...estamos aqui na garupa , nos deliciando com teus relatos cheio de humor.

            Grande abraço e boas estradas para voces...enjoy yourself ....
            GCFC NFC VFC(SP) ,VFC(RR),Cardeal, RFC(101,116,153,230) Jacob,Bandeirantes

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            • Paula
              Fazedor de Chuva
              • Oct 2011
              • 61

              #7
              Bom dia, Pai! Bom dia, Filho!
              Já estou ansiosa pelo próximo capítulo e muito orgulhosa deste amor!

              Obrigada por tudo, Pai! Amo vocês!

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              • Dolor
                Fazedor de Chuva

                • Mar 2011
                • 3250

                #8
                Capítulo 05 - 13/07/2015

                Eu não falei?

                Enrolado desde as seis e pouco, conseguimos deixar o hotel, quero dizer, motel, a designação americana para este tipo de hospedagem, com o "breakfast" não incluído na diária, perdido, mas, decidimos em função do adiantado da hora fazermos uma espécie de "brunch", numa daquelas peruadas certeiras do GCFC Elton nos sugerindo um loop pela CA154, uma "country road" de tirar o fôlego, me dando uma saudade danada dos nossos passeios com ele como nosso "road adventure captain", descobrindo numa dessas incursões a única estrada, creio eu, não pavimentada da Califórnia.

                Se fosse no Brasil o nome seria "tifa"!

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                Rodamos aquelas milhas saboreando-as como se fora um daqueles vinhos raros, gole a gole, com vontade inclusive de fazer gargarejo para aproveitar até a última gota, ou seja, o desejo era rodar um metro à frente e outro para trás, tal a nossa satisfação em fazer cada curva como se as estivéssemos desenhando e lentamente, pois salvo uma ou outra moto, felizardos, claro, de estarem aproveitando o nosso desenho, a cortina da Cold Spring Tavern se abriu e tivemos a sensação de que há pouco havia partido a última diligência, pois a primeira a parar ali para as devidas trocas de cavalos, hospedagem e alimentação, aconteceu por volta do ano de 1.886.

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                A América é prodigiosa na sua história e na sua consequente manutenção, pois todos estes "landmarks" praticamente se transformam em patrimônio dos viajantes que continuam parando ali, naquele ponto da "Stagecoach Rd", agora com os seus cavalos de aço para degustarem aquela atmosfera envolvente e cheia de espíritos de todas as épocas, a sobrevoando e a mantendo viva!

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                Na dúvida...

                Para não perder o costume, o nosso almoço foi hambúrguer e batata frita, sempre regado com boas doses de Coca!

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                Lambemos os dedos e usufruímos cada palmo daquele santuário que guarda, intacto, até o barro trazido pelas botas dos cowboys que por certo por ali se digladiaram, pois uma das regras dos usuários das diligências era a proibição de comentarem sobre assaltos ocorridos durante a viagem, claro, para não assustarem os próximos clientes.

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                E a cadeia continua ali, firme!

                Perdemos a hora em conversas com uma família ali presente, nos municiando com várias sugestões para o nosso trajeto, e mesmo com duas crianças pequenas, uma com três semanas, tivemos a impressão que embarcaram na moto conosco.

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                Gente boa!

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                Parada para o exercício da leveza do ser, na Represa Cachuma!

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                E voando...uma delícia essa convivência!
                Fazendo tudo o que quer!

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                Como a roda roda, seguimos em direção à Santa Bárbara a tempo para visitarmos a sua Missão, a décima América acima, sendo que esta apesar de ter sido planejada pelo Padre Junípero Serra, não teve a sua mão na construção, devido o seu falecimento.

                Um campeão!

                Muitos registros fortes, seguramente muitas mortes, claro, dos índios, os Chumash, escolhidos para serem convertidos...mas...não estamos aqui para discutirmos assuntos antropológicos, mas sim, aproveitarmos esse legado cheio de histórias, sacrifícios, de todas as partes, porém, com essa capacidade de unir famílias inteiras que encontramos reverenciando cada uma das pedras aqui levantadas, testemunhadas pelo cemitério centenário do seu interior, cujos serviços funerários ainda são contratados pelos locais nos dias atuais, pois há um, digamos, novinho em folha.

                Fiz questão de passear com o Pedrinho por Solvang, típica cidadezinha dinamarquesa, cheia de charme, calma e muito agradável, onde fizemos um "pit stop", para saborearmos um bom sorvete, chocolate e outras delícias que na minha idade vão sobrando da cinta para fora, me enchendo de preocupação e promessas, como esta de levantarmos cedo.

                "Mentirooooso"!

                Mais uma parada em Buellton, no "Anderson Pea Soup", para assinarmos o livro de presença e beliscarmos uns sequilhos para não perdermos o costume.

