Conquista do Paraiso

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  • Dolor
    Fazedor de Chuva

    • Mar 2011
    • 3250

    #46
    FC Eric e Clarissa, uma delícia ler os relatos de vocês, dando a impressão de estarem ao nosso lado, conversando e contando as histórias vividas.

    A respeito da "biker", ela foi hóspede aqui em Itajaí, do FC Guilherme, que a encontrou na cidade e a levou para o seu hotel, sendo que daqui a pouco ele estará na Sede Intl dos FC, para jantar em homenagem ao casal Nascente FC Gilmar e Luciana, recém chegados de São Paulo, especialmente para a cerimônia de certificação por terem desafiado o Rio Tietê.

    Assim que ele chegar darei conta a ele deste encontro de insanos, loucos, mas absolutamente inspiradores para todos nós.

    Desde já estou vendo a alegria dele!

    Parabéns pelo por do sol em Colônia, foto absurdamente linda.

    Continuem em paz e aproveitando toda essa conspiração positiva em torno de vocês.

    Beijos
    Dolor e Angela

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    • Eric e Clarissa
      Fazedor de Chuva
      • Jun 2013
      • 42

      #47
      26/09/2013 a 30/09/2013 - Buenos Aires

      Seguimos em direção a ponte internacional de Fray Bentos para efetuar a travessia para Argentina, deixávamos para trás um Uruguay maravilhoso que nos tinha encantado em vários sentidos, entraríamos agora em um grande pais no qual está localizado um dos maiores objetivos de nossa viagem, Ushuaia. Chegamos em Buenos Aires sem problemas com a policia, estrada ou combustível, tudo estava acontecendo conforme previsto.

      Entrar em BA por terra é como entrar em qualquer grande cidade por terra, o centro é distante da entrada da cidade, passamos por lugares sofisticados, favelas, bairros residenciais, algum transito e enfim estávamos no centro da cidade de BA. O mesmo GPS que demonstrava não conhecer muito bem o Uruguay não demonstrava qualquer duvida sobre os caminhos que deveríamos seguir para chegar a nosso Hotel no Bairro Constituicion. Passamos ao lado do Obelisco e seguimos pelo centro até chegar onde ficaríamos. O lugar era um tanto “estranho”, tanto o hotel quanto a demais construções do local tinham grades, grades fortes. Mas de qualquer forma tínhamos a reserva, boa fé e muita fome. Queríamos mesmo um lugar para deixar as coisas e descansar. Chegamos ao hotel e perguntamos ao Paulo que nos recepcionou:

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      Nós – Tem algum restaurante aqui perto?

      Sr. – Restaurante bom por aqui perto não. Tem que andar algumas quadras.

      Nós – Ok, tranquilo. É perigoso ir andando?

      Sr. – Olha, perigoso mesmo só aqui.

      Ele nos explicou que além de perigoso o bairro era zona de prostituição e tráfico, e que o principal foco era praça que ficava bem pertinho do hotel. Enfim, estava assim explicado o preço do hotel que era bem mais econômico que os demais.
      Fomos recebidos assim em BA, sabendo que não poderíamos transitar tranquilos no bairro que seria nosso endereço nos próximos dias, mas sem problemas pois nosso interesse em BA era basicamente fazer a revisão da moto.
      Saímos para jantar e voltamos de taxi, na volta perguntamos para o taxista se havia algum lugar particularmente perigoso em BA, a resposta veio depois de um sorriso previsível:

      Aqui!

      Falamos para ele que escolhemos o hotel pelo preço, outro motivo foi a falta de garagem em vários outros hotéis que olhamos, e a resposta dele foi:

      Não é barato a toa né!

      Assim findou-se nosso primeiro dia em BA.

      No dia seguinte acordamos cedo para fazer a revisão da moto, colocamos o endereço no GPS e seguimos suas instruções, para nossa surpresa ao chegarmos no endereço, depois de muito transito, muita falta de cordialidade dos motoristas. Surpresa! Não tinha nenhuma concessionária da BMW, aliás não existia nem o número da concessionária naquela rua. Por sorte, tinha outra BMW, em obra, perto do local indicado pelo GPS com um aviso colado indicando o endereço onde estavam atendendo. Colocamos o endereço no GPS e encontramos uma concessionária de carros, não era a que estávamos procurando. Depois de conversarmos um pouco com as recepcionistas nada simpáticas conseguimos o endereço que tanto procurávamos. Foi primeiro sinal de que o atendimento na BMW argentina seria muito diferente do que temos no Brasil.
      Ao chegar finalmente no lugar certo, umas 3 horas depois de sair do hotel, nos explicaram o que tinha acontecido. A tal Rua era muito grande e por isso o numero zerava de tempos em tempos... Pelo menos não era um problema no GPS. Estávamos mortos de fome, deixamos então a moto para revisão e fomos procurar um restaurante, perguntamos o valor do serviço antes e seguimos em nossa caçada por alimentos e nesse momento descobrimos algo que iria mudar para sempre nossa relação com a Argentina! Acontece que a revisão estava marcada para 8:30 e chegamos por volta de 11:00, deixamos a moto e saímos andando pela rua. A maioria dos restaurantes fechados, os que não estavam fechados nos avisavam que não era hora de almoçar e por isso não estavam servindo almoço. Como não somos fracos, continuamos andando, muito, e por volta de 11:30 encontramos um restaurante aberto, parecia ser muito agradável, entramos e perguntamos:

      “Tem comida?”

      E a resposta foi!:

      “Eeeee, só uma hora, que é a hora do almoço... antes não tem nada.”

      Voltamos tristes por não conseguir alimento, mas lembramos que em quase todos os lugares do globo existem missionários do MC Donalds, que estão prontos para oferecer alimento a todos que queiram deixar uma “pequena” contribuição pela refeição nada saudável que era oferecida. Lá comemos e voltamos para a BMW. Ao chegar perto observamos que a nossa moto estava saindo para dar uma volta com um dos funcionários, aquilo nos incomodou um pouco e logo perguntamos o motivo, a justificativa veio como test-drive da revisão. Quando a moto voltou questionamos quais tinham sido os serviços efetuados, e para nossa surpresa, troca de óleo. Pagamos $2.200 pesos Argentinos e os funcionários não apertaram nem os parafusos da moto. Ficamos, inicialmente, muito insatisfeitos com os serviços prestados. Quando estávamos saindo conhecemos um trio de brasileiros que estava voltando do Atacama com suas motos, conversamos um pouco e partimos pois já estava próximo ao por do sol.

