TRANSAMAZÔNICA (BR-230) - Um desafio na minha vida, um caminho a ser trilhado.

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  • Gilmar Dessaune
    Fazedor de Chuva

    • Oct 2012
    • 6891

    #16
    VFC Verô,

    Agora sim, o tópico está no devido lugar: Almas Inquietas.

    Bora contar histórias deliciosas de ver e ler, tamos na garupa.

    Abração.

    Comentário

    • Cicero Costa
      Fazedor de Chuva
      • Mar 2014
      • 13

      #17
      Que maravilha! O tópico agora estar no seu devido lugar, estou com lágrimas nos olhos. Que felicidade! muito obrigado a vocês moderadores pela SABEDORIA e DISCERNIMENTO que vocês sem dúvida nenhuma tem. Como é bom fazer parte desta irmandade. Um forte abraço a todos.
      Última edição por Cicero Costa; 11-04-15, 10:37.

      Comentário

      • Gilmar Dessaune
        Fazedor de Chuva

        • Oct 2012
        • 6891

        #18
        FC Cícero Costa,

        Suas palavras nos comovem e TAMBÉM nos trazem lágrimas de felicidade. Afinal como é bom compartilhar tão bons e puros sentimentos nesse mágico Território Fazedores de Chuva (TFC). Eu só num digo que estou me emocionando porque estou velho, pois sempre me emocionei. rsss

        Uma felicidade contagiosa nos conduz a procurar fazer sempre o melhor, mesmo com nossas imperfeições pois somos humanos e o erro é inerente a nossa espécie.

        São aventureiros como vocês que fazem do TFC um local onde cada vez mais insanos da boa insanidade se reúnem, se misturam, se respeitam e se apoiam para cada vez mais conquistar não somente os desafios em sí, mas o crescimento de nossas Almas Inquietas.

        Obrigado pelas gentis palavras.

        Graaaande abraço, afinal em seus peitos pulsam corações iguais a esse >>>>>

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        • Everardo Passos Luz
          Fazedor de Chuva

          • Jun 2013
          • 1351

          #19
          Depois de praticamente dois dias na pitoresca Santarém estamos com as baterias recarregadas para continuar nossa aventura.

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          A BR-163 que liga Santarém a Rurópolis, se inicia para a gente com um asfalto bem razoável, mas a parte final, quando se encontra com a BR-230, está em obras e as mesmas trazem consigo muita poeira, buracos e piso revolvido, e consequentemente muito perigo. O remédio é seguir o provérbio - "cuidado com o andor que o santo é de barro".

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          Rurópolis é um dos pontos onde a 230 se funde com a 163, até próximo a Itaituba. Esta pequena cidade de beira de estrada é outro exemplo de como se viver debaixo de muita poeira vermelha, pois é, achamos isso, mas um frentista do posto onde abastecemos disse: "vocês não viram foi nada, ainda não entramos na época da poeira". Fiquei só imaginando!

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          Um pouco à frente chegamos a mais uma ponte de madeira e paramos para umas fotos. Vocês com certeza estão com vontade de sugerir um banho, eu também estava com muita vontade, mas não tínhamos reserva na agenda, não podemos esquecer que o tempo "ruge" e a Transamazônica é imensa.

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          Um pouco mais à frente fizemos uma parada técnica numa localidade chamada Divinópolis. Estacionamos as motos em frente à estação rodoviária local e nos dirigimos para o restaurante ao lado, o SR. A intenção era só um lanche, mas como o almoço estava servido e tinha boa aparência, e a viagem terminaria cedo, pois dormiríamos em Itaituba, caímos de boca. O Manga com suas estranhezas agarrou-se com um enorme pote de sorvete e deu-se por satisfeito. Depois do almoço o Rocha ainda pousou de dono do negócio, parecia um mafioso local.

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          Daí pra frente era atingir a margem direita do rio Tapajós, embarcar em uma balsa para a travessia até Itaituba, e "zefini" por hoje. Pouco antes de chegarmos à balsa, o Rocha, que puxava o pelotão naquele momento, presenciou um acidente de um nativo em uma Honda Pop 100. Ao tentar cruzar uma pequena vala escavada pela chuva no meio da pista, coisa bastante abundante em toda extensão da rodovia, perdeu o controle da moto e levou um tombo. Felizmente, só pequenas escoriações.