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                Finalmente, no final da tarde chegamos em Santa Maria, cidade onde o Guilherme, do Hotel Marambaia Cabeçudas, de Itajaí, SC, morou, quando jovem, no século passado, nos deixando como herança para agora ser resgatada, o carinho do seu pai adotivo americano, o Jerry, que ao ser contatado, não levou mais de cinco minutos para estar no motel onde estávamos hospedados.

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                Creio que estava nos aguardando em algum lugar da US Route 101, muitas vezes tentando desalojar a US1 de cima do mar!

                Briga boa e nós ai no meio desse tiroteio!

                Força de papo, eu fazendo de conta que falava e ele educadamente, fazendo de conta que entendia, mas ambos salvos pelo Pedro.

                Maravilha ter um tradutor a tiracolo!
                Última edição por Dolor; 15-07-15, 11:38.

                Comentário

                • Dolor
                  Fazedor de Chuva

                  • Mar 2011
                  • 3250

                  #9
                  Capítulo 06 - 14/07/2015

                  Nem vou comentar mais sobre os nossos horários de saída de manhã tarde, privilégio de nós, adolescentes, com aquela impulsividade e irresponsabilidade saudável, especialmente quando é com os nossos, ou com aqueles entre os quais eu me insiro.

                  Alguém deve ter sussurrado; velho bobo!

                  Tentando afastar os fantasmas que insistem em mostrar a minha certidão de nascimento, em ponto, as onze horas estávamos partindo de Santa Maria, não a gaúcha, para o nosso destino ao norte, do qual nem estou mais seguro qual é, pois diante da pobreza dos quilômetros percorridos diariamente, Seattle, no estado de Washington, começou a ficar mais distante do que de costume, mas em contrapartida, e isso é verdadeiro, a riqueza dos nossos dias, todos, sem um segundo a menos, não interessa se em cima da moto ou não, tem as suas exatas vinte e quatro horas, portanto, não estamos nem aí para a tábua de distâncias, sendo que mudamos o refrão da nossa música para: ...estamos na Califórnia...curtindo a vida, numa boa...

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                  A noite que nos trouxe para esta manhã foi muito generosa, pois fui convidado para participar da sessão da Loja Maçônica Hesperian #264, da qual o Jerry, foi seu Venerável. Fomos muito bem recebidos e ficaram encantados com o Pedro, DeMolay, especialmente com as fotos que mostrei dos irmãos dele do Capítulo 548, de Balneário Camboriú, SC, totalmente formais, para surpresa dos nossos "hosts", completamente informais nos seus trabalhos Maçônicos, conforme pude atestar.

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                  Nas Lojas que tenho visitado, além dos procedimentos normais para a devida identificação do visitante, nunca havia feito juramento em cima da Bíblia, conforme aconteceu nesta ocasião.

                  Mais uma bela experiência de vida!

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                  Mas vamos lá, nem bem iniciamos a jornada e já estávamos em Pismo Beach, onde fomos almoçar no Splash Cafe, sugestão daquela nossa amiga lá de Cold Spring Tabern.

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                  Mais uma vindo conosco

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                  Demos sorte e pegamos a mesa de entrada, sendo que penso ter escutado uma oferta de cem "doletas" pelo lugar. Nos fizemos de surdos e valorizamos cada centavo barato pago pelos sanduíches, um aquele que vocês já sabem o tipo e o outro, o meu, de salmão, infelizmente delicioso, para meu desespero em fase de agradecimento para cada dentada dada.

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                  Circulamos pelo píer, tão comum nas praias americanas e tão raro nas nossas, pois em vez de fazerem alguma coisa assim do gênero, resolvem inventar, como aquele monstro sem nenhuma finalidade na Barra Sul, em Balneário Camboriú, SC, uma pinguela batizada como ponte, caríssima e de um mal gosto gritante.

                  Porém, o nosso objetivo era o Grover State Park, para andarmos com a moto pela areia da praia, num sacrifício gigantesco, pois a Dream, só de senti-la, corcoveia feita uma égua selvagem! Conseguimos chegar depois de uns dois quilômetros com o cabresto curto, no nosso ponto dos desejos, os ATV, para andar pelas dunas famosas do parque.

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                  De imediato aluguei um para o Pedro, tirei meu coração do peito, pela boca, e o segurei com ambas as mãos, pensando somente em bobagens, mas fazer o que, se somos assim, parte fantasmas?

                  Bem recomendado sobre os perigos desse tipo de pilotagem, orientei-o sobre o câmbio e achei por bem deixá-lo ir sozinho para experimentar a sua liberdade flertando com o perigo, pois somos obrigados a ir liberando-o, pois em menos de dois meses estará cumprindo dezessete anos e o cabresto, obrigatoriamente, terá de ir afrouxando.

