Terra sem Fronteiras

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  • Dolor
    Fazedor de Chuva

    • Mar 2011
    • 3250

    #16
    Fazedores, tivemos a Angela e eu, o grande prazer de receber este casal de aventureiros na sede internacional dos FC em Itajaí, SC, para um almoço cujo prato principal foi asfalto com vento, temperado com aquele sabor indescritível da aventura, em volta da fogueira da amizade onde bons e sinceros sorrisos confraternizaram a vida.

    Reler estas histórias é percorrer cada quilômetro vivido pela Joyce e o Claúdio, sobrando o desejo de saber como será a continuação depois da próxima curva.

    Um prazer!

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    • karine
      Fazedor de Chuva
      • Jul 2012
      • 1595

      #17
      HUANCHACO/TRUJILLO - 20-06-07 - Quarta - nublado

      Trujillo possui 850 mil habitantes, cidade litorânea, bem mais tranqüila que Arequipa, fica a 560 km de Lima e é muito bonita para se visitar, há muitas construções do período colonial e muitos pontos turísticos para visitar.

      A minha dor de cabeça passou. O Cláudio acordou passando muito mal, enjôos e desarranjo, achamos que foi o cebiche... eu, também estava enjoada, mas não deu em nada, já o Mô passou o dia meio estranho. Mesmo assim, fomos conhecer as ruínas de Chan Chan, considerada a maior cidade de adobe da América pré-colombiana, era capital da cultura Chimú que viveu entre 1200 e 1400 D.C.

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      Fonte: Terrasemfronteiras.com

      É muito interessante o que vem nos acontecendo... perdemos totalmente a noção dos dias e tempo... temos que, várias vezes, verificar que dia é da semana, a data, enfim, tudo que envolve o tempo...

      Voltamos para o hotel e resolvemos trabalhar no site, pois não estávamos nos sentindo bem. Ah! Shriley, nossa querida amiga, tivemos que utilizar o soro antes do que imaginávamos...

      Aproveitamos que iríamos ficar dois dias aqui para colocarmos roupa para lavar...

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      Fonte: Terrasemfronteiras.com

      HUANCHACO/TRUJILLO - 21-06-07 - Quinta - dia nublado e fim de tarde com um maravilhoso pôr-de-sol

      Estávamos certos de que iríamos seguir viagem, mas o pneu do carro estava esvaziando, fomos consertá-lo e aproveitamos para conhecer o museu Arqueológico Privado "José Cassinelli Mazzei", é um acervo particular impressionante de peças feitas em cerâmica do Peru antigo, são mais de 6.000 pertencentes as principais culturas pré-colombianas (ver Educação sem Fronteiras). O guia do museu, muito simpático, nos explicou sobre cada civilização referente às peças visitadas, o mais incrível foi a múmia de um feto (mais ou menos 8 meses de idade) de um Moche (100 D.C. a 800 D.C.). Pedimos um lugar para almoçar e nos convidou para almoçar com ele e mais um funcionário do museu, uma aventura, aceitamos... Seguimos por aquelas ruas cheias de vendedores ambulantes e táxis para todo lado buzinando e paramos num restaurante simples, com comida comercial... olhamos um para outro e os nossos olhares diziam: e agora o que fazer? Começamos a conversar sobre o Peru e eles mesmos, no fim, relaxamos, pedimos uma massinha e para nossa surpresa... estava uma delícia... ufa, deu tudo certo!

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      Fonte: Terrasemfronteiras.com

      Depois fomos caminhando até o centro histórico, realmente muito belo, com seus casarios com janelas de madeira que se destacam, a cidade é considerada a capital cultural do Peru, é riquíssima quando se trata de civilizações antigas (ver Educação sem Fronteiras). Voltamos ao estacionamento do museu, onde deixamos o nosso carro, o pegamos e fomos conhecer Huaca del Sol e Huaca de la Luna eram utilizados como templos cerimoniais e religiosos que faziam referências ao sol e à lua. Aberto a visitação somente a "Huaca de la Luna"; é um precioso templo com pinturas coloridas (em restauração), do povo Moche, caminhamos sobre as ruínas e nos sentimos naquele tempo antigo, há séculos atrás... como deveria ser tudo isto?

      No fim da tarde, o sol resolveu aparecer e fomos à praia ver o belíssimo pôr-do-sol, realmente constatamos como Huanchaco é bonita e charmosa, sua praia extensa boa para surf, recebe turistas de toda parte, ainda se pode dar uma voltinha num barco feito de Totora, um tipo de palha, que os nativos usam até para surfar. Fomos muito bem recebidos no Hostal em que ficamos, o povo peruano é muito querido...

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      Fonte: Terrasemfronteiras.com

      Conhecemos, no jantar, uma senhora francesa, muito simpática, o Cláudio adorou, conseguiu colocar em prática o seu francês, era tão bonito vê-los conversando, às vezes conseguia entender alguma coisa, mas, no geral, fiquei "boiando"... olha aí a importância da língua!!!! Ela é guia turístico no Peru, disse que se ganha mais aqui do que na França, como guia... conhece todo o mundo, é um poço infinito de informação... nos deu muitas dicas importantes sobre Galápagos, no Equador, nos mostrou um DVD, fotos, mapas, lugar onde ficar, agência para o passeio, tudo o que necessitávamos, e como foram importantes suas informações... Uma dica importante que nos deu foi que numa viagem como a nossa precisamos dedicar alguns dias para descanso, já constatamos isto e na hora oportuna o faremos...

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      • Jhonny
        Fazedor de Chuva
        • Dec 2011
        • 504

        #18
        Simplesmente Fantástico, ainda mais a barraca sobre o Land Rover... Devem estar aproveitando muito a viagem, pena ser um relato externo ao site, mas sem dúvida tentarei contato com o casal...

        Boa viagem aventureiros...

        Parabéns pelos relatos e ainda mais pelas experiencias...
        J.Fernandes

        A distância de um sonho...
        Quebram-se férreas cadeias, Rojam algemas no chão...

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        • karine
          Fazedor de Chuva
          • Jul 2012
          • 1595

          #19
          HUANCHACO/TRUJILLO - 22-06-07 - Sexta - dia nublado

          Fomos olhar o nosso cronograma da viagem e vimos que estamos 8 dias atrasados... agora vamos ter que apurar um pouco, pois não queremos deixar nenhum país para trás... Seguimos viagem rumo a Tumbes...

          Atravessando o litoral norte do Peru, fomos vendo a transformação da paisagem, começamos a ver mais vegetação, rios mais caudalosos, percebemos que o norte também é bem mais povoado, atravessávamos diversos "pueblos". Muitas plantações e quanto mais chegávamos ao norte, mais tranqüilidade apesar de nos parecer mais populoso. Há mais sinalização, mas, mesmo assim, tivemos que perguntar algumas vezes se estávamos indo no caminho certo.

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          Fonte: Terrasemfronteiras.com

          Chegamos numa charmosa e "mui rica" cidade de Mâncora, restaurantes bem transados, hotéis para todos os gostos. Fomos almoçar às 18h num restaurante italiano muito bonito... Apelidamos a cidade de a "Pipa Peruana", pois lembra bastante o estilo de Pipa (RN), no Brasil. As pessoas e turistas têm o mesmo estilo, meio hippies, surfistas, gente bonita e de toda parte do mundo. Pela primeira vez sentimos um ar quente, agradável, cheiro de verão, praia, sol, mar, calor.... uau, isto é bom demais!!!!

          Ficamos espantados, um lugar alternativo que não tem camping... fomos nós procurar hotel. Ficamos num simples, porém de frente pro mar, aliás, na areia da praia, com um visual fantástico, até me deu um medinho... lembrei do tsunami... Mas que delícia dormir ao som das ondas...O Cláudio já logo disse, que tentação... estarmos aqui e não podermos curtir tudo isto, pois temos que embarcar o nosso carro, senão não conseguiremos chegar a tempo ao Alaska, a tempo de tocar o Mar Ártico... até viajando se tem hora, pode?

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          Fonte: Terrasemfronteiras.com

          Estamos cada vez mais nos aproximando da linha do Equador...

          MÂNCORA - 23-06-07 - Sábado lindo de sol - estamos de frente para o mar

          Acordamos admirando a linda praia de Mâncora, com suas águas transparentes e mar calmo. Passamos a manhã, ora eu tomando sol e o Cláudio trabalhando no site, ora o contrário. Depois fomos almoçar na praia de Punta Sal, também muito bonita, mas gostamos mais de Mâncora e, de lá, seguimos rumo ao Equador... Como será este país? Surpresa para nós!

