25/10/2013 a 05/11/2013 - Ushuaia (Parte 1)
Pegamos a estrada para Ushuaia com tempo excelente, logo pudemos ver as montanhas nevadas bem longe, de longe as montanhas passaram a ser nossas vizinhas próximas, e seguimos naquela que seria a estrada mais linda de nossas vidas até o momento. É uma pena não termos mais as fotos da estrada para compartilhar com todos, por sorte nossa memória não falha e não existe nada que podemos falar dessa estrada que consiga descrever minimamente sua beleza, os instantes que passamos nela sem duvida já valeu toda viagem.
Chegamos a Ushuaia, linda, linda cidade, desde sua entrada cercada por montanhas nevadas, um portal lindíssimo, e no portal uma grande surpresa, lembram do colombiano que conhecemos no dia anterior? Pois é ele seguiu para Ushuaia no mesmo dia, enquanto nós estávamos em Rio Grande. Nesse meio tempo ele conheceu a cidade, comeu, dormiu, andou e fez varias outras atividades e, no momento exato que ele decidiu sair andando do seu Hostel para ir no portal da cidade, exatamente nesse momento nós estávamos chegando, e quando paramos no portal, ele estava parando no portal, e ali ficamos por quase uma hora conversando e trocando experiências, logo tiramos algumas fotos e nos despedimos.

Planejamos alugar um trailler equipado para nossa estada em Ushuaia, custaria 180 pesos argentinos por dia no camping Pista do Andino. Ao chegar fomos recepcionados por um paulista, publicitário que largou tudo para fazer uma viagem de bicicleta saindo de SP, indo até Ushuaia e posteriormente indo até o Alaska. Ele estava trabalhando no Camping desde o inicio da temporada de inverno, e o mais incrível, por se tratar de uma viagem muito longa, tinha passado as férias no Brasil. Isso mesmo, tirou férias da viagem e voltou para SP para rever os seus, logo depois pegou o avião de volta para Ushuaia e continuou seu destino.
Como contraponto de encontrar um Brasileiro assim que chegamos em Ushuaia nos foi dada a noticia que o camping ainda não estava aberto. Olhamos o GPS que nos indicou alguns outros campings onde poderíamos nos quedar, e lá fomos. Porém, um após o outro estavam fechados.
Após muito andar, finalmente chegamos ao Parque Nacional Tierra del Fuego, na entrada pagamos o ingresso que deveria ser renovado de 2 em 2 dias caso acampássemos lá, andamos mais uma dezena de KM dentro do parque e chegamos ao Lago Roca, lindíssimo, conversamos com o encarregado do camping e logo nossa barraca estava montada, um pouco mais tarde conhecemos Gilberto, um Peruano que vivia na Argentina, e muitas coisas fazia por lá. Musicas a parte, Gilberto trabalha e dança muito, além de muito responsável e simpático, certamente entrou para a lista de pessoas fantásticas que conhecemos durante a viagem!

Estávamos impressionados com as belezas de Ushuaia, para qualquer lado que olhássemos, a cada passo uma surpresa.
Com muita fome e vontade de falar com nossos familiares nos dirigimos ao centro, 20 KM do nosso atual endereço, infelizmente, ao chegar, recebemos uma péssima noticia, a morte do Sr. Jõao Ferreira, Avô do nosso piloto. Um homem, que como todos os outros, teve em sua curta vida momentos bons e ruins, alegrias e tristeza, conquistas e fracassos. No caso de Seu Jõao teve também filhos e netos que guardarão para sempre suas lembranças e valores em sua mente e sangue, um homem que sempre fez parte de nossas vidas e agora faz parte de nossa historia, e de uma forma ou de outra, viveu sua vida inteira lutando contra seus fantasmas e gozando da matéria vida que lhe foi concedida, transformando seus caminhos em únicos e tentando encher de significado toda sua vida, que na média o rendeu mais amigos do que inimigos, e para nós que ficamos rendeu muita saudade e gratidão pelas conversar que tivemos e momentos que vivemos além de um gostinho de quero mais, que, infelizmente, nos será negado pelo tempo e enquanto o tempo quiser. Lembrando e adaptando a frase de nosso grande musico, Gonzagão, “E daqui para o além da vida, não seja o fim, pois eu jamais vou te esquecer”.

Infelizmente, estávamos em um lugar distante de tudo que pudesse nos levar para o Rio de Janeiro rapidamente, pesquisamos algumas passagens mas nada nos poderia fazer chegar a tempo da ultima despedida.