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                  Vamos Vô, me convidava!

                  E isso ecoava na minha cabeça!

                  Vamos Vô...vamos Vô...

                  Resisti e uma hora depois coloquei o coração de volta no peito, batendo acelerado, agora pelo brilho nos olhos dele, feliz e orgulhoso do belo passeio, me contando sobre tudo o que havia visto e sentido.

                  Oh! Alívio!

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                  Voltamos a moto e depois de haver me ajudado a desatola-la da areia fofa, saímos procurando um lugar onde pudéssemos lavá-la, pois o sal escorria por toda a sua extensão, nos causando grande apreensão pela ação do salitre na sua beleza.

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                  Bem no centro, uma figura, o Marc, responsável por uma oficina de lanternaria, muito gentilmente deu um belo banho na Dream, deixando-a doce, do jeito como a queremos.

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                  Aproveitamos aqueles momentos e fizemos uma boquinha numa cafeteria quase em frente, deliciosa!

                  Não pudemos deixar de fazer um "en passant" por San Luis Obispo, onde nos lembramos dos queridos Sandra e Virgilio, de Pindamonhangaba, apaixonados por este pedaço de coisa boa e seguimos em frente para Cambria, onde jantamos...claro...nem percam os seus tempos em tentarem descobrir; hambúrguer na Main Street Grill, não sem antes visitarmos a famosa casa do Nit Wit, outro "landmark", construída com tudo quanto é...digamos...frutos do mar e da terra que foi encontrando ao longo das décadas.

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                  Fora da casinha!

                  E assim, chegando em San Simeon, nos alojamos no honesto Sea Breeze Inn, por U$95, praticamente de frente para o mar, com "breakfast".

                  Um verdadeiro achado dentro da zona dos dois dígitos!

                  Uiiiii!
                  Última edição por Dolor; 15-07-15, 12:26.

                  Comentário

                  • Dolor
                    Fazedor de Chuva

                    • Mar 2011
                    • 3250

                    #10
                    Capítulo 07 - 15/07/2015

                    Dormimos maravilhosamente bem e antes de encilharmos a Dream, fomos ao salão de café buscar um pouco de energia para iniciarmos o dia que prometia ser de muitos quilômetros e também de muitas emoções, haja vista a quantidade de atrações à serem visitadas.

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                    Clique na foto para abrir o álbum

                    Bem, quantidades de atrações decididamente não combinam com distância, no fundo sabia disso, mas...como esta não é a nossa preocupação básica, ajeitamos cada coisa no seu lugar, fizemos roncar a cavalaria e lentamente fomos nos afastando deste honesto motel, com a sensação de não encontrarmos mais nada pelo caminho nesta relação custo benefício, especialmente pela qualidade do quarto, impecável sob todos os aspectos. Cama larga, colchão firme, porém macio, roupa de cama excelente, limpeza, localização perfeita, enfim, vamos sentir falta dessa pequena mordomia de pobre, que se contenta com tão pouco quando não é agredido no bolso, apesar de judiados por este câmbio verdugo.

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                    Não importa, a US1 bem aos nossos pés era o convite para iniciarmos a jornada dessa quarta, desta semana alada, voando pelos ponteiros do relógio, cuja hora subtraiu alguns minutos, pois somente por este viés é possível justificarmos a velocidade com que a vida tem nos levado ladeira abaixo nesta dimensão.

                    Assusta!

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                    À medida em que o motor ia esquentando, os nossos olhares iam sendo dominados pela majestade do Hearst Castle, monumento catalizador de todas as atenções nesta parte da costa californiana, localizado na montanha mais alta dos altos de San Simeon.

                    Imponente!

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                    Demos sorte de haver lugar no tour das 11h:50 min, com tempo suficiente para assistirmos o filme contando a história impressionante da sua construção, ou melhor, do sonho de William Randolph Hearst em construí-lo, há praticamente 100 anos, pois o início dos trabalhos se deu em 1.919 e o término em 1.947, simplesmente uma obra de arte, cuja visita deve obrigatoriamente ser feita pelos passantes da área, por ele tão bem batizada de Costa Encantada.

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                    Adorei estar ali com o Pedro, fascinado com o descortinar de tanta beleza potencializada pela determinação do seu criador em materializar o seu sonho de criança com esta maravilha!

                    Com os meus botões pensava: deve ter sido mesmo um iluminado para dar conta de tantas coisas ao mesmo tempo, tendo em cada detalhe a sua impressão digital e não sei o final da história, mas a arquiteta Júlia Morgan deve ter enlouquecido, pois a cada visita dele, metade do que havia sido feito precisava ser refeito pelas novas ideias que trazia, enquanto eu tinha como responsabilidade cuidar de duas tartarugas, infelizmente, uma delas fugiu e a outra ficou prenha!

