Olhando o Mundo - Relatos portugueses

Collapse
X
 
  • Hora
  • Mostrar
Clear All
new posts
  • Dolor
    Fazedor de Chuva

    • Mar 2011
    • 3250

    #16
    Costa Rica - A viagem “Ticos” e “Pura Vida”

    sábado, 19 de Maio de 2012

    Click image for larger version

Name:	shapeimage_2.jpg
Views:	1
Size:	20,8 KB
ID:	154800

    Com a saída de cena do João Vicente por razões de todos vós conhecidas, havia que continuar. Regressámos a Portugal nos primeiros dias de Abril e para prosseguir com o projecto “Olhando pelo Mundo”, muitas questões se punham. Viajar com quem? Disponibilidade, brevidade na decisão. Não falando num aspecto importante: informática e computador, da qual não tenho noção nenhuma. Mas adiante o que nos interessa é continuar a viagem. A outra, ao interior de mim, continua a ser feita ao longo dos meus sessenta e sete anos.

    O António Herrarte, disponibilizou-se para me acompanhar durante dois meses e meio, com alguns sacrifícios familiares. Obrigado António! O tempo perdido obrigava a alguns ajustes de percurso. Faltava concluir pós-projecto: México e parte dos E.U.A.. O Álvaro Barcelos e Fernando Pereira vieram em meu auxilio, obrigado aos três pela vossa amizade. A decisão foi tomada uma semana antes da partida.

    Cá estamos a viajar, com as limitações, muitas... mas a fazer por cumprir a palavra dada. Viajar ao longo de dezasseis países do Continente Americano, de Sul para Norte.

    Mas vamos aos “Ticos” e “Pura Vida”

    Entrámos na Costa Rica pela fronteira de Xixaola e assim comunicámos com os “Ticos” a pé e de mochila às costas. Um autocarro confortável levou-nos até San José, a capital.

    Dia seguinte conhecer a cidade. Começámos por tentar adquirir moeda local. Não cambiavam euros. Levantamento automático, podendo ser em bolívares ou dólares (o império financeiro a impor-se). Já com dinheiro para as necessidades mais prementes, visita ao Museu do Ouro Pré-colombiano, Praça da Cultura e Teatro Nacional. Esta cidade pouco tem que desperte o interesse do viajante ou turista.

    Numa agência de turismo confirmamos a informação dada no hotel para uma visita próxima da capital. Agarrámos a ideia e no dia seguinte, bem cedo, fomos visitar a plantação de café onde tomámos o pequeno almoço, seguindo-se a visita à finca(quinta) café “Doka”. Acompanhámos o ciclo da plantação: desde a disposição do pé, até à colheita, continuando com o processo de lavagem e secagem. Torrar tem tempos determinados, dando sabores e aromas diferenciados. Geralmente o café é vendido em cru cabendo a torrefacção ao critério e técnicas do cliente/fornecedor. O Donald, nosso guia, chamou-nos a atenção para um pormenor: a qualidade de café que resulta de uma má formação, i.e. grosso modo o grão tem forma de meia esfera, as más formações resultam num grão esférico (oval) e geram uma quantidade de 5% da produção total. Este café só é produzido pela casa “Doka” com o nome Peaberry, com um aroma muito especial. O meu palato é pobre e não tenho sensibilidade para grandes diferenciações, gosto ou não? Questão encerrada.

    O Vulcão Poas e o parque da Paz esperavam por nós. A cratera, com a sua lagoa não se deixou ver, tal era a neblina. Mas o lago Boto, deixou-se ver e não se rogou a umas fotos do varandim, donde desfrutámos a paisagem e também da companhia de dois esquilos que foram as vedetas/modelos não remunerados, para satisfação dos fotógrafos, aproveitando alguns destes, com excesso ecologista, desatar à flashada aos pobres bichos.

    Almoçámos no parque da Paz, seguindo-se uma visita pelo seu interior. Este parque possui em cativeiro, aves, borboletas, repteis e felinos. Tudo isto foi mal visto, não por desinteresse, mas por uma chuva diluviana, ensopando-nos até aos ossos, tornando as cascatas que fazem parte do citado parque, concorrentes insignificantes da grandessíssima molha. Desconsolado e pingado até à alma, tomado por uma tristeza climatérica saí da Costa Rica com um amargo de boca, não real, mas resultante, do período do ano escolhido para visitar este país.

    Hei-de voltar à Costa Rica para calcorrear os parques naturais, esses sim, o cartão de visita deste país e dizer aos “Ticos”... “Pura Vida”!

    Nota:
    “Ticos” como são chamados, pela forma como constroem os diminutivos;
    “Pura Vida” expressão utilizada para: está tudo bem, é normal, gosto, adorei, fabuloso.

    Alexandre Costa
    Última edição por Dolor; 07-06-12, 11:46.

    Comentário

    • Dolor
      Fazedor de Chuva

      • Mar 2011
      • 3250

      #17
      Nicarágua

      segunda-feira, 11 de Junho de 2012

      Click image for larger version

Name:	shapeimage_2.jpg
Views:	1
Size:	11,3 KB
ID:	154939

      Nicarágua, um dos países de que tenho maiores expectativas.....o imaginário funciona de uma forma por vezes apaixonante, criando até uma diferente disposição....

      A dúvida assaltou-nos ainda na Costa Rica......as fortes chuvadas, nomeadamente a do dia anterior, que nos deixou encharcados sem poder vislumbrar o que quer que fosse, e sem poder utilizar as máquinas fotográficas, levou-nos a decidir seguir viagem sem ir ao vulcão Arenal, um dos locais de referência ....mas seguimos, e na verdade para nossa sorte, logo que nos começámos a aproximar da fronteira, a vegetação alterou-se, o tempo melhorou, ficou mais quente e o sol surgiu...achámos que talvez tivéssemos feito uma boa opção...o Arenal terá de esperar!!!

