Um português, uma mexicana e uma Kombi azul

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  • karine
    Fazedor de Chuva
    • Jul 2012
    • 1595

    #16
    Little Corn Island, Nicarágua

    Little Corn, ao contrário da sua irmã grande, respira paz e sossego. Não há um único veiculo motorizado em toda a ilha, pelo que há mais de uma semana que não ouvimos nenhuma buzina, o que é realmente um descanso para os ouvidos. Imaginem um pedaço de selva rodeado por uma franja de areia branca e em redor um mar azulado, cristalino, quase transparente até perder de vista… assim é Little Corn.

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    Este pequeno paraíso é ainda destino de poucos e, está por isso, num estado praticamente virgem. Para cúmulo, chegamos em época baixa, pelo que não vimos mais de 20 turistas em todo o tempo que aqui passamos. O tempo aqui passa devagar e a palavra chave é desfrutar. A ilha esteve sem electricidade cerca de 80% do tempo que aqui passamos e quase não demos por isso. De facto, só há electricidade na ilha na parte da tarde e como se avariou uma peça do gerador nem isso. Internet, só em alguns restaurantes ou bares, então, sacrifício dos sacrifícios, para mandar um mail, é necessário pelo menos tomar uma cervejinha bem fria ou um das dezenas de cocktails que preparam na ilha, sobretudo com rum e sumos naturais.

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    Sei que não vão acreditar, mas aqui lhes vai o preço de um pedaço de paraíso: uma cabana praticamente dentro do Mar do Caribe, incluindo 2 cocos frescos por dia, acabados de sacar do coqueiro mais próximo e ainda lições de cozinha “Island Style” dados pelo nosso amigo Steadman (o dono das cabanas), por somente USD$8 por noite… Que tal?!?!

    De facto, a maior parte das refeições que comemos na ilha, fomos nós mesmo que as cozinhamos. Por fogão tínhamos uma bancada de madeira onde, entre umas pedras e por debaixo de umas varas de aço, se cozinha somente com lenha (agora sim ficamos a saber exactamente o significado de cozinhar a fogo lento, porque com lenha húmida, conseguir ferver água é um belo desafio). Aí, assámos peixe e lagosta fresca, acabadinhos de pescar a uns 40 a 50 metros da costa. Também aprendemos a preparar o famoso arroz de coco insular, bem como “tostones” e “tajadas” de banana macho ou a deliciosa fruta pão.

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    Além de ler, nadar, ou simplesmente passar 3 horas ou mais de molho neste mar delicioso e tomar banhos de sol, as actividades aquáticas como snorkel ou mergulho são altamente recomendáveis. Alugar um equipamento de snorkel custa USD$5 por dia e permite ver uma imensidade de peixes de todas as cores e feitios, além de búzios ou caracóis, como lhe chamam por estas partes e, num dia com sorte algumas tartarugas, raias e tubarões enfermeira. Mesmo assim, não se compara à fauna que pudemos encontrar quando fizemos o mesmo no Belize. Aí, o recife está protegido e a pesca muito controlada, então a quantidade de vida subaquática é bastante mais rica em qualidade e em quantidade. No entanto, aqui na ilha ao contrário do que sucedia no Belize, é que, saindo do mar, o mais comum é que te ofereçam peixe, lagostas ou búzios, na maior parte das vezes grátis e sem qualquer contrapartida, pelo que a menor fauna encontrada debaixo de água é altamente compensada pela que te oferecem fora de água.

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    Aprendemos que a Natureza neste lugar providencia tudo o indispensável para viver. Duas ou três horas no mar numa pequena embarcação (tão simples que quase lhe poderíamos chamar canoa) são suficientes para pescar peixes de todas as cores e feitios, bem como umas quantas lagostas e búzios enormes, dignos de um manjar de reis. Por toda a ilha, qualquer caminho está delineado por árvores de fruta; cocos, bananas gigantes, manga, fruta pão,… Do coco extrai-se água, mas também se pode comer a sua fruta, extrair-lhe óleo de coco ou simplesmente ralá-lo ou fritá-lo e é delicioso de qualquer das formas. As bananas, cruas ou fritas, verdes ou maduras podem ser um acompanhamento ou uma sobremesa. A fruta pão é algo absolutamente deliciosa… imaginem as melhores batatas fritas que já comeram, demolhadas na gema de um ovo estrelado e agora multipliquem esse sabor por 1000 e ainda assim estarão longe de imaginar quão bem sabem esta fruta.

    Água! São várias as maneiras de obter água doce. A mais abundante é simplesmente cavar um buraco de metro meio a cerca de 10 metros do mar e a própria areia filtra a água salgada e transforma-a em água doce. A outra é aproveitar a água da chuva, através de uma espécie de funil e usando, por exemplo, um telhado, encaminha-se a fonte pluviométrica para um barril tapado por um pano forte que servirá de filtro residual e, temos água potável.

    Mas, ainda mais extraordinário é o fenómeno caranguejo. Pouco depois do pôr-do-sol, basta conseguir uma cadeira confortável e uma lanterna e, esperar pelos caranguejos gigantes que às dezenas começarão a passar em direcção ao mar. E, depois, basta juntar todos os que queiras num balde e aí está o almoço e/ou o jantar do dia seguinte. Melhor, só se se cozinhassem sozinhos.

    Estamos já praticamente de partida e, apesar, de que é muito difícil, mesmo com imagens descrever a paz que se vive nesta ilha, aqui lhes deixamos algumas imagens para que possam ter uma ideia pelo menos do que é este pequeno éden. Acabamos por não usar muito a máquina fotográfica, porque é impossível captar a melhor característica deste lugar: a sua calma e ritmo àparte… então acabamos por deixar muitas vezes a câmara guardada e optamos simplesmente por desfrutar.

    Conclusão final: lugar altamente recomendável para quem queira passar uns dias de simplicidade, em contacto com a natureza e com o mar, onde o único “Hotel com Tudo Incluido” é a própria natureza e, por isso, nem sequer é necessário usar pulseira.

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    • karine
      Fazedor de Chuva
      • Jul 2012
      • 1595

      #17
      Granada, Nicarágua

      A cidade colonial mais antiga da América faz jus ao seu nome e não deixa transparecer todas desgraças pelas quais passou.

      Depois de uma história de ataques, conquistas, reconquistas e até completamente devorada pelas chamas, Granada é hoje uma cidade linda e tranquila. Uma cidade onde a explosão de cores se conjuga perfeitamente com o vapor quente que exala da sua terra e do seu Lago Nicarágua, nas margens dos quais descansa.

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      Depois de passar por Antigua e San Cristobal de las Casas, não podemos deixar de incluir Granada neste trilho de cidades que com a sua identidade não conseguem deixar-nos indiferentes e para sempre ficarão nas nossas recordações. Ao entrar em qualquer uma delas, apesar das suas inúmeras diferenças – quase tantas como as suas semelhanças – parece que entramos num mundo imaginário onde os tempos modernos se passeam por entre pedras centenárias e cheias de vivencias e memorias… quase parece que se estivermos bem atentos ainda podemos escutar alguma história ou lenda daquelas que nem toda a chuva, vento, ou fogo podem apagar ou fazer desaparecer das “rugas” que se conservam nas paredes destas casas, conventos e igrejas.

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      Paredes vestidas de amarelo torrado, um vermelho merlot bem carregado, ou um azul mediterrâneo que, ao mesmo tempo que disputam o orgulho de ser as mais vistosas – como se um Ré pudesse ser melhor que um Lá – abraçam-se na hegemonía do contraste, compondo uma sinfonía de cores cujo maestro é a inspiração colectiva e que nunca podería ter sido idealizada de outra forma.

      E, logo, a presença deste Lago Nicarágua, que quase poderíamos jurar ser o início de um qualquer Oceano, que perante a sua imensidão nos empurra para um silêncio contemplativo e ao mesmo tempo introspectivo.

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      Podiamos passar horas a admirá-lo, enfeitado pelos seus vulcões, num silêncio apenas embalado pelo eterno e sonolento sussurrar da espuma das minúsculas ondas que beijam a areia vulcânica e negra que é a base deste país esculpido e moldado pela Natureza através, às vezes de um suspiro, outras vezes de um espirro ou de uma espreguiçar provenientes do mais profundo das entranhas da Terra. E, assim, de uma erupção aquí e um sismo aquí, ainda hoje, esta terra, considerada a mais jovem da América Central, com apenas algumas centenas de milhões de anos, se vai fazendo adulta, atravesando ainda, talvez, a sua puberdade geofísica.

      Neste momento, depois de um par de semanas do lado do Atlântico e uns dias mais em Granada, continuamos à espera que cheguem as novas peças para a Amália Frida, que entretanto ficaram retidas na Alfândega.