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      Voltamos para o hotel, e para nossa surpresa, no caminho de volta, percebemos que a BMW Argentina além de efetuar um serviço porco e de péssima qualidade na revisão da moto, nos fez o favor de queimar o farol de milha da Givi que tínhamos usado não mais de 3 vezes. Fica a dica para todos testarem todos os seus itens antes e depois da revisão na presença dos funcionários de qualquer marca para não sofrerem o prejuízo que nos foi imposto. Sem muito mais o que fazer, voltamos para o hotel, aceitamos o prejuízo e fomos em direção ao centro para comprar gás e outro saco estanque.

      Quando chegamos ao centro descobrimos outra coisa muito importante sobre a Argentina. Nossos hermanos não estão passando por um momento econômico não muito bom e é um pouco difícil encontrar qualquer item importado. Por sorte encontramos um bujão pequeno de gás de uma marca Chilena e um saco estanque argentino que parecia ser muito bom. Andamos um pouco pelas ruas do centro de BA e encontramos uma igreja incrível, foi a primeira vez que vimos a estatua com a personificação de Deus, além de Jesus e o do Espirito Santo, além de uma imagem de um demônio com forma humana, incrível!

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      Andamos um pouco mais pela Calle Florida, fomos ao Obelisco e decidimos jantar, eram aproximadamente 18:30 e percebemos que não estava na hora de servirem janta, pois passamos por alguns restaurantes que nos negaram comida pois não estávamos na hora certa de comer. Encontramos enfim um restaurante de um Sr. Chileno que estava aberto, lá comemos uma Parilla e bebemos uma Brahma geladíssima com o primeiro garçom educado e um dos primeiros comerciantes educados que tínhamos encontrado em BA. Voltamos para o Hotel de taxi e de novo perguntamos se havia algum lugar pouco recomendado, ele nos respondeu com um sorriso “Aqui”.

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      Resultado desse primeiro dia completo em BA, notamos que as pessoas de BA em geral não são muito cordiais com os turistas, mesmo os que vivem de comercio. Talvez por ser uma cidade muito grande onde as coisas acontecem muito rápido. Por outro lado os taxistas foram todos muito cordiais, e ao contrario do que nos alertaram, não tentaram passar a perna nos caminhos.

      No sábado tínhamos a missão de encontrar um correio aberto para postar uma imagem que seria o nosso primeiro presente postado. Seria mesmo, porque não encontramos nenhum correio aberto no bairro de Contituicion. Depois de caminhar em busca do correio percebemos que estávamos com fome e paramos em uma padaria para o café da manhã, lá conhecemos a Érica que foi muito gentil e passamos um tempinho conversando em bom portunhol. A Érica nos indicou vários passeios para fazer e ainda conseguiu um taxi para nós. Nesse dia fomos na Calle Caminito e no bairro San Telmo, além da casa Rosada na companhia de muitos turistas brasileiros. Muitos mesmo, em todos os lugares encontramos pessoas falando português, comprando lembrancinhas em grandes quantidades e até querendo passar a perna na fila do taxi. Terminamos o dia almojantando em um restaurante em Puerto Madero que foi nosso primeiro contato internacional com feijão depois de quase um mês de muita saudade. Ok, não era bem o melhor feijão mas era
      feijão. Fomos muito bem atendidos.

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      Voltamos para o hotel orgulhosos de nosso achado e certos que agora sim, depois de um bom prato de feijão com arroz poderíamos deixar BA e seguir em direção ao Sul da Argentina. Passamos no posto de gasolina e completamos o tanque da moto e os dois galões que até então estavam vazios.

      Voltamos para o hotel e decidimos que arrumaríamos as malas no dia seguinte, domingo, dia que partiríamos em direção a Mar del Plata, e assim fizemos. Assim que acordamos, arrumamos tudo, montamos a moto, fomos a padaria nos despedir da Érica, e quando estava tudo pronto, com 10 kg a mais na moto, nos olhamos percebemos que a chance de cair algum baú pela estrada, com a arrumação que fizemos (o peso adicional estava na sua maior parte no baú de trás, que é o mais frágil) era grande, decidimos então ficar mais um dia em BA para reorganizar nossas malas e eliminar alguns itens, tínhamos o dia todo para fazer isso e o que fizemos? Nada!!! Fizemos comida (comprar comida no mercado em BA para fazer no hotel, no nosso caso que pagamos o gás e não temos onde guardar o que sobra é mais caro do que comer em restaurantes), de descansamos o dia todo.

      No dia seguinte reorganizamos tudo e eliminamos tênis, bermudas, catracas, blusas, calças e algumas outras coisas, menos peso! Aliviamos a carga e seguimos para o que seria, até então, a estrada mais louca da viagem!

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      Última edição por Dolor; 02-11-13, 11:11.

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      • Eric e Clarissa
        Fazedor de Chuva
        • Jun 2013
        • 42

        #48
        Mar del Plata - 30/09/2013 a 06/10/2013

        Saímos de BA com o dia um pouco chuvoso e saímos preparados! Muitas camadas de roupa e acima da jaqueta da moto a roupa de chuva. Fizemos uma trapalhada inocente saindo de BA. Havíamos percebido que no Uruguay e na Argentina motos não pagam pedágio, pois bem. Estávamos saindo da cidade quando avistamos um pedágio, prontamente seguimos em direção ao cantinho do pedágio onde normalmente as motos passam e passamos, seguimos impunemente e logo depois percebemos que havíamos furado o pedágio, sem isso se tornar um problema mais grave seguimos. Logo notamos que o céu estava organizado para nos oferecer um pouco de tudo, passávamos por trechos curtos e chuva, logo depois muito sol, e assim seguimos até o susto! Começou a chover algo que não era água , incomodava bastante e machucava, estava chovendo granizo! Depois de sermos alvejados com 10 minutos de bolas de gelo voltamos a nossa rotina de sol e chuva, e assim seguimos até chegarmos a nosso destino que reservava muito vento e chuva. Acampamos no complexo El Griego, acampamos em uma área coberta e fechada, para nossa sorte, percebemos ainda na primeira noite que essa área já era frequentada por outro individuo. No meio da noite ouvimos barulhos e decidimos ver o que acontecia fora da barraca e percebemos que dividíamos aquele espaço com um cachorro.