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          Olha Itaituba aí pessoal, estamos chegando. Na verdade chegamos por volta das 14 h, e vocês podem estar se perguntando: porque tão cedo? Gente aqui não é como nas outras regiões, a próxima "cidade" está a 400 km, e antes teríamos que atravessar o Parque Nacional da Amazônia, sem contar a necessidade de abastecimento fora do padrão em barracão de beira de pista. Será que isto é suficiente?

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          Durante a travessia entabulamos uma conversa bem animada com um nativo de nome Caçula e o mesmo se ofereceu para nos levar, no seu carro, até um balneário onde existe um fervedouro, fenômeno bem conhecido e típico do Jalapão. São nascentes de água sob pressão e que não te permitem afundar. Deixamos tudo combinado e ele ainda nos indicou o hotel para nos hospedarmos, onde ele nos pegaria. Para variar o Manga preferiu não ir, ficou no prejuízo, foi uma delícia de banho.

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          Comentário

          • Everardo Passos Luz
            Fazedor de Chuva

            • Jun 2013
            • 1351

            #20
            Logo depois que saímos de Itaituba, dia amanhecendo, e sempre acompanhado a margem esquerda do rio Tapajós, vemos os primeiros sinais reais de que estamos na Floresta Amazônica. Pelas pesquisas e planejamento prévio já contávamos com isso.

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            Logo damos de cara com uma placa que nos avisa que estamos entrando no Parque Nacional da Amazônia. O Parque Nacional da Amazônia situa-se no município de Itaituba, na região sudoeste do estado do Pará, e abrange ainda os municípios de Aveiro (PA) e Maués (AM). O Parque situa-se às margens do rio Tapajós e faz parte do mosaico de Unidades de Conservação da BR-163. O Parque é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral e foi criado em fevereiro de 1974 como parte do Programa de Integração Nacional (PIN), logo após a construção da Rodovia Transamazônica BR-230.

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            Mesmo sabendo por informações locais que o parque está sendo agredido às escondidas e que vai terminar sendo algo para turista ver, foi uma sensação maravilhosa sentir o aroma, o silêncio ou o barulho da floresta, bem como a sensação de mudança de clima e a constatação do aumento em alta escala da umidade do ar. Particularmente eu adorei a experiência, e ainda tivemos o prazer de encontrar animais silvestres característicos da região, como uma enorme família de macacos, e muitas aves, entre elas, a bela arara. Logo que saímos da reserva a mudança da paisagem é imediata, fruto dos desmatamentos descontrolados e das implantações de fazendas e serrarias ilegais.

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            Quando chegamos a um local conhecido como km 180, por estar a 180 km de Itaituba, encontramos um barracão que era um misto de bar, restaurante, pousada, posto de gasolina, e posto telefônico, pois tinha até um "orelhão", que pasmem, funcionava. Ali parece ser um ponto de encontro de tudo que é ilegal: garimpeiros, madeireiros e outras coisas mais. Alguém do grupo usou o telefone, comemos alguma coisa e abastecemos as motos com gasolina a R$ 4,50 o litro, felizes da vida, mais felizes do que chegar no litoral do Rio e SP, por exemplo, nas bocas das refinarias, e pagar quase a mesma coisa.

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            Um pouco mais à frente, do outra lado da rodovia, mais indícios de que coisas ilegais acontecem por ali: uma pista de pouso sem registro com vários aviões no chão, um barracão de péssimo aspecto e sem nenhuma segurança, e muitos tambores de combustíveis estocados a céu aberto e de forma inapropriada.

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            E alguém com seu equipamento fotográfico sempre no ponto.

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            A estrada no interior do Parque e até Jacareacanga é estreita e tem piso bom, e por isso muito perigosa. Os motoristas locais dirigem ali como se estivessem em autoestrada e pilotar ali é uma sucessão de sustos depois de cada curva ou nos topos da subidas. Infelizmente aconteceu o que não esperávamos: um micro ônibus tirou o Rocha da pista, ele perdeu o equilíbrio e foi ao chão. O acidente por si só foi bastante simples já que o Rocha havia conseguido reduzir bastante a velocidade até o momento da queda, mas uma apoiada de mal jeito sobre um dos braços lhe trouxe uma lesão imediata e com muita dor. Depois de nos hospedamos o passo seguinte era procurar atendimento médico e tentar minimizar a dor intensa que o Augusto Rocha sentia. Não posso deixar de registrar que hoje fomos batizados pela chuva, desde que entramos na Transamazônica de Terra, uma mistura um tanto quanto insalubre: barro vermelho + água = sabão.