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          Fonte: Terrasemfronteiras.com

          Fomos margeando o belo litoral até Tumbes, última cidade do Peru. Fizemos o trâmite de saída que foi tranqüilo, lá encontramos um carro de Blumenau com 3 homens que estão indo assistir a Copa América na Venezuela, que acontece no final deste mês. E toda vez que tínhamos que parar para os trâmites (imigração de saída, 2 aduanas, imigração de entrada) nos encontrávamos, num destes encontros nos contou que só em um dia foi parado 7 vezes por policiais e em todas as vezes, teve que deixar uma propina, no total U$300 (trezentos dólares), estavam revoltados, e só pagaram por inexperiência e medo, acabaram cedendo às mentiras e invenções dos policiais que o fazem para ganhar um troquinho e que troquinho... Nós, também, fomos parados diversas vezes, mas, desta vez, não tivemos quaisquer problemas, os policiais eram até simpáticos e nos serviram de guia, isto foi uma surpresa, pois já estávamos preparados para o atrito, já que, de forma nenhuma, pagamos propina, seja a quem for.

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          Fonte: Terrasemfronteiras.com

          Quando nos aproximamos da fronteira com o Equador, levamos um grande susto, parecíamos estar no Paraguai, havia camelôs por toda parte, gente no meio da rua, não dava para andar com o carro, inclusive, nem a aduana enxergávamos tamanha era a multidão. Se vendia de tudo, até carne exposta...

          Depois seguimos para a imigração, 2 km adiante, não havendo qualquer indicação. Finalmente, após meia hora, entramos no Equador e seguimos por uma péssima estrada e trânsito pesado a Machala. Para compensar, no caminho, fomos brindados com mais um belo pôr-do-sol...

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          • karine
            Fazedor de Chuva
            • Jul 2012
            • 1595

            #20
            MACHALA - 24-06-07 - Domingo nublado

            Conhecer pessoas é fantástico, conhecer pessoas boas é maravilhoso, conhecer pessoas maravilhosas, o que podemos dizer?

            Machala é uma cidade moderna, com aproximadamente 200 mil habitantes, sua principal base econômica é a produção de banana, café e cacau, nos sentimos em Corupá.

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            Nos hospedamos no "Centro Hotel", realmente bem central, um grande movimento, pessoas por toda parte. O atendimento e a limpeza do hotel nota 10! O equatoriano fala o espanhol mais explicado, bem mais fácil de ser entendido, inclusive algumas palavras lembram, em muito, o nosso português. Neste dia, aniversário da Cidade, domingo dia de festa, havia tanta confusão, mas nem pudemos retratar este momento, pois estávamos trabalhando no site, a mil por hora... Não é uma cidade turística, mas é o melhor e mais estruturado ponto para dormir quando se chega ao Equador.

            Já havia passado e muito a hora do almoço, fomos procurar um lugar onde pudéssemos comer, mas eu estava um pouco enjoada, pois, depois de ter passado mal no Peru, estava preocupada... Nos indicaram um restaurante vegetariano, a cidade não era muito limpa... fomos a este, havia uma comida meio estranha para nós, mas resolvemos comer... uma sopa de "não sei o quê", não lembramos o nome, leite de soja para beber, e um arroz, beterraba, alface, carne de soja tudo misturado num prato tipo comercial, já fiquei enjoada só de olhar, mas o que fazer, já havíamos pedido... para minha surpresa o Cláudio tomou toda sopa e comeu metade da comida e tomou todo o leite, eu? Tomei um pouco da sopa que parecia de abóbora, só que muito ruim, e comi um terço da comida... o leite, eca! Saí dali bem mal...

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            Seguimos viagem para Cuenca, percebemos que ao ingressarmos no Equador, a paisagem transformou-se drasticamente, o deserto havia ficado definitivamente para trás. Novamente subimos, subimos e subimos a majestosa Cordilheira dos Andes, a estrada serpenteava as montanhas imersa numa intensa neblina, até que, de repente, tudo clareou, estávamos acima das nuvens. A nossa estada no calor foi por muito pouco tempo... estávamos vestidos com roupa de verão e quando chegamos na cidade, que frio...

            Chegamos a Cuenca no início da noite e fomos, diretamente, procurar um lugar para comer, ficamos espantados com o que encontramos! Após termos feito um delicioso lanche, fomos caminhar por suas ruas de pedra, luz noturna e um friozinho gostoso, nos deu uma enorme alegria, estávamos numa cidadezinha de 300 mil habitantes, com 2500 m de altitude, charmosa, com um centro histórico e uma arquitetura colonial belíssimos, não foi à toa que foi tombada pela UNESCO como Patrimônio Histórico Mundial. Estar aqui é como se estivéssemos voltando no tempo...

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            Numa dessas ruas, fotografando, um casal nos abordou perguntando se podia tirar fotos do nosso carro e nossa também, daí em diante, o Roberto (presidente do clube de 4x4 de Cuenca), Janeth e seus três filhos, Dany, Carlos e Julian fizeram parte de uma bonita passagem da nossa viagem... dissemos que estávamos procurando por hotel e, imediatamente, se ofereceram para nos ajudar, fomos em três hotéis e no último ficamos, estavam tão felizes em ter nos conhecido que nos convidaram para jantar em sua casa, prontamente aceitamos...

            Para Viajantes: o combustível no Equador é uma barbada, o galão de 4 litros custa U$ 1,037, ou seja, uns R$ 0,53 o litro, só perde mesmo para a Venezuela, e o pedágio, em média, U$ 1,00. Aqui desapareceu o problema do trânsito caótico que vimos no Peru, inclusive, Quito nos surpreendeu com seu transporte coletivo, grandes ônibus com faixas exclusivas e movidos a eletricidade, a única dificuldade foi para achar um parqueadero (estacionamento) no centro histórico, não havia sinalização, mas perguntando, chegamos lá. Apesar de faltar sinalização em alguns trechos de rodovias mal tratados pelo constantes desmoronamentos, compensa-se pelo belo visual e pessoas muito acolhedoras. Também não tivemos qualquer problema com a polícia, fomos parados duas vezes, mas prosseguimos sem o menor inconveniente, utilizam geralmente uma picape branca com listras larga de cor azul e uniforme branco.

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            Uma palavra muito importante quanto pedimos informações sobre os itinerários é "Rotatória" que por essas regiões há por toda parte, no Chile e Argentina fala-se "rotonda", no Peru é "óvalo" (pronuncia-se óbalo) e no Equador é "redondel".

            Também devem prestar atenção quanto aos preços dos hotéis, a maioria não inclui impostos, café da manhã e estacionamento, ou seja, te passam um valor e no final te acrescentam todos estes que citamos acima, para tudo se paga, inclusive se quer utilizar a internet, mesmo sendo hóspede, se paga...

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            • karine
              Fazedor de Chuva
              • Jul 2012
              • 1595

              #21
              CUENCA - 25-06-07 - Segunda - dia nublado

              Acordamos muito bem, gostamos muito do lugar onde nos instalamos, "Amoblados Torongo", tem uma cozinha, banheiro, sala, quarto, um mini e aconchegante, porém simples, apartamento. Preparamos nosso café da manhã e fomos caminhar pelas belas ruas de Cuenca, a cidade possui uma magia... sua gente é muito especial, são muito educados, não têm vergonha de nos abordar... Tiramos muitas fotos, das pessoas, casarios, museus, igrejas, tudo o que víamos de belo "sacávamos fotos"... Fomos numa livraria maravilhosa, ficamos horas escolhendo um guia do Equador e, para variar, o Cláudio se encantou por um livro de fotografias de Galápagos, eu também... depois tomamos um belo chocolate quente em sua cafeteria...

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              Fonte: Terrasemfronteiras.com

              Voltamos à cidade para fotografar e logo começou um mal estar... comecei a passar mal, umas pontadas na barriga, muita dor... penso que foi o almoço vegetariano do dia anterior... passei muito mal... Voltamos para o hotel, fiz nosso almoço e continuei naquele estado, a preocupação, como dizer isto ao casal que nos convidou para jantar, não podia comer nada que logo me dava dor na barriga...

              E fomos nós, na casa de nossos novos amigos equatorianos... eles sabem receber muito bem... Após o jantar, nos levaram a um mirante onde se podia ver toda cidade, muito bonito...

              Combinamos que no dia seguinte iríamos nos ver para nos despedir...