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        Acordamos e ao abrir a barraca nosso companheiro se aproximou devagar e quando estávamos tomando coragem para sair ele meteu a cara dentro da barraca para nos dar “Oi!”. Percebemos que se tratava de um animal dócil, porém muito carente, nos acompanhava ao banheiro e esperava na porta até concluirmos o trabalho. Nos acompanhava em todos os lugares dentro do camping. Logo descobrimos o motivo, uma funcionária do camping nos contou que por se tratar de um animal velho, os donos foram ao complexo e o abandonaram, muito triste, principalmente tratando-se de um animal ultra companheiro como ele, que no meio da noite acordava conosco para ir ao banheiro em um lugar muito frio e chuvoso, ficava de guarda sempre que estávamos parados fazendo algo, tentava nos acordar cedo fazendo barulho só para dar bom dia... enfim, um animal especial que foi abandonado e estava tentando nos cativar. O que era muito bom passou a ser perigoso quando saímos do camping de moto, ele nos seguiu correndo pela estrada por um longo caminho, desviando de alguns carros e alguns carros desviando dele, sem opção voltamos ao camping e pedimos para os funcionários segurarem ele enquanto saiamos.
        Compramos comida e quando voltamos ele estava deitado em cima da mesa nos esperando. Fizemos o café da manhã e comemos os 3. Passamos o dia no camping organizando as coisas, lavando roupa e anoite fizemos comida que novamente foi repartida entre os 3.

        No dia seguinte a rotina se repetiu, barulho de manhã para nos acordar e um bom dia com a cara na barraca. O dia estava muito bonito e resolvemos sair para conhecer a cidade, na hora de sair, outra vez nosso companheiro com medo de ser abandonado novamente nos seguiu pela estrada, voltamos ao camping e repetimos o procedimento, porém dessa vez os funcionários chamaram a carrocinha e enquanto conhecíamos a lindíssima cidade de Mar del Plata nosso companheiro estava sendo levado, não sabemos o que aconteceu com ele depois mas nos arrependemos de não deixa-lo nos seguir até cansar e voltar para o camping para nos esperar, nos arrependemos principalmente por acreditar que a carrocinha não iria tratar bem um cachorro velho com poucas chances de ser adotado, apesar de termos conhecido lugares lindíssimos esse dia, foi um dia muito triste, tristeza que se estendeu para o dia seguinte quando esperávamos ansiosos ser acordados por ele, ou quando fomos ao banheiro enfim, todos os lugares daquele camping nos lembravam ele... É incrível como nos apegamos rápido e intensamente ao cachorro. Talvez por estarmos sozinhos, talvez por se tratar de um animal muito especial... A verdade é que queríamos muito estar de carro para o levar conosco, o que de moto, obviamente não era possível, mesmo porque não se tratava de um animal pequeno.

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        Muito angustiados seguimos os próximos dias, conhecemos lugares lindos, uma colônia de leões marinhos, um pontal inacreditável no porto de Mar del Plata, um pontal que invade o mar em mais de 2 km e que em seu final se choca com um mar muito revolto. Em Mar del Plata tornou-se mais comum a imagem de uma espécie de entidade local, o Gauchito Gil que está presente nas estradas com muitos pontos de devoção, nos carros, através de fitas vermelhas e nos mais variados comércios que levam seu nome e sua imagem.
        Em Mar del Plata percebemos ainda que a falta de cordialidade das pessoas em geral de Buenos Aires estava represada na cidade de Buenos Aires.

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        Em Mar del Plata a integrante feminina da expedição surpreendeu pilotando um quadriculo nas areias da praia, depois de uma hora de manobras radicais e uma serie de mini corridas entre nós voltamos para o camping certos que somos grandes pilotos de Rally de quadrículos!

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        Outro lugar fantástico que conhecemos foi a Laguna de los Padres, lindo lugar onde visualizamos algo inédito! Um gato preso em uma casinha de cachorro, com coleira e com direito a muita indignação por estar ali, pouco depois descobrimos o motivo de sua prisão. O gato em questão era dado a traição das suas duas gatas, fugia com frequência para conhecer as gatas dos vizinhos, por isso, sua dona, resolveu prender o gato com medo dele não retornar!

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        Como já estávamos com muitas saudades da estrada, assim como ela que não escondia sua vontade de nos ter outra vez, seguimos em direção ao sul!!!

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        Última edição por Dolor; 01-11-13, 22:52.

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        • Dolor
          Fazedor de Chuva

          • Mar 2011
          • 3250

          #49
          FC Eric e Clarissa, muito bom saber que tudo vai correndo bem com vocês e ler os relatos...já está até ficando chato a repetição do quão gostoso é faze-lo!

          Tudo muito coloquial!

          Estou a poucos passos de entrar na Argentina, em São Borja, RS, rumo ao IX Encontro dos FC, em Quito, mas com uma vontade muito grande de vê-los.

          Pelo menos sobra a sensação de estarmos quase sob o mesmo teto.

          Boa viagem e continuem assim, se melhorar estraga.

          Beijos
          Dolor e Angela

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          • Eric e Clarissa
            Fazedor de Chuva
            • Jun 2013
            • 42

            #50
            GCFC Dolor e Angela, queríamos muitíssimo estar com vocês a caminho de Quito, mas estamos bem longe ainda. Agora estamos em Punta Arenas tentando trocar os pneus da moto. De qualquer forma, não tenho duvidas que nos reencontraremos em breve!

            Abraços

            Eric e Clarissa

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            • Eric e Clarissa
              Fazedor de Chuva
              • Jun 2013
              • 42

              #51
              06/10 a 12/10 - Bahia Blanca

              Seguimos em direção a Bahia Blanca, chegamos ao camping municipal de BB onde encontramos um lindo por do sol e o Tulio, encarregado pela segurança que nos cobrou 15 pesos por dia que ficássemos ali, 15 pesos seria tudo que teríamos que pagar, algo como R$8, com um porém, não tinha água quente. Não nos preocupamos com esse detalhe, a nossa sorte foi que nos dias que seguiram o sol nos lembrava o Rio de Janeiro, no inverno, ainda sim muito mais quente do que esperávamos.