Voltamos para o parque e tentamos dormir, porém, o camping não tinha energia elétrica e nosso saco de dormir é excelente para o frio do Rio de Janeiro, logo, não funcionou como esperávamos em Ushuaia e a noite foi além de muito triste, muito fria.
No dia seguinte, mergulhados em pensamentos e reflexões, continuamos no lago quando caiu a noite nosso drama se repetiu, muito frio, por isso decidimos, ao amanhecer, nos mudar. Fomos falar com Cristian, o responsável pelo complexo, ele nos ofereceu o refugio, uma especie de albergue, onde teríamos direito a uma cama cada um em um quarto com 14 camas e aquecimento a lenha, além disso teríamos direito de usar a cozinha. Enquanto pagávamos 35 pesos por pessoa para acampar, a cama no refugio custaria 70 pesos e a perda privacidade, porém apostamos que o quarto permaneceria vazio, após um fim de semana lotado de crianças, e nos mudamos para o refugio, quentinho. Lá dormimos perfeitamente.
Conhecemos bem o parque assim como a cidade, em uma das nossas idas a cidade resolvemos provar o famoso cordeiro patogênico, pedimos sugestão e nos indicaram o restaurante Estancia, fomos até lá e comprovamos como o excessivo respeito Argentino ås tradições alimentares podem ser prejudiciais ao turista.
Chegamos ao restaurante acreditando que se tratava de um dos melhores da cidade, local perfeito para provar o cordeiro patogênico, porém, chegamos 7.20, e o restaurante abria 7.30. Estava muito frio do lado de fora e os garçons já estavam no interior do restaurante organizando tudo, por isso decidimos tentar entrar. Ao entrar no restaurante, em um tom extremamente grosseiro, o garçom nos informou que o restaurante estava fechado e que abriria dentro de menos de 10 minutos, fazendo isso, solicitou que aguardássemos do lado de fora, no frio. Insistimos sobre nossa permanência no restaurante argumentando que iríamos jantar ali e que do lado de fora estava muito frio, repetindo o ato de falta de gentileza o garçom bufou e grosseiramente nos apontou a mesa que nos era permitido sentar. Com muita vontade de abandonar o local imediatamente, porém tentando ter alguma paciência com os donos da terra, sentamos no lugar sugerido e aguardamos. O garçom seguia mau-humorado até que, como que por um milagre, o cartão de “Cerrado" que decorava a porta de entrada do restaurante foi substituído por outro mais convidativo que dizia “Abiero”, junto com essa mudança o mau-humor do nosso garçom deu lugar a um largo sorriso que o transformou, em todos os aspectos, em um dos melhores garçons de toda a viagem. Fez questão de tentar falar português conosco, perguntou sobre nossa viagem, nos contou que seu sonho era fazer algo parecido, nos ofereceu as opções do cardápio e rodízio, passou a atender nossas solicitações imediatamente e com muita simpatia. Refletimos muito e concluímos que, sem duvida, o contrato de trabalho dele deveria incluir a obrigatoriedade de ser simpático das 19.30 até 00.30. Obviamente saímos do restaurante antes de acabar a ficha.
Outro momento único em Ushuaia foi nosso primeiro contato com a neve, em um entardecer, percebemos alguns, poucos, flocos de neve caindo, lindo. Naquele momento já estávamos em Ushuaia a 9 dias e a outros tantos dias estacamos usando as mesmas roupas térmicas, decidimos então lavar essas peças, o problema é que não tínhamos substitutas. Uma vez lavadas, vestimos roupas da estação no Rio de Janeiro e fomos ao centro para comemorar, via skype, o aniversário da Dona Janette, avó de nosso piloto, infelizmente ao conseguirmos ligar nossa vó já estava dormindo e nas ruas de Ushuaia tinha começado a chover muito, resolvemos fazer hora no restaurante. Pouco tempo depois resolvemos sair, logo a chuva bateu em nossas luvas e a água, uma vez em contato conosco, congelou… Estava muito frio, muito mesmo, principalmente para um casal de motociclistas carioca com roupas dignas de verão em sua cidade natal, com essa temperatura extrema e roupas ingênuas seguimos congelando todos os KMs até o parque, e depois até o lago Roca, por todo esse percurso observamos que a paisagem da estrada estava completamente diferente, tudo estava nevado, e lindo, infelizmente não estacamos em condições de parar para apreciar o efeito da neve, ao chegarmos passamos longos momentos em frente a lareira para desfazer o efeito do frio em nossos corpos.