      O autocarro, que nos trouxe desde San José, confrontou-nos com uma enorme e aparentemente infindável fila de camiões ao chegar à fronteira.... pensámos que levaria horas até chegar a nossa vez...mas surpresa das surpresas, passámos à frente de todos, seguindo pela faixa contrária, levando a que gigantescos camiões fizessem nova fila, aguardando a nossa passagem.
      O local a que designam de Peñas Blancas é a fronteira, possuidor de todos os serviços que se possa imaginar, numa fabulosa desorganização digna de registo, mas que funciona...barracas, muitas barracas de comida, barbeiros/cabeleireiro oficinas, farmácias, tudo o que é necessário existir num local, onde centenas de camiões aguardam passagem, por certo com estadia prolongada...
      A simpatia é contagiante e, ainda que um primeiro olhar possa parecer algo duro, rapidamente se transforma num sorriso e “buenos dias” melado!!!

      E que melhor local para de imediato nos habituarmos a essa realidade, do que viajar num autocarro público, que nunca tem lotação definida, e onde tudo pode ser transportado, amalgamando-se os corpos, numa espécie de milagre de multiplicação do espaço, sempre acompanhado de um sorriso e olhar cúmplice...
      As opções são muitas, e todos referem San Juan del Sur,, como local a não perder, e primeiro destino de praia na costa do Pacifico, nos dizem, com boas ondas, animação, barato, nova Meca dos locais e de “back packers”.
      A exemplo do que sucede em muitos dos melhores locais a visitar em todo o mundo, quando um país se abre ao turismo, são os mochileiros os primeiros a aderir, descobrindo locais fantásticos... No nosso caso e atendendo ao facto da viagem já estar estruturada anteriormente, sem qualquer referência a este local e porque nos interessava tentar chegar à Ilha de Ometepe, no Lago Nicarágua, optámos por seguir em frente....quem sabe com o dissimulado objectivo de ter um pretexto para voltar, como se começava a afigurar no meu espírito, tão agradável eram os primeiros sentimentos....

      Chegámos a David, cientes que já não teríamos barco para a ilha...teríamos ainda de apanhar um triciclo para nos levar a San Jorge...pequeno porto lacustre, onde pernoitámos, não sem antes devorar um fabuloso jantar, preparado por duas sorridentes e diligentes cozinheiras de um tasco, que só nos tinha a nós como clientes...
      À pergunta o que beber, a resposta fez com que me apaixonasse....que me desculpe a Rami, por esta infidelidade ao fim de tantos anos, mas a “toña” geladinha era irresistível!!!
      O percurso de barco é uma maravilha....a presença dos vulcões Madera e Concepcion, como duas corcundas de um corpo que se espraia nas águas azuis do lago, no primeiro alvorecer em terras de Sandino, fez surgir a magia... fez com que me enamorasse à 1º vista...
      De facto é uma ilha muito aprazível, com vários pequenos hotéis muito bem localizados, e que permite agradáveis passeios para subir os vulcões e assistir a soberbo pôr do sol....
      Pena que a água do lago seja tão quente.....mas deu para matar saudades de uma banhoca!!!!!!

      O regresso foi feito no ferry “Comandante Che Guevara”... nem de propósito....o ambiente estava criado!!! E lá fomos a caminho de Granada , no bus público, que, aí sim, sabe bem...com serviço de catering ( milho assado ou cozido, empanaditas, e fruta fresca)sempre que a paragem se prolonga por alguns minutos....
      Chegar a Granada, é como ir de férias à Andaluzia.....não será por acaso que assim se chama....
      Por certo, os primeiros colonizadores seriam dessa região em Espanha...essa atmosfera de cidade andaluz...até as caleches circulam pela cidade...tranquila, pequena, colorida, com monumentos interessantes, com a “calle calzada”, que nasce na Praça Mayor com a sua catedral, e desce para o Lago, repleta de restaurantes e esplanadas, e onde ao entardecer, com o fresco da brisa que corre vinda do lago, a música ao vivo, torna possível agradáveis momentos, acariciados pelos corpos sensuais, que dançam numa pausa da refeição.....
      Tivemos a oportunidade de conhecer Donna Tabor, norte americana radicada nesta cidade, e que promove vontades, no apoio a crianças com problemas vários e no tratamento a cães abandonados/vadios.
      Com o seu filho e um amigo, fomos levados ao mirador de Catarina, de onde se avista o lago formado pela cratera do vulcão, e aos “pueblos blancos”, sucessão de pequenas aldeias, cada uma com a sua característica artesanal, incluindo Niquinohomo, onde visitámos a casa onde nasceu Augusto César Sandino, que se tornou chefe da guerrilha,(representando ainda hoje em toda a América Latina um símbolo de independência face à tutela norte-americana), resistindo à invasão norte americana de 1933, assassinado pelo futuro ditador Somoza, criador de uma “dinastia familiar”, que se manteve no poder por 40 anos. Tivemos ainda tempo para dar uma olhadela ao mercado de Masaya, fazendo uma pequena viagem de autocarro, que quase pedia que empurrássemos, tal era a lentidão....mas talvez devido a isso, enorme e contagiante foi a relação que se estabeleceu, com Joselina, que passados dois sorrisos já me estava a oferecer churros, de um pacote acabadinho de comprar....e não foi essa a única prenda até ao fim da viagem....beijinhos, festas, e até uma pulseira que retirou do seu bracinho lingrinhas.....gosto...é disto que eu gosto...a Nicarágua não me estava a decepcionar....!!!!

      O roteiro indicava como próxima paragem....Manágua. Como todas as capitais desta Centro América deixa muito a desejar... como beleza e monumentos a visitar... mas lá cumprimos, prontinhos para rumar a Léon.....