                    Um iluminado...ele!

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                    Uma informação adicional que contei para o Pedro, foi que a neta dele, anos mais tarde, na década de 70, foi sequestrada e depois de uma lavagem cerebral, segundo os seus advogados, acabou cooptando com a causa do Exército Simbionês da Salvação, cuja atitude é explicada como Síndrome de Estocolmo, quando a vitima se apaixona pelo seu algoz, e após adotar o nome de guerra de Tânia, partiu para o campo da bandidagem, chegando inclusive a assaltar, com os seus seqüestradores, um banco.

                    Se fosse no Brasil, provavelmente hoje seria a nossa presidente!

                    Mas como aqui não tem muita moleza, casou com o seu segurança, foi condenada, cumpriu parte da pena e foi indultada pelo Presidente Jimmy Carter.

                    Não deve ter sido fácil para ela não!

                    O Pedro adorou está parte da história real e os seus olhos brilharam ainda mais diante do fulgor da riqueza do que via, especialmente quando o guia lembrou os visitantes para não terem dúvidas: brilhou...é ouro mesmo!

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                    Quase levamos a estátua que ornava o imenso jardim!

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                    Enriqueceu ainda mais a nossa passagem por este monumento a nova amizade iniciada com o Dario e a Marina, casal de São Paulo, curtindo a US1, de Mustang conversível.

                    Um luxo!

                    Voltaríamos a nos encontrar poucos quilômetros à frente, quando almoçamos juntos e juntos devoramos um par de horas também!

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                    Elefantes marinhos

                    Prévia da viagem do dia, as quatro da tarde?

                    Menos de cinquenta quilômetros rodados, mas muita adrenalina da boa circulando pelas nossas almas, bem alimentadas!

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                    Após outras paradas para uma foto aqui e outra acolá, a próxima cereja seria a Bixby Bridge, segundo os fofoqueiros de plantão, a ponte mais fotografada e filmada em publicidade, no mundo.

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                    Nos detivemos outro par de meia hora, interagimos com uma família de suíços e seguimos para Carmel, onde deveremos retornar na manhã desta quinta, pois hoje foi impossível, e ponto final da jornada em Monterey.

                    Fico pensando: se para frente não estamos conseguindo evoluir, imagino tendo de voltar!
                    Última edição por Dolor; 16-07-15, 13:30.

                    Comentário

                    • Paula
                      Fazedor de Chuva
                      • Oct 2011
                      • 61

                      #11
                      Bom dia, Pai e Filho!

                      Que lindas as fotos e que delícia ler os teus relatos, Pai!

                      Estou viajando junto!!!

                      Comentário

                      • Dolor
                        Fazedor de Chuva

                        • Mar 2011
                        • 3250

                        #12
                        Capitulo 08 - 16/07/2015


                        Hoje o meu Lindinho teve "room service", incluindo suco de laranja, café com leite e "muffin"!

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                        A noite todo gato é pardo!

                        Até parecia um cinco estrelas, mas...o Thunderbird Motel, estava muito distante de fazer jus ao nome emprestado do famoso modelo da Ford, da década de cinquenta, um verdadeiro clássico, enquanto este aqui...bem...ainda se salvava o quarto, um meia boca, caro para os U$85 pagos, devendo confessar, o mais barato na região de Monterey.

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                        Normalmente não faço a conversão para o nosso combalido real para não ficar com dor de barriga, mas atualmente, em época de vacas magras a multiplicação por três e meio, confesso, tem judiado e muito!

                        Todavia, o importante é estarmos aproveitando a viagem, com o Pedrinho, como de hábito, muito bem humorado e tirando sarro o tempo todo, mostrando-se no trato com as pessoas um verdadeiro gentleman, enchendo de orgulho o Vô, que só tem bons olhos para ele.

                        Aliás...continuo com a minha estupefação de ser avô!

                        Às vezes não consigo me imaginar como tal, especialmente de um jovem, com praticamente dezessete anos, exatamente a idade que tinha quando conheci a Vó dele, tudo isso tão fresco e tão próximo dessa minha etapa da vida, cujo despertar para esta realidade parece nunca acontecer.

                        Quase não me acostumo com essa ideia, embora esta relação me dose num grau de responsabilidade enorme, especialmente quando verifico que os cabelos brancos são as testemunhas das viradas da roda do tempo, fazendo-me ocupar este novo ciclo e passar a ser o protagonista destas referências, como aqueles passados o foram para mim!

                        Vô, Vô, me dá o carregador do telefone?

                        Não tenho dúvidas, esse Vô, sou eu mesmo!