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            Buscamos os recursos que poderíamos dispor naquele fim de mundo, fomos todos bem tratados é verdade, mas as carências da cidade são gritantes. Chegamos a temer pela continuidade do Rocha no projeto, e até começamos a estudar alternativas de como retirá-lo dali, juntamente com sua motocicleta. A primeira decisão foi tomada: passar o dia seguinte na cidade esperando a evolução do quadro do nosso amigo. O lucro de tudo isso ficou por conta da motos que tiveram direito a cuidados especiais.

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            Todas as decisões serão tomadas amanhã, de acordo com o comportamento do machucado, lógico. Uma coisa ficou patente: nós éramos um grupo e faríamos de tudo para permanecer unidos e solidários.
            .
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            Última edição por Everardo Passos Luz; 13-04-15, 00:57.

            Comentário

            • Everardo Passos Luz
              Fazedor de Chuva

              • Jun 2013
              • 1351

              #21
              O dia de ontem, parados na cidade de Jacareacanga, e sem atividade, nos deixou muito apreensivos sobre os destinos dos Quatro Mosqueteiros. Até a hora de ir para a cama o braço do Rocha não tinha evoluído quase nada, e ele estava suportando tudo à base de analgésicos. Como de costume, e sem enrolação, quando o dia amanhecia já estávamos todos prontos, e hoje para minha surpresa, não foi diferente, quando me arrumei e saí do quarto o Rocha já estava pronto como se tudo estivesse normal, e falou: vou fazer um teste e tentar pilotar usando o braço esquerdo o mínimo possível. Achei que não daria certo, que ele não suportaria. Daqui a Apuí são quase 300 km de estrada de terra com buracos e costela de vaca. Fiz minha oração, entreguei tudo nas mãos de Deus, que seja feita a Tua vontade.

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              Tudo pronto para a partida, sol ainda por nascer, e o Rocha está sentado lá no fundo, encostado na coluna, braço na tipoia. Hotel e Restaurante Mistura Paraense, o nosso reduto em Jacareacanga, tudo muito simples mas agradável, e tratamento muito cordial.

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              Posando com a dona do hotel, Dona Elda, pessoa de fino trato, muito simpática e prestativa, professora e mestranda em educação. Registramos os nossos sinceros agradecimentos a essa senhora que nos ajudou inclusive no atendimento médico do Rocha.

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              A cidade fica a oito/dez km da BR-230, e lá existe um portal, quando paramos para fotografar o Rocha se aproximou e disse: vou andando devagarinho e vocês me alcançam. Ficamos ali por alguns minutos e depois partimos atrás dele, sempre apreensivos em como terminaria aquele dia.

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              Alguns quilômetros à frente chegamos ao igarapé que marca a divisa natural entre o Pará e o Amazonas. Eita Parazão grande, foram nove dias desde que iniciamos a sua travessia. Praticamente não existe referência a essa divisa, mas registramos assim mesmo.

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              Daí pra frente demos uma acelerada tentando alcançar o Rocha. Ainda fiz algumas fotos, como essa da árvore de garças, e chegamos às margens do rio Sucunduri para a travessia por balsa e nada do nosso companheiro machucado.

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              Cuidado aí que a coisa está muito escorregadia! Dissemos um ao outro.

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              Quando desembarcamos do outro lado encontramos Rocha todo satisfeito no Restaurante da Dona Rosa, nem parecia machucado, pilotou com algumas dores mas rápido. Esse fato abriu novos horizontes para nossos projetos. Deus estava tomando as suas providências, mas a coragem e determinação do nosso amigo são dignas da nossa admiração e respeito. Quando fiz uma avaliação se fosse comigo, achei muito provável ter desistido.