      Chegados... e embora se mantenha a característica colonial, também aqui o nome não engana... Léon em Espanha fica mais a norte, talvez que isso tenha caracterizado a sua atitude.... pois se em Granada, a cidade é conhecida por ser mais conservadora, de grandes famílias, (Chomorro e outras), de “tierra- tenientes”, criadores de gado, já Léon sempre se afirmou como cidade da intelectualidade, liberal, de grande pendor humanista e promotora de liberdade....Núbia, uma bela índia, que conhecemos no bus público, logo se disponibilizou para mostrar a “21”, agora museu, mas anteriormente local de tortura e assassinato ás mãos dos esbirros de Somoza, último da família derrubado pela guerrilha da Frente Sandinista, em 1979... A visita ocorreu apenas no dia seguinte, mas não pude deixar de recordar tempos idos, não tão distantes, em que em Portugal, na devida proporção vivemos dias tão sombrios... contudo e essa é a grande esperança, sempre os homens souberam em algum momento dizer basta...dizer não!
      Também aqui em Léon, viveu um dos “Homens” deste país, que marcou gerações e permitiu conhecer o sentir deste povo...o poeta Rubén Dário, iniciador e máximo representante do modernismo literário em língua espanhola. É possivelmente o poeta que tem tido uma maior e mais duradoura influência na poesia do século XX no âmbito hispânico. É chamado de príncipe de las letras castellanas. Visitámos a casa onde morreu... agora museu com o seu nome.

      Tínhamos que seguir o nosso caminho.... a Nicarágua merece que regressemos... Núbia gostaria de nos mostrar mais....

      António Herrarte

      Comentário

      • Dolor
        Fazedor de Chuva

        • Mar 2011
        • 3250

        #18
        Guatemala - Civilização Maia vista por um português

        segunda-feira, 25 de Junho de 2012

        Click image for larger version

Name:	shapeimage_2.jpg
Views:	1
Size:	41,6 KB
ID:	155257

        A Guatemala merece uma visita. Descobri-la, porque não, ser seduzido(a) pela cor, pela afabilidade, pela frase sempre presente “Bien venidos”. Quiriguá(P. M.), Lago Atitlan, Tikal(P. M.), Iximché, Antigua. Mas o fervilhar de vida, cultura, religião vivido ao domingo em Chichicastenango, é imperdível. Acima de tudo, as pessoas, essas sim, matéria viva, que vale a pena registar.

        Todos os lugares, onde a civilização Maia se instalou, são dignos de visita guiada. Tivemos a sorte de ter José (Guatemala) como nosso guia. Quando visitámos o Parque Nacional Tikal (P. M.), o nosso grupo era composto por um casal dos EUA, outro da Costa Rica, nós Portugueses, e Gilberto Barizon do Brasil. Mescla de Gringos, Ticos, Portugas, Brazuca e Chapine(o guia). O Gilberto Barizon, pessoa divertida, bem disposta e com uma noção de vida, para viver. O José foi debitando informação sobre esta enigmática civilização a sua ascensão, organização social, lazer, hierarquia, religião, mas também, a razão do seu declínio.

        Mas não vos vou massacrar com informação civilizacional.

        Vou contar o meu sentir, no domingo dia vinte e sete de Maio deste ano em Chichicastenango. O dia fazia algumas caretas, mas não impedia que as ruas estivessem repletas de feirantes a montarem os seus negócios, onde tudo se transaccionava. Pedi ao Carlos, um dos feirantes, para fotografar o seu estabelecimento improvisado. Acedeu, pedindo-me não o fizesse a ele pessoalmente. Fotografei o seu modo de vida, ficando à conversa com ele. Falámos da vida, das coisas do dia a dia, a importância dos filhos, do nosso empenho para irem mais longe. Expliquei a razão porque estava na Guatemala. No final disse-me que o podia fotografar.

        Tocado pela razão da minha viagem? Não sei! Mas não fiz clique para o registo fotográfico. Trocámos um sorriso e um aperto de mão. A sua expressão foi de agradecimento, adeus Carlos. Continuei. Mais adiante um homem queria comprar milho (maiz), havia qualidades e tamanhos. Falavam em dialecto provavelmente com raízes na cultura Maia. A discussão era pacífica, mas esgrimindo ambos argumentos de ordem técnica. Um menino pediu-me uma foto, estava com a irmã. Perguntei-lhe o nome, disse-me algo, que não percebi. Fiquei sem saber o nome, mas ele sorriu quando lhe mostrei a foto com menina, ficaram os dois sorridentes.

        Num monte, já um pouco afastado do bulício da feira, são feitas as cerimónias religiosas. Mistura do cristão, com cultos Maia? Com acompanhamento de um/uma Xamã. Várias pessoas vão-se deslocando para lá, fazendo suas promessas/oferendas. Uma família estava reunida com uma Xamã, praticando os seu rituais. Permitiram-nos que os fotografássemos, não perturbando. Fiz alguns registos.

        A Xamã fez o seu trabalho, e todos estavam com esperança de saúde e bons negócios para todos. Estavam sorridentes. Deixei-os, pensando, o que move esta gente? Em que acreditam ? Pensei em Fátima. Nas promessas que muitos fazem e se socorrem em momentos de sofrimento, angústia, doença, sempre com o propósito de aliviar dores, e desejo de melhor vida. Afinal não somos muito diferentes dos Guatemaltecos. Quando não encontramos as soluções que gostaríamos para os nossos problemas, agarramos em algo que nos dá força e nos leve a continuar nesta luta dura, para nos mantermos vivos, com horizontes e sonhando um pouco.

        Já em Panajachel, passeando nas margens do lago “Atitlan”, um jovem que vim a saber chamar-se Carlos Vielman, ia fotografando tal como eu, abeirou-se de mim, perguntou-me com tom irónico, se eu queria trocar com ele as nossas câmaras fotográficas. Sorri e retorqui-lhe.—O mais importante na fotografia, não é o equipamento, mas sentir a vida e fotografar com o coração. Trocámos endereços, falei-lhe do projecto “Olhando pelo Mundo”.

        Dias depois no Facebook, o Carlos comentava as minhas palavras “Sábias”, que não são sábias, mas sim velhas. Agora vai vendo as fotos que eu e o António pomos nesta nova tecnologia a que dezenas de “amigos” têm acesso.
        Éramos desconhecidos. Quem era o Carlos Vielman? E o Alexandre? Hoje comunicamos diariamente. O fascínio da fotografia, registando imagens de vida e de pessoas, com luz e com o coração.