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              Fonte: Terrasemfronteiras.com

              Hoje, começamos a combinar o nosso transporte para o Panamá, com a Senhora Rosa de Guayaquil...

              CUENCA - 26-06-07 - Terça - dia nublado

              Arrumamos todas as nossas coisas, nos despedimos de nossos amigos e seguimos viagem... Adivinhem? Quando havíamos andado uns 7 km, os carros estavam parados e muitos outros voltando... "O que será que está acontecendo?"

              A estrada estava bloqueada com pedras que os indígenas colocaram, não havia como seguir adiante, ou seja, mais um "paro" (manifestação) em nossa viagem... Os índios locais querem impedir a instalação de mineradores nesta região, alegam que vão destruir tudo e contaminar suas águas... com certeza, eles têm razão... mas tinha que sobrar para nós?

              Acreditamos ter sido maravilhoso, pois voltamos para o hotel, o Cláudio colocou o carro para lavar, fiz nosso almoço e ligamos para os nossos amigos Janeth e Roberto, não deu cinco minutos, já estavam eles na porta do hotel nos esperando para nos levar para passear. Então, passamos um dia maravilhoso, nós eles e seus filhos... Nos levaram para conhecer muitos lugares, em seu carro, tomamos um sorvete artesanal de paila maravilhoso e terminamos o dia em sua casa tomando um divino chocolate quente com um pãozinho, hummm... foi um dia muito especial... além disto, nos presentearam com chocolates, café local, adesivo do clube 4x4 e com a maravilhosa companhia, realmente são pessoas muito especiais, cheguei a ficar sem graça, com tantos mimos, pois tão acostumada a mimar e a não ser mimada, o inverso foi constrangedor... mas, maravilhoso....

              CUENCA - 27-06-07 - Quarta de sol

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              Fonte: Terrasemfronteiras.com

              Hoje, de qualquer maneira, vamos embora... Nos ensinaram um caminho alternativo. Fui dirigindo e o Cláudio de navegador, deu tudo certo, saímos mais a frente na Panamericana, onde não havia mais pedras no caminho... Foi um dia bastante cansativo, pegamos uma estrada terrível, curvas e muitos buracos. No caminho, paramos em Ingapirca, onde há ruínas do Império Inca.

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ID:	167482
              Fonte: Terrasemfronteiras.com

              Continuamos a viagem até Riobamba, paramos simplesmente para dormir, enquanto procurávamos um lugar para comer, mais um equatoriano nos abordou para perguntar o de sempre: "de onde são, para onde estão indo, estão sozinhos, cuidado com a Colômbia..." e sempre dizem: "Chevere", o que quer dizer: bonito, muito legal, demais... e, este em especial, ficou inspirado para fazer uma viagem pela América do Sul.

              Encontramos um bom lugar para comer, ainda bem, pois estávamos famintos... depois fomos dormir no Hotel Rioroma, 4 estrelas, não encontramos sequer alguma estrela... era muito simples e não muito limpo, mas não era um dos piores...

              Eu estava muito cansada, pois bati meu recorde de direção, foram 7 horas dirigindo... estava tudo dormente, perna, coluna, pescoço e tudo mais...

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              • karine
                Fazedor de Chuva
                • Jul 2012
                • 1595

                #22
                RIOBAMBA - 28-06-07 - Quinta de sol

                Após uma noite razoável de sono, levantamos cedo, pois havia muita estrada pela frente, quando fomos pegar o carro, novamente, mais uma vez, o pneu estava vazio, o mesmo pneu, também depois daquela estrada esburacada, era de se esperar. Estamos deixando para trocar os pneus no Panamá, o ideal seria ter feito no Brasil, mas como, infelizmente, não conseguimos patrocínio, deixamos para fazê-lo num lugar mais barato...

                Seguimos pela autopista, em nossa companhia o Vulcão Chimorazo, o ponto culminante do Equador, quase todo coberto de neve contrastava com o céu de brigadeiro, belas imagens...

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ID:	167571
                Fonte: Terrasemfronteiras.com

                Tentamos chegar na cidade de Baños, mas, devido as intensas chuvas que caíram no Equador, o acesso a este importante reduto turístico estava impedido. Já que não havia jeito, por nenhuma parte, seguimos viagem até a Laguna Quilotoa partindo da cidade de Latacunga, uma estrada sinuosa e estreita, levamos umas 3 horas de viagem, o visual era simplesmente maravilhoso, parecia que estávamos olhando uma imensa colcha de "patchwork", todas as montanhas são áreas de cultivo, como pode se plantar e colher numa área tão íngreme e, ainda, na altitude? Homens, mulheres, crianças e animais, todos trabalhando na agricultura. Ao mesmo tempo que era bonito, também era triste, imaginar que ali poderia ser ou já foi algum dia uma grande floresta de árvores nativas...

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ID:	167572
                Fonte: Terrasemfronteiras.com

                Algo que nos chamou atenção foi ver o povo tipicamente trajado, as famosas cholas vaidosamente vestidas, colares e muito brilho. As crianças sempre curiosas nos davam tchau, ou se aproximavam querendo que tirássemos fotos suas, porém teríamos que pagar, o que foi bastante desagradável, mas, felizmente, não eram todas. Quando chegamos à Laguna, que surpresa maravilhosa e encantadora, uma enorme cratera de um vulcão extinto, com águas verde esmeralda, variando para verde claro em suas extremidades, é realmente fantástica a visão. Fazia um frio terrível, com um vento cortante, fizemos muitas fotos.... e baixamos aquela serra colorida para dormir na cidade de Lasso, "Hosteria Posada del Rey", onde experimentamos um maravilhoso suco de tomate (um tipo de tomate doce que só serve para suco ou sorvete e que só encontramos aqui no Equador) .

                LASSO - 29-06-07 - Sexta de sol

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                Fonte: Terrasemfronteiras.com

                Bem cedo, seguimos viagem rumo a Quito, porém, ao passarmos pela entrada do P.N. Cotopaxi, fizemos um desvio. É o parque mais antigo do país, com exceção de Galápagos. A sua grande atração é o vulcão Cotopaxi com 5.897 m, é um dos vulcões ativos mais alto do mundo. Seguimos por uma bela estrada, ora com neblina, ora sol, até chegarmos a margem da "Laguna de Limpiopungo", havia muitos turistas, inclusive, para variar, o Thor, centro das atenções, distribuiu alguns cartões do nosso site. Dentre eles, um canadense muito simpático, morador de Quebec, Georges Dussault, mais uma vez o meu marido colocou em prática o seu francês, nos deu o seu endereço para quando estivermos passando pelo Canadá, chamá-lo.

                Em seguida, pegamos a estrada para subir o vulcão, que visão impressionante, que imagem imponente... Ao sairmos do carro, que susto... havia um vento cortante e amedrontador, mal conseguíamos caminhar... mesmo assim, resolvemos seguir adiante, começamos a subi-lo a pé, estávamos a 4700 m, rodeados por gelo, faltando ar e lutando contra o vento... subimos mais um pouco e logo vimos que não estávamos preparados para tanto, pois o frio era intenso devido ao vento... foi uma grande aventura, emocionante... A natureza não manda recado...

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                Fonte: Terrasemfronteiras.com

                Já estávamos bem próximos a Quito, cidade histórica, uma das mais antigas capitais da América do Sul, situada a 2.850 m de altitude, na base do vulcão Pichincha. Apesar de ser a capital, não é a maior cidade do País, possui, aproximadamente, 1.400.000 habitantes. Ela está basicamente dividida em dois centros, centro novo e centro antigo, este é maravilhoso, tem um charme encantador, inclusive, em 1978, a cidade foi declarada Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade. Depois de caminharmos pela cidade e curtir uma bela luz de final de dia, fomos a procura de um hotel, já com um mapa na mão, fomos ao Hotel Embassador, estava lotado, então ficamos num a frente deste, "Hotel 9 de Ouctubre", simples, porém limpo. Geralmente, o café da manhã (desayuno) não está incluso no valor da hospedagem, isto é bem comum no Equador. No hotel havia um segurança que nos deixou um pouco assustados, pois tinha 2 armas, então perguntamos, "aqui é perigoso?", ele: não, isto é o normal...

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                Fonte: Terrasemfronteiras.com

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                • karine
                  Fazedor de Chuva
                  • Jul 2012
                  • 1595

                  #23
                  QUITO - 30-06-07 - Sábado de sol, com nuvens

                  Fomos tomar o nosso café da manhã e vimos o Thor rodeado de curiosos... demos muitas risadas... depois vieram nos dizer que o nosso carro é muito bonito, forte, um ótimo carro... O equatoriano é realmente surpreendente...