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                        Terminou de tomar o café, deu mais umas esticadas, ainda na cama, enquanto tento terminar de escrever e colocar algumas fotos neste nosso tópico, sem pressa, pois a única coisa que temos, pelo menos por enquanto é o tempo, portanto, numa época de tanta correria o termos para gastar assim gentilmente, é um privilégio!

                        Vai lá Querido, o Vô já deixou a pasta na escova de dentes, a toalha está pendurada no box e o shampoo junto com o sabonete...

                        Me emociono com essa repetição do que o meu Avô, rico no amor que tinha por mim, o esbanjava sem nenhuma economia, e mesmo sob alguns protestos, ainda saí melhor do que a encomenda e com toda esta receita decorada, despudoradamente, bato o bolo da mesma maneira.

                        Me belisco para voltar à tona!

                        Resolvemos abortar a ida para Carmel, pois apesar de muito próxima, já era passado e devíamos olhar para frente, para San Francisco, próxima, em torno de 200 km, porém, havia um aquário no meio, o famoso desta cidade onde estamos, a simpática Monterey.

                        Digamos que fizemos valer o valor pago pela diária e pouco antes das doze fomos acelerando, de leve, respirando o frescor característico da brisa marinha da costa da Califórnia, úmida, num "warm up" daquilo que encontraríamos em San Francisco, quando entramos na Cannery Row, a rua onde tudo acontece e com muita sorte e gentileza do motorista do caminhão de entregas que havia bloqueado aquela vaga, com um aceno de cabeça nos convidou à estacionar ali, retirando os cones e nos abrindo um espaço privilegiado, bem em frente ao Aquário. Estacionamos a moto numa das suas extremidades, carregamos o parquímetro e pensei; outras motos poderão aproveitar e estacionar!

                        Gentileza obrigatoriamente precisa gerar outra!

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                        Ficar por um pouco mais de um par de horas no aquário é no mínimo...criminoso, mas como não podemos nos deter tanto tempo em todos os lugares, fizemos um "scanning" pelas principais partes, algumas fotos e sinceramente, é inacreditável como conseguiram reproduzir o meio aonde vivem algumas espécies, simplesmente incríveis, dando-me, e com isto brincava com o Pedro, a sensação de que eram todos brinquedos eletrônicos.

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                        Impressionante!

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                        Também a generosidade desse povo, pois haviam placas de agradecimentos para aqueles que doaram mais de um milhão de dólares, com dezenas de nomes, e centenas para aqueles abaixo desse valor, para a construção dessa casa dos milagres da vida marinha.

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                        Sem dúvida, a doação é uma característica da formação cultural do americano!

                        Uma linda surpresa foi o bilhete encontrado em cima da Dream, deixado pelo casal Dario e Marina, aqueles que conhecemos no Hearst Castle, de passagem por aqui. O guardaremos com muito carinho e o mostraremos para a Prof. Claúdia, treinadora e campeã brasileira com o time de handebol do Colégio São José, de Itajaí, SC, conhecida do Dario, ex atleta da seleção brasileira do mesmo esporte.

                        O mundo vai ficando pequeno!

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                        Como registro, havia mais duas motos estacionadas junto da nossa!

                        Proados para a capital do norte da Califórnia, fizemos a entrada de gala pela Golden Gate Bridge, com o Pedrinho encantado com o que via, enquanto eu pensava; deveremos ficar uns três dias por aqui, tal o riso de encantamento e cumplicidade dele com o ar que nos envolvia!

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                        Se você vai para San Francisco, não esqueça das flores no seu cabelo...diz a música de Scott McKenzie, que nós pedimos licença para dizer que as estamos trazendo nos nossos corações.

                        If you're going to San Francisco...
                        Última edição por Dolor; 17-07-15, 16:02.

                        Comentário

                        • Dolor
                          Fazedor de Chuva

                          • Mar 2011
                          • 3250

                          #13
                          Capitulo 09 - 17/07/2015

                          O ar respirado seguramente é diferente por estas bandas. As pessoas me parecem, estão incorporadas ao espírito da cidade, ou melhor, elas são o próprio e agem com uma naturalidade incrível.

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                          A sensação é de uma enorme conspiração, tornando o clima que paira sobre a cidade, de felicidade, com as pessoas se portando de forma absolutamente naturais, dentro dos seus desejos, mas ao mesmo tempo, numa combinação coletiva de cada um por si, se é que faz algum sentido, este contraditório.

                          Ou seja, elas não estão nem aí para a hora do Brasil, tanto faz com "s" ou com "z"!

                          É gostoso andar pelas suas ruas, e nós, como bichos diferentes, encobertos pelos óculos escuros, nos permitimos dessa forma, trabalharmos com a visão no modo raio X, nos espantando com tudo aquilo que vamos vendo nesta grande fauna humana.