        Alexandre Costa
        Última edição por Dolor; 30-06-12, 08:43.

        Comentário

        • Dolor
          Fazedor de Chuva

          • Mar 2011
          • 3250

          #19
          Belize

          Click image for larger version

Name:	shapeimage_2.jpg
Views:	1
Size:	16,1 KB
ID:	155747

          segunda-feira, 9 de Julho de 2012

          O que fazer....a Guatemala, com alguma sorte à mistura relativamente ao tempo de sol de que podemos desfrutar durante a nossa estadia, permitiu uma alargada percepção do mundo Maia...passado e actual... contudo, na véspera da nossa partida, mais parecia que alguma coisa tínhamos feito de mal, pois a chuva era tanta, que nos questionávamos se seria possível transitar por aquelas ruas e estradas como que transformadas em ribeiros!!!!
          Tínhamos a referência de que, uma vez passada a fronteira para o Belize, poderíamos ficar perto de San Ignacio, num local peculiar... a Parrot Nest Lodge, para uma estadia em quartos construídos no cimo das árvores. Esta povoação fica junto ao rio Mopan e a vários sítios arqueológicos, nomeadamente Xunantunich e Cahal Pech.

          Contudo e porque continuava a chover, achámos que não seria conveniente fazer essa paragem... não teríamos qualquer hipótese de fazer o que quer que fosse... e para ter de nadar, melhor rumar à capital e aguardar....
          A caminho e entre conversa de circunstância com a parceira de viagem, foi-me dito que a capital nada tinha de interessante, a menos que estivéssemos interessados em alguns bares e fazer a visita ao centro administrativo do país....
          De acordo com a opinião dos presentes, melhor seria rumar a uma das muitas ilhas (Caye)... e esperar que junto ao mar estivesse melhor.... Assim fizemos... Ficará para próxima oportunidade a estadia em hotel casa na árvore.....o autocarro acabou o seu percurso junto ao cais do ferry e, motivados pela descrição, optamos por Caye Caulker.

          A informação é que seria mais informal que San Pedro, a “Isla Bonita” da canção de Madona, mais barato , e teria praia estupenda......
          Não foi de todo desajustada a ideia, pois, ao afastarmo-nos de Belize City, o tempo de facto melhorou.... e quando chegámos a Caye Caulker já tínhamos sol, para poder correr de seguida para a praia... Não foi preciso... Na ilha, dada a sua dimensão (no que é a área possível de ser utilizada, pois o resto é mangal) a praia é já ali... É uma ínfima parte da sua superfície, e é agora o destino preferido de backpakers, um pouco à imagem do que sucede onde estivemos no Panamá...
          Sendo um destino preferido por backpackers, tem um ambiente de facto informal, com pequenos restaurantes, bares, muita música, ruas de areia e muitas e variadas “guest houses” ....quase todos à beira mar, pois a língua de areia é de uma largura reduzida....com palmeiras a bordejar o mar...

          O pequeno hotel, com meia dúzia de quartos, por nós escolhido, era mesmo em cima da praia... só que a praia, não tinha mais de 100 metros de uma espécie de molhe, onde apenas com a maré vazia, existia areia para aceder ao mar... com a maré cheia entrava-se directamente da rua de areia para dentro de água ... o pequeno molhe dava para colocar as toalhas... os que estávamos nos “hotéis” à beira mar tínhamos ainda à disposição plataformas, com cadeiras e redes, onde nos podíamos estirar, entre cada um dos banhos, que por natureza eram muito longos, tão quente era a água. Claro que nem pensar em ondulação... a barreira formada pelo recife de coral, que parece ser a mais extensa do mundo, faz com que o mar tenha um aspecto de uma banheira... enorme, de fundo branco e translúcido e que vai mudando gradualmente de cor, conforme a profundidade, mas com o verde dominante.

          Esta era a praia, não como a idealizava-mos numa ilha, mas com um mar esmeralda lindíssimo, quente, e um sol que rapidamente se tornou escaldante... a chuva tinha ido embora!!!!

          Não havia muito a fazer... estar dentro de água, nadar, descansar, nadar....beber uma cervejita gelada, e ir comer.....peixe que era apanhado ali mesmo...e voltar a ir para a água na vã esperança de refrescar... Só ao fim do dia, com a chegada da noite, uma brisa, vinda do mar, fazia ondular as palmeiras e refrescava um pouco o ambiente, permitindo desfrutar de uma agradável música e de mais uma cervejinha gelada.

          E seriam assim todos os dias, não fora o caso de a chuva ter decidido vir a banhos, e ao fim de mais um dia de intenso sol, transformar totalmente a paisagem, entrando a noite com uma formidável tempestade, com todos os ingredientes... vento , relâmpagos, trovões e muita, muita chuva, e calor!!!!!

          Noite dentro, não deixou de ser um espectáculo fabuloso , ouvir o mar, que embora mantendo a pequena ondulação, estava um pouco mais ruidoso, o barulho das palmeiras agora gingando de uma forma frenética e a luz constante, fruto dos relâmpagos, que permitia ver o esmeralda do mar e o branco da areia no seu fundo... sempre com o verde esmeralda a tomar conta daquela imensidão...

          Tão intensa era a tempestade, que nos assaltou a preocupação de quantos dias teríamos de ficar ali, até que nos fosse possível apanhar o barco para Chetumal, no México, não sem antes passar por San Pedro... para deixar passageiros provenientes da capital e apanhar outros rumo à fronteira... essa tinha sido a nossa opção para chegar ao próximo destino... ir por barco e evitar voltar à capital, para fazer um percurso por terra mais longo e por certo mais saturante em termos paisagísticos, já que, à nossa chegada ao aproximar-nos do mar, tudo era uma espécie de charneca, pantanosa....

