Conquista do Paraiso

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  • Eric e Clarissa
    Fazedor de Chuva
    • Jun 2013
    • 42

    #61
    25/10/2013 a 05/11/2013 - Ushuaia (Parte 1)

    Pegamos a estrada para Ushuaia com tempo excelente, logo pudemos ver as montanhas nevadas bem longe, de longe as montanhas passaram a ser nossas vizinhas próximas, e seguimos naquela que seria a estrada mais linda de nossas vidas até o momento. É uma pena não termos mais as fotos da estrada para compartilhar com todos, por sorte nossa memória não falha e não existe nada que podemos falar dessa estrada que consiga descrever minimamente sua beleza, os instantes que passamos nela sem duvida já valeu toda viagem.

    Chegamos a Ushuaia, linda, linda cidade, desde sua entrada cercada por montanhas nevadas, um portal lindíssimo, e no portal uma grande surpresa, lembram do colombiano que conhecemos no dia anterior? Pois é ele seguiu para Ushuaia no mesmo dia, enquanto nós estávamos em Rio Grande. Nesse meio tempo ele conheceu a cidade, comeu, dormiu, andou e fez varias outras atividades e, no momento exato que ele decidiu sair andando do seu Hostel para ir no portal da cidade, exatamente nesse momento nós estávamos chegando, e quando paramos no portal, ele estava parando no portal, e ali ficamos por quase uma hora conversando e trocando experiências, logo tiramos algumas fotos e nos despedimos.

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    Planejamos alugar um trailler equipado para nossa estada em Ushuaia, custaria 180 pesos argentinos por dia no camping Pista do Andino. Ao chegar fomos recepcionados por um paulista, publicitário que largou tudo para fazer uma viagem de bicicleta saindo de SP, indo até Ushuaia e posteriormente indo até o Alaska. Ele estava trabalhando no Camping desde o inicio da temporada de inverno, e o mais incrível, por se tratar de uma viagem muito longa, tinha passado as férias no Brasil. Isso mesmo, tirou férias da viagem e voltou para SP para rever os seus, logo depois pegou o avião de volta para Ushuaia e continuou seu destino.

    Como contraponto de encontrar um Brasileiro assim que chegamos em Ushuaia nos foi dada a noticia que o camping ainda não estava aberto. Olhamos o GPS que nos indicou alguns outros campings onde poderíamos nos quedar, e lá fomos. Porém, um após o outro estavam fechados.

    Após muito andar, finalmente chegamos ao Parque Nacional Tierra del Fuego, na entrada pagamos o ingresso que deveria ser renovado de 2 em 2 dias caso acampássemos lá, andamos mais uma dezena de KM dentro do parque e chegamos ao Lago Roca, lindíssimo, conversamos com o encarregado do camping e logo nossa barraca estava montada, um pouco mais tarde conhecemos Gilberto, um Peruano que vivia na Argentina, e muitas coisas fazia por lá. Musicas a parte, Gilberto trabalha e dança muito, além de muito responsável e simpático, certamente entrou para a lista de pessoas fantásticas que conhecemos durante a viagem!

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    Estávamos impressionados com as belezas de Ushuaia, para qualquer lado que olhássemos, a cada passo uma surpresa.

    Com muita fome e vontade de falar com nossos familiares nos dirigimos ao centro, 20 KM do nosso atual endereço, infelizmente, ao chegar, recebemos uma péssima noticia, a morte do Sr. Jõao Ferreira, Avô do nosso piloto. Um homem, que como todos os outros, teve em sua curta vida momentos bons e ruins, alegrias e tristeza, conquistas e fracassos. No caso de Seu Jõao teve também filhos e netos que guardarão para sempre suas lembranças e valores em sua mente e sangue, um homem que sempre fez parte de nossas vidas e agora faz parte de nossa historia, e de uma forma ou de outra, viveu sua vida inteira lutando contra seus fantasmas e gozando da matéria vida que lhe foi concedida, transformando seus caminhos em únicos e tentando encher de significado toda sua vida, que na média o rendeu mais amigos do que inimigos, e para nós que ficamos rendeu muita saudade e gratidão pelas conversar que tivemos e momentos que vivemos além de um gostinho de quero mais, que, infelizmente, nos será negado pelo tempo e enquanto o tempo quiser. Lembrando e adaptando a frase de nosso grande musico, Gonzagão, “E daqui para o além da vida, não seja o fim, pois eu jamais vou te esquecer”.