              Fomos jantar no restaurante Mundo de la Parilla. Esse restaurante tinha como decoração um gaúcho, que nos lembrou o Gauchito Gil, que esteve presente em vários pontos da estrada. Perguntamos ao garçom e ao google ao mesmo tempo, enquanto liamos o que encontramos na internet e o garçom falava um pouco da cultura local, uma Sra., sentada em uma mesa próxima e muito atenta na nossa conversa, prontamente nos explicou quem é a proeminente entidade:

              Na metade do século 19 a Argentina vivia uma serie de conflitos internos. Os fazendeiros mais poderosos montavam seus exércitos e guerreavam entre si em busca de mais poder. Gauchito Gil, que uma pessoa simples e devota de São Morte, foi recrutado para um desses exércitos e teria que lutar contra seus amigos, parentes e companheiros. Ele teve então a revelação por São Morte que tratava-se de uma guerra sem sentido e por isso desertou do exercito ao qual servia. Esse ato foi considerado traição e após capturado foi condenado a pena de morte. A partir dai existem algumas versões para os fatos, mas a que nos foi relatada é que o filho do carrasco estava muito doente e que Gauchito Gil falou que se o carrasco rezasse para ele, seu filho seria salvo. O Gauchito foi executado e o filho do carrasco se curou. Em agradecimento, o carrasco ergueu um túmulo em homenagem ao Gauchito e desde então diversas pessoas recorrem a ele pedindo saúde e proteção. Fim.

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              Acordamos no dia seguinte com algumas missões, já que a estada em BB era muito barata, resolvemos ficar lá para resolver alguns assuntos, como o farol de milha que parou de funcionar graças a BMW de Buenos Aires e um parafuso do suporte do baú lateral que tinha se soltado no ultimo trecho. Pegamos algumas dicas com o Guillermo, encarregado, e fomos até a Salta motos, lá fomos muito bem atendidos e conseguimos resolver, o problema do baú. Fizemos uma pequena pausa para o almoço, porém só encontrávamos restaurantes de comida para levar, uma espécie de estabelecimento que faz comidas variadas, porém não tem instalações para os clientes comerem. Andamos um pouco mais e percebemos outra coisa curiosa, os trabalhadores de parte da Argentina, incluindo BB, contam com 4 horas de almoço. Parece estranho, mas as lojas fecham meio dia e voltam a abrir 16:30, e ficam abertas até 21:00, talvez isso aconteça pois o sol se põe mais tarde, em alguns lugares que passamos o sol se pôs 22:00. Enfim, tivemos um pouco de dificuldade para encontrar outra oficina de motos nesse primeiro dia e voltamos para o camping antes das 16:00 e só saímos outra vez quando o relógio marcava 21:00.

              Estávamos em busca de um restaurante com internet, enquanto andávamos pela cidade passamos por um lugar que tinha duas motos grandes paradas, decidimos parar para fazer amizades, tratava-se de 3 amigos e um cachorro chamado Perón, esses novos companheiros nos indicaram uma oficina que localizada na rua Alvarada numero 1601, deveríamos procurar o Ruben, conversamos um pouco mais e nos despedimos. Andamos um pouco mais pela cidade e vimos um posto de gasolina com loja de conveniência, decidimos parar para usar a internet, lá compramos um pacote de biscoitos e um litro de leite e ficamos comendo, bebendo e falando com nossa família e amigos, foi então que percebemos que havia chegado um casal com sua moto e após saírem do posto estavam a algum tempo fumando e conversando do lado de fora, de vez em quando olhavam para nossa moto e para nós demonstrando algum interesse em conversar conosco, foi então que saímos do posto para puxar assunto, e puxamos assunto como antigos amigos, conversamos um pouco e ao perceber que o piloto do casal estava muito animado com a nossa moto, pegamos a chave e oferecemos para ele subir. Pois bem, tratava-se de Miguel e Gabi, percebemos que traziam consigo uma mala branca de tamanho médio, essa mala continha as coisas de seu futuro neto que estava perto de nascer, para não serem pegos de surpresa andavam com a mala para todo o lado, isso sim que é dedicação de avós.

              A conversa fluía e talvez nos conhecendo a meia hora, nos convidaram para jantar no dia seguinte em sua casa, nós prontamente aceitamos. Com Miguel e Gabi descobrimos muitas coisas interessantes, como o fato de os Argentinos não poderem comprar Dólares nos bancos, essa foi a forma que a Presidente encontrou de diminuir a saída de Pesos do pais, isso fez com que o cambio oficial do Peso para o Dólar estivesse em 5,7 e o cambio negro, que é o cambio que todos os Argentinos tem acesso, estivesse em 10, outro informação importante é que se quisermos pagar algo em Dólar, mesmo tendo comprado esse Dólar a 5,7, conseguiríamos um poder de compra de 8,5 com ele. A nossa conversa durou até depois de 2:00 da manhã, descobrimos outras coisas fantásticas com esses novos amigos, porém o mais fantástico só percebemos depois. Pela primeira vez em nossas vidas fizemos amigos bebendo leite!

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              Na manhã seguinte saímos em direção a oficina sem perceber que eram quase 11h, como todas as lojas fecham ao meio dia, Ruben não conseguiu resolver nosso problema e pediu que voltássemos as 17:00 para poder continuar seu trabalho, e assim o fizemos, voltamos e deixamos a moto para sua analise, deveríamos voltar as 19:00 para pegar a moto e seguir em direção à casa dos novos amigos. Andamos pela cidade e no horário combinado retornamos, e a noticia que nos foi dada não era muito boa. O foco do farol de milha estava queimado, o péssimo serviço da BMW nos custou mais R$1.000, que foi o valor da compra e da instalação do farol de milha. Solicitamos ao Ruben que soltasse todo o circuito e os faróis para evitar problemas maiores, visto que em sua analise observou que um dos fusíveis estava queimado por conta de sobrecarga. Já tínhamos observado sinais do problema com esse fusível quando o painel da moto começou a piscar no dia anterior. Infelizmente não conseguiríamos levar a moto no mesmo dia e iriamos para a casa do Miguel de taxi. A essa altura o integrante masculino da expedição já estava se sentindo um pouco mal, mas não perderíamos uma Parilla caseira por nada, pegamos um taxi e fomos.

              Ao chegar fomos recebidos com muita hospitalidade e simpatia, conhecemos a mãe da Gabi, muito simpática e cheia de vida, conhecemos também os inúmeros cachorros que o casal tinha. Miguel é motorista de ônibus turístico e frequentemente vai ao Brasil a trabalho, então trocamos algumas informações linguísticas e preparamos a Parilla, não demorou muito e chegaram o filho do casal, sua esposa e seus netos. Tivemos uma noite maravilhosa, comemos uma Parilla deliciosa feita com muito carinho e paciência, contamos e ouvimos muitas histórias e gostaríamos de ter ficado até as 2:00 da manhã de novo, porém o integrante masculino estava com muita febre e fraco a essa altura, decidimos voltar e descansar.. Pedimos para chamarem um taxi mas Miguel fez questão de nos levar de moto em duas viagens, nos despedimos e voltamos com Miguel.