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      Ainda assim, já de regresso ao aconchego da nossaAmália que nos recebeu cheia de saudades (quase tantas como as que nós tínhamos dela), se bem que reparamos que inclusive já tinha feito amigos, porque um qualquer Mickey nicaraguense, durante dias, fez da Frida o seu lar e da nossa despensa a sua. Para recordar: não é aconselhável deixar a vossa casinha sozinha e abandonada nos terrenos dum mecânico, cheia de coisas tão gostosas como milho e arroz…

      Agora, para reconciliar-mo-nos com a nossa Frida, decidimos levá-la também ao mar e, por isso, aquí estamos entre Las Peñitas e Poneoloya, Nicarágua, desta vez do lado do Pacífico, esperando que nos cheguem então as peças para podermos continuar viagem.

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      • karine
        Fazedor de Chuva
        • Jul 2012
        • 1595

        #18
        Confira os pensamentos do português João:

        Alguns meses de viagem, praia, calor, nostalgia e saudades e uma tarde de domingo são a inspiração suficiente para escrever umas quantas palavras que saem da alma… Abraços e boa viagem!

        Sou Português… mas, não só!

        Sou Português, não por causa de uma bandeira verde e vermelha ou por achar que faço parte de um “nobre povo” ou de uma “nação valente e imortal”. Sou português porque compreendo intensamente o significado da palavra SAUDADE, sou Português porque adoro uma Francesinha, uma Sardinha Assada com broa e pimento assado, um belo Bacalhau à Lagareiro, ou simplesmente um fino com um prato de tremoços numa esplanada à beira mar, onde sinto o cheiro inconfundível de uma maresia que não encontrei nunca em qualquer outra parte do mundo.

        Mas também sou Angolano, porque me apaixonei pelo olor a esse calor húmido na ressaca de uma chuvada sobre a terra seca que também só senti em África ou pelo sorriso de um menino de 3 anos que às 6 da manhã, ao mais pequeno sinal de alguma música vinda dos altifalantes de um qualquer carro que se tentava escapar ao trânsito numa qualquer viela dos kimbos de Luanda, dançava com a sua escova de dentes na mão.

        Mas também sou Mexicano, porque este país me deu o amor da minha vida… sou também Mexicano porque adoro enrolar uma tortilha e entre salsas, sal e limão e transformar algo tão simples num iguaria soberba, num qualquer posto de rua colocado num qualquer passeio de uma das maiores cidades do mundo ou num pueblito esquecido nesta enorme extensão de terras onde as fronteiras deveriam significar muito pouco e significam tanto.

        Mas também sou Porteño porque durante 15 dias pude experiementar um pouquinho de uma primavera florida com olor a tango ou Polaco porque aí vivi 6 meses que mudaram completamente a minha vida e a minha maneira de pensar e me fizeram querer explorar este mundo tão grande e com tantas diferenças, mas ao mesmo tempo com tantas coincidências.

        E agora sou também Americano, porque percorro as estradas deste continente que com as suas tão grandes contradições procura muitas vezes esconder a sua identidade tão marcada que depois de tantos séculos nunca pôde ser apagada e que ainda hoje se vê nos gestos, nas tradições, na bondade e nas feições de milhões de pessoas pelas quais diariamente passamos neste percurso que mais que físico é também espiritual e que muitas vezes transforma esta viagem de milhares de quilometros numa introspecção natural ao nosso mais intimo.

        Todos os dias aprendo e por isso todos os dias me transformo. Muitas vezes, basta somente, um olhar, um sinal ou uma melodia, para que no vazio da estrada a mente vagueie pelos sentimentos e muitas vezes por pensamentos pré-concebidos que nunca pusemos em causa e que agora deixam de ter razão de ser. Ao mesmo tempo que vislumbro tantos paradoxos verifico que os paradigmas que sempre dei como infalíveis se diluem na verdade do conhecimento e se tranformam em dogmas ultrapassados e que necessitam de ser vencidos, por mim, por nós, por todos.

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        Viajo porque num minuto em viagem consigo experienciar uma amálgama de sensações e uma mistura de sentimentos que muitas vezes não sinto num ano inteiro que passo parado à margem da vida, simplesmente sobrevivendo à marcha imparável do tempo.

        Não busco nesta viagem um significado para a vida ou uma experiência transcendental, muito menos busco uma justificação para a mesma. Não, Viajo porque adoro… simplesmente por isso. Não sou hoje em dia um turista mas, sim, um viajante. Não procuro ultrapassar a vertigem do tempo na busca incessante do maior número de sensações e imagens que justifiquem as férias que obsecionei durante todo o ano… não, esse é o maior luxo de ser um viajante… simplesmente viver a viagem e esperar ser encontrado pelo destino. O destino final é apenas uma miragem e não uma obseção. O importante é o caminho e as pessoas… o importante é parar e disfrutar… amar a quem te recebe de braços abertos e partilha contigo um pouco da sua vida, dos seus sonhos e frustrações como se te conhecesse toda a vida… assim se fazem amizades efémeras, que permanecem para toda a vida.

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        • Sassa e Cuca
          Fazedor de Chuva

          • Sep 2012
          • 1056

          #19
          Bárbaro!!!! Parabéns!

          Abçs

          Sassa e Cuca

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          • karine
            Fazedor de Chuva
            • Jul 2012
            • 1595

            #20
            Las Peñitas e Poneloya, Nicarágua

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            A rotina destes dias: acordar por volta das 6 da manhã com o nascer do Sol; dar um mergulho no Pacífico; tomar uns banhos de Sol; ler um pouco; subir a uma palmeira e arrancar uns cocos frescos, abri-los, tomar a água e prepará-los com sal, chile e limão ou fritá-los; dar uma volta de bicicleta em busca do almoço (primeiro encontramos um pargo branco que assado na brasa com uma salada e umas batatas regadas com azeite e alho…foi uma delícia; no dia seguinte umas conchas negras que cozinhamos com pasta – incrível; hoje encontramos um meio frango que imaginem, pesava 1 kilo e assado na brasa com sal e alho foi uma maravilha) e depois descansar um pouco numa hamaca (cama-de-rede) e ver o pôr-do-sol ou ler um pouco mais… que vida difícil

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            • karine
              Fazedor de Chuva
              • Jul 2012
              • 1595

              #21
              Chegamos à Ilha de Ometepe, o nosso último destino na Nicarágua. O tempo passou depressa e amanhã terminam os já 30 dias que nos concederam para estar no país, por isso seguimos para a Costa Rica onde novas aventuras nos esperam.

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              A Nicarágua foi inesquecível.

              Aqui desfrutamos de dias verdadeiramente incríveis. Conhecemos gente extraordinária, tanto Nicaraguenses, como viajantes de todo o mundo, desde Israelitas, a Italianos, Estado Unidenses e Eslovenos, Canadienses ou Espanhóis… de tudo um pouco. Vulcões, Lagos e Lagoas, Ilhas no mar e no meio de lagos, praias paradisíacas de areia leitosa ou de areia vulcânica tão negra como a noite, desde o Caribe ao Pacífico, em avião, taxi, na combi, em tuktuk, em “Chicken Bus” ou “pollero”, de tudo nos servimos para viajar neste pais.

              Em Manágua ficamos a dormir num Hotel Best Western Aeroporto, bem, no estacionamento do hotel Isto, porque tivemos necessidade de desalfandegar as peças sobreselentes que nos enviaram do México para a Amália Frida e graças aos erros atrás de erros cometidos pela FEDEX fomos obrigados a passar a noite em Manágua e, como os serviços da Alfândega estavam mesmo ao lado do Aeroporto, aí conseguimos um estacionamento seguro nesse hotel. O dia seguinte foi demasiado longo, ainda na Alfândega… 7 horas e, por isso, já não conseguimos chegar a Ometepe esse dia, pois por estes lados escurece às 5 e meia da tarde.

              Mas isso não foi problema. Perto de Jinotepe, vimos uma pequena quinta muito simpática com um senhor numa cama de rede à espera do pôr-do-sol e perguntámos-lhe se não poderiamos estacionar no seu terreno e se de favor nos permitia acesso a uma casa de banho, de preferência com um chuveiro. A resposta: “Claro que sim! Passem!” Bem, melhor servidos não poderiamos ter sido… banho à disposição e como extra uma piscina onde nos banhamos sob a luz do luar durante quem sabe quanto tempo, porque estava uma temperatura super agradável.

              No dia seguinte tivemos de partir deste pequeno paraíso nas terras altas da Nicarágua para ainda poder aproveitar pelo menos os últimos 2 dias que nos restavam na Nicarágua, na Ilha de Ometepe. E, se já era difícil despedirnos deste país, mais dificil foi partir deste paraíso na Terra.

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              Ometepe (ou lugar das duas montanhas) é a maior ilha do mundo situada num lago e, como os seu nome nahuatl indica é composta de dois vulcões que se ligam por um istmo.

              Situada no Lago Nicarágua a quem os nativos chamavam de Cocibolco (mar de água doce). Esta ilha, formada pelos seus 2 vulcões Madera e Concepción, de 1300m e 1600m, aproximadamente, é de uma tranquilidade fascinante.

              Aqui, muito amavelmente a nossa amiga Kalia deixou-nos estacionar junto ao seu restaurante vegetariano “Natural” na famosa praia de Santo Domingo. Nesta praia, de areia vulcânica, pode-se de maneira soberba observar a imensidão do Cocibolco, tão imenso, que por vezes esquece-mo-nos que não estamos num lago, mas sim mirando um qualquer oceâno.