... continua no proximo post ...
Pegamos a estrada para Ushuaia com tempo excelente, logo pudemos ver as montanhas nevadas bem longe, de longe as montanhas passaram a ser nossas vizinhas próximas, e seguimos naquela que seria a estrada mais linda de nossas vidas até o momento. É uma pena não termos mais as fotos da estrada para compartilhar com todos, por sorte nossa memória não falha e não existe nada que podemos falar dessa estrada que consiga descrever minimamente sua beleza, os instantes que passamos nela sem duvida já valeu toda viagem.
Chegamos a Ushuaia, linda, linda cidade, desde sua entrada cercada por montanhas nevadas, um portal lindíssimo, e no portal uma grande surpresa, lembram do colombiano que conhecemos no dia anterior? Pois é ele seguiu para Ushuaia no mesmo dia, enquanto nós estávamos em Rio Grande. Nesse meio tempo ele conheceu a cidade, comeu, dormiu, andou e fez varias outras atividades e, no momento exato que ele decidiu sair andando do seu Hostel para ir no portal da cidade, exatamente nesse momento nós estávamos chegando, e quando paramos no portal, ele estava parando no portal, e ali ficamos por quase uma hora conversando e trocando experiências, logo tiramos algumas fotos e nos despedimos.
Planejamos alugar um trailler equipado para nossa estada em Ushuaia, custaria 180 pesos argentinos por dia no camping Pista do Andino. Ao chegar fomos recepcionados por um paulista, publicitário que largou tudo para fazer uma viagem de bicicleta saindo de SP, indo até Ushuaia e posteriormente indo até o Alaska. Ele estava trabalhando no Camping desde o inicio da temporada de inverno, e o mais incrível, por se tratar de uma viagem muito longa, tinha passado as férias no Brasil. Isso mesmo, tirou férias da viagem e voltou para SP para rever os seus, logo depois pegou o avião de volta para Ushuaia e continuou seu destino.
Como contraponto de encontrar um Brasileiro assim que chegamos em Ushuaia nos foi dada a noticia que o camping ainda não estava aberto. Olhamos o GPS que nos indicou alguns outros campings onde poderíamos nos quedar, e lá fomos. Porém, um após o outro estavam fechados.
Após muito andar, finalmente chegamos ao Parque Nacional Tierra del Fuego, na entrada pagamos o ingresso que deveria ser renovado de 2 em 2 dias caso acampássemos lá, andamos mais uma dezena de KM dentro do parque e chegamos ao Lago Roca, lindíssimo, conversamos com o encarregado do camping e logo nossa barraca estava montada, um pouco mais tarde conhecemos Gilberto, um Peruano que vivia na Argentina, e muitas coisas fazia por lá. Musicas a parte, Gilberto trabalha e dança muito, além de muito responsável e simpático, certamente entrou para a lista de pessoas fantásticas que conhecemos durante a viagem!
Estávamos impressionados com as belezas de Ushuaia, para qualquer lado que olhássemos, a cada passo uma surpresa.
Com muita fome e vontade de falar com nossos familiares nos dirigimos ao centro, 20 KM do nosso atual endereço, infelizmente, ao chegar, recebemos uma péssima noticia, a morte do Sr. Jõao Ferreira, Avô do nosso piloto. Um homem, que como todos os outros, teve em sua curta vida momentos bons e ruins, alegrias e tristeza, conquistas e fracassos. No caso de Seu Jõao teve também filhos e netos que guardarão para sempre suas lembranças e valores em sua mente e sangue, um homem que sempre fez parte de nossas vidas e agora faz parte de nossa historia, e de uma forma ou de outra, viveu sua vida inteira lutando contra seus fantasmas e gozando da matéria vida que lhe foi concedida, transformando seus caminhos em únicos e tentando encher de significado toda sua vida, que na média o rendeu mais amigos do que inimigos, e para nós que ficamos rendeu muita saudade e gratidão pelas conversar que tivemos e momentos que vivemos além de um gostinho de quero mais, que, infelizmente, nos será negado pelo tempo e enquanto o tempo quiser. Lembrando e adaptando a frase de nosso grande musico, Gonzagão, “E daqui para o além da vida, não seja o fim, pois eu jamais vou te esquecer”.
Infelizmente, estávamos em um lugar distante de tudo que pudesse nos levar para o Rio de Janeiro rapidamente, pesquisamos algumas passagens mas nada nos poderia fazer chegar a tempo da ultima despedida.