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              Passamos uma noite pesada por conta da febre, pela manhã postergamos os planos de pegar a moto para o começo da noite, e logo no começo da tarde uma surpresa, não estávamos no hospital mas recebemos visita dos amigos Miguel e Gabi. Como não tinha internet no camping, estávamos incomunicáveis, e eles estavam preocupados com o estado de saúde do homem da casa. Gostamos muito de receber essa visita, depois que se foram nós voltamos a descansar.

              Conforme planejado, e com a saúde um pouco melhor, saímos no começo da noite para buscar a moto. Ruben havia feito uma revisão completa na moto, excelente serviço, apertou os muitos parafusos que estavam frouxos graças ao péssimo e bem remunerado serviço da BMW Argentina, verificou o óleo, verificou o estado da bateria e das instalações elétricas, refez o que não estava bom, enfim, excelente trabalho, recomendamos a todos que estiverem em BB e necessitarem ajustar sua moto, Rua Alvarada 1601.

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              Saímos de sua oficina com a moto renovada e seguimos para a casa do Miguel para buscarmos um casaco que tínhamos esquecido na noite anterior, chegando lá nós nos despedimos e prometemos nos ver em breve, Miguel e Gabi, se estiverem acompanhando o Blog, quando tivermos uma casa, e onde quer que ela seja, as portas estão permanentemente abertas para vocês! Esperamos encontrá-los outra vez e se possível viajarmos juntos! Abraços e saudades!

              Decidimos ficar na cidade até melhorar de saúde, e quando chegamos, uma surpresa! O camping que nos últimos dias havia se tornado um sitio particular estava lotado de artesãos que estavam na cidade por conta da feira anual de artesanato, com novos companheiros ficamos os dias que seguiram para recuperação do nosso piloto.

              Estava chegando ao fim nossa estada em BB, mas antes tivemos o prazer de conversar um pouco mais com os funcionários do camping, em especial com o Ariel e seu amigo que nos contaram sobre o momento politico e econômico da Argentina, por exemplo que naquela província, o salário mínimo era de 3.500 pesos, e que eles trabalhavam para o estado, porém eles ganhavam apenas 1.800 pesos, metade do mínimo por lei. Não parece tão pouco se formos comparar com o salário mínimo do Brasil, mas acontece que as coisas na Argentina são muito caras, enfim, todos os lugares tem seus problemas e esse é só mais um problema de um pais da América do Sul, como o Brasil.

              Agarramos a ruta novamente e fomos em direção a Las Grutas

              Comentário

              • Eric e Clarissa
                Fazedor de Chuva
                • Jun 2013
                • 42

                #52
                12/10 a 15/10 - Las Grutas

                Pegamos a estrada em direção a Las Grutas, nosso primeiro contato com a Patagônia e estávamos ansiosos e curiosos para conhecer melhor os tão temidos ventos patagonicos, andávamos bem, mas logo paramos em um engarrafamento na estrada, conversamos com os outros motoristas que nos contaram que a frente tinha ocorrido um acidente entre um caminhão e um carro de passeio com vitima fatal, esperamos algum tempo o transito ser liberado lamentando o destino dos envolvidos no acidente, enquanto esperávamos passou pelo acostamento de ripio uma moto com um bagageiro anexo, tipo um mini trailer, toda preta, com um homem pilotando e uma mulher na garupa, achamos bem legal a Idea. Continuávamos esperando a liberação do transito com todos os outros carros e enfim, começamos a andar, logo passamos pelo acidente, um caminhão tombado e um carro destruído...

                Um pouco mais a frente na estrada avistamos a moto com caçamba no acostamento, paramos para oferecer ajuda mas logo percebemos que estavam apenas tomando mate (chimarrão) para se aquecer, e logo nos perguntaram se estávamos indo ao encontro de moto de Las Grutas. Não sabíamos de encontro nenhum e nesse momento fomos convidados, seria em um camping, a única duvida sobre a nossa presença era a saúde do piloto que ainda não estava 100%.
                Chegamos na cidade ao anoitecer, jantamos em um bom restaurante que fica ao lado da delegacia da cidade, lá consultamos também o booking pois concluímos que seria melhor nos recuperarmos em um hotel, e assim fizemos, ficamos hospedados no Hotel Rivera, em um quarto com uma vista maravilhosa!

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                Acordamos no dia seguinte, tomamos café e ao sair uma surpresa! As aves que decoravam o céu da praia eram araras!!! Muito diferente do que temos no Rio de Janeiro, e muito mais barulhento também, mas lindas!!!

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                Andamos pela cidade e voltamos para o hotel a fim de descansar, quando foi por volta de 17 horas saímos para almoçar, como já deveríamos adivinhar os restaurantes estavam abertos com as cozinhas fechadas. Depois de muito andar encontramos um que servia minutas a esse horário, mas não elaborados, almoçamos lá!

                Como Las Grutas seria o local onde nosso piloto voltaria a contar com 100% de sua saúde, no dia seguinte ficamos no hotel vendo filmes e conversando, a noite fomos jantar no cassino e jogar um pouco, perdemos todos os nossos 30 pesos em jogo, porém vimos varias pessoas perdendo muito mais, voltamos para o hotel e aguardamos o próximo dia quando pretendíamos ir a praia, que era do outro lado da rua, quando amanheceu cumprimos o planejado fomos conhecer a linda praia de Las Grutas e a praia de Pedra Colorada, passamos o dia todo assim, na praia! Se tem coisa melhor que isso nos apresente, pois não conhecemos!!!

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                Voltamos famintos para o hotel, mas resolvemos esperar até 20 horas para procurar restaurantes para jantar, para nossa surpresa, todos estavam fechando e com a cozinha já fechada... Vai entender! Depois de muita procura encontramos um restaurante e jantamos, no dia seguinte partiríamos em direção ao Sul, com todos os integrantes da expedição totalmente recuperados estávamos ansiosos para ver as Ballenas!!!

                Conforme planejado, acordamos, arrumamos a moto, conversamos bastante com os funcionários do hotel e pegamos a estrada que já nos causava tanta saudade!

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                Comentário

                • Dolor
                  Fazedor de Chuva

                  • Mar 2011
                  • 3250

                  #53
                  FC Eric e Clarissa, vai ficando até chato, mas a leitura da viagem de vocês já faz parte da rotina diária, ou melhor, a aguardo com ansiedade, procurando todos os dias saber das novidades.

                  Aliás, não sou somente eu, pois centos de almas tem se aquietado com o acompanhamento desta grande aventura que estão vivendo e nos fazendo de certa forma, viver.

                  A prova?