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              Aproveitando o facto que trazemos conosco as nossas mini bicicletas, assim fomos conhecendo ilha, o que é, só por si, já um excelente passeio. Além disso, passamos uma bela tarde no “Ojo de Água” que é uma espécie de piscina natural, no meio da ilha, com uma água tão fresca que nos deixou super relaxados.

              Apesar de que há já uns meses que não vemos uma torneira de água quente, pois todo este tempo tomámos sempre banho com água pseuda fria, o que realmente queríamos era que a água que sai dos chuveiros fosse pelo menos um bocadinho mais fria para que nos pudessemos realmente refrescar. A agua do lago, aqui em frente ao “Natural”, por exemplo, é tão quente que para nos refrescarnos temos de sair da água.

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              No nosso último dia na ilha, decidimos fazer uma caminhata ligeira e subimos uma pequena ladeira do “Madera” que nos deu a conhecer, primeiro alguns petroglifos com alguns milhares de anos, gravados na rocha pelos primeiros nativos da ilha e, depois, nos levou até um miradouro fantástico que serve para os verdadeiros aventureiros que quieram subir até ao topo, mas que também permite uma vista fantástica de toda a ilha e sobretudo da verdadeira imponência do “Concepción” que com o seu cone perfeito parece que de repente nos inserimos num postal.

              Adiós Nicaragua. Foi Diacachimba!!!!!

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              • karine
                Fazedor de Chuva
                • Jul 2012
                • 1595

                #22
                El Ostional, Costa Rica

                Apesar de usarem o slogan “Pura Vida” sobretudo devido aos atributos do seu país, em que a amabilidade se confunde com o verde da selva e o azul do céu, em que uma pergunta por direcções quase sempre se transforma numa conversa, creio que nenhuma outra expressão se aplicaria tão bem ao fenómeno que tivemos o prazer de assistir em Playa Ostional, na costa Pacífica da Costa Rica.

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                Fonte: 1000destinos.net

                Mais do que qualquer actividade de caminhada, surf, snorkel, mergulho, festa, entre tantas outras que o país nos oferece, foi e será, muito provavelmente, ter assistido ao nascimento das tartarugas, o que mais nos impressionou.

                Um acontecimento em que a sobrevivência é marcada pelo instinto e pela perseverança. Mas, em que o mais determinante parece, no final de contas, ser a aleatoriedade.

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                Fonte: 1000destinos.net

                Durante a noite as tartarugas, saem do mar, aproveitando a subida ou a descida das marés e alcançando os lugares mais cimeiros da praia, abrem um buraco onde depositam cerca de uma centena de ovos, num processo que toma quase 1 hora, incluindo o finalizar da tarefa, ou seja, tapar e compactar o buraco com batidas sucessivas da carapaça na areia. Tivemos a oportunidade de observar todo este processo a apenas meio metro de distância, obviamente tomando as devidas precauções (de resto, por isso não temos fotos): usar roupa negra, não usar lanterna e muito menos tomar fotografias com flash… só com a luz da lua para iluminar o espectáculo, calhou-nos em sorte Lua Cheia e céu limpo, que nos permitiu ver todo o processo perfeitamente, quase como se fosse de dia.

                45 dias depois, os ovos eclodem e o instinto natural impele as pequenas e recém nascidas criaturas, primeiro escavar o seu “berço” até à superfície e, logo em seguida, buscar sozinhas o longo caminho até ao mar (20 metros que parecem uma eternidade).

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                Fonte: 1000destinos.net

                A vulnerabilidade destas criaturas é o mais impressionante deste processo. Durantes esses 45 dias e esses 20 metros até à praia, todo o tipo de aves, mas sobretudo o zopilote (espécie de abutre), bem como cães, mapaches e outros roedores e, claro, o Homem, todos procuram comê-las ou aos seus ovos.

                No dia em que chegamos, somente espantando os zopilotes, pudemos fazer com que uma dezena de tartarugas sobrevivesse, pois estes, iam comendo uma a uma, estes minusculos seres encarapaçados à medida que saiam do seu “ninho”.

                Mas a sua luta pela sobrevivência não termina aí, chegando ao mar outros tantos predadores as esperam, pelo que dos cerca de 4 milhões de ovos postos, somente algumas dezenas de milhar atingem a idade adulta.

                Acampados praticamente na praia, durante o dia aproveitamos para dar alguns passeios de bicicleta por caminhos que sinuosamente vão confundindo a selva com a praia e aqui e ali parar para ver o nascimento de mais algumas pequenas crias. Durante a noite, esperámos a subida da maré para poder ver então o desovar, que no nosso caso se deu às 2 da manhã.

                El Ostional é dos poucos lugares onde, apesar do afastamento da civilização, existe a possibilidade de um leigo poder observar estes acontecimentos. A maior parte dos santuários está encerrado e autorizações para entrada e observação são dadas somente a cientistas ou investigadores.

                De qualquer forma para chegar a esta praia o acesso não é fácil e foi necessário que a Amália Frida se comportasse como uma campeona, rodando sobre quase 80km de picada em terra batida, onde tivemos de atravessar, inclusive, rios… sim, atravessar rios literalmente, pois em alguns lugares não havia pontes.

                Valeu a pena o esforço e esperamos que a nossa Amália não se venha a ressentir… por enquanto continuamos a limpar o pó que se acumulou por todas as entranhas da Frida, inlcuindo todas as nossas coisas.

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                • karine
                  Fazedor de Chuva
                  • Jul 2012
                  • 1595

                  #23
                  Peninsula de Nicoya, Costa Rica

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                  Aqui a vida corre ainda mais devagar. Talvez, porque aqui o tempo não é um bem tão precioso como noutras partes do mundo. De facto, esta zona é considerada, a par de somente outras 3 regiões do mundo, como uma Zona Azul guardiã dos secredos da longevidade, uma vez que são bastantes os “jovens” que, nestas terras, completam mais de 100 Primaveras. Fenómeno que tem atraído para a região, anciões de outros países, sobretudo gringos, claro, em busca da fonte da eterna juventude.

                  A caminho da Praia Montezuma, encontramos a Praia Tambor e a Praia Pochote, onde decidimos passar uns dias. De novo, encontramos um lugar privilegiado e não pudemos deixar de desfrutá-lo. Uma baia enorme que, ao contrário do que aconteceu no Lago Nicarágua, onde era difícil acreditar que não estavamos no mar, aqui é difícil acreditar que não se trata de um lago, pois as ondas praticamente não existem e a toda a volta há terra, formando o que parece ser uma espécie de lagoa, mas cuja entrada e saída é o Oceano Pacífico.

                  Antes disso, passamos por Paquera, onde mais tarde regressaremos para tomar o Ferry que nos fará seguir viagem rumo a Punta Arenas e ao sudeste da Costa Rica.

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                  Já ficamos a dormir em muitos lugares: estacionados em parques de estacionamento de restaurantes ou de hotéis, em praias desertas ou nos trilhos de um vulcão, em campos de futebol ou em casa de algumas pessoas que gentilmente nos cederam a sua casa de banho e o seu quintal para deitar a nossa Amália. Mas, em neste lugar, tivemos uma recepção especial… ficamos instalados com os Bombeiros de Paquera que através do Sr. Minor, certamente uma das pessoas mais amáveis de todas as que fomos conhecendo nesta viagem, nos permitiu instalarnos junto aos seus camiões (que, apesar de enormes, musculados e cromados, não foram suficientes para que Amália Frida se deixasse impressionar).

                  Estamos no pico da época baixa em toda a América Central, mas se nos outros países já não era tão comum encontrar turistas, tendência que tem vindo a acentuar-se à medida que seguimos cada vez mais rumo ao sul, na Costa Rica, podemos dizer que ainda não vimos absolutamente nenhum turista estrangeiro.

                  Aqui na Praia Pochote, segundo nos dizem os locais, a partir de Dezembro não há lugar sequer para estar na praia (esta praia tem 7 km de extensão), mas neste momento, parece que estamos numa qualquer ilha deserta.

                  São meses de completo abandono, paz e tranquilidade.

                  Se, por um lado, normalmente é simpático partilhar com outros viajantes as desventuras da viagem, bem como informar-se com os que vêm em sentido contrário sobre o que viram, por onde passaram e o que recomendam, por outro, esta espécie de “solidão viajeira” é também muito agradável e sobretudo refrescante.

                  Primeiro, porque tudo é mais barato, desde o alojamento e restaurantes (se bem que estes não são propriamente um problema para nós), até às compras do dia a dia, exemplo disso são os cocos que nos deixam colher directamente das palmeiras e bebê-los e comê-los sem qualquer custo.

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                  Em segundo lugar, a gente local tem tempo para tudo e, portanto, somos recebidos com carinho e, sempre, sem pressa. Comprar um tomate implica uma conversa de meia hora, que pode ser sobre como cultivam os tomates, mas também sobre futebol, sobre pesca ou até sobre a vizinha do lado, que muitas vezes deve ficar com as orelhas a ferver.