Voltamos para o parque e tentamos dormir, porém, o camping não tinha energia elétrica e nosso saco de dormir é excelente para o frio do Rio de Janeiro, logo, não funcionou como esperávamos em Ushuaia e a noite foi além de muito triste, muito fria.
No dia seguinte, mergulhados em pensamentos e reflexões, continuamos no lago quando caiu a noite nosso drama se repetiu, muito frio, por isso decidimos, ao amanhecer, nos mudar. Fomos falar com Cristian, o responsável pelo complexo, ele nos ofereceu o refugio, uma especie de albergue, onde teríamos direito a uma cama cada um em um quarto com 14 camas e aquecimento a lenha, além disso teríamos direito de usar a cozinha. Enquanto pagávamos 35 pesos por pessoa para acampar, a cama no refugio custaria 70 pesos e a perda privacidade, porém apostamos que o quarto permaneceria vazio, após um fim de semana lotado de crianças, e nos mudamos para o refugio, quentinho. Lá dormimos perfeitamente.
Conhecemos bem o parque assim como a cidade, em uma das nossas idas a cidade resolvemos provar o famoso cordeiro patogênico, pedimos sugestão e nos indicaram o restaurante Estancia, fomos até lá e comprovamos como o excessivo respeito Argentino ås tradições alimentares podem ser prejudiciais ao turista.
Chegamos ao restaurante acreditando que se tratava de um dos melhores da cidade, local perfeito para provar o cordeiro patogênico, porém, chegamos 7.20, e o restaurante abria 7.30. Estava muito frio do lado de fora e os garçons já estavam no interior do restaurante organizando tudo, por isso decidimos tentar entrar. Ao entrar no restaurante, em um tom extremamente grosseiro, o garçom nos informou que o restaurante estava fechado e que abriria dentro de menos de 10 minutos, fazendo isso, solicitou que aguardássemos do lado de fora, no frio. Insistimos sobre nossa permanência no restaurante argumentando que iríamos jantar ali e que do lado de fora estava muito frio, repetindo o ato de falta de gentileza o garçom bufou e grosseiramente nos apontou a mesa que nos era permitido sentar. Com muita vontade de abandonar o local imediatamente, porém tentando ter alguma paciência com os donos da terra, sentamos no lugar sugerido e aguardamos. O garçom seguia mau-humorado até que, como que por um milagre, o cartão de “Cerrado" que decorava a porta de entrada do restaurante foi substituído por outro mais convidativo que dizia “Abiero”, junto com essa mudança o mau-humor do nosso garçom deu lugar a um largo sorriso que o transformou, em todos os aspectos, em um dos melhores garçons de toda a viagem. Fez questão de tentar falar português conosco, perguntou sobre nossa viagem, nos contou que seu sonho era fazer algo parecido, nos ofereceu as opções do cardápio e rodízio, passou a atender nossas solicitações imediatamente e com muita simpatia. Refletimos muito e concluímos que, sem duvida, o contrato de trabalho dele deveria incluir a obrigatoriedade de ser simpático das 19.30 até 00.30. Obviamente saímos do restaurante antes de acabar a ficha.
Outro momento único em Ushuaia foi nosso primeiro contato com a neve, em um entardecer, percebemos alguns, poucos, flocos de neve caindo, lindo. Naquele momento já estávamos em Ushuaia a 9 dias e a outros tantos dias estacamos usando as mesmas roupas térmicas, decidimos então lavar essas peças, o problema é que não tínhamos substitutas. Uma vez lavadas, vestimos roupas da estação no Rio de Janeiro e fomos ao centro para comemorar, via skype, o aniversário da Dona Janette, avó de nosso piloto, infelizmente ao conseguirmos ligar nossa vó já estava dormindo e nas ruas de Ushuaia tinha começado a chover muito, resolvemos fazer hora no restaurante. Pouco tempo depois resolvemos sair, logo a chuva bateu em nossas luvas e a água, uma vez em contato conosco, congelou… Estava muito frio, muito mesmo, principalmente para um casal de motociclistas carioca com roupas dignas de verão em sua cidade natal, com essa temperatura extrema e roupas ingênuas seguimos congelando todos os KMs até o parque, e depois até o lago Roca, por todo esse percurso observamos que a paisagem da estrada estava completamente diferente, tudo estava nevado, e lindo, infelizmente não estacamos em condições de parar para apreciar o efeito da neve, ao chegarmos passamos longos momentos em frente a lareira para desfazer o efeito do frio em nossos corpos.
... continua no proximo post ...










Comentário