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                  Fonte: Terrasemfronteiras.com

                  Não tínhamos muito tempo, só mais um dia para aquela região... Fomos a Otavalo, com 2.556 m de altitude, conhecida como o vale do amanhecer, visitar a mais famosa feira de artesanato indígena. Muito grande, não demos conta de toda ela, havia muita gente, turistas de toda parte, principalmente americanos, os seus produtos artesanais eram realmente belos, para todo gosto... inclusive, com esta, havia uma feira de comida, víamos porcos gigantes assados em plena rua, carne sendo vendida a céu aberto, cachorros passando por cima das frutas, enfim, tudo o que se pode imaginar... difícil era encontrar um lugar para almoçar....

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                  Fonte: Terrasemfronteiras.com

                  Encontramos um bom lugar, mas estava lotado, tivemos que esperar uma hora até que chegasse a nossa comida... enquanto isso o Cláudio tentava trocar uma nota de cem dólares, ninguém trocava, inclusive nos bancos não o faziam. Tivemos que sacar dinheiro...

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                  Fonte: Terrasemfronteiras.com

                  Regressamos a Quito para seguirmos a "Mitad del Mundo". Depois de muito perguntar, encontramos a fictícia cidade e o famoso monumento, aí encontra-se marcada no chão a famosa linha do Equador, dividindo o planeta em duas parte iguais. Fizemos algumas fotos, tomamos um café e seguimos para o mirante do Pululahua.

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                  Fonte: Terrasemfronteiras.com

                  Deste mirante se pode ver uma cratera de vulcão inativo da era quaternária, cuja última erupção se suspeita que tenha sido no ano de 500 A.C., a única cratera habitada em todo o planeta, onde os primeiros habitantes foram os Incas. Esta cratera rodeada de paredes vulcânicas é cenário de muitas pessoas que ali viveram durante muitos séculos. Agora, ela possui 160 habitantes, uma comunidade que tem escola e seu cultivo próprio, são 4 quilômetros de diâmetro cultivados. Quando estávamos no mirante, vimos algumas barracas e nos perguntamos como se chegava até lá, nos informamos e lá fomos nós, a nossa inédita aventura, dormir numa cratera de vulcão. Para chegarmos, tivemos que descer uma serrinha extremamente perigosa, 15 quilômetros, cruzamos com alguns carros, que aventura... sorte que era exatamente no lugar onde se podia passar dois carros, sempre um tendo que parar, a maioria do trajeto somente um carro por vez. Logo que chegamos na cratera, havia algumas pessoas, pedimos informações sobre um camping, nos informaram que era só seguir. Fomos... descobrimos que havia dois, ou melhor, que poderíamos acampar em qualquer lugar, mas não era seguro, com segurança só no Ministerio del Ambiente, Reserva Geobotánica Pululauhua ou aqui onde estamos... Hosteria La Rinconada.

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                  Fonte: Terrasemfronteiras.com

                  Ao chegamos, fomos muito bem recebidos por um rapaz, que prontamente nos passou algumas informações do local e do camping, como já era noite, só vimos que era um lugar bastante agradável, e sua Hosteria de muito bom gosto, linda... entramos e pedimos um suco de "naranjilla", uma fruta local, que por sinal é maravilhoso.

                  Estávamos muito felizes, pois depois de 8 dias iríamos dormir em nossa barraca, nunca pensei que fosse gostar tanto, já estávamos com saudades... Começamos a conversar com o Rolando e sua esposa por vários minutos, inclusive, lhe pedi para telefonar para o meu pai, pois estava de aniversário, mas que idéia a nossa, "estamos numa cratera de vulcão", mas para nossa surpresa ele tem um celular e até TV a cabo, mas de celular não era possível... Continuamos conversando, papo vai, papo vem, pedimos informação sobre esta área, nos trouxe uma revista, e quando começo a lê-la vejo escrito o nome Rolando Vera, e prontamente o Cláudio pergunta: "mas este não é o nome de um maratonista?", e o Rolando: "soy yo mismo".

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                  Ganhou por quatro vezes a famosa corrida de São Silvestre. O Rolando ficou muito feliz de ser lembrado, e aí descobrimos muito mais sobre esta pessoa maravilhosa, que falava de suas vitórias com muita alegria... Estamos tendo muita sorte, conhecendo pessoas "mui amables". Que lugar lindo, estamos debaixo de um céu estrelado, maravilhoso, vendo o nascer da lua, há 2.547 m de altitude, 0º 04' de latitude e dentro da cratera de um vulcão. Fugindo da cidade grande - Cuenca, Rolando vive ali há mais de 20 anos, era um grande corredor, vencendo maratonas no mundo todo.

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                  Comentário

                  • karine
                    Fazedor de Chuva
                    • Jul 2012
                    • 1595

                    #24
                    PULULAHUA - 01-07-07 - Domingo, lindo dia de Sol

                    Acordar neste paraíso foi gratificante, não tínhamos vontade de ir embora, e teríamos que fazê-lo cedo, pois tínhamos mais ou menos 10 horas de viagem pela frente até Guayaquil. Tomamos o nosso reforçado café da manhã na companhia de seus cachorros, também têm cinco, e, por vezes, em sua companhia, o Rolando. Depois, fomos conhecer um dos seus locais prediletos, montou, no meio da mata, um chuveiro rodeado de árvores, água fria, para tomar o seu banho após uma corridinha..., disse que estava cansado de tomar banho dentro de casa, preferia estar em contato com a natureza, realmente o lugar era muito especial, ali já havia sua toalha, sabonete, etc...O Cláudio adorou a idéia, banho frio com água de neblina.

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                    Fonte: Terrasemfronteiras.com

                    Em seguida, muitas fotos, para variar, o Thor foi o centro das atenções, aqui no Equador ele exerce uma força, uma paixão, todos gostam de estar ao seu lado para serem fotografados... é muito interessante, notamos que gostam muito de veículos 4x4, o que mais vimos foram Toyota e Chevrolet (tracker). Bem, depois de fazermos muitas fotos, fomos ver as fotos do Rolando, muito bonitas, adora tirar foto de pessoas, nos mostrou alguns de seus prêmios e também sua adoração por arte, vários quadros, esculturas, que eram belíssimos. Na seqüência, ficamos algumas horas mostrando a todos o nosso site "off line", já que ainda não havia internet na cratera.

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                    Fionte: Terrasemfronteiras.com

                    Também conhecemos dois formandos que estavam fazendo um trabalho ali, na pousada, um estava se formando em hotelaria e outro em gastronomia, nossa realmente as pessoas do Equador são "mui amables", inclusive foram eles que preparam nosso almoço, que estava maravilhoso.

                    No fim, acabamos saindo de lá depois do almoço... Quando fomos nos despedir, que parto, a energia do lugar nos atraía... O Rolando, feliz taurino que é, presenteou o Cláudio com uma linda camiseta e nós ganhamos uma foto da sua vitória na São Silvestre autografada e com uma bela dedicatória.

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                    Depois do belo almoço, realmente subimos a estradinha perigosa de retorno e seguimos, cruzando muitas cidadezinhas, rumo a Guayaquil... fizemos o caminho mais curto, pois iríamos adentrar a noite... por isso, este não foi muito bonito, melhor teria sido o trajeto da Rota do Sol, mas este vamos fazer num outro momento.

                    Chegamos a Guayaquil às 22:30h, cidade grande e ampla, conseguimos chegar ao hotel somente com o mapa, foi bem fácil nos localizarmos, estamos no coração da cidade. Aqui já sentimos algumas diferenças do Equador da Cordilheira, é uma cidade grande,moderna e industrial, entramos pela zona sul, luxuosíssima e caímos diretamente no centro. Apesar de percebermos forte desigualdade social, não sentimos nenhum medo ou insegurança, estávamos bem tranqüilos, mas sempre bem atentos. Pesquisando hotéis, achamos uns bem baratos, mas não muito agradáveis, ficamos num mediano, mas que também não é o bicho, fica um pouco a desejar no atendimento, Hotel Alexander, o preço não inclui estacionamento, que é do hotel, e não inclui café da manhã.

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                    Rapidamente, enviamos e-mail para Rosa, a pessoa que está cuidando dos trâmites para embarcamos o nosso carro para o Panamá, para nos encontrarmos amanhã...