                  Em último lugar, a possibilidade de partilhar com a Natureza a sua pureza. Dormir embalados pelo murmurar das ondas sem qualquer outro ruído que não o das cigarras, dos macacos ou dos pássaros. Caminhar pelas praias ou pela selva durante horas sem encontrar uma alma que seja, ou quando muito, um quase eremita que no meio do nada cuida uma plantação de bananos ou cana de açucar. Ou, simplesmente, snorklear por aí, onde a água nos pareça mais transparente ou para numa catarata onde possamos tomar um banho refrescante.

                  Por onde vamos passando, procuramos comprar produtos locais, pelo que os as frutas, verduras, ovos e às vezes inclusive, galinha e carne são compradas directamente nas casas das pessoas, na berma da estrada. Por exemplo, ao passamos por alguma casa onde vejamos galinhas a passear, parámos e perguntamos se não nos dispensam uns ovinhos, a que se segue a seguinte pergunta: ”… e que mais vende? Não terá também tomate, ou alface, ou yuca, ou banana pão, ou…“

                  Continuamos junto ao mar, pelo que o Talho continua a ser muito pouco frequentado por nós. A carne do dia continúa a ser a lagosta, o pargo, o robalo ou a dourada. E sempre que podemos, assados na brasa. Ultima receita: lagosta assada com manteiga e alho, acompanhada de uma salada de tomate, cebola e chiltoma (espécie de pimento) e uma pratada de yuca… Delicioso.

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                  Comentário

                  • karine
                    Fazedor de Chuva
                    • Jul 2012
                    • 1595

                    #24
                    Playa Organos e Isla Tortuga

                    Depois de vários dias pelas praias da Peninsula de Nicoya, era hora de partir. Aconselhados por Minor, o bombeiro que apresentamos num post anterior, procuramos pela Playa Organos.

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                    Esta praia, normalmente dedicada aos locais e fora das rotas turísticas, em época baixa está completamente deserta, ainda mais do que todas as que já falámos anteriormente. Encontramos uma baia de cerca de 4km em que somente existem 3 casas. Uma de um pescador, a outra é um pequena mercearia e a terceira aluga os quartos de banho.

                    Não há luz eléctrica neste lugar, pelo que a partir das 6 da tarde tudo se faz à luz da vela, pelo que a noite é mesmo para descansar. Estas pessoas vivem aqui há mais de 50 anos. O terreno nem sequer é delas, mas por uma espécie de direitos adquiridos já não os podem expulsar do seu lugar, mas tão pouco os deixam “modernizar” as suas simples casas de madeira e palma.

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                    Mas, com a falta de tudo o que normalmente consideramos indispensável para viver, esta gente é feliz e tranquila. Não que a sua vida seja fácil, pelo contrário. Dedicam-se à agricultura e à pesca. Então têm de dividir o seu tempo entre preparar a sua horta e ir ao mar, de onde vem a sua subsistência, e ainda aturar os turistas que, de alguma maneira, são uma fonte de ingresso extra. Mas, não anseiam pelo novo Iphone ou pelo carro mais potente. Simplesmente rezam para que a próxima colheita seja boa e para que o mar os continue a prover.

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                    Aqui pudemos acampar mesmo junto ao mar… a Amália praticamente teve oportunidade de molhar os pés. À noite, num pequeno passeio, depois de comer um belo peixe agulha frito (cortesia da Sra. Rosário) e uma salada, fomos dar um pequeno passeio pela praia, onde inesperadamente nos encontramos com mais uma tartaruga a continuar o seu ciclo de vida.

                    No dia seguinte, fomos com o Sr. Fito até à Isla Tortuga, uma ilha de areia branca mesmo em frente à Playa Organos. Esta ilha, apesar de somente ter uma praia é, bastante turísitica e, é normal que cheguem barcos de toda a peninsula com turistas que vêm passar o dia e snorkelear. Chegamos cedo e por algum tempo a praia foi só para nós. Mais tarde chegou um barco com alguns turistas, mas o sossego maneteve-se… luxos da época baixa.

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                    O caminho de regresso reservou-nos uma surpresa. Ancoramos junto a umas rochas para snorkelear e aproveitar para sacar umas ostras. Bem, a parte das ostras coube ao Sr. Fito, claro. A nós tocou-nos ver uma imensidade de peixes de todas as cores e tamanhos, espetáculo que culminou com a presença de uma baleia com a sua cria que passaram por nós enorme e lentamente.

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                    Mas nem tudo é perfeito neste mundo e, viajar em época de chuvas tem um grande, enorme, inconveniente: os mosquitos. E, se por todo lado temos sido devorados por estas criaturas, em nenhum lado vimos tantos destes insectos como neste lugar. A pobre da Sol já não têm mais onde ser picada…

                    Bem, despedi-mo-nos da praia e seguimos rumo à capital.

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                    • karine
                      Fazedor de Chuva
                      • Jul 2012
                      • 1595

                      #25
                      San José, Costa Rica

                      Depois de várias semanas sem contacto com a “civilização”, o regresso a uma grande cidade é, paradoxalmente, uma lufada de ar fresco.

                      Já estamos há tanto tempo na estrada, que o transito e os passeios cheios de gente a caminhar apressada e com quem esbarramos constantemente são ao mesmo tempo assustadores, mas também nostálgicos. A cidade, a confusão, as luzes, os edifícios altos, o teatro…

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                      Por destino ou por sorte, um dos principais lugares a visitar em San José é a Plaza de Las Culturas, Além de ser uma praça bastante agradável, cheia de pombas por todo o lado a quem as pessoas alimentam e a localização de vários museus, é também contigua ao Teatro Nacional. Antes de ver o cartaz, já tínhamos decidido… hoje vamos ao Teatro. Fomos então ver o cartaz e reparámos que acabávamos de perder um pequeno tributo a Heitor Villalobos, mas que essa noite estaria em palco a peça Pentadrama. Feito! Convidámos a nossa anfitriona em San José a super simpática Tamoko e fomos os 3 ao teatro.

                      Tamoko é uma super interessante membro de CouchSurfing, é japonesa e trabalha na embaixada e acedeu a receber-nos em sua casa um par de noites, que infelizmente não puderam ser mais porque tinha de sair de viagem para Bogotá onde iria visitar uns amigos e assistir a um festival de cinema.

                      Ainda assim, pudemos conviver um pouco, ir ao teatro e na última noite preparar em conjunto um jantar japonês acompanhado de umas entradas muito mediterrâneas, a que não faltou o pão, queijo e chouriço assado e vinho tinto. Acabou por ser uma mistura bastante interessante de sabores, apesar da diferença enorme no gosto de cada uma das coisas. Enfim, um jantar super agradável e uma conversa ainda mais agradável. Foi também muito interessante ver como se escreve no Japão, já que pode ser de várias maneiras diferentes, pois tanto usam um de dois tipos de caracteres japoneses como caracteres chineses, o que é realmente uma enorme confusão. Também ficamos a saber ou confirmamos que os japoneses escrevem em colunas, de cima para baixo, e que essas colunas as agrupam da direita para a esquerda, razão pela qual os livros se lêem ao contrário, ou seja, o que seria a nossa contracapa é o lugar da capa no Japão e portanto, a última página é, na realidade, a primeira.

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                      Depois de todas as experiências por que temos passado, a nossa visão sobre o mundo, sobre os pormenores, mas também sobre o panorama mais geral foi-se alterando e, neste momento, sucede muitas vezes que questionamos o que muitas vezes tínhamos como verdades adquiridas. E, aproveitamos para discuti-las e analisá-las sob outro prisma. Muitas vezes acabamos por chegar às mesmas conclusões, se bem que por um caminho mais longo, mas, outras vezes, sentimos que a nossa opinião sobre determinado acontecimento, assunto ou situação teria sido há 6 meses atrás muitíssimo diferente ao que opinamos neste momento. Podemos quase comparar esta situação a uns quantos pares de óculos. Mesmo alguém que vê bem, com um par de binóculos ou um microscópio, por exemplo, consegue ver coisas que os outros nunca conseguirão à vista desarmada. Também, com uns óculos de sol ou umas lentes de cor amarela ou vermelha, o mundo aparece-nos sob perspectivas diferentes. Neste caso, sentimos que cada dia e com cada experiência compramos uma lente de outra cor ou uma graduação mais forte para o microscópio e, portanto, a nossa janela para ver o mundo alarga-se e podemos vê-la de diferentes cores, tendo sempre muito presente que não há uma cor certa, mas sim cores diferentes.

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                      Fonte: 1000destinos.net

                      A chegada à Capital da Costa Rica, apesar de, comparando por exemplo com a Cidade do México, não ser uma megametrópole, de alguma maneira forçou-nos a reflectir sobre alguns assuntos que sempre estiveram muito próximos, mas que raramente os abordamos.