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                  As mais de duas mil e quinhentas visualizações já acontecidas nesta busca pelo paraíso que vocês tão bem tem vivido, com esta cumplicidade total.

                  Continuem se amando assim desta maneira intensa e inspiradora!

                  Comentário

                  • Eric e Clarissa
                    Fazedor de Chuva
                    • Jun 2013
                    • 42

                    #54
                    Roubo do computador

                    Galera,

                    Como nem todas as noticias são boas sempre, lá vai uma ruim. Fomos roubados em El Calafate, Argentina, abriram nossa barraca enquanto estávamos visitando o Glaciar Perito Moreno e roubaram nosso computador, com ele todas as fotos até Ushuaia.

                    Ficamos um tempo sem dar noticias por isso, compramos outro computador no Chile e agora voltamos a dar noticias, porém, até Ushuaia, sem fotos…

                    Abraços,

                    Eric e Clarissa

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                    • Jacob Bussmann Filho
                      Fazedor de Chuva

                      • Dec 2011
                      • 2788

                      #55
                      Eric e Clarissa, não sei nem o que dizer,pois isso é muito chato,o computador no caso nem é a perda maior ,mas as fotos ,os lugares por onde passastes e registrates ,ali os vossos sentidos ,isso é de doer.....sinto muito por voces.....mas vamos em frente...força
                      e aqui vai uma foto de Ushuaia....

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                      Um forte abraço ,nos veremos na estrada

                      NFC Jacob
                      GCFC NFC VFC(SP) ,VFC(RR),Cardeal, RFC(101,116,153,230) Jacob,Bandeirantes

                      Comentário

                      • Eric e Clarissa
                        Fazedor de Chuva
                        • Jun 2013
                        • 42

                        #56
                        Jacob,

                        É pessimo, mas felizmente ainda temos muita ruta para fotografar! Vamos em frente. Estamos na região do Atacama agora, seguindo sempre em frente.


                        Abraços!

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                        • Eric e Clarissa
                          Fazedor de Chuva
                          • Jun 2013
                          • 42

                          #57
                          Puerto Madryn

                          15\10\2013 a 21\10\2013 - Puerto Madryn

                          Saímos de Las Gruta ansiosos para encontrar as Ballenas. Algumas horas depois, e com a alma lavada pelas estradas, chegamos em Madryn, que desde a entrada se mostrou uma cidade lindíssima! Muita gente andando pelo calçadão, muito sol e calor, lembrava, de longe, nosso Rio de Janeiro!

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                          Montamos a barraca no camping ACA, e como estávamos famintos fomos buscar um restaurante. Todos os nossos dramas alimentares se potencializaram em Madryn, uma cidade maravilhosa, lindíssima, de onde podemos ver as baleias da costa, detentora de restaurantes maravilhosos que funcionam em horários não muito comuns para nós Brasileiros, que estamos acostumados a ter o direito de comer a qualquer hora. Em Madryn passamos por algumas experiências alimentares que nos provaram que definitivamente a Argentina respeita muito os horários da refeições, de igual forma não sabe tratar as diferenças de quem tem hábitos diferentes. Note que trata-se de uma cidade ultra turistica, mas para exemplificar, imagine chegar a uma pizzaria exatamente 19.30, escolher qual pizza pedir em 15 minutos, e 19.45 escolher a pizza e pedir. Nada de diferente, mas espere… ¨Srs., pizza só depois de 20.00.¨ Então perguntamos se a cozinha estava fechada, e a resposta mais uma vez surpreendente! ¨Está fechada para pratos elaborados, para pratos simples esta aberta.¨ Ok, regras são regras, só faltava saber o que era um prato elaborado e o que era um prato simples, após a explicação tudo ficou muito claro. ¨um bife a milanesa é simples, um bife grelhado é elaborado…¨. Sem pensar duas vezes mudamos de restaurante e fomos para um bar com sinuca, comemos, bebemos e jogamos, mas apenas depois das 20.00 horas.

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                          Dramas alimentares a parte, Madryn foi o primeiro lugar que nós 3 tivemos contato com o ripio, estávamos ansiosos para encontrar as baleias, depois de algumas conversas com o Abel, funcionário do camping, decidimos que a melhor praia para ver as baleias de muito perto seria El Doradillo, então esse foi nosso destino, depois de alguns poucos KMs de Ripio avistamos uma Baleia, vale dizer que foi extremamente cansativo os pouquíssimos KMs, muito mais do que merecia aquela estrada que não estava necessariamente ruim, mas valeu a experiência, fez com que as aventuras seguintes no Ripio fossem bem tranquilas. Acredito que todos que estão lendo esse relato no site dos Fazedores de Chuva são motociclistas experientes e sabem muito melhor que a gente o que é uma estrada de Ripio, mas para os que estão lendo no blog vai uma explicação. Na Argentina parte das estradas, mesmo as principais, não são pavimentadas. Embora não seja regra, em alguns trechos é normal se deparar com longas estradas desse tipo, porém não estamos falando de terra, estamos falando de pedras que lembram cascalho, em algumas partes da estrada com pouco, em algumas partes da estrada com muito. Via de regra isso diminui a velocidade media para 50KM\H com direito a muito pouca estabilidade (seja de carro ou de moto).

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                          Voltando a Baleia, que ao contrario do Ripio era muito esperada, paramos a moto imediatamente e descemos até a praia, para nossa agradável surpresa estávamos sozinhos na praia e a baleia não estava a mais de 15 metros de nós! Fantásticas, lindas e realmente gigantescas, ali ficamos por mais algumas horas e quando a maré começou a encher, as areias da praia começaram a ser invadidas por incontáveis turistas loucos para ver aquele espetáculo, nós por outro lado tínhamos que voltar visto que era dia do aniversario de Sr. Carlos, pai da integrante feminina da expedição, na volta o ripio já não parecia tão ameaçador quanto na ida e rapidamente chegamos a cidade para comemorar, via Skype, com o aniversariante do dia!



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                          Outro ponto de nossa estada em Madryn que merece toda atenção é a vizinhança. O camping estava lotado por alunos de uma escola de Salta, estavam ali com o objetivo principal de fazer um curso de mergulho, porém notamos que as atividades extracurriculares eram muito valorizadas por aqueles dedicados alunos. Os meninos tiveram uma grande aula de Parrilla, muita carne, um instrutor, nesse momento a maioria das meninas preparava as saladas. Outra atividade muito frequente notada pela integrante feminina foram os intensivos em chapinha, eram feitos em esquema de revezamento e em turno integral, o que dificultava, e muito, as atividades de nossa garupa favorita, (entende-se como atividades coisas como banho e outras atividades inerentes aquele ambiente).