                    Comentário

                    • karine
                      Fazedor de Chuva
                      • Jul 2012
                      • 1595

                      #25
                      GUAYAQUIL - 02-07-07 - Segunda de sol

                      Passamos a manhã no quarto do hotel, só no computador acertando as contas, trabalhando no site e aguardando a chegada da Rosa para concluirmos os trâmites. Quanta burocracia e detalhes para serem acertados, sem falar do alto custo desta travessia, mesmo sendo mais barato que na Colômbia, na verdade, decidimos colocar o carro por Guayaquil para aproveitarmos melhor o tempo que ficaríamos sem o Thor, conhecer nada menos que o maravilhoso Arquipélago de Galápagos.

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                      Fonte: Terrasemfronteiras.com

                      Passamos o dia em função da travessia e contatos com a Agência Galasam para tentarmos conciliar o embarque do carro com o nosso embarque para Galápagos, que dificuldade, já que está tudo lotado, é alta temporada por aqui....

                      GUAYAQUIL - 03-07-07 - Terça de Sol

                      As diferenças no próprio país faz dele ser ainda mais especial! O que seria do bonito se não fosse o feio...?

                      A história do nome da cidade de Guayaquil é muito sinistra, reza a lenda que Guaya era o nome do chefe indígena e Quila de sua esposa. Com a vinda dos espanhóis Guaya matou a sua mulher e depois se matou... para não se tornarem escravos dos mesmos.

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                      Fonte: Terrasemfronteiras.com

                      Guayaquil é uma cidade costeira, nela está o principal porto equatoriano e, é a maior cidade do país com aproximadamente 3,5 milhões de habitantes, possui um grande movimento econômico, pois concentra as mais importantes indústrias, como refinarias de petróleo, indústrias de conservas e diversos bens de consumo, quase todo processo de exportação e importação passa por seu porto marítimo. Inclusive, o nosso Thor será embarcado neste mesmo porto.

                      Tivemos uma surpresa muito grande quanto a cidade, visitamos boa parte do Equador, e como viram no diário anterior, fomos muito bem recebidos em toda ela, o povo é extremamente hospitaleiro... já, aqui, chegamos a noite e vimos uma cidade totalmente diferente do restante do país, casas luxuosas, avenidas largas e, ainda assim, encontramos um trânsito meio caótico, ônibus velhos e o principal, pessoas frias e estranhas.

                      Já neste dia, no hotel em que ficamos, sentimos a diferença no tratamento, as pessoas não te olham, andam devagar, como se você nem estivesse ali... não sabemos, será que estamos no mesmo país?

                      Resolvemos não dar muita bola para essas coisas e fomos resolver nossos problemas... Encontramos a Rosa para regularizar a saída do nosso carro, via porto marítimo, ao Panamá. Para quem não sabe, não há estrada ligando a Colômbia ao Panamá, é uma verdadeira selva. Teríamos duas opções: enviar o carro via navio ou avião, a partir da Colômbia ou de Guayaquil, aqui no Equador. Optamos pela opção mais barata e segura... A documentação exigida foi: passaporte, documento do carro no nome do proprietário, documento do veículo de entrada no país, originais e cópias, tudo isto teve que ficar com a despachante até a data de embarque, ficando assim, o Cláudio, sem seus documentos originais...

                      Depois que conseguimos encaminhar todo a papelada, fomos a uma agência de viagem, a Galasam, para providenciar o nosso passeio a Galápagos, justamente o passeio (8 dias) que queríamos fazer a data coincidia com a data de saída do carro, onde o Cláudio tem que estar presente. O barco, o qual queríamos ir, segundo a Francesa havia nos informado, o Tourist Economic, não tinha mais vaga, detalhe os de primeira classe, tampouco. Agora é alta temporada, os Europeus e Americanos estão de férias e vem passear por aqui...

                      A nossa única opção era irmos num barco Tourist Superior (5 dias), que fica entre o econômico e o primeira classe, que ruim... simplesmente um barco com todo conforto que não necessitamos, quarto de casal, banheiro e ducha privados.... claro que gostamos, o problema maior é sempre o preço... pois para nós, o melhor é estar no local que desejamos, o conforto deixamos para nossa casa...

                      Antes de contar como fizemos, vamos explicar como funciona. Não existe meio melhor de conhecer as ilhas, o ideal é desta forma, através de barco. Primeiro compra-se uma passagem aérea até Galápagos e, de lá, parte o cruzeiro pelas ilhas, o pacote que você comprou, e neste, não constam o ticket aéreo, taxa de permanência na ilha, material de mergulho e bebidas, mas inclui, toda a alimentação (5), água e café a vontade.

                      Então, resolvemos não pensar, pois queríamos muito ir, decidimos fazer o seguinte: como 5 dias são pouco para conhecer o arquipélago, afinal o ideal eram 8 dias, resolvemos voar antes, dia 06/07 e iremos ficar naquele paraíso, ilha principal até o dia da saída do nosso barco, que é 10/07. Vamos caminhar, lagartear junto com as iguanas, e descansar, pois estamos merecendo... afinal não conseguimos ainda fazer um exercício decente ou mesmo ficar á toa, no ócio.

                      Ir a Galápagos não é muito barato, é necessário juntar um pouco de dinheiro, pois é turismo para europeu... Arcar com estes custos ainda no início da nossa viagem envolve um certo risco, mas somos de arriscar... Tivemos um pouco de dificuldade no pagamento, pois certos de que iríamos pagar no cartão, não foi possível, aceitar eles até aceitam, mas é cobrado uma taxa de 5% sobre o valor do pacote, por pessoa, qualquer troquinho para nós faz a diferença...

                      GUAYAQUIL - 04-07-07 - Quarta de Sol

                      Este dia foi atípico...

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                      Fonte: Terrasemfronteiras.com

                      Saímos do hotel e fomos rumo ao litoral, apesar de ficar a duas horas de Guayaquil. Nos disseram que é bastante bonito... Quando já havíamos saído da cidade, fomos parados por policiais: "documento por favor?" O Cláudio calmamente pegou os documentos, cópias coloridas que sempre se passam como verdadeiras. Tudo certo até que o policial, muito jovem, pede o passaporte...

                      ...E agora? O passaporte estava com a Rosa, e o meu no hotel, já que saímos muito apressados... ainda não temos a noção de que o passaporte é o nosso mais precioso documento... detalhe: jamais um policial nos pediu passaporte e, é claro, tinha que acontecer justo quando não o possuímos...

                      ...Então começou tudo... o policial disse: "O Sr. e o veículo estão retidos, não podem ir adiante", o Cláudio argumentou que era uma bobagem, estávamos apenas indo conhecer o litoral e o carro já iria embarcar, amanhã, para o Panamá, mostrando o cartão da despachante Rosa, para que eles pudessem entrar em contato... Depois de muito blá,blá,blá, ele disse que o Cláudio teria que conversar com o seu chefe. Lá foram eles, o Cláudio saiu do carro acompanhado pelo policial, atravessaram a rua para conversar com o chefe... Que situação! O chefe fez cara de mal, estufou o peito em tom ameaçador e falava de forma ríspida que estávamos presos e o carro também... quando o Cláudio ameaçava falar, o policial mandava-o ficar quieto que ele estava falando... então não restou outra alternativa, o velho truque... o Cláudio esperou o policial terminar de falar e disse que também era autoridade e que possuía diversos amigos em Guayaquil e não estar com o passaporte não é crime algum... a reação do policial foi de orgulho, afinal quem mandava no pedaço era ele, mas já foi mudando o discurso, "vocês não estão bem presos, é só uma retenção provisória, até que os documentos apareçam, é preciso me acompanhar à delegacia", o Cláudio: "agora está perfeito, vamos imediatamente para a delegacia", seguiu para o carro, ligando-o e aguardando para que fôssemos juntos... notamos que estavam conversando entre si... e resolveram chamar o Cláudio de volta... Lá foi ele novamente... eles disseram que era muito trabalhoso ir à delegacia, já que estavam fazendo uma operação especial... decidiram fazer uma multa e reter os documentos do carro e do motorista (algo que é ilegal, mas como eram cópias, o Cláudio não deu a menor bola), depois foi dizendo que a multa era muito cara, U$ 56,00, o Cláudio disse que poderia aplicar, não havia problema... nesse meio tempo, ele também disse que estava escrevendo para jornais do Brasil sobre a nossa expedição... repentinamente, apertaram a mão do Cláudio e disseram que não iriam fazer mais nada, não queriam causar problemas e deixou ao nosso critério a decisão de ir ou não ao litoral... Resolvemos voltar a Guayaquil, pois com toda certeza haveria mais policiais e não gostaríamos de passar por isto de novo... esta parte do Equador fica para uma próxima oportunidade, só nos restava nos contentar com as praias das Ilhas Galápagos...