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              Grata surpresa quando descobrimos que Dona Rosa é Piauiense, da região de Angical, casada com um Maranhense, seu Cotrim, e estão vivendo aqui a 16 anos. Gente muito simpática e acolhedora. Uma foto com toda a família de Dona Rosa que se encontrava no local.

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              Uma pequena parada para troca de informações entre viajantes.

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              Chegamos a Apuí por volta das 14 h e nos hospedamos no melhor hotel de toda a viagem, tudo novo, limpo, espaçoso e com qualidade. Olha o preço da gasolina, em julho/2013.

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              Em seguida fomos, de taxi, até um balneário com uma bela cachoeira, lá almoçamos e ficamos um bom tempo batendo papo e espairecendo. Estávamos felizes por estarmos ali realizando o nosso sonho.

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              • Everardo Passos Luz
                Fazedor de Chuva

                • Jun 2013
                • 1351

                #22
                O fato de sabermos que o Rocha poderia pilotar nos trouxe tranquilidade e o ânimo geral era muito bom. A ordem agora era só pilotar com cuidado redobrado e atingir os objetivos traçados no planejamento. Hoje a nossa meta são os 400 km que nos separam de Humaitá-AM, última parada antes do final da BR-230, em Lábrea-AM. Estamos chegando!

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                Quando saímos de Apuí, às 7h, fomos surpreendidos por um denso nevoeiro que nos acompanhou por mais de uma hora. Esta foto mostra nossa visão de frente.

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                O nevoeiro produzia lama na viseira e nos óculos quando se misturava à poeira. Tive que pilotar por muito tempo sem óculos e com a viseira levantada, muito perigoso e ruim.

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                Quando o sol foi conseguindo abrir caminho em meio à cerração as coisas foram voltando ao seu estado natural.

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                A seguir mais uma balsa, para a travessia do rio Aripuanã.

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                Haviam nos informado que após a travessia do Rio Aripuanã a estrada viraria um tapete. Informação correta, e pela primeira vez pude viajar por um asfaltamento feito com compactação de barro. Estrada melhor que muitos asfaltos novos por aí. Viajamos a 90/100 km/h por uns 130km. Lógico que isso veio após uns 5 km de estrada que estavam em recuperação, afinal estamos na Transamazônica. Aqui é difícil pilotar sem alguns sustos e derrapadas.

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                Parada em Santo Antonio de Matupi para abastecimento nosso e das motos. Lugarejo movimentado e com estrutura para acolher viajantes. Postos, restaurantes, pousadas, comunicação. Um dos poucos lugares que me surpreendeu para melhor, apesar da terrível poeira, pois quase não tinha informações sobre esse lugar.

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                Agora os últimos 200 km antes do rio Madeira e da cidade de Humaitá, e fomos alertados que não passaríamos pelas terras indígenas sem pagar o famoso "pedágio". Aqui tivemos que pagar R$ 10,00 por moto, e ainda proíbem fotografar. Não entendi o porque, mas dentro da reserva a estrada está muito ruim, muito esburacada e sem conservação.

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                Quando saímos da reserva a estrada voltou a ficar boa, foi então que encontramos uma infinidade de borboletas fazendo revoadas por toda a estrada, um fenômeno realmente surpreendente. Valeu o espetáculo.

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                Nossa última balsa do dia e penúltima da Transamazônica, rio Madeira e do outro lado a cidade de Humaitá. Ficamos hospedados no hotel Brasil e fomos recepcionados pelo amigo Rogério Paula, que nos levou para um delicioso jantar à base de tambaqui e pirarucu e também nos passou informações sobre o que iríamos encontrar pela frente no dia seguinte.

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                AMANHÃ É O DIA "F", F DE FIM, FINAL DA BR-230, A TÃO TEMIDA E AGORA NOSSA CHEGADA RODOVIA TRANSAMAZÔNICA.
                .
                .
                Última edição por Everardo Passos Luz; 13-04-15, 16:10.

                Comentário

                • Everardo Passos Luz
                  Fazedor de Chuva

                  • Jun 2013
                  • 1351

                  #23
                  O grande dia, o final da transamazônica.