                      Durante estes últimos meses, por muitos lados por onde andámos, conhecemos e interagimos com pessoas que têm praticamente o mínimo indispensável para viver o dia-a-dia. Vivem de maneira simples, mas honesta e da terra sacam praticamente tudo o que necessitam. Não têm luxos de nenhuma maneira. De facto, para alguns,como comentamos em histórias anteriores, um luxo pode ser simplesmente ter luz eléctrica. Mas, pudemos constatar constantemente que isso não é pobreza. O que têm é para eles suficiente. Vivem felizes. E, a sua tranquilidade chega a ser até perturbadora.

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                      Mas, a “cidade” revela uma situação diferente. Aqui sim, vê-se pobreza. As ruas enchem-se de pedintes. Pela rua estendem-se mãos sujas e cheias de calos que clamam por uma moeda. Isto sim é pobreza, talvez estas pessoas tenham até luz eléctrica, água canalizada, talvez até telemóvel ou televisão, não sei, porque não as conheço, mas ao contrário dos anteriores, estes sim são pobres, necessitam da ajuda diária de estranhos para comer. Necessitam de diariamente passar os dias na rua, faça chuva ou faça sol pedindo para comer, pois aqui não é possível baixar um coco ou atirar a linha ao mar e sacar um peixe. Aqui, a terra já não permite tais veleidades, por todo o lado o betão substituiu as palmeiras e as árvores de fruto e o mar está a 100km. E, mesmo que houvesse tudo isso, a gente já se esqueceu como aproveitar a terra…

                      A vida aqui corre mais depressa. Toda a gente correndo de um lado para o outro. Um homem de fato passa por um punk ou por a senhora que sentada numa cadeira de rodas pede a sua moedinha junto à catedral. Nenhum repara nos outros. Todos têm pressa para chegar a algum lado. Talvez seja da chuvada que acabou de passar. O céu está cinzento, aproxima-se a noite e a chuva provavelmente atrasou tudo na vida desta gente. Talvez, por isso, corram ainda mais que o costume, quem sabe.

                      Para terminar esta nota citadina, um pequena descrição sobre o lugar que nos acolheu. Dormimos num apartamento num 8º piso, numa cama a sério e tomámos banho de água QUENTE… ÁGUA QUENTE!!!! Já não nos lembrávamos como é delicioso tomar banho de água quente… Como é estranho dar tanto valor a algo que tomávamos como um dado adquirido. Mas, sobretudo aqui em San José onde o calor já não é tanto, um banho de água quente é, realmente, uma delícia.
                      Arquivos Anexos
                      Última edição por karine; 12-05-14, 11:27.

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                      • karine
                        Fazedor de Chuva
                        • Jul 2012
                        • 1595

                        #26
                        Golfito e despedida da Costa Rica

                        A primeira vez que visitamos a Guatemala, sentimos alguma surpresa ao verificar uma determinada abnegação da gente local em assumir-se como América Central. Para que entendam, seria o equivalente a ouvir um Português a responder que é Ibérico quando fale do seu país. Isso é representado de uma maneira muito gráfica nas matrículas dos carros onde além de aparecer representado o nome do país, pode ler-se também Centro América.

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                        De resto, viemos depois a descobrir que inclusive há um acordo entre Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua. Que, apesar de demasiado confuso, pois, por exemplo, a nível de serviços de migrações e fronteiras cada país o interpreta de maneira diferente, acaba por criar um pequeno sentido de união político entre estes países.

                        Mas, não seria necessário um acordo destes para identificar as semelhanças entre estes povos. Se nos perguntarem exactamente a que nos referimos, não conseguimos explicar. É sobretudo um sentimento, uma aura. Uma sensação de empatia que nos acompanha desde o México, praticamente desde que entramos em Chiapas e nos seguiu até Ometepe.

                        Este povo, essencialmente descendente dos Mayas, é de uma humildade ímpar e traz em si uma simplicidade que facilmente se torna numa timidez praticamente impenetrável. Apesar de sempre disponíveis com um sorriso, é difícil ir além disso. A vergonha supera quase sempre a vontade premente de comunicar. E é necessário lutar muito para dar-se a conhecer e assim poder ganhar a confiança das pessoas.

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                        Sobretudo na Guatemala, mas também em todos os restantes países, muitos são os que falam em dialectos antigos entre si e, desses, bastantes são os que praticamente não falam sequer espanhol. Além disso, as mulheres indígenas não vestem outra coisa que não sejam as suas roupas tradicionais, o mesmo não se aplicando aos homens.

                        Depois desta experiência quase mística de atravessar estes países e em alguns momentos regressar no tempo, chegamos à Costa Rica, onde quase podemos dizer que pela primeira vez a fronteira política define ao mesmo tempo um muro cultural.

                        Devo confessar que este choque cultural tão repentino não foi fácil de entender e, mesmo agora, que praticamente estamos às portas do Panamá, ainda são muitas as questões que levamos connosco sobre a verdadeira identidade deste povo.

                        Por incrível que pareça e, ao contrário, do que esperávamos, o nível de infraestruturas rodoviárias é o pior de todos os países que passámos. Pois, se os destinos principais estão ligados por estradas asfaltadas, são inúmeros os acessos de terra batida que continuam a subsistir. Este facto tem, no entanto, preservado esses lugares, que pela sua fraca acessibilidade se têm mantido fora dos roteiros turísticos, mas que serão certamente descaracterizados com a chegada da “civilização”, à imagem do que já aconteceu com tantos outros lugares no país que se “agringalharam”.

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                        No entanto, a humildade referida anteriormente para os restantes países Centro Americanos que visitamos não é uma característica que se possa apontar aos Costarricences. E, portanto, aqui não tivemos nenhuma problema de timidez impenetrável. Mesmo as pessoas nos lugares mais recônditos são extremamente abertas e ávidas por uma longa conversa e, sobretudo, por contar uma boa história.

                        Pura Vida dizem os Ticos e foi assim que nos receberam. Pelas ruas, no interior ou no litoral, nas grandes cidades ou em praias quase desertas, havia sempre alguém que se aproximava para perguntar-nos de onde vínhamos e para onde íamos. Para dar-nos a sua sugestão sobre o melhor caminho ou sobre aquele lugar imperdível do seu país, mesmo sem que lhes tivéssemos perguntando nada. Muitos querendo tomar uma foto à Amália Frida, que vaidosa como é, posou sorridente para os inúmeros daguerreótipos que lhe foram tomando.

                        E, isto foi, sem dúvida uma lufada de ar fresco. Já não era necessário batalhar para comunicar. Uma indicação sobre um qualquer lugar era dada com uma simplicidade incrível e, imagine-se, muitas vezes traçada num mapa.

                        Já não éramos nós que tínhamos de buscar as pessoas para conseguir informações, mas sim as pessoas que vinham a nós para conhecer-nos e conhecer o nosso projecto. Até no meio do trânsito, outros automobilistas nos apitavam ou nos gritavam apupos, elogiando a Amália ou simplesmente desejando boa sorte. Chegamos a passar algumas vezes os dados do blog no meio das ruas de San José (ou Chepe, como lhe chamam carinhosamente os seus habitantes).

                        O crescimento muitas vezes implica sacrifícios e, neste caso, creio que a necessidade de sentir-se parte de algo mais, diferenciar-se dos seus vizinhos, foi mais forte e esvaziou o país da suas características intrínsecas e converteu-o num pretendente a pequeno enclave Estado Unidense.

                        Não podíamos deixar esta pequena resenha sobre a Costa Rica sem tocar um tema que muito nos incomodou (que nos desculpem pelo juízo de valor, mas foi o que sentimos). Ser Tico é um orgulho e isso não me parece nada mal, excepto quando ultrapassa certos limites e se torna quase uma espécie de nacionalismo bacoco. Para o caso, uma característica muito marcada deste povo é uma certa arrogância, mas que face aos Nicaraguenses se manifesta num complexo de superioridade quase intolerável, desprezando-os e considerando-os pessoas de 2ª. Também conhecemos muitos Nicaraguenses na Costa Rica e é notório o ressentimento que têm em relação aos seus anfitriões, derivado desta maneira como são tratados. Conversamos com algumas pessoas sobre este assunto e muitas apresentam as suas razões, quase sempre similares e relacionadas com crime e mão-de-obra mais barata, mas essas explicações não são em nosso entender suficientes para desculpar semelhante atitude de desprezo constante e generalizado como este.

                        Já em relação à diversidade Natural do país, esta encontra-se conservada de maneira impecável, através de incontáveis parques e reservas naturais extensos. Muitos quase inacessíveis tanto pelos acessos muito complicados, quer pelas credenciais necessárias para obter autorização para a sua visita e, os restantes, muito cuidados e com regras também muito bem definidas.

                        De resto, é também impressionante a consciência colectiva do país em relação ao tema ambiental e, sobretudo, à exploração intensiva de recursos e é, por isso mesmo, que os melhores guardas deste Património Natural são os próprios habitantes que o defendem de maneira intransigente.

                        Depois da nossa experiência na Costa do Pacífico e da nossa visita à capital, das quais já lhes comentámos em artigos anteriores, a nossa última semana na Costa Rica passá-mo la praticamente às portas do Panamá. A 50km de distância da fronteira numa pequena vila chamada Golfito.