          Tal não aconteceu e, já com o Sol a despontar, a tempestade amainou e a chuva passou a ser uma ”espécie de molha tolos”... que sem dúvida nenhuma éramos nós, pois deve ter sido isso que hordas de melgas pensaram por certo daqueles dois “portugas”, que não tinham para onde escapar, cada vez que se abria a porta, e elas aproveitavam para nos sugar tanto quanto podiam... uma espécie de pequeno almoço buffet... pernas, braços, orelhas, cabeça, peito, costas... nem as calças e camisa o impediam...

          Assim, foi agarrar nas mochilas e correr para o cais do ferry... e esperar que o mesmo partisse o mais depressa possível....

          Não que o Belize não mereça uma visita... especialmente para os amantes das actividades subaquáticas.....pois muitas e diferentes serão por certo as ilhas que constituem este rendilhado a pontuar o Mar do Caribe...

          Ficou um vislumbre de como é bom este “quente” ambiente caribenho!

          António Herrarte

          Comentário

          • Dolor
            Fazedor de Chuva

            • Mar 2011
            • 3250

            #20
            México - San Juan Chamula

            Click image for larger version

Name:	shapeimage_2.jpg
Views:	1
Size:	20,5 KB
ID:	159845

            sábado, 25 de Agosto de 2012

            Não vou falar da civilização Maia ou Azteca, nem tão pouco da Riviera Maia ou de estâncias de veraneio; não falarei da revolta no Estado de Chiapas, dos raides aéreos, das mortes que esta rebelião causou, nem da liderança do sub-comandante Marcos, pedindo um pouco para este povo - o direito a uma vida mais digna. San Cristóbal de las Casas foi o cenário desta tragédia.

            Bem perto de San Cristóbal fica San Juan Chamula.

            Neste pueblo, fotografias a pessoas estavam proibidas. Se o fizéssemos, estávamos por nossa conta e risco. Fotografias de paisagem tudo bem! Resumindo, teria que ter muitas cautelas, embora esta proibição tenha fronteiras difíceis de definir, ficando eu com o espaço para fotografar balizado pelo bom senso e respeito pela cultura, hábitos, crenças de um povo que, apesar de tudo, abria as suas portas para me receber.

            Vou usar a imaginação como câmara fotográfica.

            A 25 de Agosto, comemora-se o dia de Santa Rosa. Não se nota grande movimento festivo. Pelas ruas de San Juan Chamula, alguns comerciantes vendiam vários artigos de artesanato, bolsas para dinheiro, para telemóveis, postais ilustrados, mas predominava a fruta - mangas, peras abacate, ananás, nopales (folha de cacto, sem pele e picos, ingrediente para fazer omeletas e outros pratos regionais). Encheram-me o olho fotográfico as melancias descascadas, bem vermelhas, apelando a quem passava: - Compre-me e mate a sede!

            Um som misto de clarim e trompete chegava aos meus ouvidos. Também a batida de um tambor entra nesta sinfonia ou cacofonia – sou surpreendido por um grupo de cerca de umas vinte pessoas vestidas de diversas formas que concluí serem trajos tradicionais. Uma vestia uma capa negra, de pêlo comprido (não sei se o homem se parecia com um urso, se o urso se transmutava em homem). Outra, com chapéu de palha com umas fitas de cor: a camisa tinha uns bordados e uma cinta segurava uns calções que mais pareciam um saco com duas aberturas para poderem ser vestidos. Não faltavam as sandálias bem artesanais, todas. O grupo seguia em fila indiana tocando viola, clarim, pandeiretas, tambores, etc. Nesta procissão, dirigiram-se para a entrada da igreja. Fui informado de que não poderia entrar com máquina fotográfica. Ficou arrumada num saco de plástico negro. Aguardámos a entrada dos religiosos orando com pandeireta e afins. Espanto meu! A igreja não tinha assentos. Como e onde oravam os crentes? Havia no ambiente uma névoa resultante do fumo das velas que iam sendo colocadas no chão, todo repleto de uma caruma verde, fresca e cheirosa, que era afastada para dar lugar às velas. O chão, no passado, era de madeira, mas um incêndio levou à sua substituição por mosaicos. Sentados ou ajoelhados no chão, punham garrafas de coca cola e outras bebidas (o guia informou-nos ser álcool), que iam ingerindo, e deixando parte para os santos a quem faziam as suas preces. Cinco faixas, brancas e rosa, presas ao tecto e paredes tendo a forma de V invertido, simbolizavam as montanhas que circundam San Juan Chamula.

            Nas suas celebrações religiosas, os forasteiros são tolerados. Encostados às paredes, dezenas de oratórios com cerca de dois metros de altura e uma largura que não excedia um metro; cada um com seu santo dentro, com as decorações e vestimentas apropriadas às circunstâncias. As cores, essas variavam do branco ao roxo e de acordo com o respectivo santo. Mas, algo me chamou a atenção, pois não tenho ideia de alguma vez ter visto, na zona entre a barriga e o peito, um espelho contornado com rendas… Porquê? O momento e o lugar impunham respeito e silêncio, mas a curiosidade falou mais alto e fui procurar resposta. Abordei um crente, num diálogo com o meu portinhol e o seu castelhano misturado com o dialecto chiapa. Respondeu à minha curiosidade. – “Quando estamos orando, ou simplesmente olhando para o santo, pensamentos passam pela nossa cabeça: o bem, o mal, a generosidade, a inveja, tudo o que o ser humano arrasta consigo. O espelho é para que tudo isso se reflicta em nós!”. Não sendo crente, vi nisto uma lição de vida. Quando tomamos alguma atitude, pomo-nos do outro lado, para sentirmos o efeito das nossas decisões?

            Nota: San Cristobal de Las Casas, dista de San Juan Chamula dez quilómetros. Este povo pertence ao grupo étnico Tzotzil, são cerca de oitenta mil pessoas, orgulham-se da sua independência. Têm práticas religiosas únicas.