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                          Para fechar nossa estada em Madryn, não poderíamos deixar de ir a Península Valdez, que é simplesmente lindo, lindíssimo, palavras definitivamente não são capazes de expressar, infelizmente, no nosso caso não podemos botar as fotos por conta do roubo do computador (com todas as fotos) em El Calafate, mas felizmente temos alguns amigos que passaram por aquela região quase na mesma época que nós e nos cederam fotos lindíssimas (Miguel que conhecemos em foz foi o responsável pelas fotos).

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                          Nossa estada em Madryn estava acabando. Já estacamos loucos para chegar no Ushuaia, por isso passamos direto por lugares como Punta Tombo e outros muito conhecidos por suas belezas. Nosso destino do dia seria Comodoro Rivadavia, agarrados na ruta nós seguimos sem olhar para trás!

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                          Última edição por Eric e Clarissa; 14-12-13, 16:52.

                          Comentário

                          • Eric e Clarissa
                            Fazedor de Chuva
                            • Jun 2013
                            • 42

                            #58
                            21\10\2013 a 22\10\2013 - Caleta Olivia

                            Sem vermos a hora de chegar em Ushuaia, seguimos por hora naquela era, até então, a pior estrada. Pavimento perfeito, posto de gasolina a cada 150 KM e um vento que tentou por aproximadamente 500KM nos fazer desistir de nosso objetivo do dia, muito vento, e sem parar. Infelizmente, para o vento, chegamos em Comodoro, demoramos (velocidade média de 80km\h), mas chegamos, e como queríamos dar um recado para o vento e aos ventos, e diminuir o percurso do dia seguinte que nos levaria a Rio Gallegos (aproximadamente 800km), decidimos seguir mais 100km até a próxima cidade, Caleta Olivia.

                            Novamente na estrada, e o vento, novamente, soprando, muito e finalmente entramos na província de Santa Cruz e começamos ali, na estrada mesmo, a terapia para relaxar de toda tensão causada pelos KMs anteriores, lindíssimas paisagens, e até o vento brincava com toda aquela beleza, ventos fortíssimos faziam voltar as ondas que se levantavam no mar, graças aos ventos as ondas estavam ao contrario, um espetáculo que nunca havíamos assistido. Como alegria de pobre sempre dura pouco nossa terapia foi interrompida ao notar que um carro estava atrás de nós na estrada, não tentava ultrapassar, mas também não se afastava, rapidamente pensamos que poderia ser uma tentativa de assalto ou algo do tipo, reduzimos a velocidade para dar uma nova chance do carro nos ultrapassar, e nada feito, reduziu junto. Seria uma tentativa de assalto? A verdade é muito mais simples que essa.

                            Quando reduzimos a velocidade notamos que no carro tinha uma família completa, com mãe, pai e duas filhas pequenas. O carro era uma Duster nova, rapidamente afastamos probabilidade de assalta e seguimos pela estrada, mas sempre com aquele carro atrás. Finalmente chegamos a Caleta Olivia e finalmente se revelaram as reais intenções daquela família.

                            Ao entrarmos na cidade, saindo da ruta 3, entramos na primeira rua que vimos e a Duster veio junto, dessa vez piscando o farol, e nesse momento pensamos que as crianças poderiam ser apenas para disfarçar, quando notamos o carro estava do nosso lado e a Sra. que estava no banco do carona levantou algo, assustados demoramos um pouco para perceber o que era, finalmente entendemos que aquela família tinha dado uma longa carona para nossa mala de roupa (todas as nossas roupas estavam naquele carro).

                            Paramos o carro e eles nos explicaram que nossa mala caiu perto de comodoro e como eles estavam atrás, pararam e pegaram, e nos seguiram para entregar. Felizmente ainda existem pessoas boas no mundo.

                            Temos 3 Baús da Givi, em cima de cada Baú carregamos outros volumes, como sacos impermeáveis, e outras coisas. Acima do baú lateral carregamos um saco impermeável com todas, todas as nossas roupas (o que definitivamente não é muito), mas é tudo que temos. Esse saco caiu por conta da corda que se soltou e foi parar na estrada. O resto da historia vocês já conhecem, infelizmente, com a perda da corda, teríamos que ficar mais de uma noite em Caleta para comprar algo e substituir a amarração.

                            Rodamos pela cidade, com alguma dificuldade encontramos uma hospedagem. Jantamos e dormimos.

                            No dia seguinte rodamos a manhã toda e não encontramos nada além de cordas elásticas, que compramos para garantir. Como tudo fecha 12.00 e volta a funcionar as 16.00 por conta do cômodo almoço dos argentinos, procuramos um restaurante. Primeiro restaurante, incrível, fechado para o almoço… Tratava-se de um restaurante muito pequeno e aparentemente a pessoa que nos atendeu estava muito preocupada em preparar as refeições de pessoas que iriam buscar e não economizou na falta de educação e de cordialidade na maneira que nos comunicou que estava fechado.

                            Andamos um pouco mais e encontramos um restaurante um pouco maior, entramos e recebemos a informação de que poderíamos comer, finalmente, aberto!

                            Pedimos o cardápio, mas, aparentemente, o forte deles não estava em cardápio… Ok, quais são as opções e os preços? A resposta veio como uma revelação, começamos a ouvir varias opções de pratos vegetarianos, o que definitivamente não nos agrada muito, olhamos em volta, vários quadros que deixavam claro as intenções do restaurante, por exemplo, um cenário com vários brócolos em forma de balão, e outras fabulas vegetarianas… Perguntamos imediatamente se não teria uma opção menos saudável, e é claro que nos foi oferecido um milanesa, e a oferta foi prontamente aceita.

                            Comemos e voltamos paro o hotel. Assim que deu 17.00 voltamos a rua e encontramos uma excelente loja de camping chamada Aventura Aire Libre. Não encontramos a corda que buscávamos, mas conseguimos comprar um Polar, que é como um casaco fino, para usar acima da segunda pele. Essa roupa se mostrou bem útil nas semanas seguintes quando pegamos muito frio.

                            Voltamos para o hotel e organizamos tudo, infelizmente perdemos uma foto muito rara desse momento da viagem, a primeira vez que colocamos a balaclava, momento no qual se revelou a personalidade ninja da integrante feminina da expedição…

                            Fomos dormir planejando sair cedo no dia seguinte, e para nossos espanto, pela primeira vez, conseguimos fazer exatamente o planejado. Saímos 8 da manha para um percurso de 700 KM até Rio Gallegos. Estávamos cada vez mais perto de Ushuaia.
                            Última edição por Eric e Clarissa; 14-12-13, 16:51.