                        Durante a nossa estadia em Chepe, aproveitamos para levar a Amália Frida a ser vista por um doutor (mais conhecidos normalmente como mecânicos). O Sr. Francisco, recomendado pelo Clube de Combis da Costa Rica, tratou-a como uma Princesa, deu-lhe uma voltinha e deixou-a a respirar um pouquinho melhor. Amavelmente, não nos cobrou nada pela consulta e, simplesmente, nos desejou uma óptima viagem. (Muito Obrigado, Sr. Francisco pela sua ajuda!)

                        Nesse momento, conhecemos o Sr. Dietrich que também é dono de uma combi, além de originário do país que as inventou. Trocamos histórias e, ficamos a saber que tínhamos encontrado um viajante, pelos vistos com muito mais experiência do que nós. Antes de se ter radicado na Costa Rica, este Alemão, que acumulava já algumas juventudes, viveu, entre muitos outros lugares, na Libéria e no Egipto, viajou desde a Costa Rica até ao México em mota e regressou. E, talvez por tudo isso, se identificou com o nosso projecto e convidou-nos para ficar na sua casa que detinha em Golfito.

                        Tínhamos acabado de chegar a San José dissemos-lhe que de facto tínhamos intenção de passar por aí, pelo que lhe agradecíamos muitíssimo o convite e que o aceitaríamos com todo o gosto.

                        Nesse momento, definimos data. Na quarta-feira seguinte seguiríamos rumo à sua casa a 350km da capital. O Sr. Dietrich fez então questão de nos acompanhar até à sua casa, simplesmente para abrir-nos as portas e colocá-la à nossa disposição os dias que quiséssemos E, que luxo de casa. Uma verdadeira mansão colonial baseada na arquitectura local, mas também inspirada por influência africana. Imagine-se que até a jacuzzi tivemos direito.

                        Oportunidade ideal para retemperar forças antes de seguir caminho. Altura para limpeza geral à Amália e a todas as nossas coisas, bem como rearrumação de toda a “casa”.

                        Estivemos quase uma semana a sentir-nos como em casa. Ver uns filmes, ouvir música, preparar uns pratos deliciosos, aproveitando peixe e mariscos fresquíssimos que aqui se podem encontrar praticamente à saída do barco ou simplesmente descansando ao som vendo a chuva tropical a cair ininterruptamente durante horas.

                        Também tivemos oportunidade de empreender uns belos passeios em bicicleta pelas redondezas, onde encontramos um riacho lindo. Aí, devido a umas pedras que lhe barravam o caminho, o rio formava uma espécie de jacuzzi natural… Uma maravilha.

                        Da Costa Rica levámos algumas amizades para a vida e assinaladas com bandeiras diferentes. Do Japão à Alemanha, passando pela Inglaterra e Holanda e, claro, os Ticos.

                        Muito obrigado a todos e até breve. Oxalá nos cumpram todos com a promessa que nos fizeram de visitar-nos em Portugal e nos vejamos brevemente.

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                        • karine
                          Fazedor de Chuva
                          • Jul 2012
                          • 1595

                          #27
                          Terra de café e de nuvens!!!!

                          Chegamos ao Panamá!

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                          Fonte: 1000destinos

                          Como estamos em época de chuva, a água tem sido uma constante durante toda a viagem. Mas, normalmente, a precipitação era na forma de chuvadas torrenciais, mas de duração curta, entre 30 a 60 minutos, a que raramente não se seguia um dia de sol resplandescente. Mas, desde há mais de uma semana que tudo mudou e, nos últimos 7 dias, praticamente desde que deixamos San José, só vimos o sol durante uma manhã. Aqui não chove somente de cima para baixo, mas também de baixo para cima. A humidade a 100% é contínua e é possível caminhar por entre as nuvens durante todo o dia. Seja ao nível do mar, ou a 1500 metros de altitude, podemos assistir à confusão que vai na cabeça destas gotas de água que não se decidem se subir ou descer, então é incrível presenciar o fenómeno de literalmente ver nuvens a pairar por todo o lado.

                          Isso não nos parou e decidimos visitar uma fazenda de café. Depois de bem aconselhados decidimos visitar a Finca La Milagrosa, onde tivemos o prazer de conhecer o seu muito simpático e curioso proprietário, Sr. Tito, também conhecido como o MacGyver do café, pois ele próprio, com peças que vão desde um Suzuki 4×4 até uma máquina de lavar roupa e uns candeeiros velhos, criou todas as máquinas que ainda hoje lhe permitem tratar todo o café que produz.

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                          Fonte: 1000destinos

                          O Panamá é, a nível de quantidades, um produtor de café insignificante a nível mundial, mas tem, na última década sobressaído pela qualidade do seu produto e é, hoje em dia, um local privilegiado para produzir uma variedade de café arábica chamado Geisha, que é o 2º tipo de café mais caro do mundo, sendo somente superado pelo Kopi Luwak ou Café Civeta, que é um café muito especial produzido na Indonésia e que é extraído das fezes da Civeta, um pequeno animal que parece quase um gato que, além de ter a capacidade de escolher somente as melhores bagas de café, ou seja, as mais doces, também processa as mesmas, através das enzimas no seu sistema digestivo, tornando este café tão especial, quer pelo seu sabor, quer devido à quantidade tão reduzida que é produzida.

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                          Fonte: 1000destinos

                          Apesar de ser uma espécie muito mais difícil de cultivar e em que cada planta produz muito menos quantidade que as outras variedades de Arábica, o Sr. Tito, produz na sua fazenda, além de outras variedades, o tal café Geisha, que exporta praticamente na sua totalidade para o Japão, onde chegou a ser vendido por 400usd a 500usd por kilo, nos seus melhores anos e que hoje é vendido à volta de 200usd/kg. Este é um dos milagres que diz o Sr. Tito lhe aconteceram e que dão razão ao nome desta quinta – La Milagrosa. Já agora, aproveitamos para explicar a origem da sua marca de café ROYAL que, apesar do seu nome tão sofisticado, é simplesmente a junção do nome dos seus pais ROsa Y ALfredo

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                          Fonte: 1000destinos

                          Foi muito interessante ter a oportunidade de conhecer todo o processo de produção do café, desde a sua etapa mais elementar, ou seja, desde que se planta, passando pela colheita, a separação, a seca, até ao processo final de tostar e moer o grão.

                          Ficamos a saber que uma planta de café demora 5 anos até começar a produzir, e que os seus melhores anos são os seguintes 10, pelo que, apesar de poder viver mais de meia centena de anos, é necessário, para obter boas produções, obter novas plantas cada 15 anos.

                          Depois é necessário colher os grãos, tarefa que é paga neste momento a cerca de 3usd por cada balde de 10kg (ou lata, como lhe chamam aqui). Normalmente esta tarefa é realizada por trabalhadores indigenas que de maneira sazonal se deslocam até às “fincas” de café para realizarem estes trabalhos.

                          Obviamente que tivemos a oportunidade de provar um cafézinho bem quente para restabelecernos de toda a chuva que nos caiu em cima aquando da visita à propriedade. Mas, talvez a lição mais prática foi sobre a maneira de tostar café. E aqui lhes ficam alguns conselhos importantes na hora de comprar café. Saibam que há muitos truques usados actualmente pelas grandes empresas produtoras de café, que inclusive juntam milho e feijão aos grãos de café para aumentar a sua quantidade, pelo que ao comprar café moído, é possível que estejamos a beber não só café, mas sim um chá de café, com milho e feijão, por isso o melhor mesmo é comprar o grão inteiro. Além disso, saibam que o café mais escuro e, portanto, mais tostado é normalmente uma maneira de esconder café de menor qualidade, pelo que o café que preserva melhor as suas características intrínsecas é o café menos tostado. E, uma vez que o processo de tostar o grão faz com que ele vá perdendo qualidades, o café mais tostado é o que terá menos cafeína e será, concerteza, mais amargo, pois perde também os seus açucares naturais.

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                          Fonte: 1000destinos

                          Uma vez que estivemos a provar cafés de altitude, neste caso produzidos à altitude ideal de 1500m sobre o nivel médio das águas do mar e, portanto, da variedade Arábica, estes são cafés com menos cafeina, mais suaves. Ficará, talvez para a Colômbia ou Brasil, a oportunidade de visitar outro tipo de cafezais, nesse caso da variedade Robusta, que, requerem de outro tipo de condições, nomeadamente mais baixas altitudes e que é usada normalmente para a produção do café expresso.

                          Apesar do maior produtor de café do mundo ser o Brasil que produz mais café que o Vietname, Colômbia e Indonésia juntos, que são os 2º, 3º e 4º maiores produtores de café do planeta, o café, porém, não é nativo das Américas, mas sim de África, mais concretamente da Etiópia, onde reza a lenda que um pastor, verificando que as suas cabras se revelavam muito enérgicas ao comer umas determinadas bagas vermelhas, decidiu fazer um cha com essas mesmas bagas. O chá sabia horrível e, energia extra, nem vê-la, pelo que o pastor irritado atirou as bagas ao fogo. Passados alguns minutos, ainda o pastor não se recompunha de tão horrível experiência e amaldiçoava tão terrível mistela, a fogueira começa a emanar um odor tão delicioso que o pobre pastor não resisitiu a ferver de novo essas mesmas bagas de café, agora já tostadas pelo fogo e previamente trituradas pelo pastor. Assim, guiado pelo cheiro se descobriu o sabor que percorreu um longo caminho, tendo sido inclusive proibido na Europa por ser bebida de infiéis, até se tornar uma bebida tomada em todo o mundo por todas as classes sociais e que hoje em dia começa a ganhar cada vez mais fama e sofisticação.