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    Infelizmente, estávamos em um lugar distante de tudo que pudesse nos levar para o Rio de Janeiro rapidamente, pesquisamos algumas passagens mas nada nos poderia fazer chegar a tempo da ultima despedida.

    Voltamos para o parque e tentamos dormir, porém, o camping não tinha energia elétrica e nosso saco de dormir é excelente para o frio do Rio de Janeiro, logo, não funcionou como esperávamos em Ushuaia e a noite foi além de muito triste, muito fria.

    No dia seguinte, mergulhados em pensamentos e reflexões, continuamos no lago quando caiu a noite nosso drama se repetiu, muito frio, por isso decidimos, ao amanhecer, nos mudar. Fomos falar com Cristian, o responsável pelo complexo, ele nos ofereceu o refugio, uma especie de albergue, onde teríamos direito a uma cama cada um em um quarto com 14 camas e aquecimento a lenha, além disso teríamos direito de usar a cozinha. Enquanto pagávamos 35 pesos por pessoa para acampar, a cama no refugio custaria 70 pesos e a perda privacidade, porém apostamos que o quarto permaneceria vazio, após um fim de semana lotado de crianças, e nos mudamos para o refugio, quentinho. Lá dormimos perfeitamente.

    Conhecemos bem o parque assim como a cidade, em uma das nossas idas a cidade resolvemos provar o famoso cordeiro patogênico, pedimos sugestão e nos indicaram o restaurante Estancia, fomos até lá e comprovamos como o excessivo respeito Argentino ås tradições alimentares podem ser prejudiciais ao turista.

    Chegamos ao restaurante acreditando que se tratava de um dos melhores da cidade, local perfeito para provar o cordeiro patogênico, porém, chegamos 7.20, e o restaurante abria 7.30. Estava muito frio do lado de fora e os garçons já estavam no interior do restaurante organizando tudo, por isso decidimos tentar entrar. Ao entrar no restaurante, em um tom extremamente grosseiro, o garçom nos informou que o restaurante estava fechado e que abriria dentro de menos de 10 minutos, fazendo isso, solicitou que aguardássemos do lado de fora, no frio. Insistimos sobre nossa permanência no restaurante argumentando que iríamos jantar ali e que do lado de fora estava muito frio, repetindo o ato de falta de gentileza o garçom bufou e grosseiramente nos apontou a mesa que nos era permitido sentar. Com muita vontade de abandonar o local imediatamente, porém tentando ter alguma paciência com os donos da terra, sentamos no lugar sugerido e aguardamos. O garçom seguia mau-humorado até que, como que por um milagre, o cartão de “Cerrado" que decorava a porta de entrada do restaurante foi substituído por outro mais convidativo que dizia “Abiero”, junto com essa mudança o mau-humor do nosso garçom deu lugar a um largo sorriso que o transformou, em todos os aspectos, em um dos melhores garçons de toda a viagem. Fez questão de tentar falar português conosco, perguntou sobre nossa viagem, nos contou que seu sonho era fazer algo parecido, nos ofereceu as opções do cardápio e rodízio, passou a atender nossas solicitações imediatamente e com muita simpatia. Refletimos muito e concluímos que, sem duvida, o contrato de trabalho dele deveria incluir a obrigatoriedade de ser simpático das 19.30 até 00.30. Obviamente saímos do restaurante antes de acabar a ficha.