                  Hoje é, sem dúvida, um dos dias de maior expectativa das nossas vidas, o dia de atingir um objetivo muito desejado, os 200 km mais importantes da nossa aventura. Temos uma ideia do que vamos encontrar pela frente, mas as dificuldades serão determinadas por um único fator: "a chuva". Se chover, e dependendo da quantidade, as coisas podem ficar muito difíceis.

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                  Portal da cidade de Humaitá na saída que dá acesso a Porto Velho e Manaus.

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                  A viagem começa com um pequeno trecho de asfalto e em seguida uma estrada de barro vermelho em bom estado. Choveu aqui, mas já faz algum tempo, por isso ainda podemos pilotar com relativa segurança.

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                  Então chegamos à bifurcação com a famosa Rodovia Fantasma, a BR-319. Logo ali na frente, à direita, nos espera um desafio ainda maior, mas que virá depois da conclusão deste.

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                  Logo depois desse ponto descobrimos que havia chovido durante a noite, e então a coisa mudou e nos fez andar muito devagar e com todo cuidado do mundo.

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                  Com toda essa lubrificação aplicada à estrada foi inevitável que ocorressem alguns tombos, felizmente sem consequências, e quem mais sofria era o Rocha, pois o seu braço ainda continuava machucado e sem força suficiente para suportar alguns trancos.

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                  Mais uma balsa em nossa aventura, essa a mais perigosa de todas, e movida a força humana.

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                  Paisagens que vimos nos momentos em que a lama diminuía.

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                  Depois de aproximadamente oito horas de "viagem" chegamos ao portal da cidade de Lábrea. Nas proximidades da cidade ainda existe um resto de asfalto, na realidade mais buraco que asfalto, e foi aí que o Rocha saiu com a pérola: "esse é o melhor asfalto que já andei".

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                  E finalmente a cidade e a conclusão desse desafio. Cansados, famintos, mas felizes.

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                  Ainda em Humaitá avaliávamos as possibilidades de retornar no mesmo dia, como não foi possível, por motivos óbvios, fomos conhecer detalhes da cidade. O rio Purus é a sua alternativa de comunicação quando a estrada fica intransitável.

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                  No dia seguinte, bem cedo, hora de voltar.

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                  Como foi a volta? Ah! isso é outra história e vai ficar para outra oportunidade.
                  .
                  .

                  Comentário

                  • Everardo Passos Luz
                    Fazedor de Chuva

                    • Jun 2013
                    • 1351

                    #24
                    Essa viagem não terminou em Lábrea, a Transamazônica sim, mas essa aventura teve continuidade e muitas histórias para serem contadas. Abaixo alguns lugares por onde passei/passamos até a volta para casa.

                    Rodovia Fantasma, BR-319, com direito a dormida na floresta e dois dias de fome, por um erro de avaliação.

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                    Manaus, com direito a encontro das águas e Teatro Amazonas.

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                    Presidente Figueiredo, paraíso das cachoeiras.

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                    Cruzando a linha do Equador.

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                    Pacaraima, fronteira com a Venezuela.

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                    Em Bonfim, fronteira com a Guiana.

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                    Atravessando terras indígenas, asfaltadas e sem pagar pedágio.

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                    Viajando de barco com destino a Belém. Quatro dias sozinho no rio Amazonas, os outros, cada um seguiu seu destino.

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                    Desembarcando em Belém e seguindo para casa, só 1.240 km.

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                    E O FINAL, mas somente dessa aventura... começo de muitas outras.
                    .
                    .

                    Comentário

                    • Everardo Passos Luz
                      Fazedor de Chuva

                      • Jun 2013
                      • 1351

                      #25
                      Para finalizar minhas postagens relativas a esta viagem quero registrar o lançamento do livro escrito pelo meu irmão/amigo/companheiro de viagens, Augusto Rocha, que com toda sua peculiar habilidade de escritor registrou de forma imortal a nossa grande aventura pelas regiões Nordeste e Norte do Brasil. Embora ele tenha nascido em Oeiras, vive com a família em Fortaleza-CE, e mesmo assim prestigiou a sua cidade e a mim fazendo o lançamento do livro na nossa cidade. Foram momentos marcantes e com muita carga emocional.

                      O livro: "CARREGADORES DE MELANCIA"

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                      O convite oficial para o evento. Estavam presentes motociclistas e amigos do PI, CE, PE, BA e SP.