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                          • karine
                            Fazedor de Chuva
                            • Jul 2012
                            • 1595

                            #28
                            Esta Vaina está Chévere!

                            “Esta Vaina está Chevere” significa algo como “Esta coisa está fixe” ou “ Esta cena está porreira”. Assim, nos receberam por todo o Panamá.

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ID:	191561
                            Fonte: Terrasemfronteiras.com

                            Em Boquete, depois do nosso passeio pelas terras do café, fomos até às águas termais perto de Caldera, onde depois de uma caminhada de pouco mais de meia hora, rodeados de montanhas verdejantes e atravessando alguns rios e riachos, chegamos a um pequeno paraíso. Uma pequena quintinha muito bem cuidada com umas poças de água bem quente.

                            Estas são as caminhadas que mais gostamos, suaves e com recompensa no final. Que agradável é deixar-se “cozinhar” nestas piscinas naturais aquecidas pela actividade vulcânica, vestígio ainda presente do que foi o passado geológico destas terras dominadas pelo Vulcão Barú. Depois desta água quase a ferver, nada melhor que um mergulho nas águas frias do rio que passava ao lado, para refrescar-nos desse tempo passado em banho maria. Bem relaxados, abrimos então a mochila e, quase no meio do rio, em cima de uma rocha gigante - a nossa pequena ilha privada – montamos o piquenique.

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                            Fonte: Terrasemfronteiras.com

                            O único problema desse dia foi a simpática Chita, uma macaca que se revelou uma muito astuciosa amiga do alheio. Depois de deixar-se conduzir pela Sol, abraçou-a somente com o objectivo de chegar à mochila para levar o que pudesse. Na sua primeira tentativa foi descoberta, mas isso não a desanimou e enquanto estávamos numa das poças, logrou surripiar uma das garrafas de água de 1,5L que levávamos abriu-a e bebeu-a toda. A partir daí, ficamos muito mais atentos e, acreditem, não foi nada fácil evitar que nos roubasse todo o almoço. Afinal, não era tão simpática quanto parecia, mas sim muito mais esperta e manhosa do que esperávamos.

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                            Fonte: Terrasemfronteiras.com

                            No dia seguinte, o nosso último dia na província de Chiriqui, fomos fazer outra caminhada desta vez um pouco mais complicada que a do dia anterior, mas ainda assim não muito difícil, poderíamos classificá-la como ideal para principiantes. Como deixou de chover nestes últimos 2 dias, o caminho estava muito menos enlameado e por isso muito mais fácil do que estaria um par de dias antes. De qualquer maneira são cerca de 12km, , ida e volta, com um desnível de cerca de 700m numa subida que passa por 3 cascatas e que termina nos 2200m. O lugar chama-se Cascata Misteriosa.

                            lugares que visitámos durante a viagem, fizemos a subida a sós e no final também nos reservamos um prémio bem merecido: a água da cascata nº 2 recebeu-nos simplesmente tal qual viemos ao mundo e, isso, é um sentimento bastante agradável de liberdade e de desprendimento total. (Há fotos, mas foram censuradas pela patroa, pelo que ficarão talvez somente para o livro

                            No sábado, foi dia de partir em direcção à Cidade do Panamá, onde nos esperava a família Mexicana, uma tia e umas primas da Sol que muito amavelmente nos convidaram a ficar com eles.

                            No entanto, uma vez que a cidade estava a mais de 500km de distância, decidimos parar no caminho para passar a noite. Ao passar na Auto-Estrada, mais ou menos a 100km da cidade, depois de passar por tantas praias vimos uma placa que apontava para Playa Corona e decidimos entrar.

                            Percorremos a estreita estrada que levava até ao Oceano Paífico buscando uma casa ou quintinha onde pudéssemos pedir hospedagem. Já quase no fim da estrada não vimos nenhum lugar que nos convencesse e decidimos regressar.

                            A meio do caminho de regresso fomos surpreendidos por uma combi verde que vinha em direcção a nós acenando-nos.

                            O Erick, dono dessa combi, estava no terraço da sua casa quando ouviu o som de um motor arrefecido por ar, correu até à estrada onde avistou a Amália Frida e rapidamente se meteu na sua “Subito” tentando alcançar-nos.

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                            Fonte: Terrasemfronteiras.com

                            Quando nos alcançou, praticamente nem necessitamos de contar-lhe nada, pois, imediatamente nos disponibilizou a sua casa para que pudéssemos passar a noite. E que bela noite passamos na sua companhia. Preparamos um Arrozito Oriental, bem regado com umas cervejas Atlas bem geladas. A noite continuou com uma conversa muito “chevere” onde tivemos o gosto de partilhar o fim da nossa garrafa de Mezcal, assim como a última garrafa de tequilla que trouxemos do México com alguém que lhes deu tanto valor como nós mesmos. O Erick ainda nos preparou uns cogumelos em vinagre, receita da sua mamã, que estavam deliciosos sobretudo acompanhados de um rum local,

                            Apesar de todas as dificuldades, o destino continua a sorrir-nos e a surpreender-nos, pois é demasiada coincidência que tenhamos decidido exactamente esta estradita que passava na casa de um dos poucos donos de combi que existe neste país, dando-nos a conhecer uma pessoa tão interessante e simpática como o Erick e os seus amigos. Creio que basta que lhes digamos que ele é operador de câmara do Survivor, para que possam imaginar as histórias que tem para contar, assim como as fantásticas fotos que tem, quer dos locais paradisíacos das filmagens, quer dos bastidores das mesmas. Fantástico. Já agora, perguntamos e ele garantiu-nos que tudo o que vemos na série é realmente verdade e não manipulado ou inventado.

                            E a praia… que dizer da praia. Surpreendentemente, é muito raro ouvir ou ler qualquer destaque sobre as praias do Panamá, sobretudo no lado do Pacífico, pelo que a nossa expectativa sobre as mesmas era bastante baixa. Mas fomos surpreendidos muito positivamente por areias brancas rasgada por traços negros brilhantes como um espelho. A influência vulcânica da zona deixou esta parte da costa cheia de um pó negro metálico, que cobre a superfície da praia com manchas negras. Com a ajuda de um íman é, inclusivamente, possível separar o metal da areia.

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                            Fonte: Terrasemfronteiras.com

                            Para completar o cenário a praia é atravessada longitudinalmente por um rio que durante a maré baixa cria uma praia a que se segue outro arenal desde o rio até ao mar, mas que durante a maré cheia se deixa inundar completamente e se une assim ao mar transformando-se num só. E, dizem os panamenses que esta é a praia feia!

                            As areias de cor caribenha rodeadas por palmeiras e tanta outra vegetação quase nos faziam esquecer que estávamos no Pacífico, e a verdade é que o mar das Caraíbas está a somente 50 km de distância e, quando pensamos nesse istmo que separa estes 2 Oceanos sentimos sempre uma sensação que se pode descrever talvez como de humildade, sabendo que de alguma maneira o Homem conseguiu superar esta dificuldade que implicava que a conexão destes dois mundos que estavam destinados a ser somente interligados nos lugares mais recônditos e afastados deste Continente Americano por viagens que implicavam milhares de quilómetros e que de repente se pôde reduzir a uma navegação de pouco mais de 50km, numa das obras de engenharia mais complicadas alguma vez executada pela Humanidade e que a breve prazo começará com obras de alargamento.

                            Hoje passamos pela primeira vez pelo Canal e, vendo os enormes navios que o atravessam e como pano de fundo uma metrópole impressionante, imediatamente entendemos porque baptizam esta cidade como a Miami da América Central.

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                            Fonte: Terrasemfronteiras.com

                            Mas, mais tarde teremos a oportunidade de dar-lhes a conhecer um pouquinho mais desta urbe tão fascinante e também desta família Gordon Martinez que já no 1º dia que nos recebeu nos deu tanto…

                            Comentário

                            • karine
                              Fazedor de Chuva
                              • Jul 2012
                              • 1595

                              #29
                              Estar no Panamá e não visitar o Canal é como ir a Roma e não ver o Papa. Agora que penso nisso, quando fui a Roma não vi o Papa… bem, não importa, aqui não cometi o mesmo erro.

                              Esta obra, de uma magnitude colossal, apesar de não conter qualquer rasgo artístico ou finalidade esotérica que não sejam objectivos puramente comerciais é, talvez a prova mais concreta da capacidade do Homem contra os desígnios da Natureza.