                      Que dia!!!! No fim nos restou dar boas risadas e assistir ao jogo da Copa América, que por sinal o Brasil está um terror de ruim.... , até o Equador, time fraco, jogou muito melhor, mais muito melhor!

                      Comentário

                      • karine
                        Fazedor de Chuva
                        • Jul 2012
                        • 1595

                        #26
                        GUAYAQUIL - 05-07-07 - Quinta de Sol

                        Hoje, pela manhã, o Cláudio foi ao Porto com um rapaz, despachante, para finalmente embarcar o Thor... Enquanto isto, fiquei no hotel trabalhando no site e arrumando nossas 6 mochilas e uma mala para carregarmos, nós dois, para Galápagos e, em seguida, para o Panamá.

                        O Cláudio saiu para o porto às 8:30h e retornou às 15h. No porto, todo processo é extremamente burocrático e caro. Ele e mais o Vinícius, funcionário da empresa "Sedei" (despachante), retiraram a barraca de teto e a caixa de alumínio, já que optamos por um container menor para baixar o preço do transporte. Após isto, aguardaram a chegada do funcionário da Aduana e da polícia de narcóticos, que demoraram mais de duas horas para chegarem, a aduana pegou os dados do carro e conferiu o número do motor, já o policial fez com que retirassem toda a bagagem e colocassem no chão, então um cão farejador (mistura de pitbul com labrador) cheirou tudo o que tinha direito... em seguida, tiveram que rearrumar toda a bagagem no carro para, então, colocar o Thor dentro do container e amarrá-lo com cabos de aço, a barraca e a caixa entraram por último. Finalmente, o container foi lacrado!

                        Enfim, conseguimos caminhar na cidade de Guayaquil, nosso último dia aqui. Fomos ao centro cívico, depois de uma caminhada muito longa, todos diziam para pegarmos um ônibus... estava fechado, motivo: obras. Então, fomos ao famoso Malecon 2000, este sim, valeu a pena, um calçadão com uma bonita estrutura, à beira do Rio Guayas, belíssimo visual. Definitivamente Guayaquil não é uma cidade turística, sua vocação é para comércio e indústria. Hoje, caminhamos mais de 10km.

                        GUAYAQUIL - 06-07-07 - Sexta, dia nublado

                        Voamos para Ilhas Galápagos....

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                        Fonte: Terrasemfronteiras.com

                        Saímos cedo para o vôo, o aeroporto grande e bonito mas, totalmente desorganizado. Demoramos alguns bons minutos para encontrar a empresa de aviação Copa, que faz vôos diretos para a cidade do Panamá, pois teríamos que garantir as passagens, finalmente conseguimos.

                        Vôo pontual para a tão famosa Galápagos, durou 1:30h. O clima não está muito bom por aqui, é inverno e não faz sol, às vezes, uma luz sai de repente e logo se vai, o que é uma pena, pois, isto aqui, é o paraíso...

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                        Fonte: Terrasemfronteiras.com

                        Os equatorianos têm privilégio nas Ilhas Galápagos, o que achamos muito justo, infelizmente, no Brasil isto não ocorre. Porém, injusta é a diferença brutal dos preços que temos que pagar pela taxa de ingresso nas ilhas.

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ID:	168665
                        Fonte: Terrasemfronteiras.com

                        Desembarcamos na Ilha de Baltra, pagamos a taxa para ingressar no arquipélago, os equatorianos pagam U$ 6,00 e estrangeiros U$ 100,00, porém descobrimos, na hora, pedindo desconto, algo importante que não nos foi informado pela agência, que o Mercosul e a comunidade Andina tem desconto de 50%. Para nós foi um sinal de boas vindas...

                        Fomos comprar o ticket para o ônibus e um jovem americano da Pensylvânia estava desesperado pedindo U$ 40 emprestado para inteirar na taxa de ingresso, já que ali não havia caixa eletrônico... e eles teriam que reter o seu passaporte. Como sabemos não é qualquer um que empresta dinheiro, mas tivemos dó do menino e o emprestamos, ficou muito agradecido... Quando chegássemos a Puerto Ayora ele nos devolveria, e assim o foi.

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ID:	168666
                        Fonte: Terrasemfronteiras.com

                        Pegamos um bus lotado até o "ferry boat" (há quanto tempo não andamos de ônibus)! Cruzamos, em 5 minutos, o belíssimo canal de Itabaca com águas verdes esmeralda, ele separa a ilha de Baltra da Ilha de Santa Cruz e, em seguida, mais um ônibus enfrentamos até a capital da ilha, Puerto Ayora. Todo o percurso durou, mais ou menos, 1:30h.

                        Fomos direto a um restaurante, pois estávamos cegos de fome, o primeiro que vimos, entramos! Comemos uma deliciosa comida e pagamos caro por isso... Enquanto eu aguardava o almoço, o Cláudio foi procurar hotel, pois a minha intuição nos dizia que não encontraríamos tão fácil, os mais baratos estavam lotados... há hotel para todos os gostos e bolsos. Após visitar uns três, o Cláudio conseguiu reservar um bem simples, porém limpo. Ficamos no quarto mais econômico, não havia água quente, porém tivemos a sorte de uma bela vista para o mar...

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ID:	168667
                        Fonte: Terrasemfronteiras.com

                        Depois de instalados, fomos passear de barco, conhecemos uns israelenses muito engraçados, demos muitas risadas e uma brasileira com dupla nacionalidade, (Equador e Brasil). Fomos fazer "snorkel" com os tubarões, mas fiquei com muito medo... o Cláudio logo entrou e foi nadar com os bichinhos, dentro de uma fenda, pena que não tiramos fotos, não havia máquina subaquática, mergulhei e fiquei apreciando aquela belíssima fauna marinha ao redor do barco... que coisa hein... quem sabe mais tarde eu dê um mergulhinho com eles. O Cláudio viu 4 tubarões grandes, não sentiu nenhum medinho, isto é o que ele diz... Depois, seguimos para a maravilhosa, de cor azul clara, praia de Tortuga Bay - águas tranqüilas, rodeada por vegetação de mangue, onde os passarinhos chegavam muito próximos procurando por comida, lindíssima!

                        Pela noite, fomos comer uma pizza, e na TV do restaurante estava passando novela brasileira... não acreditamos, aqui em Galápagos! Achávamos que estaríamos isolados, ledo engano... tem internet, tv a cabo, hotéis luxuosos, táxis circulando e tudo o que imaginas numa cidade urbana...

                        GALÁPAGOS - 07-07-07 - Sábado, dia nublado

                        Acordamos cedo e fomos caminhar para ver o que fazer, decidimos pegar um táxi para conhecer a praia de Garrapateiros, pois era longe. O taxista nos deixou e nos esperou, ficamos umas três horas na belíssima praia, isto aqui é um sonho... que mar, que cor, só faltava mesmo o Sol.

                        Almoçamos num lugar excelente e com preço excelente... que bom! Quando estávamos a caminho do cais, fomos à mesma agência que havia ido ontem para saber se havia passeio para Isla Bartolomé, pois é uma ilha muito concorrida, desde Guayaquil já sabíamos que não havia tour diário para a mesma, entretanto, não desistimos! Uau, sorte a nossa, havia dois lugares.... Conseguimos, que alegria, só o preço que não era muito agradável, mas...

                        Fomos ao cais, pegamos um táxi aquático até a praia dos Alemães e de lá caminhamos até las Grietas, é um lugar muito especial, a água do mar infiltra, em meio as rochas, formando uma piscina profunda com águas cristalinas, foi fantástico mergulhar naquele lugar... há um pouco de vida marinha, o que o torna mais especial...

                        Fomos tomar café, sem comentários...

                        Comentário

                        • Gilmar Dessaune
                          Fazedor de Chuva

                          • Oct 2012
                          • 6891

                          #27
                          Karine, boa noite,

                          Sem muitas palavras ou adjetivos para descrever meu sentimento com essa aventura e fotos: espetacular, magnífica, exuberante, incrível, inspiradora, fantástica, nossa... extasiado aqui e com muita vontade de um dia fazer algo perto de 10% disso tudo, já vai ser ótimo prá mim.

