CUBA: 9º dia - Um sábado na OCLAE
Acordamos no luxuoso hotel Comodoro. Nos despedimos de Daniela e saímos como entramos - de fininho. Já na rua, ligamos para a sede da OCLAE (Organización Continental Latinoamericana y Caribeña de Estudiantes). Explicamos quem éramos e dissemos que já tínhamos falado com o Mateus, diretor da UNE e secretário executivo da OCLAE. Nos orientaram a comparecer na sede e assim o fizemos. Para isso, um táxi de três dólares, era o esbanjo final.
Chegando na sede, conversamos com um cubano responsável e também com um nicaragüense muito simpático (nunca descobrimos o que ele estava fazendo ali). Ficamos temporariamente instalados na sala das bandeiras, cuja descrição é fiel ao nome. Ao invés de esperar alguma nova instrução, Renan preferiu ir atrás de uns meninos que passaram na rua e que iriam jogar bola. Eu, não atleta que sou, preferi ficar deitado no sofá assistindo uma entrevista antiga do Pedro Almodóvar no Roda Viva.

Nesse meio tempo, fui comprar comida com o assessor do presidente da OCLAE. Ele me deu algumas dicas sobre o que e onde comprar, a fim de fazer o dinheiro que tínhamos durar até a definição de nosso vôo de volta ao Brasil. Quando Renan retorna, nossa instalação já estava definida: dois colchões e dois lençóis numa sala de reuniões. Pra nós, ótimo! O que foi meu almoço, para Renan foi café da tarde, que após comer, me contou sobre uma conversa que teve com um veterano de guerra, um dos cubanos que foi lutar no Congo. Uma história e tanto, relatada por um senhor que viveu um período “pré-revolução” cubana, alegando se tratar de uma época perversa, com instituição de toque de recolher e coisas do gênero.
No início da noite fomos ao tão famoso parque aquático, queríamos ver os golfinhos dando suas piruetas. Tiro n’água. Não haveria mais nenhuma atração naquele horário. Paciência. Tomamos o caminho de volta a casa... Nos perdemos, mas não muito, entretanto, o ruim não foi ter que caminhar um pouco mais, mas sim suportar uma dor que surgia numa região que palpito ser o baço. De volta a nova casa, jantamos. Renan adormeceu rápido, já eu, de vigília, ainda assisti um filme, depois dormi pensando no eterno dinamismo da vida, como tudo passa, caminha, transita. Até a morte que, de fato, é uma certeza a todos, ainda assim é uma dúvida quanto ao fim, quanto a possibilidade de estacar.

A noite foi longa. Acordei por várias vezes, sempre com dor de cabeça, sede e transpiração fora do normal. Mal sabia eu, o que significava aqueles sintomas iniciais.
Saudações caribenhas,
Ary Neto
Acordamos no luxuoso hotel Comodoro. Nos despedimos de Daniela e saímos como entramos - de fininho. Já na rua, ligamos para a sede da OCLAE (Organización Continental Latinoamericana y Caribeña de Estudiantes). Explicamos quem éramos e dissemos que já tínhamos falado com o Mateus, diretor da UNE e secretário executivo da OCLAE. Nos orientaram a comparecer na sede e assim o fizemos. Para isso, um táxi de três dólares, era o esbanjo final.
Chegando na sede, conversamos com um cubano responsável e também com um nicaragüense muito simpático (nunca descobrimos o que ele estava fazendo ali). Ficamos temporariamente instalados na sala das bandeiras, cuja descrição é fiel ao nome. Ao invés de esperar alguma nova instrução, Renan preferiu ir atrás de uns meninos que passaram na rua e que iriam jogar bola. Eu, não atleta que sou, preferi ficar deitado no sofá assistindo uma entrevista antiga do Pedro Almodóvar no Roda Viva.
Nesse meio tempo, fui comprar comida com o assessor do presidente da OCLAE. Ele me deu algumas dicas sobre o que e onde comprar, a fim de fazer o dinheiro que tínhamos durar até a definição de nosso vôo de volta ao Brasil. Quando Renan retorna, nossa instalação já estava definida: dois colchões e dois lençóis numa sala de reuniões. Pra nós, ótimo! O que foi meu almoço, para Renan foi café da tarde, que após comer, me contou sobre uma conversa que teve com um veterano de guerra, um dos cubanos que foi lutar no Congo. Uma história e tanto, relatada por um senhor que viveu um período “pré-revolução” cubana, alegando se tratar de uma época perversa, com instituição de toque de recolher e coisas do gênero.
No início da noite fomos ao tão famoso parque aquático, queríamos ver os golfinhos dando suas piruetas. Tiro n’água. Não haveria mais nenhuma atração naquele horário. Paciência. Tomamos o caminho de volta a casa... Nos perdemos, mas não muito, entretanto, o ruim não foi ter que caminhar um pouco mais, mas sim suportar uma dor que surgia numa região que palpito ser o baço. De volta a nova casa, jantamos. Renan adormeceu rápido, já eu, de vigília, ainda assisti um filme, depois dormi pensando no eterno dinamismo da vida, como tudo passa, caminha, transita. Até a morte que, de fato, é uma certeza a todos, ainda assim é uma dúvida quanto ao fim, quanto a possibilidade de estacar.
A noite foi longa. Acordei por várias vezes, sempre com dor de cabeça, sede e transpiração fora do normal. Mal sabia eu, o que significava aqueles sintomas iniciais.
Saudações caribenhas,
Ary Neto
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