                          É impressionante como não dão a mínima e cada um segue o seu caminho, respeitando os espaços, as escolhas e consequentemente as decisões tomadas.

                          Temos muito o que aprender e evoluir, se é possível sonharmos com este tipo de conquista das liberdades individuais, nesta forma tão respeitosa e silenciosa como podemos observar.

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                          Cada um na sua!

                          Todavia, fica sempre uma questão no ar?

                          Como será a vida em casa?

                          Em família?

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                          Passando a camiseta do Pedro

                          Em que tipo de toca, boa parte dessa gente vive?

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                          Respostas que provavelmente nem eles têm, se é que dão importância para um abraço apertado, cheio de saudades, de uma mesa bem posta, de uma cama quentinha aquecida pelo amor da boa convivência, enfim, não estamos aqui para isso, porém, são objetos permanentes de conversas entre nós.

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                          Andando e filosofando!

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                          E neste ritmo, aproveitamos para caminhar, conhecer um pouquinho o entorno por onde vamos passando, registrando mentalmente e através dos nossos comentários tudo o que vamos vendo, desde o traçado urbano, transporte coletivo, bicicletas, skates, enfim, durante este nosso dia intenso, não pudemos perceber nem um fato que pudesse, por menor que fosse, alterar o conceito criado sobre esta grande cidade pequena, com pouco mais de 800.000 habitantes, totalmente espalhada, cuja meia dúzia de prédios encontrados em "down town", mostra ser uma cidade, aliás, padrão americano, totalmente horizontalizada, diferente das nossas, verticalizadas, mas mesmo assim, por ser um centro de contrastes, é a mais densamente habitada da Califórnia.

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                          Foto internet

                          Talvez a arquitetura vitoriana das suas casas seja um dos principais ingredientes desta sensação gostosa que se recebe, conferindo à cidade uma visão limpa e arejada, registrando contudo, que a quantidade de escritórios de arquitetura, consequentemente de gente pensante, e por outro lado, há quem os ouça, é uma das maiores dos Estados Unidos.

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                          Andamos de Cable Car, uma das marcas mais fortes de San Francisco, pelas ruas do centro, nos perdemos dentro da multidão presente no Fisherman's Wharf, encontramos amigos, fizemos novos, experimentamos rodar de limusine e deixamos a noite nos envolver no aconchegante Sears Fine Food, onde o Pedro matou a saudade do bom bife com batata frita.

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                          Faltou o feijão, mas dai também seria pedir de mais!
                          Última edição por Dolor; 18-07-15, 14:58.

                          Comentário

                          • Dolor
                            Fazedor de Chuva

                            • Mar 2011
                            • 3250

                            #14
                            Capitulo 10 - 18/07/2015


                            A liga do Pedro é boa!

                            O objetivo do dia era cruzarmos a Bay Bridge em direção à Oakland e na primeira oportunidade fazermos a volta para continuarmos rumo ao norte, passando, novamente pela Golden Gate Bridge.

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                            Bay Bridge ao fundo

                            Parece uma tentação, mas especialmente esta última exerce uma atração incrível, provavelmente por ser feita de açúcar, tal a quantidade de pessoas circulando tanto de carro, quanto de moto, de bicicleta, a pé, enfim, um festival de cores, de alegria e de idiomas, tendo-se a impressão que é a Torre de Babel sobre a água, com a diferença de todos saberem o que querem; estarem sobre ela!

                            Fazendo um pequeno ping pong, voltamos à primeira somente para adicionarmos algumas informações com o intuito de tentar apagar o fogo da nossa incapacidade tupiniquim despejando gasolina a rodo. Explico: a nossa heroína em questão foi construída entre 1.933 e 1.936, num total de 3 anos e 4 meses, com quase 6 km de extensão, 20 m de largura e pasmem, com dois andares, pois o debaixo leva para Oakland e o outro trás para San Francisco, incluindo um túnel e custa de pedágio U$5,00, cujo pagamento acontece somente quando a viagem é para esse último destino.

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                            Foto Christian Mehlführer

                            Enquanto as nossas...bem...não conseguimos nem nivelar as suas cabeceiras com a pista, havendo em todas, sem exceção, aqueles famosos e irritantes ressaltos!

                            Incompetência ou burrice?

                            Para nós foi um prazer enorme fazer este bate volta, no mínimo da velocidade permitida, com o Pedro, num momento de absoluto prazer, para meu desespero, retirou o capacete, sentiu o vento puro da Baía enquanto eu, recalcado, pedi-lhe para que o recolocasse, preocupado com a possibilidade de sermos pegos em flagrante, posto o uso desse equipamento ser obrigatório no estado da Califórnia.