    Outro momento único em Ushuaia foi nosso primeiro contato com a neve, em um entardecer, percebemos alguns, poucos, flocos de neve caindo, lindo. Naquele momento já estávamos em Ushuaia a 9 dias e a outros tantos dias estacamos usando as mesmas roupas térmicas, decidimos então lavar essas peças, o problema é que não tínhamos substitutas. Uma vez lavadas, vestimos roupas da estação no Rio de Janeiro e fomos ao centro para comemorar, via skype, o aniversário da Dona Janette, avó de nosso piloto, infelizmente ao conseguirmos ligar nossa vó já estava dormindo e nas ruas de Ushuaia tinha começado a chover muito, resolvemos fazer hora no restaurante. Pouco tempo depois resolvemos sair, logo a chuva bateu em nossas luvas e a água, uma vez em contato conosco, congelou… Estava muito frio, muito mesmo, principalmente para um casal de motociclistas carioca com roupas dignas de verão em sua cidade natal, com essa temperatura extrema e roupas ingênuas seguimos congelando todos os KMs até o parque, e depois até o lago Roca, por todo esse percurso observamos que a paisagem da estrada estava completamente diferente, tudo estava nevado, e lindo, infelizmente não estacamos em condições de parar para apreciar o efeito da neve, ao chegarmos passamos longos momentos em frente a lareira para desfazer o efeito do frio em nossos corpos.

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    Última edição por Eric e Clarissa; 19-12-13, 13:15.

    Comentário

    • Eric e Clarissa
      Fazedor de Chuva
      • Jun 2013
      • 42

      #62
      25/10/2013 a 05/11/2013 - Ushuaia (Parte 2)

      A essa altura estávamos em Ushuaia por mais um motivo, embora loucos para pegar a estrada e seguir para o norte, o nosso amigo Miguel (Uruguaio que conhecemos em Foz) estava a caminho. Certa manhã ao acordarmos notamos que tudo estava nevado, muita neve provavelmente toda a noite mudou a paisagem do camping, e a moto por sua vez, toda branca. Tomamos café da manha e passamos pela ultima vez as fotos para o computador que ainda era nosso, fotos desde Las Grutas até a maior parte das fotos de Ushuaia que ainda estavam na câmera. Ao sairmos notamos o carro do Miguel parados ao lado de nossa moto, e ele por sua vez já estava no refugio nos esperando. Matamos as saudades, trocamos abraços, mostramos as melhores fotos, vimos suas melhores fotos e saímos para explorar o parque juntos. Um pouco mais tarde fomos ao centro onde almoçamos e conversamos muito mais, passamos o dia todo juntos e juntos planejamos a continuação da viagem, Miguel seguiria até Bariloche e deixaria seu carro passando uma temporada na Argentina enquanto ele estava em Itajaí para mais um mês de trabalho, já nós, estávamos a quase 18 mil KM do outro lado do continente americano. Decidimos que partiríamos no dia seguinte por Punta Delgada visto que os horários da balsa de Porvenir não estavam encaixando com os nossos planos, horários esses que foram verificados graças a uma das recomendações do GQFC Dolor em nossa passagem por Itajaí.

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      Voltamos para o Lago Roca com os abraços atualizados e nos preparamos para sair cedo no dia seguinte, preparação essa que serviu apenas para os vários Ingleses que visitam diariamente o Lago Roca verem, e literalmente viram, assistiram toda nossa preparação e montagem das bagagens e da moto. Por volta de 13.00 horas nos despedimos de todos os funcionários do camping e seguimos, destino? Punta Arenas!

      Como sabem, graças ao roubo do computador em El Calafate, temos pouquíssimas fotos de Ushuaia, essa última e excelente foto desse lugar incrível é do amigo NFC Jacob.