            Alexandre Costa

            Comentário

            • Dolor
              Fazedor de Chuva

              • Mar 2011
              • 3250

              #21
              Uma grande alegria voltar a receber notícias do Alexandre, agora na companhia do Álvaro Barcelos, que conhecemos em Ushuaia, percorrendo a América por todos os seus quadrantes.

              Como sempre, muita sensibilidade nos seus relatos.

              Aproveitem!

              Comentário

              • Dolor
                Fazedor de Chuva

                • Mar 2011
                • 3250

                #22
                10 pesos

                Click image for larger version

Name:	shapeimage_2.jpg
Views:	1
Size:	45,9 KB
ID:	159846

                terça-feira, 28 de Agosto de 2012

                Se estabelecermos um paralelismo entre a Cidade do México e Lisboa, falaremos de megalopolis e micropolis. Do Metro diremos metro e centímetro!

                Não se faz uma viagem de Metro na Cidade do México sem que nos sejam apresentados pelo menos 10 produtos diferentes ou semelhantes, mesmo numa viagem curta; mas com deontologia, cada marketeer (dos 7 anos em diante) apresenta à vez o seu produto na mesma carruagem! Por vezes assistimos a verdadeiras aulas de marketing e representação. Os preços dos produtos raramente excedem 10 pesos (€ 0,60).

                Vendem CD’s (da música clássica à popular), carteiras à prova de ladrão, batons, pasta de dentes, canetas e cadernos escolares, ventoinhas portáteis, memórias USB, leques, balões, guarda-chuvas, bonés, etc., etc. Os pregões são feitos com amplificadores portáteis com um som altíssimo, tal como permitem as actuais tecnologias.

                Também se mendiga, mas muito pontualmente para a dimensão da rede.

                Muito mais se passa nos trajectos do metro: é como se se passasse do pijama ao traje de noite, tal o engenho das transformações mesmo à nossa frente e perante balanços e travagens incríveis: maquilhagem completa (olhos, pestanas, rimel, retorcer pestanas, baton, etc.) tudo com uma agilidade e arte inimagináveis. E ainda há lugar à troca de sapatos! Ah e também refeições: iogurtes, frutas, coca cola, imensa coca cola. Aquele amor inevitável pelo consumo do grande vizinho...

                Muitos lêem, dormem ou observam como eu.

                Segundo um taxista, e eles sabem sempre tudo sobre tudo, alguns habitantes da Cidade do México levam 3 h para chegar ao emprego.
                Para esta enorme metrópole com 21 milhões de habitantes, a rede de Metro é extraordinariamente bem organizada e vasta. São mais de 10 linhas, devidamente identificadas com cores, nomes e belos ícones, com centenas de estações. Cada estação tem zonas reservadas ao sexo feminino e pessoas idosas. No entanto, nem toda a gente parece dar importância a tal situação, excepto em horas de ponta.
                Allende, Garibaldi, Indios Verdes, Universidad, San Antonio, La Raza, Pino Suárez, Sevilla, Tacuba, Moctezuma, Tasqueña, Etiopia, Chapultepec, Guerrero, Talismán, Tlatelolco, Insurgentes, Barranca del Muerto, Zapata, Revolución, Zócalo, Salto del Agua, Niños Heroes, Coyoacán,... alguns dos belos nomes das estações.

                Álvaro Barcelos
                Última edição por Dolor; 03-12-12, 18:45.

                Comentário

                • Dolor
                  Fazedor de Chuva

                  • Mar 2011
                  • 3250

                  #23
                  Fico pensando com os meus botões, se um bilhete para o metro da Cidade do México, com uma vasta rede, custa menos de U$1,00, por que em São Paulo custa U$1,50?

                  De certo porque somos milionários!

                  Comentário

                  • Dolor
                    Fazedor de Chuva

                    • Mar 2011
                    • 3250

                    #24
                    Azul, Azul

                    Click image for larger version

Name:	shapeimage_2-1.jpg
Views:	1
Size:	67,5 KB
ID:	159854

                    sexta-feira, 31 de Agosto de 2012

                    Azul, como o céu na maior cidade do planeta.

                    Nesse dia, uma 4ªfeira, fomos visitar as monumentais ruínas de Teotihucán, a 50km do centro. No programa delineado, estava ainda uma visita a Coyoacán.

                    As ruínas aztecas revelaram-se extraordinárias: pirâmide do Sol e da Lua, Calçada dos Mortos, Cidadela, Templo de Quetzalcóatl e muito mais, numa extensão inimaginável à partida (2 km só a Calçada dos Mortos) - portanto, ruínas com uma área visitável fora de comum.

                    Viajámos normalmente em transportes públicos, o que nos permitia permanecer o tempo necessário para fotografar e contemplar a gosto.

                    Como nos demorámos mais que do que imaginávamos, quando regressámos à Cidade do México, já só dava para incluir uma breve visita a Coyoacán. Autocarro de carreira e mais 15 estações de Metro nos separavam. Apesar de considerarmos que deveríamos voltar noutro dia, resolvemos fazer o reconhecimento que nos facilitaria a futura visita.

                    Mas a fome apertava!

                    Para além do pequeno almoço, só um granizado de tamarindo: raspa de gelo com concentrado deste fruto.

                    Quando chegámos a Coyoacán a fome era tanta que não resistimos a entrar, de imediato, num moderno Centro Comercial.

                    O que nos levava a Coyoacán? A Casa Azul de Frida Kahlo, a casa Trotsky e uma arquitectura colonial espanhola bem preservada.

                    Ao chegarmos à Casa Azul deparámo-nos com uma aglomeração, pouco usual para uma hora de fecho. A casa museu fechava no horário, mas reabriria pela 19h por ser 4ªfeira. O mesmo para a casa Trotsky. Como viajantes tentamos não programar museus à 2ªfeira, mas aberturas tardias não esperávamos. Persistência.... e sorte!

                    Este breve intervalo ainda nos permitiu um rápido olhar pela bela Coyoacán, cheia de igrejas e edifícios coloniais, com belas cores saturadas.