                          PA-RA-BÉNS!!!!!

                          O-BRI-GA-DO pelos posts.

                          Comentário

                          • karine
                            Fazedor de Chuva
                            • Jul 2012
                            • 1595

                            #28
                            GALÁPAGOS - 08-07-07 - Domingo de um belíssimo Sol - pura Alegria!

                            Isla Bartolomé, não inclusa no nosso tour, queríamos demais conhecê-la, até que conseguimos um tour diário...

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ID:	169301
                            Fonte: Terrasemfronteiras.com

                            Acordamos às 4h da madrugada para fazer este passeio que saía às 5h... Quando fomos sair do hotel, o portão estava fechado, e agora?
                            Olha que no dia anterior falei para o Cláudio, "amor será que não vão trancar o portão e não vamos ter como sair?" , mas o meu amor não deu muita bola...

                            Foi um drama comédia, o Cláudio começou a bater na porta da recepção do hotel, a medida que não atendia, batia mais forte, mais forte, mais forte, andava até o portão meio nervoso (isto umas três vezes), perguntando se eu conseguia pular o muro, o muro cheio de cacos de vidro, voltou à porta e continuou, só que agora ele não batia, ele esmurrava, dava socos, espancava, e eu no portão, só ouvindo e pensando, mais que raio de sono pesado é esse?..., estávamos a ponto de acordar todo o hotel, menos a proprietária. Depois destas batidinhas "suaves"... a proprietária surgiu e perguntou: "que se passa?" Isto porque o Cláudio, ontem, avisou ao seu marido que iríamos sair cedo hoje... imaginem se não tivesse avisado? O Cláudio respondeu: "tenemos que salir a un paseo" e ela: "con quien vas a salir?" Ainda queria saber com quem iria sair, é mole! O Cláudio: "ora, com mi esposa!" Finalmente, ela abriu o portão e em cinco minutos o ônibus chegou... que alívio!!! O Cláudio já era outra pessoa... Imaginem perdermos o passeio que mais desejávamos...

                            Depois de um certo tempo, demos muitas risadas, a dona do Hotel é uma figura, como dizem os jaraguaenses: ela é "fora da casinha", totalmente...

                            Após tomarmos o nosso café da manhã no barco e conhecermos um grupo de jovens americanos de diferentes estados, tivemos que nos esforçar para captar a pronúncia de cada um deles, especificamente duas americanas com quem mais conversamos (bem louquinhas), inclusive, uma delas se disponibilizou a ser nossa guia na Carolina do Sul.

                            Desembarcamos na Ilha (5 horas de viagem). A Isla de Bartolomé pertence ao arquipélago de Galápagos, é uma imagem surreal, ao aproximar o barco daquele mar esverdeado e tranqüilo, ver os lobos marinhos se exibindo e uma coloração de rochas inigualável, é de se perguntar, será que isto existe?

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ID:	169302
                            Fonte: Terrasemfronteiras.com

                            Éramos um grupo de mais ou menos 20 pessoas, havia um casal, um etíope e uma alemã com quatro filhos, uma senhora com uma menininha da Alemanha, os jovens americanos(6), nós representando a América do Sul, brasileirinhos e mais alguns tripulantes do próprio barco, equatorianos. Fizemos uma caminhada até o topo da ilha, trilha já preparada para isto... vocês não tem noção do visual, caminhávamos por aquelas cinzas de lavas vulcânicas pretas contrastando com o mais puro verde do mar... A cada parada para fotografar tínhamos que retomar o fôlego para apreciar tamanha beleza... no caminho, vimos o atobá de pata azul, caranguejos coloridos em tom avermelhado, lobos marinhos e até um pingüim solitário, uma formação rochosa que parecia uma esfinge e o encontro do azul do céu com o verde do mar... O Cláudio se deliciou com tanta beleza, os clicks não paravam um minuto sequer.

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ID:	169303
                            Fonte: Terrasemfronteiras.com

                            Após esta caminhada, fomos até as praias da ilha, uma só para observar os tubarões de barbatana branca que nadavam à beira da praia, arrastando-se na areia, justamente porque ali a água era mais quente e havia alimento para eles. Impressionante vê-los tão próximos e tão dóceis... Aliás, os animais de Galápagos são dóceis demais, nunca vimos tanta doçura expressa em seus olhos, podemos chegar tão perto, a ponto de tocá-los, o que não é permitido, afinal estamos numa área de Parque, reserva nacional... Depois, fomos mergulhar para ver a fauna marinha daquele lugar divino, rapidamente fomos eu e meu amor rumo às águas, ora geladíssimas, ora correntes quentes, ora correntes fortes, ora não havia corrente.... que mistério este mar. Foi um dos melhores e mais fascinantes mergulho que fizemos, o fundo do mar é colorido, não só os animais, mas também os vegetais, os corais... vimos diversos peixes, inclusive um tubarão o Cláudio viu, mas, quando me aproximei, já havia sumido, sorte a minha! rsrsrsrs.

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ID:	169304
                            Fonte: Terrasemfronteiras.com

                            Descrever Galápagos é algo impossível, não há palavras que expressem tamanha beleza, só estando aqui para vivenciar este paraíso...

                            GALÁPAGOS - 09-07-07 - Segunda - dia nublado

                            Hoje foi um dia muito tranqüilo, levantamos cedo, aliás acordamos com a proprietária "fora da casinha", dentro do nosso quarto, não acreditamos!... A vingança!!!!!!!

                            Veio nos perguntar se queríamos fazer um passeio... na verdade, achamos que ela pensou que não estávamos no quarto e veio confirmar, pois neste dia não havíamos pago a diária, ela ficou com medo, talvez, tanto é que, depois de falar do passeio, já foi logo dizendo que tínhamos que pagar mais uma diária... quem pode com isso? O Cláudio nos arranja cada hotel...rsrsrsrsrs

                            Rimos muito, aliás estamos rindo até agora. O marido dela também é meio fora, toda vez que encontrava o Cláudio perguntava de onde era, como se fosse a primeira vez, o Cláudio respondia que era do Brasil e, o senhor: "Ah! Minas Gerais, Belo Horizonte!!!" Isto aconteceu umas três vezes... o Cláudio me contava aos risos...

                            Ficamos pela Ilha de Santa Cruz, Puerto Ayora, centro da indústria do turismo ela possui aproximadamente 11 mil habitantes, é a ilha mais povoada de todas, além desta, mais 4 são habitadas, a Isabela, a de Baltra, a de San Cristóbal e a Floreana, totalizando uns 30 mil habitantes. Aqui tem de tudo, bares e restaurantes para todos os bolsos, ótimos e razoáveis hotéis, internet, enfim, tudo o que tem uma cidade urbana, como já havia dito! A quantidade de turistas também assusta, dizem haver um controle para isto, mas achamos que a Ilha merecia mais atenção, pois praticamente não há guarda-parque suficiente. Se quiséssemos tocar nos animais, sair da trilha, enfim o que quiséssemos fazer de errado, faríamos... como não faz parte da nossa índole, respeitamos e muito a natureza, mas e os que não respeitam? Onde há a presença do ser humano, infelizmente, há perigo... um sinal disto foi a quantidade de lixo que vimos em lugares paradisíacos, era realmente triste...

                            Andamos pelas suas ruas, fomos a Las Ninfas, uma lagoa que recebe água do mar, onde as pessoas locais costumam banhar-se no verão, o lugar é muito bonito, coberto por uma vegetação de mangue, águas claríssimas, porém vimos muito lixo... Após isto, fomos caminhando, meio sem rumo, até chegar a Estação Fundação Charles Darwin, que tem como missão disseminar o conhecimento através das pesquisas científicas e assegurar a conservação da biodiversidade do meio ambiente do Arquipélago de Galápagos. Finalmente, vimos as famosas "tortugas gigantes". Este passeio, vamos fazer com o cruzeiro de 5 dias, mas curiosos, resolvemos adiantá-lo um pouco.

                            Aqui percebemos como o Planeta Terra é um organismo vivo! Nossa! Esse lugar nos fez lembrar e muito a nossa querida Cris (irmã e cunhada), Bióloga que é, não saberia onde conter tanta informação e assombro de ver tantos animais diferentes, exóticos, não há lugar no mundo como Galápagos, ele é totalmente ímpar!