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ID:	191845
                              Fonte: 1000destinos.wordpress

                              Estava escrito que o Pacífico e o Atlântico se cruzariam somente a Norte e a Sul do Continente Americano, mas por alguma razão, num ponto central dos 2 Continentes os mesmos dois Oceanos ficaram separados somente por 80km de terra.

                              No início do século XVI, os indígenas mostraram a Balboa, um Conquistador da Coroa Espanhol, o Mar que estava para além da Cordilheira Central. Chamaram-lhe Mar do Sul e o Espanhol seria nesse momento o primeiro Europeu a vislumbrar o Oceano Pacífico (que somente seria baptizado assim alguns anos mais tarde por Magalhães, quando este dobrasse a ponta mais Austral das Américas).\

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ID:	191846
                              Fonte: 1000destinos.wordpress

                              O sonho do Canal do Panamá poderá ter começado exactamente nesse momento. Passariam, no entanto mais de 4 séculos até que se desse a primeira tentativa de romper o que Natureza tinha decidido unir para sempre.

                              O Istmo Panamense foi desde esse momento um dos pontos mais importantes de travessia comercial e pessoal do planeta. Por aqui passou mais de 60% do ouro que os Espanhóis levaram desde o Perú até ao velho Mundo e foi de novo um dos pontos mais importantes de passagem de pessoas desde o lado Este até ao lado Oeste dos Estados Unidos quando a febre do ouro começou. E, isto quando não havia sequer um plano para começar a construir esta grande “auto-estrada” de barcos.

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ID:	191847
                              Fonte: 1000destinos.wordpress

                              No final do século XIX, o Eng. Ferdinand de Lesseps, trazendo no seu curriculum a construção do Canal do Suez, lidera os Franceses, dando inicio ao ambicioso projecto de escavação do Canal Interoceânico.

                              Esperavam, no entanto, que a Natureza fosse magnânima e, não que se opusera de maneira tão contundente a esta intrusão. Os solos pantanosos, a falta de tecnologia, os problemas financeiros e, sobretudo, as doenças tropicais, destacando-se a malária e a febre amarela, mataram mais de 20.000 homens durante os quase 8 anos em que os Franceses demoraram a convencer-se a dar-se como derrotados e desistir desta cruzada.

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                              Fonte: 1000destinos.wordpress

                              O Canal Interoceânico Francês ficaria assim como parte intrínseca da história, mas nunca seria completado, pelo menos não pelos franceses e não nos seus moldes iniciais.

                              O início do século XX trazia, no entanto, novidades. Estudos mais profundos, tecnologias mais avançadas e, sobretudo, por paradoxalmente que pareça, avanços nos campos da medicina, permitiram que um novo empreendimento se iniciasse.

                              O Panamá acabava de declarar-se independente da Colômbia, corria o dia 3 de Novembro de 1903 e, por isso, nestes dias se celebram as Festas da Independência.

                              Os Estados Unidos seriam um dos primeiros países em reconhecer este novo Estado Soberano do Panamá e, inclusive patrocinaram esta acção separatista face à Colômbia, tendo recebido como prémio a assinatura de um tratado que lhes concederia o direito de construir o Canal e explorá-lo perpetuamente.

                              A descoberta que a febre amarela se transmitia através da picada de insectos, permitiu uma campanha intensa de distribuição de redes mosquiteiras, destruição de pontos de águas paradas (possíveis focos de criação de mosquitos), bem como a mistura de óleo nas águas para provocar a não proliferação das larvas, que fizeram com que a causa mais mortal durante a experiência francesa fosse praticamente erradicada.

                              Desta vez, com máquinas muito mais poderosas que as usadas quase duas décadas antes, com o uso de explosivos e dos caminhos de ferro, os Americanos avançaram de maneira portentosa sobre a Natureza, preterindo um Canal ao nível do mar e preferindo uma opção com eclusas e um novo traçado.

                              Cada Eclusa mede 33,5m de largura, por 304,8m de comprimento e são necessário 100 milhões de litros de água para encher cada uma. Apesar disso, são permitidos navios com uma largura de até 32,3m e 294m de comprimento, o que significa que uma nave carregando algo como 4400 contentores é conduzida por plataformas aquáticas de alguns quilómetros de comprimento com uma separação às paredes da eclusa que não ultrapassa os 60cm de cada lado.

                              Ainda hoje, as comportas montadas nas eclusas do Canal são as originais montadas há quase um século e, apesar dos avanços tecnológicos e das remodelações que permitem ao sistema ser mais eficaz e moderno, o mecanismo original mantém-se na sua essência o mesmo desde o início da operação.

                              Como devem entender, apesar de essa pergunta pelos vistos ser muito ouvida pelos guias do Canal, ambos Oceano Pacífico e Oceano Atlântico estão à mesma altura e não há um que seja mais “alto” que o outro. A necessidade de usar eclusas que sobem e baixam estes navios deve-se ao facto de haver uma cordilheira central que divide o Panamá e que é atravessada pelo Canal. Assim, o Lago Gatun, um dos maiores lagos artificiais do mundo, situa-se a 26m sobre o nível médio das águas do mar e, por isso, as eclusas servem para baixar e subir as embarcações desde e até este nivel.

                              Em pouco mais de 10 anos o Canal surgia imponente aos olhos do Mundo e, em Janeiro de 1914, os desejos de Filipe II de Espanha que ordenou em 1556, sob pena de morte, que o que “Deus uniu o Homem não separasse” foram contrariados.

                              Inaugurava-se, então, o “pequeno atalho” que seria um símbolo da ligação entre dois mundos, mas que ao mesmo tempo significava a separação de um país.

                              Unia-se o Atlântico ao Pacífico, mas, em simultâneo, o Panamá passaria a ser atravessado em toda a sua longitude por território Americano.

                              Pelo que, esta maravilha da Engenharia, contém na sua história mais do que um imponente desafio ganho à Natureza, é também um rasgo marcante na história de um país e de um povo que à custa de muito esforço e irreverência reconquistou a sua soberania e o direito de chamar seu o que por quase um século lhe havia sido negado.

                              Com o tempo, os Panamenses não se conformaram com o facto de ao longo de todo o país e, inclusive, a sua capital encontrarem uma fronteira atravessando o seu território e, através de negociações políticas, as preces do povo foram escutadas e, no anos 70 assinaram-se os acordos Torrijos-Carter que definiriam a saída do último militar Americano do Canal às doze horas do último dia de 1999. O Panamá regressaria nesse dia a ser um todo e o território do Canal formaria pela primeira vez parte do país.

                              O Canal sofre hoje em dia importantes obras de ampliação que duplicarão a sua capacidade e se prevêem estar concluídas a tempo do seu Centésimo Aniversário.

                              Comentário

                              • karine
                                Fazedor de Chuva
                                • Jul 2012
                                • 1595

                                #30
                                Panamá Viejo e Casco Antiguo

                                “Panamá Viejo” ou “Panamá La Vieja” é um conjunto de edifícios em ruinas no meio de um parque verde encurralado entre enormes edifícios modernos, de um lado, e a tranquila Baía do Panamá, de outro.

                                Em meados do século XVII o infame pirata Capitão Henry Morgan atacou violentamente a Cidade do Panamá. A primeira cidade colonial do Pacífico Americano foi então completamente destruída e os Espanhóis viram-se obrigados a escolher uma nova localização para o seu mais valioso entreposto comercial.

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                                Fonte: 1000destinos.wordpress

                                A cerca de 10 km, a protecção de uma barreira de corais permitiu à Coroa Espanhola fundar, então, a 2ª Cidade do Panamá, o agora chamado Casco Antiguo.

                                No meio de uma cidade cosmopolita e de arranha-céus que quase nos fazem esquecer que estamos na América Central, surge este pequeno recanto que sobressaí na Baía do Panamá.

                                Depois de passear nos jardins de Panamá Viejo, apanhámos um “Diablo Rojo”, os já em extinção autocarros escolares Estado Unidenses que no Panamá, mas também noutros países da América Central, se mascaram e se tranformam em arte ambulante e que foram durante algumas décadas o transporte público mais comum dos Panamenses. Apesar de serem, segundo nos dizem, já muito menos do que os que circulavam anteriormente, continuam a dar uma cor especial à cidade com as suas pinturas garridas e desenhos extremamente gráficos.

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                                Fonte: 1000destinos.wordpress

                                Saímos junto ao Mercado do Marisco e viramos à esquerda onde a magnífica, mas bastante simples efígie do Palácio Presidencial e da torre da Catedral anunciam a proximidade deste relaxante ponto colonial da cidade. Por entre as ruelas do Casco Viejo e os seus edíficios coloniais, quase podemos regressar no tempo e imaginar o passar lento do tempo tal qual ocorria há 4 séculos atrás.

                                Era Dia dos Defuntos quando visitamos este lugar, por isso, havia muito pouca gente a visitar o Centro Historico e estava proibida a venda de alcool, pelo que para acompanhar algumas das iguarias Panamenses que tivemos o prazer de provar (Ropa Vieja e Mondongo) somente nos restou pedir um Ginger Ale e depois terminamos a tarde com um frapuccino.

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                                Última edição por karine; 12-05-14, 11:28.

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