                    Por acaso ou pelo desejo e cheiro, chegámos ao melhor e mais interessante café que encontrámos no México. Neste café de esquina, torrava-se, moía-se, confeccionava-se e bebia-se um óptimo café, sentados em bancos, tipo jardim, existentes no passeio.

                    Ainda deu tempo para visitar o animado centro histórico e a Casa-Museu Léon Trotsky.

                    Trotsky, ideólogo e activista comunista, exilado no México, viveu inicialmente na Casa Azul, tendo posteriormente habitado esta casa, hoje Museu. Visitá-la foi emocionante, face ao “congelamento” dos espaços, objectos e memórias aí contidos.
                    Mais e melhor, a Casa Azul ia ser habitada de novo pela sua personagem principal - Frida, maravilhosamente interpretada pela actriz María Elva Zermeño. A actriz percorreu os espaços mais emblemáticos da casa e jardins, pontuando a vida e amores de Frida* , Diego**, e outros, com música do folclore mexicano. Começou com LLorona!
                    Tarde, após um copo de mescal, abandonámos a Casa Azul e Coyoacán...

                    Notas:
                    * Frida Kahlo (1907-1954), artista multifacetada. Pintou angustiantes auto-retratos e imagens surrealistas.
                    ** Diego Rivera (1885-1957), artista multifacetado. Muralista famoso da pós-revolução mexicana.

                    Álvaro Barcelos

                    Comentário

                    • Dolor
                      Fazedor de Chuva

                      • Mar 2011
                      • 3250

                      #25
                      Entre Querétaro e Mazatlán

                      Click image for larger version

Name:	shapeimage_2-2.jpg
Views:	1
Size:	47,8 KB
ID:	159857

                      sábado, 8 de Setembro de 2012

                      O contacto com o grupo de “Forcados Amadores de Mazatlán”, em Alcochete, levou- nos a visitá-los aquando da nossa passagem pelo México. Primeiro, em Querétaro e depois em Mazatlán. Não consigo descrever como o Álvaro e eu fomos recebidos e tratados.

                      O carinho e amizade, com que falam de Alcochete, é enternecedor. Falam desta nossa terra como sendo sua. Para descrever os dias passados com eles, seriam necessárias algumas páginas.
                      Ao Arturo, Fernando, Alfredo, Alejandre, René e Noel e seus familiares, deixo três frases:

                      Arturo: “A vida é a arte do encontro” (Apesar dos desencontros da vida – acrescento eu);

                      René (Cabo do Grupo de Forcados de Mazatlán): “Se fizer por vós, metade do que nos fazem os Alcochetanos, fico feliz”;

                      Alexandre: “A amizade é a minha bandeira”.

                      Nada disto teria sido possível, se não fosse a colaboração da Câmara Municipal de Alcochete, do Grupo de Forcados Amadores do Aposento do Barrete Verde e do Grupo de Forcados Amadores de Alcochete.

                      Alexandre Costa

                      Comentário

                      • Dolor
                        Fazedor de Chuva

                        • Mar 2011
                        • 3250

                        #26
                        Zion, Bryce

                        Click image for larger version

Name:	shapeimage_2.jpg
Views:	1
Size:	49,5 KB
ID:	159865

                        quinta-feira, 13 de Setembro de 2012

                        Estes belíssimos parques do Utah permanecem um pouco subvalorizados, face à dimensão e importância do Grand Canyon e do Yosemite. Talvez em dimensão, mas não em beleza!

                        O Zion National Park visita-se junto à linha de água, na parte inferior do desfiladeiro; o Bryce Canyon apresenta-se em todo o seu esplendor quando se visita pelas cristas montanhosas.

                        O primeiro resulta da erosão do rio Virgin, e respectivo sistema, cujo caudal é balizado por altos rochedos, por vezes a curta distância (6 m). O Bryce, apesar de se chamar “canyon”, tecnicamente não devia ser, pois a sua génese não resulta da erosão provocada por um rio, mas sim do forte efeito provocado pela chuva, gelo e ventos ao longo de milhões de anos.

                        Ambos pertencem ao sistema do rio Colorado encontrando-se na sua vasta área de influência.

                        Quando se visitam em sequência, uma vez que distam aproximadamente 125 quilómetros, não há exclamação mais óbvia, do que: O que mais nos espera! Como é possível tal diversidade e beleza a tão curta distância!

                        O que fascina em cada um destes parques:

                        O Zion NP impressiona pela altura do desfiladeiro (muitas vezes superior a 1500 m), pela beleza das enormes formas rochosas esculpidas pelos elementos naturais (praça dos patriarcas, o grande trono branco, a rocha que choraminga, o templo de Sinawava, etc), pelos belos percursos com dificuldades várias, como a subida/descida do rio Virgin, leito escavado ao longo de 25 ou mais quilómetros. Este percurso é feito quase sempre atravessando o rio em ziguezague, com banhos obrigatórios em águas geladas. O caminho é o rio! Rafting, canoying, kayaking são actividades comuns neste parque. O trekking ao Observatório (6 quilómetros com um desnível de mais de 600 m) é de uma enorme beleza. No percurso atravessa-se o Echo Canyon com quedas de água onde os veados vêm matar a sede. Por tal motivo, é chamado, vulgarmente, armadilha de veados. No seu ponto mais elevado (cerca de 2000 m), podemos admirar o parque em toda a sua extensão.

                        Ao pôr-do-sol este panorama é magnífico!

                        O Bryce Canyon, ao primeiro relance, é de pura estupefacção e fascínio: uma floresta de pináculos e castelos rochosos entre o laranja e o vermelho (The Hoodoos) que desafiam a imaginação. Chegamos a pensar se não estaremos noutro planeta! Parece que o escultor universal usou como modelos a acrópole, Partenon e cariátides incluídas, colunas de templos egípcios ou mesmo algumas esculturas barrocas. Devido à erosão contínua, arcos darão lugar a pináculos e agulhas desaparecerão, tal o dinamismo do sistema! Uma espécie de Capadócia vermelha...Ao pôr-do-sol estas formas mágicas revelam uma transparência inesquecível! O trekking que fizemos é considerado o mais belo de pequena rota: Queens garden + Navajo loop, 4,5 quilómetros culminando numa subida íngreme entre altíssimas paredes rochosas a que chamam acertadamente Wall Street.