                            Cada estado tem a sua própria legislação a este respeito!

                            Outra maravilha esta independência estadual!

                            O trânsito foi pesado o tempo todo, num grande mar de carros nos dois sentidos, nos tomando um tempo extra para este passeio.

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                            Clique nas fotos para abrir o álbum

                            Cruzamos novamente San Francisco, com direito a almoço em Little Italy, sentados na mesa do lado de fora na calçada, quando a tal da liga do Pedro se fez presente, pois mal havíamos tomado assento, um casal postou-se a sua frente e iniciou um diálogo sobre quem ele era, de onde vinha, enfim, já sentados, todavia recusando o convite para almoçarem conosco, pois estavam vindo de outro restaurante, ali permaneceram por um ótimo tempo, de onde pudemos comprovar a gentileza dos habitantes da área, representados aqui pelo Sr. e Sra. Bierman, ele professor aposentado de filosofia da Universidade de San Francisco, 91 anos, escritor, tradutor, presidente por dois mandatos do Sindicato dos Professores da Califórnia, piloto da marinha na Segunda Guerra Mundial, entre os anos de 1.943 até o final em 1.945, enfim, uma personalidade, que obviamente não mencionou nem de longe, nenhuma dessas suas qualificações, mostrando-se, como convém aos grandes, a modéstia como a principal das suas virtudes, extremamente conhecido na área, por ser seu habitante desde 1.951.

                            O tempo simplesmente voou e ficamos encantados com o carinho deles para conosco, especialmente a forma como trataram o Pedro.

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                            Carinha de sorte!

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                            Ainda tínhamos pela frente Chinatown e a Lombard St., especialmente a sua parte florida e curva, pois havíamos nos hospedado no Lombard Plaza Inn, na sua continuação, honesto, por U$125,00...bem, vamos fazer de conta que se fosse em reais, nem de longe nos hospedaríamos em alguma coisa parecida por este preço.

                            O câmbio judia!

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                            Um verdadeiro parto a espera pela descida na Lombard, sem a mínima chance de pararmos para uma foto.

                            Lotada o tempo todo!

                            As vezes penso que aquelas hortênsias são de plástico, pois estão sempre em flores, viçosas e bonitas, praticamente todas na cor rosa.

                            Uma beleza!

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                            Finalmente alcançamos a Golden Gate, a cereja do bolo, inaugurada em 1.937, praticamente meio ano depois da Bay Bridge, uma jóia da engenharia, com quase 2.800 m de extensão e o mais incrível, com cerca de 2.000 m, de vão livre, ou seja, uma grande pinguela transportando milhares de carros e pessoas diariamente, além de suportar vendavais incríveis, como em 1.982, quando foi suspenso o trânsito, pois o vento a fazia balançar, fato repetido antes em 51, depois em 96 e por último em 2005.

                            É ou não é incrível?

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                            Foto internet - Ponte Hercílio Luz com 821 m e vão livre de 339 m

                            Continua, para desespero da catarinense Hercílio Luz, em Florianópolis, claro, nesta franca atividade, enquanto a nossa, sei lá porque cargas da burrice da engenharia empregada, encontra-se desativada desde 1.991, quando deve ter consumido na sua manutenção, somente durante este período, seguramente, o suficiente para a termos demolido e a reconstruído em bases mais sólidas.

                            Revoltante...é a nossa passividade!

                            Com aquele mesmo trânsito pesado de todo o dia, seguimos direção ao norte, trocando a US1 pela US101...mas não adiantou, quando liberou para rodarmos frouxos, a noite, ainda clara nos pegou e aqui é assim, não parou para conseguir hotel até as 19h, normalmente pode tirar o cavalo da chuva, porque as possibilidades de se hospedar com preço mais humano vai rareando.

                            O que dizer então as 20h, quando paramos?

                            Doeu!
                            Última edição por Dolor; 19-07-15, 23:57.

                            Comentário

                            • Dolor
                              Fazedor de Chuva

                              • Mar 2011
                              • 3250

                              #15
                              Capitulo 11 - 19/07/2015


                              Hoje terminei o dia cansado!

                              Não sei se fruto das noites curtas de sono que vão se avolumando, se por causa da estrada, um misto entre US1 e 101, totalmente travadas, apesar da extrema educação dos motoristas, todos, sem nenhuma exceção, gentis quando possível em saírem nos "turn out", ou mesmo na ausência destes, no menor acostamento encontrado param os seus veículos para que os mais rápidos possam fazer as ultrapassagens, pois somente em raros casos, não há a dupla faixa amarela central, obedecida no seu limite.