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      • Eric e Clarissa
        Fazedor de Chuva
        • Jun 2013
        • 42

        #63
        05/11/2013 - San Sebastian

        Saímos tarde de Ushuaia e sabíamos que dificilmente chegaríamos em Punta Arenas ainda de dia, porém seguíamos em baixa velocidade apreciando os cenários maravilhosos das estradas de Tierra del Fuego, passamos direto por Rio Grande e abastecemos no posto da Fronteira com Chile. Estávamos extremamente tensos sobre a entrada no Chile pois não tínhamos dado baixa ao sair, porém, tudo tranquilo, demos entrada no Chile sem que ninguém notasse nossa trapalhada.

        Já eram aproximadamente 17.00, por isso decidimos parar em San Sebastian, almoçar e talvez passar a noite, assim fizemos.

        No dia seguinte, tudo certo para sairmos cedo, porém, como os imprevistos sempre são previstos, ao lubrificar a corrente da moto notamos que estava vazando gasolina do baú que guardava os galões, 5 litros de gasolina vazaram durante a noite e provavelmente no trajeto de Ushuaia até San Sebastian.

        Abrimos o baú, lavamos tudo, identificamos o motivo do vazamento, a borracha de vedação estava partida. Tudo que estava dentro do baú se perdeu, ou derretido pela ação da gasolina ou pelo cheiro insuportável que insistia em não sair. A gasolina que sobrou serviu para encher o tanque até a boca além de 2 litros que se recusavam a entrar e foram levados em uma garrafa de refrigerante. Planejamos parar em 50KM e encher o tanque novamente com a gasolina da garrafa.

        Depois de algumas horas de preparação e limpeza, seguimos em direção a Punta Arenas onde chegamos ainda com a claridade do sol, fomos direto para o camping \ hostel Independencia, localizado na Av. Independência esquina com Av. Espanha.

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        • Jacob Bussmann Filho
          Fazedor de Chuva

          • Dec 2011
          • 2788

          #64
          Olá Eric e Clarissa,estou tem andando mais algumas fotos lá de Ushuaia....

          Aqui o lago Escondido ,no paso Garibaldi, lugar mágico ,parei aqui e agradeci a Deus por ter chegado até aqui ,tomei um folego e depois segui em frente....aqui estava sózinho e já começava a esfriar um pouco ,passavam das 21 hrs

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          aqui uma foto do hotel,quando cheguei ,eram 22h30`,estava muito exaustoe contente de ter chegado, tinha saido de Rio Gallegos.....rsrsrsr.....24/12/2010...agora era fazer a ceias de Natal.....rsrsrrs....com bota e tudo....
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          Ainda em Ushuaia

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          E agora o Rio Lapataia,e aquela estradinha que vai para o parque.....30 Km de muita poeira.....rsrsrsr

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          Abração a voces e quem sabe não nos encontraremos lá encima.....no Alasca....rsrsrsr

          NFC Jacob
          GCFC NFC VFC(SP) ,VFC(RR),Cardeal, RFC(101,116,153,230) Jacob,Bandeirantes

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          • Dolor
            Fazedor de Chuva

            • Mar 2011
            • 3250

            #65
            FC Eric e Clarissa, um enorme prazer viajar com vocês, com relatos ricos nos detalhes do cotidiano e ornados com fotos tão sensíveis com capacidade de nos fazer sentir o ar por onde passam.

            Estamos na expectativa de poder encontrá-los, pois deveremos sair de Quito com direção ao sul, cremos, no dia 3 de janeiro.

            Seria um enorme prazer poder celebrar este encontro com outro casal, de colombianos, Rudolph e Luisa, hóspedes na Sede Int dos FC há alguns meses.

            Vamos conversando!

            Quanto ao NFC Jacob, reforçou a nossa vontade de voltar para Ushuaia!

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            • Dolor
              Fazedor de Chuva

              • Mar 2011
              • 3250

              #66
              FC Eric e Clarissa, desculpe a indelicadeza do silêncio, mas aceitem as nossas condolências pelo falecimento do Sr. João Ferreira, avô do FC Eric.

              Seguramente cumpriu a sua missão na terra e agora descansa em paz.