                        Com esta crónica pretendo prestar humilde homenagem aos belíssimos parques norte-americanos manifestando o desejo de voltar um dia!

                        Álvaro Barcelos

                        Comentário

                        • Dolor
                          Fazedor de Chuva

                          • Mar 2011
                          • 3250

                          #27
                          Por correio ou pessoalmente?

                          Click image for larger version

Name:	shapeimage_2-1.jpg
Views:	1
Size:	75,4 KB
ID:	159949

                          sexta-feira, 21 de Setembro de 2012

                          Tinha comprado postais e selos. A escrita estava feita, só faltava colocá-los no marco do correio. – “Ponho-os na fronteira de Tijuana!” – pensei!

                          A fila era imensa e nós lá íamos andando a passo de caracol. Passa por nós um polícia de fronteira, de nacionalidade Estado Unidense, levando um individuo algemado, para o entregar a um polícia Mexicano. Achei insólito. Parecia a entrega de mercadoria despachada pela UPS (empresa transportadora de mercadorias). Não havia posto fronteiriço Mexicano, mas somente a fronteira dos EUA. O guarda achou esquisito que eu entrasse a pé e questionou-me? Respondi-lhe que aos 67 anos não vinha trabalhar para o seu país, estava a passear. Com um encolher de ombros mandou-me passar.

                          Tínhamos um encontro marcado na fronteira de San Diego, no Mac Donalds. Estávamos a tentar localizar o restaurante, quando uma senhora se lança nos braços do Álvaro, com a alegria dos bons encontros - a sua prima Margarida que nos levou para casa onde ficámos principescamente alojados.

                          A Margarida, Hal, Manuel Nunes, Zélinha e família trataram-me como se fosse um deles, um ente querido, muito chegado. O meu eterno obrigado. Levaram-nos a conhecer vários locais, que registámos fotograficamente e que farão parte do nosso livro, por duas razões: pela beleza dos locais em si e como forma de agradecer, a quem optando por outro país, não esquece e perpetua a nossa maneira de receber. Uma das coisas boas, entre muitas, que nos distingue e faz com que sejamos Portugueses....

                          Com tudo isto os postais serão entregues por mão própria quando regressar....

                          Alexandre Costa

                          Comentário

                          • Dolor
                            Fazedor de Chuva

                            • Mar 2011
                            • 3250

                            #28
                            Passeando em Vancouver

                            Click image for larger version

Name:	shapeimage_2.jpg
Views:	1
Size:	18,0 KB
ID:	159967

                            sábado, 24 de Novembro de 2012

                            O comboio levou-nos a Vancouver. Os Estados Unidos da América ficaram para trás, mas a ele voltaremos, em breve, e aos seus parques naturais.

                            Vancouver é uma cidade onde me sinto bem, onde se respira um ar leve, onde a alegria de viver anda de mãos dadas com um passado não muito remoto, mas não renegando as origens.

                            No Hosteling International, na Granville Street, tivemos o nosso porto de abrigo nesta cidade. Partimos à sua descoberta: Water Street, iluminada a gás; na esquina das ruas Water e Cambie, o relógio a vapor, do século XIX, lembra a sua existência de 15 em 15 minutos, aproveitando os passeantes para o registo fotográfico junto deste marco histórico da relojoaria; Jack Gastown, marinheiro inglês que, em 1867, abriu um bar na Carrall Street está imortalizado numa estátua em bronze, sobre um barril que marca a sua área de negócio; o Museu de Antropologia, os Tótemes no seu exterior, mas também no interior do Grande Salão; o Corvo e os Primeiros Homens, trabalho escultórico de Bill Reid; os jardins, os parques, a praia e o mar.

                            O som de fundo é nos dado pelos acordes do “Vancouver International Jazz Festival”. Foi ao som destes que partimos para “Beautiful British Columbia”.

                            Os Parque Naturais esperavam-nos. Entre eles Yoho National Park, Banff National Park e Jasper National Park.


                            Alexandre Costa

                            Comentário

                            • Dolor
                              Fazedor de Chuva

                              • Mar 2011
                              • 3250

                              #29
                              Continuar a viajar....

                              Click image for larger version

Name:	shapeimage_2.jpg
Views:	1
Size:	20,6 KB
ID:	159968

                              segunda-feira, 26 de Novembro de 2012

                              O Alaska e a cidade de Anchorage, onde chegámos de avião, contingência de longa viagem com alguns percalços pelo meio, eram o ponto limite do nosso projecto.

                              Verão com temperaturas baixas, rondando os dez graus centigrados. Sinto a falta do nosso sol.

                              “Parque Natural Denali”, nosso destino mais a Norte. Chuva intensa e frio, limita-nos o horizonte deixando a amargura das fotos por fazer. Onde está a luz, matéria prima de uma boa foto?

                              Partimos para Seward, o dia sorriu-nos um pouco. Passeio de barco durante um dia no “Parque Nacional Kenai Fjords”, viagem que nos levou até ao Glaciar “Harding Icefield”. Durante o percurso partilhámos, à distancia, a companhia de leões marinhos e baleias deixando-se fotografar, assumindo a postura de modelos não contratados, mesmo assim simpáticos.

                              “Alaska Native Heritage Center”- neste museu são contados e demonstrados hábitos de vida, trabalho, jogos e danças dos nativos do Alaska. Memórias nem sempre lembradas pelas mais nobres razões.

                              Esta viagem foi longa. Durante dez meses vivi intensamente. Tal como escrevi na segunda crónica, “...a maior viagem será ao interior de mim...” e é certo que o foi, sem qualquer margem para dúvida.

                              Como a sede de conhecer não se extinguiu, vou continuar a viajar dentro e fora de mim...


                              Alexandre Costa

                              Comentário

                              Working...