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                            • Eric e Clarissa
                              Fazedor de Chuva
                              • Jun 2013
                              • 42

                              #59
                              22\10\2013 - Rio Gallegos

                              Pegamos uma longa estrada, porém tranquila, vento forte, vento fraco… Um pouco de tudo depois e chegamos em Rio Gallegos. Paramos para abastecer, pesquisamos lugar para ficar. Chegamos na hospedagem La Pousada, que no booking demonstrava ter garagem, na vida real a garagem era a rua… Mas tudo bem, já estacamos ali, tinha vigia 24 horas.

                              Jantamos, dormimos e logo estávamos na estrada outra vez, mas dessa vez o trecho era mais desafiador, apesar de ser mais curto. Para chegar a Rio Grande atravessaríamos o Estreito de Magalhães por Punta Delgada, atravessaríamos 4 fronteiras, pegaríamos um longo trecho de Ripio e o que é melhor, sem posto de gasolina, Ushuaia, estamos chegando!

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                                Fazedor de Chuva
                                • Jun 2013
                                • 42

                                #60
                                23\10\2013 - Rio Grande

                                Rio Grande

                                Saímos cedo de Rio Gallegos e poucos KMs depois passamos pela fronteira da Argentina e do Chile, agora, já em terras Chilenas, seguimos em frente economizando no giro para tentar chegar ao próximo posto de gasolina. Com boa estrada e vento sem atrapalhar muito seguimos para Punta Delgada e pegados a balsa de 14.30, nesse ponto começaram as trapalhadas do dia.

                                Ao entrarmos na balsa ninguém veio nos cobrar, também não exigiram bilhete para entrada, concluímos que obviamente o pagamento era feito na saída… Engano, grande engano. Ao entrarem na balsa os usuários se dirigem a uma sala onde é vendido o passe. Ao sairmos perguntamos para o funcionário da balsa onde deveríamos pagar, ele prontamente, percebendo o trabalho que daria efetuar o pagamento naquele momento, além do caos que causaria para os outros motoristas, nos liberou do pagamento e desejou boa viagem.

                                Ainda na balsa conhecemos um motociclista Colombiano que estava cruzando o continente sul-americano, porém sua moto decidiu tirar umas férias em Bahia Blanca, então, ele seguiu viagem sem a moto que estava aguardando os ajustes, ele, assim como nós, ganhou a cortesia da balsa.

                                Poucos KMs após descermos da balsa e estarmos na Tierra del Fuego, entramos na Tierra del Ripio, economizando muito no giro, até que a nossa garupa, subitamente, percebeu que estava louca para ir no banheiro. Sem problemas, quer dizer, com todos os problemas do mundo. Com pouca gasolina, estrada de ripio e no meio do nada (pegamos a estrada por Onassin, sem passar por Cerro Sombrero). Conclusão, toda gasolina economizada até ali começou a ser usada indiscriminadamente, começamos a andar muito forte até que entramos na reserva, continuamos andando, 80KM de reserva. Nossa gasolina estava acabando até que avistamos um local para parar em São Sebastião, e depois de satisfeitas as necessidades mais imediatas pedimos comida e conversamos com a Sra. que nos atendia, fomos informados que teria um posto em 15KM, não sabíamos se a moto conseguiria chegar, a moto estava muito carregada e andando forte, para falar a verdade a gasolina já deveria ter acabado… Andamos com 10 litros de gasolina reserva dentro do baú, porém, a essa altura da viagem não era nada pratico soltar tudo e usar essa gasolina, necessitaríamos de no mínimo 30 minutos para executar essa operação.

                                Ponderamos e pensamos bastante. Esta decidido, vamos tentar fazer o percurso que falta sem usar a gasolina do galão, para isso vamos em giro mínimo e velocidade muito baixa nos KMs que faltam.

                                Saímos do restaurante e menos de 1KM depois encontramos a fronteira do Chile, dai, segunda trapalhada do dia.
                                Por distração acabamos passando direto pela fronteira, por distração dos funcionários da fronteira, ninguém nos parou. Infelizmente, por conta da concentração excessiva em economizar a pouca gasolina que tínhamos, furamos a fronteira, decidimos não voltar pois certamente não teríamos gasolina, continuamos assim, ilegais e em baixa velocidade, com a grande duvida, vamos conseguir entrar na Argentina sem sair do Chile?

                                Estávamos andando a no máximo 30 por hora e com o giro máximo de 2 mil, foi então que percebemos algo fantástico! Quando mudávamos de marcha a moto acelerava, mesmo com a embreagem acionada, depois de alguns segundos de reflexão nós concluímos que estava ventando muito, porém o vento estava nas costas, finalmente o excesso de volume de bagagens serviu para algo, estacamos andando em uma moto a vela!!! Seguimos a 40 por hora com a cortesia do vento, e pouco tempo depois estávamos na fronteira da Argentina. Alguns momentos de tensão e conseguimos passar, mesmo sem a baixa na fronteira do Chile. Agora o posto estava ao alcance de nossos olhos e a moto, sem uma gota de gasolina. Ao ligarmos ela morreu a primeira vez, na segunda, engasgou mas funcionou. Ótimo, fomos a passos de formiga, porém com muita vontade até lá e recarregamos a moto até a boca, em um tanque de 14 litros entrou um pouco mais de 15 litros.

                                Estávamos ansiosos para chegar em Ushuaia, já eram aproximadamente 7 da noite e decidimos pernoitar em Rio Grande. Com alguma dificuldade, e com auxilio do centro de informações turísticas, conseguimos uma hospedagem com garagem e lá passamos a noite.

                                Acordamos no dia seguinte com a alegria de quem sabe que esta chegando a um destino muito sonhado, estávamos quase lá, Ushuaia, porém, antes de sair conhecemos a Erica e o Gustavo.

                                A Erica, segunda da viagem, trabalhava no hotel e nos serviu e acompanhou no café da manhã que fora planejado para acontecer em 15 minutos e durou quase 3 horas de conversa. Com a Erica conhecemos um pouquinho mais sobre a Argentina e sobre o momento que o Pais vive, que definitivamente, não é bom, tudo, é claro, confirmado pelo Gustavo, outro hospede do hotel e caminhoneiro, ambos muito bem informados sobre tudo que acontece na Argentina.

                                Depois da longa e agradável conversa, agarramos a ruta e seguimos para encontrar nosso destino do dia, Ushuaia!

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