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                      Não sei quem já teve o prazer de ver a sua casa tão bem decorada como a minha ficou durante esses dias.

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                      Registros do evento, e literalmente carregando melancias.

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                      Saindo para um passeio pela cidade, guiando uma caravana de pessoas especiais, motociclistas.

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                      Os Quatro Mosqueteiros e a Gigi, filha do Sáris.

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                      Momento de relax antes da festa.

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                      Com os amigos Demontier e Wyle.

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                      Tive a honra de fazer a apresentação do livro, ladeado pelo Manga e o Sáris.

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                      Novamente todos juntos.

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                      Hora dos autógrafos.

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                      Meu filhote, José Neto, também recebendo o seu, devidamente autografado.

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                      Nesta foto todos já desafiaram as BR-230 e 319, menção honrosa para o casal com as melancias que fizeram isso sozinhos.

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ID:	204009

                      A foto abaixo registra o encontro dos dois grupos que viajaram simultaneamente, com roteiros um pouco diferentes, e nos encontramos em agosto em Fortaleza. O Luiz Almeida representa e Walter Raio que já havia partido, e o Marcelo Guimarães representa o Manga que já estava em Sorocaba.

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ID:	204014

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Name:	cm 19c.jpg
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ID:	204017

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ID:	204020

                      GRANDE ABRAÇO A TODOS QUE ACOMPANHARAM ESSES POSTS.
                      .
                      .

                      Comentário

                      • Gilmar Dessaune
                        Fazedor de Chuva

                        • Oct 2012
                        • 6891

                        #26
                        Bom dia VFC Verô,

                        Ainda aqui degustando essa aventura!!!!

                        Espetacular, linda, gigante, emotiva, desbravadora e fustigadora: vontade de rodar por esses cenários!!!!

                        Deixa eu ver tudo de novo, com mais calma... rssss

                        Abração.

                        Comentário

                        • Allan Gustavo
                          Fazedor de Chuva

                          • Jun 2013
                          • 140

                          #27
                          Apenas uma palavra para descrever este relato: SENSACIONAL!

                          Pensando bem, acho que não há palavras para descrever o que vocês vivenciaram neste desafio...acho que melhor definição seria a felicidade estampada nas faces em cada foto...de trilhar os caminhos desta região que guarda tesouros, muitos deles só acessíveis para aventureiros como vocês, que fazem acontecer...

                          E realmente a vontade que dá ao concluir essa leitura é de pegar a moto e o rumo da BR-230 justamente para tentar encarar uma empreitada destas....quem sabe um dia chegaremos lá hahaha

                          Parabéns a todos pelo desafio!

                          Abraços!

                          Comentário

                          • Everardo Passos Luz
                            Fazedor de Chuva

                            • Jun 2013
                            • 1351

                            #28
                            Obrigado pelas palavras Allan, é realmente uma experiência única. Vez por outra nos surpreendemos sonhando com tudo que aconteceu nessa aventura, quer saber, às vezes dá vontade de repetir! Como deves ter percebido minha casa está em uma cidade às margens da 230, se um dia decidires vir estaremos aqui prontos param recebê-los. Grande abraço.

                            Comentário

                            • Gilmar Dessaune
                              Fazedor de Chuva

                              • Oct 2012
                              • 6891

                              #29
                              VFC Verô, bom dia!!!

                              Repetir???

                              É insano mesmo, GCFC, VFC e NFC Dolor, reserva um leito no Grande Quarto aí... kkkkkk

                              Como diz o ditado: porteira que passa um boi passa uma boiada.

                              Abração.

                              Local de repouso aos insanos como o VFC Verô e VFC Manga: com direito a camisa de força e choques elétricos a cada hora.
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Name:	hospicio.jpg
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ID:	204229

                              Comentário

                              • Allan Gustavo
                                Fazedor de Chuva

                                • Jun 2013
                                • 140

                                #30
                                VFC Everardo,

                                Imagino como deve ser essa vontade de repetir, uma aventura destas deve ficar na cabeça por um bom tempo, uma sensação muito boa de bons momentos vividos. E agradeço o convite, um dia ainda rodaremos sim por estas bandas...

                                Abraços!

                                Comentário

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