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              • Neviton Custódio
                Fazedor de Chuva

                • Dec 2013
                • 45

                #67
                Caros irmãos Eric e Clarissa

                Não é todo dia que se tem um Natal com árvores de verdade enfeitando a paisagem, que se tem a possibilidade de brincar na neve como nos filmes e desenhos animados, que se tem a possibilidade de ver renas ou algum parente próximo e, mais que tudo isso, ganhar de presente algo tão valioso, tão intangível, que nem mesmo o mais generoso dos Papais Noéis seria capaz de lhes dar, que é viver um momento desejando que ele jamais termine, a isso alguns chamam de felicidade. Como dizia o general romano Maximus, do Gladiador: "O que fazemos em vida ecoa na eternidade". Essa viagem de vocês já tem lugar lá. Feliz Natal, com muito amor, união, cumplicidade e, acima de tudo, saúde pra rasgar esse mundo de asfalto que vocês têm pela frente. Gde abraço
                CHEGA UM DIA EM QUE É PRECISO PARAR DE SONHAR E, DE ALGUMA FORMA, PARTIR.

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                • Eric e Clarissa
                  Fazedor de Chuva
                  • Jun 2013
                  • 42

                  #68
                  Ao irmos para Punta Arenas não reservamos lugar para ficar, tínhamos porém uma indicação do amigo Miguel Uruguaio, que tinha chegado um dia antes e logo nos enviou um email com as coordenadas do lugar que ficou, Hostel Independência. Tranquilos que teríamos onde dormir, paramos na zona franca para comer algo e logo percebemos que os preços no Chile, confirmando a previsão de todos os Argentinos, eram muito bons! Ao contrario dos preços que vimos, não tivemos muita sorte com as comidas da zona franca, basicamente lanches, queríamos jantar (como sempre)!

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                  Inicialmente, continuaríamos a viagem no dia seguinte, mas logo reavaliamos o planejamento por conta dos preços atrativos e pela necessidade de trocar alguns equipamentos como o saco impermeável que caiu chegando em Caleta Olivia. 2 dias, era o novo planejamento.

                  Saímos da zona franca fazendo listas do que deveríamos trocar, cabo do celular, corda, elásticos, entre outros itens. Em pouco tempo estacamos em frente ao Hostal Independência, paramos a moto e fomos tocar a campainha. Eduardo, o dono, abriu a porta e sem nos dar boa noite, sem falar oi, sem se apresentar, nos olhou e disse - o Uruguaio falou que vocês viriam, venham, vou apresentar o hostal e seu quarto! Seguiu nos apresentando o hostel e falando coisas variadas sem parecer que necessitasse de oxigênio para sobreviver. Nos acomodamos e logo ganhamos um mapa acompanhado de uma aula introdutória a cidade de Punta Arenas, principais pontos turísticos, mercados baratos, lugares a evitar na cidade, entre outras informações sobre a cidade.

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                  O Hostel Independência recebe gente de todos os lugares e é muito organizado. Eduardo, apesar de completamente louco, leva muito a sério seu negócio, e sozinho, limpa e lava todo hostel, organiza tudo, prepara o café da manhã e é claro, fala, mas fala muito.

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                  Saímos a pé para buscar um restaurante e jantar, e logo encontramos San Telmo, um restaurante ‘’Turistico'', porém com preços muito melhores que dos restaurantes mais baratos da Argentina, pedimos um bife e pure de batatas, e para nossa surpresa, aquela carne, era a melhor até o momento na viagem, recomendamos o restaurante!

                  No dia seguinte antes de sairmos para fazer as compras percebemos que o pneu traseiro estava próximo do seu fim e nos próximos KMs não passaríamos em nenhuma cidade que pudesse realizar o serviço, decidimos portanto estender nossa estada e trocar o pneu, nesse momento começou nossa verdadeira jornada em Punta Arenas.