                            Comentário

                            • karine
                              Fazedor de Chuva
                              • Jul 2012
                              • 1595

                              #29
                              GALÁPAGOS - 10-07-07 - Terça de Sol

                              Embarcando... Começa o nosso tour, um cruzeiro de 5 dias, a bordo de um veleiro com quarto e banheiro privados e toda alimentação inclusa, navegaremos por mais algumas ilhas de Galápagos.

                              Acordamos às 6h para pegar o ônibus que saía às 7h. Fomos diretamente ao aeroporto encontrar o guia que nos levaria ao nosso barco, Intrépide. Chegamos ao aeroporto às 8:30h e ficamos esperando até às 11:30h, nesse tempo conhecemos um casal muito divertido da Bélgica, uns amores.

                              Embarcamos por volta do meio dia, conhecemos um pouco da tripulação, há uma variedade de países fazendo parte do mesmo grupo, realmente muito interessante, Austrália, Irlanda, Bélgica, Escócia, Inglaterra, Nova Zelândia e Brasil, que mistura linda!

                              Logo, foi servido o almoço, muito saboroso, sentamos com os nossos amigos Belgas e um casal australiano, recém casados, foi bem agradável. Depois, fomos nos banhar na paradisíaca praia de Bachas, que foi base americana durante a segunda guerra mundial com o intuito de proteger o Canal do Panamá das forças japonesas... Caminhamos por suas areias fofas, parecia uma paçoca, até um belo lago com flamingos, extremamente exóticos, espécie endêmica, ou seja, só existe aqui, uma mistura de cores, rosa, laranja, preto, branco, indefinidamente lindos, apreciá-los foi de encher os olhos de lágrimas, pois a natureza é tão sábia e nos brinda com imagens maravilhosas... Também vimos iguanas, pelicanos, atobás e diferentes gaivotas, mas não encontramos nenhum "Fernão Capelo Gaivota", uma pena!

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ID:	169637
                              Fonte: Terrasemfronteiras.com

                              Em seguida, ficamos por 2 horas na praia, apreciando a fauna marinha, ou seja, fazendo "snorkeling" e tomando um belo banho de sol.

                              Voltamos ao barco, nos saboreamos com um delicioso pôr de sol, parecia que fazia "chuá" ao cair nas águas do pacífico. Fomos ao nosso banho, nos preparar para o jantar... agora jantamos com o casal Belga, uma menina da Austrália e uma outra de Londres... são bem queridas, nossos ouvidos estão se adaptando aos diferentes sotaques...

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ID:	169638
                              Fonte: Terrasemfronteiras.com

                              Percebemos que somos muito bem vindos, a tripulação ficou encantada quando soube que éramos do Brasil... sempre estão nos dando boas vindas e conversando conosco, falando do nosso país, futebol é claro, em plena Copa América, o que poderia mais... Ficamos muito felizes, pois é muito bom saber que somos queridos, até mesmo as pessoas de outros países demonstraram carinho em relação ao nosso país...

                              Galápagos é encantador! Cada canto um enigma, um mistério a ser decifrado...

                              GALÁPAGOS - 11-07-07 - Quarta de Sol entre muitas nuvens

                              Café às 7 horas, levantamos bem, pois fomos dormir relativamente cedo... O balanço do barco me fez muito mal... não havia tomado remédio, fiquei totalmente mareada, nem ao menos consegui tomar café... um pouco tarde, tomei o remédio e fiquei ao vento para ver se passava, é uma sensação terrível...

                              Foi maravilhoso quando o guia nos chamou para desembarcar, que alívio...

                              Caminhamos, pela manhã, na Ilha sul de Plazas, pois a norte não é aberta a visitação, a ilha é coberta por uma vegetação rasteira vermelha alaranjada, vimos iguanas, os caranguejos coloridos e muitos lobos marinhos, é muito interessante o comportamento dos lobos... eles não podem e não devem ser tocados jamais, a mãe reconhece o seu filho pelo seu cheiro, se ele for tocado a mãe não o reconhece mais, como conseqüência, ele morre, pois ela não o assume mais como filho... é uma tristeza... vimos vários esqueletos de lobinhos. Os filhotes passam o dia gritando, pedindo comida, querendo mamar, a procura de sua mãe, e a cada lobo fêmea que ele chega, ela grita, supostamente, mandando-o sair. Não sabemos, mas ao mesmo tempo que é bonito ver a colônia de lobos e seus filhotes brincando, é triste vê-los a procura de sua mãe...

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ID:	169639
                              Fonte: Terrasemfronteiras.com

                              A tarde, navegamos até a Ilha de Santa Fé, foi a saída para mergulho, eu não fui, só o Cláudio, pois não havia sol e a água estava muito gelada. Mais tarde, fomos caminhar pela praia para ver mais lobos e uma única espécie de iguana terrestre que habita a Ilha de Santa Fé. Depois voltamos para o barco para jantar e irmos dormir, pois o Cláudio estava bem mal, não sabemos o motivo, mas passou toda noite queimando em febre... que calor eu senti!

                              Comentário

                              • karine
                                Fazedor de Chuva
                                • Jul 2012
                                • 1595

                                #30
                                GALÁPAGOS - 14-07-07 - Sábado de Sol

                                Finalmente, desembarcamos - terra firme... o passeio foi muito bom, mas bastante cansativo, não agüentávamos mais ficar no barco. Ah! E a saudade do Thor!!!!! Não temos nenhuma notícia dele....

                                Voltamos à estação Charles Darwin, o Cláudio com seus pés machucados e a febre que não cessava, andava mais lento que o solitário George, a última espécie remanescente "Pinta Tortoise" de tartaruga existente no mundo. Lá pode-se ver os diferentes aspectos do ecossistema de Galápagos, os problemas e programas de conservação.

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ID:	169780
                                Fonte: Terrasemfronteiras.com

                                Estamos passando por um momento difícil na viagem, o Cláudio está a 4 dias com febre alta e não sabemos o que é. Bem, partimos para o aeroporto de Baltra. Nos despedimos dos companheiros do barco e com muito carinho dos novos amigos Belgas, eles disseram que irão nos visitar e estarão sempre acompanhando o nosso site. Será uma alegria!

                                De Baltra a Guayaquil. Temos um vôo marcado para o Panamá às 6:50h da manhã, por isso resolvemos dormir por aqui mesmo, no aeroporto... O Cláudio só estava piorando... chegamos em Guayaquil, fiquei com a bagagem e o Cláudio foi diretamente procurar o médico do aeroporto, pois realmente não estava nada bem.... Ficou uns 50 minutos longe de mim, é a segunda vez na viagem que nos separamos, imaginem eu, angustiada, esperando por ele, pois não pude ir junto devido a quantidade de bagagem que tínhamos, estava insuportável de carregar... O médico disse que ele está novamente com uma infecção intestinal, é, a comida está nos pegando..., mas também, ele comeu camarão com casca e tudo, todo o camarão... eu avisei, mas foi em vão... resultado.... o médico aplicou duas injeções, receitou um antitérmico e um antibiótico, tudo o que ele nunca toma... mas, agora estava no seu limite. Os sintomas da infecção começaram a aparecer com mais força, tadinho está tão carente, mas estou cuidando dele na medida do possível, pois eu estou dopada de tanto dramin que tomei, saí do barco e continuo com a sensação do vai e vem... Estamos nos consolando, nesta hora, dá uma vontade louca de estar em nossa casa, nosso cantinho, mas somos fortes e vamos superar esta fase...

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ID:	169781
                                Fonte: Terrasemfronteiras.com

                                No aeroporto, ficamos trabalhando no site, há muito o que fazer, com o pouco de força que nos restava, não tínhamos vontade de comer nada, enjôo duplo... mas, mesmo assim acabei comendo, o Cláudio não.

                                Para relaxar um pouco fui dar uma voltinha nas lojinhas do aeroporto, encontrei o que mais queria, um DVD com toda obra do Oswaldo Guayasamín e, ainda, escrito pelo Jorge Enrique Adoum, foi um achado maravilhoso, claro que comprei!

                                Como ficamos toda noite por ali, era muito interessante observar as pessoas, a cada despedida, uma tristeza, havia uma senhora com um bebezinho recém-nascido e supostamente o seu marido estava indo viajar, ela chorava de soluçar e por conseqüência o bebê também, era tão triste ver aquelas cenas... ao mesmo tempo que estavam felizes estavam tristes com a dor da partida... Me dava um aperto no coração, mas isto faz parte da vida e temos que entender que ela é como uma estação de trem, uns passam mais rápido, outros se demoram mais e têm aqueles que ficam, mas que a qualquer momento podem partir...

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