                              Como todos obedecem a sinalização, mesmo em alguns casos, vamos dizer...poderia se fazer a ultrapassagem, mas dai vem a vergonha imposta pela infração a ser cometida, tornando o infrator diferente, portanto, feio.

                              Melhor ser este tipo de vaca de presépio, pois nos mais de 1.500 km rodados, não vimos nem um acidente, melhor, nem uma ameaça, com as rodovias apinhadas, porém, sem selvageria!

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                              Caixas de correio, mais americanas, impossível!

                              Gente civilizada e tão pouco percebemos nas rodovias nenhuma viatura da polícia, nem sinal de radar, de pardal, de pedágio, enfim, cada macaco no seu galho e as coisas fluindo.

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                              Socializando

                              Como é bom se viver este ambiente de educação e de respeito!

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                              Mesmo assim, em débito com o sono, dormimos maravilhosamente bem no Super 8, em Cloverdale, parecendo novo, saído da caixa, por honestos U$151, mas com aquele fantasma do câmbio de sempre, café da manhã o necessário e partimos rumo ao que seria, pelo menos em pensamento, a nossa pernada final rumo ao norte, pois desde há muito eliminamos a ideia de irmos até Seattle, WA, em função do descanso, e nem poderia ser diferente, com que temos realizado a nossa viagem.

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                              O objetivo principal seria Leggett, com a sua milenar Chandelier de mais de 2.400 anos, permitindo, dado o seu gigantesco tamanho, de aproximadamente 100 m de altura, diâmetro da base de quase 6,5 m, e foi, segundo os especialistas de plantão, esculpida por um Underwood, de nome Charlie, crê-se nos anos 30, cujo parentesco com o meu amigo Todd Underwood, de Loma Linda, checarei, o...digamos...buraco, por onde passam os carros.

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                              Incrível e emocionante todo o entorno habitado por este tipo de gigantes!

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                              Foi também o caminho que nos levou até este ponto, em determinados momentos com as rodovias somente nossas, quando podíamos aproveitar aquela paz por entre montanhas mas sempre acompanhados pelo Pacífico, totalmente recortado por praias de todos os tamanhos e em algumas por muita gente, ora surfando, ora caminhando ou acampando.

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                              Lembro que os americanos vivem as suas férias escolares de verão, aquelas longas, quando aproveitam para circular, pelas proximidades de onde vivem, o que já é uma festa, ou então, como temos visto, placas de outros estados, porém, a campeã, disparada, são as da Califórnia.

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                              Estamos em Gaberville, na entrada da Avenida dos Gigantes, bem satisfeitos com a amostra vista, além das atrações que já começaram, a cada milha praticamente uma.

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                              Gasta-se muitas horas e pouca quilometragem!

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                              Guardo, entretanto, uma pulga atrás da orelha, a respeito do domínio da internet, especialmente sobre os jovens, através das suas redes sociais, a princípio, sem nenhum benefício cultural visível, a não o risco da exposição desnecessária, lembrando o Pedro, todo o tempo, para aplicar os três filtros de Sócrates:

                              - o que vais escrever sobre alguém é verdadeiro?
                              - o que irás digitar será útil para o destinatário?
                              - o que enviarás será bom para o teu amigo, ou grupo, não importa?

                              Nesta convivência diuturna, posso reparar, sem nenhum esforço, a força e atração que estes instrumentos exercem sobre ele, impedindo-o de fazer uma leitura enriquecedora para a sua vida, e mesmo que tenhamos conversado o dia inteiro sobre os mais variados assuntos, não é salutar vê-lo totalmente entretido nestas comunicações, cujo teor ainda não tive oportunidade de conferir, assim que entramos nos quartos dos hotéis, ou quando há uma chance intermediária, em qualquer parada pelo meio do caminho.

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                              Foto internet

                              É um vício, extremamente preocupante, e durante as longas viagens diárias, o mais comum é se ver, a maioria absoluta das pessoas, sejam motoristas ou passageiros, ou nos restaurantes, postos de gasolina, no exercício
                              dos seus trabalhos, no meio das atrações, enfim, pode-se sem medo de errar, dizer; onde há um smartphone tem uma pessoa mergulhada de corpo de alma, tipo um zumbi, não tendo a mínima noção do que acontece ao seu redor.

                              Ah! Também não tem idade!

                              Um perigo...esta doença do século XXI, totalmente contagiosa e avassaladora!

                              Hoje meus irmãos...tive mais um dia de sobriedade e não acessei a internet!

                              Viva!

                              Uma salva de palmas para este nosso irmão, dizem os membros da SDI, "Sóbrios Da Internet"!

                              Imagino este tipo de depoimentos em reuniões de Anônimos, se é que já não começou!

                              Hummmm...
                              Última edição por Dolor; 20-07-15, 13:47.

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