                  O Eduardo nos indicou dois endereços de mecânicos, para que pudéssemos procurar quem pudesse trocar o pneu da moto, fomos ao primeiro e só encontramos o seu pai, que nāo entendia muito sobre mecânica, seu filho estava viajando de moto e não tinha previsão de volta. Nesse lugar tinham varias opções de pneu para comprarmos, porém, os pneus novos não poderiam ser vendidos pois ele, o Pai, não sabia os preços, porém, tinham algumas opções de pneu usado. Fomos até a segunda opção, ninguém respondeu… Andamos por toda a cidade e não encontramos outras pessoas para fazer o serviço e os borracheiros se mostravam relutantes em tirar o pneu da roda. Nisso, voltamos a zona franca de Punta Arenas, e começamos a busca…fomos em todas as lojas e não encontramos o pneu com as medidas necessárias.

                  Em Punta Arenas trocamos nossas bolsas estanque o que possibilitou a redução do tempo de saída de 1,5 horas para 15 minutos. Compramos também jaquetas novas e uns 10 tubos de Motul, assim como um novo galão de combustível, camas, e outros vários equipamentos. Não conseguíamos, porém, comprar o pneu.

                  Finalmente, fizemos amizade com o cachorro do hostel (já estava demorando). Saímos uma noite para jantar e ele foi atrás, andamos por quase meia hora até chegar ao restaurante e ele, ou atrás, ou na frente, permanecia muito atento a nos acompanhar, só tinha um problema, voltaríamos de taxi pela hora. Chegamos ao restaurante e o cāo ficou do lado de fora, na hora que saímos, cade? Ficamos tristes, pensamos que nāo conseguiria voltar sozinho para casa e quando chegamos ao hostel quem estava a nos esperar do lado de fora atento a tudo que acontecia, ele! Quando abrimos a porta do taxi para descer, imediatamente fomos reconhecidos, e como quem nāo vê um amigo a muito tempo, sem conseguir esconder a animação, ele correu em nossa direção e ficou fazendo festa!

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                  Chegado o final de semana e nada do mecânico voltar, e o outro? Oficina fechada. Aproveitamos que era final de semana para pesquisar outras opções na internet e conhecer bem a cidade, chegada segunda feira, como que por um devaneio desesperado, voltamos a todos os lugares, outra vez o mecânico não tinha voltado, porém os pneus usados estavam lá como única opção possível. Nosso pneu estava muito gasto e não teríamos possibilidade de chegar a próxima cidade grande com ele, a opção era voltar para Rio Gallegos e tentar fazer o serviço lá… Ao passarmos pela oficina que até então estava fechada, uma grande surpresa, alguém veio nos atender e nos revelou o segredo de nosso problema nos contando que só trabalhava nos finais de semana! Pronto, tínhamos o mecânico, conversamos muito com ele e aceitou fazer o serviço naquele dia, uma segunda feira, porém, só o faria as 18h. Voltamos, compramos um pneu usado em bom estado, deixamos lá e nos programamos para voltar com a moto as 18h. O pneu “escolhido" foi o Metzeler Enduro 3 Sahara, que nos levaria inicialmente até Santiago.

                  Voltamos no horário combinado e para nossa grande surpresa, ao nos atender, o mecânico falou que nāo poderia realizar o serviço, tinha se enrolado durante o dia e agora tinha que realizar outros trabalhos mais urgente e sair para a fazenda da família. Simplesmente nāo aceitamos essa opção, explicamos nossa situação e ele por sua vez demonstrou o famoso, infelizmente não posso fazer nada. Ainda sim nāo aceitamos e ficamos ali, falando e falando até ele finalmente mudar de ideia, ele tinha se comprometido conosco e nós estávamos contando com ele, depois de muito tempo de insistência, realizou o serviço, em questão de minutos…

                  De sapato novo, ou semi-novo, a moto estava pronta para sair, e sairíamos no dia seguinte, se a preguiça que nos dominou permitisse… Ficamos portanto até quarta quando finalmente partimos em direção a Puerto Natales.

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